quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Um texto fundamental

No mesmo dia em que a Globo se deu muito, mas muito mal, um amigo me enviou o texto que está disponível no link a seguir: O que esses brasileiros sabem - revista piauí

Autor: João Moreira Salles. 

Um cara do andar de cima.

O texto vale por muitos motivos.

Entre os quais, pela crítica que faz ao nosso governo, da qual destaco o seguinte trecho: "Ainda que as conquistas de Lula não tenham sido poucas (...) ele fracassou em nos propor um projeto de futuro". 

Vale, acima de tudo, pela forma como descreve a atitude da maioria da classe dominante, inclusive pessoas que ele cita com nome e sobrenomes: "a pergunta fundamental sobre como agiriam em momentos graves da história não precisa mais ser feita. A resposta foi dada".

Em resumo: quem vai salvar a humanidade, mais uma vez, serão os "danados da terra". É nóis.

Com a ajuda de uns poucos, mas muito bons que, mesmo sendo ricos ou muito bem de vida, sabem como agir nos momentos graves da história: “Mesmo se todos os outros, eu não”.

Isto posto, recomendo também a leitura da transcrição abaixo, feita pela Alana Gonçalves, da fala de Lula numa reunião com empresários e profissionais liberais, no dia 25 de setembro de 2026.

A transcrição não foi revisada, mas vale muito ser lida depois do texto de João Moreira Salles. 

Deixo para outra hora um comentário, especialmente sobre os dois trechos destacados com a cor amarela.

Segue a transcrição da fala de Lula.

Eu quero agradecer a vocês, convidados empresários, empresárias, profissionais
liberais que estão aqui nessa noite para ouvir um pouco daquilo que o governo fez
nesses 4 anos. Eu tenho feito questão de pedir para os meus ministros falarem.
Caixa, Banco do Brasil, BNDES, porque pra gente não fazer aquelas reuniões que é
a mesmice de sempre. Presidente vem aqui, fala meia hora, alguém faz uma
pergunta, ele responde e vai embora. Tá tudo resolvido. Então é importante, quando
eu vou fazer um comício, eu sempre costumo perguntar pro povo se ele se lembra
quem fez as coisas. Ou seja, eu fico perguntando quem fez o Samu, quem fez o Luz
para todos, sabe? Quem fez o Minha casa, minha vida e vou perguntando… quem
fez o Gás do povo, quem fez a Luz do povo, quem fez… perguntando. O povo sabe
porque ele sabe que antes de nós não aconteceu nada de política de inclusão
social. 

Eu tenho dito para todo mundo, esse país teve dois momentos históricos de
inclusão social. Depois de Marechal Deodoro da Fonseca, teve dois momentos:
Getúlio Vargas em 1936 com salário mínimo e em 1943 com a CLT e nós quando
chegamos no governo. Foram dois momentos históricos da política. Até do ponto de
vista de infraestrutura, se a gente for analisar, o Brasil teve pouca obra de
infraestrutura. Eu quando pensei em criar o PAC, é porque se você não cria um
programa para comprometer as pessoas a ter o que fazer no mandato inteiro, cada
ministro fica fazendo a sua política e termina uma colcha de retalho porque não tem
nenhuma obra de infraestrutura no Brasil. 

Eu sou uma pessoa de muita sorte. Se eu perguntasse para vocês, em que momento, quem de vocês se lembra quando a economia brasileira voltou a crescer acima de 3%? Quem se lembra? Cresceu em
2010 e cresceu quando eu voltei agora para a presidência da república. 

Eu peguei esse país com duas crises. Nós inventamos em 2008… Não, primeiro quando eu
ganhei as eleições, em 2002, os meus economistas historicamente mostravam a
situação no Brasil, a dívida externa, a dívida, a situação do FMI vir aqui no Brasil e
vistoriar nossas contas todo ano, ou seja, nós acabamos com isso, simplesmente
acabamos com isso por uma questão simples, ou seja, não é respeitoso um país
que não sabe tomar conta da sua conta. 

Eu digo sempre, a minha professora de economia foi a dona Lindu. Ela dizia: Você não gasta o que você não tem. Não faça dívida que você não possa pagar, porque se você fizer, você vai quebrar a cara. E
é assim que a gente vem tocando esse Brasil todos esses anos. 

