segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Do esforço exigido para ser “isento”

Todo dia leio, em algum lugar, uma análise “isenta” do processo eleitoral, apontando qualidades e defeitos dos “concorrentes” e fazendo hipóteses científicas sobre os resultados possíveis.

A mais recente, feita por um velho conhecido, atribui ao Cavernícola Filho “agilidade mental e verbal e boa movimentação corporal”.

A descrição corresponde a um bichinho viscoso que mata muita gente na série Alien: Earth. 

Um “perfeito” predador.

Voltando às análises “isentas”: algumas são tão bem formuladas, que me fazem lembrar o sentimento que tive ao ler um livrinho chamado Cartas de Stalingrado, com textos escritos por soldados e oficiais da Wermacht, enviados pelo correio militar a seus familiares na Alemanha.

Ler aquelas cartas serve para lembrar, aos “isentos”, que no peito dos nazistas também bate um coração.

Mas, bem rapidinho, lembro da resposta que uma franco-atiradora soviética teria dado a quem perguntou “quantos homens ela matou”. 

“Nenhum. Só matei nazistas”.

Com todo o respeito aos “isentos”, estamos numa hora em que é preciso ser terno, sem jamais perder a dureza. 

Ou, para ficar no tema, é preciso ser objetivo, sem nunca ser “isento”.

Nosso inimigo não tem qualidades, não merece nada que pareça um elogio.

Guardemos a isenção - e o pessimismo - para tempos mais pacíficos.

Aos inimigos, só a lei.

A meta da Meta

Estava óbvio que isso ia ocorrer.

Afinal, a Meta e demais big techs têm lado na eleição brasileira.

O que fizeram até agora, vai continuar sendo feito.

Exemplo: "pouco depois do debate presidencial da Band, a Meta inabilitou o Brasil com Lula, uma das contas oficiais registradas no TSE", segundo foi denunciado pelo coordenador da campanha, Eden Valadares.

Certamente tentarão fazer pior, daqui até domingo.

Portanto, três sugestões:

-primeiro, alertar todo o nosso povo sobre o que eles certamente farão;

-segundo, escalar nas medidas judiciais, rumo à derrubada das redes desses criminosos;

-terceiro, garantir que o espaço central de nossa ação siga sendo a rua, o pé do ouvido, o corpo a corpo.

Nesse terreno, cabe estar preparado para a escalada da violência. 

Percebendo que estão para perder, os cavernícolas têm multiplicado a intimidação física contra o eleitorado de Lula.

E vamos sempre lembrar das sábias palavras do camarada Oliver "confia em Deus, mas mantenha a pólvora seca".



Hitler não foi eleito: alguém o colocou lá!


No sábado, 17 de outubro de 2026, no restaurante Al Jeniah, em São Paulo, um militante fez um discurso inflamado contra o risco de ocorrer, no Brasil, o mesmo que ele acha que teria ocorrido na Alemanha, no ano de 1933, a saber: um ditadura implantada pelo vitorioso de uma eleição.

Que o Cavernícola Filho é fascista e que tentaria implantar uma ditadura, não tenho dúvida.

Mas Hitler não foi eleito pela maioria do povo. 

Abaixo, um resumo dos acontecimentos eleitorais alemães, nos anos de 1932 e 1933.

Em março e abril de1932 aconteceram eleições presidenciais na Alemanha. A eleição foi em dois turnos. 

No primeiro turno, ninguém obteve maioria absoluta. No segundo turno,  quem ganhou foi o Marechal Hindenburg, com cerca de 53% dos votos. 

Hitler, a inspiração dos Cavernícolas, teve pouco menos que 37% dos votos. Em terceiro lugar ficou o candidato do Partido Comunista, com aproximadamente 10% dos votos.

Em julho de 1932, houve nova eleição na Alemanha, desta vez parlamentar. 

Os cavernícolas nazistas foram os mais votados, com 37% dos votos. Socialdemocratas e Comunistas, somados, tiveram mais de 35% dos votos. Os vários partidos da direita tiveram, somados aos votos não válidos, os restantes 28%. 

Em novembro de 1932, aconteceram novas eleições parlamentares. 

Nessa nova eleição, os nazistas perderam dois milhões de votos, caindo para 33% dos votos. Comunistas e Social-democratas, somados, cresceram e superaram os 37% de votos. 

Portanto, em três eleições seguidas, todas ocorridas em 1932, os Cavernícolas Nazistas nunca obtiveram maioria. 

Quem tinha maioria relativa no Parlamento era a soma dos dois partidos de esquerda.

Seria possível, também, compor um governo majoritário reunindo parte da esquerda com parte da direita não-nazista.

Mas o Marechal Hindenburgo preferiu apoiar a constituição de um governo encabeçado pelos nazistas. 

Foi o que ocorreu no fatídico janeiro de 1933, quando o Marechal convidou Hitler para ser primeiro-ministro.

Logo depois - que conveniente! -, no dia 27 de fevereiro de 1933, o prédio do Parlamento alemão foi destruído pelo fogo. Hitler acusou os comunistas. E Hindenburgo decretou medidas emergenciais, convocando novas eleições.

Nestas eleições, ocorridas no dia 5 de março de 1933, em condições de terrorismo de Estado, principalmente contra os comunistas, os nazistas obtiveram 44% dos votos. 

Comunistas e Social-democratas, somados, tiveram cerca de 30% dos votos. O restante votou em variados partidos de centro.

Portanto, mesmo naquela situação, os Cavernícolas Nazistas não conseguiram obter maioria absoluta dos votos.

Acontece que um dos pequenos partidos da direita deu aos nazistas os votos necessários para obter a maioria necessária para compor o governo.

Em seguida, ainda no mês de março de 1933, Hitler propôs e o novo parlamento aprovou uma Lei de Concessão de Plenos Poderes.

Para aprovar esta lei, os nazistas precisavam ter 67% dos votos do Parlamento. E conseguiram isso, graças ao apoio de dois partidos da direita não nazista: o Partido Popular Nacional Alemão e o Partido do Centro Católico.

Esta lei - cujo título em alemão é Gesetz zur Behebung der Not von Volk und Reich, que segundo o pai dos burros pode ser traduzido como "Lei para sanar a aflição do Povo e da Nação" - foi assinada pelo Presidente Hindenburg em 23 de março de 1933. 

Em novembro de 1933, aconteceu nova eleição parlamentar, já sob o impacto da tal Lei, que dava poderes ditatoriais ao governo encabeçado por Hitler.

Foi nesta eleição, em que os Nazistas Cavernícolas concorreram sozinhos, que Hitler e seus Milicianos obtiveram 92% dos votos. 

Quem não votou nos nazistas, teve seus votos invalidados.

Moral da história:

-Hitler só teve maioria dos votos, depois que instalou sua ditadura;

-Hitler só instalou sua ditadura, porque parte da direita alemã o apoiou;

-Parte da direita alemã apoiou Hitler, em grande medida porque o empresariado alemão queria um governo ditatorial para esmagar a resistência da classe trabalhadora.

Nisso está um dos pontos em comum na trajetória de nazistas e bolsonaristas.

A saber: grande parte do empresariado e da direita autodeclarada "normal" apoia a extrema-direita, mesmo sabendo que os Cavernícolas são uma súcia de criminosos, sociopatas e golpistas.

No Brasil, esta tem sido a postura de grande parte da mídia, que segue dando espaço para tudo que prejudica Lula, ao mesmo tempo que relativiza e naturaliza a candidatura do Cavernícola Filho.

