quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

O PSOL e a baleia (parte 1)

Que o Partido dos Trabalhadores enfrenta enormes dificuldades, todo mundo sabe.

Que o PSOL, ou pelo menos setores deste partido, gostariam de “ultrapassar o PT pela esquerda”, também é bastante sabido.

O que poucas vezes se recorda é que, por conta do PT ser (ainda) muito grande e o PSOL (ainda) muito pequeno, bastante gente conhece os "problemas" do PT e pouca gente conhece os do PSOL.

Claro: quem tem amigos no PSOL, volta e meia ouve reclamações contra a corrente XYZ que supostamente apoiaria “levantes populares ” fomentados pelo imperialismo, fulano que supostamente defenderia o governo de Israel, beltrano que supostamente teria relações excessivamente próximas com a Globo, sem falar das reclamações a boca pequena contra esta ou aquela figura pública que supostamente teria se filiado ao partido apenas para ser candidato etc.

Como o trabalho pela sobrevivência, a participação na luta social e os debates internos ao nosso próprio Partido tomam muito tempo, geralmente a conversa sobre estas reclamações ficam restritas à mesa do bar (bons tempos!) ou a raros e ralos "debates" nas mal-denominadas redes sociais.

Mas agora tudo mudou!

Primeiro foi a campanha do PSOL para prefeito de São Paulo, que a alguns surpreendeu pelo desempenho eleitoral e a outros (não) surpreendeu pela calculada moderação do candidato, quase um “Boulinhos paz e amor”.

E agora temos a discussão sobre a eleição da Mesa da Câmara dos Deputados, onde um setor importante da bancada do PSOL defende publicamente votar em Baleia Rossi.

Um dos que defende isso é o deputado Marcelo Freixo, cujos argumentos podem ser lidos aqui:

https://www.brasil247.com/regionais/brasilia/freixo-volta-a-defender-apoio-do-psol-a-candidatura-de-baleia-rossi-e-preciso-clareza-e-maturidade?amp=&utm_source=Whatsapp&utm_medium=whatsapp-amp&utm_campaign=whatsapp

A partir de uma correta denúncia do governo Bolsonaro, Freixo conclui que é preciso “o ingresso da bancada do PSOL, assim como fizeram todos os partidos de esquerda, no bloco democrático cujo candidato é o deputado Baleia Rossi”.

Diz o ditado que o excesso de velas põe fogo na Igreja. Por qual motivo, para derrotar Bolsonaro, deveríamos tratar como “democrático” o bloco liderado por Maia e integrado por Temer, Baleia Rossi, MDB, PSDB e DEM?

Freixo diz que não se trata de uma aliança programática, mas tática. Afirma que o objetivo é “impedirmos que Bolsonaro controle a agenda do Parlamento pelos próximos dois anos”. 

Mas como fazer isso, se Baleia Rossi foi mais governista do que Arthur Lira, se Temer já prometeu a Bolsonaro que terá bom-comportamento, se já ficou claro que o impeachment não está em cogitação?

Bom, sempre se pode especular que Baleia-Temer farão com Bolsonaro o que Temer et caterva fizeram com o PT e Dilma. Mas, infelizmente, a conta de Freixo é outra.

Freixo afirma o seguinte: “são muitas as divergências que tenho com Baleia Rossi em relação à economia e ao papel do Estado no desenvolvimento socioeconômico do país”. 

Ou seja: Freixo tem plena consciência de que neste terreno – que afeta a vida do povo de maneira máxima – não se pode esperar nada ou quase nada de Baleia Rossi.

Freixo também afirma o seguinte: “Derrotado o candidato de Bolsonaro, seguiremos em trincheiras opostas, lutando por projetos distintos para Brasil, mas dentro dos marcos democráticos. E isso que nos une nesta conjuntura: a defesa da democracia, do Estado de Direito e da Constituição de 88”.

Ou seja: Freixo acha que Maia, Baleia, Temer, MDB, PSDB e DEM seriam aliados na “defesa da democracia, do Estado de Direito e da Constituição de 88”.

Pergunto: alguém ouviu algum desses senhores fazer uma mísera autocrítica que fosse, mesmo que por mera demagogia, acerca de seu papel no golpe de 2016? Acerca da condenação e prisão de Lula?? Acerca das inúmeras medidas que tomaram contra as liberdades e direitos previstos na Constituição??

Freixo vai além: explica que “quando falamos em proteger a Constituição, estamos lutando pela garantia dos direitos das minorias, do controle sobre as polícias, do SUS e da educação pública, dos limites p/ os avanços autoritários do Planalto, da assistência aos mais pobres e da defesa do meio ambiente”.

Ou seja: segundo Freixo, MDB-PSDB-DEM e companhia limitada seriam aliados idôneos nestas lutas. 

