sábado, 13 de outubro de 2012

Editorial do P13 primeiro turno


Editorial
                                                                                         
No  dia 7 de outubro, o povo brasileiro compareceu às urnas, para eleger as autoridades executivas e legislativas de cada um dos 5567 municípios brasileiros. Em 50 municípios, haverá segundo turno no dia 28 de outubro.

O PT foi o partido mais votado, com 17,2 milhões de votos, nos escolhendo para governar e legislar, ou nos atribuindo o papel de oposição.

Elegemos já no primeiro turno 624 prefeitos e prefeitas, entre os quais 13 em cidades com mais de 150 mil eleitores. Ampliamos nossa presença nos legislativos municipais. Petistas disputam o segundo turno em 22 cidades, entre as quais São Paulo.

Nosso desempenho eleitoral foi resultado de uma combinação de fatores: a criatividade e pertinência das propostas que apresentamos para resolver os problemas de cada município; o exemplo globalmente exitoso de nossos governos municipais, estaduais e federal; o prestígio de nossas candidaturas e lideranças, com destaque para Lula e Dilma; nossa capacidade de construir alianças sociais e políticas, tendo como referência a base de apoio de nosso governo federal; e, como fator principal, destacamos a animação, a persistência e a combatividade da militância petista, milhões de homens e mulheres que, em seus locais de residência, estudo, trabalho e lazer, sustentaram com convicção as bandeiras do PT.

Nosso desempenho nas eleições municipais ganha ainda maior significado, quando temos em conta que ele foi obtido em meio a uma intensa campanha, promovida pela oposição de direita e seus aliados na mídia, cujo objetivo explícito é criminalizar o PT.

Neste momento, tal campanha se apoia principalmente no julgamento que está em curso no STF. Marcado propositalmente para coincidir com o processo eleitoral (sem que haja explicação para o fato de ainda não ter sido julgado caso similar e anterior envolvendo tucanos), com decisões casuísticas (como o não desdobramento, aceito no caso do chamado mensalão tucano), legislação de exceção (estabelecendo culpabilidade sem que haja provas nos autos, sendo que a ausência de provas foi utilizada pelo STF para livrar Collor de Mello) e atropelos por parte do promotor (o mesmo que atrasou o quanto pode as investigações contra Cachoeira), o julgamento do chamado mensalão é manipulado para converter-se não em julgamento de pessoas, mas do Partido.

Não é a primeira, nem será a última vez, que os setores conservadores demonstram sua intolerância; sua falta de vocação democrática; sua hipocrisia, os dois pesos e medidas com que abordam temas como a liberdade de comunicação, o financiamento das campanhas eleitorais, o funcionamento do judiciário; sua incapacidade de conviver com a organização independente da classe trabalhadora brasileira.

Mas ao menos no primeiro turno das eleições, a voz do povo encobriu a dos que vaticinavam a destruição do Partido dos Trabalhadores.

O voto popular trouxe valiosos ensinamentos ao PT, que devem ser debatidos e incorporados por nossa militância, inclusive para garantir um desempenho vitorioso no segundo turno. Sem nunca perder de vista o caráter municipal das eleições, daremos prosseguimento ao debate entre diferentes projetos nacionais, a defesa de nosso Partido e de nossas administrações, a começar pelos governos Lula e Dilma.  

Passado o segundo turno, haverá muito o que debater, explicar e entender. Inclusive no que diz respeito ao julgamento, a respeito do qual a crítica ao STF deve ser acompanhada da devida autocrítica por parte dos que abriram o flanco para o ataque de que estamos sendo vítimas.

De toda forma, o que estamos assistindo neste processo eleitoral não deve surpreender ninguém, pois se trata apenas da confluência de vários fatores que vem se acumulando há algum tempo. Para os quais, vale dizer, temos alertado seguidamente nos editorial e demais textos publicados em Página 13.

