quinta-feira, 14 de abril de 2022

O PT virou a página do golpe? (primeira parte do relato da reunião do DN do PT)

No dia 13 de abril de 2022, o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores aprovou, com 68 votos a favor, um documento recomendando Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente da república na chapa encabeçada por Lula.

O documento pode ser lido neste endereço:

https://pt.org.br/pt-aprova-coligacao-com-psb-e-chapa-lula-alckmin/

Não se trata ainda de uma decisão final, que caberá ao encontro nacional do PT convocado para os dias 4 e 5 de junho. Como este encontro é composto por delegados que elegeram, em 2019, o atual Diretório Nacional, só um fato novo pode impedir Geraldo Alckmin de ser vice.

O documento aprovado pelo Diretório Nacional foi subscrito por seis tendências: a Construindo um Novo Brasil, a Resistência Socialista, o Movimento PT, a Esquerda Popular e Socialista e a Avante PT.

Falaram a favor da aprovação do documento a deputada federal Maria do Rosário (Avante PT) e o deputado federal José Guimarães (CNB).

Rosário defendeu “retirar fração da classe burguesa do lado de lá para isolar o nazifascismo”, em defesa da “manutenção da democracia”: “para derrotar o neofascismo, adversários se unificam”.  Rosário afirmou, entretanto, que “o programa tem que ir para a esquerda”. Segundo ela, são Alckmin e o PSB que “estão somando conosco”, que Alckmin “não precisa ser uma âncora”.

Guimarães foi na mesma linha, lembrando que nossas “alianças são presididas pelo programa”, que “vamos fazer reformas profundas”. Estamos buscando “uma fração da burguesia”, mas “sob hegemonia nossa, sob comando do Lula”: “isso vai levar o PT para o lado de lá? Não, pelo contrário”, pois “não vai ter influência de Alckmin”, até porque “Lula é tudo, é o próprio programa”.

Em resumo: segundo os defensores do documento aprovado, Alckmin apenas soma, não subtrai. É a aplicação da famosa “teoria do tudo de bom”.

Na segunda parte deste relato, que será dedicada ao debate travado no Diretório Nacional sobre a carta programa da “federação” entre PT, PV e PCdoB, veremos se as afirmações de Rosário e Guimarães procedem ou não.

Voltando ao debate sobre Alckmin: falaram contra o documento aprovado Markus Sokol (O Trabalho - ver ao final mensagem recebida no dia 14 de abril as 8h16), Valter Pomar (Articulação de Esquerda) e Joaquim Soriano (Democracia Socialista, apresentando um texto também assinado pela Militância Socialista). Após a defesa, a AE informou que votaria junto com a DS.

Não dispomos do texto lido por Sokol; após a reunião, ele distribuiu uma declaração reproduzida ao final. Também ao final reproduzimos os textos apresentados por Soriano e Pomar, respectivamente.

A proposta de Sokol recebeu três votos (Sokol, Misa Boito e Salomão). A mesa anunciou que a propota da DS/MS + AE recebeu simbólicos 13 votos, mas na verdade a própria mesa leu o nome de 14 pessoas, a saber: Natália Sena, Patrick Araújo, Júlio Quadros, Valter Pomar, Daniela Matos, Rui Falcão, Joaquim Soriano, Raul Pont, Eutália Barbosa, Rosane Silva, Augusto (PR), Gabriel Medeiros, Mariana Janeiro e Luna Zaratini.

O debate sobre o tema Alckmin começou e terminou em menos de uma hora, contagem de votos incluída. Registre-se que NUNCA o tema havia sido debatido no Diretório Nacional ou na executiva nacional. Todo o debate sobre ter Alckmin na vice foi travado fora das instâncias partidárias.

Feitas as contas, saiu vitoriosa a posição defendida pelos senador Humberto Costa, em entrevista na revista Veja em fevereiro de 2017. Um comentário sobre a referida entrevista pode ser lida no seguinte endereço: http://valterpomar.blogspot.com/2017/02/humberto-costa-qual-pagina-deve-ser.html

Na tal entrevista, concedida há 5 anos, Humberto Costa defendia virar a página do golpe. Ao indicar Alckmin para vice de Lula, a maioria do Diretório Nacional do PT fez algo muito parecido com isso.

Nas partes seguintes deste texto, avaliaremos as repercussões e desdobramentos da decisão. E contaremos os debates no Diretório sobre a federação e sobre o programa, entre outros assuntos.

Declaração de Sokol distribuída ao final da reunião do DN

"Votei contra a proposta do PSB de dar a Vice de Lula para Alckmin. Os motivos, apresentei às companheiras e companheiros do DN. Petista e paulista, não tenho um balanço positivo, do ponto de vista dos trabalhadores e da juventude, dos muitos anos dele como governador do PSDB. Não conheço as reavaliações que ele possa estar fazendo. Agora, decisão tomada, vou lutar pela vitória eleitoral de Lula Presidente para reconstruir e transformar o Brasil, junto com o meu partido."

Projeto de resolução apresentado pela tendência petista Articulação de Esquerda

Sobre coligação com o PSB e sobre candidatura a vice-presidência

A eleição presidencial deste ano colocará em disputa dois projetos muito delineados: o democrático-popular e o neofascismo neoliberal. No polo democrático, é a candidatura de Lula que tem reais possibilidades de aglutinar a maioria do sociedade em torno de um programa de enfrentamento e substituição das políticas neoliberais e privatistas, de reafirmação da soberania e das políticas de crescimento sustentável com justiça social, de resgate dos direitos e das conquistas da classe trabalhadora, de retomada dos direitos humanos, coletivos e individuais; enfim, um programa capaz de trazer paz e prosperidade para o povo brasileiro.

Nossa política de alianças e a tática eleitoral que já estão em construção e serão definitivamente aprovadas no Encontro Nacional de 4 e 5 de junho, apontam para a ampliação política necessária para derrotar Bolsonaro, o bolsonarismo e o neoliberalismo, num processo eleitoral que já se revela o mais duro desde a redemocratização do país.

Além de consolidar a unidade do campo popular, o PT deve buscar ampliar o apoio a Lula em outros setores políticos e sociais, como o Partido Comunista do Brasil, o Partido Verde e o Partido do Socialismo e da Liberdade.

Neste sentido, a coligação nacional com o PSB também será importante passo na direção almejada. Confirmará nossa disposição de, no governo, implementar um programa de reconstrução e transformação do Brasil, ampliando nossa base social.

Neste sentido, o Diretório Nacional indica às delegadas e aos delegados que participarão do Encontro Nacional a aprovação da coligação com o PSB.

O PSB apresentou formalmente o nome do ex-governador Geraldo Alkmin para compor a chapa como candidato a Vice-Presidente de Lula.

O Diretório Nacional do PT realizará uma reunião específica para discutir este tema, tendo em vista esta ser a primeira reunião do Diretório Nacional a debater esta proposta; tendo em vista existirem na sociedade e no partido outras demandas legítimas pela vice, por exemplo de uma vice mulher, negra, comprometida com o projeto democrático popular e que tenha lutado contra o golpe de 2016; assim como há a possibilidade indicar vices oriundos de setores de centro e de direita, mas que participaram e/ou apoiaram os governos de Lula e Dilma.

Contribuição da Democracia Socialista e da Militância Socialista ao debate sobre a coligação nacional e a composição da chapa.

Para construir a democracia no Brasil é preciso derrotar Bolsonaro e o neoliberalismo

 Ninguém deve ter dúvidas sobre a grandeza do desafio, a complexidade das tarefas, a extraordinária dureza da luta política que se trava nestas eleições presidenciais e parlamentares de 2022. É o destino do povo brasileiro que se disputa em meio a um quadro de violentos ataques à democracia, de frágil legalidade, de gravíssima crise social e sanitária,  diante de um adversário que objetiva criar no país um regime de extrema-direita.

Por isso, é preciso evitar certezas de antemão formadas, não adotar juízos unilaterais e abrir-se ao debate democrático.

Uma política de alianças deve resultar de um diagnóstico da situação política e ter como referência fundamental um programa de mudanças.

O governo Bolsonaro só pôde ser eleito em 2018, só pôde governar apesar de tantos desastres e crimes, só pode manter uma candidatura à reeleição porque aplica um programa neoliberal de amplo apoio nas classes dominantes brasileiras e internacionais. De modo singular no Brasil, mas como outros governos contemporâneos, ele unifica uma extrema-direita com um programa neoliberal. É a resistência democrática do povo brasileiro estreitamente soldada à insatisfação com as políticas neoliberais que faz com seu governo seja hoje rejeitado por quase dois terços dos brasileiros.

Separar a luta contra Bolsonaro de um programa e de uma estratégia de campanha que vise superar o programa neoliberal é, assim, um duplo erro. De um lado, enfraquece a luta democrática contra Bolsonaro que só pode ganhar consistência popular se vinculada claramente a medidas anti-neoliberais que atendam às necessidades das maiorias sociais, das classes trabalhadoras, das mulheres e do povo negro. De outro, enfraquece e confunde a construção de uma alternativa política à Bolsonaro na medida em que esta depende de uma forte identidade e de um claro programa anti-neoliberal.

