sexta-feira, 3 de junho de 2022

José Paulo Netto, Karl Marx e o PT

Recomendo a leitura do livro Karl Marx: uma biografia, de José Paulo Netto.

A rigor, trata-se de uma bibliografia comentada, muito útil como uma introdução geral à obra de Marx.

Para meu azar e por uma dessas coincidências talvez devidas ao divino algoritmo, terminei de ler a "biografia" e recebi - via WhatsApp - um vídeo contendo uma "análise de conjuntura" feito pelo mesmo professor José Paulo Netto, no dia 20 de abril de 2016.

A íntegra da análise está neste link: https://m.youtube.com/watch?v=xJnbJYKq6O4

Há passagens interessantes na análise.

Mas também há trechos chocantes, como se pode ver neste recorte: https://youtu.be/0IR9XCra5JU

Me limito a um ponto: seu comentário sobre a "cultura da prepotência", atribuída por ele ao Partido dos Trabalhadores e conectada com uma insólita referência ao voto de Heráclito Fortes, alguém que teria "sofrido por causa do PT".

Trata-se de mais uma prova de que erudição marxista e análise concreta da situação concreta nem sempre coincidem.

E também de que certas críticas "de esquerda" costeiam o alambrado.

ps.aliás, comprovando certas afinidades eletivas que surpreendem apenas quem se limita a aparência dos fenômenos, uma das frases ditas por José Paulo Netto na referida análise - "quem não sabe negociar ganha de presente um impeachment" - compareceu recentemente no debate petista. A verdade é que na atual cultura política do PT, aparecem vários traços da cultura política do velho Partidão.




 







quarta-feira, 1 de junho de 2022

Uma opinião sobre Alckmin e o golpe de 2016

Teoricamente, a candidatura a vice-presidente de Alckmin depende de uma votação que será feita no Encontro Nacional do PT, nos dias 9 e 10 de julho.

Entretanto, na prática, Alckmin já é tratado como vice de fato.

E o motivo é simples: já se sabe qual a posição da esmagadora maioria dos delegados e delegados com direito a voto no referido Encontro.

Delegados e delegadas eleitas, é bom lembrar, no segundo semestre de 2019.

Um dos objetivos visados por quem acatou a aliança com Alckmin foi e segue sendo atrair setores da direita não bolsonarista.

Sendo assim, confesso de público o que já informei no privado: algumas aparições de Alckmin me parecem contradizer este objetivo.

É caso da célebre cantoria da Internacional, no congresso do PSB: pode causar riso na esquerda, mas não ganha um voto na direita.

Crítica similar vale para a declaração feita por Lula na entrevista contida no link abaixo:

https://www.instagram.com/reel/CeOjD7llsgK/?igshid=MDJmNzVkMjY=

Não sei o que Alckmin terá dito a Lula nas conversas entre ambos.

Nem sei se Alckmin tinha algum tipo de reserva a respeito do impeachment. 

Em 2005-2006, por exemplo, ele foi contra defender o impeachment: preferiu apostar em deixar Lula "sangrar" até a derrota eleitoral, que como sabemos não aconteceu.

Mas independente disto, o fato - comprovável por uma simples busca nos arquivos jornalísticos da época - é que Alckmin apoiou publicamente, antes, durante e depois, o golpe contra Dilma em 2016.

E não vejo sentido algum em negar isto.

Afinal, se um dos objetivos de colocar Alckmin na vice era atrair um setor da direita, se a esmagadora maioria da direita apoiou o golpe e não se sente nem um pouco constrangida por isto, muito antes pelo contrário, que sentido faz negar a participação de Alckmin no golpe?

Votei no Diretório Nacional do PT contra esta aliança, mas agora que está feita, não vejo utilidade eleitoral alguma em tentar dourar a pílula. 


domingo, 22 de maio de 2022

Gregorio Duvivier versus o mitômano

Duvivier votou em Ciro Gomes em 2018.

E ainda hoje diz apreciar algumas de suas (Ciro) qualidades e propostas.

