sábado, 27 de julho de 2013

Formação política no Foro de São Paulo

II Escuela de formación política del Foro de Sao Paulo
São Paulo, Brasil - 29 a 31 de julio de 2013

Día 29 de julio, lunes



9h00 - Saludos
- Presentación del proyecto de la Red de Fundaciones, Escuelas y Centros de capacitación, del primer curso y de cada una de las etapas
- Presentación de los participantes
- Selma Rocha, Escola Nacional de Formação Política, PT Brasil
- Iole Ilíada, Vicepresidente de la Fundación Perseu Abramo, Brasil
- Valter Pomar, Secretario Ejecutivo del FSP

10h00 - La integración en la historia de Nuestra América
- Nils Castro, PRD Panamá
- Dr. Roberto Regalado, profesor-investigador del Centro de Estudios Hemisféricos y sobre Estados Unidos, Universidad de La Habana

13h00 - Almuerzo

15h00 - La integración desde el punto de vista de Estados Unidos, Europa y Asia
- Saúl Escobar, PRD México
- Kjeld Jakobsen, PT Brasil

18h00 - Receso

19h00 - La cuestión migratoria y los procesos de integración
- Saúl Escobar, PRD México
- Paulo Sérgio de Almeida, Ministério do Trabalho e Emprego, Brasil
- Juan Andrés Mora, Subsecretario de Migración, Secretariado Nacional del PRD México

21h00 - Cierre del primer día



Día 30 de julio, martes



9h00 - Análisis de los diferentes instrumentos e instituciones del proceso de integración: CELAC, UNASUR, ALBA, MERCOSUR, Pacto Andino, SICA, Parlamentos etc.
- Dr. Rosinha, PT Brasil
- Carlos Ruiz, Prof. Dr. da UEPB e membro do Coletivo de Relações Internacionais do PT
- Oscar Laborde, Frente Transversal Argentina
- Álvaro Velásquez, ANN Guatemala
- Alejandro Rusconi, Mov. Evita Argentina

13h00 - Almuerzo

15h00 - La crisis actual del capitalismo, los nuevos acuerdos y procesos de integración en otras regiones del mundo y la integración latinoamericana
- Mariano Ciafardini, PSol Argentina
- Lourdes Regueiro, Centro de Investigaciones de Política Internacional del MINREX, Cuba
- Dr. Jorge Cadena, PRD México
- Cesar Villalona, Rep. Dominicana

18h00 - Receso

19h00 - Integración física y planificación
- Esther Bemerguy, militante do PT, Secretária da SPI e Coord. Nacional do COSIPLAN
- Jacinto Suárez, FSLN Nicaragua

21h00 - Cierre del segundo día



Día 31 de julio, miércoles



9h00 - Los desafíos presentes y futuros de la integración
- Emb. Samuel Pinheiro Guimarães, Brasil
- Ricardo Alemão Abreu, PCdoB
- Dr. Erick Villanueva Mukul, PRD México
- Roberto Conde, FA Uruguay

12h00 - Evaluación del curso y clausura
- Selma Rocha, Escola Nacional de Formação Política, PT Brasil
- Iole Ilíada, Vicepresidente da la Fundación Perseu Abramo, Brasil

- Valter Pomar, Secretario Ejecutivo del FSP

Programação simplificada

XIX Encuentro del Foro de São Paulo
Programación simplificada


Locales de referencia:

- Hotel Braston São Paulo (Rua Martins Fontes, 330 – Consolação)
- Novotel Jaraguá (Rua Martins Fontes, 71 – Consolação)
- Quadra dos Bancários (Rua Tabatinguera, 192 – Centro)
- Casa de Portugal (Av. da Liberdade, 602 – Liberdade)

29 de julio

09h - 21h: II Escuela de Formación Política del Foro de São Paulo (Hotel Braston São Paulo)

30 de julio

09h - 21h: continuación de la II Escuela de Formación Política del Foro de São Paulo (Hotel Braston São Paulo)

15h - 19h: reunión MERCOSUR (Novotel Jaraguá)

16h - 21h: V Encuentro de Juventudes del Foro de São Paulo (Novotel Jaraguá)

31 de julio

09h - 13h: continuación de la II Escuela de Formación Política del Foro de São Paulo (Hotel Braston São Paulo)

09h - 21h: Continuación del V Encuentro de Juventudes del Foro de São Paulo (Novotel Jaraguá)

15h - 19h: seminario sobre África y Oriente Medio (Novotel Jaraguá)
  
15h - 19h: seminario sobre BRICS y América Latina (Hotel Braston São Paulo)

15h - 19h: seminario sobre Estados Unidos (Novotel Jaraguá)

15h - 19h: seminario sobre Europa (Novotel Jaraguá)

1er de agosto

09h - 13h: Reunión de la Comisión de Fundaciones, Escuelas o Centros de Capacitación (Hotel Braston São Paulo)

09h - 19h: II Encuentro de Mujeres del Foro de São Paulo (Novotel Jaraguá)

15h - 19h: reunión de la regional Andino Amazónica (Novotel Jaraguá)

15h - 19h: reunión de la regional Cono Sur (Novotel Jaraguá)

15h - 19h: reunión de la regional Mesoamérica y Caribe (Novotel Jaraguá)

15h - 19h: reunión de la regional EE.UU. (Novotel Jaraguá)

15h - 19h: reunión de la regional Europa (Novotel Jaraguá)

15h - 19h: Encuentro de Parlamentarios (Novotel Jaraguá)

15h - 19h: Encuentro de Autoridades Locales y Subnacionales (Novotel Jaraguá)

19h: reunión de la Coordinación Socialista Latinoamericana (Hotel Braston São Paulo)
19h: Lanzamiento de libros de Nils Castro (Fundación Perseu Abramo) y Valter Pomar y Roberto Regalado (Fundación Perseu Abramo). Novotel Jaraguá.