É coerente, portanto, sua defesa de que o PSOL deva participar de uma “coalização (sic) capaz de derrotar os adversários da democracia”. 

E óbvio, quem pensa assim, não cogita nem mesmo ter candidatura no primeiro turno, inclusive por que haveria risco (segundo Freixo) de não ocorrer segundo turno.

Na parte 2 deste texto, analisaremos a posição de outro setor do PSOL.

 

 

 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Rogério Carvalho & Pacheco: oportunismo cum sinceridade

O senador Rogério Carvalho, líder do PT no Senado, concedeu uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

A entrevista está disponível no seguinte endereço:

https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,nao-temos-condicoes-de-escolher-candidato-de-oposicao-a-bolsonaro-diz-lider-do-pt-no-senado,70003578793

Nesta entrevista, o senador fala sobre o apoio da bancada de senadores petistas a Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

A decisão de apoio foi unânime.

Segundo Rogério Carvalho, Pacheco se “mostrou com muita qualidade individual. É uma pessoa com formação extraordinária, sereno, com capacidade de representar o Senado à altura. É óbvio que ele defende uma agenda liberal. Não temos condição de escolher um candidato de oposição ao Bolsonaro porque não tem”.

Não tem onde, cara pálida?

Na bancada do PT qualquer um dos senadores poderia ser candidato de oposição ao Bolsonaro.

Mas esta alternativa foi desconsiderada, ao que parece por dois motivos. 

Primeiro: do outro lado estaria uma lavajatista, a senadora Simone Tebet. 

Segundo: a participação do PT na Mesa, nas comissões e relatorias estaria prejudicada, caso o PT decidisse lançar candidatura própria.

Rogério Carvalho admite que há um “prejuízo político para o PT” em apoiar o mesmo candidato de Bolsonaro.

Mas minimiza o prejuízo, usando entre outros o seguinte argumento: “Nós perdemos a capacidade de fazer um discurso mais duro contra o Bolsonaro, mas isso ia adiantar o que para a vida das pessoas?”

Deixemos de lado a contradição entre este discurso e o discurso que é feito, na Câmara dos Deputados, para apoiar Baleia Rossi já no primeiro turno.

E nos concentremos na lógica de fundo: fazer um discurso mais duro não adiantaria nada para a vida das pessoas.

Ou seja: o país está indo ladeira abaixo, as lutas sociais escasseiam e no Senado não faremos “discurso mais duro”, porque isso não adiantaria nada.

Além de ser falsa (a história do PT mostra que fazer discurso duro, marcar posição, demarcar o campo, é uma parte importante da luta política, especialmente quando se está na oposição), esta lógica adotada por Rogério Carvalho conduz o PT a se tornar linha auxiliar de qualquer coisa, sendo que a coisa qualquer muda ao sabor das circunstâncias.

Muda tanto, que parte da entrevista de Carvalho é dedicada a criticar o MDB, partido de Baleia Rossi: “qual foi a independência do MDB em relação ao governo? Vamos ver a vida real, na prática. Vale o que se faz, não o que se diz. O MDB foi líder do governo. Esse negócio de mais ou menos independente não existe. Quem dá poder ao Bolsonaro é a base que ele constrói”.

Verdade. Assim como a recíproca é verdadeira. Mas como a bancada do PT no Senado não quer lançar candidatura própria, resta apoiar alguém, mesmo que seja o candidato de Bolsonaro.

Outro argumento utilizado por Rogério Carvalho é de que “nós somos garantistas. Essa pauta que coloca em risco as garantias individuais, constitucionais e coletivas não nos agrada. Não queremos mudar o estado de consolidação das liberdades, presunção da inocência e garantias difusas por inovação de um ativismo judicial desproporcional. Não nos agrada aqueles que professam esta fé. Esta fé não é a nossa fé”.

Não é genial? Esses argumentos garantistas deveriam levar Rogério Carvalho a querer distância de Bolsonaro e de qualquer candidatura apoiada por ele. 

Mas não! 

Os argumentos são utilizados para justificar o apoio ao mesmo candidato de Bolsonaro, apesar deste ser o grande “messias” da “fé” que ameaça todas as garantias. 

O problema é que Rogério Carvalho parece meio rendido... a Bolsonaro. 

Perguntado sobre quais propostas a bancada vai tentar pautar após a eleição, Rogério responde e acrescenta ao final: “Bolsonaro acena para os controlistas que estão no governo dizendo que não vai aumentar gastos, aí o Congresso aprova e ele capitaliza. Foi assim antes e vai ser assim agora”. 

Foi assim antes e vai ser assim agora!

Mas fiquemos tranquilos, que vamos ter nossa parte em comissões e vagas na Mesa. Que parte? Uma parte proporcional ao tamanho da nossa bancada. 