Para obter a vitória eleitoral mais ampla, para reunir a maioria do povo brasileiro, para aumentar a força das bancadas de esquerda e centro-esquerda no Congresso Nacional e nos governos estaduais, para criar a legitimidade necessária a um programa de governo de reconstrução e transformação do Brasil é preciso uma política de alianças que sinalize a superação do governo neoliberal de Bolsonaro. Precisamos não apenas consolidar a maioria dos votos e apoio entre os mais pobres, mas entre os assalariados da classe média mais ampla, na agricultura familiar e entre os pequenos produtores. Precisamos, sobretudo, da organização popular e dos comitês Lula.

Será preciso formar um novo bloco socioeconômico muito amplo, hegemonizado pelas classes trabalhadoras, politicamente majoritário, assentado nos valores culturais humanistas e democráticos do povo brasileiro e que aponte a um sentido de futuro soberano ao país.

A luta contra o neoliberalismo unifica e reorganiza um sentido de país. Enfraquecer esta identidade e diluir este programa estreita a base social e enfraquece a potência majoritária da candidatura Lula. Diante do programa de cisão e do espírito de facção do bolsonarismo neoliberal, é preciso reconstruir em plenitude a república democrática e popular dos brasileiros, baseada nos valores da liberdade e da igualdade. A política de alianças da candidatura Lula deve se organizar com estes objetivos históricos, de grande força unitária e de grande amplitude social. Para reunir a maioria do Brasil, será preciso derrotar o neoliberalismo.

Geraldo Alckmin relembrou sua presença na luta pela redemocratização e agora na luta pela reconstrução. Num lapso temporal extraordinário, não menciona justamente os anos de governos neoliberais no Brasil onde ele foi um dos expoentes e, tão pouco, os anos recentes de apoio ao golpe de 2016. Não se tem notícia de nenhuma autocrítica de Geraldo Alckmin em relação ao ideário neoliberal ou ao golpe que abriu a portas para Bolsonaro.

Esperamos que o Encontro Nacional seja capaz de escolher uma candidatura a vice-presidência que contribua para realizar o potencial democrático e anti-neoliberal desta campanha histórica que deve levar novamente o Presidente Lula a governar o Brasil.

 Mensagem recebida as 8h16 do dia 14 de abril

O companheiro Markus Sokol me enviou a seguinte mensagem, reproduzida na íntegra a seguir: "A bem dos fatos, Markus (não marcos) Sokol, apresentou, falou e votou em nome do DAP, cujos 3 membros votaram "contra a proposta do PSB de Alckmin para vice de Lula" (Gleisi). Não tive ainda o tempo de ler o resto do teu relato, mas naturalmente como votamos diferente, podemos avaliar diferente, no respeito dos fatos. Se quiser agregar, teu direito, fora desta votação, como bio, Sokol é membro da "Corrente OT do PT, seção brasileira da 4a Internacional"

 

 

terça-feira, 12 de abril de 2022

Vannuchi e Maringoni estariam chutando cachorro morto?

Na primeira parte deste texto, disponível no endereço abaixo, comentei um artigo de Gilberto Maringoni.

http://valterpomar.blogspot.com/2022/04/vanuchi-e-maringoni-estao-gastando-vela.html

Nesta continuação, vou comentar um artigo de Paulo Vannuchi, publicado na Folha de S. Paulo no dia 8 de abril de 2022 e disponível no endereço abaixo:

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2022/04/uniao-de-lula-e-alckmin-concretiza-frente-ampla-contra-o-bolsonarismo.shtml

Segundo Vannuchi, a união entre Lula e Geraldo Alckmin “sintetiza com absoluta concretude as propostas esparsas que há, três anos, apontavam a necessidade de uma frente ampla para sepultar o ciclo de ódio que marca o bolsonarismo”.

Concordo com ele, embora tire daí conclusões muito diferentes. E isso está relacionado ao fato de contarmos de forma um pouco diferente o passado recente do Brasil.

No citado artigo de Vannuchi, o bolsonarismo parece caído do céu. Não se comenta a responsabilidade dos tucanos e seus aliados na ascensão do neofascismo, nem se aponta a identidade programática dos tucanos com aspectos centrais do programa de governo do cavernícola.

Exemplo: Vannuchi fala dos “ataques sistemáticos às instituições democráticas” já terem “sido a tônica da campanha eleitoral do atual presidente em 2018”. Mas não fala absolutamente nada sobre o ataque dos tucanos, Alckmin inclusive, às instituições democráticas” no golpe contra Dilma em 2016, nem fala nada do seu apoio à condenação, prisão e interdição eleitoral de Lula em 2018.

Vannuchi fala que, reeleito, Bolsonaro “seguirá adiante na destruição voraz de todas as políticas construídas desde 1988 em áreas essenciais como direitos humanos, saúde, educação, cultura, desenvolvimento social, ciência e tecnologia, relações exteriores e muitas outras”. Isto é verdade, mas não podemos olvidar que entre 1989 e 2018 a tal “destruição voraz” esteve na maior parte do tempo a cargo dos tucanos, entre os quais se destacou Alckmin, governador de São Paulo por inúmeras vezes.

Por estas e outras razões, Lula está coberto de razão ao afirmar que a unidade antifascista precisa ter “condicionantes”. Segundo Vannuchi, para Lula seria “inegociável” um ponto central de seu programa: “os pobres devem ocupar posição angular na recuperação econômica e na reconstrução democrática. Sem isso, nenhuma unidade antifascista haverá de durar”.

E aí cabe perguntar: a presença de Alckmin na vice de Lula contribui para garantir isto? Vannuchi acha que sim. Mas como ainda não nasceu o político brasileiro capaz de não colocar “em primeiro lugar os que mais precisam”, nada mais prudente do que desconfiar dos efeitos supostamente positivos de ter como vice de Lula alguém que desde 1995 esteve entre os protagonistas da política neoliberal.

O simples fato de o ex-governador paulista ter aceito a convocação para ser vice de Lula não prova nada, salvo que ele sabe muito bem diferenciar o momento cela solitária do momento rampa de palácio. É impossível esquecer: Alckmin comemorou enfaticamente a prisão e a interdição de Lula, fato suficiente para não dar ao ex-governador a medalhinha de “adversário leal”.

Tampouco basta o fato de Alckmin ter deixado o “terminal PSDB”. Cabe perguntar: o PSDB saiu dele? Noutras palavras: ele saiu do PSDB por divergências programáticas ou por ter perdido espaço? Infelizmente, os elogios de petistas a Alckmin têm sido tão exagerados que o ex-governador tem podido manter silêncio sobre suas posições programáticas (embora seu discurso ao entrar no PSB tenha passagens reveladoras: http://valterpomar.blogspot.com/2022/03/o-discurso-de-alckmin.html).

Um exemplo destes elogios que tentam pintar Alckmin de gauche: “Alckmin optou pela sigla mais à esquerda no leque de partidos colocado à sua disposição, o PSB, aliado do PT desde a Frente Brasil Popular, de 1989”. É fato, mas também é fato que o próprio PSB não é mais aquele da frase “socialismo sem liberdade, socialismo não é; liberdade sem socialismo, liberdade não pode ser”. Basta lembrar do apoio do PSB a Aécio Neves no segundo turno de 2014 e, também, do apoio dado pelo PSB ao golpe contra Dilma em 2016.

Deixo de lado outros pontos do texto de Vannuchi e pulo direto para o resumo que ele faz das críticas de esquerda a ter Alckmin na vice de Lula. De cara, esclareço que tal resumo não contempla o ponto de vista desenvolvido no seguinte texto: http://valterpomar.blogspot.com/2022/04/resolucao-sobre-vice.html

Em segundo lugar, considero simplesmente assustadora a comparação entre o governo Alckmin e os governos petistas. Segundo Vannuchi, “episódios de violência policial ocorreram de fato naquele período [de governos Alckmin] – muitos e graves –, mas não seria honesto esquecer de ocorrências policiais graves registradas também em governos estaduais liderados por nosso partido. Os reiterados choques com o professorado estadual também constituíram assunto sem acordo, mas vale lembrar que governos petistas também enfrentaram prolongadas greves nessa mesma área de atuação sindical combativa”.

De fato, há governantes petistas que emulam práticas tucanas, mas o ocorrido nos governos Alckmin não pode ser apresentado como “episódios de violência policial” ou “reiterados choques com o professorado estadual". Nos governos Alckmin houve uma política de segurança pública, uma política de educação e um trato com o funcionalismo público orientados por um programa e uma estratégia política distintas e oposta às políticas defendidas pelo PT.

Vejamos agora outro ponto elencado por Vannuchi: “a avaliação – temerária, embora respeitável –de que a vitória seria possível sem alianças tão amplas. Mesmo que esse otimismo se confirmasse, faltaria desatar um nó igualmente difícil, o da necessária maioria no Legislativo para aprovar os projetos mais centrais do novo mandato”.

Da minha parte, concordo que a situação política e eleitoral é dificílima. Não estou entre os “otimistas”, nem sobre 2022 nem sobre o depois. E não tenho objeção de princípio contra alianças, nem mesmo com setores conservadores. Meu ponto é: esta aliança com Alckmin terá um alto preço eleitoral, um altíssimo preço programático e inclui um expressivo risco prático. Existem outras alternativas de vice, mais coerentes e menos perigosas, dentro e também fora do campo democrático e popular. Afinal, nem todo conservador fez oposição aos governos Lula e Dilma, nem todo conservador apoiou o golpe de 2016 e defendeu a fraude de 2018.