19h: “Quien detiene Angela Merkel? Alemania frente a las elecciones de septiembre”, conversación con Wolfgang Gehrcke, Die Linke (Hotel Braston São Paulo)

2 de agosto

09h - 19h: III Seminario de balance de los gobiernos progresistas y de izquierda (Hotel Braston São Paulo)

09h - 15h: Talleres temáticos

Braston São Paulo      a) Políticas de salud mental y drogas
                                   b) Democratización de la información y la comunicación
c) Lucha por la paz y contra el militarismo

Novotel Jaraguá          d) Movimientos sociales y participación popular
e) Políticas sociales
f) Procesos electorales
            g) Pueblos originarios
h) Recursos naturales
i) Seguridad y soberanía agroalimentarias
j) Trabajadores de arte y cultura
k) Unión e integración latinoamericana y caribeña

15h - 19h: I Encuentro de afro descendientes del Foro de São Paulo (Novotel Jaraguá)

15h - 19h: Talleres temáticos

Braston São Paulo      l) Colonialismo y autodeterminación
                                    m) Defensa

Novotel Jaraguá          n) Lucha por la democracia en la Internet y en las redes sociales
                                    o) Desarrollo económico
                                    p) Estado, democracia y participación popular
                                    q) Medio ambiente y cambio climático
r) Migraciones
                                    s) Movimiento LGBT
                                    t) Movimientos sindicales
                                    u) Seguridad y narcotráfico

20h - 23h: Acto público de inauguración oficial del XIX Encuentro (Cuadra de los Bancarios)

3 de agosto

09h - 13h: Seminario sobre la contribución de Hugo Chávez para el proceso de cambio en América Latina y el Caribe (Casa de Portugal)

15h - 19h: Plenaria del XIX Encuentro - debate político general (Novotel Jaraguá)

20h: Fiesta de confraternización y actividad cultural

4 de agosto

09h: Plenaria del XIX Encuentro - informes, resolutivos, plan de trabajo y declaración final (Novotel Jaraguá)

13h: Acto de clausura (Novotel Jaraguá).

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Polêmica "organizativa"

Prezado companheiro Florisvaldo

Lendo a tua mensagem, vejo que não fui claro, assim por favor tome nota: a carta que enviei ao DN no dia 21 de julho, domingo, ontem, é um recurso

Fiz o recurso porque as mudanças aprovadas pela reunião do DN desrespeitam deliberações estatutárias e congressuais. 

O estatuto fala que os pagamentos individuais devem ser feitos 90 e 60 dias antes. O DN mudou estas datas.

O Congresso fala que as chapas devem ser pré-ordenadas. O DN mudou esta regra.

O Congresso fala que para votar, o filiado deve participar de alguma atividade partidária durante o ano anterior ao PED. No DN revogou-se esta exigência.

Não discuto o mérito destas mudanças. 

Como já expliquei ao DN e na carta, quando o IV Congresso aprovou estas regras, eu votei contra algumas.

Meu questionamento é de método.

Mudar deliberações estatutárias e congressuais é algo muito grave. Especialmente quando temos decisões aprovadas por 41 votos, num Diretório que tem 83 integrantes.

Voce tem todo o direito de achar que não há nenhuma afronta as deliberações do Congresso. E eu tenho o direito de achar que voce tergiversa. Mas isto é irrelevante. O problema é: 41 membros do DN não podem derrubar resoluções congressuais e estatutárias.

Voce tem todo o direito de achar que as mudanças ampliam a participação no PED. E eu tenho o direito de achar que as mudanças visam ampliar a votação de algumas chapas e candidaturas. Mas isto também é irrelevante. O problema é: 41 membros do DN não podem derrubar resoluções congressuais e estatutárias.

Voce tem todo o direito de achar que "toda a lei e toda a regra tem que dialogar com a realidade. Se a regra não está dialogando com a realidade é porque precisa ser repensada e foi o que aconteceu". O problema é que o DN não "repensou", ele revogou deliberações estatutárias e congressuais. 

Reitero o que disse no DN e na minha carta: reconheço a existência de problemas e por isto mesmo propus alternativas. Infelizmente, parece que o companheiro e outros entraram na reunião do DN com uma lista de decisões a aprovar e as aprovaram, tal e qual haviam decidido. 

Pior: voce usa a tentativa de mediação que fiz, as alternativas que apresentei, para tentar desqualificar minha reclamação. Mas vou tomar esta crítica como elogio. 

Para que voce entenda o que estou querendo dizer: na reunião da executiva nacional do PT, na qual aliás eu não estive presente, foi analisada proposta minha segundo a qual os integrantes das chapas nacionais tivessem até o dia 12/8 para confirmar que estão em dia com suas contribuições partidárias. Eu não estava na reunião, mas segundo me disseram a proposta foi aprovada por unanimidade na CEN; posteriormente a proposta foi referendada, também por unanimidade, no DN. 

Esta é a diferença entre nós: se a realidade impõe uma mudança tão grave, façamos isto por consenso. Não por estreita maioria. Muito menos em benefício exclusivo dos que alteram a regra. 

Por fim, alterar a lista pré-ordenada e a distribuição dos fundos entre as chapas concorrentes não amplia a participação no PED. Aprovar estas mudanças, junto com as outras já citadas, constitui um pacote regressivo. É este conjunto da obra, a soma das partes, não cada parte tomada individualmente, que me obriga a fazer o recurso. 

Um abraço e aguardo uma resposta acerca de como será analisado meu recurso

Valter Pomar

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Companheiros(as),
 
 
Envio o texto abaixo solicitado pelo companheiro Florisvaldo Souza, Secretário Nacional de Organização.


