domingo, 17 de novembro de 2024
Xi Jinping e as "fofinhas capivaras"
Segundo a Folha, não precisa ter PED
A Folha de S. Paulo publicou uma pequena nota sobre o processo de eleição das direções do PT.
A nota está aqui:
A nota incluí um trecho revelador: "Na prática, o partido será comandado por quem for escolhido pela corrente".
Ou seja, não precisa ter PED, não precisa ter eleição interna, não precisa ter votação.
Pois, segundo a Folha, o partido será "comandado por quem for escolhido" pela tendência intitulada Construindo um novo Brasil.
Um conceito de democracia homologatória. Segundo ele, vamos fazer um semestre de debates internos, convocar 2 milhões de petistas a votar, mas o resultado já estaria definido antes mesmo do processo começar.
Como esperar algo diferente de um jornal que abre espaço para o cavernícola pontificar sobre a democracia??
Vale dizer, entretanto, que tem mais gente que pensa igual a Folha: o vencedor será quem a CNB escolher; e como Lula tem muita influência na CNB, o vencedor será quem Lula indicar.
Sobre a parte de Lula, deixo aos amigos da CNB explicar.
Mas sobre a matemática da coisa, lembro que nenhuma tendência partidária tem 50% mais 1 dos votos no atual Diretório Nacional.
Portanto, mantida a atual correlação de forças, para que alguma candidatura à presidência tenha 50% mais 1 dos votos, será preciso conseguir muito voto diretamente na base e/ou será preciso fazer alianças com outras tendências. Foi o que ocorreu em 2019. Mas pode ser que, agora, algumas tendências decidam ter candidaturas próprias no primeiro turno e deixar para fazer alianças no segundo turno.
Enfim, para felicidade do Partido e para infelicidade de alguns que adoram falar de "democracia" em abstrato, é muito cedo para cravar o resultado final.
Declaração do G20 Social: uma inacreditável omissão
Uma amiga me alertou.
Confesso que inicialmente não acreditei.
Fui checar.
Copiei e colei, li, acionei o localizador de palavras.
E minha amiga tinha razão.
A Declaração da Cúpula Social do G20 não contém a palavra "Palestina".
Nem mesmo uma fórmula do tipo "paz na Palestina".
Tem "manutenção da paz".
Tem "paz global".
Mas não tem Palestina.
Incrível.
Deve ter alguma explicação.
Mas, como se diz, o que explica não justifica.
Veja a Declaração na íntegra, copiada e colada de um site inimigo do povo, portanto passível de algum erro.
A Cúpula Social do G20, reunida entre os dias 14 e 16 de novembro, no Rio de Janeiro, ao final do amplo processo de participação do G20 Social, convocado pela Presidência Brasileira do G20, dirige aos líderes mundiais, que se reunirão entre os dias 18 e 19 de novembro, na Cúpula do C20, a seguinte DECLARAÇÃO sobre as principais propostas da sociedade civil global, consensuadas durante os trabalhos realizados ao longo do ano, em torno dos três temas centrais da presidência brasileira do G20:
• Combate à Fome, à Pobreza e à Desigualdade;
• Sustentabilidade, Mudanças do Clima e Transição Justa;
• Reforma da Governança Global;
QUEM SOMOS E DE ONDE FALAMOS:
Representamos movimentos sociais e organizações da sociedade civil do Brasil e do mundo, reunidos ao final de intensos processos participativos, que buscaram dar voz aos mais diversos segmentos da sociedade global, frequentemente impactados, mas raramente ouvidos nas grandes decisões geopolíticas e macroeconômicas conduzidas por um seleto grupo de mandatários.
Durante esses meses de trabalho, buscamos incorporar as demandas, reivindicações e propostas historicamente construídas pelas organizações e movimentos de mulheres, negros e negras, povos originários e indígenas, comunidades tradicionais, pessoas com deficiências, LGBTQIA+, jovens, crianças, adolescentes, pessoas idosas, populações deslocadas ou em situação de rua, migrantes, refugiados e apátridas, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, da economia formal, informal, solidária e de cuidados. Todos clamando por uma reforma da governança global que assegure o fim dos conflitos armados, o desenvolvimento e a justiça socioambiental para si e para todo o planeta.
COMBATE À FOME, À POBREZA E À DESIGUALDADE
Em caráter de urgência e prioridade máxima, é imperiosa a adesão de todos os países do G20 e outros Estados, à iniciativa da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Em alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, essa aliança deve promover a cooperação e a intercooperação entre países e organismos internacionais, estabelecendo um fundo específico para financiar políticas públicas e programas de combate à fome, de forma a garantir o acesso universal à alimentação adequada.
Defendemos a soberania alimentar, a partir da produção de alimentos saudáveis, como um pilar para erradicar o flagelo da fome em cada nação e no plano global. Os povos devem ter reconhecido o direito de acesso democratizado à terra e à água, de controlar sua própria produção e distribuição de alimentos, com ênfase em práticas agroecológicas e de preservação do meio ambiente. A promoção de uma alimentação saudável deve ser central para assegurar justiça socioambiental, garantindo que todos os grupos sociais, independentemente de raça, classe, gênero ou origem, tenham acesso igualitário aos benefícios ambientais, respeitando as culturas alimentares tedineea e evitando a mercantilização dos recursos naturais.
