segunda-feira, 1 de junho de 2026

O crime e a hipocrisia, segundo Alon Feuerwerker

 Primeiro, uma reminiscência: a primeira vez que encontrei Alon Feuerwerker foi num Coneb da UNE, em que se não me engano ele falou em nome do CAOC.


Naquela época éramos ambos da “Caminhando”, cobertura semi-legal utilizada pelos que militavam na esquerda do PCdoB.

Pouco depois Alon foi para o PCB e eu para o PT. Mas, ou por isso mesmo, sigo lendo atentamente o que ele escreve.

É o caso do texto que reproduzo ao final, dedicado a analisar os impactos políticos do recente anúncio de “Marco, o Rubio” sobre tratar como “terroristas” o PCC e o CV.

Sem dúvida Alon está certo ao dizer que, na política, algum grau de hipocrisia sempre existe. Mas como a frase mesmo dá a entender, nem tudo é hipocrisia.

No caso, quando o atual governo brasileiro protestou contra as tarifas e protesta contra a decisão acerca do “terrorismo”, onde estaria a hipocrisia? Não consigo enxergar.

O que consigo enxergar, muito visível aliás, é um governo gringo cheio de criminosos - a começar por Trump - se aliando com uma notória quadrilha de cavernícolas milicianos, para anunciar uma decisão cujo propósito é explicitamente “ajudar esses caras”.

Óbvio que estes “detalhes” a la Gotham City não significam que o crime não venha a compensar, o que justifica uma análise objetiva. Mas objetividade não é isenção. Omitir que se trata de uma quadrilha berrando “pega o ladrão” é usar a hipocrisia alheia para justificar uma suposta neutralidade axiológica.

Ademais, os exemplos utilizados por Alon são meio estranhos. 

Ele diz que “evocar o princípio da soberania supõe sempre algum grau de hipocrisia, à esquerda e à direita”. Mas nos exemplos que ele dá, quem é hipócrita? Somente a direita!!

Os  bolcheviques, como Alon mesmo diz, “alistavam-se no exército russo para colocar lenha na fogueira do derrotismo na Primeira Guerra Mundial e, assim, ajudar na derrubada do czar.” Hipocrisia zero, assim como não é “hipócrita” um agente do Mossad que se infiltra na esquerda.

Já a elite francesa, esta capitulou aos nazistas ao mesmo tempo que bradava - hipocritamente - a Marselhesa.

Alon diz que o Brasil teve ¨O petróleo é nosso”, e teve também “a tortura, as prisões políticas e os desaparecimentos são assunto nosso”, mas esquece de dizer que a esquerda não agiu hipocritamente em nenhum dos dois casos. 

Ou seja: os exemplos de Alon não validam sua tese. Ele pode estar certo - “algum grau” de hipocrisia é algo tão vago que sempre pode ser atestado - mas os exemplos dados confirmam uma tese mais restrita: a direita sempre é hipócrita quando fala de soberania, democracia, direitos e desenvolvimento.

E são hipócritas, também, quando criticam o crime organizado. O andar de cima da sociedade brasileira é uma grande irmandade, sendo muito difícil separar os supostamente honestos dos certamente criminosos.

Aliás, o avanço “aparentemente imparável do crime organizado sobre a economia e, dizem, sobre o Estado por aqui” coincide com o avanço do neoliberalismo e da extrema-direita. Aqui no Brasil é também nos EUA. Não se trata de coincidência mas de decorrência.

Por isso mesmo, concordo inteiramente com Alon quando ele diz que “defender a soberania para além de um princípio abstrato pressupõe cuidar da casa”. Mas o que significa “cuidar da casa”? Significa, na minha opinião, derrotar a turma do crime organizado que governa os EUA e que tenta recuperar o governo do Brasil.

Neste sentido, não vejo diferença qualitativa - na questão em tela - entre “a ingerência externa” e “a ingerência do crime”. 

Em 2026, votar na esquerda, derrotar os cavernícolas e derrotar Trump é também, simultaneamente, derrotar o crime organizado, seja o das Vivendas da Barra, seja o de Washington DC.

Segue o texto comentado:


O crime, o espetáculo e a soberania

Evocar o princípio da soberania supõe sempre

algum grau de hipocrisia, à esquerda e à direita. Os

bolcheviques alistavam-se no exército russo para

colocar lenha na fogueira do derrotismo na

Primeira Guerra Mundial e, assim, ajudar na

derrubada do czar. Aparece em Dr Jivago, o

clássico hollywoodiano de 1965. A elite política

francesa preferiu capitular à Alemanha na Segunda

Guerra, pois tinha mais medo dos compatriotas

comunistas que dos nazistas alemães.

A análise política perde-se quando abandona o

foco do central: a luta pelo poder, geralmente

travada sem muita consideração pelos princípios.

Quando Jimmy Carter pressionou o então

presidente Ernesto Geisel em favor dos direitos

humanos dos perseguidos pelo regime militar, a

ditadura reagiu invocando o princípio da soberania.

O Brasil teve ¨O petróleo é nosso”, e teve também

“a tortura, as prisões políticas e os

desaparecimentos são assunto nosso”.

A designação pelos Estados Unidos de

organizações criminosas brasileiras como

terroristas, com todas as consequências políticas e

legais, tem, é claro, o objetivo de ajudar a

enquadrar o Brasil na órbita geopolítica de

Washington. O governo brasileiro já vinha

mostrando flexibilidade diante da pressão da

administração Donald Trump, mas pelo visto o jogo

não estava jogado. Está longe de ser um segredo

que a moda no vizinho do norte é uma Doutrina

Monroe 2.0.

