quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Tá virando!

O gerúndio pode ser uma praga.

"Estou chegando" pode significar "ainda vai demorar bastante".

"Estou fazendo" pode querer dizer que "nem comecei a fazer".

"Estou cuidando" pode equivaler a "tinha esquecido, mas lembrei agora". 

Mas, neste segundo turno presidencial, o gerúndio é mais-que-perfeito.

Afinal, cá entre nós, se tivéssemos passado ao segundo turno em primeiro lugar, corríamos o risco de ver muita gente deitada em berço esplêndido.

Mas como passamos atrás, depois do susto que abateu muita gente, a imensa maioria foi pra cima.

Assim sendo, toda vez que alguém perguntar "virou?", recomenda-se responder com o maravilhoso gerúndio:"está virando".

Work in progress!

Desta forma, o esforço concentrado continua, ninguém baixa a guarda e continuamos "virando" votos até o último segundo do dia 25 de outubro.

Tá virando? Tá, mas virar mesmo só quando o TSE proclamar a reeleição de Lula!


ps1. muita gente descobriu, até que enfim, que a Meta tem lado. Motivo pelo qual nosso combate nas redes sempre será desigual. Logo, o esforço principal é nas ruas e ao pé do ouvido.

ps2. que fique registrado o que segue, extraído do "Meio", especialmente o negritado: "Depois de uma batalha judicial que dividiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Nunes Marques, presidente da corte, reconheceu a regularização do canal de WhatsApp “Exército do Lula” e autorizou a retomada de suas atividades, desde que respeitado um prazo de 48 horas imposto por ele. A ferramenta, administrada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), reúne mais de 4 milhões de seguidores e é utilizada para divulgar conteúdos de apoio à candidatura do presidente Lula (PT). Nunes Marques havia determinado a suspensão do canal até que seu endereço eletrônico fosse formalmente registrado na Justiça Eleitoral. Os advogados  de Lula afirmam que o canal foi criado e é administrado por Janones, sem supervisão direta da campanha, e que o registro não representa o reconhecimento de responsabilidade pela gestão da ferramenta." 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Eles estão voando abaixo do radar

Imediatamente antes e depois do golpe de 1964, a direita e a extrema-direita promoveram grandes mobilizações de massa.

Entre 1968 até 2013, as ruas foram basicamente monopólio da esquerda, com a exceção das manifestações religiosas.

De 2013 até a Intentona de 2023, a extrema-direita voltou às ruas. 

Desde então, submergiu. Ou, pelo menos, passou a navegar com grande parte do “casco” dentro d’água.

Isso contribuiu para o engano cometido, por muita gente, no primeiro turno das eleições de 2026, a saber: medir a força eleitoral da extrema-direita com base na quantidade de gente que manifestava publicamente sua adesão à candidatura do traidor da pátria.

Como vimos, até as pesquisas de opinião subestimam a força dos cavernícolas.

No segundo turno, não podemos cometer o mesmo erro.

As imensas manifestações em favor de Lula, neste segundo turno, permitem determinar que estamos numa ascendente.

Mas a mobilização discreta do lado de lá não serve de métrica para a votação que eles terão dia 25 de outubro.

Como alguém já disse, nosso lado se movimenta principalmente na esfera pública; já elles se manifestam principalmente em esferas privadas, como a “família militar”, os grupos de zap, as clientelas eleitorais e outras comunidades privadas ou semi-privadas.

Este é um dos motivos pelos quais nossa campanha nas ruas e nas redes precisa ser complementada por um trabalho “ao pé do ouvido”

Só assim conseguiremos furar determinadas bolhas e penetrar certas defesas, evitando que prevaleça a “democracia eleitoral burguesa”, onde os mais ricos compram o voto dos menos politizados, menos mobilizados e menos organizados.

(Sem revisão)





segunda-feira, 12 de outubro de 2026

O recado das urnas, segundo Haddad

Não foi exatamente nisso que Gramsci pensou, quando distinguiu os intelectuais "tradicionais" dos "orgânicos".

Mas certamente a distinção ajuda a entender a declaração do companheiro Fernando Haddad, dada à Globo News e que pode ser assistida no link abaixo:


Ajuda, também, a entender certa passagem do texto abaixo, de Valério Arcary:


Cá entre nós: que a eleição ia ser resolvida no segundo turno e por uma diferença apertadíssima, já dizíamos desde novembro de 2024.