A seguir, uma lista:

A avaliação positiva de Dilma e nosso governo federal não se traduz em voto equivalente por parte de nossas candidaturas. Inclusive porque, como vimos no primeiro turno, uma das implicações do chamado governo de coalizão foi a ausência de Dilma em disputas fundamentais para o PT.;

A oposição de direita (PSDB, DEM e PPS), embora com dificuldades, não está e nunca esteve morta. E em vários locais ela utiliza dubles de corpo, ou seja, o projeto neoliberal e conservador tem como porta-voz partidos e candidaturas integrantes da base do governo federal;

As grandes empresas de comunicação fazem uma campanha permanente contra o PT e contra as idéias da esquerda. Ou democratizamos a comunicação, ou as empresas de comunicação continuarão colocando em questão a democracia;

Parte da base de apoio do governo está em campanha para derrotar o que eles denominam de hegemonismo do nosso partido. E aí é preciso distinguir o que é direito legítimo de acumular forças para seu próprio projeto, do que é anti-petismo e conservadorismo travestidos;

A ampliação da capacidade de consumo de uma parcela da população brasileira, sem a correspondente politização e organização, deu origem a um setor social manipulável pelo populismo de direita e por idéias conservadoras, muitas vezes articuladas por projetos de natureza religioso-empresarial.

Colabora para esta manipulação a debilidade de algumas políticas públicas que, embora universais de direito, não o são de fato, abrindo espaço para que esta parcela da população seja disputada por soluções de mercado (como os planos de saúde, as escolas privadas e o transporte individual), gerando insatisfação e ao mesmo tempo reforçando a manipulação deste setor pelo populismo de direita.

A renovação geracional da população brasileira faz com que, para uma parcela do eleitorado, nós sejamos parte do passado, não do futuro. Fator que ajuda a compreender o surgimento de um eleitorado que vota em alternativas à esquerda do PT, com resultados expressivos em cidades como Belém, no Rio de Janeiro e em Niterói, para ficar só nestes exemplos.

A manipulação do julgamento do chamado mensalão, num conluio entre setores da direita do judiciário, grandes empresas de comunicação e a oposição de direita, coloca parcela do petismo na defensiva. O fato da maioria dos integrantes do STF ter sido indicada por Lula e Dilma, tendo em alguns casos adotado posturas progressistas, apenas confirma que o problema é estrutural, motivo pelo qual confirma-se que a reforma do judiciário é componente inseparável da reforma democrática das instituições.

O financiamento privado das campanhas chegou a um ponto de total esgotamento, com custos nas alturas e doações na baixada. A reforma política deve continuar sendo um objetivo fundamental do PT em 2013.

A isto tudo podemos agregar um aspecto pouco debatido na direção nacional do PT, mas que para nós é fundamental: as opções macro e microeconômicas do governo federal, para combater a crise e seguir desenvolvendo o país, misturam medidas corretas com concessões exageradas ou simplesmente incorretas ao grande capital. Numa imagem: o Mantega de hoje é melhor que Palloci, mas não é melhor que o Mantega de ontem.

Apesar de todos estes riscos, na reta final do primeiro turno as candidaturas do PT reagiram e o saldo foi de vitória política e/ou eleitoral, apesar de derrotas gravíssimas e situações complicadas. Por óbvio, a depender do que ocorra no segundo turno, em especial na cidade de São Paulo, o balanço será um ou outro.

Entretanto, o fundamental é perceber que se acumularam imensos problemas, cuja solução passa por uma revisão na estratégia partidária. Sem isto, a derrota virá, mais cedo ou mais tarde.

A revisão estratégica deve incluir deixar para trás certas ilusões. Neste sentido, uma análise fria do julgamento no STF confirma a natureza estruturalmente conservadora do poder judiciário brasileiro e, por tabela, do Estado brasileiro.

Isto diz muito sobre os limites da estratégia de mudança por dentro. Se não houver uma reforma do Estado, se não houver pressão social de fora para dentro, se não perdermos as ilusões, a mudança que virá será contra nós, não a favor dos trabalhadores.