Onde está a principal diferença?

Está em que, no Brasil, dia 25 de outubro, vamos derrotar os cavernícolas e eleger Lula presidente.




domingo, 18 de outubro de 2026

Primeiras impressões sobre o debate na BAND

(sem revisão)

Quem ainda não havia entendido, agora certamente entendeu o quanto é arriscado debater com um marginal fascista, num ambiente controlado pelas grandes empresas de comunicação.

O primeiro bloco do debate entre Lula e o Cavernícola Filho, na Rede Bandeirantes, começou com os candidatos respondendo a perguntas feitas pelos mediadores.

A primeira pergunta feita pelos mediadores foi sobre segurança publica, destacando os temas da maioridade penal e do avanço do crime organizado no controle de territórios.

O Cavernícola Filho defendeu classificar as organizações criminosas como narcoterroristas, prometeu leis mais duras e mais vagas no sistema penitenciário. Acusou o atual governo de "passar a mão em bandido".

Lula criticou o Cavernícola Filho por não ter votado na PEC da Segurança, lembrou que segurança é responsabilidade dos estados, disse que os estados fracassaram, falou que já aprovamos a lei contra as facções e que estamos combatendo o crime também no andar de cima. Assumiu o compromisso de criar o ministério da Segurança Pública, inclusive para enfrentar os milicianos. 

A segunda pergunda feita pelos mediadores foi sobre a economia, que - palavras deles - nos últimos anos teria crescido abaixo da média mundial, com uma carga tributária que só sobe, com uma dívida que é das que mais cresce, a maior taxa de juros do planeta. 

Lula citou vários indicadores positivos, reafirmou ser necessário fazer o dinheiro circular na mão das pessoas, falou da lei geral da pequena e media empresa,  lembrou como estava o país quando chegamos em 2023, concluiu enumerando a economia nova, digital, verde e criativa.

O Cavernícola Filho disse que o PT já governa esse pais há 20 anos, perguntou se a vida melhorou ou piorou, se tá mais cara ou mais barata. Diz que bastará ele ser eleito para criar um espaço de 200 bilhões no orçamento. E que o primeiro passo para arrumar a economia seria "tirar o Lula, tirar do Lula e devolver para você".

Em seguida veio o primeiro confronto direto. 

Lula iniciou lembrando que o Cavernícola Filho votou, no passado, contra a a ampliação da licença maternidade. E perguntou o que o Cavernícola Filho tem contra as mulheres.

O Cavernícola Filho não respondeu a pergunta (aliás, não respondeu a nenhuma das perguntas), usando seu tempo para questionar se Lula conhece dona Roberta Luchsinger.

(Comprovou-se, desta forma, por quais motivos a entrevista com dona Roberta foi feita ontem.)

Lula reclamou da ausência de resposta e, em seguida, disse que dona Roberta é um assunto da Polícia Federal, inclusive porque ela seria parceira do Careca, sócio do Cavernícola Filho. Este retrucou que dona Roberta seria sócia do filho do presidente. 

Depois de várias altercações entre os dois candidatos, Lula recordou que o Cavernícola Pai demitiu um ministro e mexeu na PF para proteger o Cavernícola Filho. E lembrou do envolvimento entre os Cavernícolas e a quadrilha do INSS. 

O Cavernícola Filho disse que o filho do presidente está em Madri, Lula lembrou que o irmão do Cavernícola está nos EUA, traindo a pátria. 

As altercações prosseguiram, com Lula perguntando que fim teve o dinheiro que o Cavernícola Filho pegou com Vorcaro e lembrando que o Cavernícola Filho vai perder os privilégios de Senador e terá problemas, pois os inquéritos vão andar. 

E assim seguiu a altercação, até que num determinado momento o Cavernícola chegou perto demais e Lula disse "não quero ficar perto de você, com miliciano quero distância". 

(Para os que não gostaram do bate-boca, sugiro incluir nas contas que Lula demonstrou vitalidade, presença de espírito e sangue nos olhos, sem apelar para a baixaria como fez o Cavernícola Filho.)

O bate-boca prosseguiu, com direito a Lula perguntar sobre a casa de 10 milhões adquirida pelo Cavernícola Filho. Este, entre ofensas e baixarias, disse que vai tirar o povo do sufoco. 

Lula perguntou por qual motivo o Cavernícola interferiu em favor de um policial que matou uma criança de 5 anos. O Cavernícola respondeu dizendo que a maioria dos presos teria votado em Lula. Este teve a presença de espírito de afirmar que deseja 100% dos votos dos presos, inclusive do Cavernícola Pai.

Em seguida Lula perguntou sobre o projeto do Cavernícola, propondo tirar as marcas das cápsulas das balas, lembrando de sua proximidade com os criminosos responsáveis por assassinar a vereadora Marielle Franco e recordando como o governo do Cavernícola Pai facilitou o acesso às armas, em favor da bandidagem.

Nesse contexto, o Cavernícola Filho disse que Lula deveria "olhar para frente", ou seja, parar de falar dos malfeitos do Cavernícola Pai. Agregou várias acusações e promessas, concluindo que sua suposta eleição será "o fim da era Lula".

Lula perguntou se o Cavernícola Filho tem acompanhado a situação da Argentina e se vai continuar seguindo o modelo do Milei. O Cavernícola reagiu falando de Ortega e de Maduro, dizendo que "o Brasil acabou internacionalmente por causa da política" de Lula.

O Cavernícola Filho perguntou que modelo Lula vai seguir, Lula disse que vai seguir "o modelo de Lula". 

Provocado com a "motossera de Milei", o Cavernícola Filho retrucou que vai dar uma "tesourada", Lula perguntou nas costas de quem vai ser dada a tesourada, o Cavernícola disse que nas costas de Lula e de Janja.

Lula acusou o Cavernícola de ter se preparado para mentir, acusando de agir como um "malandro carioca". Logo depois, acabou o tempo do Cavernícola.

Lula administrou melhor seu tempo e teve 1 minuto para falar ao final, que ele usou para dizer, entre outras coisas, que o Cavernícola Filho se preparou para mentir e não gosta de educação. 

Ao final da pancadaria, o Cavernícola Filho ganhou um minuto de direito de resposta (por qual razão, não foi informado), que ele usou para dizer que vai enfrentar o "narcoterrorismo".

No terceiro bloco, os dois candidatos responderam a uma pergunta dos mediadores, desta vez sobre o tema saúde.

O Cavernícola iniciou sua respostas fazendo demagogia em relação ao termo "malandro". Em relação à Saúde, disse que chamou Cláudio Lottenberg, do Hospital Einstein (e também da Confederação Israelita Brasileira) para ser ministro. Disse que em 20 anos de governos petistas, nada teria mudado para melhor na saúde. Prometeu prontuário eletrônico,  telemedicina e SUS padrão Einstein.

Lula disse que só pode falar isso que o Cavernícola Filho falou, quem nunca usou a rede pública de saúde. Lembrou dos 4 anos de governo do Cavernícola Pai, o maior desastre da história desse país, porque não acreditaram na ciência.

Neste ponto houve nova confusão, devido a postura provocadora do Cavernícola Filho no palco. A mediadora chegou a dizer, para o Cavernícola, que "o senhor não tem o direito de interromper". 

