segunda-feira, 11 de maio de 2026

Textos de Elias Ishy

Trabalho, transparência e compromisso com a população


Elias Ishy é bacharel em Direito, bancário aposentado e detentor de sete mandatos como vereador em Dourados-MS e, atualmente, pré-candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT).


Tem a família como sua base sólida. É casado há 38 anos com a professora Rosana Palhano e, juntos, têm três filhos: Amanda, Bianca e Lucas.


Como cristão, aprendeu desde cedo que é necessário unir a fé e a vida, respeitar o próximo e que, por meio da política, é possível construir um mundo mais justo e solidário, um mundo com "vida em abundância para todos" (Jo 10,10).


Sua trajetória é marcada pela atuação em defesa dos trabalhadores e da população mais vulnerável. No movimento sindical e popular, foi presidente do Sindicato dos Bancários de Dourados e Região e coordenador do Comitê Regional de Defesa Popular.


Na política, Elias Ishy tem seu trabalho reconhecido pela defesa da transparência e da eficiência no uso do dinheiro público. Luta incansavelmente para que todos os serviços públicos sejam ofertados com qualidade, da saúde à educação, da segurança ao transporte.


Ishy ganhou projeção nacional como autor da lei que proibiu as queimadas nos canaviais. Sua atuação também se destaca na defesa da agricultura familiar, da agroecologia e do meio ambiente. Seu compromisso é claro: lutar para que todos tenham saúde, educação, emprego, dinheiro no bolso, comida no prato e alegria de viver.


Carta aos cristãos (2022)


Sou Elias Ishy, alicerçado na caminhada da Igreja peço licença para apresentar a minha candidatura a Deputado Federal e pedir o seu voto, pelos motivos abaixo.

Na Igreja, atuei nas pastorais da juventude, família e saúde, participei do Conselho de Pastoral da Comunidade por mais de 20 anos, fui coordenador Regional das Comunidades Eclesiais de Base, participei da Coordenação Regional dos Leigos, colaborei em várias equipes de formação. 

Na Política, entrei motivado pelos documentos oficiais da CNBB e da Doutrina Social da Igreja. Nesta missão, estou como vereador em Dourados exercendo o sexto mandato.

Trabalho inspirado no Evangelho de João (10:10): “Para que todos tenham vida e a tenham em abundância". Assim atuo, principalmente para os que mais precisam, lutando por melhorias na Educação, na Saúde, na Assistência Social, no Meio Ambiente (LS*), pelo fortalecimento da Agricultura Familiar e da Agroecologia. (*LS - Laudato Si' é uma encíclica do Papa Francisco.)

Sou casado há 36 anos com a professora Rosana, temos três filhos: Amanda, Bianca e Lucas. Sou bacharel em Direito, bancário aposentado, vereador e agora candidato à Deputado Federal.

Peço o seu voto! Meu número é 1313

Elias Ishy de Mattos


Carta aos Cristãos (2018

Papa Francisco: "A Política, tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum". (EG Alegria do Evangelho, 205) (DGAE 2015/201968).

CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil: "É urgente que as dioceses busquem: estimular a participação dos cristãos leigos e leigas na política. Há necessidade de romper o preconceito comum de que a política é coisa suja, e conscientizar os leigos e as leigas de que ela é essencial para a transformação da sociedade. Incentivar e preparar os cristãos leigos e leigas a participarem de partidos políticos e serem candidatos para o executivo e o legislativo, contribuindo, deste modo, para a transformação social" (Doc. 105: Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade, 261 e 263).

Caros Irmãos e Irmãs,

A Igreja faz um apelo aos leigos para que não sejamos omissos diante dos problemas do mundo. Incentiva os Cristãos a participarem de forma ativa na política como candidatos e como eleitores conscientes.

Alicerçado em minha dedicação à igreja, aos movimentos sociais e à política, coloco o meu nome como candidato a deputado estadual. Para isso, peço que conheça a minha trajetória.

