quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Narcisos na política

Apesar do título, este texto não é sobre Jones Manoel, nem sobre Janones.

Mas sim sobre a "classe média".

Classe média, cada época e cada autor tem a sua,

E não será no meio de uma eleição que vamos chegar a acordo sobre como denominar os diferentes setores da sociedade brasileira.

Assim, vou me limitar a um comentário político: as palavras têm poder.

Por exemplo: dizer que nosso objetivo é que "a classe trabalhadora possa viver muito bem" não tem o mesmo efeito político de dizer "desejamos que o Brasil seja um país de classe média".

Também por isso, não estou  de acordo com a tese (expressa no título do artigo) de Frei Betto, segundo a qual "a classe média decidirá a eleição".

Segundo entendi, Betto extrai essa tese de Pedro Dória, personagem que mereceria muitos comentários, mas que não farei aqui.

Segundo Dória, resumido por Betto, a principal novidade eleitoral não estaria nas elites nem nos grandes centros urbanos, mas no chamado “brasileiro médio” — os trabalhadores da periferia, das cidades pequenas, das classes C e D, que desejam melhorar de vida e não se sentem representados pelo discurso tradicional da esquerda.

Por qual motivo chamar o "brasileiro médio" de "classe média"?

O brasileiro médio vive do seu trabalho. Por qual motivo não chamar de "classe trabalhadora"?

Os motivos são óbvios, né?

Segundo Dória, sempre resumido por Betto, o cavernícola filho teria tido um desempenho melhor do que o do cavernícola pai. E aponta de onde vieram estes votos.

Não se diz, mas é bom lembrar, que isso é assim a depender da eleição que compararmos. Se for com primeiro turno de 2018, seguramente. Se for com o segundo turno de 2022, trata-se em boa medida de uma ilusão estatística, causada pelo crescimento do eleitorado nos últimos quatro anos.

Mas o que isso tem que ver com a tal classe média?

Segundo Dória, conforme Betto, os dados demonstrariam que "a esquerda imaginava ter seu principal adversário na elite econômica. Mas, conforme os dados apresentados pelo Meio, justamente nas áreas de maior renda Lula cresceu. O deslocamento ocorreu sobretudo entre setores populares e de renda intermediária".

Jesus pai do céu. 

De repente, não mais do que repente, trabalhadores de melhor "renda" se transformam em "elite econômica".

E se trata o "deslocamento" que teria ocorrido entre "setores populares e de renda intermediária" como um deslocamento da “classe média".

Como método, isso me lembra a origem do famoso ditado "não confundir focinho de porco com tomada".

Cá entre nós, as pesquisas já diziam, há tempos, que Lula só tinha maioria em um setor da classe trabalhadora: os que recebem menores salários.

Portanto, o que ocorreu não é surpresa: foi nos setores que não recebem os menores salários, que houve maior deslocamento em direção a outras candidaturas.

Mas foram em direção ao cavernícola? Uma parte, provavelmente sim. Mas uma parte, seguramente não. Basta ver os números: Lula teve 60 milhões de votos em 2022 e 53 milhões agora. Cavernícola pai teve 58 milhões de votos em 2022 e cavernícola filho teve 56 milhões agora.

Portanto, a rigor, se depender dos números, podemos especular sobre diferentes deslocamentos, de quem votava em X e deixou de votar, passando a votar ou em Y, ou em outros candidatos, ou em branco, nulo ou abstenção.

A hipótese de Dória, segundo Betto, é a seguinte:

"A classe C aparece como especialmente significativa: famílias com renda de 4 a 10 salários mínimos mensais. Abrange 130 milhões de pessoas (61% da população). Na análise de Doria, é nela que Flávio Bolsonaro teria obtido sua maior vantagem: 53% contra 37%. Nas classes D (renda familiar de R$ 1.580 a R$ 2.525 mensais) e E (renda familiar de no máximo R$ 1.580 mensais), o candidato de direita também cresceu, embora Lula tenha mantido a dianteira entre os mais pobres."

Eu confesso. que não sabia que 61% da população brasileira vive com uma renda entre 4 a 10 salários mínimos.

Nem sabia que seria possível tratar esta faixa da população com um agrupamento social mais ou menos homogêneo.

Veja: não nego, muito antes pelo contrário, que o cavernícola tenha melhor resultado entre os trabalhadores com salários maiores.

