SEM REVISÃO
Para quem não assistiu, faço abaixo um resumo comentado da entrevista que o Cavernícola Filho concedeu, na sexta-feira, dia 16 de outubro de 2026, à Renata Lo Prete, da Globo.
Mas antes do resumo, uma síntese.
Candidato de direita mente, candidato de extrema direita mente muito, mas o Cavernícola é mais um da Famiglia a precisar, urgente, de acompanhamento especializado.
O Miliciano Honorário usou e abusou da entrevista para atacar pesadamente Lula, bem diferente do que fez Lula na sua respectiva entrevista, realizada no dia anterior.
A entrevista com o Cavernícola, se não foi arranjada, pareceu ter sido. Várias perguntas foram formuladas de forma pueril, levantando a bola para o Cavernícola cortar. E outras perguntas não entraram, como por exemplo a relação com os Estados Unidos.
Em diversas questões, o Traidor da Pátria respondeu de forma descaradamente oportunista e pragmática. É o caso da escala 6x1. Seu voto foi favor foi puro oportunismo, assim como sua posição sobre os cortes de gastos e suas promessas em direção aos pobres. Motivos pelo quais só a eleição de Lula pode garantir a sobrevivência de muitas de nossas políticas públicas.
Em algumas questões, como aquela sobre raspar a identificação das capsulas de bala, o Cavernícola se revelou de corpo inteiro. Sua vitória seria não apenas uma vitória dos EUA e dos ultraliberais, mas também uma vitória do crime organizado.
Seguem meus comentários.
O início da entrevista pareceu combinado.
A entrevistadora fez três perguntas "bem objetivas", o entrevistado respondeu laconicamente e, imediatamente, a entrevistadora perguntou se poderia "ir para a próxima".
As perguntas e as respostas foram, respectivamente:
"O senhor vai manter os reajustes do salário mínimo acima da inflação?"
Resposta: "Sim".
"O senhor vai desvincular o percentual de reajuste do mínimo, daquele usado para corrigir o valor das aposentadorias?"
Resposta "Não."
"O senhor pretende mudar a Constituição, para eliminar os pisos de gastos com saúde e educação?"
Resposta: "Também não."
Em seguida o Cavernícola Filho acusou o "concorrente" de promover "terrorismo".
E disse que o maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer "é tirar o Lula", que seria "o maior problema para o desencontro de contas".
Para sustentar esta tese exdrúxula, o Cavernícola Filho apelou para a taxa de juros, que teria crescido 7 pontos percentuais, resultando em 1 trilhão de dívida adicional desde o final do governo do Cavernícola Pai.
Renata Lo Prete insistiu que "sem mexer" nas aposentadorias e nos pisos, não haveria como atingir os 200 bilhões de reais de ajuste que a campanha do Cavernícola Filho tem prometido.
O Cavernícola Filho disse que a solução estaria em atacar despesas e em criar receitas novas.
Prometeu cortar 10 ministérios, atacar a corrupção e a má gestão das estatais, securitizar os imóveis e a dívida ativa da União, bem como utilizar os recursos do petróleo da Margem Equatorial.
E, como cereja no bolo, prometeu utilizar a Inteligência Artificial na gestão.
Excessivamente educada, Renata Lo Prete voltou a dizer que as contas só fecham, ou seja, só daria para cortar 200 bilhões, se o Cavernícola Filho atacar as aposentadoras e os pisos constitucionais.
E passou imediatamente para o tema da escala 6x1.
Renata Lo Prete lembrou que o Cavernícola foi desde o início contrário a proposta do governo Lula, de acabar com a escala 6x1, mas mudou de posição e votou a favor. E pediu ao Cavernícola Filho que explicasse essa mudança de posição.
Antes de responder, o Cavernícola Filho prometeu que não vai fazer economia "às custas das pessoas que mais precisam" e prometeu que não vai atacar os servidores públicos.
Depois, cobrado pela jornalista, o Cavernícola Filho disse que é a favor da "liberdade", sendo esse um dos motivos pelo qual ele defenderia o fim da escala 6x1 e sua substituição por outra.