Meu nome é Elias Ishy de Mattos, tenho 59 anos, sou casado há 31 anos com a Rosana, temos três filhos. Tive a infância no campo com meus pais e meus 10 irmãos. Batalhei e me formei em Direito, concursado e aposentado por tempo de serviço na Caixa Econômica Federal.

Participo há 39 anos da Paróquia Santo André, em Dourados - MS. Fui coordenador de grupo de jovens e do Conselho de Pastoral. Com minha esposa, fomos formadores das Pastorais da Juventude, da Saúde e da Família. Em níveis diocesano e regional, fomos coordenadores das CEB's e, atualmente, somos membros da coordenação do Conselho de Leigos. Nos Movimentos Sociais, fui presidente do Sindicato dos Bancários e coordenador do Comitê de Defesa Popular.

Sou vereador em Dourados. Na última eleição, fui o mais votado entre os reeleitos, fruto do reconhecimento das pessoas pelo meu trabalho. Entre as várias Leis aprovadas de minha autoria, destaco a que proibiu as queimadas de canaviais, em 2007. Impedi também aprovação de vários projetos de Leis que causariam prejuízos ao município, destacando o que envolvia o contrato milionário de concessão com a Sanesul, em 2015. Realizei dezenas de Audiências Públicas com temas relevantes e apresentei centenas de proposições. Conheça mais sobre minha conduta e o meu trabalho nas redes sociais.

Compromissos:

Atuarei no Estado como sempre atuei em meu município, fazendo um mandato participativo, trabalhando em parceria com os movimentos sociais, as igrejas e demais organizações da sociedade civil.

Juntos, lutaremos:

No combate a corrupção e pela ética na política;

Para que a sociedade participe mais das decisões governamentais;

Para que a educação seja prioridade; por melhorias nas áreas de saúde, segurança, assistência social, cultura, esporte, agroecologia e meio ambiente;

Pelo desenvolvimento econômico do Estado com justiça social e sustentabilidade ambiental.

Minha campanha é feita basicamente por voluntários/as, assim, além de pedir o seu voto, de sua família e amigos, peço também sua ajuda para divulgar a minha candidatura. Você encontra mais informações nos endereços: www.eliasishy.com.br, no facebook.com/eliasishyms ou pelo contato via whatsapp 67 9 9686-9277.

Muito obrigado! Fiquem com Deus. O meu número é 13.234.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Messias e a grande ilusão

O mais espantoso na votação do Senado não é a derrota em si.

O espantoso é a quantidade de gente bem-informada que estava 100% segura da vitória.

Parecido com isso, só a grande ilusão que precedeu a derrota ocorrida em 17 de abril de 2016: até pouco antes de começar a votação na Câmara dos Deputados, a esmagadora maioria dos dirigentes do nosso Partido acreditava que a base do governo, vitaminada pelo poder de convencimento de Lula, impediria o impeachment.

A derrota na votação do Senado ocorrida ontem, 29 de abril, foi ainda maior porque o candidato Messias demonstrou ser ideologicamente comprometido com muitos dos valores conservadores defendidos pela maioria do Senado.

Ou seja: mesmo sabendo que poderiam eleger para o Supremo mais um "terrivelmente evangélico", a turma do lado de lá não vacilou; colocou a política no posto de comando e impôs uma derrota ao governo.

A esse respeito, o presidente nacional do PT, companheiro Edinho, publicou um post na sua conta pessoal dizendo o seguinte: O Senado Federal, ao rejeitar a indicação de Jorge Messias, comete um grave erro, politizar uma indicação para um cargo onde a formação técnica é o mais relevante. Essa postura do Senado Federal também gera uma importante instabilidade institucional. Há 130 anos que uma indicação para a Suprema Corte não é recusada. Mais uma atribuição do Poder Executivo "é esvaziada pelo Legislativo".

Erro comete Edinho, quando acha que o mais "relevante" para compor o STF é "a formação técnica". 

Nem Messias acredita nisso, como ficou claro quando - ao falar do aborto - ele destacou suas crenças religiosas e deixou de lado o que a legislação brasileira diz a respeito.