Aos companheiros e companheiras do DN
Em relação ao texto do Companheiro Valter Pomar entendo que:
O companheiro tem todo o direito de expressar sua opinião e recorrer das decisões tomadas pela maioria do DN. E se for recebido o recurso, o DN tem que debater com toda a tranquilidade. Mas, afirmar que não houve tentativas de buscar acordos e consensos em torno de propostas mediadas sobre os temas não é verdade. Eu mesmo procurei as diversas forças políticas, inclusive o companheiro, no sentido de buscar um diálogo e entendimento que permitisse superar alguns entraves que não só na minha compreensão, mas na compreensão de muitos dirigentes nacionais e estaduais, alguns pontos do regulamento, deveriam ser análisados, pois impediam uma maior participação no PED. (Mais interessante ainda é que o companheiro se recusou a dialogar e no debate ficou tentando alterar coisas que também quebravam a regra. Ai eu pergunto? Se as propostas dele tivessem sido aprovadas iriam valer?). Acho estranho ainda porque ele propos uma mudança no regulamento na última Execut iva sobre  a regra que alterava o pagamento das contribuições partidárias de integrantes das chapas. Regra esta que também foi referendada pelo DN, embora o companheiro não a tenha mencionado em sua carta (diga-se alteração de uma regra consolidada no PT desde o primeiro PED em pleno andamento do jogo).
Sobre as decisões do DN, entendo que toda a lei e toda a regra tem que dialogar com a realidade. Se a regra não está dialogando com a realidade é porque precisa ser repensada e foi o que aconteceu.
Por fim, vejo na decisão do Diretório uma preocupação muito grande com o atual momento político do país e uma vontade muito grande de realizar um PED com a maior participação possível dos filiados e os ajustes que foram feitos tenho certeza que contribui com este objetivo.
Sobre o conteúdo das mudanças entendo que não há nenhum afronta as deliberações do Congresso como:
Sobre as finanças - Não houve alteração no princípio da importância das contribuições financeiras - Pra votar o filiado tem que contribuir financeiramente de acordo com a tabela existente! O que aconteceu no DN foi prorrogar em 18 dias o prazo de pagamento permitindo assim um tempo maior para o filiado procurar o seu DM e cumprir com sua obrigação.
Sobre a pré-ordenação das chapas - Houve um entendimento amplo de que o PED é um processo e que o mais correto é ordenar as chapas no período entre a votação e a posse, não podendo mais haver alteração após o fim do processo que se encerra com a posse.
Sobre as atividades,  me parece, é o que está sendo mais questionado pelo companheiro, o texto do Congresso diz o seguinte "Será necessário a participação do filiado em pelo menos uma atividade partidária no ano para votar e ser votado". O DN ao regulamentar criou regras burocráticas que ná prática não estão funcionando e o resultado até o momento, foi o registro de pouco mais de 20.000 filiados no SISFIL, isto porque dos 70.000 registrados até o momento, 50.000 já estão em atividade permanente. Este registro não está acontecendo por muitas dificuldades operacionais nos Diretórios Municipais. (Bom que se diga que não temos uma estrutura profissionalizada) Portanto não houve quebra de princípio do Congresso e sim a avaliação de que a regulamentação criada pelo próprio Diretório Nacional, não estava funcionando adequadamente.
abraço fraternal a todos e todas.
Floris
florispt.zip.net
florispt.com.br

Ao Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores

Companheiras e companheiros integrantes do DN

Acabamos de realizar, no sábado 20 de julho, uma reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores.

Nesta reunião, a maioria dos presentes alterou algumas regras do Processo de Eleição das Direções.

O prazo para pagar o PT foi ampliado, para 30/8 (cotizações individuais) e para 30/9 (cotizações coletivas).

Alterou-se a distribuição dos recursos do fundo partidário: antes, 50% eram divididos igualmente entre todas as chapas e candidaturas; agora, só 20% serão divididos igualmente.

As chapas não precisarão mais ser pré-ordenadas. Agora elas poderão ser pós-ordenadas, ou seja, o filiado vota na lista, mas sem saber em qual ordem os componentes desta lista farão parte do DN.

Além da anterior, revogou-se a seguinte resolução do IV Congresso: "será necessário participação do filiado em pelo menos uma atividade partidária no ano para votar e ser votado".

Estas alterações foram feitas com um argumento principal: é preciso ampliar o número de pessoas que vão votar no PED.

Certamente, todos queremos que centenas de milhares de filiados participem do PED.

Mas é preciso quantidade com qualidade. E não se pode, em nome da quantidade, violentar as resoluções aprovadas pelo Congresso.

Durante a reunião, eu e vários outros integrantes do DN apresentamos alternativas que buscavam preservar as resoluções congressuais. 

Em nenhum momento adotamos uma postura inflexível, frente às preocupações apresentadas pela maioria.

Infelizmente, a maioria não buscou o consenso, a mediação.

Isto me coloca, e acredito que coloca outros dirigentes partidários, diante de um dilema.

Afinal, como se costuma dizer, é muito grave alterar as regras do jogo, no meio do jogo. Especialmente quando isto se faz sem consenso ou pelo menos amplíssima maioria.

Mais grave ainda é que estas alterações resultem em benefício evidente para a maioria relativa que aprovou as respectivas alterações.

E muito pior é que esta alteração implique na revogação de decisões adotadas pelo recente IV Congresso partidário.

Podemos ter diferentes opiniões sobre o mérito do que foi aprovado pelo DN. No IV Congresso, eu mesmo votei contra algumas das regras que a maioria relativa do DN agora decidiu revogar. Mas do ponto de vista do método, abriu-se nesta reunião do DN um precedente que considero inaceitável.

Foram desrespeitados dois preceitos básicos da democracia partidária: o caráter supremo das resoluções congressuais e a possibilidade da minoria converter-se, com base nas regras estatutárias, em maioria.

Afinal, a mesma maioria que alterou as regras hoje, poderá fazer novas alterações amanhã.

Levando isto em conta, e considerando o que prevê nosso estatuto, solicito formalmente ao Diretório Nacional que suspenda as decisões aprovadas e que busquemos uma solução consensual para os problemas apontados acima.

Peço aos companheiros e companheiras que lembrem que há determinadas regras que não podem ser quebradas, há determinados rios que não podem ser atravessados, sem que se tire disto as devidas consequências.

