Valter Pomar
sábado, 12 de setembro de 2026
Lula, o time e a torcida
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Esta (falta de) resolução é um perigo
Não sou contra textão.
RESOLUÇÃO COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL 10 DE SETEMBRO DE
2026
1. O Brasil se aproxima das eleições de 2026 em um dos contextos políticos e
institucionais mais desafiadores dos últimos anos. O que estará em disputa
nas urnas não será apenas a escolha de um presidente da República, mas o
rumo que o país seguirá nas próximas décadas e a capacidade de
consolidarmos a democracia, defendermos nossa soberania e avançarmos
nas mudanças que a vida do povo brasileiro exige e faremos as reformas que
a democracia exige.
2. Como apontamos nas últimas resoluções desta Comissão Executiva
Nacional, essa disputa acontece em um cenário internacional de avanço e
reorganização da extrema direita. Em diferentes países, forças autoritárias
atacam instituições democráticas, direitos sociais e a soberania. Nesse
quadro, a vitória do presidente Lula no Brasil não representa apenas a vitória
de um projeto popular em território nacional. É uma vitória de sentido
humanitário para as forças democráticas em todo o mundo. O Brasil ocupa
hoje um lugar central nessa disputa.
3. Nas eleições do nosso país, o povo brasileiro decidirá entre dois projetos
opostos: um que defende a democracia e outro representado por aqueles que
atacaram permanentemente as instituições democráticas e orquestraram
uma tentativa de golpe, com o planejamento do assassinato do presidente e
do vice-presidente da República e do presidente do Tribunal Superior
Eleitoral à época; um que defende a distribuição de renda e outro que
defende privilégios; um que defende uma Polícia Federal independente para
investigar e combater a corrupção e outro que interferiu na autonomia da
instituição para proteger a própria família; um que defende a saúde pública e
universal e outro que fez do negacionismo política de governo; um que
defende a vida das mulheres e outro que se cala diante da violência contra
elas.
4. Trata-se, ainda, de um contexto institucional marcado pela crise de
instituições no Brasil. É inegável a crise que vivenciamos, quando a Suprema
Corte brasileira trava uma "guerra" aos olhos estarrecidos da sociedade.
Acreditamos no funcionamento do STF pautado pela transparência, equilíbrio
e pelo respeito à Constituição. Diante da disputa clara na Corte, confiamos na
autoridade de seu presidente, ministro Fachin, para que as apurações sejam
aceleradas e conduzidas, de modo que o povo brasileiro conheça a verdade.
O Brasil precisa que todas as investigações ocorram com transparência e
integralmente, sem privilégios para quem quer que seja.
5. Sabemos que não haverá democracia com o Judiciário desmoralizado.
Defender as instituições significa também exigir delas transparência,responsabilidade e respeito às regras que valem para todos. Tudo o que for
alvo de investigação deve ser apurado e a sociedade precisa conhecer os
resultados.
6. Por isso, acreditamos que é importante para que toda a sociedade conheça
a verdade, que seja retirado todo o sigilo das investigações do maior
escândalo financeiro da história, o caso Banco Master.
7. Defendemos que só com a transparência é possível que o Brasil cobre as
apurações necessárias, passe essa página a limpo, e impeça que esse
cenário de vazamentos seletivos possa contaminar injustamente o cenário
eleitoral, interferindo diretamente na disputa.
8. Ao defender toda a apuração e transparência, reforçamos que o PT já
aprovou, em seu manifesto do 8º Congresso, uma “Reforma do do Sistema
de Justiça”, por entender que ninguém está acima da lei e que a lei deve
servir aos interesses do povo brasileiro. Realizamos em julho um seminário
de debates internos sobre o tema, com o objetivo de aprofundar as
formulações do partido nessa área e contribuir programaticamente com um
sistema de justiça mais célere, moral, transparente e efetivo.
9. Hoje reafirmamos nossa posição de que o sistema de justiça deve garantir os
direitos fundamentais do povo brasileiro, e não ser um balcão de negócios de
interesses privados. Defendemos a criação das cadeiras da sociedade civil
no CNJ e CNMP, a fim de ampliar o controle social da justiça; o fim dos
supersalários, dos penduricalhos e dos privilégios, a criação de códigos de
ética, estabelecer tipos penais mais duros de corrupção, peculato e tráfico de
influência cometidos por atores do sistema de justiça; iniciar o debate sobre
mandatos nas cortes superiores; quarentenas mais duras e que imponham a
conduta ética; a criação de sólidos critérios raciais e de gênero para
nomeação em tribunais, o fortalecimento da justiça trabalhista e a
universalização da defensoria pública no país, buscando acesso à justiça e
segurança dos direitos.