Mas também dizíamos e seguimos dizendo que vamos vencer, não com base no "otimismo da vontade", mas com base no "pessimismo da razão".

Ademais, desde sempre é fato que quase tudo pode acontecer, inclusive nada. Diga-se de passagem, o  Conselheiro Acácio fez escola.

Mas também é fato que, na atual conjuntura, o que mais nos atrapalha não são os inimigos, até porque esses estão no seu papel, o de tentar nos derrotar.

Neste momento, o que mais nos atrapalha é o combo de confusão política, inapetência organizativa e, principalmente, falta de tesão exibidos por uma parcela de nossas direções, coordenações de campanha e, também, por certos intelectuais tradicionais que estão mais preocupados em demonstrar uma suposta "isenção científica" do que em mobilizar a tropa.

Fico pensando nesta gente dirigindo uma guerra de verdade, por exemplo tentando convencer um batalhão a sair das trincheiras e atacar com tudo o inimigo, no meio de uma batalha decisiva: "então pessoal, como vocês sabem, tudo pode acontecer, mas a julgar pelas estatísticas, metade de vocês vai morrer assim que sair da trincheira; dos que sobrarem, outra metade provavelmente vai morrer tentando atravessar o campo minado; para dizer a verdade, neste momento é impossível dizer qual vai ser o desfecho, mas lembrem que é apenas difícil, não impossível".

Quem está numa batalha de vida ou morte, não precisa que lhe digam o óbvio; precisamos, isto sim, da lembrança de que a vitória é de quem acredita e luta por ela.

Felizmente, a campanha já saiu do controle dessa gente e virou um movimento de massas, protagonizado por dezenas de milhões de pessoas que se movem pela certeza de que, nesta luta existencial, só há uma alternativa: vencer ou vencer.






PCO vota nulo no segundo turno

Em 2024 escrevi isto aqui:


Um conhecido ficou indignado comigo.

Normal: tem gente que está tão preocupado em criticar o PT, que não percebe que certo tipo de esquerdismo está a um passo da extrema-direita.

Eis que agora o PCO decidiu, oficialmente, que vai votar nulo no segundo turno de 2026.

Mais detalhes, ler aqui:

https://causaoperaria.org.br/2026/pco-aprova-nenhum-voto-aos-candidatos-do-capital/

Quem vota nulo, numa disputa tão apertada, em que a extrema-direita largou na frente, não é apenas “aliado objetivo” dos neofascistas, dos ultraliberais e dos imperialistas.

É algo mais, bem pior. 

Só não percebe, quem está obnubilado pelo antipetismo.

Espero que este posicionamento do PCO sirva para os que, apesar de tudo, ainda “passam o pano”, mudem de postura e passem a tratar esta seita - e, também, a turma da “Contra-revolução brasileira” do senhor Ouriques - como elas merecem: biquinhos vermelhos aliados dos fascistas.

domingo, 11 de outubro de 2026

O lugar de São Paulo no segundo turno nacional

Texto sem revisão e em debate, sujeito a alterações.

A direção estadual São Paulo da tendência petista Articulação de Esquerda, reunião no dia 11 de outubro de 2026, aprovou as seguintes resoluções políticas e organizativas.

1.O estado de São Paulo tem o maior eleitorado do Brasil, cerca de 34 milhões e 100 mil pessoas aptas a votar, num eleitorado nacional total de, aproximadamente, 158 milhões e 652 mil pessoas. 
Nas dez maiores cidades do estado de São Paulo (Capital, Guarulhos, Campinas, São Bernardo, Osasco, Santo André, São José dos Campos, Sorocaba, Ribeirão Preto e Santos), a candidatura do bandido fascista nos superou por apenas 168 mil votos. 
Mas nas demais 635 cidades do estado de São Paulo, a diferença a favor do nosso inimigo foi de 3.247.856 votos. Este número é maior do que a vantagem que o bandido fascista obteve, no primeiro turno, em todo o país, diferença que foi de aproximadamente 2 milhões e 307 mil votos. 
Noutras palavras: "virar" em São Paulo é decisivo para construir nossa vitória nacional.

2.A vantagem do nosso inimigo, no primeiro turno do estado de São Paulo, tem diversas causas, entre as quais as debilidades organizativas da esquerda no estado de São Paulo, especialmente nas pequenas e médias cidades; o fato de não termos feito a oposição devida ao governador agora reeleito; e, também, devido à campanha para governador que fizemos em 2026, campanha que às vezes parecia estar sendo feita apenas para "cumprir tabela". Não há como corrigir estas variáveis, no curto tempo do segundo turno. 
Mas é perfeitamente possível recuperar os votos de quem votou em nós em 2022, mas não repetiu o voto em Lula no primeiro turno. 
Se atingirmos pelo menos este objetivo, teremos dado uma imensa contribuição à vitória nacional.