Acontece que os defensores de Alckmin vice parecem achar supimpa ter um vice golpista e neoliberal. Como diria Vannuchi, os apoiadores de Alckmin são de um “otimismo temerário” (aliás, como não lembrar de Temer), desconsiderando totalmente os aspetos negativos.

Vannuchi vai além: sugere semelhanças entre Alckmin, Severo Gomes, Teotônio Vilela. Alceu Amoroso Lima e dom Helder Câmara. E afirma ser “menos aceitável ainda” condenar a chapa com Geraldo Alckmin “pelo simples temor de que ele fatalmente haveria de trilhar o mesmo caminho de vileza percorrido pelo vice de Dilma Rousseff. Não é justo igualar os dois perfis”.

Também acho injusto: não se sabia em 2010 que Temer apoiaria o golpe em 2016 e 2018, mas já se sabe em 2022 que Alckmin apoiou o golpe em 2016 e 2018. Aliás, chega a ser engraçado: Vannuchi diz que “no próprio testemunho de Lula e Haddad, Alckmin sempre foi um adversário leal e respeitoso na convivência republicana entre presidente, governador e prefeito. Aquele outro vice, temos a obrigação de reconhecer, já tinha percorrido longos caminhos obscuros antes de chegar ao Jaburu”. Pois é, mas na época da indicação de Temer não se levou em devida conta estes “caminhos obscuros”, como agora não se está levando em devida conta os caminhos obscuros de Alckmin.

Injustiça maior ainda é comparar Alckmin com José de Alencar. Este, para citar Vannuchi, atacava “com toneladas de razão, os juros altos que corroem o potencial da indústria e tornam os bancos monarcas absolutos do capitalismo brasileiro”. O segundo integra a lista dos defensores do agronegócio e do capital financeiro.

Seja como for, espero que Vannuchi tenha razão e que não estejamos caminhando “no sentido de se repetirem as traições que culminaram no golpe de 2016, porta aberta, ao lado dos crimes praticados em Curitiba pelo Poder Judiciário, para que a direita extremista obtivesse uma vitória eleitoral que parecia impensável”. Mas quando vejo os defensores de Alckmin passarem o pano na criatura, concluo que é mais provável estarmos repetindo a história como farsa. Aliás, pior do que fazer certas alianças é acreditar em certos aliados.

Último comentário: salvo fato novo ou engano da minha parte, Alckmin na vice terá o apoio da ampla maioria do Diretório e do Encontro nacional do PT. E fora do PT, além dos óbvios, Alckmin coleciona apoios até mesmo em setores de esquerda que no passado recente romperam e/ou criticaram publicamente certas alianças e concessões petistas. Sendo assim, fiquei deveras surpreso com os artigos de Maringoni e Vannuchi, aparentemente desproporcionais frente a tão reduzida oposição. Vai saber...

 

 

Vannuchi e Maringoni estão gastando vela com mau defunto?

No dia 8 de abril, um amigo me perguntou quantos votos teria a candidatura a vice de Alckmin no Encontro Nacional do PT. Eu respondi o seguinte: a preços de hoje, no mínimo 65%, mas pode chegar a 95%.

Por pensar assim, fiquei surpreso com o artigo de Paulo Vannuchi, publicado na Folha de S. Paulo no dia 8 de abril. E mais surpreso ainda com o artigo de Gilberto Maringoni, publicado no site Disparada no dia 12 de abril.

O artigo de Vannuchi pode ser lido nesse endereço:

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2022/04/uniao-de-lula-e-alckmin-concretiza-frente-ampla-contra-o-bolsonarismo.shtml

O artigo de Maringoni pode ser lido nesse endereço:

https://disparada.com.br/oposicao-chapa-lula-alckmin/

No caso de Maringoni é preciso dar um desconto. Ele está no PSOL e, portanto, não tem a obrigação de conhecer a correlação de forças existente no PT.

Mesmo assim, frases do tipo “investir contra a chapa Lula-Alckmin não apenas atrapalha, mas objetivamente sabota a única tentativa viável de nos tirar do abismo e de recolocar o Brasil no rumo da democracia” revelam um nível de preocupação só explicável se houvesse um movimento poderoso contra a candidatura de Alckmin.

Seja como for, simplesmente não é verdade que Alckmin seja o último pacote do biscoito. Havia inúmeras outras alternativas, inclusive no campo conservador, desde empresárias até políticos abrigados por exemplo no PSD. E as pesquisas divulgadas desde que se aventou o nome de Alckmin ainda não demonstraram as suas vantagens eleitorais. Mesmo na disputa paulista, um dos argumentos mais utilizados para demonstrar a suposta genialidade da aliança, ainda está por demonstrar estar sendo bom negócio, eleitoralmente falando.

Maringoni usa como argumento em favor da aliança com Alckmin os “resultados desastrosos do primeiro turno francês”, reclamando do fato de “quatro candidatos progressistas sequer terem se sentado para traçar uma tática comum, que poderia ter levado Jean-Luc Melénchon à segunda volta”. Realmente é um desastre que as candidaturas de esquerda (não “progressistas”) não tenham se unificado. Mas tirante a aparência, o caso francês só teria alguma semelhança com a situação brasileira se estivesse na mesa uma aliança de primeiro turno entre Melenchon e, digamos, Macron.

Maringoni afirma, também, que os que atacam a proposta de entregar a vice de Lula para Alckmin “são insensíveis não apenas a fascitização do governo Bolsonaro e seus apoiadores, mas à gosma social que o sustenta”. 

Entendo o ponto de vista, mas do meu ponto de vista ocorre exatamente o contrário. Bolsonaro e sua gosma não vieram do espaço, vicejaram no ambiente neoliberal. Foi a lógica da Aliança Democrática que permitiu a sobrevivência do bolsonarismo nas forças armadas. Foram os golpistas tucanos de 2016 que abriram caminho para a fraude de 2018. É o ambiente social gestado pelo neoliberalismo que fez a “gosma” crescer. 

Por tudo isso, do ponto de vista eleitoral e do ponto de vista programático, a aliança com Alckmin pode ter o efeito diametralmente oposto ao esperado. Temos falado disso o tempo todo. Podemos estar errados, óbvio. Mas impressiona como os defensores de Alckmin na vice são “insensíveis” a estes alertas. Tão insensíveis que foram surpreendidos pela repercussão da “fotografia azul e branca" da reunião de Lula com o PSB, pequena mostra dos problemas que teremos pela frente, caso a vice seja mesmo entregue a um golpista e neoliberal.

Maringoni fala também que “as Forças Armadas viraram um lumpesinato fardado, as polícias estão incontroláveis, diversos bandos milicianos fortemente armadas estão prontos para botar fogo no circo nos próximos meses, entre outras coisas”. Tudo isso é verdade. Resta nos explicar como a presença de Alckmin na vice vai contribuir para enfrentar estes e outros problemas. Afinal, os tucanos não são propriamente bons conselheiros no trato com as forças armadas e com as polícias militares.

Maringoni usa, ainda, um argumento insólito para defender Alckmin na vice, a saber: “alguém acha, siceramente, que Alckmin tem posições mais neoliberais do que Antonio Palocci e Henrique Meirelles – que elevaram a selic a 26,5% em 2003 e o superávit primário para 4,8% do PIB em 2005 (índice sequer tentado nos anos FHC)? Ou que a fé mercadista do governador suplanta a de Dilma Rousseff, que dobrou o desemprego em 15 meses e chegou a dizer – ao jornal belga Le Soir, em junho de 2015 – que não havia outro caminho a não ser o alucinado ajuste fiscal que arrebentou nossa economia? Alckmin seria mais conservador que José Eduardo Cardozo, que ofereceu ao ex-governador a Força Nacional para reprimir os protestos de 2013? Seria um direitista mais extremado que Dias Tóffoli, Luís Fux, Luís Roberto Barroso, Edson Facchin e outros juristas de confiança do PT?”

Supondo que tudo isso seja verdade, pergunto: devemos aprender com os erros passados ou devemos repetir tudo de novo, para ver se desta vez o desfecho é diferente? 

Maringoni, uma pessoa supostamente de esquerda, mas cujo pensamento é organizado pelo antipetismo visceral padrão Hora do Povo, chega a dizer o seguinte: “Pela composição de forças, a chapa Lula-Alckmin não parece ser nem melhor e nem pior do que as administrações do período 2003-16. Assim como aqueles governos, a chapa não tem em seu horizonte qualquer perspectiva de transformação social.”

Mesmo assim, segundo ele, “mesmo um governo mediano e tímido é preferível à barbárie em curso. As oposições de esquerda ao longo dos 13 anos petistas foram incapazes de gerar um programa de desenvolvimento factível e realista. Não adianta brigar pelas aparências agora”.

