Edma fez o PDF dos originais, Alana Gonçalves digitou. Não foi feita a revisão. A data, provavelmente: 1980 ou algo perto.
Avaliação do MS do Equipe e propostas para sua continuidade
Qualquer análise, mesmo que superficial, da atual situação do movimento secundarista no Equipe nos indica que o momento é particularmente perigoso.
Aliada as dificuldades naturais que são encontradas em qualquer trabalho mais politizado que se queira levar, nos defrontamos hoje com uma situação de extremo desgaste para as correntes políticas e/ou pessoas interessadas em realizar um trabalho mais geral, à nível de toda sociedade.
Esse desgaste - hoje o maior entrave a qualquer atividade política dentro do Equipe - não surgiu de um pretenso apoliticismo” da “massa” do Equipe - como, por desespero de causa, chega ma afirmar alguns. Surgiu sim em virtude da atividade de todas as correntes políticas que atuaram no Equipe, que privilegiava, do ponto de vista do método, o trabalho externo ao interno, e a luta tresloucada entre si ao combate fraternal dos que tem os mesmos objetivos; que privilegiava, do ponto de vista político, a luta contra a coordenação do que a busca de manter o Equipe de pé a todo o custo.
Como era inevitável, começou a se formar toda uma “oposição” à este tipo de prática.
Desta “oposição” faziam ou fazem parte grupos tão distintos como o “BEIJO DE LÍNGUA”, o “Abrobrinha” ou o grupo que se formou para organizar o “Ciclo de Debates”.
É justamente o fato de se ter formado um grupo que se dispõe a uma prática política e não a um abstencionismo, que torna o atual momento crítico: ou se parte deste grupo para uma nova prática de trabalho ou teremos que admitir nossa incapacidade de organizar algo novo!
Este documento constitui uma contribuição para a elaboração de uma nova linha de atuação.
UMA VISÃO DO EQUIPE
O Equipe, enquanto escola, possui uma grande contradição: se por um lado ele tenta se constituir num novo modelo de escola, diferente, por outro não pode fugir do fato de, sob uma sociedade capitalista (e principalmente na nossa) ser impossível a uma escola sobreviver sem recorrer a método não muito “modernos”...
E, note-se, não se trata aqui de dizer que o Equipe é uma nova escola por sua proposta, ou que sua proposta de escola é socialista, ou algo que o valha - trata-se apenas de verificar que o Equipe abre um espaço enorme para a discussão política e o aprendizado. E nesse sentido, constitui uma escola diferente.
Mas o fato é que a escola, sob um regime capitalista, não tem muita opção além da luta árdua pela sobrevivência entre as concorrentes, na busca de uma faixa de clientela que lhe garanta a subsistência financeira; nos aumentos de mensalidades; nos eventuais cortes de funcionários e/ou de serviços, etc… Por não ser uma escola com grandes condições financeiras - muito pelo contrário - o Equipe participa desta luta em situação de desigualdade.
Diante desta situação, que atitude tomar, por exemplo, diante de um aumento de mensalidade? O boicote ou o pagamento?!
Creio que nossa opção preferencial deve ser pela defesa do Equipe, se colocando contra qualquer boicote ou qualquer outro tipo de atitude que vise, concretamente, colocar em perigo sua manutenção.
E, da mesma forma, em todas as questões que se colocarem, ir contra qualquer tipo de visão de que o Equipe visa é “manter seu lucro”.
Essa posição de defesa do Equipe tem um motivo bem claro: o espaço educacional e político que a escola proporciona é essencial nos dias de hoje - e uma propaganda sobre a situação do ensino feita através do Equipe, e não contra ele, surte muito mais efeito.
Agora, essa posição de defesa do Equipe, de seu espaço, é diferente de se tomar uma postura de avestruz diante do que acontece dentro do Equipe ou com ele.
Um aumento de mensalidade, por exemplo, é um momento em que devemos promover debates e discussões sobre a situação do ensino no Brasil, inclusive ao lado da coordenação!
Ou uma repressão qualquer que ocorra, mesmo que justificada (não as que são), deve ser combatida sob um ponto de vista de que o Equipe deve ser no ponto máximo um coletivo em que as coisas se discutam e se decidam conjuntamente.