3.No primeiro turno, a campanha presidencial, tal como foi conduzida pela maioria das coordenações e direções, cometeu muitos erros. Entre eles destacamos a inacreditável ausência de materiais para campanha de rua militante.
No segundo turno, alguns daqueles problemas começam a ser corrigidos, embora continue faltando material, especialmente adesivos e panfletos que sintetizem porque votar em Lula.
Assim como continua inexistindo, em muitos casos, orientação clara sobre as tarefas e agendas. Esta ausência faz com que ferramentas úteis - como grupos e listas - se transforme muitas vezes em uma cacofonia que dispersa, ao invés de potencializar a energia coletiva.
Mas, sem prejuízo de cobrarmos das direções e coordenações que cumpram seu dever, estamos numa etapa da campanha em que a iniciativa individual, local, de base, de cada grupo de apoiadores, é imprescindível. 
Não perguntar, não esperar orientação: agir e fazer a coisa certa. Inclusive produzir materiais. Este é o caminho da vitória.

4.No primeiro turno, em parte devido ao erro cometido por parcelas da coordenação da campanha e da direção do Partido, a começar pela ideia totalmente equivocada de que era possível ganhar no primeiro turno; em parte devido à dinâmica eleitoral que priorizou as disputas proporcionais, grande parte da militância não se engajou na campanha presidencial. E os atos só eram de massa, quando Lula estava presente.
Agora vivermos outra situação: nossa campanha se tornou uma campanha de massas, que acontece independente da presença física do candidato. 
Isto acontece em parte porque o segundo turno é outra eleição, em que a maior parte do eleitorado brasileiro só terá que votar para presidente, onde a escolha é disjuntiva: políticas sociais ou escravidão, direitos das mulheres ou feminicídio, direitos dos negros ou racismo, respeito às crenças ou fundamentalismo, meio ambiente ou catástrofe climática, soberania ou traição à pátria, esquerda ou fascismo, vida ou morte.
E acontece, também, porque agora todos percebem o óbvio: o risco é real e só vai ser debelado com o engajamento total.
 
5.Venceremos, sempre quando dirigirmos nossa campanha, nosso discurso, nosso apelo, à maioria da classe trabalhadora, que é pobre, negra, feminina. 
Motivo pelo qual tem importância transcendental a pauta do povo, que inclui o fim da escala 6x1, a tarifa zero, o fim imediato dos impostos que encarecem a cesta de alimentos, libertar o povo do endividamento e dos juros altos, ampliar as políticas de educação e saúde, reforçar a segurança do povo e combater o feminicídio. 
Devemos explicar ao povo por quais motivos devemos impedir que os fascistas, ultraliberais e traidores da pátria voltem à presidência. Entre estes motivos, os inimigos do povo vão atacar as políticas públicas, os benefícios, a política de reajuste do salário mínimo e das aposentadorias.
Pelos mesmos motivos, devemos colocar no centro da campanha pressionar os senadores, para que aprovem o fim da escala 6x1.

6.De hoje até o dia 25 de outubro, a prioridade zero de toda a militância é fazer campanha para Lula presidente. Esta campanha - naquilo que depende de nós militantes - deve ser desenvolvida em três terrenos principais: nas ruas, nas redes e ao pé do ouvido.

7.A campanha nas ruas inclui tudo que dê visibilidade ao voto em Lula 13: bandeiras nas janelas de casa, militância usando nossas cores em bandeiras, camisetas, bonés e adesivos; carros adesivados; carreatas, bicicleatas, passeatas, comícios, panfletagem, adesivagem e bandeiraços. 
É preciso dar visibilidade para o voto em Lula 13 e demonstrar o imenso apoio popular ao nosso candidato.