Sendo assim, melhor corrigir a frase de Edinho e deixar da seguinte forma: o objetivo da maioria do Senado não foi "também", foi principalmente criar uma "instabilidade institucional", termo elegante que deve assim ser traduzido: derrotar o governo.

A pergunta que não quer calar é: vai parar por aí? Se a resposta a essa pergunta for "não, vai é piorar", cabe também perguntar: Pacheco, candidato que o PT de Minas Gerais está apoiando para governador, é confiável como aliado? 

Ou vamos deixar para descobrir, no meio da campanha eleitoral, que nos iludimos com Pacheco, com Paes, com outros e com tudo, tanto quanto nos iludimos agora acerca de qual seria o resultado de Messias?

Não fosse tão trágica a situação, valeria um comentário sobre o quanto se iludem aqueles que gostam de alardear seu pragmatismo. 

Mas dada a situação, nos limitemos ao indispensável: a maioria do Congresso é inimiga do povo. Cabe dizer isso ao povo, com todas as letras. E tratar os inimigos do povo como eles merecem. A começar pelos cargos controlados por Davi Alcolumbre, Arthur Lira et caterva.



 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Edinho, Quaquá e Mussolini

O companheiro Edinho tem se notabilizado por alertar, em todos os seus discursos, acerca da ameaça fascista.

O fascismo italiano tinha uma figura central: Mussolini.

Nem todo mundo lembra, mas antes de virar fascista, Mussolini foi um importante dirigente do Partido Socialista Italiano.

O PS era, naquela época, o grande partido da classe trabalhadora italiana.

Mussolini - de socialista e inclusive com passagem pela ala esquerda do PS - se converteu no personagem desprezível e perigoso de que todos ouvimos falar.

Escrevo tudo isso para conclamar Edinho e demais integrantes da “comissão especial” nomeada pela Executiva Nacional do PT a cumprirem seu dever e a analisarem com celeridade o “caso” do senhor Washington Quaquá.

Não é possível ver as seguidas declarações de Washington- a mais recente (que eu saiba) foi em defesa da escala 6x1 - e não perceber que, se algo não for feito imediatamente, deste ovo que está sendo chocado não sairá um lindo patinho amarelo grasnando qua qua.

A declaração citada está aqui:


ps. quem acha impossível acontecer metamorfoses "radicais", favor lembrar de Carlos Lacerda ou de Aldo Rebelo

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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Por favor, parem de colocar a culpa no Lula

No recém-encerrado Congresso do PT, ouvi em vários momentos frases assim: “eu estou de acordo, o problema é que Lula não concorda”.

Acontece que Lula não era delegado. Nem compareceu ao Congresso. Não sei qual a opinião dele sobre vários dos pontos polêmicos que geraram respostas como a acima transcrita.

O que sei é que as pessoas que se pretendem dirigentes têm que responder pessoalmente pelas escolhas que fazem. Não vale terceirizar. Se querem ser contra a reforma agrária, contra a TERRABRAS, contra a revogação da reforma trabalhista ou contra acabar com a “autonomia” do Banco Central, que sejam. Há argumentos para isso, mesmo que possam ser “peregrinos e monstruosos”. 

Mas por favor assumam a responsabilidade pessoal pelo que defendem. “O chefe mandou” não é argumento. Pois a obediência que pode ser válida e necessária num governo - obediência infelizmente não exigida quando os cargos são ocupados por gente de direita - não se aplica num partido, ao menos não num partido que se pretenda de esquerda.

A respeito, lembrei de uma história: Diógenes Arruda, secretário-geral do Partido Comunista do Brasil, se opunha a fazer qualquer alteração no projeto de resolução do IV Congresso do PCB (1954) porque, dizia ele, Stálin teria lido e aprovado cada linha. Era verdade? Duvido. Mas o relevante é: mesmo que fosse verdade, ainda assim não seria argumento válido para impedir que um Congresso alterasse um projeto de resolução.

