Valter Pomar
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
O recado das urnas, segundo Haddad
PCO vota nulo no segundo turno
domingo, 11 de outubro de 2026
O lugar de São Paulo no segundo turno nacional
Texto sem revisão e em debate, sujeito a alterações.
Não foi por falta de aviso
sábado, 10 de outubro de 2026
Fadiga e medo??
Um amigo é de opinião que os marqueteiros são uma “espécime” que precisa ter o mesmo destino dos latifundiários e especuladores.
Se a tese é, no geral, válida ou não, deixo para os especialistas. Mas, no particular, vale para um cidadão - que vou chamar aqui de “foguete super aquinhoado” - que anda defendendo duas teses exdrúxulas.
A primeira é que devemos “por medo nas pessoas”.
A segunda é que nosso “projeto” sofreria de “fadiga de material”.
Vamos por partes.
Devemos falar a verdade. E a verdade é que os imperialistas, os neofascistas e os ultraliberais não estão para brincadeira: onde ganham, vão para cima, sem dó nem piedade.
Mas dizer a verdade é uma coisa, “por medo” é outra, por pelo menos dois motivos:
I/algum medo, assim como algum estresse, é indispensável para sobreviver na selva e na luta de classes. Mas medo em excesso é paralisante. Motivo pelo qual medo sem esperança é a morte;
ii/a maior parte das pessoas são oprimidas pelo medo todo dia: medo de perder o emprego, medo do salário não chegar até o fim do mês, medo de ser vítima das grandes e pequenas desgraças que povoam, especialmente, a vida das pessoas mais pobres, mulheres, negros e negras, moradores das periferias. Nossa base social não precisa de mais medo, nossa base quer esperança, necessita de uma mensagem que convoque à luta por um futuro melhor.
Por isso mesmo, não há “fadiga de projeto”.
Esta tese da “fadiga” é do mesmo naipe de algumas outras “explicações”, segundo as quais o resultado do primeiro turno teria sido produto da “crise do capitalismo”, do “ascenso da extrema-direita” ou do “sentimento de mudança capturado pela direita”.
Quem arruma estas “causas” evita discutir os erros cometidos - por setores do governo, da campanha e do Partido - e coloca a “culpa” em variáveis genéricas, que têm a “vantagem” de não ter CPF, nem RG.
Portanto, para citar uma frase que não é minha, os responsáveis escapam de serem “afogados no lago”.
A tese da “fadiga de projeto” incide, ademais, noutro erro: não explica de que “projeto” estaria falando. É uma referência a Lula? Ao PT? Ao programa democrático-popular e socialista? Ou ao que foi efetivamente praticado no terceiro mandato de Lula?
Seja o que se queira dizer, adotar a tese da “fadiga” é aceitar que a extrema-direita teria alguma dose de razão, ou seja, de que não teríamos mais o que oferecer ao povo brasileiro.
Que alguém pense assim, normal.
Mas que um funcionário muito bem assalariado, com altas responsabilidades, pense algo assim, é a prova de que a tal “crise de direção” existe. Ou, pelo menos, que nosso setor de RH é de uma incompetência ímpar.
Por estas e outras, a nossa única “bala de prata” é a maravilhosa Nação Petista, que junto com milhões de pessoas sem partido ou de outros partidos, está nas ruas, nas redes e nos “pé de ouvido”, para garantir que haja futuro para o povo brasileiro.
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Narcisos na política
Apesar do título, este texto não é sobre Jones Manoel, nem sobre Janones.
Mas sim sobre a "classe média".
Classe média, cada época e cada autor tem a sua,
E não será no meio de uma eleição que vamos chegar a acordo sobre como denominar os diferentes setores da sociedade brasileira.
Assim, vou me limitar a um comentário político: as palavras têm poder.
Por exemplo: dizer que nosso objetivo é que "a classe trabalhadora possa viver muito bem" não tem o mesmo efeito político de dizer "desejamos que o Brasil seja um país de classe média".
Também por isso, não estou de acordo com a tese (expressa no título do artigo) de Frei Betto, segundo a qual "a classe média decidirá a eleição".
Segundo entendi, Betto extrai essa tese de Pedro Dória, personagem que mereceria muitos comentários, mas que não farei aqui.
Segundo Dória, resumido por Betto, a principal novidade eleitoral não estaria nas elites nem nos grandes centros urbanos, mas no chamado “brasileiro médio” — os trabalhadores da periferia, das cidades pequenas, das classes C e D, que desejam melhorar de vida e não se sentem representados pelo discurso tradicional da esquerda.