8.A campanha nas redes inclui contato direto e pessoal, grupos, listas, todo tipo de perfil, participação em iniciativas coletivas de todos os tipos. 
As redes são importantes e devem ser valorizadas. Mas erra quem diz que só as redes importam, que as ruas não importam, como faz um autoproclamado "general", que conclama as pessoas a serem "robôs" que "obedecem ordens", "sem pensar".
Exército que não pensa, só um exército de fascistas. 
Além disso, lembramos que as denominadas "redes sociais" constituem terreno estruturalmente hostil, porque são controladas por empresários de extrema-direita, que manipulam abertamente o algoritmo a seu favor. 
Por esse motivo, reafirmamos que a disputa nas redes é necessária, que há militantes que aprenderam a fazer isso e que devem ter espaço, mas que o terreno estruturalmente mais favorável para nós está nas ruas e ao pé do ouvido.

9.A campanha ao pé do ouvido é decisiva para virar votos em branco, nulo, abstenções, bem como votos que foram dados em outras candidaturas. 
Trata-se de conversar com parentes, com vizinhos, com amigos de trabalho, escola e lazer, visitar pessoas em casa, fazer conversas durante as atividades de rua. 
Este trabalho exige, de cada um de nós, a sensibilidade de usar o argumento adequado a cada interlocutor. Neste sentido, é inútil ou pelo menos insuficiente trabalhar com mensagens padronizadas.
Cabe à coordenação da campanha e às direções das organizações que estão convocando as grandes mobilização de rua, orientar as centenas de milhares de pessoas presentes a fazer pelo menos três coisas.
Primeiro, reproduzir as atividades de rua em todos os bairros populares das grandes cidades, bem como nas pequenas e médias cidades.
Segundo, fazer atividades direcionadas às empresas: é preciso ganhar, para o nosso lado, a maioria dos trabalhadores.
Terceiro, fazer conversa ao pé de ouvido com o povo.

10.Na reta final da campanha, devemos estar alertas contra a escalada de ações criminosas de nossos inimigos: empresários elevando abusivamente os preços, meios de comunicação e redes sociais divulgando mentiras e calando verdades, os governos dos EUA e Israel fazendo ingerência explícita e implícita a favor dos traidores da pátria, atentados e ameaças de fascistas e bandidos, manipulação da fé e decisões ilegais de juízes que estão à serviço do mal. 
O único antídoto contra tudo isto é consciência, organização e mobilização permanentes, 24 horas por dia, 7 dias por semana, lembrando que a batalha não termina dia 25 de outubro.
Mas para isso, reiteramos que as coordenações e direções precisam garantir que haja material de campanha militante, em grande quantidade, disponível.

11.Depois da vitória, teremos muitas tarefas. Uma delas é estimular o povo que se mobilizou a se organizar nos movimentos, sindicatos e partidos ligados ao campo democrático, popular e socialista. 
No caso do PT, será preciso deflagrar uma imensa campanha de filiação, pois mais uma vez se demonstrou que, na atual quadra da história, o nosso Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras cumpre um papel ímpar, insubstituível.

12.Para contribuir com este esforço de organização, que será ademais imprescindível para sustentar o quarto mandato de Lula, lembramos à nossa militância da seguinte agenda interna: 
-dia 28 de outubro, plenária estadual virtual da militância da tendência petista Articulação de Esquerda, aberta aos petistas e simpatizantes, para avaliar o primeiro e o segundo turnos e discutir as próximas tarefas; 
-dia 1 de novembro, começa a circular o texto base do XI Congresso Nacional da AE:
-dia 3 de novembro, reunião virtual ampliada da direção estadual da AE SP, na qual devem participar todos os dirigentes municipais e setoriais, para fazer o balanço da campanha de São Paulo, inclusive da candidatura à deputada federal da companheira Guida Calixto, e aprovar o texto base do Congresso estadual da AE; 
-de 2 a 26 de novembro, congressos municipais da AE, para eleger delegação ao XI Congresso Nacional; 
-de 27 a 29 de novembro, XI congresso nacional da tendência petista Articulação de Esquerda, sendo que a abertura do congresso será no sábado 28 de novembro, das 9h às 12h;
-dia 29 de novembro, a partir das 15h, Congresso Estadual da AE São Paulo, tendo direito a votar os delegados e as delegadas paulistas ao XI Congresso Nacional;
-dia 6 de dezembro, reunião presencial da direção estadual da AE SP.
-de 23 a 31 de janeiro de 2027, em Contagem (MG), jornada nacional da formação política da AE.
Orientamos nossa militância a, no dia seguinte à vitória no segundo turno, organizar sua presença nas atividades acima listas e convidar, para participar, petistas que estão sintonizados com nossas posições.