Depois nós tivemos a crise do subprime nos Estados Unidos. Eu tava no Panamá com um monte de
empresário discutindo lá. Parecia que tinha aparecido um enxame de abelha. Quem
tinha dinheiro nos Estados Unidos correu para os Estados Unidos, já que tava perto
ali no Panamá. E todo mundo apavorado que a crise ia tomar conta do Brasil, que o
Brasil não sei das contas, que o Brasil ia quebrar e que o comércio não tava
vendendo uma coisa toda. Eu fui pra televisão fazer um pronunciamento de 8
minutos dizendo pro povo: Vá as compras, faça uma dívida que você possa pagar,
porque se você não comprar vai aumentar o desemprego. Então, a sua
responsabilidade. Foi a primeira vez na história que a classe C e a D consumiram
mais do que a classe A e a B. A e B. 

Agora nós tivemos a crise do Irã, a guerra do Irã. O que aconteceu recentemente? O petróleo, o Brent subiu, não sei se tá 105 agora, 106. É o fim do mundo. Aumentou a comida em todo o mundo. Aumentou o feijão, aumentou o arroz, aumentou tudo que é transportado, aumentou o preço da
gasolina em todos os países. Aonde é que nós seguramos aqui? O que que nós
fizemos? Chamamos as empresas. 

Nós estamos exportando petróleo, portanto, nós vamos cobrar o imposto da exportação para não permitir que o preço da guerra do Irã chegue no bolso do povo brasileiro. E já investimos 47 bilhões de reais para não permitir que o preço da gasolina suba e ainda sobe porque como privatizaram a
distribuidora, a gente não tem mais controle. Mesmo a Petrobras não aumentando,
as distribuidoras aumentam. Quando eu cheguei na presidência em 2003, eu tinha
comprado uma empresa de gás para que a gente pudesse controlar a distribuição
de gás. Porque a Petrobras vende o preço do gás, sabe, na distribuidora a um preço
muito pequeno e a distribuidora vende a um preço muito alto. Era preciso que o
governo tivesse o mínimo de responsabilidade de garantir que aquilo que é
considerado cesta básica do povo não ficasse sendo utilizado contra o próprio povo.

Hoje, hoje, só para você ter ideia, eu chamei a Agência Nacional de Petróleo para
uma reunião, que agora tudo é independente. Quando o Fernando Henrique
Cardoso criou as agências, as agências eram agência de regulação. O governo
determinava a política pública e a agência regulava. Mas depois do governo Collor,
elas viraram agência de tomar decisão, de tomar decisão. Eu pedi para ministra
chamar a gente para discutir por que não tinha controle das coisas que a gente
decidia que ter controle. Por que que não tinha controle? A maioria das pessoas que
trabalhavam na agência estão em home office, estão trabalhando em casa, estão
home office. Sabe, o presidente teve a pachorra de dizer para mim: “ah, não, nós
temos 700, mas não sei quantos estão trabalhando de home office, então não tem
como fiscalizar”. 

Mandei chamar outra vez essa semana, porque nós vamos ter que
comprar a briga, as agências vão ter que voltar a ser agência reguladora e quem
define a política pública é o Estado brasileiro. É para isso que nós somos eleitos.
Nós não fomos eleitos para ver as nossas agências serem cooptadas, os
empresários mandarem junto com determinados políticos nas agências. 

Eu tô dizendo isso porque as coisas que vocês me conhecem, vocês sabem da seriedade
com que eu trato a questão da governança nesse país. Vocês sabem, se tem uma
pessoa que vocês conhecem, como trata esse país, sou eu. Vocês sabem, a gente
sempre defendeu estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória, não é nem, não é nem
competência do governo, é obrigatória dele. Ele sabe que quanto mais as contas
tiver desajustadas, quem vai pagar o preço é o povo pobre. Todo mundo tem que
saber disso. Então essa questão da estabilidade fiscal, da estabilidade econômica, é
uma obrigação nossa, não é nem mérito. Se a gente quiser governar em benefício
de todos, esse tem que ser um ponto básico pra gente fazer a economia dar certo
nesse país. 

