quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Texto de novembro de 1980

Não está revisado. O PDF dos originais foi feito pela Edma Walker, a digitação por Alana Gonçalves.

PONTOS PARA DISCUSSÃO

 

Na medida em que começamos a nossa organização como tendência dentro do mov. secundarista, colocam-se mais do que nunca uma série de questões, que vão desde a importância de nos organizarmos como tendência até o nosso programa. Como não poderei estar presente na reunião que inicia de vez a nossa organização, achei importante colocar minhas opiniões de modo a todos terem acesso a elas.

Primeira questão: o que foi a campanha, que saldos obtivemos, o que fazer.

Ao analisarmos todo o processo que nos levou a formar uma chapa com a R., veremos que, de uma manekra geral, conduzimo-nos acertadamente em tudo. O nosso racha na convenção, como provam os resultados da eleição, foi mais que justo: realmente, a proposta correta quanto à divisão dos cargos era a nossa.

A coisa toma outra direção quando se analisa a preparação do programa. É de conhecimento que a nossa participação foi nula. Se bem que explicada pela nossa desorganização dentordo movimento, isso não se justifica sob hipótese nenhuma. Ao não participarmos da confecção da CP corremos o risco de vermos os nossos objetivos frustrados. O mesmo se refere quanto à campanha. A direção da campanha ficou na mão da R., o que nos pôs em posição de defesa tanto frente à R. quanto aos independentes.

Em relação à campanha, creio que outras críticas podem ser feitas. Minha pouca participação nela, e que aqui me faço uma crítica, me impede de proferir nada além disto.

Quando analisamos os resultados, creio que duas colocações se fazem; primeiro, se o fato de termos perdido nega o acerto dos objetivos propostos na CP; segundo, o saldo da campanha foi positivo ou negativo, e qual a colocação das outras correntes à esse respeito.

Quanto à primeira colocação, creio que só uma análise da própria eleição pode responde-la. O que foi a primeira eleição para a UMES-SP?

Ora, creio ser acerto geral que essas primeiras eleições só vieram a demostrar a fraqueza do movimento. Primeiro, a irrisória participação dos estudantes na campanha, segundo, o metodo coronelismo em que se desenrolou a campanha.

Participaram das eleições para a U. apenas 2,3% dos estudantes paulistas. Essas participação, e aí entra o coronelismo, se deveu mais à insistência dos “boca de urna” que à verdadeira convicção, sem contar que os votos em geral eram dados a quem fazia campanha mais agitadamente, a quem possuia a CP mais bonita ou mesmo ao tamanho do traseiro de certas companheiras.

Ou seja, mesmo sem entrar no mérito dos roubos que ocorreram, creio que isso basta para demonstrar que os princípios expostos na CP não tem nada a ver com a nossa derrota.

Ora, qual o saldo para a campanha? Creio que obtivemos um saldo extremamente positivo. Por quê? Entramos desorganizadamente em uma eleição, fizemos uma campanha razoavel e obtivemos segundo lugar. O que há de positivo: só o simples fato de termos aglutinado em torno de nós um número maior de pessoas com quem será possível trabalhar adiante, o fato de termos demonstrado a nossa capacidade de mobilização, já se constitui em saldo extremamente positivo.

O que acham as outras tendências a respeito disto: creio que de uma maneira geral, se colocam mais três posições à este respeito. Uma, daqueles partidários do Hora do Povo, que consideraram a eleição uma fraude e que, ao que tudo indica, vão tentar anulá-la dia 16, no COMEB. Outra, daqueles que se alinha em torno do Voz da Unidade, que se virão desgostosos com a aliança que fizeram com a HP e TLO e colocam como prioridade hoje dar a volta por cima. Outra colocação, daqueles que venceram as eleições, que acharam-na uma grande vitória, sem analisar todas as falhas (mesmo porque foram responsáveis por grande parte delas) que a desmassificou e a despolitizou.

 

Atualmente, que fazer?!