Por qual motivo chamar o "brasileiro médio" de "classe média"?
O brasileiro médio vive do seu trabalho. Por qual motivo não chamar de "classe trabalhadora"?
Os motivos são óbvios, né?
Segundo Dória, sempre resumido por Betto, o cavernícola filho teria tido um desempenho melhor do que o do cavernícola pai. E aponta de onde vieram estes votos.
Não se diz, mas é bom lembrar, que isso é assim a depender da eleição que compararmos. Se for com primeiro turno de 2018, seguramente. Se for com o segundo turno de 2022, trata-se em boa medida de uma ilusão estatística, causada pelo crescimento do eleitorado nos últimos quatro anos.
Mas o que isso tem que ver com a tal classe média?
Segundo Dória, conforme Betto, os dados demonstrariam que "a esquerda imaginava ter seu principal adversário na elite econômica. Mas, conforme os dados apresentados pelo Meio, justamente nas áreas de maior renda Lula cresceu. O deslocamento ocorreu sobretudo entre setores populares e de renda intermediária".
Jesus pai do céu.
De repente, não mais do que repente, trabalhadores de melhor "renda" se transformam em "elite econômica".
E se trata o "deslocamento" que teria ocorrido entre "setores populares e de renda intermediária" como um deslocamento da “classe média".
Como método, isso me lembra a origem do famoso ditado "não confundir focinho de porco com tomada".
Cá entre nós, as pesquisas já diziam, há tempos, que Lula só tinha maioria em um setor da classe trabalhadora: os que recebem menores salários.
Portanto, o que ocorreu não é surpresa: foi nos setores que não recebem os menores salários, que houve maior deslocamento em direção a outras candidaturas.
Mas foram em direção ao cavernícola? Uma parte, provavelmente sim. Mas uma parte, seguramente não. Basta ver os números: Lula teve 60 milhões de votos em 2022 e 53 milhões agora. Cavernícola pai teve 58 milhões de votos em 2022 e cavernícola filho teve 56 milhões agora.
Portanto, a rigor, se depender dos números, podemos especular sobre diferentes deslocamentos, de quem votava em X e deixou de votar, passando a votar ou em Y, ou em outros candidatos, ou em branco, nulo ou abstenção.
A hipótese de Dória, segundo Betto, é a seguinte:
"A classe C aparece como especialmente significativa: famílias com renda de 4 a 10 salários mínimos mensais. Abrange 130 milhões de pessoas (61% da população). Na análise de Doria, é nela que Flávio Bolsonaro teria obtido sua maior vantagem: 53% contra 37%. Nas classes D (renda familiar de R$ 1.580 a R$ 2.525 mensais) e E (renda familiar de no máximo R$ 1.580 mensais), o candidato de direita também cresceu, embora Lula tenha mantido a dianteira entre os mais pobres."
Eu confesso. que não sabia que 61% da população brasileira vive com uma renda entre 4 a 10 salários mínimos.
Nem sabia que seria possível tratar esta faixa da população com um agrupamento social mais ou menos homogêneo.
Veja: não nego, muito antes pelo contrário, que o cavernícola tenha melhor resultado entre os trabalhadores com salários maiores.
Mas os dados estatísticos que conhecia, até ler este texto de Betto, me apontavam que os trabalhadores de menor faixa salarial (formal ou informal, salário não deveria ser chamado de renda) são ampla maioria do povo e do eleitorado.
Entretanto, o mais importante, do ponto de vista político, é a seguinte conclusão de Betto: "A esquerda talvez tenha deixado de compreender uma transformação social produzida pelo próprio Brasil das últimas décadas: a ascensão de milhões de pessoas que continuam pobres ou vulneráveis, mas passaram a ter expectativas de consumo, autonomia, empreendedorismo e mobilidade social".
Até onde eu sei, as expectativas de consumo, autonomia e mobilidade não surgiram agora. O que surgiu agora foi a tendência a enquadrar estas expectativas - justíssimas - na camisa forçada do "empreendedorismo".
Que, vamos combinar, conduz o trabalhador a se movimentar num universo imaginário que o leva, não a mudar de classe, mas a mudar de ponto de vista.
Adianto que concordo com Betto que é uma estupidez - palavra minha - tratar essas pessoas de forma depreciativa.
E, também, concordo que as políticas públicas devem ajudar essas pessoas a "prosperar".