Eu não sei se vocês não compreendem o que aconteceu nos últimos 8
anos no país antes da gente chegar. De vez em quando eu acho engraçado o
pessoal cobrar de nós uma responsabilidade fiscal e se esquece que nós pegamos
esse país com 2.8% de déficit. 2.8. Esse ano nós entregamos um superávit de
0,1%. É pouco, é, mas é a demonstração de que nós encontramos o caminho para
voltar a trazer o Brasil a responsabilidade fiscal. 

Eu sinceramente queria dizer para vocês o seguinte: Olha, eu tenho um sonho com esse país. Eu tenho um sonho. Eu sonho em transformar esse país num país de classe média. Eu não me contento
com salário mínimo de R$ 2.000 ou R$ 3.000. É preciso que o povo ganha mais. E
vocês empresários precisa compreender que o trabalhador ganhando mais vai
resultar em vocês ganhar mais. Porque quanto mais a gente criar uma sociedade de
consumo, mais a gente vai ver as empresas produzirem e progredirem. Mas a
agricultura vai ter que produzir. 

Quando você vê alguém falar: Não, eu preciso eu
preciso cortar gasto na previdência, eu preciso cortar gasto na política, inclusão
social. Você tá fazendo o que se fez historicamente nesse país que não deu certo.
É tornar o pobre mais pobre. Ou seja, nós em apenas 12 anos encontramos de volta
33 milhões de pessoas que estavam passando fome, em apenas 12 anos. 

Ou seja, se a gente não tem responsabilidade social junto com a responsabilidade fiscal, a
gente não resolve o problema do país. Então nós temos que definir que país que a
gente quer. Um país que seja governado apenas para 35% da população, ou um
país que vai ser governado para 100% da população. É isso que tá na mesa. E
nesse momento a definição é mais fácil. 

Vocês estão vendo quem são os candidatos. Eu não preciso falar mal de ninguém. Vocês sabem quem são os candidatos e vocês sabem quantos têm condições de governar esse país. Vocês
estão diante de um cara que governou o estado mais rico por 16 anos e o único
presidente que tá governando há 12 anos. Qual é a dúvida? Se vocês tivessem
dúvida entre eu e, sei lá, um gênio, quem é um gênio? Algum deve ter por aí, mas
vocês não estão fazendo essa escolha, porque a história proporcional para vocês é
o que tá na mesa. Você não pode blefar. Isso aqui não é um truco isso aqui, isso
aqui não é um um jogo de truco que você fala: Eu vou blefar, eu vou blefar, eu vou
apostar, sabe? Porque se você apostar errado, você vai quebrar a cara. 

Vocês sabem disso. Vocês sabem disso. Porque… Ô gente, eu vou repetir uma coisa que
eu disse na primeira eleição em 89, depois eu disse em 94, depois eu disse em 98,
depois eu disse em 2002, depois eu disse em 2006 e voltei a dizer em 2022. Tem
cinco coisas pro país dar certo. Cinco coisas. 

Primeiro, tem que ter estabilidade política. Tem que ter estabilidade política. E para ter estabilidade política, o governante tem que ter biografia, tem que ter história. Se não tiver história, ele não
governa. Ele tem que ter partido político, porque se não tiver também não governa.
Se não tiver, faz do que aconteceu em alguns mandatos que vocês conhecem
nesse país. Depois da estabilidade política, você tem que ter estabilidade jurídica,
que é uma coisa muito incerta nesse país. É uma coisa muito incerta. Nós vivemos
às turras todo santo dia, todos os ministros aqui correndo no Congresso Nacional
para evitar que alguém vá para a justiça tentar ganhar. Essa semana mesmo
pegamos aí o Vorcaro ou preposto dele tentando assaltar 4 bilhões e 700.
Negócio do álcool. Nós conseguimos conquistar através da advocacia geral da
união. Porque todo mundo acha que pode levar vantagem em tudo. Pensa que eu
fiquei feliz quando a gente teve que pagar 94 bilhões de precatório, uma decisão do
judicial num país em que a gente pegou sem orçamento. O outro presidente era tão
ruim que nem para cumprir as dívidas dele ele deixou dinheiro. Nós tivemos que
fazer um acordo. O Haddad teve que ir lá discutir junto com os outros ministros para ter que arrumar dinheiro para governar esse país. E foi difícil, foi difícil. Quem é de vocês que acreditavam que a gente fizesse uma reforma tributária quando um
partido só tem 70 deputados e nove senadores? Quem é que acreditava que a
gente pudesse fazer uma reforma tributária? Ela foi feita. Agora nem entrou em
vigor, já tem gente que quer mudar outra vez. É preciso pelo menos experimentá-la
pra gente saber o que que vai dar certo, o que que não vai dar certo. Porque o que
tá em jogo nesse instante, meus queridos amigos e amigas, não é um candidato
contra outro candidato. Se fosse só isso, eu sei que vocês vão votar em mim, que
eu sou melhor do que ele. Eu sei disso. Eu sei. Pode ter alguém que até não goste
de mim, não tem problema. Não quero casar com vocês. Eu só quero voto. Sabe
porque vocês sabem que essa dupla aqui é melhor do que tudo que tá na mesa.
Aqui tá o zap sete de copas, sabe? O restante é ouro, espada. O três não é que é
treff que não faz muita coisa. 