Mas os dados estatísticos que conhecia, até ler este texto de Betto, me apontavam que os trabalhadores de menor faixa salarial (formal ou informal, salário não deveria ser chamado de renda) são ampla maioria do povo e do eleitorado.

Entretanto, o mais importante, do ponto de vista político, é a seguinte conclusão de Betto: "A esquerda talvez tenha deixado de compreender uma transformação social produzida pelo próprio Brasil das últimas décadas: a ascensão de milhões de pessoas que continuam pobres ou vulneráveis, mas passaram a ter expectativas de consumo, autonomia, empreendedorismo e mobilidade social".

Até onde eu sei, as expectativas de consumo, autonomia e mobilidade não surgiram agora. O que surgiu agora foi a tendência a enquadrar estas expectativas - justíssimas - na camisa forçada do "empreendedorismo".

Que, vamos combinar, conduz o trabalhador a se movimentar num universo imaginário que o leva, não a mudar de classe, mas a mudar de ponto de vista.

Adianto que concordo com Betto que é uma estupidez - palavra minha - tratar essas pessoas de forma depreciativa.

E, também, concordo que as políticas públicas devem ajudar essas pessoas a "prosperar". 

Mas, do mesmo jeito que ter uma política para o agro não implica em aceitar que ele seja pop, ter uma política para estes setores da classe trabalhadora não deve, nem pode, implicar em incorporar a ideologia do empreendedorismo.

Vejam o exemplo dado por Betto: "O trabalhador que recebe um benefício social pode, simultaneamente, desejar abrir uma empresa. A pessoa que necessita do SUS pode querer pagar uma escola particular para os filhos. Quem depende de políticas públicas pode sonhar em deixar de depender delas".

Para resumir meu argumento: ninguém que vive em sociedade, nem mesmo os ricos, aliás principalmente os ricos, pode "deixar de depender de políticas públicas". Aceitar esta tese é aceitar, na prática, a premissa neoliberal de que não existiriam sociedade, existiriam apenas indivíduos.

Voltando à política: para Lula "recuperar parte dos eleitores que votaram nele em 2022 e agora migraram diretamente para seu adversário", devemos dirigir nosso discurso para a "classe média" ou para a "classe trabalhadora"?

Betto diz que é nesse ponto que "a expressão ‘brasileiro médio’ ganha importância. Não se trata de uma categoria sociológica rigorosa, mas de uma imagem política útil para designar um segmento que pode decidir eleições justamente porque não se encaixa mais nas velhas caricaturas da esquerda e da direita. Esse eleitor não desapareceu. Apenas deixou de ser ouvido com atenção".

Buenas, que há caricaturas, não duvido. Mas duvido que "brasileiro médio"seja uma uma "imagem útil", especialmente num momento de polarização extrema.

O tema da escala 6x1, por exemplo, exige contrapor trabalhar para viver e viver para trabalhar. 

A ampliação das políticas públicas exige cobrar imposto dos ricos. A redução do preço dos alimentos exige cortar impostos dos trabalhadores.

Para "melhorar a vida", temos que escolher entre pílula vermelha ou pílula azul, entre a porta da direita ou da esquerda.

A direita entendeu isso e assume abertamente quem é. A esquerda precisa, se quiser ganhar, fazer o mesmo.

Nesse mesmo espirito, as pessoas da esquerda que vivem em padrões popularmente conhecidos como "classe média", precisam entender que não são elas, mas sim os trabalhadores de menores salários, os mais lascados, que vão decidir a eleição.

Chamar estas pessoas de "classe média" pode soar bonito e agradar o narciso, mas não ajuda, penso eu.

(sem revisão)

Segue abaixo o texto comentado, de autoria do companheiro Frei Betto.A CLASSE MÉDIA DECIDIRÁ A ELEIÇÃO

Frei Betto

          Há eleições que mudam governos. Outras, o mapa político. E há aquelas que revelam que o país estava mudando sem que muitos percebessem. A análise de Pedro Doria, editor do Meio, sobre o primeiro turno de 2026 aponta nessa direção: a principal novidade eleitoral não estaria nas elites nem nos grandes centros urbanos, mas no chamado “brasileiro médio” — os trabalhadores da periferia, das cidades pequenas, das classes C e D, que desejam melhorar de vida e não se sentem representados pelo discurso tradicional da esquerda.

