sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A Igreja dos Marxistas Leninistas dos Últimos Dias

Terra Redonda publicou um texto de Zen atacando o PT, eu fiz um texto defendendo o Partido, um cidadão chamado Alexandre Vasilenkas criticou este meu texto em sua rede antisocial.

Segundo Vasilenkas, eu teria escrito um "panfleto redwashing".

Até aí, faz parte. 

Ele também me acusa de "chafurdar" em "documentos internos" com "avidez talmúdica", supostamente esquecendo que há uma realidade "lá fora". 

Acho duplamente engraçada a acusação. 

Como sabe quem, na falta de coisa melhor para fazer, lê o que eu escrevo, não sou muito afeito a fazer citações. Salvo engano, no tal "panfleto redwashing" não há nenhuma.

Além disso, a maior crítica que faço à ultraesquerda é exatamente a de que, na minha opinião, ela desconsidera boa parte da realidade, a começar pelo fato de que estamos sob ataque brutal do imperialismo e da extrema-direita, motivos pelo quais eleger Lula e fazer um quarto mandato superior são desafios existenciais.

Sendo esse o contexto, acho inaceitável - atitude de quinta coluna - a postura de Vasilenkas, que nas suas postagens chama nosso candidato de "escroque" e "cria do Golbery", além de chamar outra importante liderança petista de "ratazana da USP".

Na minha opinião, quem fala tanta merda simplesmente não deve ser considerado de esquerda, comunista, marxista ou qualquer outro título que pareça elogioso.

Curioso é que Vasilenkas de certa forma poupa Zé Dirceu, que ele considera como "um comunista sincero além de nacionalista revolucionário", cujo erro teria sido fazer um "pacto mefistofélico com a cria do Golbery".

Isto posto, tenho dúvidas se Vasilenkas leu mesmo o texto que eu escrevi. 

Por exemplo, ele me atribui a frase "não existe intelectualidade paulista". Acontece que eu não escrevi tal frase. 

O que eu escrevi é que - até ler o texto de Zen - nunca tinha conhecido ninguém que tratasse a "intelectualidade paulista" como "matriz principal" na história do PT. 

Também escrevi que não se deve confundir aqueles intelectuais uspianos que contribuíram para a criação do PT, com a intelectualidade paulista que esteve na origem do PSDB. 

Vasilenkas também afirma que eu teria dito que não existe "história do PT". 

O que eu falei é que não existe uma história do PT, assim como não existe uma história do movimento comunista no Brasil. Ou seja: embora obviamente exista um único processo histórico, há várias interpretações historiográficas a respeito.

Mas é preciso dar um desconto. Afinal, é mesmo difícil discutir história com um cidadão para quem, no primeiro turno de 1989, teria acontecido uma "tragédia", a saber, a ida de Lula ao segundo turno das eleições presidenciais ocorridas naquele ano.

Uma pessoa de esquerda sabe muito bem que a verdadeira tragédia ocorrida naquele ano foi a vitória de Collor. Sabe, também, que a tragédia collorida foi contemporânea de outra, o colapso da URSS e dos governos socialistas do Leste Europeu. 

Muita gente perdeu o rumo naquele momento e até hoje não achou o caminho de volta para casa. Alguns vivem numa espécie de realidade paralela, onde o esporte principal é pontificar, usando um vocabulário teológico disfarçado de marxismo. acerca dos problemas supostos ou reais do PT.

Para estes uma saída está na Igreja dos Marxistas Leninistas dos Últimos Dias, para a qual se convertem os que - como eu - acreditam que, se houver salvação nesta quadra histórica, não será contra o PT, nem apesar do PT, mas junto com o PT. 

Seguramente, a quadra em que estamos não é a última da história. Mas salvo para quem acredita no quanto pior melhor, é melhor insistir na batalha para que o PT supere seus problemas e esteja à altura dos desafios e das possibilidades abertas pela imensa crise que o mundo atravessa. 








Um comentário:

  1. Lula me lembra Chamberlain, o Premier britânico que se iludiu com uma falsa paz com os alemães.
    Precisamos chegar a uma invasão militar estrangeira para encontramos um Churchill que nos organize para a guerra?
    Se Lula é incapaz de demitir Múcio, e o PT não exige isso também, é Mourão que poderá ocupar o lugar de defesa da nação pela direita.
    Nem é preciso a retórica de Lula. Basta a atitude de um Caxias. E aí? Qual a resposta de Lula, do petismo e mesmo da esquerda?
    Fora Múcio e os entreguistas.

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