Não é maravilhoso, uma grande conquista do povo?

E como tudo que está ruim sempre pode piorar, Rogério Carvalho termina sua entrevista elogiando o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP): “Davi cumpriu um papel importante. Eu não votei nele em 2019, mas ele foi capaz de abrir espaço para algumas agendas. Todos tiveram possibilidade de apresentar projetos e acesso às relatorias. Ele manteve o papel de mediador. Foi menos agressivo nas críticas aos exageros que o governo cometeu, às ameaças à democracia, mas conseguiu manter a relação com o governo mantendo o diálogo com a oposição e compatibilizando as agendas”.

Abriu espaço para os senadores mas... “foi menos agressivo nas críticas aos exageros que o governo cometeu, às ameaças à democracia”.

Um detalhe. 

O governo fez ameaças à democracia e o presidente do Senado foi menos agressivo nas críticas ao governo.

Um mero detalhe!

Reitero: a direção nacional do Partido não pode fazer cara de paisagem frente a esta tática abertamente oportunista.

Discordo da tática adotada pela bancada do PT na Câmara dos Deputados, tática que também deveria ser revista, especialmente depois que Baleia Rossi deixou explícita sua postura frente ao impeachment. 

Mas a tática na Câmara pelo menos vem embalada em uma “narrativa”: oposição a Bolsonaro.

Já a tática do Senado não tem narrativa alguma. É uma vergonhosa desmoralização.

ps. todo apoio à proposta do José Genoíno: nacionalizar a Ford.


SEGUE ABAIXO O TEXTO COMPLETO DA ENTREVISTA

DF: BRASÍLIA – O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), justifica a escolha do partido de oposição à candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) na disputa pelo comando da Casa pela falta de opções. “Não temos condição de escolher um candidato de oposição ao Bolsonaro porque não tem”, afirmou o ele ao Estadão/Broadcast.

A decisão da bancada petista, anunciada nesta segunda-feira, 11, chama a atenção porque Pacheco, líder da bancada do DEM, é o concorrente que tem o aval do presidente Jair Bolsonaro. Na Câmara, o PT aderiu à campanha do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) ao comando da Casa justamente sob o argumento de que não poderia estar do mesmo lado do “candidato de Bolsonaro”, que ali é Arthur Lira (Progressistas-AL).

No Senado, o PT rejeitou uma aliança com o MDB, que deve lançar Simone Tebet (MDB-MS) na disputa. A senadora é vista como defensora da Lava Jato, o que gerou resistências entre os petistas. “Não nos agrada aqueles que professam esta fé. Esta fé não é a nossa fé”, disse Carvalho. A bancada, formada por seis senadores, foi unânime no apoio a Pacheco.

 

Com o apoio a Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o PT está ao lado do candidato do presidente Jair Bolsonaro?

A pergunta que não quer calar:‘se fosse do MDB, seria menos próximo ou mais próximo?’. O Rodrigo, pelo menos na conversa com a gente, se mostrou com muita qualidade individual. É uma pessoa com formação extraordinária, sereno, com capacidade de representar o Senado à altura. É óbvio que ele defende uma agenda liberal. Não temos condição de escolher um candidato de oposição ao Bolsonaro porque não tem. Estamos falando de eleição no Senado, e não do Brasil. Votamos várias pautas com a base do governo porque eram iniciativa dos próprios parlamentares. O interesse maior é diminuir o sofrimento das pessoas, ainda com prejuízo político para o PT. 

Qual é esse prejuízo político?

O Bolsonaro tira vantagem, mas não importa. O que importa é diminuir o sofrimento das pessoas. Evitamos uma catástrofe maior e fomos responsáveis. Tem um custo essa responsabilidade. Nós perdemos a capacidade de fazer um discurso mais duro contra o Bolsonaro, mas isso ia adiantar o que para a vida das pessoas? 

No MDB, a Simone Tebet (MS) tem o discurso de independência em relação ao governo. Como o sr. avalia essa candidatura?

Com respeito, mas qual foi a independência do MDB em relação ao governo? Vamos ver a vida real, na prática. Vale o que se faz, não o que se diz. O MDB foi líder do governo. Esse negócio de mais ou menos independente não existe. Quem dá poder ao Bolsonaro é a base que ele constrói.

A proximidade de Simone Tebet com o ‘Muda, Senado’ e a pauta da Lava Jato são uma barreira?

Nós somos garantistas. Essa pauta que coloca em risco as garantias individuais, constitucionais e coletivas não nos agrada. Não queremos mudar o estado de consolidação das liberdades, presunção da inocência e garantias difusas por inovação de um ativismo judicial desproporcional. Não nos agrada aqueles que professam esta fé. Esta fé não é a nossa fé. 

