sábado, 17 de outubro de 2026

Sobre cores

Noutro milênio, um companheiro tentou me convencer que devíamos fazer como o Tio Ho, a saber, “dar garantias ao inimigo”, para que ele aceitasse capitular, ao invés de lutar até a morte.


Não me convenci, nem achei certo dar carteirada usando o Tio Ho. Mas quem importa se convenceu, deu as tais garantias, baixou a guarda e perdemos a eleição.

Anos depois outro cidadão, adepto do mesmo ponto de vista (“dar garantias ao inimigo”), decidiu iniciar uma campanha eleitoral trocando o vermelho pelo branco padrão OMO. 

Pela graça do bom pai, na época o Partido tinha presidente, o cidadão foi desautorizado e mantivemos o tom da campanha, a saber: concessões, mas sem descaracterização semiótica. Ganhamos.

Lembrei desta história ao ouvir, da boca de um autoproclamado general, a tese de que praticamente já vencemos, sendo possível pensar na etapa de saquear o acampamento do inimigo, inclusive recuperando as cores e bandeiras que esse inimigo, ilegitimamente, tentou privatizar.

Todo apoio à desprivatização das cores nacionais. Mas ainda não ganhamos a eleição. E, para ganhar, é preciso (tentar) não criar (muita) confusão.

Neste espírito, dia 25 de outubro precisamos de presença maciça nas ruas, o dia inteiro. E não podemos causar confusão visual. Quem passar de longe ou de perto, precisa ver nosso vermelho.

Podem ser 50 tons de vermelho, pode misturar com outras cores, mas precisa ter vermelho em quantidade suficiente. Até porque a bandeira do Brasil se destaca mais, quando o fundo é cor de sangue. Coisa que aprendi no Senai de Artes Gráficas, não na atividade política.

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