Mas, do mesmo jeito que ter uma política para o agro não implica em aceitar que ele seja pop, ter uma política para estes setores da classe trabalhadora não deve, nem pode, implicar em incorporar a ideologia do empreendedorismo.
Vejam o exemplo dado por Betto: "O trabalhador que recebe um benefício social pode, simultaneamente, desejar abrir uma empresa. A pessoa que necessita do SUS pode querer pagar uma escola particular para os filhos. Quem depende de políticas públicas pode sonhar em deixar de depender delas".
Para resumir meu argumento: ninguém que vive em sociedade, nem mesmo os ricos, aliás principalmente os ricos, pode "deixar de depender de políticas públicas". Aceitar esta tese é aceitar, na prática, a premissa neoliberal de que não existiriam sociedade, existiriam apenas indivíduos.
Voltando à política: para Lula "recuperar parte dos eleitores que votaram nele em 2022 e agora migraram diretamente para seu adversário", devemos dirigir nosso discurso para a "classe média" ou para a "classe trabalhadora"?
Betto diz que é nesse ponto que "a expressão ‘brasileiro médio’ ganha importância. Não se trata de uma categoria sociológica rigorosa, mas de uma imagem política útil para designar um segmento que pode decidir eleições justamente porque não se encaixa mais nas velhas caricaturas da esquerda e da direita. Esse eleitor não desapareceu. Apenas deixou de ser ouvido com atenção".
Buenas, que há caricaturas, não duvido. Mas duvido que "brasileiro médio"seja uma uma "imagem útil", especialmente num momento de polarização extrema.
O tema da escala 6x1, por exemplo, exige contrapor trabalhar para viver e viver para trabalhar.
A ampliação das políticas públicas exige cobrar imposto dos ricos. A redução do preço dos alimentos exige cortar impostos dos trabalhadores.
Para "melhorar a vida", temos que escolher entre pílula vermelha ou pílula azul, entre a porta da direita ou da esquerda.
A direita entendeu isso e assume abertamente quem é. A esquerda precisa, se quiser ganhar, fazer o mesmo.
Nesse mesmo espirito, as pessoas da esquerda que vivem em padrões popularmente conhecidos como "classe média", precisam entender que não são elas, mas sim os trabalhadores de menores salários, os mais lascados, que vão decidir a eleição.
Chamar estas pessoas de "classe média" pode soar bonito e agradar o narciso, mas não ajuda, penso eu.
(sem revisão)
Segue abaixo o texto comentado, de autoria do companheiro Frei Betto.A CLASSE MÉDIA DECIDIRÁ A ELEIÇÃO
Frei Betto
Há eleições que mudam governos. Outras, o mapa político. E há aquelas que revelam que o país estava mudando sem que muitos percebessem. A análise de Pedro Doria, editor do Meio, sobre o primeiro turno de 2026 aponta nessa direção: a principal novidade eleitoral não estaria nas elites nem nos grandes centros urbanos, mas no chamado “brasileiro médio” — os trabalhadores da periferia, das cidades pequenas, das classes C e D, que desejam melhorar de vida e não se sentem representados pelo discurso tradicional da esquerda.
O dado mais eloquente é geográfico. Segundo levantamento realizado pelo Meio com base em cerca de 86 mil locais de votação, correspondentes a 96% dos votos do país, Flávio Bolsonaro (PL) teve desempenho superior ao de seu pai em 9 de cada 10 locais de votação. Mais expressivo ainda: 714 municípios que haviam dado maioria a Lula em 2022 passaram a dar vitória a Flávio Bolsonaro. O movimento inverso, segundo o levantamento, não ocorreu em nenhum município.
Não foi, portanto, simplesmente uma transferência eleitoral nas grandes metrópoles. Nas cidades com mais de 1 milhão de eleitores, a alteração foi pequena. Já nos municípios com menos de 10 mil eleitores, a diferença teria chegado a 12 pontos. Mais da metade dos votos adicionais obtidos pelo candidato da direita em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro teria vindo de cidades pequenas e médias.
O fenômeno também aparece nas grandes cidades. Enquanto bairros de maior renda, como Leblon, Ipanema e Copacabana, no Rio; e Higienópolis, Pinheiros, Perdizes e Vila Madalena, em São Paulo, ampliaram a votação de Lula. Regiões periféricas mudaram de direção: Osasco e Cotia (SP), Betim (MG) e Ananindeua (PA) são alguns exemplos citados por Doria.