Especialmente nesta conjuntura tão turbulenta que o país e o PT atravessam, é essencial evitar este tipo de situação.

Saudações petistas

Valter Pomar
21 de julho de 2013


domingo, 21 de julho de 2013

Preocupante reunião do DN


A reunião do Diretório Nacional (DN) ocorrida neste sábado, 20 de julho, em Brasília, foi a primeira desde o início das manifestações que tomaram conta das ruas de todo o Brasil.
Frente às mobilizações de centenas de milhares de pessoas, marcadas principalmente pela presença de jovens, o governo Dilma tomou uma série de iniciativas, dentre elas a defesa enfática de uma reforma política, a ser definida por meio de um plebiscito nacional.
O Partido dos Trabalhadores, por sua vez, intensificou a campanha pela reforma política, que já havia sido lançada no início deste ano. E foi mantido o Processo de Eleições Diretas (PED 2013), que renovará suas direções em todos os níveis.
É neste contexto que se deu a reunião do DN. Mas o centro da pauta do DN foi a crise gerada pelo deputado Cândido Vaccarezza; e a alteração tardia e casuística nas regras do PED.
Página 13 entrevistou Valter Pomar, membro do Diretório Nacional do PT e candidato à presidência nacional do Partido pela chapa “A esperança é vermelha”, acerca destes e de outros assuntos.

Página 13. O PT foi surpreendido pela indicação, feita pelo presidente da Câmara, do deputado petista Cândido Vaccarezza para coordenar o “grupo de trabalho para a reforma política e consulta popular sobre o tema”. Como foi este debate no DN?
Valter Pomar. Na minha opinião, a posição mais acertada teria sido denunciar a manobra feita pelo presidente da Câmara, ficar fora deste grupo de trabalho e concentrar energias em duas outras frentes: na coleta de 171 assinaturas, dentre os parlamentares, para apresentarmos um projeto de Decreto Legislativo que viabilize o plebiscito; e na coleta de assinaturas, junto a população, de nosso Projeto de Lei de Inicativa Popular.
A bancada, entretanto, optou por participar do grupo de trabalho e indicou para tal tarefa o deputado Henrique Fontana, que foi o relator da mais recente tentativa de reforma política.
Para surpresa geral, o presidente da Câmara, que é do PMDB, indicou o deputado Vaccarezza para coordenar o grupo de trabalho. Depois "concedeu" ao PT uma segunda vaga. O deputado Fontana renunciou a esta indicação e a bancada escolheu o deputado Ricardo Berzoini para seu lugar no grupo de trabalho.
Além disso, o líder da bancada, deputado José Guimarães, divulgou uma nota deixando claro que é Berzoni, e não Vaccarezza, quem fala em nome do Partido.
A posição do Diretório Nacional é respaldar a postura da bancada, ou seja, deixar claro que Vaccarezza não expressa o pensamento da bancada, nem do PT.

Página 13. Não teria sido o caso de aplicar algum tipo de sanção, já que Vaccarezza aceitou a coordenação do grupo de trabalho contra a vontade do PT e ainda deu declarações públicas contrárias ao que o partido defende?
Valter Pomar. O correto teria sido o Diretório Nacional aprovar uma resolução determinando ao deputado Vaccarezza que renunciasse ao grupo de trabalho, onde ele está representando o PMDB. Infelizmente, esta posição não foi aprovada: 43 membros do DN se contentaram em reafirmar a posição da bancada, houve duas abstenções e 27 dirigentes votaram a favor da determinação de que Vaccarezza renunciasse.
Os argumentos contrários a resolução determinando que Vaccarezza renunciasse são de vários tipos. Alguns acreditam que Vaccarezza, no final das contas, defenderá a posição do PT. Para tentar provar isto, apresentaram uma nota pública assinada por Vaccarezza, onde ele afirma que defende as posições do PT. É bom dizer que Vaccarezza mesmo não apareceu na reunião do Diretório e que, em sua nota pública, o deputado não fala uma única palavra sobre um dos pomos da discórdia, a saber: a reforma vai valer para 2014 ou não? Outros acham que não se deve adotar medidas de teor punitivo. Quem pensa assim comete um ato falho, pois nossa proposta de resolução apenas “determinava”: quem é contra medidas punitivas é porque imagina que Cândido Vaccarezza não daria a mínima para a determinação partidária. Finalmente, há os que acreditam que aprovar uma resolução deste tipo seria fazer "luta política". Ou seja: o PMDB pode fazer luta política, inclusive luta interna no PT, mas a direção do PT não pode se defender.

Página 13. O que o DN aprovou, para enfrentar os desafios da nova conjuntura?
Valter Pomar. Esta pergunta ainda não pode ser respondida com exatidão. Explico. A reunião não começou debatendo conjuntura, mas sim ouvindo informes, depois discutiu a crise causada pelo Vaccarezza, em seguida votou alterações no regulamento do PED, deixando para o final o debate sobre conjuntura. Havia uma proposta de texto base (http://valterpomar.blogspot.com.br/2013/07/proposta-apresentada-ao-dn-do-pt.html) elaborado pelo grupo de conjuntura da Fundação Perseu Abramo, já contendo algumas emendas apresentadas por integrantes do Diretório. Mas este texto não foi consenso e, ao final, não foi submetido à votação. Uma comissão, composta por Ricardo Berzoini, por mim e por Carlos Henrique Árabe vai consolidar as emendas apresentadas e o texto resultante será aprovado, ou não, pela comissão executiva nacional do Partido.
Entretanto, o debate travado no DN acerca da conjuntura mostrou, na minha opinião, que uma parte dos integrantes do Diretório Nacional não entendeu corretamente a profundidade da mudança na situação política nacional, a partir das mobilizações de junho. O que está relacionado, por sua vez, com as decisões adotadas pelo Diretório acerca do PED.

Página 13. Qual a avaliação que o PT faz sobre a participação dos filiados neste processo e qual a importância do PED neste momento?