Quais foram os compromissos acertados para apoiar Rodrigo Pacheco?

O compromisso com a democracia, autonomia do Senado em relação às outras instituições republicanas, ao debate sobre temas de interesse dos trabalhadores. Não há compromisso de resultado, mas que a gente possa fazer o debate. 

Que propostas a bancada vai tentar pautar após a eleição?

Queremos mais seis meses para o estado de calamidade pública e para o auxílio emergencial. A realidade vai ser imperativa. Quem é oposição não tem muita ilusão de ter força para pautar um tema desse porque o governo vai mobilizar a base. Mas a realidade vai ser tão imperativa que nos obrigará a fazer. Bolsonaro acena para os controlistas que estão no governo dizendo que não vai aumentar gastos, aí o Congresso aprova e ele capitaliza. Foi assim antes e vai ser assim agora. 

O PT negociou comandar comissões e vagas na Mesa do Senado?

O compromisso é ter participação proporcional. Tem o compromisso da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), mas pode ser a Comissão de Direitos Humanos (CDH) e uma outra. Na Mesa, a Terceira Secretaria é proporcional ao tamanho do PT. Mas tudo vai depender do resultado da eleição.

A indicação do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pesou na escolha por Rodrigo Pacheco?

Davi cumpriu um papel importante. Eu não votei nele em 2019, mas ele foi capaz de abrir espaço para algumas agendas. Todos tiveram possibilidade de apresentar projetos e acesso às relatorias. Ele manteve o papel de mediador. Foi menos agressivo nas críticas aos exageros que o governo cometeu, às ameaças à democracia, mas conseguiu manter a relação com o governo mantendo o diálogo com a oposição e compatibilizando as agendas.

Lejeune e certos exemplos históricos

Um amigo pediu que eu lesse e fizesse comentários sobre um texto intitulado “Concepções sobre a amplitude de uma frente político-eleitoral. É tempo de reler Lênin!” 

O referido texto é de autoria de Lejeune Mirhan, que até onde sei é militante do Partido Comunista do Brasil, embora esta informação não apareça no currículo citado no próprio artigo.

O texto tem 14 páginas, que eu reproduzo ao final. Meus comentários vão se limitar aos pontos de natureza histórica.

