domingo, 3 de novembro de 2013

Comentários sobre o texto da Folha de S. Paulo

No dia 2 de novembro de 2013, a Folha de S.Paulo publicou uma matéria sobre o PED 2013, assinada por Marina Dias e por Diógenes Campanha.

A matéria motivou uma reação do Markus Sokol, contra o que ele corretamente considerou uma distorção de suas palavras.

Da minha parte, faço os seguintes comentários sobre o que foi publicado pela Folha:

1.Lula não é articulador da "recondução" do Rui. Tecnicamente, Rui é como um "interino", pois foi eleito pelo DN depois do afastamento do Dutra. Melhor dizer que Lula busca articular sua eleição.

2.O objetivo de Lula não parece ser "isolar as alas petistas que criticam as alianças". O objetivo é mais simples: ter um presidente que no limite acate suas orientações, sobre assuntos variados, inclusive mas não apenas as alianças. Até porque o mandato dos eleitos agora será de 4 anos.

3.O "governo de coalizão" não é o principal alvo da crítica dos outros cinco candidatos, noves fora Rui. Não é o alvo principal, por exemplo, do Paulo Teixeira. Quanto a mim, não estou de acordo com a atual política de alianças, mas considero que o atual governo de coalizão, a atual governabilidade, decorre de uma estratégia. Por isto o principal alvo de minha crítica é a estratégia atual, que defendo alterar.

4.Não defendo a "qualificação das alianças". Quem defende isto e usa estas palavras é o Paulo Teixeira. Eu defendo aliança com base em programa etc. Chamar isto de "qualificação" é algo que eu nunca fiz.

5.Paulo Teixeira não é "dono" de cerca de 17% dos votos petistas. Ninguém é dono de ninguém. A Folha não deveria empregar esta palavra.

6.A Folha me atribui a frase: "Para conseguir um mandato Dilma superior ao primeiro, precismaos mudar a política que segue a lógica da governabilidade". Até "precisamos mudar a política" é o que eu penso. Mas esta política não "segue a lógica da governabilidade". É o contrário: é a lógica da governabilidade institucional, com estes aliados que estão aí, que segue a lógica da política (estratégia de mudança sem reformas).

7.Não estou incomodado com a participação atuante de Lula. Ele tem todo o direito de tomar posição. Lamento e critico, contudo, a contradição entre seu discurso a favor da renovação, e seu apoio ao candidato que expressa o continuísmo.

8.Na tabela publicada pela Folha, fala-se que a chapa de que faço parte é composta majoritariamente por integrantes da própria corrente, mas não se diz o nome da chapa A Esperança é Vermelha, nem o nome da tendência Articulação de Esquerda.

9.Segundo a mesma tabela, Rui Falcão é apoiado por duas chapas. Faltou citar entre seus apoios a chapa do Movimento PT. Sem isto, a soma dos percentuais será menor que 100%.

10.O que está esgotado é a estratégia, não o "modelo". Não uso a palavra "modelo" para me referir a estratégia. O modelo em si não está esgotado, pois não se trata exatamente de um modelo, mas de uma estratégia. Que se esgota não pelos seus problemas endógenos, mas pela interação destes problemas com o entorno (se não houvesse crise internacional, por exemplo, a estratégia ainda não teria se esgotado);

11.Vários setores do PT são contra a aliança com o PMDB, mas não por ele ser capitalista, mas sim por ser conservador e contrário a mudanças profundas na sociedade brasileira.

12.Não apareceu nada, na matéria, acerca das propostas relativas ao funcionamento do Partido.

13.Os títulos e as linhas-finas são de responsabilidade integral dos editores, que forçaram a barra ao, referindo-se a Sokol, falar que "corrente sustenta que vale a pena romper com o PMDB e sacrificar a reeleição de Dilma". Como o próprio Sokol, insuspeito, explicou, não é esta a posição dele.