Nesse ponto Lula disse que o concorrente "não tem comportamento ético não, não espere isso do bolsonarismo". E voltou a dizer que o Cavernícola nunca foi no SUS, nunca foi numa UPA, perguntando: será que ele quer privatizar o SUS? Afirmou que ministro da Saúde tem que saber o que é a saúde pública. E lembrou que o dia 18 de outubro é o dia dos médicos.

Depois houve novo confronto direto entre os dois candidatos.

O Cavernícola Filho atacou a "saidinha", acusando a esquerda de estar sempre pensando no direito dos bandidos e não no direito das vítimas.

Lula abriu a resposta dizendo que o Cavernícola quer dar indulto para o pai e que, para isso, vai ter que liberar todo mundo, inclusive Vorcaro. E defendeu que não é porque um saiu e cometeu um crime, que se deve punir todo mundo: sistema prisional é feito no sentido de recuperar as pessoas. 

O Cavernícola Filho acusou novamente Lula de estar preocupado com o direito dos bandidos e não das vitimas. Em seguida, disse que votou a favor de acabar com a escala 6x1 porque ouviu os trabalhadores. Mas que ele não quer o segundo dia de folga seja um pesadelo. E prometeu que, eleito, o trabalhador vai poder encher o carrinho de compra. 

Lula disse que o Cavernícola Filho conhece ônibus por literatura e que nunca trabalhou. Que ele, Lula, tem consciência de que o custo de vida está alto, mas lembrou que tudo estava mais caro no governo do Cavernícola Pai. Deu números comprovando isso, falou do salário mínimo e das aposentadorias. E disse que a inflação aumentou muito por causa da guerra promovido por Trump, amigo do Cavernícola. E que para evitar os efeitos disso, o governo subsidiou o diesel.

Na rodada seguinte, Lula falou da saúde, dos mortos pela Covid, dos ministros mequetrefes indicados pelo Cavernícola Pai.

O Cavernícola Filho fez um mea culpa do que foi feito na Saúde. Mas disse foi seu pai que comprou a vacina. E engatou que mais de 700 mil pessoas morreram assassinadas, tentando estabelecer um paralelo. 

Lula falou da destruição da saúde do RJ. 

O Cavernícola Filho informou que vai criar o Ministério da Prosperidade. Que os juros vão cair de uma maneira muito rápida. Que as dívidas, tanto pessoais quanto de empresas, vão ser securitizadas. Que a Caixa Econômica vai ser o Itaú das favelas e o Bradesco das periferias.

(Essa ficção acerca do Ministério da Prosperidade é algo que vai permitir, ao Brasil, concorrer com as melhores obras do realismo fantástico latino-americano.)

Os mediadores perguntaram, então, sobre o tema do aumento da produtividade.

Lula falou que crescimento depende do investimento, disse que economia já voltou a crescer, falou dos datacenter, da economia criativa, da economia verde, da formação dos profissionais.

O Cavernícola Filho reclamou que Lula parece ser da oposição. E prometeu implantar o "maior programa de mobilidade social da história desse país", conectando o governo com a área de recursos humanos das empresas, para "saber se perto da tua casa tem uma oportunidade que alguma empresa está dando". Disse que a CEF vai ser o Banco da Prosperidade.

(Cá entre nós, de "prosperidade" pessoal o brother de Vorcaro entende.)

Houve então nova rodada de confronto.

Lula perguntou sobre a relação do candidato com os Estados Unidos, a pressão que os Cavernícolas fizeram para os EUA taxarem o Brasil. E perguntou se eles vão entregar para os EUA nossas terras raras e minerais críticos. 

O Cavernícola disse que não trabalhou para tarifar e acusou o governo de ir aos EUA para defender o CV e o PCC. Sobre as terras raras e minerais críticos, não respondeu nada. Aliás, ele não respondeu a quase nada do que lhe foi diretamente perguntado.

Lula acusou a Famiglia de estar subordinada aos interesses dos EUA. E fez um desafio: abrir o sigilo das contas bancárias e telefônicas, para o povo poder avaliar, antes das eleições, quem é quem.

O Cavernícola Filho não aceitou o desafio de abrir seu sigilo. E falou que a soberania do Brasil estaria ameaçada, não pelos EUA, mas por terroristas e marginais.

(Nisso ele está parcialmente certo: os marginais da Famiglia são mesmo uma ameaça à nossa soberania.)

Na sequência, o Cavernícola disse que vai aprovar a castração química para estuprador. |E engatou a seguinte afirmação: vai mudar a Constituição "para proteger você". Defendeu, também, a redução da maioridade penal para 14 anos.

Lula respondeu e, ao final, reafirmou sua proposta de abrir as contas.

No encerramento, Lula foi o primeiro a fazer suas considerações finais. 

Neste momento, o debate foi paralisado por vários segundos, porque o Cavernícola Filho provocou tumulto, chegando a ser admoestado pela moderadora.

Lula agradeceu ao povo que foi para as ruas. Falou que o Brasil está preparado para dar um salto de qualidade, está preparado para muito mais. E terminou sua fala criticando as privatizações feitas pelos inimigos.

O Cavernícola repetiu seu mantra. 

E assim terminou o debate.

Dificilmente alguém que já tenha decidido seu voto, mudará por conta do debate.

E quanto aos indecisos?

Entre esses, haverá de tudo. Mas aposto que a maioria dos que usarem este debate para se posicionar, tenderá a votar em Lula, principalmente devido ao comportamento arruaceiro e mentiroso do Cavernícola Filho. 

Comportamento que foi facilitado pelas regras de movimentação livre acordadas com a emissora.

Uma questão adicional que fica é: como lidar com o debate na Globo. Que, é bom saber, está repercutindo a entrevista da "pilantra" (sic, mais detalhes aqui: Valter Pomar: A entrevista da "pilantra" (sic))

(sem revisão)

A entrevista da "pilantra" (sic)

Não conheço a dona Roberta Luchsinger.

Para falar a verdade, nunca tinha ouvido a voz dela, até assistir a entrevista "concedida" por ela à rádio CNN, na sexta feira dia 17 de outubro de 2026.

A entrevista pode ser conferida aqui: 


A entrevista tem aspectos estéticos muito interessantes: a decoração do local onde a entrevista foi concedida, a roupa séria e bem comportada, o tom lacrimoso de inocente ofendida e a boca seca.

Como nunca a vi antes, talvez este seja o padrão. 

Já os entrevistadores cumpriram seu papel: deixaram a entrevistada atacar bastante o presidente. 

Aqui ou ali pediram objetividade, sem nunca conseguir. 

E, como citarei mais adiante, não fizeram algumas perguntas óbvias.

Grande parte da entrevista gira em torno de um eixo: dona Roberta não gostou de ser chamada de  "pilantra", de "mau-caráter" e de ser comparada com quem ela própria chama de "o maior criminoso da atualidade", a saber, mister Vorcaro.

Perguntada sobre suas relações com o Careca do INSS, especificamente sobre o fato dela ter apresentado "o filho do presidente ao empresário", dona Roberta diz que não conheceu o tal "Careca", mas sim o "Antonio Camilo", um empresário de sucesso a quem ela teria prestado "serviços" profissionais e com quem ela teria rompido ao saber dos malfeitos com as aposentadorias.

Curiosamente, ela exige do presidente saber tudo o que se passa ao seu redor, mas ela própria se concede o direito de ser surpreendida com os métodos que fizeram de "Antonio Camilo" um "sucesso". 

Que serviços dona Roberta prestou a Antonio Camilo?