Valter Pomar. Me parece que todos consideram o PED muito importante, como foi por exemplo em 2005. E há uma preocupação com o pequeno número de pessoas que, hoje, estão em condições de votar. Há controvérsias sobre qual seria este número: há quem fale em 10 mil, eu acho que o número correto ultrapassa os 100 mil. A preocupação com o número é especialmente forte dentre aqueles que se habituaram, no último período, a ganhar as disputas internas mobilizando de maneira tradicional os filiados. Para deixar claro: aqueles que pagam para os filiados votarem, que carregam os filiados para votar, que tratam os filiados como massa de manobra, que não estimulam a formação e o debate político. Uma aliança entre estes, com alguns que estão legitimamente preocupados, levou o DN a aprovar mudanças no regulamento, com o objetivo de aumentar o número de potenciais eleitores no PED.

Página 13. Quais foram as principais alterações aprovadas pelo DN, no regulamento do PED?
Valter Pomar. O prazo para pagar o PT foi ampliado, para 30 de agosto (no caso de cotizações individuais) e para 30 de setembro (no caso de cotizações coletivas). Alterou-se a distribuição dos recursos do fundo partidário: antes, 50% eram divididos igualmente entre todas as chapas e candidaturas; agora, só 20% serão divididos igualmente. As chapas não precisarão mais ser pré-ordenadas. Agora elas poderão ser pós-ordenadas, ou seja, o filiado vota na lista, mas sem saber em qual ordem os componentes desta lista farão parte do DN. Além da anterior, revogou-se a seguinte resolução do IV Congresso: "será necessário participação do filiado em pelo menos uma atividade partidária no ano para votar e ser votado". Todas estas alterações foram feitas com um argumento principal: é preciso ampliar o número de pessoas que vão votar no PED. Certamente, todos queremos que centenas de milhares de filiados participem do PED. Mas é preciso quantidade com qualidade. E não se pode, em nome da quantidade, violentar as resoluções aprovadas pelo Congresso.

Página 13.  O Diretório Nacional pode alterar as regras do PED, mesmo as que foram aprovadas pelo IV Congresso do PT?
Valter Pomar. O Diretório não pode alterar aquelas partes do regulamento que reproduzem a resolução congressual. Especialmente neste caso, em que as alterações foram aprovadas por 41 votos, que é menos do que a maioria absoluta dos membros do DN. Ou seja, não houve nem consenso, nem maioria qualificada, nem mesmo maioria de 50% mais 1 dos membros do Diretório Nacional. O que vimos foi uma minoria aprovar mudanças nas regras. O pretexto foi aumentar o número de filiados que poderão votar no PED. Mas o que isto tem que ver com as listas pré-ordenadas, ou com a distribuição de recursos para as chapas? Ademais, vamos dar uma de ingênuos e acreditar que estas mudanças não foram introduzidas para favorecer a atual maioria relativa do DN. Ainda assim, vale perguntar: aberto o precedente, que garantia temos de que novas alterações não serão feitas?

Página 13. Que implicações um precedente como este, alterar decisões congressuais, trazem para a democracia interna do partido?
Valter Pomar. É muito grave alterar as regras do jogo, no meio do jogo. Especialmente quando isto ocorre sem consenso ou pelo menos amplíssima maioria. Mais grave ainda é que estas alterações resultem em benefício evidente para a maioria relativa que aprovou as respectivas alterações. E muito pior é que esta alteração implique na revogação de decisões adotadas pelo recente IV Congresso partidário.
Podemos ter diferentes opiniões sobre o mérito do que foi aprovado. Em alguns casos, é bom dizer, no Congresso do Partido eu votei contra algumas das regras lá aprovadas e agora alteradas. Mas o problema não é de mérito, o problema é de método: abriu-se um precedente inaceitável. Afinal, a mesma maioria que alterou as regras hoje, poderá fazer novas alterações amanhã.
Ficam revogados, assim, dois preceitos básicos da democracia partidária: o caráter supremo das resoluções congressuais e a possibilidade da minoria converter-se, com base nas regras estatutárias, em maioria. Pois a maioria pode mudar a qualquer momento as regras em seu favor.
Como disse um companheiro, prevaleceu o seguinte critério: “O estatuto não vale. Revogam-se disposições em contrário”.

Página 13. Às vésperas de 2005, dizia-se que a maioria então constituída no DN impedia o debate interno, que as reuniões serviam somente para validar as decisões tomadas no grupo majoritário. Com a crise, a direção seguinte trouxe mais equilíbrio entre as forças e arejou o PT internamente. Tendo em vista estas decisões sobre o PED, estamos vendo a repetição daquele quadro?
Valter Pomar. Esta votação mostrou, sim, a volta de um método de operar que lembra os piores momentos do velho "campo majoritário". Durante a reunião, eu e vários outros integrantes do DN apresentamos alternativas que buscavam preservar as resoluções congressuais. Em nenhum momento adotamos uma postura inflexível frente às preocupações apresentadas pela maioria. Infelizmente, a maioria não buscou o consenso, a mediação. Numa das votações, aliás, deu-se algo notável: todos os candidatos à presidência nacional votamos a favor da manutenção de uma regras aprovado pelo IV Congresso; e fomos todos derrotados.

Página 13. É possível reverter esta situação, para que o PED seja capaz de construir uma nova estratégia para o PT?
Valter Pomar. Possível é e vamos lutar por isto. Mas há um agravante a considerar: a mesma reunião que violentou o regulamento do PED, não votou uma resolução sobre os desafios da conjuntura. A rigor, ficaram valendo as resoluções anteriores da executiva nacional do PT, que são corretas. Mas o DN, ao invés de dar um passo além, marcou passo. Ou, para ser franco, considerando o caso Vaccarezza e o PED, deu um passo atrás.

Página 13. No final deste ano haverá o V Congresso do PT. Como os militantes podem ter certeza de que suas deliberações serão respeitadas, com precedentes como este?

