Noutro texto, perguntei por quais motivos alguns partidos que se pretendem "à esquerda" do PT, decidiram lançar candidaturas presidenciais.
A dúvida ficou reforçada ao ver esta faixa, exibida pelo Partido da Causa Operária, num ato realizado neste domingo, 27 de setembro, num dos cantos da Praça Osvaldo Cruz, lá no início da Avenida Paulista.
Suspeito que o Hamas não concorde que "defender a Palestina seja defender o Hamas"; afinal, a Palestina é maior do que qualquer uma das organizações que lá existem.
Suspeito, também, que os "vivas" ao Irã e a várias organizações misturam política internacional com a descoberta - feita no passado pelo MR8 - das vantagens colaterais que decorrem dessas manifestações públicas de extremado afeto.
Mas "suspeita" mesmo é a frase "democracia é um fuzil no ombro de cada trabalhador!"
A frase em si é discutível. Pode ser válida, ainda que parcialmente, em momentos de guerra civil.
Mas, nos momentos "pacíficos" da luta de classes, a existência de "democracia" para a maioria da população trabalhadora exige instituições diferentes, exige uma comunicação de massa diferente, exige auto-organização da classe etc.
Sem dúvida é fundamental saber quem controla as armas. Mas falar só da "questão militar" é de um reducionismo atroz. E achar que o controle das armas, em 2026, se resolve dessa forma, é uma mistura entre ingenuidade esquerdista e libertarianismo direitista.
Entretanto, para além do debate acerca da frase em si, cabe perguntar por quais motivos destacar precisamente esta frase, num ato de campanha da candidatura presidencial do PCO, neste ano santo de 2026.
E, ainda, que sentido faz - para quem pensa que "democracia é um fuzil no ombro de cada trabalhador" - participar dessa eleição de 2026.
Deve haver várias explicações.
Uma delas está na proximidade programática entre certas posições do PCO e certas posições da extrema-direita.
Vejam, por exemplo, a crítica de Pimenta contra a proibição das BETS:
https://www.poder360.com.br/poder-partidos-politicos/presidente-do-pco-rebate-lula-sobre-bets-errado-proibir-apostas/
Vejam, também, a posição dele a favor do "armamento da população":
https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2014/noticia/2014/08/rui-pimenta-defende-populacao-armada-para-combater-o-crime.html
Nessas e noutras questões, o PCO assume posições programáticas similares às da extrema-direita.
O que torna o debate sobre a "função" da candidatura presidencial do PCO algo um pouco mais complexo: é um deserviço para a esquerda, mas não para todo mundo.

De fato, camarada, "não para todo mundo"! Conheço gente que não vê assim.
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