Esta edição de Página 13 chega aos leitores na véspera do segundo turno. Convidamos a todos e a todas para que votem 13, votem nas candidaturas do PT. E, ao povo venezuelano, parabenizamos pelo vitória de Chávez presidente da nossa irmã República Bolivariana.

O desempenho do PT no primeiro turno das eleições municipais brasileiras, assim como a vitória do Grande Polo Patriótico nas eleições presidenciais venezuelanas igualmente realizadas no dia 7 de outubro, confirmam a força da esquerda democrática, popular e socialista latinoamericana e caribenha.

Os editores

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Carta para a Copppal


Al compañero Gustavo Carvajal

A los compañeros y compañeras presentes en el Encuentro de la COPPPAL

Mis atribuciones en la Dirección del PT, en este momento de la campaña electoral, me impiden de estar con ustedes ahora. Pido vuestra comprensión y me pongo a la disposición para cualquier tarea deliberada por la COPPPAL.

Seguramente la compañera Laisy (que tiene la doble felicidad de estar ahí, al mismo tiempo que eligió el alcalde de Goiânia ya en la primera vuelta) podrá dar más elementos sobre el proceso electoral brasileño.

De mi parte, me gustaría transmitir algunas ideas y informaciones, basadas en el debate trabado en este día 10 de octubre, en la reunión del Directorio Nacional del PT.

En el día 7 de octubre, el pueblo brasileño compareció a las urnas, para elegir las autoridades ejecutivas y legislativas de cada uno de los 5567 municipios brasileños.

En 50 municipios, habrá segunda vuelta el día 28 de octubre.

El PT fue el partido más votado en la primera vuelta, obteniendo 17,2 millones de votos, sumando los que nos escogieron para gobernar y legislar, con aquellos que nos atribuyeron el rol de principal fuerza de oposición.

Elegimos ya en la primera vuelta 626 alcaldes y alcaldesas, entre los cuales 13 en ciudades con más de 150 mil electores.

Ampliamos nuestra presencia en los legislativos municipales, con más de 5 mil concejales.

Petistas disputan la segunda vuelta en 22 ciudades, entre las cuales São Paulo.

El resultado electoral del PT ocurrió a partir de una combinación de factores: la creatividad y pertinencia de las propuestas que presentamos para resolver los problemas de cada municipio; el ejemplo globalmente exitoso de nuestros gobiernos municipales, estaduales y federal; el prestigio de nuestras candidaturas y liderazgos, con destaque para Lula y Dilma; nuestra capacidad de construir alianzas sociales y políticas, teniendo como referencia la base de apoyo de nuestro gobierno federal; y, como factor principal, destacamos el empeño, la persistencia y la combatividad de la militancia petista, millones de hombres y mujeres que, en sus locales de residencia, estudio, trabajo y recreación, sostuvieron con convicción las banderas del PT.

Nuestro resultado en las elecciones municipales gana un significado aún mas grande, cuando tenemos en consideración que fue obtenido en medio a una intensa campaña, promovida por la oposición de derecha y sus aliados en los medios de comunicación, cuyo reto explícito es criminalizar el PT.

En Brasil, la oposición neoliberal (PSDB, DEM y PPS), todavía experimente crecientes dificultades, no está y nunca estuvo muerta, actuando recíprocamente con el populismo de derecha, muchas veces travestido de iniciativas religioso-empresariales.

Las grandes empresas de comunicación hacen una campaña permanente contra el PT y contra las ideas y prácticas da izquierda. Está cada vez más claro que, o democratizamos la comunicación, o los monopolios de los medios de comunicación seguirán amenazando la democracia.

La financiación privada de las campañas electorales sigue deformando la voluntad popular. La reforma política sigue siendo un reto fundamental del PT en 2013.