10. É preciso relembrar que o Presidente Lula foi o único que realizou uma
profunda reforma democrática do judiciário, quando, em 2004, criou o
Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Conselho Nacional do Ministério
Público (CNMP), e estabeleceu novos mecanismos de controle,
transparência e eficiência. Passados 22 anos o Brasil precisa novamente
enfrentar esse debate, seguindo este exemplo. Lula tem experiência política,
compromisso democrático e capacidade de diálogo para conduzi-lo sem
atacar as instituições e sem se omitir diante da necessidade de aperfeiçoá-
las. Por isso, é fundamental a recriação da Secretaria de Reforma do Sistema
de Justiça a fim de organizar e propor um Pacto entre Poderes, com
participação da sociedade civil, para a formulação de um programa de
reforma do sistema de justiça brasileiro.
11. Sabemos quem é o Presidente Lula. O povo brasileiro conhece seus
compromissos com a democracia, a soberania, com as famílias e com a
estabilidade de nossas instituições. Lula já demonstrou em três mandatosque é possível, com o diálogo, promover mudanças profundas para o bem-
estar da sociedade e enfrentar crises com firmeza e coragem.
12. Também sabemos que o Brasil não pode aceitar novamente. Não queremos
um Brasil controlado pela milícia. Não queremos a fome de volta ao Brasil.
Não queremos golpes nem planos de assassinato de autoridades. Não
queremos novos casos como o do Banco Master, nem corrupção de
autoridades. E não aceitaremos que aqueles que representam esse passado,
tentem agora se apresentar como resposta para os problemas do país.
13. Precisamos organizar uma ofensiva democrática para não permitir que as
forças do autoritarismo, as forças antidemocráticas, se apropriem do legítimo
sentimento de mudança do povo diante da percepção de falência do sistema.
Devemos ouvir essa insatisfação e responder a ela. O que não podemos
permitir é que ela seja capturada justamente por aqueles que atacaram a
democracia, destruíram políticas públicas e governaram contra os interesses
nacionais, por aqueles que vão destruir as vitórias dos trabalhadores.
14. Vamos ampliar o diálogo com as comunidades de fé, reconhecendo seu
papel na sociedade. Evangélicos, católicos, religiões de matriz africana e
outras tradições religiosas não podem ficar à disputa exclusiva da extrema
direita. Devemos dialogar respeitando a liberdade religiosa, sem transformar
igrejas e espaços de culto em palanques, apresentando um projeto
comprometido com vida, justiça social, solidariedade, paz, democracia e
dignidade humana.
15. Não podemos permitir que fatos graves sejam apagados.É fundamental que
o PT aponte que quem se beneficiou da corrupção do Banco Master,
enviando dezenas de milhões de reais para fora do Brasil, foi a família
Bolsonaro, no suposto financiamento do filme "Dark Horse".É preciso explicar
para onde foi esse dinheiro e com o que ele foi gasto. É preciso que as
autoridades apresentem os resultados das investigações.
16. É preciso mostrar as denúncias da compra imóveis com dinheiro sem origem
explicada, ou com benefícios bancários jamais esclarecidos, como no caso
da compra de uma mansão em Brasília.
17. Precisamos lembrar da tentativa de golpe contra a democracia em 8 de
janeiro e do planejamento de assassinato de autoridades, bem como das
relações que a família Bolsonaro construiu, e ainda mantém, com as milícias
do Rio de Janeiro e com a criminalidade. É fundamental, também, que
denunciemos que Flávio Bolsonaro homenageou milicianos durante o
exercício de um mandato público.
18. São os mesmos que viraram as costas para o povo brasileiro durante a
pandemia e foram responsáveis pela morte de centenas de milhares de
brasileiros, incentivando remédios com ineficácia comprovada pela ciência,
enquanto atrasavam a compra da vacina e faziam negociatas com os
imunizantes disponíveis no mercado;
19. São os mesmos que desorganizaram o sistema de concessão de benefícios
sociais, que entregaram o salário mínimo em 2022 sem nenhuma valorizaçãoreal, que fizeram disparar a inflação de alimentos e devolveram o Brasil ao
Mapa da Fome, empurrando brasileiros para a chocante fila do osso.