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Reformas estruturais


Ao longo de todo o processo de eleição direta das direções petistas, a chapa “A esperança é vermelha” vem defendendo que o PT precisa mudar: mudar de estratégia, mudar a tática para 2014 e mudar o funcionamento partidário.
A atual estratégia do PT é baseada na ideia de mudança através de políticas públicas. Defendemos que o PT adote uma estratégia de mudança através de reformas estruturais.
Salvo engano, nenhum petista se opõe às reformas estruturais. Todos parecem defender a reforma tributária, reforma política, lei da mídia democrática, reforma agrária, reforma urbana, 40 horas, universalização das políticas públicas etc.
Assim parece, mas não é exatamente verdade. Alguns setores do PT se opõem a tais reformas, como vimos por exemplo toda vez que houve chance real de aprovar a reforma política. Outros setores defendem tais reformas, mas são contra adotar uma estratégia de mudança baseada nelas.
Os que pensam assim parecem acreditar que será possível continuar melhorando a vida do povo, continuar ampliando a democracia, continuar afirmando a soberania nacional, continuar avançando na integração regional, sem fazer reformas estruturais.
Nós, pelo contrário, achamos que a estratégia de melhorar a vida do povo apenas através de políticas públicas entrou numa fase de “rendimentos decrescentes”. A comparação entre o segundo governo Lula e o primeiro governo Dilma é uma das provas disto.
Os problemas da saúde pública, por exemplo, exigem um salto na capacidade de financiamento. O mesmo pode ser dito de outras questões, como o transporte público. Visto de conjunto, a “sustentabilidade” das políticas públicas universais exige reforma tributária e uma mudança radical no serviço da dívida pública.
Mas como viabilizar isto, se o Congresso seguir majoritariamente composto por representantes do grande empresariado? E como ter sucesso na batalha da reforma política, sem derrotar o oligopólio da mídia?
E como viabilizar estas e outras reformas estruturais, se nossas bancadas, governos, aliados políticos e sociais não organizarmos nossa atuação em função disto? Se não formos para as eleições de 2014 com o propósito de reeleger Dilma em condições dela realizar um segundo mandato superior, marcado pelas reformas estruturais? Se nosso Partido não for capaz de uma atuação militante em favor destes objetivos?
Seja para ganhar as eleições de 2014, seja para continuar mudando o país, seja para construir um caminho para o socialismo, o PT precisa adotar uma estratégia democrática e popular, por reformas estruturais. Esta é a principal tese que temos defendido no PED.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Um dia para lembrar, de Múcio Magalhães

Ontem, 23/10, foi um dia importante para um significativo número de militantes do PT, organizados na AE ou que defendem ideias próximas às nossas. Assim foi devido a presença no estado do camarada Valter Pomar, candidato a presidente nacional do PT, número 120, apoiado pela chapa A Esperança é Vermelha, número 220, que disputa o Diretório Nacional do PT.
Valter não veio participar de um debate com os demais candidatos porquê não haverá debate entre eles aqui em Pernambuco. Talvez porquê os temas a serem debatidos no estado governado por Eduardo Campos não sejam tão atrativos no momento, principalmente porquê exigem assumir posições políticas. Veio por iniciativa da nossa campanha e sem dúvidas sua vinda foi positiva por ter contribuído no debate político que acontece no PT e na sociedade.
Suas intervenções foram acompanhadas por muitas pessoas através da mídia e redes sociais ao longo do dia e por quem esteve na plenária realizada a noite no auditório do Sindicato dos Servidores Federais.
Ouvir um quadro dirigente nacional analisar a trajetória do partido, especialmente de 2005 até os dias atuais, aprofundando com qualidade e coragem os erros, limites e virtudes da estratégia adotada, e avançar na defesa de outra estratégia, assentada em princípios democráticos, populares e socialistas, pontuando os movimentos táticos necessários, o tipo de organização partidária que esta estratégia exige e um perfil diferente para o segundo governo Dilma, superior ao atual, era uma necessidade da militância, que certamente saiu satisfeita do evento.
Valter expressa como ninguém este jeito de pensar o Brasil, o papel da esquerda , das lutas populares, da intervenção institucional e como cada uma destas dimensões podem contribuir na perspectiva do acúmulo de força na luta pelo socialismo. Uma forma de pensar que vem sendo construída nestes vinte anos de Articulação de Esquerda.
Ontem foi um destes dias que pudemos contar com os elementos essenciais para que os objetivos fossem alcançados. Um bom programa para defender, um bom quadro para fazer o debate e uma militância combativa disposta a levar o debate do programa para as bases onde atua.
A agenda foi intensa, mas ao final, lá para as 21:30h, estávamos cansados mas com
aquela gostosa sensação de ter feito o que deve ser feito, e que ficamos mais preparados e preparadas para novas tarefas.
Lamentavelmente nem todo mundo que manifestou interesse de ir conseguiu chegar, mas sempre tem como estarmos todas e todos juntos na luta por uma nova hegemonia, de esquerda e socialista no PT.
O dia 10 de novembro está perto e até lá muito debate vai acontecer. Não podemos descansar até garantir que o desfecho final seja tão bom quanto o de ontem, afinal dificuldades existem para serem superadas, especialmente por quem confia na luta popular e sabe que palavras como liberdade, justiça, revolução, socialismo e vitória ficam mais bonitas quando as escrevemos em vermelho.
Sigamos firmes com Valter Pomar presidente nacional do PT e a chapa A Esperança é Vermelha!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Editorial do Página 13 de novembro