O detalhe é que o Ciro Gomes de 2022 é o mesmo de 2018.

No plano político, Ciro é linha auxiliar da extrema direita contra o PT.

No plano pessoal, Ciro é um mitômano.

Felizmente hoje mais pessoas percebem isto. 

Provas adicionais podem ser vista no programa cujo link segue abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=AfaFQziqIfc

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Para registro

 No dia 25 de abril o jornalista Maurício Thuswolh, da Carta Capital, me entrevistou para uma matéria.

No dia 26 de abril enviei minhas respostas.

Hoje, dia 20 de maio, foi publicada a matéria.

Segue abaixo o link da matéria e a versão integral das perguntas e respostas concedidas, há praticamente um mês.


A matéria

https://www.cartacapital.com.br/politica/participacao-efetiva-de-alckmin-na-campanha-de-lula-gera-debate-no-pt/


As perguntas

Salve, Valter. Tudo bem? Eu me chamo Maurício e sou jornalista da Carta Capital. Eu vou escrever para a próxima edição da revista uma matéria sobre a presença do Alckmin na campanha e formação do programa de governo do Lula, qual espaço terá, que tipo de proposta pretende trazer, etc. Gostaria de contar com tua análise. Seriam três questões:

1) A tendência Articulação de Esquerda votou a favor da aliança com o PSB, mas contra a definição do nome de Geraldo Alckmin como vice de Lula. Após a votação e aprovação no Diretório Nacional, a aliança já é uma discussão pacificada no PT ou essa discussão ainda pode ser retomada até a convenção do partido em junho?

2) Existe espaço político para aproximar Alckmin de correntes internas tradicionais que votaram contra a definição da aliança?

3) Qual é a participação esperada de Alckmin e seu grupo político na elaboração do programa de governo da chapa? É possível estabelecer uma pauta mínima comum com o PT?

São essas. Te agradeço desde já a atenção e ajuda. Vou fechar esta matéria amanhã à noite. Se você topar, me diga a melhor forma para responder. Valeu! Abraço


As respostas

Olá Maurício

Seguem abaixo minhas respostas.

Atenciosamente

Valter Pomar

1) A tendência Articulação de Esquerda votou a favor da aliança com o PSB, mas contra a definição do nome de Geraldo Alckmin como vice de Lula. Após a votação e aprovação no Diretório Nacional, a aliança já é uma discussão pacificada no PT ou essa discussão ainda pode ser retomada até a convenção do partido em junho?

O Diretório Nacional do PT aprovou, por maioria, uma proposta que ainda precisa ser referendada pelo encontro nacional de 4 e 5 de junho. A decisão final será, portanto, do encontro (não se trata de uma convenção). Como terão direito a voto neste encontro os mesmos delegados e delegadas que em 2019 elegeram o atual Diretório Nacional, só um fato novo poderia produzir um resultado diferente do obtido no Diretório. Da nossa parte (AE), vamos manter a posição defendida no Diretório e, no encontro de 4 e 5 de junho, votaremos contra a indicação de Alckmin. Agora, seja quem for o vice oficializado pelo encontro nacional de 4 e 5 de junho, nossa campanha e nosso voto são e continuarão sendo para eleger Lula presidente.

2) Existe espaço político para aproximar Alckmin de correntes internas tradicionais que votaram contra a definição da aliança?

Não posso falar pelas demais, posso falar apenas sobre nossa (AE) posição. Votamos contra Alckmin pelo conjunto da obra. E até agora não enxergo o que ele teria agregado do ponto de vista eleitoral. Isto posto, se for mesmo indicado vice de Lula pelo encontro nacional do PT, a única "aproximação" que almejamos é que Alckmin efetivamente se engaje na campanha de Lula, especialmente no estado de São Paulo e junto aos setores sociais e políticos vinculados a ele. É muito pitoresco ver Alckmin aos berros elogiando Lula num encontro de sindicalistas; mas para ser eleitoralmente útil ele precisa convencer o povo do Tucanistão a votar em Lula e em Haddad.

