quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Esqueceram de combinar com Quaquá

executiva nacional do PT decidiu instalar uma comissão especial para analisar os 4 pedidos de comissão de ética contra Quaquá.

Foi uma decisão inusitada. O normal seria aprovar ou rejeitar a admissibilidade dos 4 pedidos. Foi o que defendeu uma única integrante da CEN. O restante da instância escolheu o inusitado.

Se entendi direito, o motivo seria preservar o Partido do desgaste. Mas esqueceram de combinar com Quaquá.

Logo depois da reunião da CEN, apareceu um quinto pedido, feito por alguém que Quaquá atacou em um vídeo difundido em suas redes.

Mas não parou por aí. A imprensa teve acesso a composição de tal comissão, noticiou e foi atrás de Quaquá, que respondeu como é do seu feitio educado e polido, como pode ser visto aqui: 

Moral da história, na minha opinião: ou o Partido pune Quaquá ou ele seguirá escalando, até que um dia tropece nos seus próprios feitos. Mas se for essa a alternativa, pagaremos um preço alto por não ter feito nada enquanto era tempo.

Recordando Fevereiro

Certas pessoas têm memória curta. Esquecem até o que elas próprias pensam e escreveram recentemente.

Essa característica parece ter sido acentuada pelas redes sociais. É o caso, pelo visto, do José Luís Fevereiro, que se faz desentendido e chega ao ponto de dizer que “não entendi bem no que ele [Valter] discorda do que escrevi”.

No espírito de ajudar Fevereiro, reproduzo abaixo um artigo de 2024. Quem não tiver coisa melhor para fazer, leia. Antes, uma explicação: tem coisas que faço por obrigação. Outras por esporte. É o caso de acompanhar as piruetas, malabarismos e contradições - especialmente na política internacional - de quem já foi petista e saiu à busca de construir algo melhor. Melhor antídoto quase não há.


Venezuela: a preguiça de José Luís Fevereiro

José Luís Fevereiro escreveu e Outras Palavras publicou um artigo intitulado “Venezuela: a geopolítica do século XXI é outra”.

O artigo pode ser lido aqui: 

https://outraspalavras.net/geopoliticaeguerra/venezuela-a-geopolitica-do-seculo-xxi-e-outra/

Fevereiro diz que “o anti-imperialismo de botequim” atribui aos EUA “objetivos estratégicos que tiveram razoável atualidade ali pelos anos 50 a 70 do século passado. Conflitos eminentemente regionais são apresentados como fomentados pelos interesses estadunidenses, quando de fato os objetivos da política externa norte-americana passam longe”.

Ainda segundo Fevereiro, o "grande conflito geopolítico contemporâneo contrapõe os EUA à China. E não está centrado no petróleo, nas terras raras, no lítio, ou em qualquer outro aspecto secundário. Está basicamente em dois pontos.Um deles é a disputa por hegemonia em Inteligência Artificial (...) Mas o principal terreno da disputa será o desafio à hegemonia do dólar como moeda de referência e de reserva internacional". 

Mesmo sendo uma tolice tratar terras raras, lítio e petróleo como "aspecto secundário", Fevereiro acerta ao dizer que o "grande conflito" opõe EUA e China, assim como é correto dizer que os "dois pontos" principais do conflito são, neste momento, a Inteligência Artificial e o dólar.

Mas Fevereiro está também errado, pelo seguinte: das afirmações corretas supracitadas não decorre que os outros conflitos sejam “absolutamente locais” ou “regionais”; ademais, os conflitos não precisam ser "fomentados" pelos EUA, para que pesem na balança de sua disputa contra a China.

Dito de outro jeito: a guerra entre Rússia e Ucrânia, o genocídio de Israel contra a Palestina e o resultado das eleições na Venezuela são parte integrante do grande conflito entre China e EUA.

Aliás, China e EUA sabem perfeitamente disso e agem em conformidade. E não me parece que os estrategistas de ambas potências possam ser tratados como de "botequim" ou "preguiçosos".

Ao tentar minimizar, relativizar ou negar a relevância geopolítica global da guerra na Ucrânia, do genocídio em Gaza e da operação contra a Venezuela, Fevereiro produz raciocínios constrangedores, para dizer o mínimo. 

Por exemplo, sobre a Ucrânia: "A guerra na Ucrânia tem raízes fundas em questões absolutamente locais" (...) “Localizar ali interesses estratégicos norte-americanos, para além dos compromissos pré-existentes com a OTAN, é um erro”.