De que renovação precisamos?


Em recente entrevista ao jornal espanhol El País, o ex-presidente Lula disse que o PT precisa de “renovação”. Curiosamente, diferente do que fez nas eleições internas ocorridas desde 2001, no PED 2013 Lula engajou-se profundamente no apoio à candidatura de Rui Falcão, usando sua influência para viabilizar o apoio não apenas da tendência “Construindo um novo Brasil”, mas também de tendências como “Luta e Massas”, “Novos Rumos”, “Movimento PT” e outras menos conhecidas.

Lula fez o mesmo movimento em benefício de Emídio de Souza, ex-prefeito da cidade de Osasco (SP) e candidato à presidência do Partido no estado de São Paulo. Neste caso, o leque de aliados é ainda mais amplo, incluindo setores expressivos da “Mensagem ao Partido”, tendência que em âmbito nacional faz um discurso crítico que, pelo visto, alguns não consideram igualmente válido para o estado com o maior número de filiados em todo o país. Aliás, não é válido igualmente em estados como Espírito Santo, Paraíba e Pernambuco, onde expressivos setores da Mensagem optam pelas posições mais conservadoras no debate interno.

Sempre pode haver quem considere a candidatura de Rui uma “renovação”. A palavra, aliás, pode significar “renovar a fachada”. E, independentemente de seus méritos ou deméritos pessoais, Rui representa o continuísmo e, no máximo, uma renovação conservadora. Também por isto, lutamos para levar a disputa da presidência para o segundo turno; e para eleger um Diretório Nacional onde nenhuma chapa tenha, isoladamente, maioria absoluta.

O plano do grupo atualmente majoritário é não apenas ganhar, mas ganhar por ampla margem. É isso que está por trás da operação que levou centenas de milhares de filiados a serem habilitados a votar.

Supondo que levem o plano até o fim, através de um boa operação de “mobilidade urbana”, o número total de votantes chegará perto dos 806 mil habilitados a votar e o resultado poderá ser um Diretório Nacional e uma executiva nacional onde a esquerda petista estará, na melhor das hipóteses, subrepresentada.

Se este resultado fosse produto do debate livre e democrático, não haveria do que reclamar. Mas, de forma similar ao que criticamos nas eleições ditas burguesas, no PED há distorções, que começam na influência do poder econômico (utilizado para quitar contribuições financeiras de filiados recentes ou antigos) e terminam no fato de que expressiva parcela dos votantes no dia 10 de novembro não terá sido informada adequadamente acerca das alternativas em disputa.

Há 806 mil aptos a votar. Destes, quase 300 mil possuem endereços físicos desconhecidos pelo Partido, que também desconhece o endereço eletrônico de outros 744 mil. Além disso, até o momento não passam de 30 mil os que participaram, presencialmente ou virtualmente, de debates em âmbito nacional. E se depender de setores da atual direção partidária, mesmo os que têm endereço conhecido não receberão correspondência partidária contendo as posições de todas as chapas e candidaturas.

Para agravar, Rui Falcão, candidato do grupo que almeja a maioria absoluta, não tem demonstrado muita disposição para o debate: segundo ele, o PED seria momento de “acentuar nossas convergências”. Ele diz também que por “vocação pessoal” e também por sua “condição de presidente”, teria como obrigação apostar na “unidade do Partido”.