Segundo a própria, numa definição que merece ser citada no Book of Records da Guinness: "uma prestação de serviços, buscando viabilidade de uma readequação de uma reestruturação das RDCs da Anvisa, que eram muito antiquadas e só permitiam que o Canabidiol fosse no Brasil comercializado via medida judicial".

Viabilidade de uma readequação de uma reestruturação.

Tudo, é claro, em nome de melhorar o sistema de saúde. 

Quais os valores envolvidos? Não sei e os entrevistadores não perguntaram.

A maior empulhação desta parte da entrevista, entretanto, é que dona Roberta tenta passar a impressão de que os tais "serviços" não teriam relação alguma com o fato dela ter apresentado o filho do presidente ao Careca. 

Ou seja, ela supostamente não teria recebido, nem ganho nada, decorrente da apresentação, "em caráter social", do Fábio Luís ao Antonio Camilo: "se após aquilo se desvencilhou (sic) em algum negócio", ela não tem nada que ver com isso. 

A fantástica expressão "se desvencilhou em algum negócio" mereceria um comentário, mas isso fica para outra hora.

Pressionada a ser mais objetiva, nessa e noutras passagens da entrevista, dona Roberta insiste que apenas apresentou duas pessoas e, a partir daí, o problema não é mais com ela, que aliás não saberia o que consta no inquérito, que corre sob segredo de justiça.

Mas sobre si mesma, dona Roberta faz questão de dizer que a própria PF teria chegado à conclusão de que ela não teria nada que ver com o escândalo do INSS.

E sobre o restante da confusão, de quem seria a culpa? Segundo dona Roberta, seria do amigo e do cliente.

Num resumo, ela seria uma espécie de Forrest Gump. Estava presente por acaso, viu tudo, mas não sabe falar de nada.

Para quem não lembra da história de Forrest Gump, ler aqui:


Mas o esforço de parecer uma vítima é tão calculado e teatral, que às vezes ela própria perde a mão, como por exemplo na parte em que especula sobre quem seria "o filho do rapaz".

A partir deste ponto, a entrevista concentra seu foco no filho do presidente, acusado por ela de ter estado "inúmeras vezes" com ministros do governo. 

Mas quando a CNN pede para ela ser objetiva, dona Roberta diz não poder fazer isso por razões judiciais. Mas engata dizendo ser "público" e "notório" que o filho do presidente inúmeras vezes esteve com ministros.

Ou seja: ela dá uma entrevista para dizer, para a mídia, que os fatos devem ser buscados... na mídia.

Me lembra os tios do zap, que repetem barbaridades que viram na Internet e que, quando questionados, usam como prova... a Internet.

Detalhe: ao mesmo tempo que diz não poder detalhar nada, alegando razões judiciais, Dona Roberta chega a dizer que o filho do presidente sentava "semanalmente" com ministros. 

A técnica de conversação de Dona Roberta me recorda, também, um personagem de Asterix e a Cizânia, um cidadão chamado Tulius Detritus, especialista em insinuações, maledicências e quetais.

Principalmente maledicências.

Quem quiser saber mais sobre Tulius Detritus, ver aqui: La Zizanie (Asterix) - Wikipedia

Segundo Dona Roberta, ela própria sentava com ministros do governo, mas sempre para discutir "políticas públicas". Já o filho do presidente, fica no ar a insinuação.

A CNN, talvez aflita pela falta de concretude, perguntou se dona Roberta já teria feito reuniões com algum ministro, em que o filho do presidente estivesse presente. 

Dona Roberta responde que "como é de sabença geral, ele ficava comigo o tempo inteiro", logo "com certeza" o filho do presidente deve ter participado de alguma conversa, especialmente "no tema que eu mais batalhei", que foi o do Canabidiol.

A construção verbal utilizada por dona Roberta é padrão Tulius Detritus: "provavelmente com certeza já participou sim".

Provavelmente com certeza e como é de sabença geral, dona Roberta deu essa entrevista com objetivos eleitorais.

Sobre isso voltaremos mais adiante.

A CNN insistiu em perguntar se o filho do presidente relatou a dona Roberta algum contato com algum ministro.  

Dona Roberta respondeu não ter associação profissional com o filho do presidente. 

E nesse ponto ela leva o teatro ao limite: em tom de aparente ironia, ela diz que tivesse o poder que atribuem a ela, então "eu não sou sócia do filho, eu sou sócia do presidente".

A CNN insistiu: se você não era sócia do filho do presidente, então por qual motivo a senhora diz ter participado de reuniões com ministros, tendo supostamente o filho do presidente ao seu lado?

A resposta dela foi: "não sei te falar", "na minha presença, não".

Ou seja: ao mesmo tempo que dona Roberta alardeia intimidade total-  estava o tempo todo, diariamente do meu lado, o quarto dele na frente do meu, mesma casa, mesmo ambiente, viagens entre famílias - ela não consegue apontar uma única reunião concreta entre ela, o filho do presidente e um ministro: "nunca me contou", "nem cabe a mim perguntar".

Sobre seu próprio trabalho, dona Roberta passa a impressão de que virou lobista para ajudar pessoas em dificuldades.

Entre essas pessoas, estaria "a maioria dos ministros", que buscavam ter acesso ao presidente e "recorriam muito ao Fábio e a mim, para conseguir uma agenda". E acrescenta: "Não precisavam passar por mim, mas dada a dificuldade e dada a amizade e intimidade, sim, eles pediam ajuda". 
Segundo ela, isso decorria do "jeito meio bagunçado e amador no agir" que prevaleceria no governo.

A CNN pergunta se o presidente Lula sabia desse modus operandi.

E, especialmente a partir desse ponto, fica 100% escancarado o propósito eleitoral da entrevista. 

Segundo dona Roberta. alguém que "não sabe o que está acontecendo na ante sala dele, ou é um mentiroso ou está senil, esclerosado, como disse o Ciro Nogueira outro dia".

Citar o Ciro foi um óbvio ato falho. Mas até grandes artistas cometem erros.

Na linha de produzir frases úteis à campanha do Miliciano, dona Roberta diz que "a principal coisa que ele sabe, que tem certeza, é que a melhor amiga do filho dele sou eu". Ele "pode estar esclerosado e não se lembra, tá com alguma senilidade e não lembra, não lembrava nem do Bolsa Família, nunca sabe nada do entorno dele".

Sobre os favores que concedeu, dona Roberta diz existir "uma linha muito tênue entre a amizade e o cargo que ele ocupava, isso para mim é um amigo pedindo um favor, pode ser da minha parte amador ou imoral, não sei se é crime, nunca houve contrapartida, nunca tive contrato público."

Talvez chocada com tanta generosidade, a CNN perguntou o que dona Roberta ganhava em ajudar os ministros. 

A resposta foi: "não ganhava nada", contribuía para "um projeto de país", "eu mais perdi nisso tudo do que ganhei". 
E transfere aos ministros e demais pessoas que ela supostamente ajudou, a obrigação de dar explicações. Quanto a ela: "o que eu fiz, se for crime, eu vou responder, na minha cabeça não foi crime".

E novamente dispara frases muito  úteis para a campanha do Miliciano: "Fui condenada por ele, um canalha, um covarde", que atacou "uma mulher que tem duas filhas", "um homem desses não pode falar sobre feminismo, sobre feminicídio, sobre machismo, porque ele é o próprio machista, ele preservou todos os homens e me jogou, a única mulher, aos leões".