Por exemplo, a postura da coordenação frente à existência de um orgão colegiado no Equipe não é, em absoluto, justificada. E devem se procurar os maiores canais para a discussão desta proposta. Aí temos o lado de “girafa” desta política. Mas a discussão deve ser procurada não sob o argumento préconcebido de que a coordenação não quer orgãos colegiados porque é “ditadora”, “mandonista” ou qualquer coisa mais. E aí temos o outro lado, o de apoiar o Equipe e encaminhar com a coordenação uma “luta” fraternal.
Em suma: o Equipe é uma escola fadada a possuir uma contradição que lhe impede de cumprir integralmente o papel que poderia, e essa contradição deve ser exposta todos os momentos; mas é, por outro lado, um espaço educacional e político tal que devemos lutar com unhas e dentes para que seja preservado.
UMA VISÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL NO EQUIPE
O saldo geral do m.s. no Equipe é negativo: as entidades estão extremamente desgastadas; das três entidades que haviam em 80, só resta o Grêmio do Ginásio; os movimentos independentes que surgiram (Abrobrinha e Beijo de Língua) não vingaram; não existe uma postura clara do conjunto dos estudantes a respeito de uma retomada do movimento, nem existe uma corrente ou alguém que se possa chamar de direção.
No entanto, a bandeira do Grêmio enquanto expressão organizado do conjunto dos estudantes é importantíssima de ser levantada. E isso para se contrapor a maré de descrédito que vem sendo a constante dentro do Equipe quando se fala nas entidades estudantis.
Só que levantar a organização dos estudantes em cima do nada já se demonstrou inviável; cabe a nós, portanto, levantar a bandeira da organização dos estudantes em torno de um trabalho concreto que levemos no nosso dia a dia.
A realização dos debates, embora toda a debilidade que esta primeira experiência revelou, e que ainda está por ser analisada, é uma atividade concreta. As festas diversas que foram feitas durante o ano são atividades concretas. Ou o jornal que ainda não saiu de um projeto também é!
Sistematizando, poderíamos dizer que se o nosso objetivo central nesta primeira etapa de trabalho dentro do Equipe é a reorganização das suas entidades, e a luta por uma única entidade dentro do Equipe, para alcançá-lo teremos de passar por toda uma fase de “trabalho duro”, cotidiano e que inspira em alguns cuidados:
a-) promover atividades culturais e esportivas unitárias de forma frequente buscando que cada vez mais os próprios estudantes assumam a realização destas atividades, como é o caso dos jogos de futebol que foram realizados no colégio;
b-) a cada acontecimento ocorrido dentro do Equipe, buscar uma discussão organizada, através do mural, de debates, de discussões, etc…
c-) no próximo prédio do Equipe, fazer da sala do Grêmio (que deve ser desde já solicitada a coordenação) uma sala de lazer e de debate, onde hajam livros, jogos, etc…; e onde faltem pichações - buscando organizar o espaço de forma mais racional;
d-) organizar um jornal para todo o Equipe - é óbvio, centrado nos cursos onde houverem pessoas que se disponham a ajudar em sua feitura - e que sirva como principal aglutinador das pessoas que estão buscando realizar algum trabalho dentro do Equipe;
e-) na realização de cada uma dessas atividades, medir nossos esforços pela capacidade de levar adiante o projeto, evitando começar coisas que não teremos capacidade de levar adiante;
f-) organizar um plano-mestre de nossa atividade, baseado principalmente no estudo dos resultados do questionário que foi distribuído quando da preparação dos debates;
Se, em torno dessa atividade cotidiana, for se aglutinando um grupo grande de pessoas (na organização das atividades, não da sua execução!) e se com isso for se criando uma consciência mais nítida a respeito da necessidade das entidades e da participação e controle dos estudantes sobre elas, então estarão dadas as condições principais para que se passe a concretização da reconstrução dos Grêmios por curso e mesmo de um Grêmio central.
Pessoalmente, creio que nas condições atuais e mesmo no ano que vem teremos de ser extremamente cautelosos no que toca ao trabalho com as entidades e principalmente com o movimento estudantil “externo” ao Equipe. Embora devamos sempre assumir uma postura de denunciar métodos antidemocráticos com que essas entidades vem sendo dirigidas, não podemos assumir diante delas uma postura reacionária, de negar seu papel. Assim como, por vezes, talvez nem devamos nos pronunciar, como foi o acaso da eleição dos delegados para o congresso da Ubes, realizado há pouco tempo.