Só que existe um problema anterior. O avanço,

aparentemente imparável, do crime organizado

sobre a economia e, dizem, sobre o Estado por

aqui. Anunciam-se planos, votam-se leis,

convocam-se entrevistas coletivas para anunciar

soluções, mas a doença ignora o espetáculo e

avança. Discutir princípios é importante, mas

defender a soberania para além de um princípio

abstrato pressupõe cuidar da casa para reduzir o

risco de alguém de fora querer meter o bedelho.

Resta saber o efeito eleitoral. O governo acumulou

capital político no episódio das tarifas ao lançar

mão do discurso da soberania. Vai funcionar

quando o foco da disputa é o combate ao crime

organizado? Vamos aguardar os números. Eles

dirão se o eleitor está mais incomodado com a

ingerência externa ou com a ingerência do crime

sobre a vida dele.

Colômbia: segundo turno da esquerda contra o crime organizado

A ilusão tem um papel na história.

Sem fortes doses de ilusão em que o amanhã pode ser melhor, bilhões de mulheres e homens dificilmente conseguiriam suportar sua estafante rotina diária.

Sem ilusões, utopia e esperança, centenas de milhões de pessoas não dedicariam suas vidas à luta por uma sociedade sem exploração nem opressão de nenhum tipo, mesmo que o “realmente existente” até agora sempre tenha estado aquém do desejado.

Ilusões aquecem a alma, enganam o estômago, afugentam o sono e espantam o medo.

Mas também causam ressaca.



A certeza que boa parte da esquerda colombiana alimentava numa vitória no primeiro turno tinha bases reais? O resultado da apuração é produto de uma fraude? Ou o que ocorreu era previsível, mesmo que tenha sido fruto da ilegítima mas previsível “metodologia” utilizada pelas direitas mundo afora?

As verdadeiras razões do “resultado até agora anunciado” - segundo turno com a esquerda em segundo lugar - só os colombianos saberão responder. 

A nós cabe - diferente do que alguns fizeram nas eleições presidenciais venezuelanas - dar todo apoio ao que a esquerda colombiana decidir fazer, para que no segundo turno da eleição presidencial, dia 21 de junho, a candidatura de Ivan Cepeda derrote a candidatura do crime organizado. 

Pois é disso que se trata: as candidaturas da extrema-direita expressam, em todas as partes, a aliança entre as oligarquias, o grande capital, o imperialismo, o fascismo e o crime. 

Por isso, aliás, o disposto no recente anúncio do “Rubio Departamento de Estado USA” não constitui apenas uma ingerência contra a soberania nacional. Para além disso, somos contra porque Trump e os cavernícolas sem pátria são parte integrante do crime organizado. Que, claro, aprendeu em Gotham City que berrar “pega o ladrão” é ótimo para distrair a atenção dos incautos.

Agora, aqui no Brasil, que o ocorrido na Colômbia sirva para nos vacinar contra aqueles que seguem falando em vencer no primeiro turno.

Venceremos com mais facilidade se nos prepararmos para o pior. Até porque ressaca atrapalha muito quando se precisa ir para cima sem dó nem piedade.

sábado, 23 de maio de 2026

China e socialismo

Abaixo texto feito a pedido dos editores de um dossiê que Cadernos Cemarx publicará sobre a transição socialista na China.

1. Como a organização caracteriza a China no período pós-reformas? Como socialista, capitalista, ou por outra conceituação? 

Os documentos da tendência petista Articulação de Esquerda tratam a República Popular da China como um país socialista. Entendemos socialismo como uma etapa de transição entre capitalismo e comunismo. Nesta etapa de transição coexistirão, nas condições históricas de cada época, diferentes modos de produção. As diferenças entre o socialismo realmente existente na China (e, antes disso, na URSS) e o que esperavam os fundadores da tradição marxista indicam apenas o óbvio: a história seguiu caminhos diferentes do que se previra. Entretanto, as referidas diferenças não são do tipo que tornaria necessário adotar outra conceituação: entendemos que a categoria “socialismo” dá conta de caracterizar e de explicar a natureza da formação social chinesa pós 1949 e também pós 1978.

2.Como a organização analisa a inserção da China no capitalismo global? Atua como potência imperialista, anti-imperialista, ou subordinada ao imperialismo?

Os documentos da tendência petista Articulação de Esquerda não consideram que a República Popular da China seja imperialista, nem tampouco subordinada ao imperialismo estadunidense, europeu ou japonês. A China se opõe ao que caracteriza como “hegemonismo” dos Estados Unidos e de seus aliados; o faz adotando uma embocadura diferente daquela adotada pela URSS e pela própria China no passado. Neste sentido, a China é “anti-imperialista”, mas é um “anti-imperialismo”  com características chinesas de novo tipo. É verdade, por outro lado, que o fato da China estar “exportando capitais” pode criar, em diferentes situações, desdobramentos equiparáveis àqueles que ocorrem quando há exportação de capitais por parte de potências imperialistas. Isso faz com que alguns setores acusem a China de ser “imperialista”, acusação similar a de “social-imperialsmo” que no passado a China lançou contra a União Soviética. Entretanto, o fato é que – pelo menos até o presente momento - a China não lançou mão da agressão militar e de outros expedientes tipicamente imperialistas para impor seus interesses macroeconômicos. No seu entorno geográfico, onde houve conflitos militares - por exemplo, com a Índia e com o Vietnã - tais conflitos podem ser explicados sem a necessidade de recorrer a categoria “imperialismo”. 

3.Para a organização, quais são as principais contribuições, lições e contradições da China pós-reformas para o debate sobre a transição socialista?