  1. concordo com Lejeune que é tempo de reler Lênin. Ou de ler Lênin, para quem nunca o fez. Aliás, sempre é tempo de fazer isso. Mas há que lembrar que as Obras Completas de Lênin têm cerca de 50 volumes, que graças ao companheiro Vaccari eu tive oportunidade de ler, na sequência. Maiores informações estão aqui:  https://valterpomar.blogspot.com/2014/10/roteiro-para-leitura-das-obras.html
  2. entretanto, ler ou reler Lênin não nos dará respostas para os debates do Brasil de 2021. Aliás, o próprio Lenin advertia que a essência do marxismo era a análise concreta da situação concreta, o que lhe permite ser guia para a ação. Sendo contraindicado o método religioso de citar passagens, deslocadas de texto e contexto, achando que daí se extraem respostas para os dilemas atuais da esquerda brasileira.
  3. Lejeune afirma que “a tradição dos comunistas é de jamais ficarmos neutros em qualquer situação política que seja. Especialmente em eleições”. Não estou seguro que a “tradição” seja esta e não sei porque isso se aplicaria “especialmente em eleições”, mas o que me preocupa na afirmação de Lejeune é uma decorrência que se pode extrair daí. Pois “jamais ficar neutro” não implica necessariamente em tomar partido pela vitória de uma das quadrilhas em disputa.  Por exemplo: os bolcheviques não ficaram neutros durante a 1ª Guerra Mundial: diferente de outros partidos socialdemocratas, os militantes do POSDR(b) lutaram pela derrota do governo de seu próprio país, mas sem que isso implicasse em apoiar um dos bandos em guerra. Posição difícil, mas que lhes garantiu a autonomia necessária para liderar uma revolução, enquanto outros viraram agentes da restauração capitalista. Se é para reler Lenin, este caso (a posição frente a 1ª Guerra) é mais relevante do que o ocorrido nos anos 1930 e 1940, quando Lenin já não estava mais aqui. 
  4. sobre Lenin Lejeune só trata de um episódio, ocorrido em fevereiro de 1917. Ao fazê-lo, afirma o seguinte: “tomou posse como primeiro-ministro o príncipe Lvov, menchevique, do então Partido Operário Socialdemocrata Russo (POSDR), do qual Lênin participava, que ainda não era ‘Partido Comunista’.” Confesso que não sabia que Lvov era menchevique, isto é uma grande novidade para mim. Mas se ele era menchevique, então ele não era do mesmo partido que Lenin, pois já nessa época o PSODR eram dois, pois mencheviques e bolcheviques funcionavam como dois partidos oficialmente separados entre si.
  5. Lejeune também afirma que Lenin, nas Teses de Abril, “divaga, sob a ótica marxista, sobre a questão do caráter do governo provisório. Nesse documento, ele levanta a questão da transição, ou seja, a instalação de um governo democrático-burguês, que defende certas liberdades que interessavam aos bolcheviques, mas por meio das quais jamais se poderia caminhar rumo ao socialismo”. Até onde eu lembro, nas Teses de Abril Lenin levanta a questão da transição ao socialismo, não a questão da transição no sentido de “instalação de um governo democrático-burguês”.
  6. Lejeune também afirma que “em agosto de 1917” (…) “os bolcheviques passaram a ser maioria no Soviete de Petrogrado, antes dominado por mencheviques (ala dos trotskistas)”. Acontece que em 1917 o grupo de Trotsky não era uma ala dos mencheviques, mas sim um grupo a parte. E nesta época o grupo liderado por Trotsky entra no Partido Bolchevique, o que aliás ajuda a entender a mudança de correlação de forças no Soviete de Petrogrado.
  7. a decisão de tomar o poder não sofreu a oposição de Trotsky, mas sim de Kamenev e Zinoviev. Aliás, o período entre agosto e novembro é de grande proximidade entre Lenin e Trotsky.
  8. tirando estes digamos “detalhes”, Lejeune tem razão no seguinte: Lenin defendeu várias e diferentes táticas entre abril e outubro de 1917. Mas o motivo disto não foi a “correlação de forças”, mas sim alterar a correlação de forças. Este verbo (“alterar”) é um detalhe que alguns esquecem, como se as “condições” objetivas e subjetivas surgissem do nada, quando elas só pode surgir de uma ação que parta da correlação de forças dada, mas que atue no sentido de alterar essa correlação de forças.
  9. o que isso que foi comentado até agora tem que ver com o assunto do “mal menor”, eu confesso que não consegui captar. Pois em nenhum momento Lenin aceitou defender o governo provisório; seu critério foi sempre o de lutar pela derrubada do governo provisório em favor dos Sovietes; acontece que os Sovietes não eram  uma abstração; por isso, boa parte das mudanças táticas de Lenin nesse período tem que ver com a posição dos Sovietes, leia-se, da classe trabalhadora; no limite, Lenin defendeu transformar a luta pelo poder em palavra de ordem de ação tática imediata,  quando os bolcheviques tornaram-se maioria nos Sovietes. E os bolcheviques não viraram maioria falando bem ou conciliando com o governo provisório, pelo contrário. Mesmo no famoso episódio da revolta de Kornilov, os bolcheviques defenderam a revolução, sem se curvar ao governo provisório.
  10.  agora vejamos o caso da Alemanha. Lejeune propõe estudar “o caso de 1933, na Alemanha antes de Hitler, quando ainda os sociais-democratas da República de Weimar (1920) governavam o país”. Até onde eu lembro, no período entre 1920 e 1933, os socialdemocratas (embora sempre bem votados) nem sempre foram governo. Especificamente, os socialdemocratas estavam na oposição na fase final da República de Weimar*. Portanto, a síntese de Lejeune mistura um pouco as situações. Em segundo lugar, a relação entre socialdemocratas e comunistas era reciprocamente péssima. Não eram apenas os comunistas que passavam do tom; os socialdemocratas também. Aliás, não custa lembrar que a República de Weimar que Lejeune elogia foi construída sobre o cadáver dos espartaquistas, dos comunistas alemães, Rosa Luxemburgo inclusive. E a cúpula da socialdemocracia, hoje isto está provado, foi cúmplice direta do assassinato de Rosa e Karl. Em terceiro lugar, a teoria do social-fascismo não era exclusivamente obra dos comunistas alemães, tinha amplo trânsito e respaldo em toda a Internacional Comunista. E, finalmente, não custa lembrar, quem chamou Hitler para ser Chanceler foi Hindenburg. E num certo momento Hindenburg, talvez em nome do “mal menor”, recebeu o apoio dos socialdemocratas.
  11.  Lejeune faz  uma afirmação lateral, que eu quero comentar. Ele diz que: “Woodrow Wilson – que presidia à época os EUA, que ainda não eram imperialistas e nem hegemônicos no campo capitalista (…)”. Que em 1919 os EUA não eram o que se tornariam em 1945, de acordo. Mas dizer que não eram imperialistas é algo que precisaria ser demonstrado, pois contradiz o senso comum, as provas histórias e até mesmo a média das afirmações do marxismo a respeito.
  12. Sobre Adolf Hitler, Lejeune afirma que o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSADAP na sigla em alemão), com seu resultado eleitoral, “ganharia .. o direito de ser indicado chanceler para formar o governo”. E agrega: “Presidia o país Paul von Hindenburg, que havia presidido a República de Weimar, dos sociais-democratas. Ele era claramente um social-democrata”. Não sei de onde Lejeune tirou esta informação. Hindenburg nunca foi socialdemocrata. Nunca. E Hindenburg não foi derrubado, ele faleceu. Mas antes disso contribuiu com a transferência de poderes ditatoriais para Hitler…
  13. Depois dessa digressão, a qual cabem tantos reparos, Lejeune afirma que (vou citar um trecho mais longo) “os comunistas viram claramente que jamais conseguiriam vencer o nazismo sozinhos. Levantaram a bandeira tradicional da “Frente Ampla”, que se materializaria em cada país europeu ocupado de maneira distinta e com amplitudes diferentes, claro. Essa frente teria de ser amplíssima. O único ponto que unificasse todas as correntes políticas deveria ser contra o nazismo. Não se tratava de acertar contas com a burguesia, nem de destruir o capitalismo e construir o socialismo. Nada disso. Tratava-se, sim, de derrotar o nazifascismo. Até a burguesia liberal capitalista, se quisesse lutar contra os nazistas, poderia participar da Frente”.
  14. sei que a narrativa e a pós-verdade estão na moda, assim eu recomendo que as pessoas leiam o discurso feito por Dimitrov no 7º Congresso da Internacional Comunista. Assim se verá que a Frente Popular que os comunistas passam oficialmente a defender em 1935 é um pouquinho diferente desta síntese feita por Lejeune. O discurso pode ser lido aqui:  https://www.marxists.org/portugues/dimitrov/1935/fascismo/index.htm
  15. recomendo também a síntese feita por João Amazonas, não sei se Lejeune a conhece, está aqui:  https://www.marxists.org/portugues/amazonas/1985/08/congresso.htm