Felizmente no PT prevaleceu outra história e, em nosso Congresso, os projetos de resolução sofreram várias alterações, ainda que na boca do gol e apesar dos que não moveram uma palha naquele sentido. Seja como for, graças a quem se mexeu, não passaremos a vergonha de soltar um Manifesto que omitia a reforma agrária e a comunicação da lista de reformas prioritárias.













Temer, Nassif, Lula e o PT

Temer - o do PSOL, antes PT, antes PSB, antes PCB, mas sempre um bom comunista - escreveu um “post” na sua conta no “face” atacando o PT.

Como o “post” me cita, segue abaixo meu comentário.

Temer diz que sou um “lulista histórico”. De onde ele tirou esta besteira? Não faço ideia. Sou do mesmo Partido que Lula, votei nele em todas as eleições que pude, mas não sou “lulista”, sou petista. Dúvidas a respeito, basta perguntar ao próprio Lula.

Vale dizer que, como professor de história (não me considero um historiador), não compartilho das teorias sobre o “lulismo” que estão na praça, em parte por obra e graça de André Singer. Mas isso é outro assunto.

Voltando a Temer: ele diz que meu texto e o de Nassif ajudariam a explicar o “desgaste de material” que “começa a ser considerado como perigo real para a reeleição do próprio Lula”. 

Primeiro, uma “precisão”: não é o “desgaste de material” que nos ameaça. O que nos ameaça é uma ofensiva do imperialismo, da extrema-direita e da classe dominante, ofensiva que se aproveita dos erros políticos que cometemos e seguimos cometendo. Falar em “desgaste de material” remete para algo insolúvel, produto da passagem do tempo, uma abordagem muito conveniente para a linha de campanha que o neofascismo já está implementando, de contrapor a idade dos oponentes.

No seu “post”, Temer cita dois documentos; mas poderia ter citado um terceiro “documento”: o discurso de Lula em Barcelona, onde ele fala explicitamente o seguinte: “(..) nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam a austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso não surpreende agora que o outro lado se apresente como antissistema.”

Temer talvez ache que o discurso de Lula é contraditório com sua prática. Mas isto também valeria para o caso de Nassif, que em diversos momentos contribuiu para fortalecer as posições que ele agora detona (vide por exemplo: 
https://valterpomar.blogspot.com/2014/12/nassif-quando-relevancia-sobe-cabeca.html?m=1 e também vide: 
https://valterpomar.blogspot.com/2015/08/nassif-sonha.html?m=1 e ainda vide: 
https://valterpomar.blogspot.com/2018/05/luis-nassif-esquerda-e-o-gueto.html?m=1 ou ainda: 

O texto de Nassif deixa entrever sua postura contraditória quando, falando da “Carta aos Brasileiro”, diz que “o problema não foi a carta. Foi que a postura nela contida tornou-se permanente, quando deveria ter sido transitória”. 

Eu e outras pessoas - que integrávamos o Diretório Nacional do PT em 2002 e votamos contra a “Carta” - nunca aceitamos esta postura que Nassif segue defendendo 24 anos depois: votar na Carta sob o pretexto de que ela seria apenas um expediente eleitoral. Sempre soubemos do que se tratava e sempre a combatemos. 

Vale dizer que a social-democracia anos 1970 virou neoliberal em grande medida porque, antes como agora, seu compromisso é com o capitalismo, não com o socialismo.

Por esses e outros motivos, confesso que não compro pelo valor de face as críticas de Nassif, mesmo quando justas

Aliás, como se pode constatar pelo discurso de Lula em Barcelona, comparado com o que alguns fizeram supostamente em nome dele no Congresso do PT, existem mais mediações entre o Céu e a Terra do que a nossa vã filosofia pode supor.

A respeito do meu texto - na verdade trata-se de uma resolução da tendência petista Articulação de Esquerda, que pode ser lida aqui 
https://valterpomar.blogspot.com/2026/04/oitavo-congresso-do-pt-pontos-para-um.html?m=1 - Temer diz que eu seria “expressão do que ainda se convenciona chamar Esquerda Petista, marxista radical confesso, mas que opera no apoio a Lula por conta da lógica da ‘governabilidade possível’.”