          O dado mais eloquente é geográfico. Segundo levantamento realizado pelo Meio com base em cerca de 86 mil locais de votação, correspondentes a 96% dos votos do país, Flávio Bolsonaro (PL) teve desempenho superior ao de seu pai em 9 de cada 10 locais de votação. Mais expressivo ainda: 714 municípios que haviam dado maioria a Lula em 2022 passaram a dar vitória a Flávio Bolsonaro. O movimento inverso, segundo o levantamento, não ocorreu em nenhum município.

          Não foi, portanto, simplesmente uma transferência eleitoral nas grandes metrópoles. Nas cidades com mais de 1 milhão de eleitores, a alteração foi pequena. Já nos municípios com menos de 10 mil eleitores, a diferença teria chegado a 12 pontos. Mais da metade dos votos adicionais obtidos pelo candidato da direita em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro teria vindo de cidades pequenas e médias.

          O fenômeno também aparece nas grandes cidades. Enquanto bairros de maior renda, como Leblon, Ipanema e Copacabana, no Rio; e Higienópolis, Pinheiros, Perdizes e Vila Madalena, em São Paulo, ampliaram a votação de Lula. Regiões periféricas mudaram de direção: Osasco e Cotia (SP), Betim (MG) e Ananindeua (PA) são alguns exemplos citados por Doria.

          É uma inversão curiosa de uma interpretação que predominou durante os últimos anos. A esquerda imaginava ter seu principal adversário na elite econômica. Mas, conforme os dados apresentados pelo Meio, justamente nas áreas de maior renda Lula cresceu. O deslocamento ocorreu sobretudo entre setores populares e de renda intermediária.

          A classe C aparece como especialmente significativa: famílias com renda de 4 a 10 salários mínimos mensais. Abrange 130 milhões de pessoas (61% da população). Na análise de Doria, é nela que Flávio Bolsonaro teria obtido sua maior vantagem: 53% contra 37%. Nas classes D (renda familiar de R$ 1.580 a R$ 2.525 mensais) e E (renda familiar de no máximo

R$ 1.580 mensais), o candidato de direita também cresceu, embora Lula tenha mantido a dianteira entre os mais pobres.

          Há outro dado que contraria uma explicação recorrente: não foram principalmente os evangélicos que mudaram de posição. Esse eleitorado já havia se deslocado majoritariamente para a direita em 2022. A novidade estaria entre os católicos. Segundo o levantamento apresentado por Doria, dos quase 5 milhões de votos a mais obtidos por Flávio Bolsonaro em relação a Jair Bolsonaro, mais de 4 milhões teriam vindo de eleitores católicos. Entre eles, Lula teria caído de 54% para 49%.

          Tampouco a explicação estaria na juventude ou na abstenção. Quando idade, renda e local de votação são considerados conjuntamente, a diferença entre faixas etárias diminui. E a abstenção, de 20,8%, teria permanecido praticamente igual à de 2022. O que mudou, portanto, não foi essencialmente quem não compareceu às urnas, mas em quem os eleitores decidiram votar.

          Quem é esse eleitor do candidato do PL? Doria o define como pobre, mas não o mais pobre; católico; morador do interior ou da periferia; pertencente sobretudo às classes C e D. É o pequeno empreendedor, o trabalhador que deseja ser patrão de si mesmo, o motorista de aplicativo, o comerciante de bairro, o trabalhador informal ou aquele que sonha em abrir um pequeno negócio.

          É aí que surge uma questão que ultrapassa a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. A esquerda talvez tenha deixado de compreender uma transformação social produzida pelo próprio Brasil das últimas décadas: a ascensão de milhões de pessoas que continuam pobres ou vulneráveis, mas passaram a ter expectativas de consumo, autonomia, empreendedorismo e mobilidade social.

          Quando esse eleitor ouve falar em “pobre de direita”, “evangélico manipulado” ou “CEO de MEI”, pode interpretar tais expressões não como crítica política, mas como desprezo por sua própria experiência de vida.

          Doria também aponta questões concretas. A tributação das compras internacionais, os impostos sobre as apostas eletrônicas e a proposta de regulamentação do trabalho dos motoristas de aplicativos foram recebidos por parte desse eleitorado como interferência de um Estado que, muitas vezes, já é visto como excessivamente burocrático. O problema, nessa perspectiva, não seria apenas a política social, mas a dificuldade de fazer o pequeno negócio prosperar.

