sexta-feira, 10 de janeiro de 2025
Maduro: a véspera da posse
quinta-feira, 9 de janeiro de 2025
Quaquá e o preço da procrastinação
Quaquá fez mais uma das suas.
Por qual motivo ele defende tanto os Brazão?
Há várias teses. A minha é muito simples: preocupação consigo mesmo.
A "dor no coração" de Quaquá gerou fortes reações.
Entre elas destaco:
-a de Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT:
-a da ministra Anielle: Anielle Franco | Inacreditável. Darei entrada na comissão de ética do partido pra tirar o nome da minha irmã da boca do dirigente que não sabe respeitá-la. | Instagram
-e a da ministra Cida:
Vale dizer que o assunto Quaquá & Brazão não é novo.
Seguem abaixo alguns textos a respeito.
O primeiro é de 25 de janeiro de 2024: Valter Pomar: “Quero ser amigo do Quaquá”
O segundo é de 25 de março de 2024: Valter Pomar: O PT e as dúvidas de Quaquá sobre Brazão
O primeiro é de 10 de abril de 2024: Valter Pomar: Quaquá e Chiquinho Brazão
O terceiro é de 1 de julho de 2024: Valter Pomar: A "absoluta certeza" de Quaquá
O terceiro é de 21 de setembro de 2024: Valter Pomar: Quaquá testemunha em favor de Brazão
Diante destes e de outros fatos, houve pedidos de comissão de ética contra Quaquá, que foram engavetados pelo anterior e pelo atual secretário-geral.
A respeito, pode-se ler este texto de 7 de dezembro de 2024: Valter Pomar: Sobre pedidos de comissão de ética
Espero que desta vez se perceba o preço da procrastinação.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2025
O discurso de Lula no 8 de janeiro
Importante ouvir os dois discursos feitos por Lula, no ato em defesa da democracia, realizado no dia 8 de janeiro de 2025.
Os dois discursos - o oficial e o improviso - podem ser assistidos aqui: Lula faz ato em defesa da democracia pelos 2 anos do 8 de janeiro
Como todo discurso, teve seus pontos altos e outros nem tanto.
Entre os pontos muito altos do discurso oficial, destaco o fato de Lula ter reafirmado que só haverá democracia no Brasil, quando o povo tiver seus direitos sociais garantidos.
Reestabelecer esse sentido amplo da democracia é algo essencial, se quisermos que a defesa da democracia seja feita pelo conjunto do povo, não apenas por uma elite.
Destaco também a reafirmação de que todos os golpistas devem ser punidos.
Antes do discurso oficial, Lula fez um discurso de improviso.
Nesse improviso, Lula disse que "a democracia é tão boa, que ela permitiu que um torneiro mecânico sem diploma universitário chegasse a presidente da República, na primeira alternância concreta de poder neste país. Isso só pode acontecer na democracia, não pode acontecer noutro regime".
Em seguida, Lula disse que você pega a fotografia da Revolução Russa de 1917, não tem um operário na foto (...) porque eram os intelectuais, os ativistas políticos, os estudantes, as pessoas com um pouco mais de grau, porque historicamente sempre se pensou que trabalhador não prestava para nada a não ser para trabalhar. As pessoas não imaginavam que os trabalhadores pudessem organizar um partido e chegar à presidência da República (...)".
Não sei a qual foto Lula está se referindo. Talvez seja uma foto (ver abaixo) que me contaram ele teria visto no famoso Instituto Smolny, em São Petersburgo.
Mas existem milhares de fotos mostrando o oposto, a saber: que foi ampla e decisiva a participação dos trabalhadores, com destaque para os operários fabris, inclusive metalúrgicos, na Revolução de Outubro de 1917 e guerra civil que veio depois.
Aliás, é isso que consiste a alma e o motor das grandes revoluções, como a Russa, a Chinesa e a Cubana: a participação massiva das classes trabalhadoras. E por isso mesmo as revoluções são profunda e incomparavelmente democráticas.
Talvez, ao falar dos "intelectuais, ativistas, estudantes, pessoas com um pouco mais de grau", Lula tenha querido se referir não à Revolução Russa como um todo, mas aos que dirigiram a Revolução, especialmente os integrantes do Partido Bolchevique.