Temer mistura alhos com bugalhos.

Alhos: Temer vai votar em Lula, não vai? O PSOL de Temer também vai votar em Lula, não vai? Assim sendo, não sou eu, nem a AE, nem só o PT, mas é  quase toda a esquerda brasileira que está operando “no apoio a Lula” devido a uma “lógica” politica meio óbvia, que não tem nada que ver com a “governabilidade”. 

Bugalhos: somos petistas. Queremos não apenas ganhar a eleição, mas transformar o Brasil. E na atual quadra da história, não há como transformar o Brasil sem o PT ou contra o PT. 

Por isso, não estou “frustrado” com o resultado do Congresso do PT. O que penso e digo publicamente é que as resoluções do Congresso não estão à altura da situação. Mas é o que temos para hoje e vamos lutar para combater e vencer assim mesmo

Por outro lado, não duvido nada que Lula, amanhã ou depois, atropele os moderados que dizem falar em nome dele. Já fez isso tantas vezes, espero que faça de novo.

Por fim: repudio o grosseiro comentário de Temer sobre Benedita. Amargura deve ter limite.


Segue abaixo a íntegra do post de Temer

DOIS DOCUMENTOS importantes vieram a público em coincidência com o Congresso do neoPT. Dois textos de dois lulistas históricos - Valter Pomar e Luis Nassif - que, em seus cenários, e em suas limitações, ajudam a explicar o “desgaste de material” que começa a ser considerado como perigo real para a reeleição do próprio Lula. Desgaste em função da frustração de quem é “eleito pela esquerda, mas governa pela direita”. 
Vou a um rápido comentário, informando que o link com a íntegra dos textos está nos comentários desta postagem. 
COMEÇO com Nassif, reproduzindo um parágrafo que quase faz dispensar a leitura da integra do artigo em que denuncia o transformismo regressivo do PT, e suas sequelas, materializado publicamente a partir da famigerada “Carta aos Brasileiro”, em que Lula se rendia aos ditames do Consenso de Washington”, na sequência de FHC, para garantir boas relações com o grande capital em seu primeiro mandato. 
“O problema não foi a carta. Foi que a postura nela contida tornou-se permanente, quando deveria ter sido transitória. Lula não apenas respeitou os compromissos — foi, como ele próprio definiria a partir de 2003, “mais responsável que a direita”. A taxa Selic permaneceu em níveis absurdamente elevados por anos. A política de superávit primário foi mantida com rigor que constrangeria qualquer governo europeu de centro-direita. A abertura financeira herdada de FHC não foi tocada."
POR GENEROSIDADE, talvez, Nassif deixa de citar a medida mais grave - consequente da entrega da autonomia do Banco Central a Henrique Meirelles um então recém-eleito deputado federal pelo Psdb, e o controle ministerial da Economia ao mal lembrado Palocci. 
Nassif náo cta a contra-reforma da Seguridade Social contra os servidores públicos, medida anti-social que viria a ser universalizada aos trabalhadores da iniciativa privada por Michel golpista, depois do impeachment de Dilma.
PASSAMOS A VALTER, quadro da maior expressão do que ainda se convenciona chamar Esquerda Petista, marxista radical confesso, mas que opera no apoio a Lula por conta da lógica da "governabilidde possível".
SEU TEXTO não consegue ocultar frustração importante com o que ocorreu no fim de semana em Brasília, onde ele registra como dados a considerar, a ausência de Lula, e de várias importantes lideranças do próprio campo majoritário.
DELE, NÃO vou aos detalhes, mas sem poder me omitir do bizarro epílogo em que marca como ponto alto a intervenção cantada de Benedita, que teria trazido animação a um encontro sem marca. 
Ou melhor, e aí sou eu quem concluo. Se essa intervenção marcou ponto alto, isso só confirma a inexpressividade do presidente do Partido, que em suas várias intervenções Valter náo teria vislumbrado nada de mais importante.