Valter Pomar. Se estas decisões não forem suspensas e revistas, não há como ter certeza. Pois se as resoluções do IV Congresso não são para valer, qual a garantia de que as do V Congresso vão valer? O tema de fundo é o seguinte: precisamos eleger uma direção capaz de dar conta de uma nova situação política, o que inclui levar em devida conta os ensinamentos das mobilizações de junho. E as ruas estão insatisfeitas com o estilo PMDB de fazer política. Infelizmente, tem gente dentro do PT que adota este estilo. Vaccarezza não é o único.

sábado, 20 de julho de 2013

Proposta apresentada ao DN do PT


Projeto de resolução sobre a situação política

O texto a seguir foi apresentado para debate na reunião, realizada em 16 de julho, do grupo de conjuntura da FPA. Posteriormente, incluíram-se emendas feitas pelos integrantes do grupos.  Foi distribuído para debate no Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores.

O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, reunido no dia 20 de julho de 2013, analisou a conjuntura nacional e aprovou a seguinte resolução.

1.  As manifestações de junho geraram uma nova situação política no país. Milhões de brasileiros e brasileiras se lançaram às ruas, na maior escalada de mobilização social desde a campanha pelo impedimento do ex-presidente Fernando Collor, em 1992.

2. Política e socialmente heterogêneas, e assumindo diferentes formas e conteúdos em cada etapa, as manifestações tiveram como principal característica o caráter explosivo e espontâneo, surgindo à margem das instituições tradicionais de representação e organização.

3. Tomado de conjunto, o movimento foi e continua a ser disputado entre as forças que exigem mais reformas, com maior profundidade e velocidade, e a oposição de direita, que pretende conduzir as ruas para se oporem ao projeto democrático e popular.

4. Essa contraposição esteve presente nas bandeiras de luta desfraldadas nas manifestações. As reivindicações pela redução da tarifa de transporte urbano, por saúde e educação de qualidade, expressam anseios que remetem para o fortalecimento do Estado, a melhoria dos serviços públicos, o aumento dos gastos sociais e a universalização de direitos. Complementam-se com a crítica e a resistência à criminalização dos protestos e à violência policial que caracterizaram a intervenção de algumas administrações estaduais, especialmente a do governador paulista Geraldo Alckmin e a do carioca Sérgio Cabral.

5. Contra esta agenda de viés progressista, mesmo que em vários casos crítica a posições assumidas por governos e parlamentares do campo orgânico de esquerda, o bloco conservador buscou impor uma narrativa de oposição a presidente Dilma Rousseff e ao PT, particularmente através do discurso difundido pelos meios tradicionais de comunicação e a ação de grupos ultradireitistas. Seus principais instrumentos foram a manipulação do combate à corrupção, a agressão contra os partidos políticos e a imputação ao Palácio do Planalto de problemas verbalizados por multidões.

6. Politicamente, a principal indicação das jornadas de junho foi a rejeição popular às instituições herdadas da transição conservadora à democracia e, de maneira geral, à conduta predominante entre os políticos profissionais. Indicou, também, graves equívocos políticos na prática do PT, de outros partidos e organizações sociais, sobre as quais cabe uma autocrítica profunda, acompanhada de uma reorientação em nossa atuação. Ao mesmo tempo, que as manifestações tenham sido pela ampliação de direitos - e não contra a supressão destes direitos, como ocorre em diversos países do mundo - é uma confirmação dos êxitos de dez anos de administração federal petista.

7. Apesar do pano de fundo das manifestações estar nas condições materiais de vida das grandes metrópoles, exemplificadas pela má qualidade e carestia do transporte público, o caldo de cultura e a confluência dos protestos têm raiz política. A repressão desatada pela PM paulista, na marcha do dia 13 de junho, funcionou como catalizadora do mal-estar com o ordenamento institucional. A violência do Estado, afinal, é a face mais perversa do autoritarismo.

8. A Constituição de 1988, marcada por importantes avanços nos direitos econômicos e sociais, deixou praticamente intocados muitos dos mecanismos concebidos, no outono da ditadura, para preservar o poder das oligarquias. O financiamento empresarial das campanhas eleitorais, a proibição de doações sindicais, o voto uninominal, a desproporção das representações estaduais, o funcionamento oligárquico do Senado, o nepotismo e a corrupção são alguns dos ingredientes que levaram à crise de legitimidade do sistema político.

9. A percepção de esgotamento e putrefação de parte das atuais instituições políticas é a síntese da insatisfação que se multiplica em inúmeras reivindicações, que não encontram canais apropriados, na ordem atual, para serem convertidas democraticamente em políticas de Estado.

10. A presidente Dilma Rousseff, ao lançar a proposta de plebiscito para a abertura de processo constituinte, foi ao âmago do problema: a reforma política, vertebrada pela intervenção direta da cidadania, é a questão central para resolver contradições claramente desnudadas nas manifestações populares.

11. As manifestações confirmam, a partir do ângulo partidário, que a estratégia de mudanças nos marcos da velha ordem institucional revela fortes sinais de fadiga.

12. Diante da conquista do governo federal, em 2002, sem a formação de uma maioria parlamentar de esquerda, o PT e o governo optaram por executar uma política de reformas baseada em alianças que não se propunham a romper com os limites da institucionalidade conservadora.

13. O cálculo político, feito naquele momento, considerou que a prioridade ao debate nacional sobre reforma política e radicalização democrática do Estado poderia levar o bloco progressista à paralisia e ao isolamento. O caminho trilhado foi dar centralidade a programas que debelassem paulatinamente o modelo rentista, reconstruíssem a estrutura do Estado, melhorassem a distribuição de renda e expandissem o mercado interno de massas como motor da recuperação econômica.