Basta lembrar da demissão do chefe de gabinete, um homem, para confirmar que isto é mentira.

E por falar em mentira, a referência aos "leões" e, noutra passagem, à "maçã envenenada" que ela teria oferecido aos ministros, são indícios da autoria do roteiro e a que público se dirige.  

Neste ponto da entrevista, dona Roberta informa que fará uma "delação premiada"

Questionada sobre o que apresentaria nesta delação, dona Roberta se enrola toda, pois é óbvio que só faz delação premiada quem tem alguma culpa no cartório. 

Para tentar manter o script, dona Roberta lembra que há medidas cautelares contra ela, que o processo corre em segredo de justiça, que ela não pode dizer o que está lá dentro.

E, na falta de substantivos, vomita adjetivos: "grande mau-caráter, mentiroso, covarde".

Questionada pela CNN acerca da "vida do filho do presidente na Espanha", ela não diz absolutamente nada de objetivo. Aliás, foi assim na entrevista inteira. Zero fato, escudada na promessa de que vai falar "no âmbito judicial".

Nesse ponto da entrevista, ela novamente fala do seu "projeto", não de país, mas de ter um apartamento alugado em Madri e de viver com a filha na Suíça. Como diria uma amiga: “white people problems”.

A CNN insiste: dona Roberta, se sua vida é "um livro aberto", então o que mais você "teria para acrescentar" numa delação premiada?

A resposta é: "talvez detalhes que não estão ali no zap". E, nesse contexto, ela diz que "tenho duas filhas e tenho uma máquina publica sendo movimentada contra mm e contra minhas duas filhas". E chega ao ponto de fazer insinuações acerca de um "misterioso" acidente de carro que teria ocorrido com sua filha, na cidade de Sâo Bernardo do Campo (SP).

A CNN nada questiona, apenas ouve.

Dona Roberta agrega: vou "fazer o que tiver que fazer para proteger minhas filhas".

A CNN pergunta, então, se as supostas revelações que dona Roberta teria fora do zap, poderiam levar à abertura de investigação contra o presidente. A resposta é Tulius Detritus versão 5.0: "acho que o presidente tem que conversar melhor com o filho dele",

E volta a dizer que estaria sendo coagida, que perdeu "todos os contratos" com "clientes que eu tenho há mais de dez anos de trabalho sério". Que não participou, mas que teria assistido a movimentos que justificariam uma delação premiada, cabendo a justiça avaliar se é imoralidade ou se é ilegalidade.

E neste ponto ela introduz na conversa a construtora EBC e o empresário Amauri Pinha, acusado de ser vizinho do filho do presidente (e, se entendi direito. vizinho de dona Roberta).

O que ela fala de concreto sobre isso? Nada. 

Pergunta "quantas vezes esse Amauri Pinha entrou no Palácio? no DNIT? na Petrobras?"

Diz que esse "acesso era franqueado pelo vizinho, pela amizade".

Diz que viu eles conversando, mas agrega que "não tenho como falar o que eles conversaram", o que eu estou dizendo é o que todo mundo sabe".

E adiciona: "ele continua mentindo, um homem desses não pode continuar na presidência do Brasil, ele mente o tempo inteiro".

E reclama de ter sido chamada de Vorcaro feminino, falastrona, pilantra e mau caráter.

E toda vez que a CNN pergunta sobre fatos concretos, ela escapa dizendo que sabe "o que todo mundo sabe", o que está na mídia, citando nesse caso especificamente a Veja.

Você tem "informação ou suspeita de irregularidade?"

Resposta: "eu não tenho que suspeitar de nada, não tenho informação nenhuma, o que estou dizendo é o que a mídia está dizendo".

Neste momento, ela acrescenta: "se alguma coisa acontecer comigo e com minhas filhas", a culpa seria do culpado de sempre.

A CNN insiste: "eles tratavam de negócios, alguma vez que você tenha visto?"

"Não sei, porque era de porta fechada, eu não fazia parte disso. Já fizeram reunião na minha casa, eu na sala, eles ali fazendo reunião. Não cabe a mim ouvir, se não sou chamada não vou escutar". Mas, ao mesmo tempo, o presidente "sabe sim de tudo o que acontece".

A coisa foi tão longe que a entrevistadora da CNN deixa escapar: "isso acaba sendo uma ilação".

E dona Roberta retruca: "ilação é o que ele fez comigo".

Diz que sua relação com o presidente "nunca foi profissional, comercial", foram sempre "relações institucionais", que o presidente "tem que saber, se não sabe não poderia estar no cargo".

E reclama que estariam "usando o dinheiro publico para moer a minha reputação", com "retaliações", "ameaças", "minhas filhas vão definhar". E nesse ponto deixa escapar que só não está pior, "porque tenho amigos".

Quais, a CNN não pergunta.

Dona Roberta seguiu então reclamando do que "ele está fazendo com duas meninas, tirando provento da mãe que sustenta duas meninas", alguém que ajudou "muito a família dele", um "mentiroso", usando de "mau caratismo contra uma mulher", não tem "o direito de falar que defende as mulheres".

Sem dúvida, a entrevista revela que a campanha do Miliciano percebeu que vai perder as eleições e que precisa reduzir o apoio de Lula entre as mulheres.

É por isso que dona Roberta pede "ajuda” para que “não façam nada contra minhas filhas e contra mim".

A CNN, como é óbvio, termina agradecendo "imensamente" pela entrevista.

Igualmente agradecido deve estar o Miliciano e sua corja.

Da minha parte, “agradeço” porque agora posso dizer que conheço um pouco dona Roberta e os motivos pelos quais ela foi adjetivada como foi, pelo presidente.

Para além das motivações e consequências estritamente eleitorais - vide, por exemplo, o debate que vai ocorrer, neste domingo 18 de outubro, na Band - uma das coisas que impressiona nessa história é constatar como, na atual quadra da história do Brasil, personagens desse quilate conseguem ganhar tanto espaço e poder.

Os cavernícolas e o tipo de gente que a eles presta serviço é do naipe é gente do pior tipo. A vitória de Lula, no dia 25 de outubro, de fato é uma batalha civilizacional. Inclusive contra a pilantragem.

sábado, 17 de outubro de 2026

Sobre cores

Noutro milênio, um companheiro tentou me convencer que devíamos fazer como o Tio Ho, a saber, “dar garantias ao inimigo”, para que ele aceitasse capitular, ao invés de lutar até a morte.


Não me convenci, nem achei certo dar carteirada usando o Tio Ho. Mas quem importa se convenceu, deu as tais garantias, baixou a guarda e perdemos a eleição.

Anos depois outro cidadão, adepto do mesmo ponto de vista (“dar garantias ao inimigo”), decidiu iniciar uma campanha eleitoral trocando o vermelho pelo branco padrão OMO. 

Pela graça do bom pai, na época o Partido tinha presidente, o cidadão foi desautorizado e mantivemos o tom da campanha, a saber: concessões, mas sem descaracterização semiótica. Ganhamos.

Lembrei desta história ao ouvir, da boca de um autoproclamado general, a tese de que praticamente já vencemos, sendo possível pensar na etapa de saquear o acampamento do inimigo, inclusive recuperando as cores e bandeiras que esse inimigo, ilegitimamente, tentou privatizar.

Todo apoio à desprivatização das cores nacionais. Mas ainda não ganhamos a eleição. E, para ganhar, é preciso (tentar) não criar (muita) confusão.