Reafirmamos a centralidade do trabalho decente, conforme os padrões da OIT, como elemento essencial na superação da pobreza e das desigualdades. É crucial combater o trabalho escravo, infantil, o tráfico humano e todas as demais formas de exploração e de precarização do trabalho. Enfatizamos a defesa da formalização do mercado de trabalho e de economias inclusivas e contra-hegemônicas, como a economia popular e solidária, cooperativas, cozinhas solidárias e o reconhecimento e valorização da economia de cuidados. É essencial assegurar que todos, especialmente jovens, população negra, mulheres e os mais vulneráveis, tenham acesso a empregos dignos, sistemas de seguridade e proteção social e à ampliação dos direitos sindicais.
SUSTENTABILIDADE, MUDANÇAS DO CLIMA E TRANSIÇÃO JUSTA
Os mesmos dilemas que atingem milhões de pessoas vítimas da fome, das desigualdades e da pobreza refletem-se no descompromisso da maioria dos países desenvolvidos e de suas elites com o enfrentamento das mudanças climáticas e o aquecimento global. As populações mais afetadas pela fome e pela pobreza são as que mais sofrem com as emergências climáticas e desastres naturais, que se tornam mais intensos e frequentes em todo o mundo.
Reiteramos a urgência de enfrentar as mudanças climáticas, com respeito à ciência e os conhecimentos tradicionais dos nossos povos, destacando a importância dos compromissos de adaptação e mitigação no âmbito da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) e do Acordo de Paris. É uma exigência ética que os líderes mundiais assumam um compromisso firme com a redução de emissões de gases de efeito estufa e do desmatamento, bem como a proteção dos oceanos, condições essenciais para limitar o aquecimento global a 1,5°C e evitar danos irreversíveis ao planeta.
A transição justa, como processo de transformação socioeconômica para um modelo sustentável, deve ser o princípio norteador para substituir o modelo de produção baseado em combustíveis fósseis por uma economia de baixo carbono. Essa transformação precisa enfrentar a exclusão social, a pobreza energética e o racismo ambiental, e garantir condições equitativas para trabalhadores e trabalhadoras, pessoas negras e comunidades vulneráveis. Reforçamos que essa transição exige um e forco alevante de educação ambiental, participação social e formação cidadã.
Precisamos reforçar, também, a proteção de nossas florestas tropicais através da criação do Fundo Floresta Tropical para Sempre (TFFF), um mecanismo de financiamento internacional dedicado à sua proteção e inclusão socioprodutiva das populações que delas vivem e as mantém em pé. Este fundo, somado a um Novo Objetivo Quantificado Coletivo (NCQG) de financiamento climático, fortalecerá a articulação global necessária para preservar o meio ambiente, garantindo o apoio financeiro contínuo para conservar a biodiversidade e enfrentar a crise climática de forma eficaz.
REFORMA DA GOVERNANÇA GLOBAL
Para atingir esses objetivos, reivindicamos a necessária e inadiável reforma do modelo atual de governança global, que já se mostrou incapaz de oferecer respostas aos desafios contemporâneos e a manutenção da paz.
Assim, enfatizamos a necessidade inadiável de reforma das instituições internacionais para que reflitam a realidade geopolítica contemporânea, com a promoção do multilateralismo e ampliação da participação dos governos e povos dos países do Sul Global nos fóruns decisórios. Em especial, a reforma do Conselho de Segurança da ONU é imprescindível para garantir a diversidade de vozes globais e promover soluções mais equilibradas e eficazes frente aos desafios atuais.
Defendemos que esta reforma abrace a premissa da promoção da democracia e da da participação da sociedade civil. A democracia está em risco quando forças de extrema direita promovem desinformação, discursos totalitários e autoritários, atentando contra os direitos humanos e veiculando mentira, ódio, preconceito, xenofobia, etarismo, racismo e violência nas relações sociais e políticas, dentro das fronteiras de cada país e no plano internacional. Defender a democracia implica em defender o Estado Democrático de Direito e a participação direta da população nos mecanismos nacionais e internacionais de regulação das informações. O exercício do direito à transparência e comunicação plural assegura uma governança global inclusiva, conferindo legitimidade e eficácia aos Estados e organismos internacionais.
Acreditamos que a justiça fiscal é uma ferramenta fundamental para alcançar o desenvolvimento sustentável. Por isso, defendemos a taxação progressiva dos super-ricos, com a garantia de que os recursos arrecadados sejam destinados a fundos nacionais e internacionais de financiamento de políticas sociais, ambientais e culturais. Esses e todos os demais fundos aqui reivindicados devem estar regidos por princípios de transparência, controle e participação da sociedade civil.