Os documentos da tendência petista Articulação de Esquerda consideram que esta etapa da história da China, que vai de 1978 até o presente, traz diversas contribuições e lições para o debate sobre a transição socialista. Listamos a seguir algumas delas: i/não há socialismo sem revolução; ii/não há socialismo sem que a classe trabalhadora edifique um novo Estado; iii/não há socialismo sem que a vanguarda da classe trabalhadora esteja organizada em partido político; iv/não há socialismo sem ter como meta a construção de uma sociedade comunista; v/não há socialismo sem desenvolvimento das forças produtivas, condição indispensável seja para ampliar a riqueza da sociedade e elevar o nível de vida do povo, seja para resistir e derrotar o capitalismo e o imperialismo; vii/no desenvolvimento das forças produtivas, é necessário combinar diferentes formas de propriedade pública com diferentes formas de propriedade privada, mas sempre sob hegemonia pública, social; vi/não há modelos, há experiências e tentativas de construção do socialismo.

4.Qual é a principal questão teórica que a experiência chinesa contemporânea apresenta para o marxismo e a teoria da transição?

Os documentos da tendência petista Articulação de Esquerda não permitem responder explicitamente essa questão. Contudo, podemos ressaltar duas questões que estão implícitas.

A primeira questão diz respeito aos constrangimentos impostos – pela hegemonia do capitalismo e pelas pressões do imperialismo – sobre qualquer processo de transição socialista.   Enquanto o capitalismo for mundialmente hegemônico e enquanto existir imperialismo, as experiências socialistas serão obrigadas a adotar expedientes que, ao mesmo tempo que permitem ao socialismo sobreviver e avançar, também geram contradições e impõem limites à socialização das liberdades, da democracia e dos direitos. Portanto, a crítica aos limites do socialismo chinês ou aos limites de qualquer outro socialismo realmente existente precisa se converter em luta para acabar com o capitalismo e com o imperialismo.

A segunda questão diz respeito a relação entre a construção de uma experiência socialista nacional e a luta pelo socialismo em todo o mundo. É positivo que a China exista e que vença a batalha hegemônica contra os Estados Unidos. Mas para que o socialismo se torne mundialmente hegemônico, é necessário que em outras regiões e países do mundo o socialismo triunfe por suas próprias forças, não de fora para dentro, mas de dentro para fora. Nesse sentido, o triunfo do socialismo em um país com as características do Brasil será decisivo para que toda a humanidade possa algum dia viver a transição socialista. 

5.Qual posição o Estado e o governo brasileiro deve assumir em relação à China?

À classe trabalhadora do Brasil interessa que, na atual disputa geopolítica mundial, os Estados Unidos sejam derrotados. Ao mesmo tempo, à classe trabalhadora do Brasil interessa que a derrota dos EUA seja acompanhada de um reposicionamento do nosso “lugar” no mundo. Não queremos ser dependentes de ninguém.

Portanto, devemos efetivar uma aliança estratégica com a China, cuidando para que esta aliança estratégica contribua para que o Brasil experimente uma industrialização de novo tipo, baseada em outra ordem social, em outra ordem política, em outra relação com a natureza e em outro patamar tecnológico.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Registro de uma situação surreal

Alguém achou por bem me incluir num grupo de zap.

Milhares de mensagens trocadas.

Você lê algumas, outras não.

Num único momento, se envolve num debate.

Tudo muito tranquilo.

Algumas vezes, vc encaminha para este grupo algumas textos de sua autoria e vídeos também de sua autoria sobre temas que você acredita serem relacionados ao assunto do grupo.

Aí, de súbito, sem aviso prévio, você é retirado do grupo.

Sem saber o que ocorreu, você escreve para a pessoa que te tirou do grupo e pergunta: "Oi, boa tarde. Infringi alguma regra? Pergunto, porque vc me removeu do grupo. E gostaria de saber o motivo".

A pessoa que me excluiu do grupo responde o seguinte: "Sim. Você não está interagindo. Usa o grupo para postar os mesmos POST que envia na sua lista de whatsapp. Eu nunca postei lá artigos do site [...] que divulgo diariamente em grupos de whatsapp. Se você quiser posso te inscrever novamente".

Perguntei de volta: "Essa regra foi explicitada em algum lugar? A rigor, se vc ler a lista, verá que interagi com (...). Quero, mas se a lista é sua, com regras estabelecidas por vc e que são desconhecidas por quem participa, não acho que valha a pena. Portanto, faça o que vc quiser, mas eu só respeito regras que me são informadas com antecipação".

A pessoa que me tirou diz então o seguinte: "Está informado. Vou te inscrever novamente".

De fato a pessoa me devolveu ao grupo. 

Não sei se a decisão de tirar & por foi individual (da pessoa citada acima) ou coletiva (do conjunto dos administradores), então encaminho para os demais administradores o relato acima.

É incrível ter que perder tempo com isso, a essa altura do campeonato, mas frases como "você não está interagindo" e "está informado" me lembram as que eu ouvia (sou desse tempo) do bedel. 

Acima de tudo, são inapropriadas e geram uma inútil perda de energia num momento em que precisamos de unidade e foco.



terça-feira, 12 de maio de 2026

Quaquá: quem sai aos seus, não degenera

 



Nada contra o cidadão aprender a atirar.

Alguma coisa contra o cidadão querer disfarçar suas reais intenções, posando para três fotos num CAC ao mesmo tempo que crava uma legenda onde diz: "sou de esquerda, seguidor de Che Guevara, Lamarca, Fidel Castro e Marighela".

Muito contra fazer tudo isso trajando uma camisa vermelha com a cara do Lula, enquanto as mãos seguram uma "arminha" de respeitável calibre.

Gostaria que tudo não passasse de uma bizarra manifestação de oportunismo eleitoral, uma tentativa canhestra de conseguir os votos do bolsonarismo carioca em prol de um certo pré-candidato a deputado federal, que ostenta o mesmo sobrenome de um certo prefeito.