Não, sabedor disso, eu quero dizer para vocês o que tá em jogo, gente. É se a gente vai querer fortalecer o regime democrático ou se a gente quer fazer a barbárie nesse país. É simplesmente isso que tá em jogo. É se a gente vai querer consolidar o processo democrático nesse país ou se a gente quer
construir uma nova barbárie. 

E quando eu digo construir a democracia, é importante
vocês saberem, no outro mandato nosso, a gente vai ter que ter coragem e fazer
uma reforma política de verdade. O país não pode viver do jeito que tá. O
Congresso não pode tomar 50% do orçamento da união. Não é possível, não é
justo. E tem que ter uma reforma profunda. Agora cada um de vocês vota, não sei
se todo mundo lembra qual foi o deputado que vocês votaram ou senador. Quem tá
lá é resultado de vocês também. 

Então é importante que a gente tenha muita
seriedade na hora da gente, sabe, tomar a decisão esse ano. Não é pouca coisa
que tá em jogo. Ou vocês votam em alguém que é brasileiro, aqui no Brasil conta
desse país, ou vai votar em alguém, sabe que vai beijar a bandeira nacional, a
bandeira americana, sabe, todo dia. É isso que tá em jogo. Que que vocês acham
que vai acontecer com as nossas riquezas? Sabe que ainda não conhecemos
todas, as chamadas terras raras e minerais críticos, que os americanos estão
doidos para pôr a mão. Se depender de quem vocês eleger, vão entregar tudo. Aí
vai fazer aqui no ciclo do ouro. O Galeano, um grande escritor uruguaio, ele criou
uma coisa fantástica. Ele disse que no ciclo do ouro o Brasil ficou com um buraco,
Portugal ficou com os palacetes e a Inglaterra fez a política industrial. E é isso que
vão fazer se a gente não tomar cuidado. 

Nós precisamos nos preparar para que essa nova possibilidade de riqueza que está no nosso subsolo seja um novo passaporte pro futuro desse país, que seja extraída aqui, seja transformada aqui,
seja trabalhada aqui, industrializada aqui e vendido a bem do nosso interesse. O
Lula não quer que venha empresa estrangeira, eu quero, mas tem que vir para
trabalhar sob o nosso comando, porque nós queremos ter conhecimento
tecnológico, porque senão a gente vai virar o mero exportador outra vez. 

O Pimenta sabe, uma vez eu briguei com o meu amigo Rogério Agnelli, é que era uma pessoa
que eu gostava muito do Agnelli, ele era um bom parceiro, mas uma vez eu fui falar
para ele, por que que você não faz mais uma ou duas siderúrgicas? Fui a Marabá,
fui a Marabá com ele fazer o lançamento de uma pedra, pedra fundamental, aquela  
que enterra mapa, enterra papel, planta da empresa. Fiz tudo isso, Haddad. Era
para ir fazer a siderúrgica e fazer uma ferrovia. Lá enterramos o mapa, enterramos
tudo, sabe? Quando viemos embora, sabe, a gente foi buscar tudo porque não
aconteceu nada. E aí o pessoal do ato fica brigando, não, porque vocês tem que
proibir a China de exportar para cá, porque a China tá exportando para cá, sabe? Tá
6 milhões de tonelada, mas se esquece que nós exportamos seis pros Estados
Unidos, ou seja, nós exportamos exatamente o que nós importamos. 