E da mesma forma o trabalho com as entidades do Equipe. Embora o nosso objetivo seja sua reconstrução, não devemos trocar as bolas e passar a trabalhar com elas como questão central do dia-a-dia; isso iria nos valer poucas e boas queimadas em frente ao conjunto dos estudantes, que se acostumaram a ver nas entidades o “clubinho dos politiqueiros”.
Mas a consciência da necessidade das entidades não surgirá por nada. Será fruto do trabalho cotidiano que levemos maisuma propaganda eficientemente dirigida a este respeito, não como uma simples somatória mas como uma fusão superior.
Nesse sentido, é importante que encaminhemos, do ponto de vista de propaganda, a seguinte proposta: Congresso Estudantil do Equipe!
A este Congresso caberia dar os passes efetivos no sentido de reorganizar as entidades “equipanas”. É claro que ele pode ou não se realizar, tudo dependendo do rumo que o movimento tomar - só que, independentemente do fato de termos que ser flexíveis, é algo fundamental apontar um objetivo claro de reconstrução.
Em torno desta proposta, nós realizariamos discussões com as pessoas interessadas, publicaremos artigos no jornal (que espero estar pronto no início ode 82), etc, etc…
Mesmo porque, caso não o façamos, haverão aqueles que recomeçar em sua prática de construir por construir, sempre na perspectiva de transformar as entidades do Equipe em apêndices de sua corrente política - o que conseguirá levar por água abaixo tudo o que planejamos.
V.
ROTEIRO PARA AVALIAÇÃO DO TRABALHO NO EQUIPE
1. Objetivos
2. Metodologia
3. Etapas
4. Exposição
1. Objetivos - realizar uma análise crítica de todo o movimento estudantil no Equipe, a partir de uma análise histórica, feita com pesquisas entre os ativistas da época, e através da utilização de um material de pesquisa utilizado recentemente, afim de determinar algumas linhas de trabalho dentro da escola.
2. Metodologia - utilizar dois tipos de material: a) pesquisa e coleta de dados entre os ativistas do movimento estudantil no Equipe e nos documentos do período; b) material de pesquisa distribuído aos alunos do colegial e do ginásio a respeito de um ciclo de debates sobre o Equipe.
3. Etapas - a) coleta de dados através da pesquisa entre
b) pesquisa nos documentos existentes
c) elaboração, a partir das pesquisas, das questões centrais a serem estudadas e destacadas
d) a partir desse direcionamento, utilizar o material de pesquisa com os alunos
e) realizar dois trabalhos diversos
4. Exposição - expor o trabalho final (em duas etapas) através de documentos, acessíveis a todos os elementos avançados do Equipe.
*** ***
Passos iniciais
1) elaborar questionário para coordenação/oe, op ativistas
2) coletar material histórico arquivado no GLGE
3) iniciar a pesquisa, itens “a” e “b”
Roteiro para avaliação do trabalho no Equipe
O fato de durante vários anos o movimento estudantil dentro do Equipe ter estado em crise nos coloca pela frente a tarefa de avaliar todo este período, tentando entender as causas desta crise, sua extensão e profundidade, procurando assim estabelecer uma estratégia de trabalho para os próximos anos.
Utilizaremos por método o estudo do material selecionado e das situações contidas nos diversos períodos de evolução do mov., sob uma perspectiva crítica e buscando entender o todo complexo que formam a proposta do Equipe, a situação da sociedade brasileira, a origem de classe dos seus estudantes, a intervenção das correntes políticas, a situação do movimento estudantil, etc…
Selecionamos para o trabalho o seguinte material:
1. Pesquisa realizada em fins de 1981 com alunos dos cursos colegial e ginasial;
2. Pesquisa realizada pela coordenadoria em 1980 (prov.) com os alunos do ginásio;
3. Arquivo do Grêmio do Colegial;
4. Arquivo do Grêmio do Ginásio;
5. Pesquisas individuais com ativistas da época, assim como com elementos da coordenação e do corpo docente da escola.
O trabalho deve seguir, a princípio, a seguinte ordem:
1. Elaboração de um texto histórico-crítico do período, que sirva de base para uma discussão que, por sua vez, determina os pontos básicos da pesquisa;
2. A partir da determinação dos pontos básicos da pesquisa, procurar aprofundar as questões; preparar para isto os questionários individuais, que terão o objetivo de dirigir as respostas no sentido (não no conteúdo!) desejado;