3) Qual é a participação esperada de Alckmin e seu grupo político na elaboração do programa de governo da chapa? É possível estabelecer uma pauta mínima comum com o PT?

Alckmin se filiou ao PSB e o Partido Socialista vai participar da elaboração do programa de governo e da condução da campanha. E Alckmin, se for mesmo oficializado como candidato a vice, terá o espaço correspondente a esta posição. Agora, construir uma "pauta mínima comum" dependerá de Alckmin abrir mão de suas históricas posições neoliberais. Revogação ou não das contrareformas de Temer e Bolsonaro, recursos orçamentários para políticas públicas ou para concentrar renda, reversão ou não de privatizações e terceirizações, primário-exportação ou reindustrialização de verdade, um Banco central dominado pelo oligopólio financeiro privado ou um Banco Central a serviço do desenvolvimento, falar fino com Washington ou reconstruir a política externa Sul-Sul, em cada um destes e de inúmeros outros pontos – notadamente na área da segurança pública - Alckmin e o PT se contrapuseram desde pelo menos 1995. Claro, o papel aceita quase tudo, os discursos podem tergiversar e durante algum tempo pode-se tentar contornar os problemas. Mas, mesmo que momentaneamente o PT faça concessões em nome de derrotar Bolsonaro, mais cedo ou mais tarde os conflitos de fundo vão exigir solução. Em 2003 e 2004 Palocci se vangloriava de supostamente estar dando continuidade às políticas de FHC, depois veio a crise de 2005 e já a partir de 2006 começou uma inflexão nos rumos do governo Lula. Aliás, por uma dessas ironias da história, a derrota de Alckmin na eleição de 2006 contribuiu para a inflexão.






domingo, 15 de maio de 2022

Comentário marginal

 O companheiro Breno Altman publicou recentemente o seguinte tweet:


De fato, tem muita gente que desistiu do marxismo. 

Mas é preciso lembrar do velho russo: "a essência mesma, a alma viva do marxismo é a análise concreta da situação concreta”.

Um marxismo que conduz a conclusões políticas tremendamente equivocadas pode não passar de escolástica. 

E de boas intenções o inferno está cheio.

Lula já, fora Bolsonaro.






sexta-feira, 29 de abril de 2022

Hipóteses sobre Alckmin e a Internacional

Os fatos estão neste vídeo:

https://www.instagram.com/tv/Cc6r78cOpEh/?igshid=YmMyMTA2M2Y=

Sobre os fatos, desde ontem circulam as mais disparatadas hipóteses. Cito algumas:

1/a decisão de fazer um congresso presencial desencadeou um efeito borboleta e baixou nos participantes o espírito do velho PSB;

2/o verdadeiro DJ do congresso foi sequestrado e no seu lugar entrou um bolsonarista (há variantes segundo as quais o DJ seria militante da ultra-esquerda, ou de que teria sido uma provocação anti-Gremista, ou de que se Ciro Gomes estivesse presente o resultado teria sido outro);

3/o PSB decidiu mostrar para o mundo quem é a verdadeira esquerda radical deste país, capaz de encerrar um congresso cantando que “nossas balas são para os nossos generais”;

4/a influência dos ventos alíseos...

Não descarto nenhuma destas hipóteses, nem mesmo a mais sem graça, a saber: para certas pessoas e partidos, é mais fácil mudar de lado do que mudar de canções (vide um congresso ocorrido nos anos 1990, em que importantes socialistas europeus aprovaram políticas neoliberais e encerraram cantando... a Internacional).

Entretanto, hipótese por hipótese, prefiro a da infiltração comunista.

A saber: em 1949, quando as tropas de Chiang Kai-shek fugiram para Taiwan, levaram juntos vários espiões comunistas, inclusive alguns comandantes militares de alto escalão.

A perfídia dos comunistas foi capaz, também, de infiltrar os altos escalões da CIA e do MI6.

Sendo assim as coisas, devemos considerar o seguinte: desde pelo menos os anos 1990, o PSDB estaria infliltrado por ele. 