          Há nisso uma advertência para a esquerda: não basta defender os pobres; é preciso compreender aquilo que eles desejam ser. O trabalhador que recebe um benefício social pode, simultaneamente, desejar abrir uma empresa. A pessoa que necessita do SUS pode querer pagar uma escola particular para os filhos. Quem depende de políticas públicas pode sonhar em deixar de depender delas.

          O segundo turno torna essa mudança ainda mais importante. Flávio Bolsonaro terminou a primeira rodada com cerca de 56 milhões de votos, contra aproximadamente 53,7 milhões de Lula, segundo a análise do Meio. Os candidatos eliminados deixaram milhões de votos disponíveis para redistribuição.

          Para Flávio Bolsonaro, a tarefa é agregar votos situados à direita do lulismo. Para Lula, a questão é diferente: recuperar parte dos eleitores que votaram nele em 2022 e agora migraram diretamente para seu adversário. Doria estima que esses eleitores representem cerca de 7% daqueles que haviam escolhido Lula anteriormente. Como cada voto recuperado significa simultaneamente um voto a menos para o candidato do PL, uma parcela dessa migração pode alterar significativamente a distância entre os dois.

          Mas há um paradoxo. A direita bolsonarista precisa ampliar sua votação sem afastar o eleitor católico que começa a migrar para ela. A esquerda, por sua vez, precisa reencontrar a periferia sem tratá-la de modo paternalista. Precisa falar menos do pobre idealizado e mais do cidadão real, que quer segurança, saúde pública, escola, crédito, juros suportáveis e liberdade para trabalhar e empreender.

          É nesse ponto que a expressão “brasileiro médio” ganha importância. Não se trata de uma categoria sociológica rigorosa, mas de uma imagem política útil para designar um segmento que pode decidir eleições justamente porque não se encaixa mais nas velhas caricaturas da esquerda e da direita. Esse eleitor não desapareceu. Apenas deixou de ser ouvido com atenção.

          A grande pergunta do segundo turno, portanto, não é somente quem conseguirá transferir mais votos de outros candidatos. É quem conseguirá compreender melhor esse Brasil que emergiu das periferias urbanas, das cidades pequenas e da classe média popular. O brasileiro médio não está necessariamente à esquerda ou à direita. Procura uma porta de saída para melhorar de vida.

          Talvez essa seja a principal lição das urnas de 2026: antes de conquistar os votos desse eleitorado, é preciso reconhecer sua existência e demandas.


"As notícias da minha morte foram um pouco exageradas"

Tem uma guerra mundial em curso. Quem não se deu conta, não entendeu nada.

O segundo turno presidencial no Brasil é uma batalha decisiva. Não vai decidir a guerra. Mas vai decidir em que condições nós seguiremos participando dela.

Há um conflito, em nosso Estado Maior, sobre como conduzir esta batalha. Generais batendo cabeça, oficiais desnorteados, bizarrices na logística e na comunicação, uma polifonia de candidatos a salvador da pátria, confusão quase caótica que inclui - vide RJ - ratos que tentam manter um pé em cada canoa.

E, como se não bastasse, tem entre nós uma quinta coluna, composta pelos que não acreditam ser possível vencer e, também, pelos que, no fundo, torcem pela derrota. Entre esses últimos, há personagens que, incapazes de superar pela esquerda o PT e Lula, inconscientemente torcem para a direita fazer o serviço sujo, limpando o caminho para que uma supostamente "verdadeira esquerda" possa florescer.

Se por acaso ousamos defender o PT dos ataques, sempre haverá os que dizem não ser hora deste tipo de polêmica, afinal "partidarizar" atrapalharia a construção da ampla frente necessária para derrotar o fascismo. E, claro, argumentam que é preciso separar o que é de Lula e o que é do PT: os problemas, deveriam ser todos debitados na conta do Partido-Geni. Ou seja, nos azucrinam, confundem nossos ouvidos com privada, mas querem que fiquemos de cabeça baixa, ginuflexos, pedindo perdão por existir e, se possível, nos chicoteando em praça pública. 

As vezes dá vontade de responder detalhadamente aos argumentos supostamente cheios de razão que esta gente anda expelindo. Mas, cá entre nós, não é a primeira e não será a última vez que publicam o obituário do PT antes da hora. E, como das vezes anteriores, a última palavra nessa história não será dada pelo "marxismo acadêmico", nem pela "fração do teclado vermelho", muito menos pelas seitas autoproclamadas revolucionárias. A última palavra será dada pela luta de classes. E, nesta luta, vale lembrar que são acima de tudo os fascistas que desejam destruir o PT.