Infelizmente, não se trata de “aparências”, mas se trata de uma opinião: Lula é  de fato“a única tentativa viável de nos tirar do abismo e de recolocar o Brasil no rumo da democracia”. Colocar Alckmin na vice sabota estes objetivos e, na melhor das hipóteses, aprisiona a “democracia” pela qual lutamos no figurino social-liberal. Nos tempos da política normal de 2003 a 2016 isso já seria um erro. Mas em tempos de bolsonarismo, com uma extrema direita com apoio popular, isso pode ser suicida.

Na continuação deste texto, na próxima postagem, falarei das opiniões de Paulo Vannuchi.

Propostas para debate no DN

 A secretaria-geral nacional do PT encaminhou, para os membros do Diretório Nacional, um conjunto de documentos para debate na reunião do próximo 13 de abril. 

Com base nestes documentos, os miltantes da AE integrantes do DN apresentaram um conjunto de emendas e projetos alternativos, bem como recursos de votação.

A seguir as referidas propostas.

Ao companheiro Paulo Teixeira, secretário-geral

Ao Diretório Nacional do PT

Exercendo nosso direito estatutário de integrantes do DN do PT, Natália Sena, Jandyra Uehara, Júlio Quadros, Patrick Araújo e Valter Pomar apresentamos a seguir um conjunto de emendas e projetos de resolução, para serem considerados na reunião do DN do dia 13 de abril de 2022.

Para facilitar a visualização de nossas propostas, as enumeramos a seguir:

1/recurso de votação sobre a presença do PV na federação

2/projeto de resolução sobre coligação com o PSB e sobre candidatura a vice-presidência

3/recurso de votação sobre regulamento do XVI Encontro Nacional do PT

4/emendas ao programa da federação

5/emendas ao estatuto da federação

A seguir, reproduzimos proposta a proposta:

1/recurso de votação sobre a presença do PV na federação

Tendo em vista que a decisão por compor uma federação com o Partido Verde foi tomada antes do encerramento da janela partidária.

Tendo em vista que a filiação, ao Partido Verde, de inúmeros parlamentares, vários dos quais defensores de posições contrárias as propostas programáticas ora em debate pelos partidos federados.

O Diretório Nacional do PT reabre a discussão sobre a composição da Federação e mandata a CEN a deliberar a respeito de forma terminativa.

2/projeto de resolução sobre coligação com o PSB e sobre candidatura a vice-presidência

A eleição presidencial deste ano colocará em disputa dois projetos muito delineados: o democrático-popular e o neofascismo neoliberal. No polo democrático, é a candidatura de Lula que tem reais possibilidades de aglutinar a maioria do sociedade em torno de um programa de enfrentamento e substituição das políticas neoliberais e privatistas, de reafirmação da soberania e das políticas de crescimento sustentável com justiça social, de resgate dos direitos e das conquistas da classe trabalhadora, de retomada dos direitos humanos, coletivos e individuais; enfim, um programa capaz de trazer paz e prosperidade para o povo brasileiro.

Nossa política de alianças e a tática eleitoral que já estão em construção e serão definitivamente aprovadas no Encontro Nacional de 4 e 5 de junho, apontam para a ampliação política necessária para derrotar Bolsonaro, o bolsonarismo e o neoliberalismo, num processo eleitoral que já se revela o mais duro desde a redemocratização do país.

Além de consolidar a unidade do campo popular, o PT deve buscar ampliar o apoio a Lula em outros setores políticos e sociais, como o Partido Comunista do Brasil, o Partido Verde e o Partido do Socialismo e da Liberdade.

Neste sentido, a coligação nacional com o PSB também será importante passo na direção almejada. Confirmará nossa disposição de, no governo, implementar um programa de reconstrução e transformação do Brasil, ampliando nossa base social.

Neste sentido, o Diretório Nacional indica às delegadas e aos delegados que participarão do Encontro Nacional a aprovação da coligação com o PSB.

O PSB apresentou formalmente o nome do ex-governador Geraldo Alkmin para compor a chapa como candidato a Vice-Presidente de Lula.

O Diretório Nacional do PT realizará uma reunião específica para discutir este tema, tendo em vista esta ser a primeira reunião do Diretório Nacional a debater esta proposta; tendo em vista existirem na sociedade e no partido outras demandas legítimas pela vice, por exemplo de uma vice mulher, negra, comprometida com o projeto democrático popular e que tenha lutado contra o golpe de 2016; assim como há a possibilidade indicar vices oriundos de setores de centro e de direita, mas que participaram e/ou apoiaram os  governos de Lula e Dilma.

3/recurso de votação sobre regulamento do XVI Encontro Nacional do PT

Propomos a seguinte emenda substitutiva: 3) O Encontro Nacional será composto por todos os delegados e delegadas eleitos pelas chapas nacionais no PED para o 7º Congresso.

Argumento: se o encontro será virtual, não há motivo técnico ou financeiro para justificar uma delegação reduzida.

4/emendas ao programa da federação

Seguem abaixo as emendas em amarelo na proposta Carta Programa da Federação Partidária Vermelha e Verde pela Reconstrução e Transformação do Brasil

A Federação de Partidos nasce como expressão do anseio de grande parcela do nosso povo pela inadiável superação da profunda crise social, econômica e política em que o Brasil se encontra, causando imenso sofrimento e falta de perspectiva da maioria da população, fruto de políticas neoliberais e autoritárias aprofundadas por um governo que mantém sob ameaça constante os fundamentos da Nação, da Constituição e o próprio sistema democrático em nosso país.

Os partidos democráticos e progressistas que compõem esta Federação assumem o compromisso de enfrentar em conjunto esta grave crise nacional, colocando como questão central de seu Programa e objetivo político a tarefa da reconstrução e da transformação nacional. Assumem um compromisso com a sociedade brasileira em torno dos pilares da democracia, do desenvolvimento, da sustentabilidade ambiental, da soberania nacional, do combate às desigualdades e da promoção do conjunto dos direitos da cidadania do povo brasileiro, na perspectiva do socialismo.

Compromisso que enseja a promoção dos direitos individuais e coletivos, diante dos retrocessos impostos por um governo de extrema-direita, racista, machista, preconceituoso, negacionista e pregoeiro do ódio e da violência. Compromisso, igualmente, com o fortalecimento e o equilíbrio dos Poderes, com a restauração plena do Estado Democrático de Direito e com o avanço do Estado de bem-estar social, conforme afirma a Constituição; com a transparência das ações de governo, a defesa do patrimônio público; e combate permanente aos desvios e à corrupção em absoluto respeito ao devido processo legal.

Os partidos que compõem (a Federação) assumem o encargo de construir um Projeto de desenvolvimento econômico, produtivo, social e ambiental, com democracia. inclusão e soberania, eque dê respostas aos dilemas e desafios da contemporaneidade e que seja capaz de enfrentar as amarras do neoliberalismo contra as instituições e a cultura democrática e contra o crescimento e o desenvolvimento econômico. É tarefa emergencial gerar empregos, combater a fome, aumentar os salários e as aposentadorias, acabar com a inflação. Isso exige retirar a economia nacional do atoleiro, da estagnação e empreender a reconstrução nacional, com a imediata retomada do crescimento da indústria, da infraestrutura e a geração de postos de trabalho, a garantia da soberania alimentar, através da reforma agrária e do apoio à pequena e média propriedades agrícolas. Isso exige proteger o patrimônio do País, e recompor o Estado nacional e as empresas estatais para que cumpram seu papel de coordenação e indução no processo de desenvolvimento econômico e progresso social do país, libertando o país da maldição primário-exportadora que só interessa ao agronegócio, às mineradoras e aos destruidores do meio-ambiente.

É imperativo elevar a taxa de investimentos públicos e privados e reduzir o custo do crédito a fim de avançar com a reindustrialização nacional de novo tipo, acoplada com os novos desenvolvimentos da ciência e tecnologia avançadas. Faz parte desse esforço o desafio de reverter a desnacionalização do nosso parque produtivo e modernizá-lo.

Impõe-se uma nova orientação macroeconômica que mobilize de maneira virtuosa as potencialidades da economia brasileira, tais como o mercado interno com potencial de produção e consumo em massa, as capacidades estatais com potencial de gasto social e investimento público, as infraestruturas econômicas e sociais, os recursos naturais estratégicos e as inovações industriais.

Para isso é fundamental libertar a economia brasileira da presente submissão à dinâmica especulativa do oligopólio financeiro privado, fortalecendo os bancos públicos em sua missão de fomento ao desenvolvimento nacional e na oferta de crédito a longo prazo em projetos estruturantes, compromissados com a sustentabilidade financeira dessas operações, além do fortalecimento do sistema produtivo estatal em sua missão de realizar e induzir o investimento, com particular destaque para a Petrobras e a Eletrobras.

A democracia pela qual lutamos requer uma profunda revisão das políticas implantadas pelas forças autoritárias, retrógradas e neoliberais. Nada é mais irresponsável e antidemocrático, na condução do Estado, do que criar ou manter políticas que impedem, inibem ou retardam a erradicação da fome, a melhoria das condições de vida do povo do campo e da cidade, a segurança alimentar e a redução das desigualdades econômicas, étnico-raciais, de gênero, regionais, sociais e culturais, que atentam contra a qualidade de vida das pessoas.