Mas, infelizmente, o problema parece ser de outra natureza, parecido com aquele que levou Benito Mussolini a transitar do socialismo para o fascismo.

De concessão em concessão, de gesto em gesto, a pretexto de converter os inimigos, se converte em inimigo.


Infelizmente, até agora nada foi feito por Edinho, nem por Henrique Fontana, nem por nenhum dos demais integrantes da comissão especial criada pela comissão executiva nacional do PT para analisar o "dossiê Quaquá".

Como nada foi feito, os problemas vão se avolumando. Até quando, quem viver verá. 







segunda-feira, 11 de maio de 2026

Textos de Elias Ishy

Trabalho, transparência e compromisso com a população


Elias Ishy é bacharel em Direito, bancário aposentado e detentor de sete mandatos como vereador em Dourados-MS e, atualmente, pré-candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT).


Tem a família como sua base sólida. É casado há 38 anos com a professora Rosana Palhano e, juntos, têm três filhos: Amanda, Bianca e Lucas.


Como cristão, aprendeu desde cedo que é necessário unir a fé e a vida, respeitar o próximo e que, por meio da política, é possível construir um mundo mais justo e solidário, um mundo com "vida em abundância para todos" (Jo 10,10).


Sua trajetória é marcada pela atuação em defesa dos trabalhadores e da população mais vulnerável. No movimento sindical e popular, foi presidente do Sindicato dos Bancários de Dourados e Região e coordenador do Comitê Regional de Defesa Popular.


Na política, Elias Ishy tem seu trabalho reconhecido pela defesa da transparência e da eficiência no uso do dinheiro público. Luta incansavelmente para que todos os serviços públicos sejam ofertados com qualidade, da saúde à educação, da segurança ao transporte.


Ishy ganhou projeção nacional como autor da lei que proibiu as queimadas nos canaviais. Sua atuação também se destaca na defesa da agricultura familiar, da agroecologia e do meio ambiente. Seu compromisso é claro: lutar para que todos tenham saúde, educação, emprego, dinheiro no bolso, comida no prato e alegria de viver.


Carta aos cristãos (2022)


Sou Elias Ishy, alicerçado na caminhada da Igreja peço licença para apresentar a minha candidatura a Deputado Federal e pedir o seu voto, pelos motivos abaixo.

Na Igreja, atuei nas pastorais da juventude, família e saúde, participei do Conselho de Pastoral da Comunidade por mais de 20 anos, fui coordenador Regional das Comunidades Eclesiais de Base, participei da Coordenação Regional dos Leigos, colaborei em várias equipes de formação. 

Na Política, entrei motivado pelos documentos oficiais da CNBB e da Doutrina Social da Igreja. Nesta missão, estou como vereador em Dourados exercendo o sexto mandato.

Trabalho inspirado no Evangelho de João (10:10): “Para que todos tenham vida e a tenham em abundância". Assim atuo, principalmente para os que mais precisam, lutando por melhorias na Educação, na Saúde, na Assistência Social, no Meio Ambiente (LS*), pelo fortalecimento da Agricultura Familiar e da Agroecologia. (*LS - Laudato Si' é uma encíclica do Papa Francisco.)

Sou casado há 36 anos com a professora Rosana, temos três filhos: Amanda, Bianca e Lucas. Sou bacharel em Direito, bancário aposentado, vereador e agora candidato à Deputado Federal.

Peço o seu voto! Meu número é 1313

Elias Ishy de Mattos


Carta aos Cristãos (2018

Papa Francisco: "A Política, tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum". (EG Alegria do Evangelho, 205) (DGAE 2015/201968).

CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil: "É urgente que as dioceses busquem: estimular a participação dos cristãos leigos e leigas na política. Há necessidade de romper o preconceito comum de que a política é coisa suja, e conscientizar os leigos e as leigas de que ela é essencial para a transformação da sociedade. Incentivar e preparar os cristãos leigos e leigas a participarem de partidos políticos e serem candidatos para o executivo e o legislativo, contribuindo, deste modo, para a transformação social" (Doc. 105: Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade, 261 e 263).

Caros Irmãos e Irmãs,

A Igreja faz um apelo aos leigos para que não sejamos omissos diante dos problemas do mundo. Incentiva os Cristãos a participarem de forma ativa na política como candidatos e como eleitores conscientes.

Alicerçado em minha dedicação à igreja, aos movimentos sociais e à política, coloco o meu nome como candidato a deputado estadual. Para isso, peço que conheça a minha trajetória.

Meu nome é Elias Ishy de Mattos, tenho 59 anos, sou casado há 31 anos com a Rosana, temos três filhos. Tive a infância no campo com meus pais e meus 10 irmãos. Batalhei e me formei em Direito, concursado e aposentado por tempo de serviço na Caixa Econômica Federal.

Participo há 39 anos da Paróquia Santo André, em Dourados - MS. Fui coordenador de grupo de jovens e do Conselho de Pastoral. Com minha esposa, fomos formadores das Pastorais da Juventude, da Saúde e da Família. Em níveis diocesano e regional, fomos coordenadores das CEB's e, atualmente, somos membros da coordenação do Conselho de Leigos. Nos Movimentos Sociais, fui presidente do Sindicato dos Bancários e coordenador do Comitê de Defesa Popular.

Sou vereador em Dourados. Na última eleição, fui o mais votado entre os reeleitos, fruto do reconhecimento das pessoas pelo meu trabalho. Entre as várias Leis aprovadas de minha autoria, destaco a que proibiu as queimadas de canaviais, em 2007. Impedi também aprovação de vários projetos de Leis que causariam prejuízos ao município, destacando o que envolvia o contrato milionário de concessão com a Sanesul, em 2015. Realizei dezenas de Audiências Públicas com temas relevantes e apresentei centenas de proposições. Conheça mais sobre minha conduta e o meu trabalho nas redes sociais.