20. A mesma família ofereceu nossas riquezas a Trump e carrega mais a
bandeira dos EUA do que a nossa própria bandeira. Flávio Bolsonaro torceu
e negociou o tarifaço feito por Trump que prejudica empresas e empregos.
Quem é subserviente, entreguista e pensa nos próprios benefícios, ao invés
de pensar no próprio povo, jamais protegerá o Brasil.
21. O povo brasileiro reconhece que o presidente Lula é o único capaz de
negociar com o governo Trump de igual para igual, com diplomacia, e a
cabeça erguida, sem negociar nossa independência ou nossos minerais
críticos, que são o futuro do nosso desenvolvimento, o futuro dos empregos
de qualidade.
22. O governo do presidente Lula fez muito pelo Brasil ao recuperar o país do
buraco herdado do governo Bolsonaro. Nestes três anos e meio de
reconstrução, recuperamos taxas de crescimento econômico em torno de
3%, conquistamos o menor desemprego da série histórica e, com a retomada
da valorização do salário mínimo, voltamos a elevar o rendimento real das
famílias. Com isso, saímos do Mapa da Fome, o poder de compra aumentou
e a inflação está controlada.
23. Não utilizamos essas conquistas para negar os problemas que ainda existem.
Entendemos que ainda estamos muito aquém do desejado e que o custo de
vida continua sendo um desafio para as famílias brasileiras. O endividamento
ainda é alto, apesar dos esforços do governo para reduzi-lo, e as elevadas
taxas de juros aumentam o custo das dívidas. Assim como as bets têm
agravado o endividamento das famílias e precisamos combater este quadro.
Reconhecemos o que precisamos avançar e vamos trabalhar para mudar o
que é preciso.
24. Precisamos avançar mais em um próximo governo, para que a melhora
econômica seja mais bem percebida e aproveitada pela sociedade,
combatendo a alta de preços e ampliando o poder de compra das famílias,
com mais desoneração dos salários e tributação dos super ricos que não
pagam tributos. A recuperação econômica precisa ser sentida no cotidiano
das famílias, com enfrentamento do custo de vida, especialmente dos preços
dos alimentos, da moradia, da energia, do transporte e dos serviços
essenciais. Reduzir de forma sustentável as taxas de juros e o custo do
crédito, diminuir o endividamento, aumentar a renda e ampliar o poder de
compra devem ser prioridades do novo governo Lula.
25. Enquanto no governo da família Bolsonaro, o salário mínimo perdeu poder de
compra real e as pessoas se enfileiram na fila do osso em busca do mínimo
para se alimentar, com 33 milhões de brasileiros passando fome, no governo
Lula voltamos a valorizar o salário mínimo e a sair do Mapa da Fome.
Tivemos o maior rendimento mensal da série histórica de 2012. Só quem já
fez tudo isso, pode no próximo governo avançar ainda mais.
26. Na educação, recuperamos os investimentos negligenciados no governo
anterior e demos um novo impulso à alfabetização na idade certa, que já
chega a 66% das crianças brasileiras — acima da meta traçada e a caminho
dos 80% que queremos alcançar. Ampliamos as vagas em creche,
avançamos na expansão da educação em tempo integral, agora com
financiamento garantido pelo Fundeb, e criamos o Pé-de-Meia, que já
garante a permanência de mais de 7 milhões de jovens no Ensino Médio,
reduzindo 43% da evasão escolar, ou seja, evitando que jovens abandonem
os estudos por precisar trabalhar. Também ampliamos os Institutos Federais,
que saltaram de 140 unidades para mais de 600 em todo o país. No próximo
governo, iremos avançar ainda mais, vamos universalizar o tempo integral na
rede pública, seguir fortalecendo o Pé-de-Meia e chegar a 800 Institutos
Federais, priorizando o interior e as periferias das grandes cidades.
27. Na saúde, reconstruímos o SUS depois do sucateamento promovido por
Bolsonaro: fizemos a recomposição do Programa Nacional de Imunizações e
a vacinação voltou a ser prioridade, com o retorno do Zé Gotinha, voltando a
eliminar doenças como o sarampo. Retomamos e ampliamos o Farmácia
Popular, dobramos o número de médicos do programa Mais Médicos para
levar assistência a regiões isoladas e distantes de grandes centros.