Coloca-se para nós a urgente obrigação de nos estruturarmos como tendência, a fim de fazermos uma intervenção firme, decidida e coerente dentro do movimento. Não creio que isto passe sem algumas reclamações, tais como “como nos colocarmos como tendência, nós que brigamos tanto com o que elas fizeram no MS…”. Ora, por que estruturar-mo-nos como tendência? Não será possível à nós dar nenhum passo a mais sem uma organização tal que nos permita uma LINHA ÚNICA DE CONDUTA dentro do MS. Essa organização tem o nome de tendência. A forma dentro da qual ela se organizará é que é a pedra do toque que originará seus acertos… ou suas falhas.

O que se coloca então em termos de organização, de que maneira iremos estruturar a tendência?

Tive a oportunidade de entrar em contato com várias posições à respeito. Creio que para um debate mais proveitoso se torna necessária a análise de cada uma delas, por vez.

1. Quanto à tendência ser ampla (divulgada) ou não.
2. Ora, essa é uma questão de suma importância. Temos de possuir uma forma pela qual os estudantes que pertencem àquela camada média identifiquem-se conosco, de alguma forma. A nível nacional, isso é prioritário. No entanto, como me expuseram, corremos o perigo de perder alguns setores ligados à igreja, sem contar o tão famigerado pavor à tendência expressa por esta mesma camada média que pretendemos captar com a estruturação aberta de uma tendência.

Creio que quanto ao setor da igreja não há muito o que falar. Os setores ligados à igreja se organizam e continuarão à se organizar, com ou sem VA, dentro das pastorais da juventude. Creio que, inclusive, colocações como esta só surgem de um engano quanto aos nossos objetivos com a formação de uma tendência. A TENDÊNCIA SÓ VAI SE ESTRUTURAR PARA ORGANIZAR COERENTEMENTE O TRABALHO DE BASE, E A PARTIR DESTE, A INTERVENÇÃO NA UMES. Nesse sentido, só fechamos com a R. porque esta colaborou conosco na campanha em que se afloraram uma série de elementos importantes dentro do processo que agora se inicia, elementos que não podemos perder e que para preservar só formando a tendência com a R..

A igreja é um caso diferente; trabalhamos com ela, mas esta possui uma estrutura própria, ao contrário de nós e da R.; sendo assim, não tem sentido trabalharmos com ela. Seria o mesmo que fecharmos com o HP.

Algo mais se coloca: como manter uma estrutura que nos permita discussões, reuniões e a publicação de propostas que nos faça crescer como membros do MS, de maneira não aberta, clandestina mesmo?

Minha posição é uma só: TENDÊNCIA ABERTA. Creio no entanto que isto deve ser debatido profundamente antes do dia 15.

2. Jornal da tendência.

Esta proposta, de Breno, só viria a se tornar uma faca que enfiamos em nosso próprio coração. Um jornal só viria a se tornar paralelo à UMES, ao jornal da UMES. Fundar uma tendência abertamente não quer dizer assumir o paralelismo próprio de grupos como o Alicerce e Informações Secundaristas.

3. Organização interna.

Como deverá ser a estrutura desta tendência. Creio que a melhor proposta é aquela lançada numa reunião anterior à de quinta(/) uma comissão executiva de 4 ou 5 membros que teria por função a convocação das reuniões; as “assembleias” da tendência.

Que outras questões mais se colocam diante de nós?

Primeiramente, a análise da situação do MS, e as diretrizes para o trabalho de base. Em seguida, uma análise rápida da conjuntura, superficial. Creio que, para não alongar o já cansativo trabalho, colocarei apenas sugestões de pontos a serem discutidos: nível de consciência, fator de mobilização (o que usar para mobilizar os estudantes) e meta (que objetivos propomos); uma só política ou várias políticas de trabalho de base; abertura e pressão das massas ou tática de esvaziamento do movimento popular; PT ou PMDB/questão partidária e estudantes.

Espero que, se alguém ainda escuta o que espero que esteja sendo lido, eu tenha contribuido em algo. VP nov/80

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