É uma inversão curiosa de uma interpretação que predominou durante os últimos anos. A esquerda imaginava ter seu principal adversário na elite econômica. Mas, conforme os dados apresentados pelo Meio, justamente nas áreas de maior renda Lula cresceu. O deslocamento ocorreu sobretudo entre setores populares e de renda intermediária.
A classe C aparece como especialmente significativa: famílias com renda de 4 a 10 salários mínimos mensais. Abrange 130 milhões de pessoas (61% da população). Na análise de Doria, é nela que Flávio Bolsonaro teria obtido sua maior vantagem: 53% contra 37%. Nas classes D (renda familiar de R$ 1.580 a R$ 2.525 mensais) e E (renda familiar de no máximo
R$ 1.580 mensais), o candidato de direita também cresceu, embora Lula tenha mantido a dianteira entre os mais pobres.
Há outro dado que contraria uma explicação recorrente: não foram principalmente os evangélicos que mudaram de posição. Esse eleitorado já havia se deslocado majoritariamente para a direita em 2022. A novidade estaria entre os católicos. Segundo o levantamento apresentado por Doria, dos quase 5 milhões de votos a mais obtidos por Flávio Bolsonaro em relação a Jair Bolsonaro, mais de 4 milhões teriam vindo de eleitores católicos. Entre eles, Lula teria caído de 54% para 49%.
Tampouco a explicação estaria na juventude ou na abstenção. Quando idade, renda e local de votação são considerados conjuntamente, a diferença entre faixas etárias diminui. E a abstenção, de 20,8%, teria permanecido praticamente igual à de 2022. O que mudou, portanto, não foi essencialmente quem não compareceu às urnas, mas em quem os eleitores decidiram votar.
Quem é esse eleitor do candidato do PL? Doria o define como pobre, mas não o mais pobre; católico; morador do interior ou da periferia; pertencente sobretudo às classes C e D. É o pequeno empreendedor, o trabalhador que deseja ser patrão de si mesmo, o motorista de aplicativo, o comerciante de bairro, o trabalhador informal ou aquele que sonha em abrir um pequeno negócio.
É aí que surge uma questão que ultrapassa a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. A esquerda talvez tenha deixado de compreender uma transformação social produzida pelo próprio Brasil das últimas décadas: a ascensão de milhões de pessoas que continuam pobres ou vulneráveis, mas passaram a ter expectativas de consumo, autonomia, empreendedorismo e mobilidade social.
Quando esse eleitor ouve falar em “pobre de direita”, “evangélico manipulado” ou “CEO de MEI”, pode interpretar tais expressões não como crítica política, mas como desprezo por sua própria experiência de vida.
Doria também aponta questões concretas. A tributação das compras internacionais, os impostos sobre as apostas eletrônicas e a proposta de regulamentação do trabalho dos motoristas de aplicativos foram recebidos por parte desse eleitorado como interferência de um Estado que, muitas vezes, já é visto como excessivamente burocrático. O problema, nessa perspectiva, não seria apenas a política social, mas a dificuldade de fazer o pequeno negócio prosperar.
Há nisso uma advertência para a esquerda: não basta defender os pobres; é preciso compreender aquilo que eles desejam ser. O trabalhador que recebe um benefício social pode, simultaneamente, desejar abrir uma empresa. A pessoa que necessita do SUS pode querer pagar uma escola particular para os filhos. Quem depende de políticas públicas pode sonhar em deixar de depender delas.
O segundo turno torna essa mudança ainda mais importante. Flávio Bolsonaro terminou a primeira rodada com cerca de 56 milhões de votos, contra aproximadamente 53,7 milhões de Lula, segundo a análise do Meio. Os candidatos eliminados deixaram milhões de votos disponíveis para redistribuição.
Para Flávio Bolsonaro, a tarefa é agregar votos situados à direita do lulismo. Para Lula, a questão é diferente: recuperar parte dos eleitores que votaram nele em 2022 e agora migraram diretamente para seu adversário. Doria estima que esses eleitores representem cerca de 7% daqueles que haviam escolhido Lula anteriormente. Como cada voto recuperado significa simultaneamente um voto a menos para o candidato do PL, uma parcela dessa migração pode alterar significativamente a distância entre os dois.
Mas há um paradoxo. A direita bolsonarista precisa ampliar sua votação sem afastar o eleitor católico que começa a migrar para ela. A esquerda, por sua vez, precisa reencontrar a periferia sem tratá-la de modo paternalista. Precisa falar menos do pobre idealizado e mais do cidadão real, que quer segurança, saúde pública, escola, crédito, juros suportáveis e liberdade para trabalhar e empreender.