Renovamos a frota do SAMU, investimos bilhões de reais através do Novo
PAC Saúde e lançamos o programa Agora Tem Especialistas, que já reduziu
filas históricas de consultas, exames e cirurgias em centenas de municípios
do país. Fizemos ainda o Brasil Sorridente, trazendo dignidade, com
assistência odontológica, a milhões de brasileiros.
28. No próximo governo, iremos avançar ainda mais: vamos unificar o histórico
de saúde do paciente, ampliar o Farmácia Popular com exames e telessaúde,
e implantar uma fila única digital organizada por risco clínico, para que quem
mais precisa seja atendido primeiro.
29. Na segurança, devolvemos à Polícia Federal a autonomia para investigar e
combater o crime organizado e a corrupção sem interferência política, o
oposto do que fez Bolsonaro, quando trocou o comando da corporação para
proteger o próprio filho, Flávio Bolsonaro. Sancionamos a Lei Antifacção, que
ampliou os instrumentos do Estado contra milícias, facções e organizações
criminosas, atacando suas estruturas financeiras. Lançamos o Brasil Contra o
Crime Organizado e revogamos os decretos do governo passado que
facilitavam o acesso às armas (e consequentemente ao tráfico de armas).
Enviamos ao Congresso a PEC da Segurança Pública, dialogando por novo
pacto entre municípios, estados e governo federal para combater o crime
com inteligência e união. E estamos cada vez mais ampliando as ações do
Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios para criar um país cada vez
mais seguro para nossas meninas, jovens e mulheres.
30. Reconhecemos que o Brasil ainda sente a insegurança no dia a dia. Por isso,
no próximo governo, iremos avançar ainda mais: vamos criar o Ministério da
Segurança Pública, fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública eampliar a atuação integrada entre União, estados e municípios, para
enfrentar o crime organizado sem abrir mão dos direitos e da vida da
população. Vamos ampliar o combate ao feminicídio e aumentar também o
patrulhamento de nossas fronteiras com tecnologia avançada. Temos que
devolver os territórios para as comunidades e as famílias. Segurança pública
é direito de todas e todos. O Estado deve recuperar territórios dominados
pelo crime organizado, proteger crianças, jovens, mulheres e trabalhadores e
combater o crime com inteligência, investigação, prevenção e integração das
forças de segurança, sem transformar periferias em territórios de exceção.
Segurança e direitos são responsabilidades inseparáveis do Estado
democrático.
31. Queremos o SUS forte e funcionando. Queremos que o Brasil pertença ao
povo brasileiro. Queremos a reforma política, o sistema brasileiro apodreceu,
e a reforma do Judiciário. Queremos um futuro de esperança e dignidade
para todo o povo brasileiro, com empregos de qualidade. Queremos o Fim da
Escala 6x1: precisamos redução da jornada de trabalho sem redução de
salários. Queremos melhorar a renda das famílias. Queremos taxas de juros
mais baixas, garantir o aumento real do salário mínimo e direitos
previdenciários. Queremos garantir soberania sobre nossas riquezas, como
petróleo, terras raras e minerais críticos. O presidente Lula desonerou
salários tributando super-ricos. Mas queremos mais. Quem já fez, conhece o
caminho, e pode fazer muito mais.
32. O Brasil precisa enfrentar a precarização do trabalho, garantindo direitos e
proteção social aos trabalhadores informais, de aplicativos e de plataformas
digitais. Redução da jornada, fim da escala 6x1, valorização dos salários e
oportunidades para a juventude devem integrar um projeto de
desenvolvimento com empregos de qualidade. Precisamos enfrentar a nova
escala de desinformação política nas redes sociais, aplicativos de
mensagens e conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial.
A campanha deve combinar comunicação direta, presença territorial,
formação de militantes e resposta rápida às mentiras, com verdade, diálogo e
responsabilidade democrática.
33. O enfrentamento da emergência climática deve ser prioridade do próximo
governo. Enchentes, secas, ondas de calor, insegurança hídrica e impactos
na produção de alimentos atingem diretamente a população, sobretudo os
mais pobres. A transição para uma economia de baixo carbono deve
combinar proteção ambiental, soberania nacional, desenvolvimento
tecnológico e empregos de qualidade.