É uma quase-teoria muito polêmica, digamos assim. Para começo de conversa, ele é presidente interino, desde a renúncia do presidente eleito José Eduardo Dutra. Mas também é candidato. E se como presidente precisa construir a unidade, como candidato ele precisa dizer o que pensa acerca dos dilemas presentes e futuros do Partido. Há um tema, especialmente, sobre o qual vem emitindo opiniões contraditórias. Rui afirma concordar com os que defendemos um segundo mandato Dilma superior ao primeiro e também diz defender a centralidade das reformas estruturais. Ao mesmo tempo, afirma não existir correlação de forças para uma política de alianças mais avançada do que a atual. Evidentemente, a conta não fecha, e seria muito útil para o PT que Rui Falcão explicasse como superar esta contradição entre fins e meios.

Leilão de Libra

Por falar em não tomar posição, a direção nacional do PT foi incapaz de debater e adotar uma posição sobre o leilão do campo de Libra, vencido pelo consórcio constituído por Petrobras, Shell (anglo-holandesa), Total (francesa) e as chinesas CNOOC e CNPC.

Página 13, na edição de outubro de 2013, publicou dois textos acerca do assunto Libra, um de Jorge Braga e outro de Wladimir Pomar. Publicaremos, em nossa próxima edição, um balanço do leilão e da polêmica ocorrida a respeito.

Consideramos importante que a presidenta Dilma, em pronunciamento feito logo após o leilão, tenha afirmado não se tratar de uma privatização, nem de alienação da soberania nacional. Segundo Dilma, o Estado brasileiro e a Petrobras ficarão com 85% da receita total decorrente da exploração em Libra. A presidenta também destacou os recursos destinados ao Fundo Social (R$ 270 bilhões de royalties e R$ 736 bilhões relativos ao excedente de petróleo recebido pela União) e os potenciais benefícios à indústria nacional.

O mais importante, contudo, está em responder a seguinte questão: não havia mesmo outra alternativa? É justamente esta questão que a direção nacional do PT deixou sem respostas, agindo como avestruz e desconsiderando as vozes dissonantes no movimento social e no partido.

Sem o leilão, não receberíamos os R$ 15 bilhões referentes à assinatura, que vão ajudar a cumprir a meta de “superávit primário” de 2013 (2,1% do PIB). Em nossa opinião, foi esta ajuda, por sua vez relacionada a uma equivocada política de transferência de recursos ao capital financeiro, que levou o governo a realizar o leilão, nestes termos e neste momento. Mas estes bilhões poderiam ser economizados reduzindo-se ou contendo-se a taxa de juros, que aliás voltou a subir e ameaça novamente chegar à casa dos dois dígitos.

Seja como for, achamos importante que a presidenta Dilma se sinta na obrigação de conceder explicações para sua, nossa, base social e eleitoral, onde muitos setores, inclusive a CUT e quatro dos seis candidatos à presidência nacional do PT, questionaram o leilão. Sem o apoio ativo desta base, a vitória em 2014 e principalmente o segundo mandato serão muito mais difíceis, senão impossíveis.

Um duro segundo turno

Dilma, é claro, segue a favorita. Acreditamos que vencerá, num segundo turno duro contra o PSDB, ou num segundo turno ainda mais duro contra o PSB. Venceremos, desde que saibamos deixar claro para o país duas entre outras coisas: que embora haja três candidaturas principais, há dois projetos em disputa, como nas outras eleições presidenciais, desde 1989; e que seremos capazes de fazer um segundo mandato Dilma superior ao primeiro.

Isso passa, como é óbvio, pelo PT e pelos resultados do PED, nos dias 10 e 24 de novembro de 2013. Pensando nisto, esta edição de Página 13 completa a publicação da série de textos analisando as teses nacionais. Completamos, ainda, a série de textos sobre a disputa do PED nos estados. E publicamos as tabelas com os resultados das eleições realizadas em 2001, 2005, 2007 e 2009.

Finalmente, esta edição de Página 13 traz, além de uma entrevista com o candidato Valter Pomar, artigos assinados por cada um dos demais candidatos à presidência nacional. Assim somos: um jornal de tendência, que não teme abrir suas páginas à diversidade partidária.