“Erro” é minimizar a importância que a  OTAN e o monopólio do ataque preventivo têm para os EUA. "Erro" é não compreender o problema estratégico posto, para os EUA, pela crescente aproximação entre Rússia e China. Aliás, como  lidar com esta aliança é uma das muitas questões que separam as políticas externas de Trump e Kamala.

Outro exemplo, sobre Gaza: “O conflito em Gaza é um conflito regional” (...) "A direita israelense (...) é visceralmente contrária a existência de um Estado palestino. Esse não é o objetivo dos EUA na região. A localização dos objetivos norte-americanos está nos acordos de Camp David entre Israel e Egito e nos acordos de Oslo na década de 1990, visando a constituição de um Estado palestino”.

(Tomo nota da maneira com que Fevereiro se refere ao "conflito em Gaza".)

Os acordos de Oslo são de 1993. Trinta anos depois, é preciso muita fé nas palavras e pouca atenção aos atos para seguir dizendo que a "localização dos objetivos" (sic") dos EUA visa "a constituição de um Estado palestino". 

Claro, para alguns é mais cômodo seguir acreditando que "o alinhamento quase incondicional dos EUA com Israel tem muito mais a ver com questões da política interna norte-americana que com objetivos estratégicos". Os presidentes gringos, coitadinhos, passaram os últimos trinta anos querendo fazer outra coisa, mas não conseguiram e isso por razões fundamentalmente paroquiais.

Seja como for, alguém duvida que o "conflito regional" de Gaza e o conflito com "raízes fundas em questões absolutamente locais" da Ucrânia têm, ambos, potencial para se converter em algo muito maior, mesmo que não seja esta a intenção original dos envolvidos?

(Fico pensando o que diria Fevereiro, vivo fosse, sobre o assassinato dos "turistas" Francisco e Sofia, no dia 28 de junho de 1914, em Sarajevo.)

Terceiro exemplo, sobre a Venezuela: "o governo Biden foi às negociações em Barbados por conta da crise migratória venezuelana (...) Interessava aos EUA normalizar suas relações com a Venezuela e eliminar as sanções, origem principal da crise econômica e da onda migratória venezuelana. Não, não é o petróleo". 

Barbados à parte, o fato é que - no que diz respeito aos governo Chavez e Maduro - o tema central não é e nunca foi o petróleo, tomado isoladamente. Aliás, qual era mesmo o motivo "econômico" para o engajamento dos Estados Unidos em El Salvador ou Nicarágua? E noutros países do Caribe, América Central e América do Sul? Granada e República Dominicana foram atacadas por alguma motivação econômica relevante?

O tema, na imensa maioria dos casos, foi o "lugar" do pateo trasero no conjunto da estratégia estadounidense. O pretexto imediato pode ter sido esse ou aquele, mas a motivação geral era geralmente mais ampla. Foi assim na época do conflito com a URSS e segue sendo assim na época do conflito com a China. Nem tudo é sobre o dólar, nem tudo é sobre a Inteligência Artificial, mas quase tudo vai sendo enquadrado e vai incidindo na disputa global, que tem como pólos principais a China e os EUA.

O fato de não ter como motivação imediata o petróleo, não converte motivações imperialistas em democráticas, não faz a ingerência se tornar aceitável.

(Tomo nota da afirmação de Fevereiro segundo a qual "em dez anos, o petróleo já estará em acelerada redução na matriz energética global, e em 20 ou 30 anos será apenas um insumo para a indústria petroquímica sem relevância como combustível".)

Fevereiro termina seu texto lembrando que "foram necessárias duas guerras mundiais para que a Inglaterra visse a libra esterlina perder essa hegemonia para o dólar".  E complementa: "A China não tem pressa (perdoem a tautologia). Devagar e persistentemente vai construindo essas condições. Espero que essa transição não pressuponha um nova guerra mundial. O que fazer e como se localizar nesse conflito é o debate a ser feito pela esquerda. Os mais preguiçosos preferem seguir pensando a geopolítica a partir do petróleo".

Realmente, o debate sobre o conflito China e EUA é central, com destaque para o tema da IA e do dólar. 