Os erros e coisas piores cometidos pelo PT ou por petistas, especialmente a frente de mandatos, podem contribuir para a destruição desejada pelos fascistas? Seguramente pode. Mas, pelo menos até agora, as dezenas de milhões de pessoas que compõem a Nação Petista, nossa base vietnamita, a "militância para tempos de guerra", sempre conseguiu segurar a onda, sacudir a poeira e dar a volta por cima.

Aliás, é o que já estão fazendo, desde a noite de domingo 4 de outubro. Não foi preciso ordem nem orientação: foram à luta, conscientes de que precisamos vencer, porque uma alternativa tão ruim simplesmente não pode existir. 

É isso que torna, no fundo, tão triste e melancólica a vida desses que volta e meia publicam, prematuramente, o obituário do PT. Pois a nossa hipotética derrota seria, também, a derrota da grande maioria do povo brasileiro, da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros e negras, da juventude, dos "danados da Terra". 

Em respeito ao nosso passado e à serviço do nosso futuro, a única atitude vermelha é combater.  Não se trata de "organizar a resistência" ou de "lutar até o final", se trata de derrotar o inimigo e triunfar. E aí, goste ou não a turma da quinta coluna, vamos cantar que vai dar PT, vai dar!






quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Tsunami hipotético

O criminoso filho teve 56 milhões de votos, no dia 4 de outubro de 2026.

Em 2022, o criminoso pai teve 51 milhões no primeiro turno e 58 milhões no segundo turno.

E no segundo turno de 2018, o criminoso pai teve 57 milhões de votos.

Portanto, os eleitores já estavam lá. 

Podiam estar recatados, mais discretos, menos agressivos, mas já existiam e só surpreenderam quem estava tomada por excesso de otimismo e, agora, precisa dizer que foi surpreendido por algo inesperado.

Assim, a teoria do "tsunami" não faz sentido, ao menos quando analisamos a eleição nacional.

Vale dizer que, no primeiro turno da eleição de 2022, as outras candidaturas tiveram mais ou menos a mesma votação das outras candidaturas no primeiro turno de 2026.

Ou seja: entre 2023 e 2026, a correlação de forças política brasileira oscilou ao redor dos marcos estabelecidos no segundo turno de 2022.

E, como é óbvio, isso era e segue sendo péssimo sinal para a esquerda. 

Afinal, vencemos a eleição de 2022, fizemos a tal reconstrução, colocamos os golpistas na cadeia, mas no final das contas eles mantiveram seu eleitorado (57-58-56).

Enquanto isso, nós perdemos eleitorado: Haddad teve 44 milhões no segundo turno de 2018, Lula teve 57 milhões no primeiro turno de 2022, chegou a 60 milhões no segundo turno de 2022 e, agora, rodeamos os 53 milhões.

Sendo assim as coisas, falar em "tsunami" só confunde, pois o que de fato ocorreu foi que parte da nossa base eleitoral não compareceu para votar.

O que tem a vantagem de tornar relativamente simples o desafio do segundo turno: buscar o voto de quem já votou em nós.

O desafio seria muito maior, se tivesse havido o tal "tsunami".

O uso do termo, aliás, compõe o ambiente "maníaco-depressivo" tão ao gosto da redes sociais, onde os likes premiam a lacração. 

Antes do primeiro turno, quem falava a verdade - vai ter segundo turno e, se tiver vitória no primeiro tuno, é mais provável que seja dos criminosos - era visto como pessimista incapaz de ler os "sinais" de nossa vitória já no dia 4.

E, agora, quem fala que o ocorrido é péssimo, mas não foram eles que cresceram, é visto como otimista incapaz de ver a catástrofe que se avizinha.

Pode ter catástrofe? Claro, sempre pode. 

Mas se viesse a acontecer, a causa não seria o hipotético "tsunami", mas sim os erros cometidos por nosso governo, por nosso partido e por nossa campanha. 

Erros que podem ser corrigidos.

Aliás, mais um motivo para não falar em "tsunami": esta ou qualquer outra palavra que interprete fenômenos políticos usando palavras que designam fenômenos naturais, induz as pessoas a pensar em causas que estão fora da agência humana.

E, é bom lembrar, o resultado do dia 4 foi produto de alguns seres bem humaninhos, alguns dos quais me fazem lembrar de uma importantíssima companheira petista, que dizia que era importante saber quem era responsável pelo quê, inclusive para saber quem deveria ser "afogado no lago" caso desse merda.