É plenamente possível sustentar uma gestão econômica tendo o papel decisivo do Estado com investimentos capazes de gerar um ciclo virtuoso de crescimento econômico, a valorização do trabalho, geração de emprego decente, formal e com direitos,  distribuição de renda, sobretudo pela ampliação da massa salarial  e institucionalização de uma política de valorização substancial do salário- mínimo, visando à recuperação do poder de compra determinado pela Constituição, a formatação e manutenção de políticas universais para a redução de desigualdades. 

É preciso recolocar os pobres e a classe trabalhadora no orçamento. Fazer com que os detentores de fortunas paguem os impostos devidos sobre renda e riqueza, investindo de maneira inteligente em programas e projetos com alta capacidade de induzir o crescimento, promover a igualdade e gerar ganhos de produtividade. Para isso, é preciso rever o atual regime fiscal brasileiro, que é disfuncional e perdeu totalmente sua credibilidade.

É preciso resgatar o papel do trabalho como centro do desenvolvimento. Isso impõe a revogação da Reforma Trabalhista, retomando direitos e revertendo a precarização e a desregulamentação das relações de trabalho; recompor o sistema tripartite de negociações e resgatar o papel de representação dos sindicatos, assegurando-lhes sustentação material; valorizar a Justiça do Trabalho, restaurando a gratuidade plena das ações trabalhistas e recriar o Ministério do Trabalho. Além disso, também se impõe a necessidade de repensar o modelo previdenciário do país, sua ampliação, cobertura e financiamento.

Impõe-se realizar uma transição digital e uma transição ecológica para uma nova estrutura produtiva de maior densidade tecnológica e de baixo carbono, inovadora e inserida na era digital, para assegurar a sustentabilidade ambiental. A Federação considera que o tratamento adequado à questão ambiental representa um importante avanço civilizacional, comprometendo-se com o enfrentamento às emergências climáticas e ao aquecimento global, por meio tanto do diálogo multilateral quanto de mudanças no modelo de desenvolvimento econômico nacional, de caráter predatório, a exemplo do que ocorre na Amazônia. Defender a Amazônia é defender a soberania nacional e o papel estratégico que ocupa em um projeto de desenvolvimento nacional.

A Federação Vermelha e Verde nasce com o firme compromisso de defesa da ciência e de mobilizar as energias do Estado e da sociedade para enfrentarmos de maneira eficaz a gravíssima crise sanitária advinda com a pandemia de Covid-19. O caminho para isto é o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), de seu caráter público e universal, o aprimoramento da sua gestão, a valorização e formação dos e das profissionais de saúde, a reversão das terceirizações e privatizações, bem como a reconstrução e fomento ao Complexo Industrial Nacional da Saúde.

Do mesmo modo, assume o objetivo de resgatar e fortalecer os princípios do projeto democrático de educação que foi desmontado e aviltado, o resgate de um projeto de educação acoplado ao projeto de desenvolvimento nacional, com o fortalecimento da educação pública, universal de qualidade e amplamente inclusiva.

É central avançar na reconstrução e aperfeiçoamento de um Estado de bem estar social (ou sistema de proteção social) ampliando e garantindo direitos a todos os brasileiros e brasileiras. É estratégica a retomada da centralidade e do sentido de urgência no enfrentamento da fome e da pobreza, assim como a garantia dos direitos à segurança alimentar e nutricional, à assistência social e à inclusão produtiva rural e urbana, em todos os territórios brasileiros, aliando escala e respeito às diversidades regionais.

No contexto das transformações científicas e tecnológicas que marcam o mundo, a Federação afirma o compromisso com a função estratégica da pesquisa científica e tecnológica e com a defesa e promoção do Sistema Nacional de CT&I, articulando e mobilizando o poder público, a comunidade científica e tecnológica, o empresariado nacional e a sociedade civil para gerar conhecimento, inovação e desenvolvimento. A propriedade intelectual não pode ser uma barreira ao acesso universal, contra os preços extorsivos dos monopólios, que impedem que as tecnologias estejam a serviço da vida e do desenvolvimento. É necessário internalizar as tecnologias essenciais e, ao mesmo tempo, assegurar a prioridade de sua função de produtoras de direitos.

A democracia pela qual lutamos, real e substantiva, requer uma profunda revisão das políticas implantadas por forças autoritárias, retrógradas e neoliberais no sentido de aperfeiçoar a democracia representativa e promover a democracia participativa. Esse esforço exige elevar a luta de ideias junto à sociedade, para enfrentar o negacionismo e uma ideologia de extrema-direita que promove imaginários de caráter fascista. Para isso, é indispensável construir um ambiente de mais diversidade e pluralidade nos meios de comunicação, fazendo cumprir integral e imediatamente a Constituição que proíbe a existência dos monopólios nessa área tão vital para a democracia e relançando a Empresa Brasileira de Comunicação. O Brasil precisa construir uma política nacional para a comunicação, com marcos legais e institucionais que estejam pautados pela defesa da democracia, dos direitos humanos fundamentais e da soberania do país.

Não há democracia possível sem uma reforma política democrática que eleve a qualidade da representação política do país. Nesta perspectiva, defendemos uma reforma política-eleitoral que possibilite à maioria do povo brasileiro eleger seus representantes no Congresso nacional, sem as distorções causadas pelo poder econômico, pela compra de votos, pelo oligopólio da comunicação; a garantia do princípio democrático de uma pessoa um voto e, a partir daí, rever as distorções da representação nos Estados bem como o papel do Senado como câmara revisora; a revogação do projeto de resolução que criou as regras para execução das emendas de relator, o chamado "orçamento secreto", escandaloso mecanismo de corrupção de parlamentares. Apoio às políticas de controle social e de participação popular em todos os níveis de governo, inclusive com a instituição do Orçamento Participativo; e a necessidade de abrir o debate com a sociedade brasileira acerca da convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Não haverá democracia efetiva sem marcos legais e institucionais que enfrentem os grandes monopólios das plataformas digitais privadas internacionais que têm sido utilizadas pelos setores mais retrógrados para promover o negacionismo, a desinformação e o ódio interferindo em processos políticos democráticos no Brasil e no mundo. É preciso assegurar uma internet de qualidade em todo o  território nacional e a toda a população e que lhe seja assegurado o efetivo direito à informação.

Promover o desenvolvimento da cultura nacional é chave para emancipar as consciências e ampliar a formação mais completa do povo brasileiro. A valorização da rica diversidade cultural brasileira é um aspecto central deste projeto de país, pois a cultura é um direito básico da cidadania e possui uma importante dimensão no desenvolvimento econômico, fonte de renda e geração de empregos para milhões de brasileiros, assim como na  formatação das subjetividades, emoções, símbolos, estéticas, que nos configuram como nação. A cultura em geral, o patrimônio histórico , e as artes, devem   expressar a democratização e enriquecimento da  vida cotidiana para a grande maioria social. Para tanto, o Estado deve fomentar  políticas estruturantes estratégicas para o setor, reconstruindo o ministério da Cultura, garantindo a Sistema Nacional de Cultura (SNC), de adesão obrigatória, assim como programas de financiamento e fomento permanentes, a partir do Plano Nacional de Cultura (PNC), discutido democraticamente.

Os ataques do atual governo às instituições democráticas, o golpe de 2016 e, antes dele, o golpe de 1964 recolocam na ordem do dia a necessária centralidade das liberdades democráticas, sem a qual nos privam dos instrumentos necessários para fazer as transformações econômicas e sociais. Neste sentido, a Federação se compromete com medidas em defesa do direito à memória e à verdade do povo brasileiro e responsabilização dos agentes envolvidos em desrespeitos aos direitos, liberdades e vida do povo. Retomada das propostas contidas no PNDH-3. O novo chefe de Estado e de Governo, cabeça do processo de reconstrução e transformação, deve fazer uma declaração solene sobre o conjunto de ataques aos direitos, liberdades e vida do povo brasileiro desde o golpe de 2016 até o governo Bolsonaro. Em decorrência, que se instalem processos administrativos e judiciais contra todos (as) que tenham atentado contra os direitos humanos, assegurando-lhes a ampla defesa, o contraditório e o devido processo legal. Devolução imediata às Forças Armadas de todos os militares nomeados para cargos de livre provimento, de natureza civil, e transferência para a reserva de todos os comandantes nomeados no mesmo período. Revogação do artigo 142 da Constituição. Controle social e desmilitarização da segurança pública, com o objetivo de deter a escalada de violência contra as populações pobres, periféricas e negras, combinado com medidas para por fim à denominada “guerra às drogas”. Investimento na formação dos policiais e das guardas municipais, com ênfase para a defesa dos direitos humanos e das liberdades democráticas. Revogar a legislação que facilitou a compra e a posse de armas.

A Federação Vermelha e Verde nasce com o compromisso de reinserir o Brasil na comunidade das nações, de maneira soberana. O Brasil pode e deve aproveitar as oportunidades  fornecidas pelo contexto internacional de crescente multipolarização para alavancar seu projeto nacional, impulsionar a iniciativa do BRICS, retomar imediatamente a participação na CELAC e UNASUL e fortalecer o Mercosul para  construir a integração sul-americana. Esse é o modo de o país participar ativamente dos processos de diálogo em torno do desenvolvimento dos povos; do equilíbrio nas relações políticas e comerciais, incluindo as transações financeiras globais; no combate à fome e à pobreza, na construção de um mundo de paz e democracia. O contexto de um mundo instável e de conflitos geopolíticos cada vez mais intensos, implica ainda políticas para assegurar os meios e recursos para preservar e defender a soberania do Brasil. Reafirmamos nosso compromisso com a paz e, portanto, a Federação Vermelha e Verde manterá o país distante da OTAN.