34. Não se trata apenas de uma eleição: trata-se do futuro do Brasil e das
famílias brasileiras. Há quem reconheça avanços, mas ainda não os percebe
suficientemente em sua própria vida. Há quem esteja distante da política e há
quem esteja sendo permanentemente alcançado pela mentira e a
desinformação da extrema direita. É com essas pessoas que precisamos
conversar. Será com a verdade sobre os projetos em disputa e sobre o queestá em jogo que venceremos essas eleições. Com orgulho do que já
fizemos, com humildade para reconhecer que precisamos avançar muito
mais, e com esperança em um futuro melhor, vamos ampliar a mobilização
nas ruas e nas redes em todo o país para dialogar com o povo brasileiro e
levar Lula à sua quarta vitória como presidente da República.
35. Lula deve liderar o país para um pacto político de um projeto de nação. Um
projeto de nação desenvolvida e soberana. Que consolide os avanços até
aqui, mas apresentando muito mais para o futuro. Quem já fez tanto pelo
Brasil, pode e fará muito mais.
36. Convocamos toda a militância do PT, em conjunto com os partidos aliados,
movimentos sociais e sindicatos, a se mobilizarem no dia 13 de setembro, em
um dia de mobilização nacional nos 27 estados do país, organizando
atividades de rua e de redes, panfletagem, caminhadas, carreatas e ações
pulverizadas para marcar presença em todo canto, com muito diálogo e
mobilização. Determinamos um plano de ação nas redes e nas ruas para
intensificar a campanha nas próximas semanas.
37. Acreditamos na força da nossa militância, forjada na luta por um Brasil mais
justo e digno, para percorrer o país e como disse o Presidente Lula “em
estado permanente de campanha” mostrar ao povo brasileiro o tanto que foi
recuperado de direitos e dignidade desde 2023, o quanto avançamos e o
quanto o único com um projeto capaz de fazer mais por esse país é quem
tem experiência, lealdade ao Brasil e ao povo brasileiro e coragem, o
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Janja, Deus e a campanha eleitoral
Às vezes, como Eduardo, é melhor não comentar.
Mas outras vezes precisamos falar, nem que seja para salvar a própria alma.
Por isso vou comentar, aqui, um trecho do discurso feito pela companheira Janja no Piauí.
O discurso integral de Janja está aqui:
https://www.instagram.com/reel/DdFoQvJOREh/?stkn=MW9kdXZ5aDJsOWczcQ==
Como se pode constatar, o discurso trata de temas fundamentais, adotando posições corretas.
Entretanto, quase no final, Janja diz - apontando para Lula - a seguinte frase: "esse é o verdadeiro ungido de Deus".
Como é óbvio, mas o óbvio precisa ser dito, Janja tem todo o direito de dizer e de pensar o que quiser.
E como Janja escreveu o discurso, tenho certeza de que ela refletiu sobre a referida frase, inclusive sobre o sentido da "verdade" num contexto teológico e, também, sobre a conveniência de citar o nome de Deus numa disputa eleitoral.
Dito o óbvio, quero deixar uma opinião a respeito.
Opinião vinda, é bom confessar, de alguém que integra uma das minorias de nossa sociedade: os ateus.
A extrema-direita tenta transformar a disputa política-ideológica em uma guerra religiosa.
Faz isso no Brasil, faz isso no mundo inteiro, a começar pelos Estados Unidos, onde volta e meia Trump e os seus atribuem aos inimigos propósitos "satânicos".
Na minha opinião, a esquerda não deveria embarcar nessa canoa, nem em nenhuma outra parecida.
Estamos sim diante de uma batalha existencial.
Mas não é apelando para Deus que venceremos esta batalha.
Não apenas porque é errado (afinal, um Estado republicano e laico não é dirigido pelo "verdadeiro ungido por Deus", mas sim por quem o povo escolha).
Mas principalmente porque, como a experiência demonstra, este tipo de argumento não produz os efeitos pretendidos.
Além de passar uma impressão totalmente desnecessária.
Estava na cara deste o início que esta eleição seria duríssima, que seria resolvida no segundo turno e que ganharemos por pouco.
Logo, não há motivo para desespero.
Venceremos!
Venceremos, claro, se entendermos que se trata de uma guerra, onde podem e devem ser usadas todas as armas, desde que funcionem!
Dixi et salvavi animam meam.
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
O que a diretoria do Andes, o MGI e a AGU têm em comum?
Se o cavernícola filho vencer as eleições presidenciais, o Brasil vira colônia dos EUA.