Compromissos:

Atuarei no Estado como sempre atuei em meu município, fazendo um mandato participativo, trabalhando em parceria com os movimentos sociais, as igrejas e demais organizações da sociedade civil.

Juntos, lutaremos:

No combate a corrupção e pela ética na política;

Para que a sociedade participe mais das decisões governamentais;

Para que a educação seja prioridade; por melhorias nas áreas de saúde, segurança, assistência social, cultura, esporte, agroecologia e meio ambiente;

Pelo desenvolvimento econômico do Estado com justiça social e sustentabilidade ambiental.

Minha campanha é feita basicamente por voluntários/as, assim, além de pedir o seu voto, de sua família e amigos, peço também sua ajuda para divulgar a minha candidatura. Você encontra mais informações nos endereços: www.eliasishy.com.br, no facebook.com/eliasishyms ou pelo contato via whatsapp 67 9 9686-9277.

Muito obrigado! Fiquem com Deus. O meu número é 13.234.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Messias e a grande ilusão

O mais espantoso na votação do Senado não é a derrota em si.

O espantoso é a quantidade de gente bem-informada que estava 100% segura da vitória.

Parecido com isso, só a grande ilusão que precedeu a derrota ocorrida em 17 de abril de 2016: até pouco antes de começar a votação na Câmara dos Deputados, a esmagadora maioria dos dirigentes do nosso Partido acreditava que a base do governo, vitaminada pelo poder de convencimento de Lula, impediria o impeachment.

A derrota na votação do Senado ocorrida ontem, 29 de abril, foi ainda maior porque o candidato Messias demonstrou ser ideologicamente comprometido com muitos dos valores conservadores defendidos pela maioria do Senado.

Ou seja: mesmo sabendo que poderiam eleger para o Supremo mais um "terrivelmente evangélico", a turma do lado de lá não vacilou; colocou a política no posto de comando e impôs uma derrota ao governo.

A esse respeito, o presidente nacional do PT, companheiro Edinho, publicou um post na sua conta pessoal dizendo o seguinte: O Senado Federal, ao rejeitar a indicação de Jorge Messias, comete um grave erro, politizar uma indicação para um cargo onde a formação técnica é o mais relevante. Essa postura do Senado Federal também gera uma importante instabilidade institucional. Há 130 anos que uma indicação para a Suprema Corte não é recusada. Mais uma atribuição do Poder Executivo "é esvaziada pelo Legislativo".

Erro comete Edinho, quando acha que o mais "relevante" para compor o STF é "a formação técnica". 

Nem Messias acredita nisso, como ficou claro quando - ao falar do aborto - ele destacou suas crenças religiosas e deixou de lado o que a legislação brasileira diz a respeito.

Sendo assim, melhor corrigir a frase de Edinho e deixar da seguinte forma: o objetivo da maioria do Senado não foi "também", foi principalmente criar uma "instabilidade institucional", termo elegante que deve assim ser traduzido: derrotar o governo.

A pergunta que não quer calar é: vai parar por aí? Se a resposta a essa pergunta for "não, vai é piorar", cabe também perguntar: Pacheco, candidato que o PT de Minas Gerais está apoiando para governador, é confiável como aliado? 

Ou vamos deixar para descobrir, no meio da campanha eleitoral, que nos iludimos com Pacheco, com Paes, com outros e com tudo, tanto quanto nos iludimos agora acerca de qual seria o resultado de Messias?

Não fosse tão trágica a situação, valeria um comentário sobre o quanto se iludem aqueles que gostam de alardear seu pragmatismo. 

Mas dada a situação, nos limitemos ao indispensável: a maioria do Congresso é inimiga do povo. Cabe dizer isso ao povo, com todas as letras. E tratar os inimigos do povo como eles merecem. A começar pelos cargos controlados por Davi Alcolumbre, Arthur Lira et caterva.



 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Edinho, Quaquá e Mussolini

O companheiro Edinho tem se notabilizado por alertar, em todos os seus discursos, acerca da ameaça fascista.

O fascismo italiano tinha uma figura central: Mussolini.

Nem todo mundo lembra, mas antes de virar fascista, Mussolini foi um importante dirigente do Partido Socialista Italiano.

O PS era, naquela época, o grande partido da classe trabalhadora italiana.

Mussolini - de socialista e inclusive com passagem pela ala esquerda do PS - se converteu no personagem desprezível e perigoso de que todos ouvimos falar.

Escrevo tudo isso para conclamar Edinho e demais integrantes da “comissão especial” nomeada pela Executiva Nacional do PT a cumprirem seu dever e a analisarem com celeridade o “caso” do senhor Washington Quaquá.

Não é possível ver as seguidas declarações de Washington- a mais recente (que eu saiba) foi em defesa da escala 6x1 - e não perceber que, se algo não for feito imediatamente, deste ovo que está sendo chocado não sairá um lindo patinho amarelo grasnando qua qua.

A declaração citada está aqui:


ps. quem acha impossível acontecer metamorfoses "radicais", favor lembrar de Carlos Lacerda ou de Aldo Rebelo

.



segunda-feira, 27 de abril de 2026

Por favor, parem de colocar a culpa no Lula

No recém-encerrado Congresso do PT, ouvi em vários momentos frases assim: “eu estou de acordo, o problema é que Lula não concorda”.

Acontece que Lula não era delegado. Nem compareceu ao Congresso. Não sei qual a opinião dele sobre vários dos pontos polêmicos que geraram respostas como a acima transcrita.