3. A partir daí, reelaborar o texto-base, discuti-lo novamente, e, caso se torne necessário, repetir o processo.
A partir do momento em que o trabalho estiver findo (ao menos a parte referente ao histórico e a análise histórica), deve-se procurar publicá-lo, em dois (ou mesmo três) esquemas diferentes:
1. Publicação de todo o material utilizado na pesquisa, todos os esboços, todos os documentos, para poucas pessoas.
2. Publicação dos resultados, juntamente com o material essencial para a compreensão, para os elementos avançados que atuam no Equipe;
3. Publicacação dos resultados, da forma mais aprofundada possível, para a massa dos estudantes do Equipe.
***
Esboço* de um texto histórico-crítico
Entrei no Equipe em 1978. Nas primeiras semanas de aula alguns alunos da 8ª série da época passaram pelas classes, proponda a criação de um Grêmio e marcando uma reunião. As pessoas se entusiasmaram. Sabíamos no entanto que houvera uma certa resistência em outras salas, ao que parece por rixas pessoais.
Isso, é óbvio, se refere ao Grêmio do Ginásio apenas. Na época, já havia grêmio do colegial.
Chegaram a haver reuniões dessa primeira tentativa. Na segunda ou terceira reunião, foram eleitos representantes de classe. Na minha sala (5º) o critério foi “sem critério”. A coisa ia mais pelo “mais bonito”, “mais chato”, ou algo parecido.
Nesse mesmo período, ocorre a demissão de uma professora de geografia, pelo fato de ela estar representando o ginásio em uma reunião de professores.
Quando a notícia chegou até nós, um amigo meu se levantou e propôs que fosse feita greve. A ideia foi acolhida instantaneamente.
É importante destacar que a professora que nos deu o aviso não se pronunciou nem contra nem a favor!
Foram “escolhidas” duas pessoas para ir até as outras salas. Eram eu e o Zé Scavone. Quando subimos, e tentamos entrar na 8ª série, os professores que lá estavam acharam melhor que não entrassemos, pois eles não haviam dado o aviso ainda.
O pessoal da 6ª série nos puxou para dentro da sala então. A “massa” da 5ª série tinha vindo atrás de nós, e entrou junto.
Foi então feita uma assembleia. Nessa assembleia o conjunto das pessoas se posicionou no sentido de que o ato fora a “escolha de um bode expiatório”, no caso, a Rosalva. Entramos em greve.
O colégio também parou, em solidariedade. É importante destacar sobre uma assembleia do ginásio, que ocorreu quando houve o primeiro dia de aula, em que “iriam entrar novos professores”, no dizer da coordenação.
O Rubens, coordenador do ginásio, queria que todos entrassem. Nós queríamos entrar pelo teatro, e lá fazer a assembleia. A maioria das pessoas seguiu o Rubens. Mesmo assim, fomos para o teatro. Chegamos lá e tivemos a alegria de ver que o pessoal todo dera a volta e entrava pela outra porta.
Iniciamos então a assembleia. O Rubens quis participar e nós não deixamos. Ele foi embora. Naquele momento, toda a direção estava na mão de um aluno da 8ª série, o Tutti. Ele e o Banzé dirigiam todo o processo de “construção do Grêmio”.
Isso acabou por criar problemas, já que as pessoas iam nas reuniões, viam os dois falando, e não encontravam espaço para se pronunciar. Como os dois tinham frequentes rixas pessoais, isso prejudicava ainda mais o trabalho.
Nesse processo todo de greve, vitoriosa por sinal (A professora foi readmitida ao fim de uma semana), não houve preocupação em se propagandear a necessidade de um Grêmio, da necessidade de uma organização mais permanente. Assim, quando a greve terminou, não se falou mais de grêmio ou o que fosse até o fim do ano.
Entrando o ano de 79, começou a haver um processo de mobilização em torno de um Grêmio. Esse processo se deu em muito porque passaram a estudar nas escolas militantes ou simpatizantes de organizações políticas. No caso específico, tínhamos companheiros ligados à LUTA SECUNDARISTA e a Hora do Povo. Esses companheiros começaram a puxar reuniões, nas quais, por sinal, sempre quebrava o maior pau, e isto porque ninguém tinha nada claro, a não ser a “necessidade” de contrapor ao “adversário” político (?) uma proposta qualquer…
Esse processo se deu também porque nesse ano se iniciava a retomada mais ampla das entidades gerais secundaristas. Começaram a correr os abaixo assinados e coisas do gênero, e sempre eles vinham até nós, para que os assinassemos.