14. A eleição do presidente Lula, nas circunstâncias de então, oxigenava o poder público e criava as possibilidades para mudanças imediatas que atendessem anseios dos trabalhadores e demais camadas populares. Sua recondução ao Palácio do Planalto, em 2006, sucedida pela vitória da atual presidente em 2010, parecia fornecer suficiente combustível político para o avanço do projeto liderado pelo Partido dos Trabalhadores.

15. As dificuldades começaram a ser crescentes, porém, quando o sucesso da primeira geração de reformas, baseada na reorientação do orçamento nacional e dos fundos públicos, colocou o país em outro patamar de desafios.

16. Novos aportes para a expansão de programas e direitos sociais passaram a depender da redução na transferência de recursos ao capital financeiro através dos juros da dívida pública, da diminuição dos lucros corporativos nos contratos com o governo e nos serviços públicos, da repartição das riquezas naturais e de um regime de tributação que aumentasse a contribuição dos setores mais ricos.

17. A pressão das elites rentistas, em ambiente de menor crescimento econômico, dirige-se no sentido oposto: corte nos gastos públicos, maior superávit fiscal, aumento dos juros, maiores taxas de retorno para seus investimentos. O principal porta-voz dessa trava ao desenvolvimento está nos monopólios de comunicação, mas freios fundamentais são estabelecidos pela hegemonia conservadora sobre as principais instituições do Estado, como o Congresso Nacional e a Justiça.

18. Essa barricada de interesses, representações e classes ergue obstáculos para a ação do governo, reduz o ritmo das melhorias sociais e gera frustração no atendimento das reivindicações. Além da perda de credibilidade, o sistema político vigente bloqueia as chances para a formação de uma maioria mais progressista e estrategicamente articulada com o projeto que preside o país. 

19. A resistência dos conservadores é acompanhada de intensa luta ideológica: a direita e a extrema-direita tem buscado ampliar sua influência na sociedade brasileira.

20. A condução de uma nova etapa do projeto popular exige retificações na linha política do PT e do governo, que se reflitam tanto na atualização do programa quanto na consolidação de estratégia cujo vértice seja a radicalização da democracia.

21. A escalada de mobilizações, ao mesmo tempo em que revela o exaurimento das instituições e a redução de espaços para o avanço das reformas dentro da velha ordem, abre novas e melhores oportunidades para que o PT e o governo recoloquem, no topo de sua agenda, o aprofundamento da democracia e das reformas sociais.

22. A principal tradução dessa estratégia é a bandeira da reforma política com participação popular. Tendo em vista a posição do Congresso Nacional, recusando-se a realizar a reforma política e também recusando-se a convocar um plebiscito, o Partido dos Trabalhadores buscará constituir uma frente de esquerda, para desencadear uma campanha em favor de uma Iniciativa Popular que, através de plebiscito, convoque uma Assembleia Nacional Constituinte exclusivamente dedicada à reconfiguração da ordem política e do sistema eleitoral, cujas deliberações sejam posteriormente submetidas a referendo da cidadania. O DN do PT fecha questão e orienta nossas bancadas parlamentares a defender a reforma política com efeitos já nas eleições 2014 e lançando mão de instrumentos de participação e consulta popular, como o plebiscito.

23. Esse é o caminho que apontamos para superar definitivamente os entulhos autoritários do Estado. Um de nossos objetivos principais é a ampliação das formas de participação popular na formulação, acompanhamento e avaliação das políticas publicas em seus diferentes níveis (um exemplo: a criação dos conselhos estaduais de comunicação social, previstos em 10 constituições estaduais há mais de 20 anos e só funcionando na Bahia). Também queremos eliminar o financiamento empresarial das campanhas, adotar o voto em lista partidária preordenada e estabelecer um regime de plena proporcionalidade na representação parlamentar. Também é nossa batalha a criação de mecanismos para a ampliação da participação popular, como a possibilidade de plebiscitos impositivos convocados por número determinado de eleitores e pelo presidente da República, além de adoção do voto popular para impedimento de mandatos parlamentares e governamentais.

24. A reforma política, com a proibição e criminalização do financiamento empresarial privado para campanhas eleitorais e partidos políticos, além de medida democratizante, é parte essencial da luta contra a corrupção. Trata-se de deter a chamada americanização da política brasileira, que mimetiza os piores hábitos da política dos Estados Unidos, dominada pelo dinheiro das grandes empresas, pelo oligopólio da comunicação e pela ditadura do marketing eleitoral.

25. A democratização dos meios de comunicação, com aplicação do princípio constitucional que veda a existência de monopólios midiáticos e a expansão de instrumentos para o exercício plural da liberdade de imprensa e expressão, representa componente fundamental entre as tarefas democráticas de nosso programa. O Diretório Nacional conclama o governo a adotar imediatamente medidas que permitam avançar nessa agenda, tais como o fortalecimento da EBC, a constituição de um fundo de apoio aos pequenos e médios veículos, a aprovação do marco civil da internet e a regulamentação democrática das rádios comunitárias, entre outras. O PT apoia o PLIP – Projeto de Lei de Inciativa Popular de Lei da Comunicação Social Eletrônica, proposto pelo FNDC, cuja coleta de assinaturas está em andamento.

26. A reforma política, nestas circunstâncias, é a porta de entrada para uma nova geração de mudanças, que permita um salto adiante no desenvolvimento sustentável do país. O eixo articulador para essa agenda do futuro é a reforma tributária progressiva, que reduza impostos cobrados dos setores assalariados de menor renda e sobre o consumo, elevando a carga fiscal sobre os mais ricos e as grandes fortunas.

27. Nosso compromisso fundamental é com a universalização de direitos, o aumento de emprego e a renda, a melhoria da saúde e da educação, a resolução dos problemas das grandes metrópoles. O enfrentamento dessas questões pressupõe forte movimento de redistribuição da renda e riqueza, que fortaleça a capacidade de investimento de Estado, multiplique oportunidades para todos e reduza mais velozmente a brutal desigualdade que adoece nossa nação.