O que sei é que as pessoas que se pretendem dirigentes têm que responder pessoalmente pelas escolhas que fazem. Não vale terceirizar. Se querem ser contra a reforma agrária, contra a TERRABRAS, contra a revogação da reforma trabalhista ou contra acabar com a “autonomia” do Banco Central, que sejam. Há argumentos para isso, mesmo que possam ser “peregrinos e monstruosos”. 

Mas por favor assumam a responsabilidade pessoal pelo que defendem. “O chefe mandou” não é argumento. Pois a obediência que pode ser válida e necessária num governo - obediência infelizmente não exigida quando os cargos são ocupados por gente de direita - não se aplica num partido, ao menos não num partido que se pretenda de esquerda.

A respeito, lembrei de uma história: Diógenes Arruda, secretário-geral do Partido Comunista do Brasil, se opunha a fazer qualquer alteração no projeto de resolução do IV Congresso do PCB (1954) porque, dizia ele, Stálin teria lido e aprovado cada linha. Era verdade? Duvido. Mas o relevante é: mesmo que fosse verdade, ainda assim não seria argumento válido para impedir que um Congresso alterasse um projeto de resolução.

Felizmente no PT prevaleceu outra história e, em nosso Congresso, os projetos de resolução sofreram várias alterações, ainda que na boca do gol e apesar dos que não moveram uma palha naquele sentido. Seja como for, graças a quem se mexeu, não passaremos a vergonha de soltar um Manifesto que omitia a reforma agrária e a comunicação da lista de reformas prioritárias.













Temer, Nassif, Lula e o PT

Temer - o do PSOL, antes PT, antes PSB, antes PCB, mas sempre um bom comunista - escreveu um “post” na sua conta no “face” atacando o PT.

Como o “post” me cita, segue abaixo meu comentário.

Temer diz que sou um “lulista histórico”. De onde ele tirou esta besteira? Não faço ideia. Sou do mesmo Partido que Lula, votei nele em todas as eleições que pude, mas não sou “lulista”, sou petista. Dúvidas a respeito, basta perguntar ao próprio Lula.

Vale dizer que, como professor de história (não me considero um historiador), não compartilho das teorias sobre o “lulismo” que estão na praça, em parte por obra e graça de André Singer. Mas isso é outro assunto.

Voltando a Temer: ele diz que meu texto e o de Nassif ajudariam a explicar o “desgaste de material” que “começa a ser considerado como perigo real para a reeleição do próprio Lula”. 

Primeiro, uma “precisão”: não é o “desgaste de material” que nos ameaça. O que nos ameaça é uma ofensiva do imperialismo, da extrema-direita e da classe dominante, ofensiva que se aproveita dos erros políticos que cometemos e seguimos cometendo. Falar em “desgaste de material” remete para algo insolúvel, produto da passagem do tempo, uma abordagem muito conveniente para a linha de campanha que o neofascismo já está implementando, de contrapor a idade dos oponentes.

No seu “post”, Temer cita dois documentos; mas poderia ter citado um terceiro “documento”: o discurso de Lula em Barcelona, onde ele fala explicitamente o seguinte: “(..) nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam a austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso não surpreende agora que o outro lado se apresente como antissistema.”

Temer talvez ache que o discurso de Lula é contraditório com sua prática. Mas isto também valeria para o caso de Nassif, que em diversos momentos contribuiu para fortalecer as posições que ele agora detona (vide por exemplo: 
https://valterpomar.blogspot.com/2014/12/nassif-quando-relevancia-sobe-cabeca.html?m=1 e também vide: 
https://valterpomar.blogspot.com/2015/08/nassif-sonha.html?m=1 e ainda vide: 
https://valterpomar.blogspot.com/2018/05/luis-nassif-esquerda-e-o-gueto.html?m=1 ou ainda: 

O texto de Nassif deixa entrever sua postura contraditória quando, falando da “Carta aos Brasileiro”, diz que “o problema não foi a carta. Foi que a postura nela contida tornou-se permanente, quando deveria ter sido transitória”. 

Eu e outras pessoas - que integrávamos o Diretório Nacional do PT em 2002 e votamos contra a “Carta” - nunca aceitamos esta postura que Nassif segue defendendo 24 anos depois: votar na Carta sob o pretexto de que ela seria apenas um expediente eleitoral. Sempre soubemos do que se tratava e sempre a combatemos. 

Vale dizer que a social-democracia anos 1970 virou neoliberal em grande medida porque, antes como agora, seu compromisso é com o capitalismo, não com o socialismo.

Por esses e outros motivos, confesso que não compro pelo valor de face as críticas de Nassif, mesmo quando justas

Aliás, como se pode constatar pelo discurso de Lula em Barcelona, comparado com o que alguns fizeram supostamente em nome dele no Congresso do PT, existem mais mediações entre o Céu e a Terra do que a nossa vã filosofia pode supor.

A respeito do meu texto - na verdade trata-se de uma resolução da tendência petista Articulação de Esquerda, que pode ser lida aqui 
https://valterpomar.blogspot.com/2026/04/oitavo-congresso-do-pt-pontos-para-um.html?m=1 - Temer diz que eu seria “expressão do que ainda se convenciona chamar Esquerda Petista, marxista radical confesso, mas que opera no apoio a Lula por conta da lógica da ‘governabilidade possível’.”

Temer mistura alhos com bugalhos.

Alhos: Temer vai votar em Lula, não vai? O PSOL de Temer também vai votar em Lula, não vai? Assim sendo, não sou eu, nem a AE, nem só o PT, mas é  quase toda a esquerda brasileira que está operando “no apoio a Lula” devido a uma “lógica” politica meio óbvia, que não tem nada que ver com a “governabilidade”. 