Que outra seria? O Cavernícola não entrou em detalhes, mas o que ele defende é a proposta do senador Marinho, explicada aqui: Valter Pomar: Para O Globo, lutar contra a escravidão seria "oportunismo"
O Cavernícola Filho estruturou sua resposta em torno de uma mãe hipotética, para quem ele prometeu voucher para conseguir vaga em creches privadas. Tudo demagogia, mas é sintomática a preocupação em demonstrar empatia com a situação das mulheres mães solo.
Cobrando pela jornalista, o Cavernícola disse que votou a favor porque resolveu seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros, favoráveis ao fim da escala 6x1.
A isso o Cavernícola acrescentou uma tripla promessa a seguir: vai não apenas garantir o dia de folga a mais, mas também vai devolver o poder de compra do trabalhador e, também, devolver a segurança para que todos possam andar com segurança no seu dia a mais de folga.
Novamente trata-se de demagogia e hipocrisia, mas que revelam que o Cavernícola Filho está na defensiva, tendo que fazer promessas para os trabalhadores.
Renata Lo Prete perguntou se, caso eleito, o Cavernícola vai se empenhar em reverter o fim da escala 6x1.
Novamente, o Cavernícola respondeu que, "da minha parte", não fará "nenhum questionamento em relação a isso". Mas disse também que cada um pode ter sua opinião pessoal, ou seja, a turma do PL vai continuar defendendo o projeto do senador Marinho.
Em seguida, Renata Lo Prete mudou de assunto e passou a perguntar sobre o tamanho do mandato presidencial.
O Cavernícola Filho disse que, independente do que o Congresso decida sobre o tema da reeleição, ele - caso eleito - abriria mão de disputar um segundo mandato.
O motivo de tanto desprendimento é óbvio: trata-se de tentar conseguir o apoio dos setores da direita que temem que a Famiglia busque perpetuar-se indefinidamente na presidência.
Nesse contexto, como em vários outros da entrevista, o Cavernícola disparou ataques contra o presidente Lula, com o objetivo óbvio de gerar "cortes" lacradores para usar nas redes sociais e no horário eleitoral gratuito.
Vale dizer que Lula, na entrevista concedida a Renata Lo Prete, praticamente não fez isso.
Uma das frases lacradoras do Cavernícola foi dizer que ele não estaria disputando o poder, mas sim o "futuro da Nação". E prometeu que o centro do suposto governo dele seria "defender o trabalhador".
É sintomático que os fascistas digam isso, enquanto alguns setores da campanha Lula se preocupem em buscar os setores médios, os setores de centro e outras quimeras do gênero.
Nesse contexto, o Cavernícola afirmou que o trabalhador estaria perdendo a soberania sobre seu celular, sobre sua bolsa, sobre sua casa, sobre sua família.
Neste ponto, como em outras passagens da entrevista, Renata Lo Prete "levantou a bola" para o Cavernícola "cortar", dando a deixa para ele falar que sua proposta de emenda constitucional acaba com a reeleição para presidente da República, não inclui aumentar seu suposto mandato, além de vetar o direito de parentes de até terceiro grau poderem disputar.
Novamente, o que está em jogo é tentar seduzir os setores da direita que temem que a Famiglia tente se perpetuar na Presidência. O Cavernícola foi explícito: isso tudo seria para, supostamente, demonstrar que ele teria "desapego ao poder". Que ele ser presidente seria "um projeto de Deus". E que na direita haveria vários nomes para dar continuidade a seu "projeto de Nação".
Neste momento, Renata Lo Prete introduziu o tema da reforma do judiciário. O Cavernícola aproveitou para falar que o Judiciário tem que contribuir para o ajuste fiscal. E atacou Alexandre de Moraes e outros ministros do STF.
Renata Lo Prete perguntou como fica a situação do ministro Kássio Nunes Marques, envolvido com Daniel Vorcaro. O Cavernícola disse que todo mundo tem que estar abaixo da lei. E falou da obrigação do Senado Federal iniciar o processo de impeachment contra alguns ministros. E voltou a atacar Alexandre de Moraes.
Renata Lo Prete fez um reparo quase incompreensível e passou a tratar do financiamento do filme Dark Horse. Neste ponto, o Cavernícola interrompeu e corrigiu algumas vezes a jornalista. A jornalista fez uma pergunta quase cândida: "se não há nada a esconder, porque não trabalhar para que essas informações cheguem ao conhecimento do eleitor?"