Sim, ele mesmo. 

O Kamarada Al Ki-Minh.

Só isso explica a desenvoltura com que o referido acompanhou, em posição de sentido de fazer inveja à Guarda Real da Rainha Elizabeth, a execução da Internacional (e não qualquer versão, mas exatamente na versão dos comunistas portugueses, também cantada - vejam só a ironia- nas atividades de uma certa tendência da esquerda petista!!).

Pessoas pouco versadas na sutileza da política estariam estranhando todo o episódio, afirmando o seguinte: "puseram Alckmin para acalmar os mercados, atrair os conservadores e conquistar os setores médios, mas o Kamarada Al Ki-Minh vai causar o efeito oposto".

Para estas pessoas pouco sutis, escapa a profundeza dialética: colocar um infiltrado comunista como vice de Lula é o motivo pelo qual não vai ter golpe! 

Afinal, sabendo que o vice seria capaz de mudar não só a nossa bandeira, mas também o nosso hino, não haverá apoio dos culpados de sempre a nenhum movimento golpista contra o presidente.

Definitivamente, ele sabe o que faz!!!!

Só me resta agradecer ao DJ e ao Kamarada Al Ki-Minh: faz tempo que não me acabava de rir.


ps.será que no encontro virtual do PT o DJ será o mesmo?

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Uma certeza: Lula presidente! (última parte do relato da reunião do Diretório Nacional do PT)

Em textos anteriores, relatei e dei minha opinião sobre três pontos debatidos na reunião do Diretório Nacional do PT ocorrida no dia 13 de abril de 2022.

Os textos podem ser lidos nos endereços abaixo:

http://valterpomar.blogspot.com/2022/04/o-pt-virou-pagina-do-golpe-primeira.html

http://valterpomar.blogspot.com/2022/04/o-debate-sobre-programa-segunda-parte.html

http://valterpomar.blogspot.com/2022/04/o-debate-sobre-o-estatuto-da-federacao.html

Para completar o relato, ou pelo menos da parte publicável, resta citar três outros assuntos debatidos na reunião.

-uma alteração estatutária, sobre violência política de gênero, aprovada por consenso (ver texto aprovado na página do PT);

-um informe sobre a mudança na data do lançamento da pré-candidatura de Lula (de 30/4 para 7/5);

-uma alteração no regulamento do próximo encontro nacional do PT.

Acerca desta alteração, uma explicação: 

i/o último congresso nacional do PT foi realizado em 2019; 

ii/as resoluções deste congresso de 2019 até agora não foram publicadas (um recorde); 

iii/defendemos desde 2020 a necessidade do PT convocar um encontro nacional extraordinário, com delegações eleitas na base do partido; 

iv/a CEN deliberou, em sua mais recente reunião, convocar um encontro nacional para os dias 4 e 5 de junho de 2022; 

v/entretanto, a CEN também decidiu três outras coisas: a/ que o encontro será virtual e não presencial; b/ que não haverá eleição na base: as delegações serão as mesmas que participaram do congresso de 2019; c/que dos 800 delegadas e delegados de 2019, só participaria a metade, ou seja, metade estaria fora.

Considerando que o encontro será virtual, esta decisão da CEN limitando o acesso de 400 pessoas não faz o menor sentido. 

Por isso fizemos um recurso de votação ao DN e ele foi aprovado, por consenso, mas depois de gastar um tempo expressivo, ao menos se comparado ao tempo gasto para debater a candidatura à vice-presidência da República.

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Isto posto, para os derrotados na reunião do Diretório Nacional do PT, ou pelo menos para a banda onde toco violoncelo, restam pelo menos duas certezas.

A primeira certeza é: Lula presidente.

Seja quem for o vice oficializado pelo encontro nacional de 4 e 5 de junho, nossa campanha e nosso voto será por Lula. 