Bugalhos: somos petistas. Queremos não apenas ganhar a eleição, mas transformar o Brasil. E na atual quadra da história, não há como transformar o Brasil sem o PT ou contra o PT. 

Por isso, não estou “frustrado” com o resultado do Congresso do PT. O que penso e digo publicamente é que as resoluções do Congresso não estão à altura da situação. Mas é o que temos para hoje e vamos lutar para combater e vencer assim mesmo

Por outro lado, não duvido nada que Lula, amanhã ou depois, atropele os moderados que dizem falar em nome dele. Já fez isso tantas vezes, espero que faça de novo.

Por fim: repudio o grosseiro comentário de Temer sobre Benedita. Amargura deve ter limite.


Segue abaixo a íntegra do post de Temer

DOIS DOCUMENTOS importantes vieram a público em coincidência com o Congresso do neoPT. Dois textos de dois lulistas históricos - Valter Pomar e Luis Nassif - que, em seus cenários, e em suas limitações, ajudam a explicar o “desgaste de material” que começa a ser considerado como perigo real para a reeleição do próprio Lula. Desgaste em função da frustração de quem é “eleito pela esquerda, mas governa pela direita”. 
Vou a um rápido comentário, informando que o link com a íntegra dos textos está nos comentários desta postagem. 
COMEÇO com Nassif, reproduzindo um parágrafo que quase faz dispensar a leitura da integra do artigo em que denuncia o transformismo regressivo do PT, e suas sequelas, materializado publicamente a partir da famigerada “Carta aos Brasileiro”, em que Lula se rendia aos ditames do Consenso de Washington”, na sequência de FHC, para garantir boas relações com o grande capital em seu primeiro mandato. 
“O problema não foi a carta. Foi que a postura nela contida tornou-se permanente, quando deveria ter sido transitória. Lula não apenas respeitou os compromissos — foi, como ele próprio definiria a partir de 2003, “mais responsável que a direita”. A taxa Selic permaneceu em níveis absurdamente elevados por anos. A política de superávit primário foi mantida com rigor que constrangeria qualquer governo europeu de centro-direita. A abertura financeira herdada de FHC não foi tocada."
POR GENEROSIDADE, talvez, Nassif deixa de citar a medida mais grave - consequente da entrega da autonomia do Banco Central a Henrique Meirelles um então recém-eleito deputado federal pelo Psdb, e o controle ministerial da Economia ao mal lembrado Palocci. 
Nassif náo cta a contra-reforma da Seguridade Social contra os servidores públicos, medida anti-social que viria a ser universalizada aos trabalhadores da iniciativa privada por Michel golpista, depois do impeachment de Dilma.
PASSAMOS A VALTER, quadro da maior expressão do que ainda se convenciona chamar Esquerda Petista, marxista radical confesso, mas que opera no apoio a Lula por conta da lógica da "governabilidde possível".
SEU TEXTO não consegue ocultar frustração importante com o que ocorreu no fim de semana em Brasília, onde ele registra como dados a considerar, a ausência de Lula, e de várias importantes lideranças do próprio campo majoritário.
DELE, NÃO vou aos detalhes, mas sem poder me omitir do bizarro epílogo em que marca como ponto alto a intervenção cantada de Benedita, que teria trazido animação a um encontro sem marca. 
Ou melhor, e aí sou eu quem concluo. Se essa intervenção marcou ponto alto, isso só confirma a inexpressividade do presidente do Partido, que em suas várias intervenções Valter náo teria vislumbrado nada de mais importante.

Segue abaixo o link do texto citado de Nassif


domingo, 26 de abril de 2026

Oitavo Congresso do PT: pontos para um balanço

Texto em debate na direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda (AE), sujeito à alterações.

Oitavo Congresso do PT: pontos para um balanço 

1/O Oitavo Congresso do PT aconteceu numa situação politica muito difícil, em parte devido à ofensiva do imperialismo estadunidense e seus serviçais da extrema-direita brasileira; em parte devido à orientação política equivocada implementada por setores do nosso governo e do nosso Partido.

2/O Congresso era necessário exatamente por isso: para debater e aprovar uma inflexão em nossa linha política, para que o Partido esteja à altura da situação política. Isso em grande medida ainda não ocorreu, em parte porque somos minoria, em parte porque outras tendências disputam muito pouco, mas em grande parte porque a tendência hoje majoritária no Diretório Nacional, a “Construindo um Novo Brasil (a CNB) resiste a mudar a linha política.

3/O Oitavo Congresso poderia ter servido para reafirmar de forma consistente a atual linha política da CNB. Mas como é público, esta tendência está profundamente dividida, motivo pelo qual a reafirmação feita é repleta de inconsistências, como se pode constatar por exemplo no debate de várias emendas e em alguns discursos feitos no congresso pelo presidente do Partido.

4/O Congresso poderia ter servido, pelo menos, para “animar a tropa”. Mas como Lula não compareceu pessoalmente no Congresso, não assistimos a animação necessária. Pelo contrário, muita gente da própria CNB saiu do Congresso mais preocupada do que animada.

5/Sobre isso, percebemos dois comportamentos entre os líderes da CNB: i/dizer que o Congresso foi um grande sucesso, numa atitude que - para ser elegante - é negacionista; ii/dizer que o Congresso não deveria ter sido convocado, o que na nossa opinião desconsidera a necessidade de um espaço coletivo de debate e deliberação para armar a militância nesse momento tão difícil.

6/Da nossa parte, fizemos todo o possível para que o Congresso existisse e estivesse à altura deste momento histórico. Por isso, participamos das cinco subcomissões, produzimos propostas, realizamos debates, lutamos para incluir nos documentos aprovados pontos fundamentais como a reforma agrária e a reforma da comunicação, que só entraram no Manifesto aprovado ao final pelo Congresso porque insistimos nisso até o último instante.