No es la primera, tampoco será la última vez, que los sectores conservadores de Brasil demuestran su intolerancia; su falta de vocación democrática; su hipocresía, los dos pesos y dos medidas con que abordan temas como la libertad de comunicación, la financiación de las campañas electorales, el funcionamiento del judiciario; su incapacidad de convivir con la organización independiente de la clase trabajadora brasileña. Pero la voz del pueblo suplantó la de aquellos que vaticinaban la destrucción del Partido de los Trabajadores.

El voto popular trajo valiosas enseñanzas al PT, que deben ser debatidos e incorporados por nuestra militancia, inclusive para garantizar un resultado victorioso en la segunda vuelta.

Daremos especial atención para conquistar el apoyo de cerca de una parte importante del electorado brasileño, que en la primera vuelta se abstuvo, votó en blanco o nulo.

En la segunda vuelta, sin jamás perder de vista el carácter municipal de las elecciones, daremos seguimiento al debate entre diferentes proyectos nacionales, la defensa de nuestro Partido y de nuestras administraciones, a empezar por los gobiernos Lula y Dilma.  

El resultado del PT en la primero vuelta de las elecciones municipales brasileñas, así como la victoria del Gran Polo Patriótico en las elecciones presidenciales venezolanas igualmente realizadas el día 7 de octubre, confirman la fuerza de la izquierda democrática, popular y socialista latinoamericana e caribeña. Ampliar nuestra victoria en la segunda vuelta es más una garantía de que Brasil seguirá en el rumbo cierto, de paz, integración, bien estar social y desarrollo.

Un abrazo

Valter Pomar

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Editorial P13 edição 113 de outubro


No dia 17 de setembro, durante reunião da Comissão Executiva Nacional do PT, um parlamentar e dirigente partidário confessou, com outras palavras, que existe alguma coisa acontecendo que ele não conseguia entender, nem explicar. Ele se referia as dificuldades enfrentadas pelo Partido no processo eleitoral de São Paulo capital. Mas sua inquietação encontrou eco nas informações e análises acerca de outros cenários.

Da nossa parte, reconhecemos que há muito por entender e explicar. Mas, no fundamental, o que estamos assistindo neste processo eleitoral não deveria surpreender ninguém, pois se trata apenas da confluência de vários fatores que vem se acumulando há algum tempo. Para os quais, vale dizer, temos alertado seguidamente nos editoriais e demais textos publicados em Página 13.

A seguir, uma lista:

1. A avaliação positiva de Dilma e nosso governo federal não se traduz necessariamente em voto equivalente por parte de nossas candidaturas;

2. A oposição de direita (PSDB, DEM e PPS), embora com dificuldades, não está e nunca esteve morta;

3. As grandes empresas de comunicação fazem uma campanha permanente contra o PT e contra as idéias da esquerda;

4. Parte da base de apoio do governo está em campanha para derrotar o que eles denominam de hegemonismo do nosso partido;

5. A ampliação da capacidade de consumo de uma parcela da população brasileira, sem a correspondente politização e organização, deu origem a um setor social fortemente manipulável pelo populismo de direita e por idéias conservadoras;

6. A renovação geracional da população brasileira faz com que, para uma parcela do eleitorado, nós possamos ser apresentados como parte do passado, não do futuro;

7. A manipulação do julgamento do chamado mensalão, num conluio entre setores da direita do judiciário, grandes empresas de comunicação e a oposição de direita, coloca parcela do petismo na defensiva;

8. O financiamento privado das campanhas chegou a um ponto de total esgotamento, com custos nas alturas e doações na baixada.

A isto tudo podemos agregar um aspecto pouco debatido na direção nacional do PT, mas que para nós é fundamental: as opções macro e microeconômicas do governo federal, para combater a crise e seguir desenvolvendo o país, misturam medidas corretas com concessões exageradas ou simplesmente incorretas ao grande capital. Numa imagem: o Mantega de hoje é melhor que Palloci, mas não é melhor que o Mantega de ontem.

Tudo que foi dito anteriormente não implica que o PT vá sair derrotado das eleições municipais de 2012. O risco de derrota eleitoral e política existe. Mas nada impede o que está ocorrendo nesta reta final, com muitas candidaturas do PT reagindo e tornando factível um saldo de vitória política e/ou eleitoral.