A (Federação de Partidos) nasce com a determinação de combater o racismo estrutural, causa da grande desigualdade e da violência contra a população negra; enfrentar a opressão e a violência contra as mulheres, promovendo seus direitos e a igualdade; promover a proteção dos direitos e das terras das populações indígenas e dos quilombolas, hoje tão ameaçados; defender e respeitar a diversidade, reconhecendo os direitos da comunidade LGBTQI+; lutar pelos direitos das crianças, de adolescentes, jovens e idosos e por políticas de acessibilidade para as pessoas com deficiência; garantir a segurança pública aos cidadãos e cidadãs, sobretudo ao povo das comunidades periféricas das grandes cidades. Fundamental para isso é estimular a organização popular autônoma e a reconstrução das Secretarias Especiais de Mulheres, Igualdade Racial, da Juventude e criação da Secretaria Nacional LGBTQIA+.

A (Federação dos Partidos) nasce com a responsabilidade de eleger um governo e uma forte representação no Congresso Nacional comprometidos com um programa de reconstrução e transformação nacional e com as medidas de emergência que a população exige, para enfrentamento imediato da fome, da pobreza, da carestia, do desemprego, das doenças e da falta de moradias.

Em torno destes princípios e compromissos programáticos que descortinam o horizonte e as saídas para a crise que nosso país vive, a (Federação de Partidos) iniciará imediatamente um grande debate com as forças democráticas do país e com os movimentos sociais, os sindicatos, organizações da sociedade civil, de trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, empresários e empresárias, para construir nosso Programa de Ação Política.

A Federação de Partidos nasce no ano em que celebramos duzentos anos de lutas pela independência nacional, com a responsabilidade de construir, na expressão democrática das urnas e na mobilização do povo, a legitimidade para alcançar uma vida melhor aos brasileiros e brasileiras, promovendo as mudanças que o país precisa.

5/emendas ao estatuto da federação

Seguem emendas à minuta de estatuto da federação.

Emenda ao artigo primeiro

A minuta diz o seguinte:

Art. 1º A (nome da Federação) é uma Federação de Partidos Políticos que defendem a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana, nos termos da Constituição Federal e dos arts. 2º e 11-A da Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995.

A emenda proposta é a seguinte:

Art. 1º A Federação Vermelha e Verde é uma Federação de Partidos Políticos que defendem a soberania nacional, o desenvolvimento ambientalmente orientado, regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e o socialismo.

Emenda ao artigo 4

A minuta diz o seguinte:

Art. 4º Partido político, com registro definitivo perante o Tribunal Superior Eleitoral, poderá requerer sua admissão como associado à (nome da Federação) mediante: I – documento escrito firmado pelo ou pela Representante legal da agremiação partidária; II – cópia da resolução tomada pela maioria absoluta dos votos dos órgãos de deliberação nacional, inclusive quanto ao assentimento dos termos do Estatuto e do Programa da (nome da Federação).

§ 1º A (nome da Federação) apreciará e deliberará o pedido de associação do Partido Político através da sua Assembleia Geral.

A emenda proposta é a seguinte:

Art. 4º Partido político, com registro definitivo perante o Tribunal Superior Eleitoral, poderá requerer sua admissão a partir de 2025, como associado à Federação Vermelha e Verde mediante: I – documento escrito firmado pelo ou pela Representante legal da agremiação partidária; II – cópia da resolução tomada pela maioria absoluta dos votos dos órgãos de deliberação nacional, inclusive quanto ao assentimento dos termos do Estatuto e do Programa da (nome da Federação).

§ 1º A Federação Vermelha e Verde apreciará e deliberará o pedido de associação do Partido Político através da sua Assembleia Geral, sendo necessário consenso para aprovar o ingresso.

Emenda ao artigo 9

A minuta diz o seguinte:

Art. 9. A estrutura da (Federação de Partidos) é constituída pelos seguintes órgãos: I - Assembleia Geral; II – Comissão Executiva Nacional

Parágrafo único. A Comissão Executiva Nacional poderá criar comissão provisória estadual, distrital ou municipal, bem como estabelecer sua composição, competências, poderes e atribuições.

A emenda proposta é a seguinte:

Art. 9. A estrutura da Federação Vermelha e Verde é constituída pelos seguintes órgãos: I - Assembleia Geral; II – Comissão Executiva Nacional

Parágrafo único. A Comissão Executiva Nacional devera coordenar a criação de executiva estadual, distrital ou municipal, com composição, competências, poderes e atribuições baseados nos da CEN.

Emenda ao artigo 10

A minuta diz o seguinte:

Art. 10. A Assembleia Geral, órgão deliberativo máximo da (nome da Federação), é composta por 60 representantes dos Partidos associados, todos indicados pelos órgãos de direção nacional das agremiações dentre seus filiados e filiadas, sendo 9 vagas distribuídas de forma paritária entre as legendas e 51 vagas distribuídas proporcionalmente aos votos válidos obtidos na eleição para a Câmara dos Deputados de 2018.

§ 1º A proporcionalidade do Partido associado será obtida pela divisão dos votos válidos da agremiação pelo montante dos votos válidos obtidos pelo conjunto dos partidos da Federação na eleição para a Câmara dos Deputados de 2018.

§ 2º Determina-se as vagas de cada Partido multiplicando-se o quociente da proporcionalidade prevista no parágrafo anterior pelas 51 vagas da Assembleia Geral, considerando-se a fração para fins de critério de desempate ou de preenchimento de vagas remanescentes.

§ 3º A indicação ou substituição dos representantes da agremiação partidária será realizada nos termos do respectivo estatuto partidário, devendo a comunicação à Federação ser feita pelo órgão executivo nacional do Partido.

§ 4º Os presidentes nacionais dos Partidos são membros natos da Assembleia Geral, devendo a agremiação partidária promover sua indicação ou, quando for o caso, sua substituição.

§ 5º Os representantes dos Partidos exercerão suas funções por prazo indeterminado, podendo ser substituídos a qualquer momento por discricionariedade da agremiação e, obrigatoriamente, nos casos de desfiliação ou de renúncia requerida junto à respectiva agremiação partidária.

§ 6º Tanto quanto possível, os Partidos associados buscarão contemplar a pluralidade de perfis nas suas indicações, especialmente para que a Assembleia tenha representação de jovens, de pessoas negras e, paritariamente, de mulheres.

A emenda proposta é a seguinte:

Art. 10. A Assembleia Geral, órgão deliberativo máximo da (nome da Federação), é composta por 60 representantes dos Partidos associados, todos indicados pelos órgãos de direção nacional das agremiações dentre seus filiados e filiadas, sendo 9 vagas distribuídas de forma paritária entre as legendas e 51 vagas distribuídas proporcionalmente aos votos válidos obtidos na eleição para a Câmara dos Deputados de 2018.

§ 1º A proporcionalidade do Partido associado será obtida pela divisão dos votos válidos da agremiação pelo montante dos votos válidos obtidos pelo conjunto dos partidos da Federação na eleição para a Câmara dos Deputados de 2018 e, a partir de janeiro de 2023, pelo montante de votos válidos obtidos pelo conjunto dos partidos da Federação na eleição para a Câmara dos Deputados de 2022;

(...)

4º Os presidentes nacionais dos Partidos são membros natos da Assembleia Geral, ocupando uma das vagas paritárias citadas no caput deste artigo, devendo a agremiação partidária promover sua indicação ou, quando for o caso, sua substituição.

(...)

6º Os Partidos associados deverão garantir em suas indicações no mínimo 50% de mulheres, 30% de negros/as e 30% de jovens.

Emenda ao artigo 11

A minuta diz o seguinte:

Art. 11. Compete à Assembleia Geral: I - aprovar e alterar o Estatuto e o Programa da Federação; II – adotar resoluções e regulamentos; III – aprovar resolução sobre política de alianças com outros partidos ou federações; IV – eleger as filiadas e filiados indicados pelos Partidos para os cargos da Comissão Executiva Nacional, bem como destituir suas Secretárias ou seus Secretários; V – decidir pela admissão de novos Partidos na Federação e ratificar o pedido de exclusão de Partido associado; VI - decidir pela extinção e dissolução da Federação e, caso possua, dispor sobre a destinação de seus recursos e patrimônio; VII - julgar os recursos interpostos contra decisões da Comissão Executiva Nacional; VIII – aprovar o orçamento anual; IX – apreciar o relatório de finanças apresentado pela Comissão Executiva Nacional; § 1º As reuniões serão convocadas pelo seu presidente, por 1/5 dos seus membros ou por presidente de Partido associado; § 2º Todas as deliberações serão tomadas por maioria de 3/4 da sua composição. § 3º Será assegurado o contraditório e o amplo direito de defesa nos procedimentos de destituição, assim como em outros procedimentos que possam acarretar penalidades ao Partido associado ou a perda de cargo ou função prevista neste Estatuto, garantindo-se ao Partido Político o direito de indicar outro filiado ou outra filiada para exercer o mesmo cargo ou função; § 4º O recurso previsto no inciso VII do caput terá efeito apenas devolutivo, podendo ser interposto por membro da Comissão Executiva Nacional, por Partido associado ou por pessoa passível de sofrer algum tipo de punição em procedimento da Comissão Executiva Nacional; § 5º Os Partidos associados e a Comissão Executiva Nacional poderão propor à Assembleia Geral a alteração do Estatuto e do Programa da (nome da Federação).