Tratava-se de uma brincadeira, óbvio. Mas bons tempos em que tínhamos uma presidenta nacional com sangue nos olhos. Seja como for, como no primeiro turno, a militância jogará um papel fundamental na recuperação dos mais ou menos 6 milhões de eleitores que nos farão vencer o segundo turno.


 


 

domingo, 4 de outubro de 2026

Venceremos!

(Sem revisão, sujeito a alterações.)

Angústia e pânico: esses foram, provavelmente, os sentimentos predominantes entre as pessoas que acreditavam em vitória de Lula no primeiro turno, ao acompanhar a apuração na noite de domingo, 4 de outubro.

Parte deste pânico decorre da atitude irresponsável de dirigentes que não tiveram a coragem de falar a verdade sobre a situação eleitoral. Verdade que incluía, entre outros, a possibilidade de uma “virada colombiana”.

Ao final, foi confirmado o segundo turno, mas em condições muito difíceis.

O resultado contrasta fortemente com a imagem dos últimos dias de campanha e com os as cenas da votação, onde o voto em Lula foi visualmente predominante. 

O que confirma que, enquanto o eleitorado de esquerda se expõe publicamente, o da direita muitas vezes vota quieto. Mas quem fez campanha nas ruas pode perceber os sinais do que ocorreu no primeiro turno.

Se compararmos os resultados do primeiro turno de 2026 com os de 2022, constatamos duas curvas, a nossa descendente, a deles ascendente.

A sobreposição das duas curvas forma o desenho de uma tesoura. Essa tesoura tem nome: Galípolo. Ou, para ser justo, “Marco Galípolo”. Mas este prejuízo causado pela politica econômica já está precificado e só poderá ser corrigido depois da nossa vitória no segundo turno.

Isto posto, nós que tínhamos certeza de que haveria segundo turno, também temos certeza de que Lula pode ser reeleito, no segundo turno, por uma pequena diferença.

Temos dito isso desde que terminou a última eleição municipal, em outubro de 2024. Portanto, diferente de quem acreditava em vitória no primeiro turno e agora está para além de preocupado, nós seguimos com o mesmo mantra: venceremos!

Mas para que isso ocorra, é preciso, entre outras coisas, uma imediata e profunda correção de rumos.

Na verdade, a correção já começou, por obra e graça da militância e de Lula.

A militância, frente à inapetência e incompetência de parte da direção partidária e da campanha, foi às ruas por sua própria conta e risco.

E Lula, nas últimas semanas, tomou várias decisões acertadíssimas, na contramão do senso comum que predominou em nosso governo. Senso comum que desembocava em uma autoavaliação que podia ser estatisticamente correta, mas que era politicamente cabotina e não contribuiu em nada para dialogar com parte do sentimento popular.

A correção iniciada precisa ter continuidade. Para isto a direção nacional da campanha e do PT precisa realizar, nas próximas 48 horas, um balanço politico detalhado do resultado eleitoral nacional e, também, do resultado nos estados.

Especificamente neste caso, o resultado deixou evidente que foram cometidos não apenas “equivocos” ou “erros”, mas cagadas homéricas, por exemplo a decisão adotada na disputa dos governos do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, onde não ter uma candidatura petista ao governo contribuiu para a vitória da direita no primeiro turno. Sem falar na demora em termos candidatura a governador em Minas Gerais.

Que outros resultados estaduais eram possíveis, ficou demonstrado, por exemplo, pelo ocorrido nos estados governados pelo PT, onde destacamos a tarefa de ganhar no segundo turno para governador do RN, completando o excelente resultado do primeiro turno potiguar.

De imediato, podemos dizer que venceremos, sempre que façamos como dizia um inglês que viveu há 400 anos: “creia em Deus e mantenha a pólvora seca”. Ou, na versão ateia da mesma ideia, venceremos se tivermos um pouco de sorte e se realizarmos muito trabalho duro - mas muito mesmo!

Isso significa campanha militante 24h por dia, 7 dias por semana, até as 17h do dia 25 de outubro.

Prioridade para o setor social que vai nos dar a vitória: os trabalhadores de menor salário, as mulheres, os negros e negras, a juventude e o povo de coração nordestino, inclusive aquele que habita o sudeste do país e que se absteve, votou branco, nulo ou até no cavernícola, corrupto, fascista e miliciano candidato da extrema direita.