E a isso se soma o pacote de maldades já conhecidas.
Sem falar que tudo indica que um desgoverno do filho causaria mais danos que o do pai.
Sendo este o contexto, a classe trabalhadora precisa entrar em clima de mobilização total.
Inclusive nos locais de trabalho.
Nesse sentido, as orientações emitidas pelo governo federal, a pretexto de disciplinar a campanha no serviço público, constituem na melhor das hipóteses um desserviço.
Paradoxalmente, o Andes Sindicato Nacional, geralmente tão crítico, desta vez aderiu às orientações do governo Lula acerca do “defeso eleitoral”.
Foi esse um dos argumentos para “justificar” uma resolução - aprovada por 34 a 32 no Conad - que não defende explicitamente votar em Lula nas eleições presidenciais de 2026.
Esta (falta de) resolução pegou mal.
E, para piorar, demonstrou-se por A + B que a orientação do governo, respaldada pela diretoria do Andes, estava juridicamente errada.
A referida demonstração pode ser lida aqui:
https://www.correiobraziliense.com.br/direito-e-justica/2026/09/7492547-se-as-eleicoes-sao-a-festa-da-democracia-os-servidores-publicos-nao-foram-convidados.html
Frente a isso, a diretoria do Andes resolveu dobrar a aposta e divulgou o seguinte texto:
https://www.andes.org.br/conteudos/noticia/eleicoes-2026-aNJ-explica-limites-para-atuacao-do-aNDES-sN-e-secoes-sindicais1
Trata-se de um caso clássico do rabo balançando o cachorro: ao invés do jurídico ajudar a viabilizar a campanha, ele é chamado para atrapalhar a campanha, destacando o que não pode ser feito e pondo medo nas pessoas.
Para exemplificar isso, seguem trechos do texto divulgado pela diretoria do Andes: “eventuais sanções e irregularidades jurídicas”, “evitar penalidades”, “condutas expressamente proibidas”, “terminantemente vedado”, “proibição”, “não podem”, “restrições fundamentais”, “é vedado”, “consequências graves”, “multas”.
O texto chega ao ponto de dizer o seguinte: “A própria propaganda institucional do sindicato deve manter-se neutra, abstendo-se de publicar materiais que exponham a plataforma de apenas um candidato específico, que façam comparações direcionadas ou que sugiram que determinado concorrente é o mais qualificado”.
Na prática, a diretoria do Andes está aceitando e adotando passivamente uma orientação que limita ilegalmente a liberdade sindical garantida em lei.
Esta mordaça, além de ilegal e errada em qualquer circunstância, é particularmente absurda e surreal na atual situação, em que o fascismo está batendo nas portas.
Como essa postura é desmoralizante, o texto apela para o sofisma, como se pode constatar no seguinte trecho: “o sindicato preserva seu papel ativo na promoção do debate democrático e na conscientização da categoria. Os diretores da entidade, por exemplo, possuem o pleno direito de manifestar suas opiniões de caráter pessoal. No entanto, para evitar problemas jurídicos, a AJN recomenda que essas manifestações pessoais não sejam associadas à marca do sindicato”.
Ou seja: os diretores podem, o Sindicato não. Como, então, falar em “papel ativo”??
Alguém acha mesmo que, agindo deste jeito, vamos ter êxito em derrotar a extrema-direita e o fascismo?
Quero crer que, mais cedo que tarde, “cairá a ficha” da diretoria do Andes, que se dará conta de que sua interpretação do “defeso eleitoral”, além de ilegal, nos deixa indefesos.
Mas enquanto isso não acontece, seguiremos fazendo a campanha do Lula nas universidades, mesmo que isso desagrade a AGU, o MGI e a diretoria do Andes.
Preparar desde já a batalha do segundo turno
Muita gente acreditava que Lula venceria as eleições no primeiro turno.
Alguns acreditavam em vitória no primeiro turno, por falta de memória.
Afinal, em todas as eleições que ganhamos, foi sempre no segundo turno.
Por qual motivo seria diferente em 2026?
Outros acreditavam em vitória no primeiro turno, por superestimar as realizações e “entregas” do Lula 3.
Hoje, parece ter ficado evidente que estas realizações e entregas - não importa como as avaliemos - não se converteram em apoio majoritário para a reeleição no primeiro turno.