Entretanto, o fundamental é perceber que se acumularam imensos problemas, cuja solução passa por uma revisão na estratégia partidária. Sem isto, a derrota virá, mais cedo ou mais tarde.

A revisão deve incluir deixar para trás certas ilusões. Neste sentido, uma análise fria do julgamento no STF confirma a natureza estruturalmente conservadora do poder judiciário brasileiro e, por tabela, do Estado brasileiro.

Isto diz muito sobre os limites da estratégia de mudança por dentro. Se não houver uma reforma do Estado, se não houver pressão social de fora para dentro, se não perdermos as ilusões, a mudança que virá será contra nós, não a favor dos trabalhadores.

Esta edição eletrônica de Página 13 chega aos leitores na véspera da eleição. Votemos 13, nas candidaturas do PT. E que o dia 7 de outubro consagre Chávez presidente da República Bolivariana. Logo após a eleição, a edição 113 em papel, atualizada com os resultados do primeiro turno, será enviada para as casas dos assinantes.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Notas sobre a política internacional do PT


Apresentação
Estamos no meio de uma crise do capitalismo neoliberal, que se manifesta direta ou indiretamente em todos os terrenos:financeiro, comercial, cambial, energético, alimentar, ambiental, ideológico, social, político, militar.
Como outras crises, esta tentará provocar, para sua superação, uma imensa destruição de forças produtivas, destruição da natureza, de vidas humanas e de capital acumulado. Sacrifício que tende a se desdobrar em mais conflitos militares, crises políticas e revoltas sociais.
Não se trata apenas de uma crise econômica, no sentido estrito. Está em curso uma reacomodação geopolítica, resultante do deslocamento para o Oriente do eixo dinâmico da economia mundial.
O centro da crise está nos Estados Unidos. Não apenas por ser a principal economia capitalista, mas também por ser a potência hegemônica do mundo capitalista desde 1945 e do mundo desde 1991.
A crise amplia o questionamento da hegemonia dos Estados Unidos, que já vinha enfrentando: a) o aguçamento das contradições intercapitalistas, crescente após a derrota do bloco soviético; b) o fortalecimento de potências concorrentes, especialmente a China, de quem os EUA haviam se aproximado nos anos 1970; c) as custosas obrigações derivadas de uma hegemonia mundial.
Vivemos, portanto, um momento de profunda crise e instabilidade  internacional, que pode resultar em variados desdobramentos, num leque que vai da barbárie ao socialismo, passando por diferentes modos de organizar o capitalismo.
Não é possível saber quanto tempo durará este período de instabilidade internacional. Isto, bem como o mundo que emergirá depois, dependerá de como se articule a luta política, dentro de cada país, com a luta entreEstados e blocos regionais.
Diferente do que ocorria antes de 1945, hoje temos uma disputa entre Estados da (quase) antiga periferia e Estados do (quase) antigo centro. E, diferente do que ocorria antes de 1990, a disputa EUA/BRICS se dá nos marcos do capitalismo. Mas na América Latina e
Caribenha há uma novidade a ser levada em conta: como resultado de um processo iniciado em 1998, constituiu-se na região uma forte influência da esquerda.
Esta influência da esquerda torna factível que a América Latina e Caribenha constitua-se num dos pólos do combate de natureza geopolítica que está em curso no mundo. Assim como torna factível fazer, da região, um dos espaços de reconstrução de uma alternativa social-democrata de capitalismo ou, se tivermos êxito, uma alternativa socialista ao capitalismo.
Construir uma América Latina democrática, popular e socialista dependerá de muitas variáveis, entre as quais a criação de uma cultura de massas, latinoamericana e caribenha, comprometida com ideais de esquerda.
A criação desta cultura socialista de massas supõe, para além dos aparatos materiais (casas editoriais, jornais, revistas, rádios, televisões, provedores de internet, indústria cinematográfica e fonográfica, companhias de teatro e dança, orquestas, museus, escolas e universidades etc.), que tenhamos dezenas de milhões de homens e mulheres envolvidas na produção e reprodução desta nova visão de mundo.
O que, por sua vez, supõe a construção de novas idéias, forjadas a partir da crítica às idéias e à prática do neoliberalismo, do desenvolvimentismo conservador e do colonialismo; que faça a crítica e autocrítica do nacionalismo, do desenvolvimentismo progressista e das experiências socialistas do século XX; e que compreenda a natureza do capitalismo no século XXI, enfrentando o debate clássico sobre os caminhos estratégicos para sua reforma ou para sua revolução.
Os artigos reunidos nesta coletânea, escritos entre 2005 e 2012, são uma contribuição no sentido indicado acima.
Agosto de 2012