7/Qual foi a atitude de outros setores do Partido? Em alguns casos foi a omissão, noutros casos o silêncio obsequioso. Poucos fizeram como nós, que ajudamos a garantir o pouco de debate que houve neste Congresso, que ao fim e ao cabo foi um Encontro, não um verdadeiro Congresso.

8/Foi prometido que o Congresso terá, em 2027, uma segunda etapa. Defendemos que precisa ocorrer um verdadeiro Congresso, composto por delegados e delegadas eleitas em 2027, num novo debate na base, onde seguiremos na defesa do socialismo, de uma inflexão na estratégia e na linha política do Partido, de mudanças no nosso funcionamento organizativo, na reconstrução de nossas relações com a classe trabalhadora.

9/A direção nacional da AE produzirá, nos próximos dias, um balanço detalhado, incluindo: i/o que ocorreu desde a reunião do Diretório Nacional dia 6/12/25, que convocou o Congresso; ii/a reunião do DN de 23/4/26, que alterou a pauta do Congresso;  iii/o ato de abertura do Congresso; iv/a discussão na comissão de sistematização; v/a plenária de votação no sábado; vi/o ato de encerramento; vii/as atividades paralelas, com destaque para a exitosa programação internacional da Fundação Perseu Abramo; viii/a ausência, durante todo o Congresso e inclusive no encerramento, de muitas lideranças do Partido (ex-presidentes, parlamentares, governadores, ministros etc.). Fica aqui o nosso respeito e agradecimento a todas e todos que compareceram e nossa compreensão com quem justificou sua ausência.

10/Ponto fundamental do nosso balanço é a análise das resoluções aprovadas. Parte deste balanço pode ser feito desde já, com base nos textos propostos e nas emendas defendidas, bem como na análise do Manifesto (https://pt.org.br/link/2xy6l). Mas o balanço final das resoluções terá que esperar que o DN aprove a consolidação dos textos de “Conjuntura e Tática” e “Diretrizes para o programa de governo”. Desde já destacamos que as resoluções reforçaram o ataque à taxa de juros, a necessidade de criar a empresa Terrabras, a defesa da reestatização da BR Distribuidora, a reforma agrária e da comunicação, além de uma importante moção sobre os 10 anos do golpe iniciado em 2016 com o impeachment da companheira Dilma Rousseff (em todos esses casos, nossa bancada contribuiu na redação e aprovação das resoluções).

11/Entretanto, terminado o Congresso, nossa tarefa é ganhar as eleições 2026, reeleger Lula, eleger as candidaturas do PT ao governos estaduais, congresso nacional e assembleias legislativas. E, como parte importante desta tarefa, eleger as candidaturas de militantes da AE que estão disputando cadeiras na Câmara e nas Assembleias Legislativas.

12/Na campanha eleitoral, precisamos traduzir na prática a diretriz apresentada na mesa de comunicação feita na manhã do último dia do Congresso: “nós não somos o sistema, nós nascemos para enfrentar a ordem”. 

13/Nessa linha, o ponto alto do encerramento do Congresso foi o discurso cantado feito pela futura senadora Benedita da Silva, não apenas por quem é e pela animação espontânea que causou no plenário, mas principalmente por que ela expressou uma orientação prática para os próximos seis meses: bater de porta a porta, para ganhar o apoio e o voto de quem já nos garantiu a vitória em 5 das 9 eleições presidenciais realizadas desde 1989: a classe trabalhadora.

Andrea Jubé e o assassinato de Moro

Num artigo intitulado “Dirceu vê Lula ajustando a rota com ‘autocrítica’”, Andrea Jubé assassinou a história.

Refiro-me ao texto publicado no Valor Econômico de 24/04/2026 e que pode ser lido aqui: https://souchocolateenaodesisto.blogspot.com/2026/04/dirceu-ve-lula-ajustando-rota-com.html?m=1

Cito abaixo mensagem do colega Giorgio Romano Schutte. 

“(…) Na primeira parte, há uma tentativa de comparar a atual situação do PT com a do Partido Comunista Italiano (PCI) no final da década de 1970. Pelo menos foi assim que li, e confesso que ficou bastante confuso, não tendo ficado claro qual seria exatamente a comparação. Mas certamente não é isso que me levou a escrever.

O que precisa de uma errata é a sugestão de que o assassinato de Aldo Moro teria sido atribuído aos comunistas e que isso teria deflagrado uma fase de decadência da sigla. Andrea, isso, além de ser objetivamente errado, não faz sentido algum. Em nenhum momento do debate público na Itália houve a sugestão de que o PCI estivesse, de alguma forma, envolvido no assassinato. Pelo contrário, era Moro quem estava estabelecendo uma ponte entre a Democracia Cristã (DCI) e o PCI, em resposta à nova política do partido, inaugurada por Berlinguer, conhecida como “compromisso histórico”.

O assassinato foi reivindicado e é atribuído às Brigate Rosse, um pequeno grupo armado que se posicionava também radicalmente contra o PCI e realizou vários atentados contra seus dirigentes. A forma como você representou esse traumático episódio da democracia italiana não só demonstra uma falta de conhecimento sobre o assunto, como também constitui um insulto à história do PCI e, em minha opinião, à própria democracia italiana.

Espero que o jornal publique uma errata.

Atenciosamente,

Giorgio Romano Schutte”

Há outros problemas no artigo, entre os quais insinuar que o  PCI teria sido um “partido eleitoral fundado por intelectuais”.

Do meu lado, minha sugestão: quem for citar, antes leia O Alfaiate de Ulm.