Ao mesmo tempo, na reunião que eu tive com os empresários, eu falei pros empresários, é
engraçado, é engraçado. Minha casa, minha vida parou no governo passado, então
diminuiu o aço. A indústria automobilística, quando eu deixei a presidência em 2010
e quando a Dilma tomou posse, logo em 2011, a gente vendia 3.800.000 carro.
Passamos a vender 1 milhão e 600, metade. Carro tem menos aço. Ora, se caiu a
construção, se caiu os prédios, se caiu a indústria automobilística e destruíram a
indústria naval que tinha 82.000 trabalhadores, voltou a ter 15, agora já tá com 75
outra vez. Aí não vai ter ninguém para comprar aço mesmo. Então, por que que a
gente não virou a China? A China que há 30 anos atrás produzia igual a gente 35
milhões de tonelada e agora é 1 bilhão de tonelada e nós funcionamos com 35
milhões. 

Então nós temos que levar em conta o seguinte, nós precisamos definir o
país que a gente quer construir. Eu admiro muito, admiro muito os empresários
desaforados. Eu tô olhando para você, Joel, porque eu acho que você é empresário
desaforado. O cara não só quer vender carne, mas quer vender foguete agora.
Míssil agora. Ele tá no mundo bélico dele. Ou seja, mas nós precisamos encontrar
empresários que sejam um parceiro para fazer esse país crescer em coisas que a
gente precisa. Essa questão de data center, sabe? É uma coisa maravilhosa
aprovação do Redata. Mas se a gente não tomar cuidado, a gente vai ter que saber
o seguinte: gasta-se muita energia. As pessoas vão ter que fazer muita hidrelétrica
nesse país ou fazer, sabe, eólica, solar, mas é muita energia porque a gente não
pode permitir que a energia que é produzida pro consumo da sociedade seja
utilizada para data center. Mas nós temos que ter o nosso data center, porque eu
não quero ficar brigando entre China e Estados Unidos para saber qual é a
inteligência artificial. Quero uma nossa. Será que nós não somos? 

Eu vi as pessoas falar que tem tanta gente inteligente. Por que que nós temos que ficar atrás de
inteligência artificial? Haddad, me conte, me conte, porque olha, eu tô achando que
nós temos competência de disputar com os americanos e chineses. É só a gente
querer. Nós vamos apostar em muito investimento em educação. Eu quero que a
molecada do Brasil entre nesse mundo digital. para estudar. Ao invés de eu ficar
ouvindo você falar: Não, porque os chineses são gênio, americano, são gênio, não.
Quem vai ser gênio vai ser um menino lá de Samambaia em Brasília, estudante do
Prouni, foi o campeão mundial de engenharia digital na China. Vou repetir, um
brasileiro do Prouni, que mora em Samambaia, ele foi o campeão mundial num
concurso de engenharia digital que houve na China. 

Enfim, bem, então veja o que que eu quero dizer para vocês, gente. Esse país não tem muita perspectiva.
Saudade do tempo que eu disputava eleição contra o Serra, contra o Alckmin, sabe? Contra o Fernando Henrique Cardoso, sabe? Era o tempo da democracia nesse país. A democracia, sabe? Agora, cadê a democracia? Nós estamos vendo agora, a era do argumento desapareceu. Agora é a hora da mentira, das coisas, do lacramento. É tudo frase, sabe? Por espectro, sabe? E esse mundo vocês acham
que dá certo? Esse mundo vocês acham que tá certo? 

Então nós vamos ter que fazer essa reforma política. Nós vamos ter que fazer uma reforma no judiciário. É importante lembrar, Bruno, que a primeira reforma no judiciário, quem fez? Grita aí.
Foi o Lula. Com Jobim, presidente da Suprema Corte e o Márcio Tomás Bastos,
meu ministro da justiça. Foi naquela que nós criamos o conselho do Ministério
Público, o Conselho de Justiça, foi nela. Não, não é tudo, mas nós temos que fazer
outra. Como é que a gente vai escolher o ministro da Suprema Corte? Como é que
vai escolher? Ele vai ser o mandato perpétuo ou vai ter um mandato? Não, eu não
vou saber como, não vou decidir sozinho, mas eu acho que a sociedade vai ter que
se manifestar, porque o que tá acontecendo não é bom pro país, não é muito bom
pro país, sabe? Eu sinceramente nunca imaginei tá vivo para ver uma podridão
como essa que tá acontecendo. 