CONCLUSÃO
Senhores e senhoras líderes do G20, é hora de assumirmos a responsabilidade de liderar uma transformação que seja efetivamente profunda e duradoura.
Compromissos ambiciosos são essenciais para fortalecer as instituições internacionais, combater a fome e a desigualdade, mitigar os impactos das mudanças do clima e proteger nossos ecossistemas. Este é o momento de agir com determinação e solidariedade. Com vontade política e a institucionalização de instâncias como a Cúpula Social do G20, podemos, sim, construir uma agenda coletiva que honre o compromisso com a justiça social e com a paz global.
sábado, 16 de novembro de 2024
Quem tem medo do VAT?
Gato escaldado tem medo de água fria.
Este ditado parece se aplicar à parte da esquerda brasileira que está com medo do movimento que visa acabar com a escala 6x1.
Razões do medo? Variadas, entre elas o trauma que alguns sentem com o que teria, supostamente, ocorrido em 2013.
O medo, dentro de certos limites, pode ser útil. Fora destes limites, gera paralisia.
Mas tem gente que vai muito além do medo. É o caso de Rui Costa Pimenta.
Segundo texto publicado no Brasil 247, o principal porta-voz do Partido da Causa Operária teria dito o seguinte: “O movimento 6x1 tem viés golpista. Já está parecendo revolução colorida (...) “É um movimento coxinha, meio caminho andado para o golpe de estado” (...) “É preciso acabar com essa demagogia disfarçada de luta popular. O 6x1 é pior do que demagogia; é um projeto confuso que pode trazer prejuízos aos trabalhadores e fomentar crises políticas desnecessárias”.
Comprova-se pelas frases acima que há certas coisas entre o céu e a terra que nossa vã filosofia não consegue mesmo entender.
É o caso de um partido "da causa operária" que ataca um movimento pela redução da jornada de trabalho.
As declarações de Rui Costa Pimenta estão aqui:
https://www.youtube.com/live/XciT3E3cEQw?si=5yfKL6o3Tz1aXHFO
Na prática, embora se diga preocupado com o governo e com o PT, o líder do PCO está aliado ao grande empresariado e a seus representantes no Congresso nacional, especialmente os da oposição.
E o governo?
Como de costume, a posição do governo não é a que deveria e poderia ser. E a experiência já demonstrou inúmeras vezes que a tibieza pode ser o pior dos mundos.
E o PT?
O Partido dos Trabalhadores, tanto a sua direção quanto a bancada federal, apoiam a proposta de redução da jornada.
Também como de costume, este apoio (ainda) não se tornou mobilização efetiva, à altura das necessidades. Isto sim precisa ser motivo de preocupação.
Pois o que realmente abre espaço - seja para manipulação da direita, seja para grupos de ultra-esquerda - é a fraqueza da mobilização do campo democrático popular, de que fazem parte, entre outros, o PT, a CUT, o MST, a UNE.
Não apenas a fraqueza da mobilização, mas também a participação desorganizada, que na prática forma plateia para terceiros.
Seja como for, estamos melhor agora do que antes. Há riscos? Sempre há e não devemos subestimar nenhum risco.
Mas na conjuntura atual, o maior risco é não fazer nada. Pois se não fizermos nada, a famosa "correlação de forças" seguirá nos paralisando. Sem falar de certas conversões ideológicas irreversíveis.
ps.as fotos inseridas nesta postagem são de uma faixa levada pelo PT a um ato pela redução da jornada. Na faixa está escrita: O POVO ACIMA DO LUCRO.
sexta-feira, 15 de novembro de 2024
Na batalha contra a Faria Lima, Edinho escolheu o lado errado
Se eu fosse assessor de imprensa do companheiro Edinho Silva, teria sugerido a ele que não desse entrevista para as páginas amarelas da Veja. Dá azar dar entrevista na imprensa mais amarela deste país.
Teria sugerido, também, que Edinho não caísse na armadilha de polarizar com a presidenta Gleisi Hoffmann. Afinal de contas, é obvio que Veja não dá ponto sem nó.
Até a Velhinha de Taubaté conseguiria perceber que, ao abrir suas páginas para Edinho, o objetivo real da Veja é ajudar na campanha da Faria Lima contra o PT.
Infelizmente, Edinho - o mesmo que em entrevista na UOL disse que o PT não deveria cair na armadilha da polarização contra o bolsonarismo - caiu na armadilha da polarização contra a presidenta de seu próprio Partido.
Registre-se que Edinho e Gleisi integram a mesma tendência dentro do PT, a chamada Construir um Novo Brasil, mais conhecida pela sigla CNB. Também faz parte da CNB o ministro Padilha, que recentemente também trocou chumbo retórico com a presidenta nacional do Partido.
A presidenta Gleisi, é bom que se diga, está coberta de razão ao enfrentar a Faria Lima. E tem o respaldo, para fazer isso, de duas resoluções recentes da direção partidária, uma da executiva e outra do diretório, esta última criticando o “austericídio”.