(Digo “parece”, porque no dia 9/9/2026 ouvi um autoproclamado expert falar no ICL que o governo Lula voa em “céu de brigadeiro”. Como se vê, tem gente que esqueceu totalmente do ensinamento da Dona Maria e segue acreditando que estatísticas alimentam o corpo e a alma do povão.)
Há um terceiro grupo que fala em vitória no primeiro turno, por um motivo distinto dos anteriormente citados.
Para este terceiro grupo, ou ganhamos no primeiro turno, ou seremos inevitavelmente derrotados no segundo turno.
As pesquisas mais recentes colocaram os defensores desta opinião diante do famoso dilema “se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”.
Afinal, salvo uma reviravolta totalmente inesperada, não há como evitar o segundo turno na eleição presidencial.
Nossa sorte é que segue sendo possível vencer no segundo turno. Aliás, nunca ganhamos no primeiro turno.
Mas, para isso, é preciso começar a nos preparar desde já.
E a primeira providência é vacinar a militância contra o derrotismo explícito de quem acha que, se formos ao segundo turno, seremos inevitavelmente derrotados.
A segunda providência é lembrar que nossa vitória no segundo turno dependerá, em boa medida, de mobilizarmos eleitores da classe trabalhadora que tenham se abstido, votado branco ou nulo no primeiro turno.
Há outras óbvias providências, mas delas destaco ajustar imediatamente, política e organizativamente, a linha da campanha no primeiro turno.
Espero que essa seja uma das decisões da executiva nacional do PT, na reunião marcada para o dia 10 de setembro de 2026.
Dá tempo. Mas temos que agir já.
terça-feira, 8 de setembro de 2026
A água está batendo na bunda?
Quanto tempo demora para perceber que precisamos dar um "cavalo de pau" na campanha?
“O ataque de André Mendonça contra a Policia Federal confirma que a guerra é total”
A direção estadual SP da tendência petista Articulação de Esquerda, reunida no dia 7 de setembro de 2026, debateu e aprovou a seguinte resolução sobre a situação política e nossas tarefas.
1.Faltam menos de 30 dias para o primeiro turno das eleições de 2026. Todas as pesquisas indicam duas coisas: a escolha do presidente acontecerá no segundo turno; e é cada vez menor a distância que, num segundo turno, separaria Lula do candidato dos cavernícolas.
2.O estado-maior da campanha cavernícola trabalha com o objetivo de repetir, aqui, algo similar ao que ocorreu nas recentes eleições presidenciais colombianas. A saber: depois de passar boa parte da campanha acreditando em vitória no primeiro turno, a esquerda colombiana não apenas teve que enfrentar um segundo turno, como ainda foi em segundo lugar para este segundo turno. Isso causou um impacto emocional enorme na militância de esquerda, desorganizando por vários dias a campanha. E, ao final, a extrema-direita ganhou as eleições na Colômbia.
3.Para tentar nos ultrapassar no primeiro turno, a extrema-direita aposta no peso da campanha feita por suas máquinas eleitorais, tanto nas ruas quanto nas redes. Aposta, também, no corpo mole de muitos de nossos “aliados”, bem como investe nos nossos erros e insuficiências. E para além disso tudo, aposta numa linha de campanha fortemente ideológica, organizada em torno de uma ideia muito simples: derrotar Lula e o PT.
4.Para tentar nos vencer no segundo turno, para além de tudo que já foi citado, a extrema-direita conta com o apoio das demais candidaturas de direita, assim como confia que ocorrerá uma desmobilização das candidaturas proporcionais, de senado e governo que apoiaram Lula no primeiro turno.
5.Seria um erro fatal de nossa parte subestimar os planos e os meios da candidatura cavernícola. Até porque - por detrás da candidatura cavernícola - estão os Estados Unidos, Israel, a Internacional da extrema-direita, a maior parte do grande empresariado, dos meios de comunicação, da “família militar” e das empresas disfarçadas de igrejas.
6.Por isso mesmo, seria um erro ainda maior continuar na mesma “batidinha” planejada por quem, erradamente, achava que venceríamos fácil e no primeiro turno, com um discurso concentrado nas “entregas” do nosso governo. Agora já está óbvio que o melhor cenário é vencermos no segundo turno e por pequena vantagem. E mesmo para isso será preciso fazer mudanças imediatas na linha política e no funcionamento da campanha.
