Acontece que Lula não era delegado. Nem compareceu ao Congresso. Não sei qual a opinião dele sobre vários dos pontos polêmicos que geraram respostas como a acima transcrita.
O que sei é que as pessoas que se pretendem dirigentes têm que responder pessoalmente pelas escolhas que fazem. Não vale terceirizar. Se querem ser contra a reforma agrária, contra a TERRABRAS, contra a revogação da reforma trabalhista ou contra acabar com a “autonomia” do Banco Central, que sejam. Há argumentos para isso, mesmo que possam ser “peregrinos e monstruosos”.
Mas por favor assumam a responsabilidade pessoal pelo que defendem. “O chefe mandou” não é argumento. Pois a obediência que pode ser válida e necessária num governo - obediência infelizmente não exigida quando os cargos são ocupados por gente de direita - não se aplica num partido, ao menos não num partido que se pretenda de esquerda.
A respeito, lembrei de uma história: Diógenes Arruda, secretário-geral do Partido Comunista do Brasil, se opunha a fazer qualquer alteração no projeto de resolução do IV Congresso do PCB (1954) porque, dizia ele, Stálin teria lido e aprovado cada linha. Era verdade? Duvido. Mas o relevante é: mesmo que fosse verdade, ainda assim não seria argumento válido para impedir que um Congresso alterasse um projeto de resolução.
Felizmente no PT prevaleceu outra história e, em nosso Congresso, os projetos de resolução sofreram várias alterações, ainda que na boca do gol e apesar dos que não moveram uma palha naquele sentido. Seja como for, graças a quem se mexeu, não passaremos a vergonha de soltar um Manifesto que omitia a reforma agrária e a comunicação da lista de reformas prioritárias.
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