A emenda proposta é a seguinte:

Art. 11. Compete à Assembleia Geral:

I - aprovar e alterar por consenso o Estatuto e o Programa da Federação;

(....)

V – decidir por consenso pela admissão de novos Partidos na Federação e ratificar o pedido de

exclusão de Partido associado;

(...)

§ 2º Todas as deliberações serão tomadas por maioria de 50% mais 1 da sua composição.

Emenda ao ponto 14

A minuta diz o seguinte:

Art. 14. Compete à Comissão Executiva Nacional: I - exercer a direção política e administrativa da (nome da Federação); II – representar a (nome da Federação) em âmbito judicial, administrativo e extrajudicial; III – praticar todos os atos decorrentes de lei e de regulamentos, especialmente das normas de direito partidário e eleitoral; IV – apreciar todos os assuntos, temas e matérias de interesse da Federação; V – adotar resoluções e regulamentos; VI – anular decisões, e atos delas decorrentes, que contrariem resoluções ou regulamentos da Comissão Executiva Nacional ou da Assembleia Geral; VII – decidir sobre coligações e candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital e municipal; VIII – propor alterações no Estatuto e no Programa da (nome da Federação); IX – conduzir o processo de admissão de novos Partidos, bem como de extinção e dissolução da (nome da Federação); X – elaborar o orçamento e apresentar o relatório de finanças; XI – criar comissões, instaurar e instruir procedimentos de natureza disciplinar; XII – fixar, por resolução, as competências de suas Secretarias e comissões; XIII – decidir casos omissos, que serão consideradas questões interna corporis para todos os efeitos; XIV – defender a (nome da Federação) e suas lideranças das ofensas, calúnias e qualquer outro ato capaz de provocar prejuízo à imagem, à honra ou à credibilidade perante a sociedade; § 1º Todas as deliberações serão tomadas por maioria de 3/4 da sua composição. § 2º Em situações urgentes, a Presidência e as Vice-Presidências da (nome da Federação) poderão, por consenso, decidir em substituição à Comissão Executiva Nacional, submetendo suas decisões ao referendo do colegiado; § 3º Na hipótese do inciso VII do caput, em havendo mais de uma pré-candidatura a cargo majoritário, a Comissão Executiva Nacional poderá estabelecer procedimento para escolha da candidatura.

A emenda proposta é a seguinte:

Art. 14. Compete à Comissão Executiva Nacional:

VII – decidir sobre coligações e candidaturas em âmbito nacional, e decidir em caráter de recurso sobre coligações em âmbito estadual, distrital e municipal;

(...)

§ 1º Todas as deliberações serão tomadas por maioria de 50% mais 1 da sua composição.

§ 2º Em situações urgentes, a Presidência e as Vice-Presidências da (nome da Federação) poderão, por consenso, decidir em substituição à Comissão Executiva Nacional, submetendo suas decisões ao referendo do colegiado no prazo máximo de 1 semana;

§ 3º Na hipótese do inciso VII do caput, em havendo mais de uma pré-candidatura a cargo majoritário, a decisão deve ser tomada por votação na Assembleia Geral ou por prévia aberta aos filiados dos partidos da federação.

Artigo 18

A minuta diz o seguinte:

Título V DISPOSIÇÕES ESPECIAIS PARA A ELEIÇÃO DE 2022 Art. 18. Fica criada, na estrutura da Federação, uma comissão provisória em cada um dos Estados e no Distrito Federal para representá-la nos respectivos territórios das unidades da federação. § 1º A Comissão Executiva Nacional definirá, por resolução, a forma de funcionamento, as atribuições, competências e os poderes de cada uma das comissões provisórias. § 2º A comissão provisória estadual ou distrital será integrada pelos presidentes estaduais e distritais dos Partidos associados, podendo a Comissão Executiva Nacional alterar a sua composição e, a pedido do Partido associado, substituir seus integrantes. § 3º A comissão provisória estadual ou distrital será responsável pela realização da convenção eleitoral conjunta da (nome da Federação), bem como pelo registro das candidaturas e a prática dos demais atos no processo eleitoral.

A emenda proposta é a seguinte:

Título V DISPOSIÇÕES ESPECIAIS PARA A ELEIÇÃO DE 2022

Art. 18. Fica criada, na estrutura da Federação, uma executiva estadual em cada um dos Estados e no Distrito Federal para representá-la nos respectivos territórios das unidades da federação.

§ 1º A Comissão Executiva Nacional definirá, por resolução, a forma de funcionamento, as atribuições, competências e os poderes de cada uma das executivas estaduais, tomando como base as atribuições da executiva nacional.

§ 2º A executiva estadual ou distrital será integrada pelos presidentes estaduais e distritais dos Partidos associados, além dos demais integrantes indicados por cada Partido associado.

§ 3º A executiva estadual ou distrital será responsável pela realização da convenção eleitoral conjunta da (nome da Federação), bem como pelo registro das candidaturas e a prática dos demais atos no processo eleitoral.

Emenda ao artigo 19

A minuta diz o seguinte:

Art. 19. Para composição da lista de candidaturas proporcionais da (nome da Federação), em cada um dos Estados e no Distrito Federal, serão observados os requisitos mínimos da legislação eleitoral e dos estatutos dos partidos para apresentação das candidaturas, assegurada a participação mínima de 30% (trinta por cento) de cada gênero. § 1º Tanto quanto possível, a composição da lista de candidaturas deve atender ao objetivo conjugado de obter a maior pluralidade de perfis, o melhor desempenho eleitoral para a chapa da Federação e a maior abrangência territorial na unidade da federação. § 1º A Comissão Executiva Nacional pode estabelecer novas regras ou objetivos para a composição das listas de candidaturas. § 2º Os Partidos associados se comprometem a coordenar seus esforços para que a lista de candidaturas atinja os objetivos eleitorais previamente estabelecidos.

A emenda proposta é:

Art. 19. Para composição da lista de candidaturas proporcionais da Federação Vermelha e Verde, em cada um dos Estados e no Distrito Federal, cada partido deverá observar os requisitos mínimos da legislação eleitoral e dos estatutos dos partidos para apresentação das candidaturas, assegurada a participação mínima de 30% (trinta por cento) de cada gênero.

(...)

§ 1º A Comissão Executiva Nacional pode estabelecer por consenso novas regras ou objetivos para a composição das listas de candidaturas.

(...)

Artigo 22

A minuta diz o seguinte:

Art. 22. O processo de escolha das candidaturas deverá obedecer as seguintes fases: I – o Partido associado, após seu processo interno de escolha de candidaturas, indicará os nomes escolhidos para a (nome da Federação); II – a Comissão Provisória Estadual ou Distrital, observado o que dispõe o § 2º do art. 2º, assim como os arts. 19 e 21 deste Estatuto, elaborará a proposta de chapa majoritária, proporcional e, se for o caso, de coligação majoritária a ser apresentada à direção nacional da (nome da Federação); III – a Comissão Executiva Nacional decidirá sobre a proposta apresentada; IV – a convenção eleitoral conjunta da (nome da Federação) deverá, obrigatoriamente, homologar a decisão da Comissão Executiva Nacional.

A proposta de emenda é a seguinte:

Art. 22. O processo de escolha das candidaturas deverá obedecer as seguintes fases:

I – o Partido associado, após seu processo interno de escolha de candidaturas, indicará os nomes escolhidos para a Federação Vermelha e Verde;

II – a executiva Estadual ou Distrital, observado o que dispõe o § 2º do art. 2º, assim como os arts. 19 e 21 deste Estatuto, elaborará a proposta de chapa majoritária, proporcional e, se for o caso, de coligação majoritária;

III – havendo recurso de um dos partidos integrantes da federação, caberá à Comissão Executiva Nacional decidir sobre a proposta apresentada;

Artigo 23

A minuta diz o seguinte:

Art. 23. Nas eleições majoritárias, o Partido associado poderá ter preferência para indicar a candidatura à reeleição de prefeito ou de prefeita, desde que isso seja aprovado previamente pela Comissão Executiva Nacional.

A proposta de emenda é a seguinte:

SUPRIMIR O SEGUINTE: Art. 23. Nas eleições majoritárias, o Partido associado poderá ter preferência para indicar a candidatura à reeleição de prefeito ou de prefeita, desde que isso seja aprovado previamente pela Comissão Executiva Nacional.

ARTIGO 26

A minuta diz o seguinte:

Art. 26. A proporcionalidade prevista no art. 10, § 1º, valerá por ao menos 4 anos, mantendo-se inalterada mesmo que haja nova totalização dos votos pela justiça eleitoral.

A proposta de emenda é a seguinte:

Art. 26. A proporcionalidade prevista no art. 10, § 1º, será atualizada a cada eleição geral.