Esse Vorcaro devia ser um malandro mesmo, que esse cara conseguiu corromper todo mundo. Porque o que ele não corrompeu com dinheiro, ele corrompeu com orgia. É, essa é verdade. Essa é verdade. A gente vai ficar com frescura de falar essas coisas. Se a gente não tiver coragem de falar, a
gente não conserta. Ah, não. Olha, com fulano não pode mexer, porque fulano não
se pode mexer. Fulano é importante. Não, não tem importante. Errou, pagou. Errou,
pagou. Então é o seguinte, se vocês acham é para fazer assim, pra quê? O Lula e o
Chuchu aqui, pra quê? Para fazer esse país voltar, sabe? 

É o seguinte, quando veio a taxação, o pessoal ficou com medo muito grande, pensou Lula e agora o que que vai acontecer? Porque as empresas vão quebrar. O que que nós fizemos? Criamos
fundo para salvar as empresas. Ninguém foi prejudicado e ao mesmo tempo nós
ensinamos Trump. Os Estados Unidos não quer comprar. A China aumentou 19%
da compra. A Indonésia aumentou 15%. A Alemanha aumentou 15%, o Vietnã
aumentou 13%. Ou seja, nós crescemos 10,5% em mais de 50 países e
aumentamos o nosso superávit de 50 para 80 bilhões. Eu vou ficar chorando os
Estados Unidos? Vou ficar chorando? Ele tem que tomar cuidado. Ele tem que
tomar cuidado porque nós vamos aplicar a lei de reciprocidade. O Marcio tá
negociando. 

Todo mundo sabe que eu sou um negociador. Nasci na negociação. Nasci, sabe, na negociação. E o Márcio sabe, o Alckmin era o coordenador junto com o Haddad e Mauro Vieira. Não era o Haddad, o Alckmin e mais um ministro. A Mauro, meu ministro das relações exteriores, “não saiam da mesa de negociação”. Se os Estados Unidos quiser sair não saiam. Vamos ficar na mesa dizendo agora
mesmo, faz um mês eu liguei pro Trump, falei ô Trump, não liguei para eles para
discutir o conselho de segurança da ONU. 

Se vocês sabem, a ONU tem um conselho de segurança e tem cinco membros que manda. São Inglaterra, França, Rússia, China, Estados Unidos. Eles têm o direito de veto, só aprova as coisas que
eles querem. Se eles não quiserem, Kalil, se um vetar, não acontece. Eu liguei para
ele, liguei pro Xi Jinping, liguei pro Putin. Por que que você não se reúne, cara?
Acaba com essa guerra do Irã. Você inventou uma guerra, disse que tinha ganhado.
Ganhei a guerra porque matei o Khamenei. A guerra começou quando ele matou o 
Khamenei. Ele nem sabia que tinha o estreito de Ormuz. Nem sabia. Então, como é
que um homem desses pode levar o mundo a uma crise? Porque quem paga a
conta é o pobre. 

Então veja, não tem muita gente. Eu tenho cobrado muito porque uma coisa que falta no mundo hoje é liderança. Eu não posso contar para vocês do que é uma reunião do G7. Não posso contar para você, vocês vão ficar com vergonha de ver comportamento de alguns países. Mas esse país aqui aprendeu a
não baixar a cabeça. Eu aprendi desde pequeno. Eu aprendi desde pequeno.
Ninguém respeita quem não se respeita. Ninguém no mundo empresarial, entre os
trabalhadores de vocês. Ninguém. Ninguém. Ninguém. Se você não se respeitar,
não espere que o outro te respeito. Então a condição sine qua non para você.
Gostou do sine qua non? Verdade quando eu comecei eu falava “menas laranja”.
Agora tô falando sine qua non. Então ninguém se respeita, gente. 