Os editores









Importante texto do Max Altman

O texto abaixo é de autoria do companheiro Max Altman, militante do PT e integrante da SRI do Partido.
Nas palavras dele, sua intenção é "contribuir para a discussão desse importantíssimo tema: Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva e como fazer desse assunto um dos temas centrais da campanha de 2014;, como eleger uma numerosa e qualificada bancada de parlamentares; como eleger uma boa bancada de constituintes, também numerosa e qualificada".
As pessoas que desejarem opinar a respeito do texto, podem fazê-lo diretamente para o Max Altman no correio eletrônico maxalt@uol.com.br



Reforma Política democrática e popular - caminhos para conquistá-la
Em princípio, nenhuma reforma política aprovada a menos de um ano do pleito poderá viger já nas eleições gerais de 2014. Há aquela pantomima da minireforma, agora aprovada, cosmética, que não toca em nenhuma questão essencial. Embora deputados do Partido dos Trabalhadores participem da comissão que trata do assunto, é bom que se ressalte que a direção do PT oportunamente decidiu repudiá-la.
No entanto a reforma política e eleitoral, diante de tudo a que se assistiu recentemente nas ruas e de todo o prejuízo à política, às instituições, à governabilidade e ao Estado causado nas últimas décadas, se apresenta, claramente, como a mãe de todas as reformas.
Mas como levá-la a cabo se as regras para a eleição do próximo Congresso  –  Câmara de Deputados e Senado  -  são favas contadas, as mesmas que atualmente vigoram?
São dois os campos a serem enfrentados e resolvidos.
Na campanha presidencial do próximo ano, o programa de governo do Partido dos Trabalhadores deve fazer constar com todas as letras e a nossa candidata, Dilma Rousseff, vocalizar com rigorosa nitidez, relembrando o primeiro dos pactos que propôs ao país ao ouvir a voz das ruas de junho de 2013, que um dos atos iniciais do novo governo será o pedido de convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva para tratar de ampla reforma política e eleitoral. Por certo, vozes se levantarão alegando inconstitucionalidade, mas outras vozes, de igual ou maior peso, deverão vir à cena para defender a plena legalidade constitucional desta convocação.
O artigo 1º, parágrafo único da nossa Constituição reza que “todo o poder emana do povo que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente nos termos desta Constituição”. Mais adiante, o artigo 14 afirma que “a soberania popular será exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto com valor igual para todos mediante:  I – plebiscito; II – referendo; III – iniciativa popular.”  A lei 9.709 de 18 de novembro de 1998 regulamentou este dispositivo constitucional assentando que “plebiscito e referendo são consultas formuladas ao povo para que delibere sobre matéria de acentuada relevância, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa. Dispõe ainda que “o plebiscito e o referendo são convocados mediante decreto legislativo por proposta de no mínimo um terço dos membros que compõem qualquer das casas do Congresso” e que “aprovado o ato convocatório, o presidente do Congresso Nacional dará ciência à Justiça Eleitoral que fixará a data e expedirá as instruções para a realização do plebiscito ou referendo.”
Simulemos um cronograma: 1. Em 02 de janeiro de 2015, a presidente reeleita Dilma Rousseff envia mensagem ao novo Congresso, que tomará posse em 1º de fevereiro de 2015, propondo a convocação de um plebiscito para que o povo delibere sobre a instalação de uma assembléia constituinte exclusiva para tratar de ampla e democrática reforma política e eleitoral. Nas considerações da mensagem pode-se sugerir que a pergunta a ser formulada no plebiscito seja, por exemplo, “Você está de acordo com a eleição de uma Assembleia Constituinte Exclusiva para tratar da reforma política e eleitoral que tenha por finalidade permitir ao cidadão maior participação na vida política do Brasil, fortalecer os partidos e o compromisso dos políticos com o programa de seu partido, afirmar a fidelidade partidária, evitar a influência do poder econômico?”;  2. Até 15 de março, ou seja, dentro do prazo de 45 dias, o Congresso discute e aprova o decreto legislativo, dando ciência à Justiça Eleitoral e solicitando que o plebiscito seja marcado para 15 de junho; 3. Dentro desse prazo de 90 dias, os partidos, universidades, escolas, organizações sindicais, populares, estudantis discutirão ampla e publicamente o conteúdo da reforma política e eleitoral, abordando questões como financiamento público, votação em lista, voto distrital, voto