ARTIGO 30

A minuta diz o seguinte:

Art. 30. Até que norma estatutária seja editada, a Assembleia Geral disporá por meio de resolução sobre os parâmetros para o funcionamento parlamentar conjunto dos Partidos associados e a forma como se aplicarão, no âmbito da Federação, os mecanismos de disciplina existentes nos estatutos dos Partidos associados. § 1º O funcionamento parlamentar e a disciplina parlamentar deverão ser norteados pelo disposto no art. 2° deste Estatuto. § 2º A Comissão Executiva Nacional, no prazo de até 1 ano, deverá propor à Assembleia Geral uma norma estatutária comum para regular o funcionamento parlamentar e a disciplina parlamentar no âmbito da (nome da Federação).

A proposta de emenda é a seguinte:

Art. 30. Até que norma estatutária seja editada, a Assembleia Geral disporá por meio de resolução sobre os parâmetros para o funcionamento parlamentar conjunto dos Partidos associados e a forma como se aplicarão, no âmbito da Federação, os mecanismos de disciplina existentes nos estatutos dos Partidos associados.

§ 1º O funcionamento parlamentar e a disciplina parlamentar deverão ser norteados pelo disposto no art. 2° deste Estatuto, incluindo o fechamento de xuestão em reunião conjunta da bancada e da executiva da federação..

(...)

 


sábado, 9 de abril de 2022

Resolução sobre a vice

A direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda, reunida presencialmente no dia 9 de abril, aprova a seguinte resolução.

O Brasil vive uma terrível situação econômica, social, política e cultural. Para além do sofrimento imposto à parcela importante da população – expresso em milhões de famintos, desempregados, vítimas da Covid e de todo tipo de violência cotidiana – a sociedade brasileira como um todo está sendo levada de volta ao passado, aprisionada à condição de economia primário-exportadora, situação que prevalecendo condenaria irremediavelmente nosso futuro como nação.

Mudar esta situação exige derrotar dois inimigos: o bolsonarismo e o neoliberalismo. As eleições presidenciais de 2022 constituem uma grande oportunidade de fazer isso. Entretanto, um setor da esquerda brasileira, setor presente em vários partidos, escolheu outro caminho: o de focar todas as energias na derrota de Bolsonaro, em nome do que vem patrocinando uma aliança com setores da direita neoliberal. Um dos símbolos disso é o apoio dado à indicação de Geraldo Alckmin para ser candidato à vice-presidência da República.

Este caminho é de alto risco. O bolsonarismo não se limita à pessoa de Bolsonaro, tampouco surgiu do nada. O bolsonarismo é um desdobramento das opções golpistas feitas pela classe dominante brasileira para derrotar o PT; é um dos instrumentos à serviço das políticas neoliberais e se alimenta do ambiente econômico-social criado pelo neoliberalismo.

Por todos estes motivos, uma aliança entre a esquerda e parte dos neoliberais para derrotar Bolsonaro é uma contradição política que pode causar muitas consequências negativas. Uma delas é reduzir nossas chances de vitória nas eleições presidenciais de 2022; outra delas é reduzir nossas chances de fazer um governo transformador. Estas duas consequências negativas estão relacionadas à posição defendida pelo Partido Socialista Brasileiro, segundo quem o programa da chapa Lula-Alckmin não deveria ser de “esquerda”, mas sim “democrático”.

A ideia de que a tarefa da hora é "recuperar a democracia”, motivo pelo qual deveríamos deixar para depois as transformações econômicas e sociais, pode parecer sedutora mas é essencialmente equivocada. A democracia não é algo abstrato: democracia não rima com fome, democracia não rima com desemprego, democracia não rima com salários de miséria, democracia não rima com falta de moradia, democracia não rima com neoliberalismo. Por isso, do ponto de vista da imensa maioria do povo, é impossível "recuperar a democracia" se ao mesmo tempo não fizermos transformações econômicas e sociais.

Além disso, na política brasileira realmente existente é a esquerda que verdadeiramente defende a democracia. A direita neoliberal não defende a democracia. Um exemplo recente disto foi a votação do impeachment de 2016, onde toda a direita neoliberal liderada pelo PSDB de Alckmin consumou o golpe contra Dilma e contra o PT. Outro exemplo é o apoio dado pela direita neoliberal e por Alckmin à condenação, a prisão e a interdição da candidatura de Lula em 2018. Portanto, não faz sentido distinguir um programa "em defesa da democracia" de um programa "de esquerda". Falar contra um programa de "esquerda" revela, ademais, uma confusão, típica da classe dominante e de seus aliados nos setores médios, para quem a “democracia” se resume ao funcionamento das chamadas “instituições”.

Por todos estes motivos, nossa oposição a ter Alckmin na vice faz parte de nossa defesa de outra linha política, cujo objetivo é derrotar simultaneamente o bolsonarismo e o neoliberalismo. Entretanto, mesmo nos marcos de uma política de aliança com setores da direita neoliberal, é possível escolher um vice menos problemático que Alckmin. 

É importante lembrar que esta candidatura de Alckmin vice vem sendo construída, desde o início, fora das instâncias do PT. Até hoje, os partidários de Alckmin na vice NUNCA a propuseram e NUNCA a defenderam nas instâncias partidárias. A primeira vez que se falou que o assunto PODERIA ser trazido às instâncias foi no dia 7 de abril de 2022. Neste mesmo dia 7 de abril, a comissão executiva nacional do PT convocou, para os dias 4 e 5 de junho, o encontro nacional do Partido, para entre outras coisas deliberar acerca de nossa candidatura a vice. Portanto, não vamos tratar como “oficializada”, muito menos como deliberação democrática, os tuítes de dirigentes partidários tratando a indicação de Alckmin ser um fato consumado 

Como somos militantes do PT e o Partido só vai decidir sua chapa no encontro nacional, até os dias 4 e 5 de junho seguiremos defendendo que outra vice é possível e necessária. Neste sentido, buscaremos construir uma ação comum com os setores do Partido defensores de outra vice, tática que em nossa opinião deve incluir a apresentação, ao encontro nacional, de uma candidatura a vice que não tenha vínculos com o golpismo, nem com o neoliberalismo.

Reiteramos que ter Alckmin na vice é uma opção perigosa e negativa do ponto de vista eleitoral, do ponto de vista programático e do ponto de vista prático. Os que defendem Alckmin comparando-o com José Alencar esquecem que o empresário mineiro era defensor de uma política de desenvolvimento industrial, além de ter se oposto a tentativa de golpe de 2005. Já Alckmin, além de golpista, é um dos artífices da política pró agronegócio, pró capital financeiro e pró Estados Unidos vigente nos governos tucanos. Os que defendem Alckmin falando que ele seria "útil" no relacionamento com o Congresso nacional, esquecem que foi este um dos argumentos utilizados para defender Temer na vice de Dilma. Temer nunca mais! 

Alckmin, além de neoliberal e golpista, é autor de inúmeros atos e de inúmeras frases recentes ofensivas contra o PT e contra Lula, inclusive a de nos acusar de “criminosos” cujo líder estaria num presídio. Achar que isso não é um problema e que não será explorado eleitoralmente é uma brutal ilusão. Aliás, a suposta ampliação eleitoral que resultaria de ter Alckmin na vice não se manifestou, pelo menos até agora, nas pesquisas eleitorais, que aliás têm trazido sinais preocupantes. Mesmo no estado de São Paulo, até o momento, não se materializaram os supostos efeitos positivos de uma aliança do PT com o PSB e com Alckmin.

Finalmente, os argumentos segundo os quais entregar a vice para Alckmin contribuiria na relação com os “mercados” e, portanto, funcionaria como um "antídoto preventivo" contra movimentações golpistas, desconhece algo simples: a tentativa de golpe de 2005 e o golpe de 2016 se alimentaram das concessões feitas aos mercados. Lamentavelmente, alguns setores da esquerda seguem operando numa lógica segundo a qual, frente às pressões da classe dominante e da direita, devemos reagir com mais e mais concessões, num círculo vicioso cujo desfecho em nenhum caso será positivo para a classe trabalhadora.

Por tudo isso, seguiremos em nossa luta por outra vice e por outra linha política. Esta posição tem sido acusada, por alguns, de rebeldia inapropriada. Não é a primeira nem será a última vez que petistas são convocados a se domesticar, embora seja de um cinismo imenso que, em defesa de uma aliança apresentada em nome da “democracia”, se pretenda suprimir o direito democrático da militância do Partido decidir seu futuro através do debate e do voto em um encontro partidário. 

Obviamente, seja qual  for o resultado do encontro nacional do PT, faremos o que gostaríamos de ter podido fazer em 2018, se não tivéssemos sido impedidos pelo judiciário e pelos golpistas (Alckmin inclusive): faremos campanha e votaremos em Lula presidente. Mas neste caso será apesar de Alckmin

Alianças com setores da direita às vezes podem ser necessárias. Mas, mesmo quando isso acontece, a direita continua sendo de direita e a esquerda continua sendo de esquerda. Companheiro não festeja a condenação, a prisão, a interdição, as balas e as bombas jogadas contra companheiros. Alckmin fez tudo isso. Ele nunca foi, não é e nunca será nosso companheiro.

A direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda

São Paulo, 9 de abril de 2022