Obviamente o Cavernícola respondeu que as informações "já vieram a público". E aproveitou a deixa para atacar, diferenciando o que seria um patrocínio privado para um filme privado (uma "obra prima"), o que seria bem diferente da suposta relação de Vorcaro com o concorrente, tomando como base um áudio gravado, na prisão, pelo banqueiro ladrão.
Depois do Cavernícola atacar diretamente Lula, Renata Lo Prete explicou que tem procurado "pautar as entrevistas com base em fatos estabelecidos, respaldados em investigações de órgãos competentes ou investigações jornalísticas". E "sugeriu" que o tal áudio gravado na cadeia, com acusações contra Lula, não seria um "terreno firme para pisar". E voltou a falar do filme Dark Horse, questionando a diferença entre o valor do filme e o valor que o Cavernícola pediu para Vorcaro.
O Cavernícola deu uma explicação que não consegui entender, mas engatou na explicação três comentários: um sobre o dinheiro que o Master passou para o programa do Luciano Huck, outro sobre a exoneração de um diretor da Globo, por motivos também relacionados ao Master e Vorcaro e um terceiro atacando Vacari e o Instituto Lula.
Nesse momento, Renata Lo Prete saiu em defesa da Globo, explicando o ponto de vista da Vênus Platinada, com uma firmeza que faltou em outros momentos da entrevista. E fez mais uma pergunta: por qual motivo o Cavernícola foi pedir um patrocínio justo na empresa de Vorcaro?
Novamente, o Cavernícola respondeu o óbvio: que teria falado com vários investidores, que Vorcaro topou fazer, numa época em que ele não teria "nada de errado".
Que essa época nunca existiu, todo mundo sabe, inclusive a Globo. Mas como dinheiro não tem cheiro, a entrevistadora preferiu não seguir adiante no questionamento. Já o Cavernícola aproveitou para fazer novo ataque, desta vez contra Vaccari, que é apresentado como sendo "quem toca o Instituto Lula", informação totalmente falsa.
A entrevistadora novamente explicou os critérios da Globo, numa tentativa de não se comprometer com as barbaridades ditas pelo Cavernícola. Mas, cá entre nós, não há compromisso maior do que o almoço entre o Cavernícola e a cúpula das Organizações Globo, ocorrido antes da entrevista.
Em seguida, Renata Lo Prete passou a tratar da Polícia Federal. Perguntou se o Cavernícola Filho se "sente a vontade de cobrar uma atitude republicana nessa matéria", considerando que o Cavernícola Pai demitiu seu ministro da Justiça, para evitar que tivessem prosseguimento as investigações contra sua Famiglia.
Traduzindo, Lo Prete perguntou a um criminoso se ele se sente a vontade, ao ter que mentir para cometer seus crimes. E foi isso que o Cavernícola filho fez: respondeu com novas mentiras descaradas, além de lembrar que hoje Sérgio Moro é um aliado da Famiglia.
Lo Prete passou, em seguida, a tentativa de anular a condenação do Cavernícola Pai e perguntou se o presidiário, caso solto, terá cargo no suposto governo do Filho.
Nesse ponto, o Filho atacou, com riqueza de detalhes, a "farsa" que teria condenado seu pai, negando que tenha havido tentativa de golpe.
O Filho disse, também, que se eleito presidente da República, seu pai será "o povo brasileiro". E agregou que o Pai nunca tratou de cargo e nunca disse que gostaria de trabalhar no governo, logo este assunto não está no radar.
A resposta é curiosa, por três motivos. Primeiro, porque o Filho não negou a possibilidade do Pai vir a assumir um cargo no seu hipotético governo. Segundo, porque o Filho deixou claro que uma decisão a respeito caberá ao Pai. Terceiro, porque não foi perguntado - pela jornalista da Globo - se, caso eleito presidente, o Filho usaria os poderes previstos em lei para soltar o Pai.
Na sequência, Lo Prete perguntou se o Cavernícola Filho poderia vir a nomear seu irmão, aquele pobre "sacrificado" que reside numa mansão que fica na Flórida, para o cargo de Chanceler. Neste caso, o Filho disse que o Irmão não será Chanceler, aproveitando para voltar a atacar Alexandre de Moraes.
O assunto seguinte foram as Forças Armadas. Lo Prete perguntou se, eleito, o Cavernícola Filho vai exigir dos comandantes das Armas que endossem a visão cavernícola sobre a transição de 2022 e sobre os eventos de janeiro de 2023.