distrital misto, votação para o parlamento em dois turnos, possibilidade de revogação do mandato de cargos públicos, cláusula de barreira, coligações partidárias, voto obrigatório, etc.;  4. Tendo o eleitorado respondido positivamente ao plebiscito, a Justiça Eleitoral designa o dia 31 de agosto para a eleição dos constituintes. Nesse meio tempo, o Congresso decide que serão 261 (ou número ímpar próximo, aproximadamente a metade das cadeiras da Câmara Federal) os constituintes a serem eleitos, outros que não os parlamentares eleitos em outubro de 2014, na mesma proporcionalidade, por estado e por partido, prevista pela atual legislação e com mandato até a promulgação da Emenda Constitucional. Os partidos terão 30 dias para registrar os seus candidatos à Constituinte;  5. Os constituintes eleitos terão 120 dias para discutir, aprovar e promulgar o texto definitivo, até 30 de dezembro de 2015;  6. Promulgada a Emenda Constitucional, o Congresso dará ciência à Justiça Eleitoral do Decreto Legislativo, pedindo a convocação de referendo popular para o dia 29 de fevereiro de 2016, com o fim de ratificar ou não, a Emenda Constitucional aprovada e promulgada pela Assembleia Constituinte; 7. O novo texto constitucional entra imediata e plenamente em vigor.  
No entanto, para tudo o que acima se visualizou dê certo – e aí é o outro campo a levar em consideração - é absolutamente necessário que se eleja em outubro de 2014 uma vigorosa bancada representativa dos setores populares, democráticos e progressistas da sociedade.
No que diz respeito ao Partido dos Trabalhadores, há uma opinião geral disseminada entre os militantes de que os nossos representantes no Congresso Nacional, na atual legislatura, vêm tendo um desempenho político, intelectual e pessoal abaixo da expectativa.
Partindo do pressuposto de que o voto em lista é uma das principais bandeiras do PT na reforma político-eleitoral, ajamos como ela já estivesse em vigor. A direção nacional, coadjuvada pelas direções estaduais, deve listar 200 (duzentos) candidatos que gostaria ver eleitos, distribuídos proporcionalmente pelos estados e Distrito Federal. Companheiros e companheiras provados, preparados para o jogo político, porém dispostos a defender com firmeza o programa do Partido. Mas como o voto em lista não está em vigor, não haverá uma ordem de preferência. Os nomes serão alinhados por ordem alfabética. Será garantido democraticamente que outros candidatos, fora da lista preferencial, sejam inscritos e possam também concorrer, dentro das limitações da legislação eleitoral.
O Partido fará uma ampla campanha por todos os meios de comunicação e para que os seus 1,3 milhão de filiados votem e se desdobrem para ampliar a votação nos candidatos preferenciais indicados pelo partido.
Sabe-se que a eleição de um deputado federal, segundo o sistema atual, não sai por menos de alguns milhões de reais. Com a finalidade de otimizar a campanha, no que tange aos meios financeiros, toda a arrecadação de recursos deverá ser encaminhada a um caixa central eleitoral, controlada por uma pequena comissão indicada pela direção nacional.  Esses recursos não poderão ser confundidos com os recursos destinados à campanha presidencial. Os recursos arrecadados deverão ser distribuídos equanimemente entre os candidatos, ouvidas as direções estaduais, dando-se prioridade à lista preferencial indicada pelo Partido.  O candidato que quiser levantar algum recurso por sua conta terá o direito de fazê-lo, mas as grandes contribuições, acima de um determinado valor, deverão ser obrigatoriamente encaminhadas ao caixa central da campanha.
Resta apreciar a questão dos candidatos à Assembleia Constituinte que serão outros que não os candidatos eleitos para o Congresso. A Direção Nacional, apoiada nas direções estaduais, deverá escolher a dedo o postulante: juristas de peso, mas não só, lideranças populares, sindicais e estudantis, professores e cientistas renomados das diversas áreas de conhecimento – filosofia, economia, ciências políticas, sociologia, história, geografia, medicina, engenharia, artistas de prestígio, desportistas de escol, etc. Os candidatos terão ao seu dispor um ante-projeto de reforma política e eleitoral elaborado pelo Partido, porém aberto a discussão interna.
As regras internas para a campanha da constituinte serão similares às da campanha para os cargos legislativos.

Max Altman
outubro 2013

Vídeos da campanha A Esperança é Vermelha

Segue o link do canal no youtube com todos os vídeos.

http://www.youtube.com/channel/UCwRsvL0U1WK3oJ78ql0wK3g?feature=watch

Entrevista em diversos blogs