Segue abaixo o link do texto citado de Nassif


domingo, 26 de abril de 2026

Oitavo Congresso do PT: pontos para um balanço

Texto em debate na direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda (AE), sujeito à alterações.

Oitavo Congresso do PT: pontos para um balanço 

1/O Oitavo Congresso do PT aconteceu numa situação politica muito difícil, em parte devido à ofensiva do imperialismo estadunidense e seus serviçais da extrema-direita brasileira; em parte devido à orientação política equivocada implementada por setores do nosso governo e do nosso Partido.

2/O Congresso era necessário exatamente por isso: para debater e aprovar uma inflexão em nossa linha política, para que o Partido esteja à altura da situação política. Isso em grande medida ainda não ocorreu, em parte porque somos minoria, em parte porque outras tendências disputam muito pouco, mas em grande parte porque a tendência hoje majoritária no Diretório Nacional, a “Construindo um Novo Brasil (a CNB) resiste a mudar a linha política.

3/O Oitavo Congresso poderia ter servido para reafirmar de forma consistente a atual linha política da CNB. Mas como é público, esta tendência está profundamente dividida, motivo pelo qual a reafirmação feita é repleta de inconsistências, como se pode constatar por exemplo no debate de várias emendas e em alguns discursos feitos no congresso pelo presidente do Partido.

4/O Congresso poderia ter servido, pelo menos, para “animar a tropa”. Mas como Lula não compareceu pessoalmente no Congresso, não assistimos a animação necessária. Pelo contrário, muita gente da própria CNB saiu do Congresso mais preocupada do que animada.

5/Sobre isso, percebemos dois comportamentos entre os líderes da CNB: i/dizer que o Congresso foi um grande sucesso, numa atitude que - para ser elegante - é negacionista; ii/dizer que o Congresso não deveria ter sido convocado, o que na nossa opinião desconsidera a necessidade de um espaço coletivo de debate e deliberação para armar a militância nesse momento tão difícil.

6/Da nossa parte, fizemos todo o possível para que o Congresso existisse e estivesse à altura deste momento histórico. Por isso, participamos das cinco subcomissões, produzimos propostas, realizamos debates, lutamos para incluir nos documentos aprovados pontos fundamentais como a reforma agrária e a reforma da comunicação, que só entraram no Manifesto aprovado ao final pelo Congresso porque insistimos nisso até o último instante.

7/Qual foi a atitude de outros setores do Partido? Em alguns casos foi a omissão, noutros casos o silêncio obsequioso. Poucos fizeram como nós, que ajudamos a garantir o pouco de debate que houve neste Congresso, que ao fim e ao cabo foi um Encontro, não um verdadeiro Congresso.

8/Foi prometido que o Congresso terá, em 2027, uma segunda etapa. Defendemos que precisa ocorrer um verdadeiro Congresso, composto por delegados e delegadas eleitas em 2027, num novo debate na base, onde seguiremos na defesa do socialismo, de uma inflexão na estratégia e na linha política do Partido, de mudanças no nosso funcionamento organizativo, na reconstrução de nossas relações com a classe trabalhadora.

9/A direção nacional da AE produzirá, nos próximos dias, um balanço detalhado, incluindo: i/o que ocorreu desde a reunião do Diretório Nacional dia 6/12/25, que convocou o Congresso; ii/a reunião do DN de 23/4/26, que alterou a pauta do Congresso;  iii/o ato de abertura do Congresso; iv/a discussão na comissão de sistematização; v/a plenária de votação no sábado; vi/o ato de encerramento; vii/as atividades paralelas, com destaque para a exitosa programação internacional da Fundação Perseu Abramo; viii/a ausência, durante todo o Congresso e inclusive no encerramento, de muitas lideranças do Partido (ex-presidentes, parlamentares, governadores, ministros etc.). Fica aqui o nosso respeito e agradecimento a todas e todos que compareceram e nossa compreensão com quem justificou sua ausência.