Para descarregar a coletânea, vá ao endereço: http://forodesaopaulo.org/?p=1873

O texto também está disponível no endereço: http://pagina13.org.br/2012/09/notas-sobre-a-politica-internacional-do-pt-2/ 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Campinas: dois projetos em disputa



Toda eleição é parecida: candidaturas prometendo mundos e fundos para o eleitorado.
E, como as promessas são geralmente parecidas, muita gente tem dificuldade de distinguir quem é quem, para escolher em quem votar.

Por isto, na hora de votar, é importante saber de que lado está o candidato: que Brasil ele defende? Que estado de São Paulo ele imagina? Que Campinas ele projeta? Com que tipo de sociedade ele sonha?

O Partido dos Trabalhadores joga limpo e apresenta claramente suas posições. Nós defendemos um Brasil democrático e popular. Estamos nesta batalha desde 1980. Combatemos a ditadura militar, enfrentamos o neoliberalismo de Fernando Collor e de Fernando Henrique. Denunciamos a privataria, defendemos os serviços públicos e os direitos sociais, com destaque para a Saúde e a Educação. Participamos de lutas sociais, elegemos parlamentares e governantes. Em 2002 e 2006, elegemos Lula presidente. Em 2010, elegemos Dilma.

Com os governos Lula e Dilma, o povo passou a viver melhor. Estamos começando a mudar o Brasil, com mais crescimento econômico, empregos, salários e renda, políticas sociais, democracia, participação popular, soberania nacional e integração do Brasil a nossos vizinhos latino-americanos. Nosso projeto é claro: construir um Brasil democrático, popular e socialista.

E o que defendem as demais candidaturas a prefeito?  Que Brasil elas defendem? Que estado de São Paulo elas imaginam? Que Campinas elas projetam? Com que tipo de sociedade eles sonham?

Veja quem é quem, nas páginas seguintes:
Tucano disfarçado

Jonas Donizete, candidato do PSB, é o ‘plano b’ da turma do Carlão Sampaio.
Jonas Donizete é candidato pelo PSB. Este partido tem socialista no nome, participa do governo Dilma e em vários locais apóia candidaturas do PT. Mas aqui em Campinas, Jonas Donizete é o ‘plano b’ da turma do Carlão Sampaio.

Jonas foi do PSDB, o partido de Carlão Sampaio. Entrou no PSB em busca de espaço, não por opção ideológica. Uma prova disto é que foi da base de apoio do governo Alckmin e foi vice-líder do governo Serra, ambos do PSB. Jonas foi tão fiel aos governadores tucanos, que os professores do estado de São Paulo o incluíram num cartaz de deputados que votaram contra a educação. Jonas tampouco assinou a carta do Sindicato dos Médicos de Campinas. O Sindicato é contra as OS e Oscips. Ao não assinar a carta, ficou claro que Jonas vai manter a terceirização e a privatização no serviço público.

Além disso, Jonas não apoiou Toninho no segundo turno das eleições de 2000, assim como não apoiou Lula nem Dilma.