De fato, muita gente fala que a direção da Revolução Russa de 1917 coube a uma elite de intelectuais.
Mas isto tampouco é exato.
Como foi demonstrado, entre outros, por George Haupt e Jean-Jacques Marie, no "estado maior" bolchevique "a proporção de militantes operários, não apenas por sua origem social, mas também por sua presença na produção, igualava, se não superava, a proporção que havia nos quadros dirigentes dos grandes partidos socialdemocratas europeus da época. Este fenômeno é tanto mais significativo tendo em vista que o microcosmo dos quadros dirigentes não era recrutado a partir de um macrocosmos de um partido de massas composto em grande medida por operários - como foi o caso, por exemplo, do partido socialdemocrata alemão - mas sim nas condições, mais perigosas e delicadas, da ilegalidade".
Quem quiser ler a íntegra do livro citado acima, está aqui: Los_bolcheviques_por_ellos_mismos-K.pdf
Apesar de incorreta, a afirmação de Lula tem um lado extremamente positivo.
Afinal, se entendi direito o que ele quis dizer, concordo: só haverá democracia no Brasil se a classe trabalhadora se mobilizar e se organizar e lutar.
E para isto segue sendo fundamental, sempre, que a esquerda brasileira tenha na sua direção uma grande proporção de trabalhadores, "não apenas por sua origem social, mas também por sua presença na produção".
Aliás, deixo a pergunta: hoje, na direção da esquerda brasileira, a proporção de militantes operários, "não apenas por sua origem social, mas também por sua presença na produção", é maior ou menor do que no Partido Bolchevique em 1917?
A resposta a pergunta acima talvez ajude a explicar parte das dificuldades que a esquerda brasileira enfrenta hoje.
As fotos abaixo (assim como a anterior) são do antigo gabinete de Lênin no Instituto Smolny.Cavernicolas no xilindró!
terça-feira, 7 de janeiro de 2025
PT presente na posse de Maduro
Nicolás Maduro, presidente eleito e reeleito da República Bolivariana da Venezuela, tomará posse no dia 10 de janeiro de 2025.
Na véspera da posse acontecerá uma reunião do Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo.
Além de governos, um grande número de partidos, movimentos e organizações mandou representantes.
No caso do Partido dos Trabalhadores, estão presentes vários militantes e integrantes do Diretório Nacional, entre os quais Camila Moreno, Vera Lúcia Barbosa, Mônica Valente e Valter Pomar.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2025
A "classe média" vai atacar novamente?
Segundo O Globo, o Brasil voltou a ser “um país de classe média”.
A afirmação se baseia num “levantamento” feito pela Tendências Consultoria.
Segundo este levantamento, em 2024 teria havido “ganho de renda e ascensão social”.
Dirigentes do PT denunciaram o fato de O Globo ter escondido o papel do governo Lula neste “ganho de renda e ascensão social”.
A denúncia procede.
Mas seria prudente combinar a denúncia com os seguintes esclarecimentos cautelares.
1/o Brasil nunca foi e continua não sendo “um país de classe média”.
Esta afirmação serve para ocultar que o Brasil segue sendo um país brutalmente desigual, onde a maior parte da classe trabalhadora recebe menos do que o necessário para ter uma vida decente. Basta dizer que em dezembro de 2024 havia 327.925 pessoas em situação de rua, “14 vezes superior ao registrado onze anos atrás, quando haviam 22.922 pessoas vivendo nas ruas no país”, conforme a Agência Publica;
2/o conceito de “classe média” adotado pela Tendências Consultoria é baseado num contestável critério de renda média domiciliar mensal.
A saber: classes D e E, até 3.400,00 mensais; classe C, de R$ 3.400 até R$ 8.100; classe B, de R$ 8.100 até R$ 25.200; classe A, mais de R$ 25.200. Na classe A estariam 4,3% dos domicílios; na classe B, 14,8%; na classe C, 31%; nas classes D e E, 49.9%.
É com base nesses números que a Tendências Consultoria conclui o seguinte: pela primeira vez desde 2015, a maioria dos domicílios vive com uma renda média superior a R$ 3,4 mil. A maioria no caso quer dizer 51,1%.
Noutras palavras, bastaria um pequeno ajuste na composição da denominada classe C, para a conclusão ser outra.