O Cavernícola foi para cima, dizendo que tudo aquilo foi "armada para tirar o Pai da vida pública", mas que a "farsa" não acabou com o bolsonarismo, uma vez que o Cavernícola Filho, em nome de Jesus, vai ser - supostamente - o próximo presidente da República".
Em seguida, o Cavernícola Filho disse que, no seu suposto governo, o papel das Forças Armadas será tomar conta das fronteiras. Mas, logo depois, disse que, a partir de janeiro de 2027, vai declarar guerra ao narcotráfico, tratando Comando Vermelho, PCC e Mílícias como "organizações narcoterroristas". Acrescentou que a Marinha vai ser chamada a fazer papel de polícia no Porto de Santos. E disse que o Brasil fará parte do Escudo das Américas. Acrescentou mentiras sobre o suposto "sucateamento" das Forças Armadas durante os governos petistas. E reafirmou que as FFAA vão cooperar em questões de segurança pública com as polícias estaduais.
Esse foi o momento mais Gotham City da entrevista: um Miliciano honorário criticando as Mílícias.
Renata Lo Prete não tocou no assunto e voltou ao tema da intentona golpistas, perguntando outra obviedade: "o senhor considera que pessoas que fazem" o que foi feito no dia 8 de janeiro de 2023 "devem ser punidas de que forma".
A resposta, óbvia, foi: "dentro da Lei". E engatou novo ataque contra Lula, acusando o presidente de se vingar "dos motoboys de São Paulo" e do prefeito Ricardo Nunes. Lo Prete pediu que o Cavernícola respondesse à pergunta, mas recebeu de volta outra lacração sem nexo: "quem está depredando o Brasil é o Lula".
A última pergunta do primeiro bloco da entrevista foi: "se o senhor perder, o senhor vai respeitar o resultado das urnas?"
A resposta foi a óbvia - "sim" - e veio acompanhada de uma série de sandices, entre as quais responsabilizar o governo Lula pela violência contra as mulheres e pelas queimadas na Amazonia, além de dizer que o Brasil estaria sem presidente.
No segundo e último bloco da entrevista, Renata Lo Prete perguntou sobre armas, especificamente sobre um projeto que retiraria a marcação das capsulas de balas compradas pelas forças de segurança.
Foi um dos momentos mais constrangedores da entrevista. O Cavernícola tergiversou, Renata Lo Prete insistiu: "em que retirar a marcação das capsulas das balas ajudaria a combater o crime organizado e combater os bandidos?"
Novamente o Cavernícola tergiversou, falou da PEC da Segurança Pública e prometeu dureza penal, dizendo que isto tudo seria muito maior do que qualquer "detalhezinho" como este das cápsulas.
A coisa foi tão constrangedora que Renata Lo Prete disse ter entendido que ficou sem resposta. Mas a resposta existe: com a proposta de retirar a marcação das capsulas de balas, o Miliciano Honorário está fazendo jus a seu título e protegendo seus amigos.
Lo Prete insistiu no tema das armadas, citando pesquisas que mostram que a maioria do povo defende limitar o acesso às armas. O Cavernícola Filho defendeu a política de liberação de armas e mudanças no Estatuto do Desarmamento. E engatou novo ataque contra o presidente Lula, neste caso acerca da demora em reajustar o Bolsa Família.
Quase no final, Lo Prete falou sobre a prisão de Márcio Canela, deputado estadual eleito. Falou, também, de Rodrigo Bacelar e Cláudio Castro. "Essas relevações com políticos com os quais o senhor conviveu de perto, surpreenderam o senhor?"
Novamente, a resposta foi óbvia: "Surpreenderam." E acrescentou que espera que todos provem sua inocência, mas disse que "não tem que passar a mão na cabeça de ninguém, não".
Lo Prete perguntou sobre Saúde, levantando a bola para o Cavernícola Filho prometer que, caso eleito, daria autonomia total para um futuro ministro tomar as medidas necessárias numa situação de emergência. E acrescentou a promessa do SUS ter padrão Einstein.
Nas considerações finais, o Cavernícola Filho disse que "a Era Lula vai chegar ao fim". E assumiu três compromissos: 1/nunca prometer aquilo que não vai conseguir cumprir e entregar; 2/devolver o poder de compra das pessoas; 3/devolver a segurança.
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