Isto posto, como não sou assessor de imprensa de Edinho, nem tampouco integrante da CNB, muito antes pelo contrário, registro meu total desacordo com várias das afirmações de Edinho na citada entrevista.
Para ser correto, meu desacordo com parte do que foi publicado, mas que não necessariamente coincide com o que foi dito. Afinal de contas, a Veja é como o imperialismo, não dá para confirmar nem um tiquinho.
Vamos por partes.
Veja começa a entrevista perguntando porque o PT “foi tão mal nas últimas eleições”.
Edinho diz que o discurso antissistema teria chegado nas “camadas mais populares” – que logo depois ele denomina de “classe média” – porque as pessoas “não conseguem mais encher o carrinho”, ou seja, porque as melhorias no PIB, no emprego e na renda “não tem se refletido em melhorias de vida” para fatia numerosa da população.
Isto é verdade? Em parte, sim: de fato, a realidade de boa parte do povo não é bem expressa pelos índices que o chapa-branquismo adora repetir. Além disso, a realidade percebida tampouco é a alardeada pelos puxa-sacos, termo que copio e colo de um dos vice-presidentes nacionais do Partido.
Mas existe uma parte da explicação que é omitida nesta resposta, a saber, aquela que envolve os motivos que ajudaram a direita a ter mais votos e a eleger mais gente: as emendas parlamentares, o uso da máquina, a compra de votos, o financiamento ilegal, a manipulação da grande mídia e das redes sociais etc.
Essas e outras armas são essenciais em qualquer explicação de por quais motivos as direitas tiveram mais votos e elegeram mais prefeituras em todas as eleições municipais, desde 1982.
Os nossos erros, um dos quais Edinho tangencia, ajudam a entender por quais motivos, nesta eleição de 2024 – diferente de algumas outras – nossos resultados ficaram abaixo do esperado e do possível. Mas é indispensável apontar o dedo acusador para os motivos de fundo que explicam as vitórias eleitorais da direita.
Além disso, é espantoso como Edinho está naturalizando a "narrativa" (argh!) segundo a qual o PT seria não só parte do sistema mas, também, vítima preferencial do que ele chama de "discurso antissistema".
Veja, talvez espantada com o unilateralismo da primeira resposta de Edinho, pergunta então se a questão “se restringe à economia”.
Edinho, ao invés de aproveitar a deixa para falar das questões acima mencionadas, insiste na tecla de que a culpa é do “movimento do eleitorado na direção de posições mais conservadoras. Tudo que é identificado como parte do sistema passou a ser rechaçado”.
Apesar de errada – os motivos da vitória e da derrota são mais concretos e múltiplos – a tese de Edinho é interessante, porque permite ilustrar o dilema que vive uma parte da esquerda brasileira.
Lá pela década de 1990, esta parte achou que o caminho da mudança passava por nossa integração ao “sistema”. E, agora, em 2024, uma parte daquela parte está apavorada, porque começa a perceber que setores crescentes da população estão aderindo a uma direita que, demagogicamente, fala contra o sistema e nos aponta, ao PT, como cabeça desse tal sistema.
A resposta para o dilema daquela parte da esquerda é relativamente simples, ao menos no plano das ideias: só uma esquerda verdadeiramente antissistêmica pode derrotar a direita supostamente antissistêmica. Mas para aceitar esta resposta, é preciso romper com os paradigmas adotados por muita gente, desde há muito tempo. E mesmo que seja aceita a resposta sintetizada anteriormente, levá-la à prática exige um imenso esforço, que incluirá um bom tempo de fisioterapia política.
De toda forma, a tese de Edinho não serve para explicar os resultados eleitorais. Se o que ele diz fosse uma verdade universal, como foi então que conseguimos vencer com Lula em 2022? E como foi que, mesmo em 2024, conseguimos vencer ou ter ótimos resultados em inúmeras cidades? Nestes casos, os nossos adversários seriam menos conservadores do que nós? Ou nós seríamos mais antissistêmicos do que eles?
Aliás, esta é a parte mais intrigante do raciocínio de Edinho: se for mesmo verdade que o eleitorado quer votar no antissistema, por qual motivo nós da esquerda não vestimos - com toda a legitimidade do mundo - esta camisa?? Por qual motivo deixar os conservadores fazerem demagogia e polarizarem esta parte da população?? Não seria esta uma forma muito mais efetiva - e pela esquerda - de "furar a bolha" deles??
Até mesmo a Veja parece se dar conta da inconsistência da explicação e pergunta porque, se o PT foi bem sucedido em 2022, ele não conseguiu ser bem-sucedido em 2024.
A resposta de Edinho é, na minha opinião, quase inacreditável: segundo ele, teriamos vencido em 2022 por causa da pandemia, que “fez o sentimento antissistema arrefecer”.
Ou seja, segundo Edinho, não teria sido a frente ampla, não teria sido o Lula, não teria sido a militância, não teria sido o Xandão agindo contra o setor bolsonarista da PRF, não teria sido a consciência de classe dos setores mais pobres, periféricos, negros, jovens e mulheres da classe trabalhadora, especialmente aquela nordestina de residência e coração.