E, convenhamos, colocar numa mesma classe quem recebe entre 3,4 e 8,1 mil é simplesmente desconhecer o peso que o aluguel e a comida têm no custo de vida; e colocar numa mesma “classe” rendas entre 8 e 25 mil é simplesmente non sense.
Ou seja, mesmo que fosse correto o critério de renda para categorizar uma população, cinco categorias não bastariam;
3/o conceito de “classe” baseado em renda é, em si mesmo, enganoso.
Se “as classes C e B são tipicamente as de classe média” porque “nessas famílias, a principal fonte de renda vem do trabalho”, parece óbvio que muito mais adequado seria utilizar a categoria “classe trabalhadora”, dentro da qual existem diversas subcategorias, entre as quais aquelas derivadas dos distintos níveis de renda.
Mas, claro, falar de “trabalho” e falar de “renda” tem consequências políticas e ideológicas distintas.
Uma consequência meio óbvia: quem se acha classe média, é particularmente resistente a se organizar em sindicatos.
Por outro lado, se as classes C e B são aquelas cuja “principal fonte de renda vem do trabalho”, de onde vem a renda das pessoas categorizadas como D e E, exatamente aquelas que votaram maciçamente em Lula e no PT nas eleições de 2022? Suponhamos que venha de transferências do Estado. Isso faria com que elas não fossem mais consideradas como "trabalhadoras"?
Comentário lateral: por qual motivo os empresários, quando recebem subsídios do Estado, continuam sendo parte das "classes produtoras"; e os trabalhadores, quando recebem bolsa família ou outro tipo de transferência, deixam de ser considerados "trabalhadores"??
4/finalmente, o mais importante é o alerta político.
Segundo O Globo, essa ascensão da classe média que estaria acontecendo agora não ocorria desde 2015.
E o que mais aconteceu em 2015?
Estava em curso uma sequência de eventos que desembocou no golpe.
Naquela época, houve um intenso debate sobre o comportamento dos setores sociais que (supostamente) haviam ascendido à condição de classe média. Foi dito, por exemplo, que a elevação do nível de vida das pessoas, quando desacompanhada de consciência e organização, pode provocar uma direitização.
Também foi dito o seguinte: que os ricos e os setores mais bem remunerados não suportam ver a ascensão (mesmo que modesta) dos setores pior remunerados da classe trabalhadora.
Ou seja: o que é uma notícia estatisticamente positiva, pode ser uma notícia politicamente preocupante.
Por tudo isso, cuidado com a marmota.
Cantalice e Cervantes
O Ano é Novo, mas certas coisas não.
É o caso dos Tuítes Completos de Alberto Cantalice.
A esse respeito, um comentário.
Entendo os motivos que levam muita gente a enfiar alhos e bugalhos na cesta dos "ditadores & tiranos".
Mas uma coisa é a aparência, outra é a essência.
A essência remete para o papel jogado por cada "ditador" nos conflitos realmente existentes, o contexto histórico, inclusive a natureza da sociedade em que atuaram ou atuam. E, para além das diferenças entre as "pessoas jurídicas", há as diferenças entre as "pessoas físicas".
Quem viveu ou estudou a Segunda Guerra, por exemplo, percebe muito bem a diferença entre Hitler, Mussolini e Stálin.
Por mais que constatemos analogias, por mais que possamos ter ódio e nojo em relação ao comportamento pessoal deste ou daquele personagem, é impossível desconsiderar a história e o papel desempenhado por cada indivíduo na história.
Por exemplo: Vargas e Médici. Ambos foram ditadores. Ambas ditaduras foram cruéis. A esquerda lutou contra ambas. Mas existem diferenças que nenhum historiador ou militante político pode desconsiderar.
Raciocínio análogo vale para Bibi. Sua morte, deposição ou prisão não vão acabar com o sionismo.
Infelizmente para quem defende o Estado de Israel, acreditando que o problema é o governo Bibi, a derrota do sionismo exigirá cortar fundo, bem fundo, muito mais fundo.
Não sei se Cantalice está de acordo com essa conclusão. Mas isso é um problema dele, não meu.
Afinal, como diria a maga protetora “telepatizada” por Cervantes, el que imprime necedades dalas a censo perpetuo.