13.O processo eleitoral de 2026 demonstrou, mais uma vez, que parcelas importantes da nossa direção na prática atuam contra o Partido, desmerecem nossa história e prejudicam os interesses, presentes e futuros, da classe trabalhadora. 
Isso ocorre, em parte, devido aos erros políticos. Mas ocorre, por outra parte, devido à incompetência, inapetência e falta de tesão dirigente.
Apesar disso, venceremos o segundo turno das eleições presidenciais, porque temos uma base petista feita para tempos de guerra. Isso vale para o exterior e para todos os estados do pais, inclusive São Paulo, apesar de todos os erros cometidos por importante parcela de nossa direção. 
É por esta base, é por tudo que o PT significa para a classe trabalhadora brasileira, por tudo que nossa vitória e um governo Lula 4 significam para os povos da América Latina e Caribe e de todo o mundo, que conclamamos à luta sem tréguas, até a vitória.

Viva Lula!
Viva o PT!
Viva a classe trabalhadora brasileira!  

Texto em processo de aprovação e sem revisão, sujeito a todo tipo de alteração.

Não foi por falta de aviso

Tem gente que ainda se choca com certas declarações de voto.

Mas chocante mesmo é a falta de percepção de quem se deixa(va) enganar.

Ciro


Aldo Rebelo



Rui Costa Pimenta



Um famoso analista de pesquisas


Quem sabe esses exemplos façam muita gente parar de confundir focinho de porco com tomada.


sábado, 10 de outubro de 2026

Fadiga e medo??

Um amigo é de opinião que os marqueteiros são uma “espécime” que precisa ter o mesmo destino dos latifundiários e especuladores.

Se a tese é, no geral, válida ou não, deixo para os especialistas. Mas, no particular, vale para um cidadão - que vou chamar aqui de “foguete super aquinhoado” - que anda defendendo duas teses exdrúxulas.

A primeira é que devemos “por medo nas pessoas”. 

A segunda é que nosso “projeto” sofreria de “fadiga de material”.

Vamos por partes.

Devemos falar a verdade. E a verdade é que os imperialistas, os neofascistas e os ultraliberais não estão para brincadeira: onde ganham, vão para cima, sem dó nem piedade.

Mas dizer a verdade é uma coisa, “por medo” é outra, por pelo menos dois motivos:

I/algum medo, assim como algum estresse, é indispensável para sobreviver na selva e na luta de classes. Mas medo em excesso é paralisante. Motivo pelo qual medo sem esperança é a morte;

ii/a maior parte das pessoas são oprimidas pelo medo todo dia: medo de perder o emprego, medo do salário não chegar até o fim do mês, medo de ser vítima das grandes e pequenas desgraças que povoam, especialmente, a vida das pessoas mais pobres, mulheres, negros e negras, moradores das periferias. Nossa base social não precisa de mais medo, nossa base quer esperança, necessita de uma mensagem que convoque à luta por um futuro melhor.

Por isso mesmo, não há “fadiga de projeto”. 

Esta tese da “fadiga” é do mesmo naipe de algumas outras “explicações”, segundo as quais o resultado do primeiro turno teria sido produto da “crise do capitalismo”, do “ascenso da extrema-direita” ou do “sentimento de mudança capturado pela direita”.

Quem arruma estas “causas” evita discutir os erros cometidos - por setores do governo, da campanha e do Partido - e coloca a “culpa” em variáveis genéricas, que têm a “vantagem” de não ter CPF, nem RG. 

Portanto, para citar uma frase que não é minha, os responsáveis escapam de serem “afogados no lago”. 

A tese da “fadiga de projeto” incide, ademais, noutro erro: não explica de que “projeto” estaria falando. É uma referência a Lula? Ao PT? Ao programa democrático-popular e socialista? Ou ao que foi efetivamente praticado no terceiro mandato de Lula?

Seja o que se queira dizer, adotar a tese da “fadiga” é aceitar que a extrema-direita teria alguma dose de razão, ou seja, de que não teríamos mais o que oferecer ao povo brasileiro.

Que alguém pense assim, normal. 

Mas que um funcionário muito bem assalariado, com altas responsabilidades, pense algo assim, é a prova de que a tal “crise de direção” existe. Ou, pelo menos, que nosso setor de RH é de uma incompetência ímpar.

Por estas e outras, a nossa única “bala de prata” é a maravilhosa Nação Petista, que junto com milhões de pessoas sem partido ou de outros partidos, está nas ruas, nas redes e nos “pé de ouvido”, para garantir que haja futuro para o povo brasileiro.