Neste espírito, dia 25 de outubro precisamos de presença maciça nas ruas, o dia inteiro. E não podemos causar confusão visual. Quem passar de longe ou de perto, precisa ver nosso vermelho.

Podem ser 50 tons de vermelho, pode misturar com outras cores, mas precisa ter vermelho em quantidade suficiente. Até porque a bandeira do Brasil se destaca mais, quando o fundo é cor de sangue. Coisa que aprendi no Senai de Artes Gráficas, não na atividade política.

A entrevista do Cavernícola Filho para a Chapeuzinho Platinada

Para quem não assistiu, faço abaixo um resumo comentado da entrevista que o Cavernícola Filho concedeu, na sexta-feira, dia 16 de outubro de 2026, à Renata Lo Prete, da Globo.

Mas antes do resumo, uma síntese.

Candidato de direita mente, candidato de extrema direita mente muito, mas o Cavernícola é mais um da Famiglia a precisar, urgente, de acompanhamento especializado em sociopatia galopante.

O Miliciano usou e abusou da entrevista para atacar pesadamente o oponente, bem diferente do que fez Lula na sua respectiva entrevista, realizada no dia anterior.

A entrevista com o Cavernícola pareceu, em vários momentos, ter sido combinada. Diversas perguntas foram formuladas em termos pueris, na prática "levantando a bola para o Cavernícola cortar". E outras perguntas indispensáveis não foram feitas, por exemplo sobre a relação com os Estados  Unidos e Trump. 

Em diversas questões, o Traidor da Pátria adotou uma postura explicitamente oportunista e pragmática. É o caso da votação pelo fim da escala 6x1. Seu voto foi a favor foi puro oportunismo, assim como sua promessa sobre os cortes no orçamento público e suas juras de amor em favor dos trabalhadores e pobres. 

Ficou confirmado, mais uma vez, que só a eleição de Lula pode garantir a sobrevivência de muitas de nossas políticas públicas, dos reajustes acima da inflação para o salário mínimo, dos reajustes das aposentadorias e dos pisos constitucionais de saúde e educação.

Em algumas poucas questões, como aquela sobre raspar a identificação das capsulas de bala, o Cavernícola se deixou mostrar sem nenhuma maquiagem. 

Sua candidatura é a dos EUA, dos fascistas e dos ultraliberais, mas também uma vitória do crime organizado.

Seguem, agora, o ponto a ponto da entrevista, acompanhado de comentários. 

O início da entrevista pareceu ter sido combinado. 

A entrevistadora fez três perguntas "bem objetivas", o entrevistado respondeu laconicamente e, imediatamente, a entrevistadora perguntou se poderia "ir para a próxima".

As perguntas e as respostas foram, respectivamente:

"O senhor vai manter os reajustes do salário mínimo acima da inflação?"

Resposta: "Sim".

"O senhor vai desvincular o percentual de reajuste do mínimo, daquele usado para corrigir o valor das aposentadorias?"

Resposta "Não."

"O senhor pretende mudar a Constituição, para eliminar os pisos de gastos com saúde e educação?"

Resposta: "Também não."

Em seguida o Cavernícola Filho acusou o "concorrente" de promover "terrorismo". Disse que o maior ajuste fiscal que o Brasil poderia fazer "é tirar o Lula", que seria "o maior problema para o desencontro de contas".

Para sustentar esta tese exdrúxula, o Cavernícola Filho usou como um dos argumentos a taxa de juros, que teria crescido 7 pontos percentuais, resultando em 1 trilhão de dívida adicional desde o final do governo do Cavernícola Pai.

Renata Lo Prete insistiu que "sem mexer" nas aposentadorias e nos pisos, não haveria como tesourar os 200 bilhões de reais que a campanha do Cavernícola Filho tem prometido como ajuste fiscal.

O Cavernícola Filho disse que a solução estaria em - que original - atacar despesas e em criar receitas novas. 

Prometeu cortar 10 ministérios (não disse quais), atacar a corrupção e a má gestão das estatais, securitizar os imóveis e a dívida ativa da União, bem como utilizar os recursos do petróleo da Margem Equatorial.

Não disse se pretendia contar com Vorcaro, como conselheiro, no mister da securitização.

E, como cereja do bolo, prometeu utilizar a Inteligência Artificial na gestão, único trecho da entrevista em que mostrou que é possível ser Traidor da Pátria e, ao mesmo tempo, manter autonomia em relação a Trump, que como sabemos só admite o uso do termo "Super Inteligência".

Renata Lo Prete, neste e noutros momentos foi excessivamente educada, apenas frisando que as contas só fecham, ou seja, só daria para cortar 200 bilhões, se o Cavernícola Filho atacasse as aposentadoras e os pisos constitucionais.

Dito isso, passou imediatamente para o tema da escala 6x1. Lembrando que sobre este tema, Lo Prete não fez nenhuma pergunta ao presidente Lula.

Renata Lo Prete lembrou que o Cavernícola foi desde o início contrário a proposta de acabar com a escala 6x1, mas acabou mudando de posição e votando a favor. E pediu ao Cavernícola Filho que explicasse essa mudança de posição.

Antes de responder, o Cavernícola Filho prometeu que não vai fazer economia "às custas das pessoas que mais precisam" e prometeu, ainda, que não vai atacar os servidores públicos.

Depois o Cavernícola Filho disse ser a favor da "liberdade", sendo esse um dos supostos motivos que o teria levado a defender o fim da escala 6x1 e sua substituição por outra.

O sofisma passou sem questionamento da entrevistadora.

E que "outra" seria? 

O Cavernícola não entrou em detalhes, mas o que ele defende é a proposta do senador Marinho, explicada aqui: Valter Pomar: Para O Globo, lutar contra a escravidão seria "oportunismo"

O Cavernícola Filho estruturou parte de sua resposta sobre o tema da escala, em torno de uma mãe hipotética, para quem ele prometeu voucher (!!!) para conseguir vaga em creches privadas. 

Tudo demagogia, mas é sintomática a preocupação em demonstrar empatia com a situação das mulheres mães solo. 

Cobrado pela jornalista, que cobrou uma resposta direta, o Cavernícola filho disse ter votado a favor porque resolveu seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros, favoráveis ao fim da escala 6x1.

No fundo, ele sabia que votar pela manutenção da escala 6x1 anteciparia sua derrota na eleição presidencial.

O Cavernícola filho acrescentou, a seguir, uma tripla promessa: vai garantir o dia de folga a mais, vai devolver o poder de compra do trabalhador e, também, vai garantir que todos possam andar em segurança no seu dia a mais de folga.

Trata-se de demagogia e hipocrisia, que revelam que o Cavernícola Filho está na defensiva, tendo que fazer promessas para os trabalhadores.

Renata Lo Prete perguntou se, caso eleito, o Cavernícola Filho vai se empenhar em reverter o fim da escala 6x1.

Novamente, o Cavernícola Filho respondeu que, "da minha parte", não fará "nenhum questionamento em relação a isso". Mas disse também que cada um pode ter sua opinião pessoal, ou seja, a turma do PL vai continuar defendendo o projeto do senador Marinho.

Em seguida, Renata Lo Prete mudou de assunto e passou a perguntar sobre o tamanho do mandato presidencial.

O Cavernícola Filho disse que, independente do que o Congresso decida sobre o tema da reeleição, ele - caso eleito - abriria mão de disputar um segundo mandato.