Segundo Edinho, não teria sido nada do que geralmente uns e outros citam como causas da vitória. Teria sido, segundo Edinho, a pandemia.
Edinho chega a dizer que em 2022 a “polarização deu então uma breve suavizada”.
Isso é simplesmente falso.
A polarização foi tão intensa durante a pandemia, que morreram mais de 600 mil pessoas, parte das quais devido à decisões ou à falta de decisões por parte do cavernícola, de seu governo e de quem o apoiou, inclusive entre os médicos.
É verdade que havia gente na esquerda que era contra polarizar contra o cavernícola; mas a polarização ocorreu mesmo assim, principalmente da parte de Bolsonaro e da parte de muita gente que teve que lutar pela vida.
E a polarização prosseguiu durante a campanha eleitoral. Aliás, por pouco nosso inimigo não saiu vitorioso.
A Veja, talvez surpresa com o rumo da prosa, pergunta: “mas não foi o próprio PT que apostou na polarização contra bolsonaristas nos casos em que a disputa seguiu para o segundo turno?”
A resposta de Edinho é: “se apostou, errou”. Chega a ser bizarro ver este tipo de raciocínio ser publicado logo depois do atentado na Praça dos Três Poderes. Entretanto, é importante entender a lógica de Edinho. Segundo ele, “só conseguimos eleger o Lula [em 2022] quando furamos a bolha e conquistamos parte do eleitorado do Bolsonaro”.
A pergunta que se deve fazer a Edinho e a quem pensa como ela é a seguinte: como conquistar parte do eleitorado do Bolsonaro? Concordando com as teses do cavernícola ou disputando contra elas?
Podemos discutir como polarizar. Mas abrir mão da polarização é, também, abrir mão da disputa. Abrir mão da disputa, especialmente num momento em que do outro lado tem uma direita que polariza, é nos condenar à derrota, é desistir de disputar a classe trabalhadora.
É nesse ponto da entrevista que Veja pergunta se “o PT deixou de falar à classe trabalhadora”.
A resposta de Edinho começa afirmando uma obviedade – do tipo o mundo mudou desde 1980 – para terminar falando algo que o empresariado adora ouvir: há uma imensa parte dos trabalhadores que “não quer ser formalizada”. Ou seja: quem não tem direito, é porque não quer. Segundo Edinho, teria sido este grupo “ascendente” quem teria votado “contra nós nas periferias por não se sentir contemplado por aquilo que temos a oferecer”.
Basta olhar a movimentação contra o 6x1 para perceber que isso não é exatamente verdade. Tem uma parte importante da classe trabalhadora que está sendo brutalmente explorada, acima de qualquer patamar que se possa naturalizar ou atribuir ao masoquismo das próprias pessoas. Essas pessoas querem mais direitos. Como diria ele próprio, Edinho precisa “ter humildade para ouvir” o que estas pessoas estão “gritando”. Mas não. Ele prefere repetir uma cantilena que a própria direita adora repetir. Talvez por isso ele não se sinta em condições de polarizar.
Veja tenta puxar Edinho para o fundo do poço, perguntando se ele concorda com a teoria dos “pobres de direita”. Felizmente para ele e para todos nós, Edinho não cai naquilo que ele corretamente chama de “estigmatização”. Infelizmente, os motivos pelos quais ele não estigmatiza me lembram a frase de Haddad acerca da Faria Lima estar certa: “não adianta a gente criticar a teologia da prosperidade, porque ela fornece uma resposta concreta para essa classe média baixa”.
Para começo de conversa, é um erro chamar qualquer setor da classe trabalhadora de “classe média”. É um erro sociológico e um erro político.
Além disso, a “teologia da prosperidade” não fornece resposta concreta para o conjunto da classe; se fornecesse, tantas pessoas não estariam insatisfeitas com sua vida, fato que o próprio Edinho reconhece no início da entrevista.
O caminho para a vida “prosperamente acomodada”, não de alguns indivíduos, mas de dezenas de milhões de pessoas não passa pela teologia, mas pela economia política: precisamos que o governo faça mudanças estruturais. Mas para isso temos que enfrentar a Faria Lima e os amigos do agronegócio.
Como Veja obviamente não tem interesse neste tipo de questão, a próxima pergunta é sobre o... "identitarismo".
Edinho concede que as lutas identitárias “devem continuar”, mas diz que elas “representam um avanço do direito individual”.
Como nem a Veja, nem Edinho, explicam sobre o que exatamente estão falando, fica a dúvida. E, na dúvida, melhor esclarecer: não dá para tratar como “identitarismo”, nem como “direito individual”, temas que dizem respeito a milhões de pessoas; muito menos dá para fazer isso com os direitos de setores majoritários da nossa população, como é o caso das mulheres e da população negra.