Acontece que o PSDB é ruim de voto em Campinas. Há cerca de 20 anos os chamados tucanos não ganham uma eleição para prefeito em nossa cidade.  Segundo as pesquisas, Carlão Sampaio é um dos políticos com maior rejeição em nossa cidade. E a cidade sabe que o governo estadual tucano não investe em Campinas: estão devendo para a cidade dinheiro que faz falta na Saúde, na Educação, nas Creches, entre outras áreas.

Isto para não falar do pedágio urbano, invenção do governador Alckmin, que vai encarecer ainda mais nossa vida e trazer ainda mais problemas para o trânsito. É bom lembrar, também, que o mesmo governo Alkmin não se dispôs a incluir Campinas no projeto de extensão da linha ferroviária da CPTM, cujo ponto final é a cidade de Jundiaí.

Por tudo isso e com tanta rejeição, nesta eleição de 2012 os tucanos tiveram que apostar num “plano b”: Jonas Donizete. Para convencer o desgastado Carlos Sampaio, permitiram que ele indicasse o vice de Jonas Donizete, que é o Paulão, que em primeira instância teve sua candidatura a vice indeferida por decisão judicial, devido a acusações de improbidade em sua gestão a frente da Funcamp. O caso aguarda julgamento em instância superior.

Jonas Donizete tentou disfarçar a presença tucana em sua chapa. Mas Carlão Sampaio já apareceu no seu programa eleitoral gratuito, além de ter indicado seu vice Paulão. Para reduzir o desgaste provocado por esta presença, Jonas apareceu ao lado de uma foto da presidenta Dilma. Seu argumento é que o PSB faz parte da base de apoio do governo federal. Mas a presidenta Dilma é do PT e apoia Márcio Pochmann. Mas quem tem memória sabe: se dependesse de Jonas, o presidente do Brasil seria Serra ou Alckmin, não Dilma.

A vitória de Jonas Donizete seria a vitória do PSDB, seria a vitória de Carlão Sampaio e do grupo político que há 16 anos governa o estado de São Paulo virado de costas para a cidade de Campinas.

Mas isto não acontecerá. Porque o PT ganhará as eleições, em dois turnos, com Márcio Pochmann prefeito.

Jonas, que já  foi do PSDB, tentou disfarçar a presença tucana em sua chapa. Mas foi           Carlão Sampaio quem indicou Paulão como seu vice.

Jonas não apoiou Toninho no segundo turno das eleições de 2000, assim como não apoiou Lula nem Dilma.

Contra os corruptos e especuladores

Vote em Márcio Pochmann

Hoje, quem governa Campinas são os interesses imobiliários, que controlam um pequeno número de  políticos de direita.

Campinas é uma cidade rica. Mas esta riqueza está concentrada em poucas mãos. A prefeitura de Campinas tem grandes recursos. Mas estes recursos não estão distribuídos de maneira igualitária. Há regiões inteiras da cidade que não têm escola, centro de saúde, casa de cultura ou praça de esportes. A falta de planejamento e controle social, a má gestão administrativa e a corrupção reduziram a quantidade e a qualidade dos serviços públicos.

Exemplos disso são a Saúde, a Educação e a Cultura: Campinas sempre foi destaque nestas áreas. Mas hoje, todas estão na UTI.

Hoje, não é o povo quem governa Campinas. Quem governa a cidade são os interesses imobiliários, alguns grandes empresários que possuem negócios com o setor público e um pequeno número de políticos de direita.

Para mudar esta situação, precisamos eleger um prefeito e uma bancada de vereadores que tenham compromisso e coragem de mudar. E isto começa pondo o dedo na ferida: Campinas precisa acabar com a corrupção, Campinas precisa derrotar a especulação imobiliária, Campinas precisa oferecer serviços públicos de qualidade para todos e todas.

Por isto, na hora de votar, pare e pense: qual é a candidatura comprometida com o projeto neoliberal dos tucanos, qual é a candidatura comprometida com a especulação imobiliária e com os esquemas de corrupção?