O motivo de tanto desprendimento é mais que óbvio: tentar conseguir o apoio dos setores da direita que temem que a Famiglia busque perpetuar-se indefinidamente na presidência.

Nesse contexto, como em vários outros da entrevista, o Cavernícola disparou ataques contra o presidente Lula, inclusive com o objetivo de gerar "cortes" lacradores para usar nas redes sociais e no horário eleitoral gratuito.

Vale dizer que Lula, na entrevista concedida a Renata Lo Prete, não adotou esta atitude artificial.

Uma das frases lacradoras do Cavernícola Filho foi dizer que ele não estaria disputando o poder, mas sim o "futuro da Nação". E prometeu que o centro do suposto governo dele seria "defender o trabalhador".

É sintomático que os fascistas estejam preocupados em conquistar o voto do trabalhador, enquanto do outro lado existem alguns setores que parecem mais preocupados em buscar os setores médios, os setores de centro e outras quimeras do gênero.

Nesse contexto, o Cavernícola Filho afirmou que o trabalhador estaria perdendo a soberania sobre seu celular, sobre sua bolsa, sobre sua casa, sobre sua família. 

O tema da soberania em nenhum momento foi tratado, pelo Cavernícola Filho, em termos de um novo modelo econômico, nem tampouco se fez referência aos planos neocoloniais dos Estados Unidos.

Neste ponto, como em outras passagens da entrevista, Renata Lo Prete "levantou a bola" para o Cavernícola "cortar", dando a deixa para o Miliciano lembrar de falar que sua proposta de emenda constitucional acaba com a reeleição para presidente da República, não inclui aumentar seu suposto mandato, além de vetar o direito de parentes de até terceiro grau poderem disputar.

Novamente, o que está em jogo é tentar seduzir os setores da direita que temem que a Famiglia busque se perpetuar na Presidência. 

Claro que o Cavernícola Filho apresentou isso como prova de que ele teria "desapego ao poder", acrescentando que ele ser presidente seria "um projeto de Deus", além de dizer que, na direita, haveria vários nomes para dar continuidade a seu "projeto de Nação".

Neste momento, Renata Lo Prete introduziu o tema da reforma do judiciário. O Cavernícola Filho aproveitou para falar que o Judiciário tem que contribuir no futuro ajuste fiscal. E atacou Alexandre de Moraes e outros ministros do STF.

Renata Lo Prete perguntou como fica a situação do ministro Kássio Nunes Marques, envolvido com Daniel Vorcaro. O Cavernícola Filho respondeu que todo mundo tem que estar abaixo da lei. E falou da obrigação do Senado Federal iniciar o processo de impeachment contra alguns ministros, voltando a atacar Alexandre de Moraes.

Renata Lo Prete fez um reparo quase incompreensível e passou a tratar do financiamento do filme Dark Horse. Neste ponto, o Cavernícola Filho interrompeu e corrigiu algumas vezes a jornalista. Esta, por sua vez, fez uma pergunta quase cândida: "se não há nada a esconder, porque não trabalhar para que essas informações cheguem ao conhecimento do eleitor?"

Lo Prete, neste momento, pareceu Chapeuzinho Vermelho perguntando ao Lobo disfarçado de Vovó: para que todos esses dentes grandes?

Obviamente o Cavernícola respondeu que as informações acerca do Dark Horse "já vieram a público". E aproveitou a deixa para atacar, diferenciando o que seria, de seu lado, um patrocínio privado para um filme privado (alardeado como uma "obra prima"), do que seria, de outro lado, a suposta relação de Vorcaro com o concorrente.

Para fazer essa relação, o Miliciano se apoiou no áudio gravado, na prisão, pelo banqueiro ladrão, com o óbvio propósito de prestar um serviço adicional a seu brother.

Depois de deixar o Cavernícola atacar diretamente Lula, Renata Lo Prete explicou, protocolarmente, que tem procurado "pautar as entrevistas com base em fatos estabelecidos, respaldados em investigações de órgãos competentes ou investigações jornalísticas". 

Lo Prete "sugeriu", ainda, que o tal áudio gravado por Vorcaro na cadeia não seria um "terreno firme para pisar". Talvez o Manual de Redação da Globo considere que fake news seria sinônimo, não de mentira descarada, mas sim de pântano argumentativo...

A entrevistadora voltou, então, a falar do filme Dark Horse, questionando a diferença entre o valor do filme e o valor que o Cavernícola Filho pediu para Vorcaro.

O Cavernícola Filho deu uma explicação ao estilo conta de padeiro, engatando a seguir três comentários: um sobre o dinheiro que o Master passou para o programa do Luciano Huck, outro sobre a exoneração de um diretor da Globo, por motivos também relacionados ao Master e Vorcaro, e um terceiro comentário atacando Vaccari e o Instituto Lula.

Nesse momento, Renata Lo Prete saiu em defesa da Globo, explicando o ponto de vista da Vênus Platinada, com uma firmeza que faltou em outros momentos da entrevista. E fez mais uma pergunta: por qual motivo o Cavernícola Filho foi pedir um patrocínio justo na empresa de Vorcaro, se havia tantos concorrentes disponíveis no mercado financeiro?

Novamente, o Cavernícola Filho respondeu o óbvio: que teria falado com vários investidores, que Vorcaro topou fazer, numa época em que ele não teria "nada de errado". 

Que essa época nunca existiu, todo mundo sabe, inclusive a Globo.

Que Vorcaro é um bandido, mafioso e proxeneta, idem. 

Mas como dinheiro não tem cheiro, a entrevistadora preferiu não seguir adiante no questionamento. 

Já o Cavernícola Filho aproveitou a ocasião para fazer novo ataque, desta vez contra Vaccari foi apresentado como sendo "quem toca o Instituto Lula", informação também falsa.

A entrevistadora novamente explicou os critérios da Globo, numa tentativa - talvez orientada pelo jurídico da emissora - de não se comprometer demais com as barbaridades ditas pelo Cavernícola Filho. 

Mas, cá entre nós, não há comprometimento maior do que o almoço entre o Cavernícola e a cúpula das Organizações Globo, ocorrido exatamente antes da entrevista.

Terão repassado as perguntas?

Ou o objetivo tranquilizar o entrevistado e "sugerir" à entrevistadora que não repetisse, com o brother, o que tentou fazer na véspera com o concorrente?

Em seguida, Renata Lo Prete abordou o tema Polícia Federal. 

Perguntou se o Cavernícola Filho se "sente a vontade de cobrar uma atitude republicana nessa matéria", considerando que o Cavernícola Pai demitiu seu ministro da Justiça, para evitar que tivessem prosseguimento as investigações contra sua Famiglia.

Traduzindo, Lo Prete perguntou a um criminoso se ele se sente a vontade, ao ter que mentir para cometer seus crimes. 

E foi exatamente isso que o Cavernícola Filho fez: respondeu com novas mentiras descaradas, além de lembrar que hoje Sérgio Moro é, hoje, apoiador e apoiado da Famiglia. 

Lo Prete passou, em seguida, à tentativa de anular a condenação do Cavernícola Pai: perguntou se o presidiário, caso solto, teria um cargo no hipotético governo do Filho. 

Nesse ponto, o Filho atacou, com riqueza de detalhes, a "farsa" que teria condenado seu pai, negando peremptoriamente que tivesse existido uma tentativa de golpe.