É nesse ponto que a expressão “brasileiro médio” ganha importância. Não se trata de uma categoria sociológica rigorosa, mas de uma imagem política útil para designar um segmento que pode decidir eleições justamente porque não se encaixa mais nas velhas caricaturas da esquerda e da direita. Esse eleitor não desapareceu. Apenas deixou de ser ouvido com atenção.
A grande pergunta do segundo turno, portanto, não é somente quem conseguirá transferir mais votos de outros candidatos. É quem conseguirá compreender melhor esse Brasil que emergiu das periferias urbanas, das cidades pequenas e da classe média popular. O brasileiro médio não está necessariamente à esquerda ou à direita. Procura uma porta de saída para melhorar de vida.
Talvez essa seja a principal lição das urnas de 2026: antes de conquistar os votos desse eleitorado, é preciso reconhecer sua existência e demandas.
"As notícias da minha morte foram um pouco exageradas"
Tem uma guerra mundial em curso. Quem não se deu conta, não entendeu nada.
O segundo turno presidencial no Brasil é uma batalha decisiva. Não vai decidir a guerra. Mas vai decidir em que condições nós seguiremos participando dela.
Há um conflito, em nosso Estado Maior, sobre como conduzir esta batalha. Generais batendo cabeça, oficiais desnorteados, bizarrices na logística e na comunicação, uma polifonia de candidatos a salvador da pátria, confusão quase caótica que inclui - vide RJ - ratos que tentam manter um pé em cada canoa.
E, como se não bastasse, tem entre nós uma quinta coluna, composta pelos que não acreditam ser possível vencer e, também, pelos que, no fundo, torcem pela derrota. Entre esses últimos, há personagens que, incapazes de superar pela esquerda o PT e Lula, inconscientemente torcem para a direita fazer o serviço sujo, limpando o caminho para que uma supostamente "verdadeira esquerda" possa florescer.
Se por acaso ousamos defender o PT dos ataques, sempre haverá os que dizem não ser hora deste tipo de polêmica, afinal "partidarizar" atrapalharia a construção da ampla frente necessária para derrotar o fascismo. E, claro, argumentam que é preciso separar o que é de Lula e o que é do PT: os problemas, deveriam ser todos debitados na conta do Partido-Geni. Ou seja, nos azucrinam, confundem nossos ouvidos com privada, mas querem que fiquemos de cabeça baixa, ginuflexos, pedindo perdão por existir e, se possível, nos chicoteando em praça pública.
As vezes dá vontade de responder detalhadamente aos argumentos supostamente cheios de razão que esta gente anda expelindo. Mas, cá entre nós, não é a primeira e não será a última vez que publicam o obituário do PT antes da hora. E, como das vezes anteriores, a última palavra nessa história não será dada pelo "marxismo acadêmico", nem pela "fração do teclado vermelho", muito menos pelas seitas autoproclamadas revolucionárias. A última palavra será dada pela luta de classes. E, nesta luta, vale lembrar que são acima de tudo os fascistas que desejam destruir o PT.
Os erros e coisas piores cometidos pelo PT ou por petistas, especialmente a frente de mandatos, podem contribuir para a destruição desejada pelos fascistas? Seguramente pode. Mas, pelo menos até agora, as dezenas de milhões de pessoas que compõem a Nação Petista, nossa base vietnamita, a "militância para tempos de guerra", sempre conseguiu segurar a onda, sacudir a poeira e dar a volta por cima.
Aliás, é o que já estão fazendo, desde a noite de domingo 4 de outubro. Não foi preciso ordem nem orientação: foram à luta, conscientes de que precisamos vencer, porque uma alternativa tão ruim simplesmente não pode existir.
É isso que torna, no fundo, tão triste e melancólica a vida desses que volta e meia publicam, prematuramente, o obituário do PT. Pois a nossa hipotética derrota seria, também, a derrota da grande maioria do povo brasileiro, da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros e negras, da juventude, dos "danados da Terra".
Em respeito ao nosso passado e à serviço do nosso futuro, a única atitude vermelha é combater. Não se trata de "organizar a resistência" ou de "lutar até o final", se trata de derrotar o inimigo e triunfar. E aí, goste ou não a turma da quinta coluna, vamos cantar que vai dar PT, vai dar!