Também é real que tem muita gente preguiçosa na esquerda. As vezes a preguiça leva a adotar fórmulas velhas para tratar de situações novas.  As vezes a preguiça leva a achar pretextos para minimizar a centralidade de questões que dão certo trabalho, como é o caso da Venezuela, de Gaza e da Ucrânia. E as vezes a preguiça faz colocar uma maquiagem de esquerda em argumentos made in USA.


ps.em 1995, Fevereiro era militante da tendência petista Articulação de Esquerda. No encontro nacional que o PT fez em Guarapari, a AE decidiu voltar em Hamilton Pereira para presidente nacional e construir uma chapa com toda a esquerda petista. José Luís Fevereiro defendia outra tática, que implicaria votar em Zé Dirceu para presidente nacional do PT. Ao final da reunião em que tomamos nossa posição, ele anunciou que a respeitaria - uma vez que ele era delegado nato, por ser da CEN. Mas avisou que em seguida sairia da AE. Portanto, em 1995 Fevereiro saiu da AE "pela direita" (do meu ponto de vista, obviamente). O mundo girou e Fevereiro foi parar no PSOL, em circunstâncias que não acompanhei ou pelo menos não recordo. Agora, o vejo defender posições sobre a Venezuela que o colocam à direita da AE e do PT, Dirceu inclusive. Realmente, não será de tédio (nem de preguiça) que morreremos.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Fevereiro e a "relação de forças"

Hoje o José Luís Fevereiro enviou no meu "zap" um "post" que ele publicou em sua conta no "face".

O tal post diz o seguinte: “POLÍTICA EXTERNA E PROJEÇÃO DE VIRTUDE. Tem muita gente por todos os partidos da esquerda que acha que a política externa se faz apenas com imperativos morais e projeção de virtude. A relação de forças não existe, é apenas a desculpa dos traidores. É um mundo religioso onde a esquerda se divide em bons e maus. Nas relações internacionais essa postura não serviria para nada, mas coloca seus defensores na sua zona de conforto.”

Agradeço a gentileza de Fevereiro, de me enviar seu texto. Busco retribuir com os comentários a seguir.

De fato, a política em geral e a política externa em particular não se fazem "apenas" com "imperativos morais e projeção de virtude".

Aliás, especificamente na política externa o papel da "moral" e da "virtude" chega a ser "marginal", de tão reduzido.

Entretanto, embora concorde com a tese de Fevereiro, registro que ela serve para encobrir todo tipo de oportunismo.

Vou dar um exemplo: um debate que tivemos no Diretório Nacional (DN) do PT, na época do Lula 1.

Naquela época, o Fevereiro não era mais do PT, tinha saído para o PSOL, se lembro bem por considerar que os setores hegemônicos do PT usavam a "relação de forças" como pretexto para fazer concessões que ele então considerava inaceitáveis (mas posso estar lembrando errado).

Voltando ao exemplo: estávamos no DN debatendo a taxa de juros do Banco Central, na época do Meirelles.

Um certo dirigente do PT, economista conhecido e integrante do atual governo, fez uma defesa quase entusiasmada da correção da então elevada taxa de juros, baseado na premissa da correlação de forças, que supostamente não permitiria nada diferente.

Eu respondi que concordava com a premissa - a correlação de forças não era favorável - só não entendia por qual motivo daquela premissa decorria aquela específica taxa de juros. E insisti que mesmo aceita a premissa, havia margem de manobra para uma taxa de juros menor.

O célebre economista não respondeu nada, talvez porque não houvesse o que responder.

Pois bem: a "relação de forças" internacional é hoje muito ruim, mas isso não significa que nossa margem de manobra seja zero. E se temos alguma margem de manobra, ela deve ser usada. Inclusive porque se não fizermos isso, a margem de manobra tende a piorar.

Por exemplo: Cuba. Se não fizermos nada, se assistirmos impassíveis Cuba ser sufocada, a situação política externa e interna vai piorar. Ou alguém acha que um eventual colapso na Ilha não vai ser um ativo eleitoral importante para a extrema-direita brasileira?

Portanto, há razões pragmáticas, inclusive eleitorais, para fazermos algo prático: enviar petróleo para Cuba. Isso, como é óbvio, vai gerar tensões com os Estados Unidos. Além disso, a ajuda pode ser interceptada. Mas mesmo nesse caso, será melhor fazer algo, mesmo que não dê certo, do que não fazer nada.

Portanto, socorrer Cuba não é "apenas" um "imperativo moral e projeção de virtude". É também uma necessidade política e pragmática.

Aliás, chega a ser paradoxal ver a mesma pessoa ironizar os que tratam a política como "mundo religioso onde a esquerda se divide em bons e maus" e, ao mesmo tempo, atacar os "ratos que rugem".