O melhor momento da entrevista de Edinho é quando a Veja pergunta se “o PT deveria caminhar para o centro?”. Edinho responde que “o PT jamais vai fazer o giro para o centro”. Mas como o diabo mora nos detalhes, depois de expulsar o giro ao centro pela porta, ele deixa o dito cujo voltar pela janela, ao dizer que “o grande inimigo o século XXI é o fascismo, o nacionalismo de direita”; “mais do que nunca, devemos tecer no Brasil uma aliança no campo democrático”.
O problema é: quem faz parte deste “campo democrático”? Este “campo” vai aceitar as “nossas bandeiras”? Ou vamos, em nome do campo, virar social-liberais?
Dizendo em outras palavras: a extrema-direita é útil para a direita neoliberal. Quando é o caso, os neoliberais se aliam com os cavernícolas, para nos derrotar. E aplicam seu programa neoliberal. E quando é o caso, se aliam conosco para derrotar a extrema-direita. E, como preço que devemos pagar pela aliança deles conosco, querem continuar aplicando seu programa neoliberal.
Ou respondemos como lidar com isto, ou ficaremos no pior dos mundos: em nome de derrotar a extrema-direita, viraremos social-liberais, perderemos o apoio do povo e seremos derrotados, mais cedo ou mais tarde, pela extrema-direita que queríamos deter.
Edinho trata dessa questão da seguinte forma: “precisamos entrar em 2025 já com outra configuração”, “construir uma aliança que garanta governabilidade e dê condições à reeleição”.
Portanto, Edinho defende ampliar a aliança feita em 2022. Logo, ao contrário do que ele diz, na prática ele defende o “giro ao centro”, nome fantasia de “aliança com outros setores da direita”. Tipo o União Brasil e o PSD, que segundo Edinho querem “instituições fortes, previsibilidade e a solidez da democracia”.
Quanto ao resto dos elogios, não concordo com Edinho; mas "previsibilidade", com certeza, se é que me faço entender.
Sentindo a brecha, Veja enfia a faca e pergunta a opinião de Edinho sobre o “manifesto que o PT acaba de assinar criticando o ajuste fiscal defendido pelo ministro Fernando Haddad”.
Sejamos justos, bem que Edinho tenta escapar da armadilha: “O presidente da República e o ministro da Fazenda são ambos do PT. Considero essencial que se faça esse debate dentro do governo, para não fragilizar os envolvidos publicamente”.
Veja insiste e fulaniza: “Gleisi Hoffmann errou ao permitir que o documento fosse assinado?”
Edinho não suporta a mínima pressão e deixa escapar: “difícil opinar. Mas o desejável é que a discussão tivesse sido esgotada internamente”. E a partir daí fala o que a Veja queria ouvir: Gleisi “não pode enfraquecer o ministro da Fazenda. Isso é tirar força do próprio governo”.
Vou repetir aqui um argumento da própria presidenta Gleisi, acerca do óbvio: se o Partido não toma posição pública contra o que a Faria Lima pretende, ajudaremos pelo silêncio a que prevaleça a pressão da Faria Lima.
Agrego a este argumento o seguinte: porque a direção partidária precisa discutir antes "internamente" no governo e os governantes petistas não precisam, também, discutir internamente antes, no Partido??
Sei que o cachimbo entorta a boca, mas é inaceitável naturalizar esta situação que converte os-petistas-que-estão-no-Governo em uma instância superior ao conjunto do Partido. Um mínimo de reciprocidade e respeito mútuo ajudaria a evitar muitos erros.
Depois que conseguiu o que queria, a Veja faz perguntas genéricas e Edinho dá como resposta platitudes nada inocentes, do tipo “equilíbrio fiscal não deve ser uma bandeira da direita ou da esquerda”, acabar com a jornada 6x1 é uma "pauta legítima", mas o Brasil “talvez não tenha condições de implantá-la de hoje para amanhã”.
Com uma esquerda que pensa deste jeito, fica mais fácil entender aquele passo-a-passo que aprendemos na escola: fim do tráfico... lei do ventre livre... lei dos sexagenários... abolição. Mas sem reforma agrária, nem direitos.
Afinal, a sofrida classe dominante, que se acha e Edinho também trata como se fosse "o Brasil", precisa de tempo para se adaptar.
E, enquanto isso, os tadinhos vão recebendo muitos incentivos do Estado, motivo de fundo do "equilíbrio fiscal" que alguns tratam como se fora uma lei da natureza. Pois, vamos nos entender, o "equilíbrio" defendido pela Faria Lima é uma transferência permanente e crescente de recursos para os que já são endinheirados.
Noutras respostas, Edinho fala do projeto petista num tom de humildade compungida, sem em nenhum momento da entrevista citar a "palavra proibida": o socialismo. Fala de Dirceu e de outros, sem citar a criminosa Operação Lava Jato e outras do gênero. Fala de novas lideranças, enfiando no mesmo saco Boulos, João Campos e Tabata Amaral (sic).
No final da entrevista, reconheçamos, Edinho manda bem, quando fala sobre a candidatura de Lula em 2026 e, principalmente, quando diz que o sucessor de Lula será o Partido.