10/Ponto fundamental do nosso balanço é a análise das resoluções aprovadas. Parte deste balanço pode ser feito desde já, com base nos textos propostos e nas emendas defendidas, bem como na análise do Manifesto (https://pt.org.br/link/2xy6l). Mas o balanço final das resoluções terá que esperar que o DN aprove a consolidação dos textos de “Conjuntura e Tática” e “Diretrizes para o programa de governo”. Desde já destacamos que as resoluções reforçaram o ataque à taxa de juros, a necessidade de criar a empresa Terrabras, a defesa da reestatização da BR Distribuidora, a reforma agrária e da comunicação, além de uma importante moção sobre os 10 anos do golpe iniciado em 2016 com o impeachment da companheira Dilma Rousseff (em todos esses casos, nossa bancada contribuiu na redação e aprovação das resoluções).

11/Entretanto, terminado o Congresso, nossa tarefa é ganhar as eleições 2026, reeleger Lula, eleger as candidaturas do PT ao governos estaduais, congresso nacional e assembleias legislativas. E, como parte importante desta tarefa, eleger as candidaturas de militantes da AE que estão disputando cadeiras na Câmara e nas Assembleias Legislativas.

12/Na campanha eleitoral, precisamos traduzir na prática a diretriz apresentada na mesa de comunicação feita na manhã do último dia do Congresso: “nós não somos o sistema, nós nascemos para enfrentar a ordem”. 

13/Nessa linha, o ponto alto do encerramento do Congresso foi o discurso cantado feito pela futura senadora Benedita da Silva, não apenas por quem é e pela animação espontânea que causou no plenário, mas principalmente por que ela expressou uma orientação prática para os próximos seis meses: bater de porta a porta, para ganhar o apoio e o voto de quem já nos garantiu a vitória em 5 das 9 eleições presidenciais realizadas desde 1989: a classe trabalhadora.

Andrea Jubé e o assassinato de Moro

Num artigo intitulado “Dirceu vê Lula ajustando a rota com ‘autocrítica’”, Andrea Jubé assassinou a história.

Refiro-me ao texto publicado no Valor Econômico de 24/04/2026 e que pode ser lido aqui: https://souchocolateenaodesisto.blogspot.com/2026/04/dirceu-ve-lula-ajustando-rota-com.html?m=1

Cito abaixo mensagem do colega Giorgio Romano Schutte. 

“(…) Na primeira parte, há uma tentativa de comparar a atual situação do PT com a do Partido Comunista Italiano (PCI) no final da década de 1970. Pelo menos foi assim que li, e confesso que ficou bastante confuso, não tendo ficado claro qual seria exatamente a comparação. Mas certamente não é isso que me levou a escrever.

O que precisa de uma errata é a sugestão de que o assassinato de Aldo Moro teria sido atribuído aos comunistas e que isso teria deflagrado uma fase de decadência da sigla. Andrea, isso, além de ser objetivamente errado, não faz sentido algum. Em nenhum momento do debate público na Itália houve a sugestão de que o PCI estivesse, de alguma forma, envolvido no assassinato. Pelo contrário, era Moro quem estava estabelecendo uma ponte entre a Democracia Cristã (DCI) e o PCI, em resposta à nova política do partido, inaugurada por Berlinguer, conhecida como “compromisso histórico”.

O assassinato foi reivindicado e é atribuído às Brigate Rosse, um pequeno grupo armado que se posicionava também radicalmente contra o PCI e realizou vários atentados contra seus dirigentes. A forma como você representou esse traumático episódio da democracia italiana não só demonstra uma falta de conhecimento sobre o assunto, como também constitui um insulto à história do PCI e, em minha opinião, à própria democracia italiana.

Espero que o jornal publique uma errata.

Atenciosamente,

Giorgio Romano Schutte”

Há outros problemas no artigo, entre os quais insinuar que o  PCI teria sido um “partido eleitoral fundado por intelectuais”.

Do meu lado, minha sugestão: quem for citar, antes leia O Alfaiate de Ulm.