    Nesta síntese, Amazonas cita vários trechos de Dimitrov, entre os quais destaco esse:  “É preciso não perder de vista que a tática de frente-única é um meio de persuadir os operários social-democratas da justeza da política comunista e da falsidade da orientação reformista, e não uma forma de reconciliar-se com a ideologia e a prática social democrata”, salientava Dimitrov, chamando à vigilância de classe”.
  16. depois Lejeune diz que Franklin Delano Roosevelt seria um “social-democrata keynesiano”. Talvez seja por eu ser do ramo da história, mas atribuir a FDR a condição de “social-democrata” é como chamar Obama de socialista.
  17. sobre a Segunda Guerra, só acrescento o seguinte: nunca houve uma aliança plena entre a URSS e os países capitalistas atacados pela Alemanha. Portanto, nem mesmo naquela circunstância foi verdadeira a “utopia da frente ampla com inimigos de classe contra o mal maior”.
  18. o mesmo vale para a China. Lejeune simplifica a história de um jeito tão brutal, que transforma em outra história. A unidade entre comunistas e nacionalistas contra os japoneses foi muito tumultuosa. Houve combates entre aliados, traições entre aliados e o tempo todo se prepararam para o que viria depois: a guerra entre os “aliados”.
  19. o final da digressão, Lejeune conclui: “Que lições podemos extrair desses dois importantes exemplos? Mais uma vez a velha correlação de forças. E avaliarmos corretamente como os embates se apresentam a cada momento é tarefa primordial pelos que primam pela análise dialética marxista”. De fato, analisar os embates a cada momento é primordial, mas infelizmente o que Lejeune nos apresenta não é esta análise, mas uma simplificação, como indiquei anteriormente. E esta simplificação ajuda a esquecer algo essencial: nós analisamos a correlação de forças, com o objetivo de alterar a correlação de forças, não com o propósito de se dobrar a ela. Exemplo de simplificação: Lejeune diz que os comunistas chineses “fizeram uma aliança tática, circunstancial, momentânea. Não foi para governar juntos. Mas para derrotar um inimigo maior”. Não é apenas isso. Os comunistas chineses fizeram essa aliança tática para derrotar hoje um inimigo e amanhã derrotar o outro inimigo (ex-aliado). E atenção: na mesma época, em outros países, havia comunistas que esqueceram deste “detalhe” e, depois da guerra contra os nazistas, ou capitularam ou foram esmagados. 
  20. A partir deste ponto, Lejeune diz que “para muitas pessoas, esses dois grandes exemplos históricos de nada valem. O que vale é o momento. O melhor mesmo seria dizer ao povo: “olha, não se iludam, nestas eleições no primeiro e segundo turnos, nenhum partido, que não seja os de esquerda, presta”. Os exemplos valem, mas a maneira como Lejeune os interpreta é para lá de questionável.
  21. como disse no início, não vou comentar a parte do texto de Lejeune que trata da conjuntura brasileira, assunto que abordo cotidianamente em outros espaços.
*mais informações sobre o período, escritos desde um ponto de vista digamos convencional, podem ser encontradas aqui: https://www.deutschland.de/pt-br/topic/politica/a-republica-de-weimar

Leia aqui o texto citado acima:
https://resistentes.org/artigos/concepcoes-sobre-a-amplitude-de-uma-frente-politico-eleitoral-e-tempo-de-reler-lenin/

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Humberto Costa, Pacheco e o estapafúrdio

O Diretório Nacional do PT delegou à Comissão Executiva Nacional.