Até o encontro de junho, entretanto, seguiremos lembrando algumas informações: Alckmin é líder neoliberal desde pelo menos 1995 e segue sendo até hoje; apoiou o golpe contra Dilma e o governo Temer; aplaudiu a condenação ilegal, a prisão e a interdição fraudulenta de Lula em 2018; saiu do PSDB mas o PSDB não saiu dele. Assim como seguiremos avisando do risco de Alckmin, eleitoralmente, tirar ao invés de acrescentar. E de feito vice, se comportar como Temer. 

Como já dissemos na reunião do Diretório Nacional, mesmo que fosse útil colocar um conservador na vice, existem lideranças de direita que não apoiaram o golpe, não aplaudiram a condenação/prisão/interdição de Lula, nem fizeram oposição aos governos nacionais do PT. 

Isto posto, seja quem for o vice oficializado pelo encontro nacional do PT, nossa campanha e nosso voto é Lula.

A segunda certeza é: a luta será muito difícil. 

Não importa a linha de campanha, nem importa o vice, em qualquer caso a luta contra o cavernícola seria e será muito dura. O resultado da eleição não está garantido e a batalha não termina depois da eleição, nem mesmo depois da posse. 

Com três agravantes. 

O primeiro deles: a tática adotada pela maioria do Partido (derrotar o bolsonarismo, em aliança com um setor do golpismo neoliberal) pode ter efeitos contrários aos pretendidos. 

No plano eleitoral, entre outros motivos porque não estamos em 2002, na presidência não está um tucano, portanto a mesma fórmula ou algo similar tende a não dar os mesmos resultados. 

E no plano governamental, porque se estreitou muito o espaço para um governo moderado. 

Infelizmente, a maioria do Diretório Nacional pensa diferente e parece acreditar que a aliança com Alckmin só trará benefícios. Por isso, se houver algum contratempo e formos surpreendidos pelos acontecimentos, o Partido terá muita dificuldade em reagir.

O segundo agravante consiste na distância entre intenções e gestos. 

Noutros partidos (como o PSB e a Rede) o discurso é errado, mas coerente: a aliança com a direita pressupõe um programa moderado. 

Já na reunião do Diretório Nacional do PT, algumas defesas de Alckmin em nome de derrotar o “nazifascismo” foram acompanhadas da defesa de “reformas estruturais radicais”. 

Em algum lugar desta equação tem uma variável fora do lugar. 

Alguns se dão conta disto: é o caso dos que recusaram propostas como revogar a reforma da previdência do cavernícola, revogar a independência do Bacen e afastar os militares do governo (neste último caso, como se vê, tem gente que acha que Lula “sabe o que faz” menos quando sinaliza para a esquerda). 

O problema, em nossa opinião, é o seguinte: quanto mais nosso programa for moderado, menores as chances de vitória eleitoral e, principalmente, ainda menores as chances de fazermos um governo exitoso (entre outras coisas, capaz de conseguir a reeleição).

A solução passa, em nossa opinião, por outra equação: para derrotar o bolsonarismo e o neoliberalismo, uma campanha e um programa democrático-popular. Mas, como já foi dito, a linha da maioria do DN é outra.

O terceiro agravante é: a situação em 2023 é mais difícil do que em 2002, mas não temos uma direção coletiva à altura da tarefa. 

Temos pessoas valorosas, muitas das quais (concordemos ou não com a política que defendem) estão se matando de trabalhar. 

Mas não temos direção coletiva, como tivemos por exemplo entre 1995 e 2002. 

Ademais, não importa o resultado da eleição, os problemas internos do Partido tendem a se agravar muito, inclusive por causa da tal federação.

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Seja como for, no final das contas, o que vai decidir o desfecho da trama é a velha e boa luta de classes: se a classe trabalhadora se agitar, o aparentemente impossível vai se tornar realizável.

Por isto mesmo, com agravantes ou sem agravantes, os derrotados na reunião do DN, ou pelo menos a banda supracitada, vai cumprir seu dever, entre outras coisas contribuindo no debate programático e na campanha popular em favor de Lula e das candidaturas petistas em todo o país. 

Afinal de contas, como diria o impagável Aparício, o que se leva desta vida é a vida que a gente leva.