Então esse país precisa de respeito e eu gosto de receber respeito e gosto de dar. Eu trato todo
mundo, eu trato o Trump como eu tratava o Evo Morales. Todo mundo sabe. Ah, o
Lula vai se encontrar com o Trump, ele vai fazer que nem fez com o com o
presidente da África do Sul ou com o Zelenski. No primeiro encontro meu com
Trump, a gente sentou, a imprensa entrou, ele já foi dar entrevista. Eu falei: Não,
nós nem conversamos ainda. Como é que você vai dar entrevista? Manda a
imprensa embora. Vamos conversar primeiro. Colocar o bichinho ali no lugar dele.
Ele aí toda hora ele fala para mim porque eu tenho o maior exército do mundo, eu
tenho o maior navio do mundo, eu tenho, eu não quero guerra com você, Eu não
quero, eu quero guerra na narrativa. Deixa o Joel produzir os foguetes aqui que ele
vai ver o que é bom. Deixa, deixa que ele vai ver o que é bom. 

Então, gente, é o seguinte. Esse país, esse país precisa de um pouco de seriedade, mas sem perder
o humor. Tem que ter um pouco de humor para as coisas poder valer a pena fazer
política. Eu tô cansado para caramba. Eu tô aqui depois de dormir essa noite, 1 hora
da manhã, acordar, fazer uma carreata de 2 horas meia, viajar 3 horas para cá. Não
jantei aqui. Sabe por que eu não jantei aqui? Porque eu não gosto de comer
segurando o prato na mão. 

Quando eu entrei na Villares, 20 de janeiro de 1965, eu tive de ir trabalhar a pé porque eu não tinha dinheiro para pagar o ônibus e a Villares não tinha refeitório, não tinha restaurante, era de marmita e eu não tinha sequer ovo para levar na marmita. Eu fui trabalhar sem ter o que comer. Na hora do
almoço, todo mundo foi esquentar sua marmitinha. Eu fui pro bar da Villares, ali na
Vergueiro. Era um bar, como é que é? Mequetrefe, mas era um bar lá. Aí eu
cheguei lá, o pessoal comendo, dá um misto quente, me dá um bauru, me dá. E eu
lá olhando. Aí um cara falou assim: Ô companheiro, você é novo aqui, você não
quer comer?Falei: Não, não tô com fome. Não tô com fome, não, tô bem. A
lombriga tava comendo a menor, cara. Tava quase me morrendo por dentro, eu não
comi. Então, quando eu vejo as pessoas comendo na mão, eu lembro daquele
tempo, eu não consigo comer. Bom vocês saber disso. Quem me convidar para
jantar tem que ter uma mesa, uma cadeira para colocar o prato pra gente comer
sentado. Porque bom, se vocês pagarem esse jantar, pode pegar de volta o
dinheiro, porque sinceramente, sabe, vocês merecem mais. Vocês merecem mais.O
dia que eu convidar, vocês vão ter mesa, prato, garfo, taça, copo, sabe? É isso.

Então é assim, se vocês quiserem, o Lula e o Chuchu estão prontos, pronto para
fazer o Brasil necessário, para fazer o Brasil correto, para fazer o Brasil justo, né?
Ninguém, ninguém tem mais experiência do que nós dois. Ninguém. Não tem nesse
país ninguém com mais experiência do que nós dois. Tá aqui um homem que
governou São Paulo 16 anos e ainda foi vereador em Pindamonhangaba. E o Lula
que foi vender vendedor de tapioca em Itapema, lá em Santos, sabe? Então nós
dois aqui é a dupla certa. Dupla certa. Já experimentaram chuchu com lula. Tô
brincando, tô brincando, mas é verdade. Vocês sabem o que que ta acontecendo.
Não pode brincar, sabe? 

Se vocês ficarem, não, porque tem que falar que vai que vai diminuir a taxa de juro. Vocês brigaram pelo Banco Central independente. Vocês brigaram dizia que era bom o banco central independente maravilhoso. Foi vocês que pediram, não fui eu. E mesmo quando ele não era independente, eu tive o
Meirelles 8 anos e não troquei. 8 anos. Quantas vezes vocês aparecer lá: “troca
porque o banco central precisa baixar a taxa de juros”. E ficou lá o Meirelles 8 anos.