Como já disse noutro texto, o Brasil, o governo Lula e a esquerda brasileira não são "ratos". Até por isso, não entendo por que estaríamos proibidos de vez ou outra darmos pelo menos uns "rugidinhos". Nem entendo porque deveríamos esquecer que, em alguns momentos da história, qualquer que seja a correlação de força, temos obrigações "morais" a cumprir.

Mas, claro, não preciso falar disso a quem já foi do PT e saiu buscando construir algo menos sujeito aos imperativos da “correlação de forças”. Ou será preciso?




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Fuser, Fevereiro e o “rato que ruge”

Meu colega Igor Fuser recomendou e por isso fui ler.

Mas é verdade que inicialmente li “imperdoável” onde estava escrito “imperdível”.

A recomendação de Fuser foi a seguinte:

“Neste post imperdível, José Luis Fevereiro defende a política externa de Lula e faz picadinho dos chanceleres de Facebook.”

Fevereiro, para quem não sabe, noutro milênio já foi secretário nacional de organização do PT e hoje é, creio, da direção nacional do PSOL.

Seu post “imperdível” tem um título maravilhoso: “A DIPLOMACIA E O RATO QUE RUGE”.

Não sei quem ele está criticando, mas concordo que não cabe cobrar do governo Lula “uma postura diplomática tonitruante”.

Concordo também que “as opções do Brasil são muito reduzidas”.

Mas não concordo em atribuir ao “Brasil” a opção 
de interromper seu programa nuclear e abandonar a estratégia de desenvolvimento de tecnologia militar própria.

Esta opção não foi do “Brasil”. Foi de quem hegemonizava a política brasileira na época. 

Em decorrência, acho totalmente impreciso dizer que “o Brasil” teria optado “por um modelo de defesa baseado no multilateralismo, na defesa de regras internacionais e construção de interdependências econômicas apostando que isso reduziria os riscos de conflito”.

Acho impreciso, entre outros motivos porque - como se está demonstrando - esse “modelo” não nos defende. E se parece reduzir “os riscos de conflito “, é porque com ele já estamos praticamente derrotados no ponto de partida.

Por tabela, acho que não podemos nos limitar a constatar que “as Forças Armadas brasileiras não têm qualquer capacidade de defesa face a ameaças militares dos EUA ou de qualquer potência militar de 2a linha”. 

Constatado isso, é preciso tomar medidas práticas para mudar essa situação.

Discordo de que “fora da opção nuclear, nada mais teria resolvido”. Este tipo de raciocínio 8 ou 80 só serve a quem defende a manutenção do status que, ou seja, defesa zero. Sem falar que certas “opções” podem ser alteradas.

As derrotas parciais sofridas recentemente pela Venezuela e Irã são um fato. Mas disso não decorre a conclusão de que ou se tem bomba nuclear ou nada feito. 

Basta olhar para as derrotas sofridas por Síria e Líbia para ver que existe uma “escala de danos”, de onde se deduz que é útil - para quem efetivamente defende a soberania nacional - ter forças armadas superiores as que temos hoje.

Sou contra bravatas e tenho horror ao machismo-leninismo. Mas não acho suficiente  a “fórmula” proposta por Fevereiro: “seguir buscando ações comuns com outros países, isolando economicamente os EUA, buscar ações concertadas internacionalmente, sem recuos mas sem provocações”.

Não acho suficiente especialmente em dois terrenos: primeiro, um país do tamanho e da riqueza do Brasil precisa ter uma força militar minimamente à altura; segundo, há espaço e necessidade para mais e melhores iniciativas políticas, inclusive de solidariedade com as vítimas imediatas da ofensiva trumpista.

Cuba, por exemplo. Mais de dez milhões de pessoas estão prestes a ser privadas de energia elétrica. O Estado brasileiro pode e deve enviar petróleo, imediatamente, para evitar uma catástrofe.

Não sei se Fevereiro classificaria isso como proposta “tonitruante” de um “rato que ruge”. 
Espero que não. 

Afinal, se é verdade que o Brasil, o nosso governo e a esquerda não podemos tudo, muito menos na atual situação, também é verdade que  temos força, meios e a obrigação de fazer algo mais. Além do que, como não somos ratos, não precisamos ter medo de vez ou outra dar um rugidinho.