De conjunto, a entrevista é ótima para compreender os motivos pelos quais se diz que Edinho é "cotado" e "preferido". Afinal, com estas ideias e estilo, Edinho é mesmo um ótimo candidato a ministro. Mas a entrevista também é ótima para entender os motivos pelos quais muita gente, eu inclusive, não estamos de acordo com ter Edinho na presidência do Partido.
Entre outros motivos, porque a presidência do Partido não é um ministério do governo. Nem é fruto de uma decisão individual do presidente da República, mas sim uma decisão do conjunto do Partido, através do voto secreto de toda a base.
ps. depois de publicada a entrevista, Edinho disse que setores da imprensa "tentam gerar conflitos" entre ele e Gleisi. Sua explicação não explica nada. Na batalha contra a Faria Lima, Edinho escolheu o lado errado. O referido dito está aqui: https://x.com/edinhosilva/status/1857417834365657345?s=48&t=9bqLy41W04MI4rBcXdcOsw
quarta-feira, 13 de novembro de 2024
Erradicar a pobreza que existe em nossas mentes
Segue abaixo contribuição ao seminário realizado no dia 12 de novembro, logo após o lançamento do livro Superar a pobreza, de Xi Jinping.
Bom dia a todas.
Bom dia a todos.
Quero antes de mais nada transmitir, a quem está participando desta atividade, a saudação da diretoria da Fundação Perseu Abramo e, também, a saudação do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores.
Me pediram que falasse, nesse seminário, sobre o tema “combate à pobreza”.
E me deram 8 minutos para fazer isso, assim vou ser telegráfico.
A situação mundial é extremamente grave.
A guerra na Ucrânia, o genocídio na Palestina, a situação ambiental, a eleição de Donald Trump são expressões de um único processo: a crise sistêmica do capitalismo.
Esta não é a primeira crise sistêmica do capitalismo, talvez não seja a última, mas se não for combatida continuará levando a humanidade em direção a uma situação irreversível.
A República Popular da China tem feito esforços imensos neste sentido, no sentido de combater a crise e no sentido de proteger a humanidade dos seus efeitos. Mais do que isso, a China tem feito esforços no sentido de construir aquilo que chamam de “futuro compartilhado”.
Dentre os esforços feitos pela China, destaco a luta em favor da superação da pobreza.
Sobre isso, destaco que uma das coisas mais admiráveis na China é o reconhecimento de seus problemas e contradições.
Por exemplo: ao dizerem que agora conseguiram eliminar a pobreza absoluta, os chineses também estão nos dizendo que, por mais de 60 anos, o socialismo realmente existente na China conviveu com a pobreza absoluta.
Não é trivial que este tipo de verdade seja reconhecida abertamente, publicamente.
Assim como não é trivial que uma potência mundial transforme o combate à pobreza em um objetivo estratégico.
Tampouco é trivial que uma sociedade como as complexidades que possui a sociedade chinesa, venha obtendo êxito na materialização do objetivo de combater a pobreza.
Há várias explicações para este êxito.
Entre estas explicações, destaco a revolução de 1949, o Estado e a sociedade resultantes daquela revolução, a política de reforma e abertura iniciada em 1978, assim como o papel exercido pelo Partido Comunista.
A verdade, muitas vezes esquecida por quem estuda a China, é que não é possível entender a China atual, se não levamos em conta o papel do Partido Comunista.
O Brasil, especialmente a esquerda brasileira, precisa estudar a experiência chinesa.
Estudar, não copiar.
Somos países diferentes, culturas diferentes, tradições políticas diferentes. Qualquer tentativa de copiar seria desastrosa.
Mas temos muito o que estudar.
Nesse espírito, cito brevemente um episódio ocorrido em abril de 2024, quando uma delegação do Partido dos Trabalhadores, encabeçada pela presidenta Gleisi Hoffmann, esteve na China.
Refiro-me especificamente aos fatos ocorridos no dia 13 de abril de 2024, quando a delegação do PT visitou uma província chamada Fujian, mais especificamente uma vila de pescadores.
Até a década de 1980, estes pescadores viviam em condições muito difíceis, o que incluía morar em seus barcos.
A partir de então, teve início uma série de transformações.
Hoje, os moradores da Vila residem em casas confortáveis e com o devido acesso às políticas públicas básicas.
A capacidade de transformar profundamente a vida das pessoas tem relação direta com várias das conquistas da revolução de 1949.
Entre elas, o fato de a terra ser propriedade pública. E, também, o fato de existir uma direção política comprometida em servir ao povo.
A delegação do PT teve a oportunidade de conversar com a prefeita da cidade onde fica a citada Vila. E aí ocorreu um fato, pequeno em si mesmo, mas muito significativo.
A delegação fez uma pergunta.
O chinês encarregado de traduzir a conversa demorou a entender a pergunta feita pela delegação.
A pergunta era simples: quantos por cento da população daquela Vila tinham acesso ao saneamento.
Quando o tradutor finalmente entendeu a questão, ele mesmo respondeu, em bom português: “100% óbvio”.