E, por outro lado, qual é a candidatura comprometida com as conquistas dos governos Lula e Dilma, qual é aquela que tem força e vontade política para acabar com a corrupção e com a especulação imobiliária, qual é a candidatura comprometida com a ampliação dos serviços públicos (como saúde, educação, cultura, esportes, habitação, saneamento e segurança) para toda a população?

Por isso, precisamos eleger um prefeito e uma bancada de vereadores que tenham compromisso            e coragem de mudar esta situação.

As propostas de Márcio Pochmann

Recolocar na mão da prefeitura a gestão de todas as políticas públicas. Substituir as terceirizações por serviços públicos, laicos e de qualidade, sob controle da população;

Construir uma Cidade Policêntrica, criando centros regionais de gestão, retomando o debate das macrozonas e de um novo Plano Diretor;

Usar a preservação ambiental como instrumento contra a especulação imobiliária, criando parques e protegendo matas;

Defender o Trem de Alta Velocidade e a ampliação do Aeroporto de Viracopos, integrando estes projetos com a cidade, com as contrapartidas necessárias, para trazer desenvolvimento econômico e social para as regiões de extrema pobreza. Será de grande importância neste novo mapa do desenvolvimento de Campinas a construção da Transversal Oeste, ligando o Aeroporto de Viracopos à região de Aparecidinha, passando pelo Ouro Verde e Campo Grande.

Na Saúde, atender os casos prioritários em 48h; ter mais equipes de Saúde da Família; contratar mais profissionais e valorizá-los, para atender de forma mais humana a população e fazer funcionar a Emergência, o Samu e a Oncologia. Colocar o Hospital Ouro Verde sob a gestão direta do município e controle da população;

Com Márcio prefeito de Campinas será possível:
 Zerar o déficit para crianças de 0 a 6, ampliar o período de permanência na escola, construir 5 CEUs; completar quadro de professores e  garantir mais ensino técnico;

Na Assistência Social, apoiar a efetivação do Sistema Único de Assistência Social - SUAS e ampliar as políticas intersetoriais destinadas à população em situação de vulnerabilidade e risco social; junto com Saúde, implantar CAPS AD, Consultórios de Rua e Casas do Meio para tratamento de dependentes químicos;

Na iluminação pública, atingir e manter a meta de 100% de iluminação pública para toda Campinas;

Na coleta e tratamento do lixo, ampliar para 30% volume de lixo reciclado; recuperar as Cooperativas de Reciclagem, incorporá-las ao sistema de coleta seletiva e remunerá-las adequadamente;

Cobrar aquilo que o governo estadual deve para Campinas, ampliar investimentos federais, transparência e eficiência no gerenciamento das despesas;

Atingir e manter as metas de 100% de água tratada, coleta e tratamento de esgoto. Assegurar o caráter público e transparente da Sanasa;

Cobrar do Estado uma política de segurança adequada e integrada, usando a Guarda Municipal apenas na prevenção da violência;

No Transporte, reduzir tarifas por meio do financiamento público e da venda antecipada de bilhetes. Lutar pelo Trem Metropolitano;

Articular Campinas com o Sistema Nacional de Cultura. Integrar cultura, esportes, lazer, turismo, memória e comunicação, inclusive a Rádio Educativa;

Reativar a Casa do Hip Hop, a Estação Cultura, a Escola Municipal de Cultura e Artes e a Escola de Música. Reativação imediata de todos os teatros e museus. Condições adequadas para o funcionamento da Orquestra Sinfônica;

 Investir em projetos de incentivo à leitura, como o Leitura em Movimento, e recuperar as bibliotecas públicas municipais;

Valorização e preservação da diversidade de manifestações étnicas do patrimônio histórico, cultural, artístico, arquitetônico e ambiental da cidade de Campinas;

Garantir uma abordagem verdadeiramente cultural do calendário geral da Cidade (com destaque para as Folias de Reis, o Carnaval, a Lavagem das Escadarias da Catedral, as Festas Juninas, o 20 de Novembro, o Natal, as festas regionais).