E a Executiva Nacional delegou às bancadas decidir a tática na eleição das Mesas do Senado e da Câmara dos Deputados. 

Na Câmara, a bancada do PT decidiu (27 votos a favor, 23 contra) participar do bloco do Maia e apoiar a candidatura de Baleia Rossi já no primeiro turno.

Argumento?

Impedir a vitória do candidato apoiado por Bolsonaro.

No Senado, a bancada do PT decidiu por unanimidade apoiar a candidatura de Rodrigo Pacheco, senador pelo DEM de Minas Gerais.

Argumento?

Impedir a vitória do candidato apoiado por Bolsonaro?

Não pode ser, afinal pelo menos até o momento Rodrigo Pacheco é o candidato de Bolsonaro.

Qual o argumento então?

A bancada do PT divulgou uma nota, que pode ser lida aqui:

https://ptnosenado.org.br/bancada-do-pt-e-a-eleicao-da-mesa-do-senado-federal/

Em off, alguns senadores disseram que apoiaram Pacheco porque a alternativa (do MDB) poderia ser pior, como se explica aqui: 

https://noticias.uol.com.br/colunas/tales-faria/2021/01/12/pt-decidiu-por-apoio-a-bolsonarista-para-fugir-de-simone-tebet.htm

Em on, o senador Humberto Costa deu outra explicação.

A explicação de Humberto pode ser lida aqui: 

https://revistaforum.com.br/politica/humberto-costa-rodrigo-pacheco-tem-apoio-de-bolsonaro-mas-nao-tem-compromisso-com-suas-ideias-estapafurdias/

Se as declarações colhidas e publicadas pela Forum forem exatas, Humberto Costa teria dito que:

...“o PT se definiu no Senado pelo apoio à candidatura de Rodrigo Pacheco por entender que, nesse momento, a principal questão em jogo no nosso país é a preservação da liberdade, da democracia, o respeito à Constituição e a possibilidade de nós barrarmos quaisquer tentativas de Bolsonaro e seus apoiadores de conduzirem o Brasil para uma ditadura”...

...“no debate que tivemos com o senador Rodrigo Pacheco e também no histórico da sua atuação no Senado Federal, nós chegamos à conclusão que ele preenche essas preocupações que nós tínhamos anteriormente”....

... "nessa articulação, nessa composição, nós teremos condições de desenvolver um trabalho mais aprofundado, mais intenso de oposição ao governo Bolsonaro”...

É a dialética, na variante schlingel: apoiando a candidatura apoiada por Bolsonaro, teremos melhores condições de fazer oposição a Bolsonaro.

Afinal, apesar de apoiado por Bolsonaro, Pacheco não tem “qualquer compromisso com essas posições estapafúrdias do presidente da República que ameaçam permanentemente a liberdade e a democracia no nosso país".

Ou seja: bolsonarismo pode, desde que não seja estapafúrdio.

*

A alternativa, ter candidatura própria do PT, parece ter sido descartada in limine pela bancada do PT no Senado.

O motivo para o descarte, suponho, seja garantir os famosos espaços na Mesa, nas comissões, nas relatorias etc.

A direção nacional do PT precisa determinar à bancada do Senado que mude sua posição.

Ou ficará a impressão-quase-certeza de que o argumento utilizado para não lançar candidatura própria e apoiar Baleia Rossi no primeiro turno -- ou seja, derrotar Bolsonaro -- nunca passou de retórica de ocasião.

E o que realmente estava em jogo era outra coisa.




segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Os senadores petistas, Pacheco e Bolsonaro

A bancada do PT no Senado divulgou sua posição sobre a eleição da Mesa e da Presidência daquela "Casa".

A posição pode ser lida no endereço abaixo:

https://ptnosenado.org.br/bancada-do-pt-e-a-eleicao-da-mesa-do-senado-federal/

Se entendi direito, os senadores petistas decidiram apoiar unanimemente a candidatura presidencial de Rodrigo Pacheco, que além de ser do DEM, é também apoiado por Bolsonaro.

Ou não é?

Se Pacheco é o candidato de Bolsonaro, como se explica termos uma tática no Senado e outra na Câmara?