7.A primeira mudança é deixar de lado as ilusões: ou todo mundo se engaja, em escala 7 x 0, daqui até o dia 25 de outubro, ou esta não será propriamente a “eleição de nossas vidas”.
8.É preciso criar as condições para que a Nação Petista possa fazer a campanha de Lula. Isso exige materiais impressos, adesivos e bandeiras em grande quantidade. As campanhas estaduais e proporcionais devem contribuir para isso com seus recursos. E os militantes devem ser chamados a produzir material de campanha com seus próprios recursos, conforme a lei permite, aliás. Precisamos, também, de direções partidárias funcionando e de coordenação real. Nesse espírito, os e as dirigentes partidárias devem dar prioridade total para a campanha presidencial, mesmo que o preço seja deixar de lado suas candidaturas proporcionais. E as campanhas proporcionais precisam falar, o tempo todo, do time de Lula, especialmente onde isso é mais difícil, onde os cavernícolas são mais fortes: Lula não pode ser lembrado apenas onde ele traz votos para os proporcionais!
9.É preciso direcionar o esforço principal de nossa campanha para a disputa do eleitorado feminino, negro, jovem e trabalhadores pobres. A extrema-direita está, nesse momento, disputando esse eleitorado conosco, usando para isso um discurso centrado na disputa ideológica. Precisamos enfrentar fogo com fogo, ideologia de esquerda contra ideologia de direita. E, ao mesmo tempo, não podemos emitir sinais dúbios. O povo precisa ter certeza de que o quarto mandato de Lula fará absolutamente tudo o que for necessário fazer, para que o Brasil seja infinitamente melhor para a grande maioria do povo; e que a conta será paga pelo grande capital financeiro.
10.É preciso recordar que conseguimos “sair das cordas, meses atrás, quando o governo Lula adotou firmemente a pauta da soberania nacional contra o tarifaço de Trump e uma postura ativa de defesa dos pobres contra os ricos no debate da politica tributária, trazendo a luta de classes para o centro do debate. É preciso agora, ampliar e aprofundar este duplo enfoque como eixos da nossa campanha, materializando a linha nas falas de Lula e nos programas de televisão, em linguagem forte e direta que dialogue com o povão, a exemplo do que fazemos na luta pelo fim da escala 6x1, pela redução da jornada sem redução de salário, pelo fim das “BETS”, pelo socorro imediato aos pobres super-endividados, assim como no combate à “maioria do Congresso inimigo do povo” e suas emendas, no combate pela reforma política e do judiciário, no combate ao feminicídio e pela nacionalização das terras raras adquiridas pelo Pentágono no estado de Goiás.
11.No segundo turno, devemos disputar prioritariamente o voto do eleitorado popular que não votou conosco no primeiro turno, inclusive o que se absteve de votar, votou branco e nulo. E teremos o desafio adicional de manter ativas as estruturas de campanha das candidaturas proporcionais, não apenas as que tenham sido derrotadas, mas também das vitoriosas. Outro desafio adicional será o de realizar a campanha onde nossas candidaturas majoritárias não foram vitoriosas ou não foram para o segundo turno.
12.Neste sentido, ganha uma importância enorme - entre outras campanhas estaduais - a campanha de Fernando Haddad a governador. Nas condições eleitorais do estado de São Paulo, em que não há outras candidaturas de direita além de Tarcísio, nossa meta deve ser eleger Haddad já no primeiro turno, assim como eleger as duas senadoras. É uma meta muito difícil, mas as pesquisas atuais e, também, o ocorrido na eleição de 2022 mostram que vencer em SP é uma meta possível e factível. Na verdade, a grande dificuldade a superar é o pessimismo das direções e a linha recuada de campanha. Da nossa parte, sabemos que o governo Tarcísio é um governo destrutivo e perverso, inimigo do povo, que precisa e pode ser derrotado. Para isso teremos que fazer, em quatro semanas, o que não foi feito em quatro anos: desconstruir Tarcísio.
13.A situação é grave e, provavelmente, ainda vai piorar um pouco antes de melhorar. Mas nada de pânico: se arrumarmos a casa, há tempo suficiente para vencermos a guerra total que a classe dominante e o imperialismo travam contra nós. Tudo depende de as direções de nosso partido perceberem que a água está "batendo na bunda"; e de a militância entender que quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Os nazis estão de volta?
A extrema-direita na Alemanha tem um partido chamado Alternativa para a Alemanha (AfD).