É principalmente nesse eleitorado, que não votou em ninguém no primeiro turno, onde estão os votos que nos levarão à vitória. Não se deve gastar tempo buscando “ampliar apoios” nos diferentes segmentos da direita.

Neste quesito, é decisivo recuperar o espaço da esquerda no estado de São Paulo, onde nossos resultados eleitorais são produto da quase inexistência do Partido e a decorrente ausência de uma verdadeira oposição a um governo desastroso, amigo dos ricaços e inimigo do povo. 

Nosso discurso precisa focar o futuro do Brasil, com reformas estruturais que mudem nossa sociedade e nosso lugar no mundo, garantindo soberania, democracia, bem-estar, meio ambiente e desenvolvimento.

Polarização sem trégua, para derrotar o crime, as milícias, a Faria Lima, os vendilhões do templo, os feminicidas, os racistas, os fundamentalistas, os negacionistas e -acima de tudo - os imperialistas, os golpistas e os traidores da pátria.

Trabalhar para que a coordenação da campanha e a direção do Partido estejam à altura da tarefa. O que inclui se preparar para uma redobrada ingerência externa e operações golpistas.

E, como o seguro morreu de velho, que cada um de nós cumpra seu dever, como fez a Nação Petista nos últimos quinze dias, avermelhando as ruas e as redes.

Venceremos. Mas lembrem: vamos manter a pólvora seca. Até porque a guerra não vai terminar com nossa vitória no dia 25 de outubro.

Por fim: aos dirigentes que julgam impossível ganhar de virada, pedimos que não atrapalhem e abram espaço para quem acredita que na vida só existe uma alternativa adequada para a classe trabalhadora: a luta!

(Sem revisão, sujeito a alterações.)

sábado, 3 de outubro de 2026

Primeiro ou segundo?

Nos últimos dias, em todo o Brasil e também no exterior, cresceu muito a campanha em favor de Lula.

Cresceu, também, a campanha em favor das respectivas candidaturas majoritárias e proporcionais.

Em decorrência, voltou com força a esperança de uma vitória no primeiro turno.

O próprio Lula disse estar sentindo um "cheiro".

É possível?

Estatisticamente, sim.

Aliás, estatisticamente quase tudo é possível, até porque - como alguém politicamente incorreto já disse - "a estatística é a arte de torturar os números até que eles confessem o que você quer demonstrar."

Por isso, aliás, há - no campo cavernícola - quem argumente serem estatisticamente possíveis, também, dois outros resultados: um desfecho no primeiro turno e um desfecho no segundo turno, mas ambos com inversão de posições em relação ao que é desejado por nós.

Deixando de lado as estatísticas e focando na política, é preciso lembrar que o crescimento da nossa campanha a favor de Lula é muito visível, seja porque trata-se da nossa "bolha", seja porque a nossa parte da população faz questão de expor abertamente sua preferência.

Isso é especialmente verdadeiro no nordeste do país, onde a crença numa vitória de Lula no primeiro turno é respaldada pelo fato de que - se depender dessa região - a vitória efetivamente ocorrerá.

Já o outro lado - o eleitorado do cavernícola - tende a esconder o jogo, o que ajuda a explicar o fato de, muitas vezes, a extrema-direita ter mais votos na urna do que as pesquisas indicavam na véspera. 

Claro, além do voto envergonhado, há outras razões para o crescimento da extrema-direita na reta final, entre as quais a compra de votos e outras modalidades de mobilização criminosa de "máquinas eleitorais".

Além disso, é importante lembrar que os Estados Unidos, Israel, a turma de Vorcaro, a gangue da Faria Lima e da BBB, além da recentemente "magoada" Rede Globo estão operando. E, para que haja segundo turno, basta que as outras 11 candidaturas presidenciais tenham, somadas, alguns poucos pontos percentuais.

(Por este motivo, aliás, não é indiferente e não deve ser subestimada a postura das 4 candidaturas autoproclamadas de esquerda, mas que no contexto de enfrentamento com a extrema-direita e o imperialismo estão a serviço, objetivamente, dos interesses do lado de lá.)

Tudo isto considerado, devemos aumentar ao máximo a pressão, nas próximas 36 horas. 

Se o resultado for o sonhado por muita gente, ótimo, faremos uma grande festa para comemorar, pela primeira vez em nossa história, uma vitória presidencial do PT em primeiro turno. 