O Filho disse, também, que se eleito presidente da República, seu pai passaria a ser "o povo brasileiro". E agregou que seu Pai nunca tratou de cargo e nunca disse que gostaria de trabalhar no governo, logo este assunto não estaria no radar.

A resposta é curiosa, por três motivos. 

Primeiro, porque o Filho não negou a possibilidade do Pai vir a assumir um cargo no seu hipotético governo. 

Segundo, porque o Filho deixou claro que uma decisão a respeito de cargos caberá ao Pai, não a ele, revelando quem seria de fato o presidente. 

Terceiro, porque não foi perguntado - pela jornalista da Globo - se, caso eleito presidente, o Filho usaria os poderes previstos em lei para soltar o Pai.

Mas a ausência de menção ao tema é uma confirmação indireta de que esse é o plano: soltar o Cavernícola Pai, além - é claro - de soltar, também, o brother Vorcaro e todos os condenados pela Intentona Golpista de 8 de janeiro de 2023.

Na sequência, Lo Prete perguntou se o Cavernícola Filho poderia vir a nomear seu irmão, aquele "sacrificado" que reside numa mansão na Flórida, para o cargo de Chanceler (ministro das relações exteriores). 

Neste caso, o Filho disse que o Irmão não será Chanceler, aproveitando a deixa para voltar a atacar Alexandre de Moraes.

Assunto seguinte: Forças Armadas. 

Lo Prete perguntou se, caso eleito, o Cavernícola Filho vai exigir dos comandantes das Armas que endossem a visão cavernícola sobre a transição de 2022 e sobre os eventos de janeiro de 2023.

Ou seja, de que não teve golpe.

A pergunta faz parte da série "Ingenuidades de Chapeuzinho Vermelho". Afinal, estamos falando de gente que, quase sessenta anos depois, segue acreditando, afirmando e ensinando que, em 1964, não aconteceu um golpe militar.

O Cavernícola foi para cima, dizendo que tudo aquilo foi "armada para tirar o Pai da vida pública", mas que a "farsa" não acabou com o bolsonarismo, uma vez que o Cavernícola Filho, "em nome de Jesus", vai - supostamente - se eleger presidente.

Em seguida, o Cavernícola Filho disse que, no seu suposto governo, o papel das Forças Armadas será tomar conta das fronteiras.

Mas, logo depois, disse que, a partir de janeiro de 2027, vai reunir forças armadas e polícias estaduais para declarar guerra ao narcotráfico, tratando Comando Vermelho, PCC e Milícias (sic!) como "organizações narcoterroristas". 

Acrescentou, ainda, que a Marinha vai ser chamada a fazer papel de polícia no Porto de Santos. E agregou que o Brasil fará parte do Escudo das Américas. Acrescentou mentiras sobre o suposto "sucateamento" das Forças Armadas durante os governos petistas. E reafirmou que as FFAA vão cooperar em questões de segurança pública com as polícias estaduais.

Esse foi o momento mais Gotham City da entrevista: um Miliciano criticando as Milícias!

Renata Lo Prete preferiu não comentar que o menino tinha sangue no cabelo, escolhendo voltar ao tema da intentona golpista, perguntando outra obviedade: "o senhor considera que pessoas que fazem" o que foi feito no dia 8 de janeiro de 2023 "devem ser punidas de que forma?"

A resposta, óbvia, foi: "dentro da Lei". 

Em seguida, o Cavernícola Filho engatou novo ataque contra Lula, acusando o presidente de se vingar "dos motoboys de São Paulo" e do prefeito Ricardo Nunes. 

Lo Prete pediu, então, que o Cavernícola respondesse à pergunta, mas recebeu de volta outra lacração sem nexo: "quem está depredando o Brasil é o Lula".

A última pergunta do primeiro bloco da entrevista foi: "se o senhor perder, o senhor vai respeitar o resultado das urnas?" 

A resposta foi, de novo, a mais do que óbvia: "sim", sendo acompanhada de uma série de sandices, entre as quais responsabilizar o governo Lula pela violência contra as mulheres e pelas queimadas na Amazônia, além de dizer que o Brasil estaria sem presidente.

No segundo e último bloco da entrevista, Renata Lo Prete perguntou sobre armas, especificamente sobre um projeto de lei, apresentado pelo Cavernícola Filho, cujo propósito seria retirar a marcação das capsulas de balas compradas pelas forças de segurança. 

Foi um dos momentos mais constrangedores da entrevista. 

O Cavernícola Filho tergiversou explicitamente, não deixando a Renata Lo Prete outra alternativa senão insistir: "em que retirar a marcação das capsulas das balas ajudaria a combater o crime organizado e combater os bandidos?" 

Novamente o Cavernícola tergiversou, falou da PEC da Segurança Pública e prometeu dureza penal, dizendo que isto tudo seria muito maior do que qualquer "detalhezinho" como este das cápsulas.

A coisa foi tão constrangedora que Renata Lo Prete disse ter entendido que ficou sem resposta. 

Mas, como sabem os milicianos e criminosos em geral, a resposta existe: retirar a marcação das capsulas de balas ajuda e protege os amigos do Miliciano, a começar pelos envolvidos em roubo e contrabando de armas e munições.

Vale destacar que a Globo sabe muito bem dos riscos derivados de colocar um criminoso na presidência. Já fizeram isso em 1989, voltaram a fazer em 2018, tentaram sem êxito em 2022, mas - como se sabe - os interesses de classe vêm em primeiro lugar.

Lo Prete passou a nova pergunta, mas sobre o mesmo tema, citando pesquisas que mostram que a maioria do povo defende limitar o acesso às armas. 

O Cavernícola Filho defendeu a política de liberação de armas e assumiu que vai propor mudanças no Estatuto do Desarmamento, engatando novo ataque contra o presidente Lula, neste caso acerca do Bolsa Família, que no passado, segundo o Filho, teria sido generosamente reajustado pelo Pai.

Quase no final da entrevista, Lo Prete falou sobre a prisão de Márcio Canela, criminoso eleito deputado estadual no Rio de Janeiro. Falou, também, de Rodrigo Bacelar e Cláudio Castro. E, vestindo novamente o modelito da Chapeuzinho Vermelho, perguntou se essas revelações sobre o envolvimento criminoso de políticos "com os quais o senhor conviveu de perto, surpreenderam o senhor?"

Novamente, a resposta foi óbvia: "Surpreenderam." 

A isso o Cavernícola Filho acrescentou esperar que todos provem sua inocência, mas disse que "não tem que passar a mão na cabeça de ninguém, não".

Lo Prete perguntou ainda sobre Saúde, levantando a bola para o Cavernícola Filho prometer que, caso eleito, daria autonomia total para um futuro ministro tomar as medidas necessárias numa situação de emergência. E acrescentou a promessa do SUS ter padrão Einstein.

Nas considerações finais, o Cavernícola Filho disse que "a Era Lula vai chegar ao fim". E assumiu três compromissos: 1/nunca prometer aquilo que não vai conseguir cumprir e entregar; 2/devolver o poder de compra das pessoas; 3/devolver a segurança.

Assim terminou a entrevista da Vênus Platinada com o Miliciano, Ultraliberal e Traidor da Pátria.

Como Vorcaro está preso, não foi ele quem comprou o tratamento vip concedido ao entrevistado. 

Que, como se pode constatar, tem uma capacidade intelectual e uma capacidade de mentir que não deixam nada a dever a seu Pai.

Afinal, quem sai aos seus não degenera, especialmente se degenerado já for.