Meu amigo Fernando Henrique Cardoso trocou quatro presidentes do Banco
Central. Eu não troquei o Meirelles quando todo mundo queria que eu trocasse.
Aliás, coisa engraçada na história. Eu vou contar, eu sei que a impresa tá
transmitindo, mas eu vou contar porque dizem que quando a gente tem 80 anos não
tem mais nada que a gente seja proibido falar. Então deixa eu contar uma coisa. Eu
tive para tirar o Meirelles duas vezes. Nas duas vezes que eu tive que tirar o
Meirelles, nós conquistamos investimento, sabe? E aí eu fiz reunião com alguns
companheiros, vou dizer o nome aqui, sabe? Um deles era o meu amigo Delfim
Neto. Eu passei 30 anos da minha vida xingando o Delfim. E depois que eu fui eleito
presidente, o Delfim virou meu amigo, uma pessoa extraordinariamente competente.
Eu tive o prazer de conhecer e ele virou um lulista e eu virei um delfinista, sabe?
Mas eu sei o quanto eu xinguei ele. Mas então eu conversava com ele e com outras
pessoas: “Não dá, tá na hora de trocar o Banco Central. Bom, essa semana eu vou
trocar”. Aí Pau! Brasil conquistava investimento, um grau de investimento. Dois,
dois, dois. Você conquistou algum? Não, dois nós conquistamos. Eu logo que nós
tomamos posse, eu fui fazer uma reunião com as agências lá nos Estados Unidos.
Chamei todas as agências. Que história que é essa, cara? Qual é, qual é o
problema? Quando eu tomei posse, a nossa taxa de risco era 2800 e não sei
quanto. Quanto que é hoje, Dario? “Hoje é 120”. Tá quase negativa a nossa taxa de
risco. E o cara não dá, sabe, grau de investimento para nós. 

Brincadeira à parte, falta 10 dias para vocês decidirem isso que vocês querem. Falta 10 dias, tá? E
vocês sabem o que pode acontecer nesse país. Vocês sabem que o Trump tá
fazendo aposta de que ele vai ser dono da América Latina. Essa é a aposta dele.
Mais do Marco Rubio do que dele. Mais do Marco Rubio do que dele. Eu quero dizer
para vocês, enquanto eu for presidente, o dono disso aqui chama-se povo brasileiro
e ninguém vai ter o governo, tá? Isso vale, isso vale para os empresários brasileiros.
Porque é um país que se preza tem que ter uma indústria muito forte e o Estado
pode ser o participante dessa grandeza das empresas. Por isso é o seguinte, se
preparem. Vocês receberam, tá aqui o programa de governo. Eu quero que você
leia. Eu não li, mas eu quero que vocês leiam. 

Ah, eu na verdade, eu não tenho tempo de ler isso aqui, gente. Eu chego todo dia meia-noite cada para dormir, levanto 6 horas da manhã para fazer, levanto 5:30 para fazer ginástica. Eu quero
saber se o (...) tá levantando. Quem levanta de madrugada para fazer ginástica, não
tem crise, cara. Não tem problema. 5:30 eu tô levantado, faço duas horas de
ginástica, vou trabalhar, xingo meus adversários, eles me xingam, sabe? E tô aqui
dizendo para vocês, dia 10, dia 4 de outubro, vote Lulinha e vote Alckmin que vocês
vão ser recompensado que o país vai voltar a crescer e vai voltar a crescer muito e
a gente vai transformar esse país num país em que a sociedade brasileira vai ter um
país de dignidade sobretudo. 

Eu não quero mais um país só de uma família, eu não quero mais um país só de pequenas coisas, um país de grande coisa. Porque é isso que dá dimensão de grandeza. Por isso eu conto com vocês. Quem quiser pegar adesivo pode ir lá fora, tá? Não se esqueça: Lula com chuchu, sabe? No dia 4 você
também, Kalil. Você também, você como é fica rindo para todo mundo. Vai lá, o
Zema, você sorri. Vai o Caiado, você sorri. Vai e para mim você tá sorrindo. Eu
quero saber se o seu sorriso para mim é o verdadeiro. Então eu aceito. Gente, muito
obrigado. Desculpa a brincadeira, mas eu quero agradecer aos organizadores desse
jantar e até o dia 4, se Deus quiser.

Um comentário:

  1. Será que nosso zerói não sabe que foi da classe média alemã que saíram as grandes lideranças do nazismo? Será que não sabe que aqui jamais será uma Suécia tropical? E ele repete isso, mesmo sabendo que a classe média em boa o detesta com fervor. E se pensar bem, o hegemonismo dele favoreceu a gelatinosidade de nossos partidos e movimentos, o descrédito da esquerda com os escãndalos de corrupção e outros impasses da nossa democracia restrita.

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