Mas se, ao final, prevalecer o mais provável e a disputa for para o segundo turno (como foi em todas as eleições em que vencemos), o importante é iniciar já na segunda 5 de outubro a campanha, cujo objetivo principal será conquistar o voto dos trabalhadores de menores salários, das mulheres, dos negros e negras, da juventude periférica que tenha votado branco, nulo, se abstido ou inclusive votado no cavernícola.

Boa sorte e boa luta! E, como ouvimos muitas e muitas vezes nos últimos dias, é nóis, é Lula 13!







 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

"O grande dia chegará"

Li o slogan na camiseta de uma estudante: "Meus soldados não se rendem. O grande dia chegará."

Segundo informa o neopAI dos burros, a frase faz parte de um poema escrito por Emmanuel Bezerra dos Santos, integrante do Partido Comunista Revolucionário, assassinado pela ditadura militar.

No dia 4 de setembro, uma manifestação organizada pelo PCR homenageou Emannuel e Manoel Lisboa de Moura.

Aqui está uma das imagens da manifestação: https://share.google/VjNXqtEyR2bJ8XbZy

Na ocasião, várias pessoas escreveram comentando a grande presença de jovens. Esse parece ser, aliás, um dos traços da Unidade Popular, partido legal criado pelo PCR e que tem uma candidata a presidência da República.

Quem quiser mais informações sobre a Unidade Popular, ver aqui: https://unidadepopular.org.br/

A UP, assim como o PCB, o PSTU e o PCO, tem candidaturas à presidência da República, bem como a outros cargos majoritários.

O saldo eleitoral desta operação, veremos logo mais.

O que essas organizações farão no segundo turno, também saberemos em poucos dias.

Entretanto, há algo que não tem relação com o resultado eleitoral em si, mas diz respeito à linha política como um todo: enquanto o "grande dia" não chega, qual o "lugar" da luta eleitoral?

Para quem milita no PT, a luta eleitoral tem papel estratégico, embora o que isso quer dizer varie de tendência para tendência. Para algumas, seria em si mesma o caminho para o poder. Para outras, seria parte de uma estratégia mais ampla, que no passado chamávamos de "via chilena com final feliz".

Para quem milita em partidos e organizações autoproclamadas de esquerda e críticas ao PT, o papel que o petismo confere às eleições e à vida institucional como um todo sempre foi alvo de muitas críticas. Curiosamente, com o passar do tempo, muitos desses críticos começaram a mudar de opinião ou, o que é mais usual, a mudar de conduta. Alguns, inclusive, ingressaram ou voltaram ao PT, infelizmente defendendo posições muito mais moderadas do que no passado. 

Isso posto, fico pensando o que os candidatos da UP, do PCO, do PSTU e do PCB dizem, para um trabalhador consciente, ciente do risco que a extrema-direita oferece, na hora de convencer que o voto certo é nas candidaturas de algum deles, mas não em Lula.

O único jeito lógico de justificar este voto é demarcando muito com o governo. Acontece que, salvo engano, esses partidos estariam dispostos a chamar voto útil no segundo turno, para derrotar a extrema-direita. Portanto, trata-se de marcar posição. Em termos gerais, marcar posição é admissível. Mas, pergunto, será razoável fazer isso na atual conjuntura histórica?

Por exemplo:


Dizia um velho que a essência do marxismo está na análise concreta da situação concreta. Os quatro partidos em questão se reclamam marxistas. Mas pelo visto, operam noutra frequência de rádio.










quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Ualid Rabah

Um dos maiores erros cometidos pelo PT, na distribuição do fundo eleitoral, foi não ter tratado como prioridade total a candidatura do Ualid Rabah 1322, candidato a deputado federal pelo PT do Paraná.

Mesmo com poucos recursos financeiros, Ualid fez uma campanha belíssima, politizada, militante, que despertou o ódio do sionismo dentro e fora do Brasil, como atestam notícias publicadas na imprensa de Israel e os processos judiciais disparados pela extrema-direita + Conib + turma do Vorcaro.

Mais detalhes, basta ver as postagens da campanha de Ualid, por exemplo essa: 

https://www.instagram.com/reel/Dd2P_iJpM-J/?stkn=MTd0MzV2cnd0NGxrZQ==

Dia 4, espero que o povo do Paraná corrija o erro cometido pelo Partido. E que possamos ter Ualid 1322 na Câmara dos Deputados, para defender o povo palestino, mas também para defender todas as causas justas e boas da humanidade.