O que mais nos impressionou não foi a resposta em si, mas a demora do tradutor em entender a dúvida. Foi como se ele nos dissesse: como seria possível ser diferente? Como seria possível viver em uma sociedade em que parte das pessoas não tem acesso a algo tão básico?
Nós aqui no Brasil vivemos em outra situação. Parte expressiva da população segue sem nenhum acesso a serviços públicos básicos.
Destaco, ainda, que a delegação do PT ficou muito impressionada, tanto na visita a Fujian quanto a outras regiões da China, com a infraestrutura urbana: o trem bala, os viadutos, as estradas, as grandes avenidas, os conjuntos habitacionais, as imensas cidades que nos eram apresentadas como sendo apenas “vilas rurais”.
Sem falar na beleza dos viadutos e ruas ajardinadas, no ambiente geral de limpeza, a visível afluência.
Vale dizer que Fujian era um dos pontos da antiga rota da seda e, hoje, é um dos nós da Iniciativa Cinturão e Rota, Iniciativa lançada, em 2013, por Xi Jinping.
Certamente há regiões da China diferentes, não tão comodamente acomodadas. Mas de toda forma, a impressão geral com que voltamos, desta e de outras viagens a China, é de um progresso constante.
Para entender as causas disso, vale a pena ler o livro lançado hoje – SUPERAR A POBREZA – livro que reúne 29 artigos, escritos por Xi Jinping, entre setembro de 1988 e maio de 1990, relatando sua experiência como principal dirigente do Partido Comunista na região de Ningde, onde fica a vila de pescadores que citei anteriormente.
Do nosso ponto de vista, do ponto de vista daqueles que trabalham para transformar o Brasil num sentido favorável à maioria da população, a China ajuda a perceber o papel que podem jogar, neste processo de transformação profunda de um país, a vontade política, a ação coletiva, a perspectiva de longo prazo.
A "correlação de forças" não era favorável, quando o Partido Comunista da China foi criado, em 1921, por um punhado de delegados, representando 58 pessoas, num país com 300 milhões de habitantes.
A "correlação de forças" também não era favorável, em inúmeros outros momentos da história da China.
Mas, adotando a postura de transformar a correlação de forças, ao invés de se prostrar diante dela, o Partido Comunista e seus aliados conseguiram - com avanços e recuos, vitórias e derrotas, erros e acertos - fazer da China o que ela é hoje.
Para nós, do Brasil, dos movimentos e partidos da chamada esquerda brasileira, é fundamental aprender com essa disposição de não se prostrar diante das dificuldades, de não considerar a correlação de forças momentânea como sendo um obstáculo definitivo e, principalmente, de não adotar a mediocridade como meta e parâmetro.
Nosso país, o Brasil, tem enormes possibilidades.
Entretanto, enquanto o setor financeiro e o setor primário-exportador forem dominantes, essas possibilidades seguirão sendo apenas isso: possibilidades.
Também por este motivo, o Partido dos Trabalhadores e o conjunto da esquerda brasileira não podem aceitar o papel de gestores do status quo.
É preciso disposição de transformar profundamente o país, investir pesadamente no bem-estar social e no desenvolvimento.
Atingir estes e outros objetivos será mais fácil, se o Brasil e a China aprofundarem seus laços de cooperação.
Desde 1974, esta cooperação passou por diversos momentos. Esperamos que no dia 20 de novembro deste ano, durante a visita de Estado de Xi Jinping, a cooperação China-Brasil atinja um outro patamar.
Isto porque, embora não seja a única variável envolvida, é seguro que sem desenvolvimento econômico em grande escala, não conseguiremos superar definitivamente a pobreza.
Mas para ter um desenvolvimento econômico compatível com a superação da pobreza, é preciso que o Estado e a sociedade brasileira experimentem transformações profundas.
Se conseguirmos ter êxito nesta tarefa, ajudaremos não apenas a mudar o Brasil, mas também ajudaremos a mudar o mundo.
Um passo fundamental nesse sentido é fazer algo que Xi Jinping destaca, no posfácio do livro SUPERAR A POBREZA.
Neste posfácio, Xi Jinping diz que o significado do título do livro – SUPERAR A PROBREZA - reside, em primeiro lugar, em erradicar a pobreza que existe em nossas mentes.
Sem erradicar nossa pobreza mental, não conseguiremos erradicar a pobreza material.
Pensar grande, pensar longe, pensar profundo, pensar de forma radical: este é um passo fundamental para superar a pobreza.
Esta é a contribuição que gostaria de dar para a nossa discussão.
Muito obrigado.
terça-feira, 12 de novembro de 2024
Mercadante: não se deve confiar em banqueiros. Nem nos do Partido!
Graças ao camarada Vaccari, eu pude ler as Obras Completas do Lênin, de ponta a ponta. E assim pude confirmar que não era fake news: Lênin realmente disse que não se devia confiar nos advogados, especialmente naqueles que diziam ser membros do Partido



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