28. As alianças para a efetivação desse programa democrático vão além dos acordos parlamentares necessários à sustentação do governo. Englobam todos os partidos de esquerda, movimentos sociais e coletivos autônomos, mesmo aqueles perfilados fora do campo governamental, que estejam dispostos a cerrar fileiras para defender uma pauta mínima de reformas. Neste sentido, o PT buscará recompor --em novas bases e cenário-- o Fórum Nacional de Lutas, reunindo partidos e movimentos sociais comprometidos com as mudanças que o país necessita. Neste mesmo sentido, o DN saúda a iniciativa da presidenta Dilma Rousseff, de realizar audiências com os movimentos sociais.

29. O Partido dos Trabalhadores, no curso da conjuntura aberta após junho, além de principal agremiação de apoio à administração da presidente Dilma, cuja autoridade deve ser preservada e defendida, deve se reafirmar como representante dos setores populares e seus interesses no interior do governo de coalizão. Especial atenção deve ser dada ao debate sobre os rumos da economia - até porque a redução do crescimento incide negativamente no ambiente político e social.

30. O Diretório Nacional chama à mobilização da sociedade para defender as políticas de saúde, de educação e de mobilidade social, entre outras propostas do governo. Destacamos a defesa do SUS, do Programa Mais Médicos e da fiscalização rigorosa dos planos privados de saúde, além da aprovação de 100% dos royalties do pré-sal para educação.

31. A atuação das instâncias partidárias e dos militantes petistas nos movimentos sociais e nas lutas dos trabalhadores deve ser fortalecida, renovada e incrementada. O Diretório Nacional convoca o partido a se empenhar para a construção da pressão social, de fora para dentro das instituições, no sentido de defender as reivindicações dos trabalhadores, a implementação das reformas democráticas e a continuidade do processo de mudanças.

32. O PT saúda o Dia Nacional de Luta, realizado em 11 de julho por convocação das centrais sindicais e movimentos sociais. Nossa avaliação é que foi passo bem-sucedido para o reflorescimento e a consolidação da mobilização organizada e unitária como ferramenta prioritária da intervenção do campo progressista na atual conjuntura brasileira.

33. As tarefas do partido, no âmbito de orientação voltada para o protagonismo popular, exigem modificações no modelo de organização, formação e comunicação. A preparação de campanhas eleitorais e a intervenção na institucionalidade devem dividir espaço e tempo com a batalha de ideias, a ação nas lutas sociais e a mobilização dos setores populares, especialmente a juventude. As jornadas de formação política previstas para o segundo semestre de 2013 devem ser colocadas a este serviço. Utilizar as  TICs e, em especial, as redes sociais como forma de interação com os jovens.

34. Cabe reconstruir as nossas relações com as bases sociais, especialmente nos locais de trabalho, nas escolas, nos locais de moradia. Esta orientação de volta às bases deve se estender aos parlamentares e aos governantes, a quem cabe potencializar os mecanismos de consulta e participação popular. Reconstruir os vínculos populares inclui, também, o cumprimento rigoroso de nossos princípios. Implica, ainda, entrar em conflito e inclusive romper com governos de centro-direita nos quais o PT participa hoje.

35. Além das iniciativas organizativas internas e das ações empreendidas pelas organizações sociais, às quais o PT deve se solidarizar e intervir a partir da atividade unitária de seus militantes nas frentes de massa a que pertencem, o Diretório Nacional considera fundamental que as forças partidárias e o próprio governo se engajem na mobilização da sociedade, na disputa político-ideológica contra o conservadorismo e na defesa pública das reformas democráticas. 

36. As próximas semanas e meses serão de intensa atividade --incluindo aí a Jornada da Juventude, em recepção ao Papa Francisco, a nova fase de julgamento da AP 470 no STF, a continuidade dos preparativos para a Copa do Mundo, as inflexões necessárias na política econômica e na composição do ministério, assim como a aceleração das articulações eleitorais de 2014-- que exigirão muito do conjunto do Partido dos Trabalhadores, de nossos governantes, parlamentares, lideranças sociais, intelectuais e militância.

37. Especial atenção deve ser dada à comemoração do Grito dos Excluídos e da Independência, no dia 7 de setembro. O Diretório Nacional produzirá um texto para ampla distribuição, durante a comemoração, reafirmandoa defesa de nosso projeto, de nossos governos, de nossos partidos e organizações, mas principalmente de nossas bandeiras, a começar pela reforma tributária, pela reforma política, pela democratização da comunicação e por um novo ciclo de desenvolvimento econômico, baseado na ampliação do investimento público, obras e políticas sociais, na reforma urbana e na segurança alimentar.

38. O Diretório Nacional do PT conclui saudando a firme reação da presidenta Dilma Rousseff, tanto ao ato de pirataria cometido contra o presidente Evo Morales e o povo da Bolívia, quanto as atividades de espionagem eletrônica massiva praticadas pelo governo dos Estados Unidos. O DN do PT soma-se às vozes que defendem medidas duras em defesa dos interesses nacionais e dos direitos humanos, aí incluindo o oferecimento de asilo ao ex-agente da CIA Edward Snowden. As bandeiras da democracia e dos direitos humanos são e continuarão sendo um componente essencial da política do governo brasileiro.

39. O Diretório Nacional do PT encara com otimismo a nova realidade do país. Sabemos ter pela frente um período de intensa luta política e ideológica, incluindo aí dois turnos de eleições presidenciais, para governo, Senado, deputados federais e estaduais. Sabemos, igualmente, que para estar à altura destes desafios, nos caberá analisar o novo quadro, reconhecer com humildade os erros cometidos e reciclar nosso programa, estratégia e condutas. Sabemos, especialmente, que as novas gerações, especialmente a nova classe trabalhadora, nos observam de maneira crítica. Sabendo disto tudo e sem minimizar as dificuldades, confiamos que os compromissos programáticos mais profundos do PT, assim como nossos vínculos sociais, nos permitirão - como em outros momentos de nossa história - abrir um novo período na luta pela democracia e pelo socialismo no Brasil.