Segue abaixo o texto citado de Fevereiro

A DIPLOMACIA E O RATO QUE RUGE
Estou impressionado ( negativamente ) com a quantidade de pessoas que eu imaginava terem juízo e que vem cobrando do governo Lula uma postura diplomática tonitruante.
Nos tempos que correm onde a força bruta do Império Estadunidense é usada abertamente e sem disfarces por Donald Trump , seja através de tarifas unilaterais, sanções, bloqueios territoriais ou intervenções militares, as opções do Brasil são muito reduzidas.
Décadas atrás o Brasil optou por interromper seu programa nuclear, abandonou a estratégia de desenvolvimento de tecnologia militar própria, e optou por um modelo de defesa baseado no multilateralismo, na defesa de regras internacionais e construção de interdependências econômicas apostando que isso reduziria os riscos de conflito. As Forças Armadas brasileiras não têm qualquer capacidade de defesa face a ameaças militares dos EUA ou de qualquer potência militar de 2a linha. E isso foi uma opção.
Importante dizer que fora da opção nuclear, nada mais teria resolvido. Basta ver a total incapacidade tecnológica do Irã e Venezuela , com tecnologia própria e Russa, de viabilizar qualquer defesa eficaz do seu espaço aéreo face à enorme desigualdade tecnologica. 
Neste cenário atual, onde Trump sequestra o presidente Venezuelano, ameaça Cuba e o Irã, surgem as cobranças por um "posicionamento vigoroso" por parte do governo Lula. Os Chanceleres do Facebook não avançam o que isto poderia ser, mas deixam claro que notinhas de repúdio são insuficientes.
Felizmente nenhum deles transitou do Facebook para o Palácio do Itamaraty . Porque o último que optou por uma verborragia descolada da sua força real foi Maduro ao desafiar Trump a ir pega-lo a Miraflores. Trump foi. 
O que cabe ao Brasil neste momento é seguir buscando ações comuns com outros países, isolando economicamente os EUA, buscar ações concertadas internacionalmente, sem recuos mas sem provocações. 
No geral a diplomacia do governo Lula vem acertando

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Quaquá é um “banco grande demais para quebrar”?

Breve explicação: dia 2 de fevereiro reiniciam as aulas na Universidade Federal do ABC.

Uma das disciplinas que ministrarei chama-se Sistema Financeiro Internacional.

Na noite do dia 29 de janeiro, repassando os temas que serão abordados, me deparei com o "risco moral" (moral hazard), a saber, o comportamento irresponsável de gestores e proprietários de bancos "grandes demais para quebrar" (too big to fail). E que por isso são geralmente salvos pelo Estado, com o dinheiro do contribuinte.

Pois bem: ao ler isso, meu Tico lembrou ao meu Teco o ocorrido na tarde do mesmo dia 29 de janeiro, quando a executiva nacional do PT (CEN) decidira, mais uma vez, não decidir sobre as comissões de ética pedidas contra Washington Quaquá. 

Um dos argumentos utilizados por quem apoiou o adiamento foram as repercussões públicas de uma comissão de ética, especialmente num ano eleitoral. 

Para quem pensa assim, a situação de Quaquá parece ser vista de maneira similar a dos "bancos grandes demais para quebrar": as atitudes do atual prefeito de Maricá causam danos, mas sua punição supostamente causaria danos ainda mais graves.

Vale dizer que o próprio Quaquá contribui nesse sentido, com declarações que alguém poderia interpretar - indevidamente, é claro - como ameaças ou chantagens.

O resultado prático da atitude da CEN lembra o descrito pelo termo “moral hazard”. Afinal, considerando-se protegido, ele não se corrige, não para, não reduz a velocidade, nem mesmo baixa o tom. Pelo contrário, escala.

Aonde isso vai dar, acho que todos sabem. Mas, ao menos por enquanto, muitos parecem ter medo de fazer a coisa certa.

Espero que algum dia a esperança vença o medo. Do contrário, mais e piores problemas virão pela frente. E quem vai pagar a conta serão basicamente os mesmos que pagam pelos malfeitos dos “too big to fail”: o povo. No caso, a militância de base.

 




quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

A impressionante influência do senhor Quaquá

Dois acontecimentos ocorridos hoje e ontem, 28 e 29 de janeiro, demonstraram a impressionante influência que Washington Quaquá possui entre dirigentes nacionais do PT, de todas as tendências.

No dia 28 de janeiro, um importantíssimo dirigente nacional do PT pediu para retificar uma declaração que deu a respeito de Quaquá. A referida declaração era simples: "Há um pacto para formar as maiorias para não afetar um ou outro, entendeu? Então, esse é um problema sério. Eu tenho a impressão de que o Quaquá já estaria expulso do PT". 