Na Câmara, entramos no bloco do Maia (também do DEM) e apoiamos Baleia (que é do Temer), em nome de derrotar o candidato de Bolsonaro.

E no Senado apoiamos o candidato de Bolsonaro?

A que ponto chegamos.

E por unanimidade!

A Executiva Nacional do PT precisa intervir.

Ou pelo menos explicar o que está ocorrendo, pois senão alguém pode achar que o motivo é participar da Mesa e tudo o mais.

 




sábado, 9 de janeiro de 2021

Sai Haddad, entra Boulos

Ontem fiquei sabendo da correta decisão de Fernando Haddad.

Sobre isso, ler aqui: http://valterpomar.blogspot.com/2021/01/a-despedida-de-fernando-haddad.html

Hoje um companheiro do Mato Grosso me alertou para uma coincidência.

Quem quiser, pode conferir: https://twitter.com/guilhermeboulos

Diz esta conta oficial de Boulos: "A partir da próxima semana volto a escrever na @folha. A coluna vai ser um espaço de enfrentamento ao bolsonarismo e de reflexão sobre os destinos do país, da cidade e da esquerda. Até terça-feira!"

Notícia de 7 de janeiro de 2021.

Não sabia, mas não me espanto.

É a "nova geração" se achando imune aos defeitos da "velha".

Sic Mundus Creatus Est.

E que comece a próxima temporada.



A despedida de Fernando Haddad

Acabo de ler a "Despedida" de Haddad.

Não li todas as suas colunas, mas não tenho dúvida de que esta foi a melhor.

A Folha é uma fraude.

Parabéns ao companheiro Haddad!

Segue abaixo o texto da coluna aberto, para poder ser lido mais facilmente por aqueles que, como eu, não são assinantes deste jornal que de democrata só tem a pose.


https://www1.folha.uol.com.br/colunas/fernando-haddad/2021/01/despedida.shtml

Despedida

O jornal tem méritos que não desconsidero, mas não vejo como manter uma colaboração permanente com este veículo

8.jan.2021 às 23h15

Agradeço ao leitor a consideração que me tenha dispensado. Procurei ser o mais zeloso possível ao ocupar este espaço, trazendo à sua consideração um ponto de vista menos paroquial sobre assuntos de interesse nacional.

Quando fui convidado para ser colunista da Folha, relutei em aceitar. Na época, me incomodava o posicionamento do jornal no segundo turno das eleições de 2018.

Pareceu-me uma falsificação inaceitável um órgão de imprensa que apoiou o golpe militar de 1964 equiparar, em editorial, um professor de teoria democrática a uma aberração saída dos porões da ditadura. Àquela altura, a Folha já sabia que a família Bolsonaro era autoritária e corrupta, mas entendia que a agenda econômica neoliberal de Paulo Guedes compensaria o risco. Teria sido mais correto assumir isso publicamente.

Aceitei o convite, no entanto, porque intuía que o governo Bolsonaro traria graves consequências ao país, o que exigia da parte de todos uma disposição ainda maior ao diálogo.

Na semana passada, ocorreu um episódio insólito. Uma jornalista sugeriu, em artigo publicado no Estadão, que o STF mantivesse a condenação de Lula e desconsiderasse as provas de parcialidade de Moro. E por quê? Para evitar que Lula seja candidato em 2022, o que, supostamente, favoreceria a candidatura de Bolsonaro. Reagi, nas redes sociais, afirmando que, diante de tanta infâmia e covardia, restava ao PT reafirmar os argumentos da defesa de Lula e relançá-lo à Presidência.

Em editorial, segunda-feira (4/1), este jornal resolveu me atacar de maneira rebaixada. Incapaz de perceber na minha atitude a defesa do Estado de Direito, interpretou-a como tentativa oportunista de eu próprio obter nova chance de disputar a eleição presidencial, ou seja, que seria um gesto motivado por interesse pessoal mesquinho. Simplesmente desconsiderou que, nos últimos dois anos, em todas as oportunidades, inclusive em entrevista recente ao jornal, defendi sempre a mesma posição, qual seja, a precedência da candidatura de Lula.

Ao me desqualificar mais uma vez, inclusive com expediente discursivo desrespeitoso, ao estilo bolsonarista, esta Folha demonstra pouca compreensão com gestos de aproximação e sacrifica as bases de urbanidade que o pluralismo exige. Infelizmente, constato que, nos momentos decisivos, a Folha, em lugar de discutir ideias, prefere agredir pessoas de forma estúpida.

O jornal tem méritos que não desconsidero, mas não vejo como manter uma colaboração permanente com este veículo.

Por fim, a julgar pelo histórico dos políticos que a Folha veladamente tem apoiado, penso que ela deveria redobrar os cuidados antes de pretender deslegitimar alguém.