Esse processo todo desembocou em uma assembleia, que a escola ajudou a realizar, liberando os alunos das aulas.
A assembleia começou com TODOS os alunos da escola. A primeira pessoa a falar foi a Inês Escobar (HP). Defendeu que o Grêmio não deveria ser fundado, por quê pocotó pocotó basicamentes e poréns da vida.
A ela se seguiram outros oradores, inclusive elementos de massa (realmente há massa no Equipe???); esses últimos reclamam fundamentalmente da bagunça da reunião.
No fim tentou-se tirar uma chapinha e uma chapona. A chapinha seria uma espécie de executiva; a chapona era composta por todos os que iriam participar das comissões (os que “estavam a fim”).
A libelu tentou ainda dar um golpe (em torno do que não lembro claramente), mas não conseguiu.
Uma das razões da chapinha era a necessidade de se prevenir uma tão falada demissão dos professores que ocorreria durante as férias.
A demissão ocorreu e não se viu a chapinha em lugar nenhum…
Um outro ponto interessante a se descrever é a primeira tentativa de boicote, que ocorreu em 79.
O colégio aumentou a mensalidade. Houve uma tentativa de mobilização, mas tudo foi por água abaixo. A tentativa acabou reduzida a 3 pessoas. Uma era a Inês, outra eu e outra um menino da 5ª, o César. A Inês defendia que se devia boicotar, nós diziamos que isso era um absurdo porque como é que três iram boicotar se todos estavam pagando (a escola, por sua vez, havia tratado de garantir isto com farta distribuição de camisetas Topper-Equipe!!!). Ela partiu para a acusação (em torno de minha pessoa) de que estávamos arregando. Eu ri, pois eu não pagava a escola já há dois anos. A reunião acabou por aí, está claro.
Quando se entrou em 1979, o senso de politicagem estava super-aguçado. A luta interna no PCdoB havia se radicalizado, jogando tanto companheiros para lados opostos quanto fazendo-os aparecer mais. Isso se refletia muito comigo, já que eu era visado e obrigado a “me posicionar”. Afinal, o nome…
As primeiras reuniões são feitas. Surgem as divergências acerca de como encaminhar a eleição da diretoria. Eu defendia um processo de eleição de delegados. O restante defendia a eleição por chapas.Hoje acho a discussão cretina, mas ela tinha um certo fundo interessante, tanto do ponto de vista de sua radicalização (a partir daí o Grêmio passou a ser conhecido como a sala “onde se ouvia um berreiro”, e também passou a ser simbolizado pela tríade Janaína-Valter-Lucinha), quanto do ponto de vista do seu conteúdo.
No fim das contas eu me abstive do processo de formação de chapas. Concorrem duas chapas, uma composta pelo pessoal politicamente mais avançado e outra composta pelo pessoal do esporte, da bagunça. Os nomes já refletiam isto: “Banda da Terra” e “Esporte é cultura”...
As eleições mobilizam as pessoas, mas não muito. A diretoria é eleita por esmagadora maioria de votos: 80 a 8! Vence a chapa Banda da Terra.
Esta chapa era um colegiado. Estavam em maioria o pessoal da 8ª série; em seguida o pessoal da 7ª; depois o pessoal da 6ª e da 5ª. Do ponto de vista político, haviam: um tribuneiro e um que poderia votar com ele; um libelu, um área de influência e um muito próximo; o restante era independente.
Tudo ocorreria bem se a eleição não fosse numa sexta e no sábado e domingo a Umes rachasse. No sábado eu apareci em uma reunião do pessoal do HP+TLO+Caminhando+Refazendo, que tinha o objetivo de modificar o processo de convocação do Congresso de Fundação da Umes.
[manuscrito] Minha inocência na epoca não me levou a pensar que o que fiz pudesse ocasionar uma comoção dentro do Grêmio, mas o fato é que dei argumentos fortes ao pessoal da Libelu para atacar a minha pessoa.
Na segunda-feira colocou-se na reunião da diretoria do grêmio a discussão que havia na Umes.
PROJETO P/ O DOCUMENTO
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