A retificação foi a seguinte: "Pedi a retirada da citação ao Quaquá porque seria um prejulgamento de que fui vítima já. Citei porque há quatro pedidos de comissão de ética para ele sem julgamento um faz de conta”.

No dia 29 de janeiro, a Comissão Executiva Nacional do PT debateu sobre os pedidos de comissão de ética contra Quaquá. Um desses pedidos foi feito em 2021. O estatuto do PT prevê que cabe à executiva decidir se o pedido deve ou não ser aceito. O secretário-geral de 2021 e o que veio depois e segue sendo secretário-geral, ao invés de cumprirem seu dever estatutário, adotaram a postura de engavetar o pedido. Por este motivo, toda vez que encontro o atual e de resto super simpático secretário-geral, eu sempre o chamo de "o prevaricador".

Havia a expectativa de que a executiva nacional votasse, hoje, pelo arquivamento dos pedidos ou pelo encaminhamento à comissão de ética. Mas o que prevaleceu mais uma vez foi um argumento parecido com o utilizado em 2022 e em 2024, a saber, que votar uma comissão de ética em período eleitoral causaria prejuízos ao Partido. 

No passado, este argumento foi desmoralizado pela prática, ou melhor, pelo próprio Quaquá, que seguiu causando danos ao Partido, com suas declarações e comportamentos. 

Talvez por isso tenha prevalecido, agora, uma novidade. A saber: montar uma comissão ad hoc "para tentar resolver na política a situação". A referida decisão, aprovada por esmagadora maioria pela executiva nacional do PT, mereceu a seguinte declaração de voto da companheira Natália Sena:

*Declaração de voto por escrito*

Registro minha absoluta discordância com a decisão da executiva nacional do PT, sobre as comissões de ética pendentes contra o prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washigton Quaquá. O primeiro pedido foi feito em 2021. O DN e a CEN não deliberaram sobre o tema, postergaram anos. Agora, ao invés de aprovar ou negar a comissão de ética, decide-se por "resolver na política" o assunto, sabe-se lá o que isso queira dizer. Na prática, criou-se uma comissão composta por vários dirigentes da CEN para tratar do tema. Mais uma vez prevalece uma imensa dificuldade em tratar as coisas com a simplicidade que elas têm: Quaquá infringiu ou não a ética do Partido? Registro por fim que apenas eu votei contra o encaminhamento. 

Natália Sena, 29 de janeiro de 2026

Os dois acontecimentos comprovam, em minha opinião, que Quaquá tem uma impressionante influência entre dirigentes de todas as tendências do Partido. A influência não vai ao ponto dele ser defendido. Pelo contrário, a impressão é que existe muita gente mal agradecida, a saber, que recebe generoso apoio material e votos decisivos, mas que prefere manter distância pública de um personagem excessivamente controverso e sem limites. Mas a distância não vai ao ponto de fazer a coisa certa, a saber, submeter Quaquá a uma comissão de ética.

Como disse o dirigente acima citado, parece mesmo haver um "pacto". Que, como se demonstrou, envolve muita gente.

 

Falta de gentileza

Nos dias 5 a 7/2 acontecerá em Salvador (BA) a comemoração do aniversário do PT.

Na programação, vários debates sobre temas interessantes.

Como sempre, há polêmicas sobre como compor cada uma das mesas.

Uma dessas polêmicas gira ao redor do seguinte: tirante quem não é dirigente do Partido, todas as demais pessoas (ou seja, os e as dirigentes) convidadas para compor as mesas do aniversário são da CNB ou de tendências que apoiaram o companheiro Edinho no PED 2025.

Este tipo de composição - 100% homogênea - é em geral algo ruim. Mas no aniversário do Partido, um momento de “celebração” e festa, é mais que ruim: é, como caracterizou alguém, uma absoluta falta de gentileza. Chato, muito chato.

Registre-se que o companheiro Edinho, alertado para o fato, concordou que esta composição não é adequada. Mas pelo menos até agora (7h36 de 29/1) a programação segue a mesma.

Motivo pelo qual faço pública a reclamação que antes (dia 25/9) fiz privadamente.


ps. aqui está a programação atual: 

https://www.instagram.com/p/DT1A1fDkvlb/?img_index=2&igsh=MXRvcmxxZXRyaHdlcA%3D%3D