Sem revisão
Valter Pomar
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Considerações iniciais sobre o debate na Globo
O terceiro turno vem aí?
Durante uma reunião com internacionalistas, alguém disse que precisamos nos preparar para o terceiro turno.
Em resumo, a tese é que venceremos, mas a extrema-direita e o imperialismo não vão reconhecer a derrota.
O que farão, exatamente?
Depende, entre outras coisas, do tamanho da vantagem que Lula abrir sobre o Traidor da Pátria.
Seja como for, dia 26 de outubro o combate vai continuar.
Nas batalhas que virão, nossas chances de vencer serão maiores se tivermos algo que nos faltou no primeiro turno (uma linha política correta) e, também, algo que faltou nos dois turnos (uma direção que funcione).
O tema da direção parece relativamente simples de resolver: quem não deu conta do recado, deveria “pedir para sair”, facilitando as alterações que são inevitáveis, urgentes e que precisam ser feitas através do velho e bom método democrático.
Já a linha política seria algo mais complicado de resolver.
Para começo de conversa, muita gente foi atropelada pela realidade, mas mesmo assim segue repetindo o que dizia antes, quando acreditava que íamos ganhar a eleição no primeiro turno.
Isso significa que, provavelmente, gastaremos bastante tempo discutindo o que, exatamente, aconteceu.
Entretanto, muito mais importante que o debate sobre o passado, seria o debate sobre o futuro.
Precisaríamos reconhecer que não estamos, apenas, numa “época de mudanças”; estaríamos vivendo uma “mudança de época”.
No passado, usávamos esta fórmula para comemorar uma virada à esquerda, em favor da classe trabalhadora; hoje, a mesma fórmula indicaria uma virada à direita, em prejuízo dos trabalhadores.
Nesta época, o grande capital e seus representantes políticos aumentarão as tendências “guerreiristas”, os ataques contra as liberdades democráticas, contra a soberania nacional e contra os direitos sociais.
No caso específico do Brasil, a extrema-direita vai usar suas maiorias legislativas e seus governos estaduais para fazer oposição, sabotar e tentar derrubar Lula.
Isso exigirá, da parte da esquerda em geral, mas principalmente da parte do PT, uma estratégia adequada, que precisa ser muito diferente daquela adotada no último período.
A nova estratégia teria que incluir: uma mudança efetiva do modelo econômico, hoje controlado pelo agro, pelas mineradoras e pelo setor financeiro; uma ampla reforma do Estado (incluindo o sistema judiciário, político e eleitoral); a criação de estruturas digitais sob controle nacional, estatal e público; uma política de governabilidade de novo tipo, baseado na mobilização popular; um salto de qualidade na organização da esquerda política e social; a reafirmação ideológica da esquerda, que busca se aliar com os progressistas, mas não se confunde, nem se limita, ao chamado “progressismo”; e a substituição do “modelo parlamentarista” pela boa e velha organização militante.
Essa linha de raciocínio, é bom dizer. dialoga com as afirmações feitas, pelo “Marechal”, em live feita no dia 22 de outubro.
Mas o recomendável, nesse momento, é focar toda nossa atenção e energia em ganhar a eleição, derrotar os inimigos e reeleger Lula.
Neste domingo 25 vamos ganhar, depois vamos comemorar o triunfo do povo, em seguida recarregar as baterias e, de 26 em diante, teremos muito trabalho pela frente.
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Entrevista a um jornalista chinês sobre o segundo turno
Seguem abaixo perguntas e respostas de uma entrevista que dei a um jornalista chinês. A entrevista foi concedida, por escrito, no dia 19 de outubro de 2026, uma segunda-feira (esta postagem está sendo feita na manhã do dia 23, sexta). Não sei se foi ou será publicada. Reproduzo abaixo, para fins de registro.
No primeiro turno, Lula ficou atrás de Flávio Bolsonaro. Qual é a principal avaliação do PT sobre esse resultado? Quais segmentos do eleitorado ficaram abaixo das expectativas do partido?
O PT não tem uma avaliação completa e oficial do resultado do primeiro turno. A votação do inimigo evoluiu assim: 49 milhões no primeiro turno de 2018, 57 milhões no segundo turno de 2018, 51 milhões no primeiro turno de 2022, 58 milhões no segundo turno de 2022 e 56 milhões de eleitores no primeiro turno de 2026. Portanto, o inimigo não cresceu. Fomos nós que diminuímos. No primeiro turno de 2018 tivemos 31 milhões de votos, 44 milhões no segundo turno de 2018, 57 milhões no primeiro turno de 2022, 60 milhões no segundo turno de 2022 e 53 milhões agora no primeiro turno de 2026. Portanto, entre 4 a 7 milhões de pessoas que votaram em Lula, no ano de 2022, deixaram de votar no primeiro turno de 2026. Eles não cresceram, não ganharam votos. Nós perdemos eleitores que já haviam votado em nós, no passado recente. Quem são esses eleitores? Em quem votaram? Há de tudo um pouco, desde quem resolveu votar no inimigo, passando por quem decidiu votar em alguma das outras 11 candidaturas presidenciais, até quem votou branco, nulo e se absteve de comparecer. Em nossa opinião, o principal fenômeno foi o de eleitores nossos em 2022, desta vez terem votado branco, nulo e abstenções. Do que se trata, agora, no segundo turno? De fazer com que votem novamente em Lula. É isso que dará a vitória para Lula.
Depois do primeiro turno, quais foram as principais mudanças feitas pelo PT em sua estratégia para o segundo turno? Qual é hoje o eixo central da estratégia eleitoral do partido?
A principal mudança foi reforçar a mobilização de base e o contato corpo-a-corpo com a população, especialmente com os que votaram branco, nulo e se abstiveram, ao todo mais de 30 milhões de pessoas. Outra mudança importante foi acentuar, no discurso do Partido, as propostas de mudança, relacionadas ao futuro do Brasil, reduzindo o destaque dado para a comparação entre nosso atual governo e o governo anterior, que foi da extrema-direita. Uma terceira mudança importante foi destacar que as mudanças que faremos têm como foco principal a classe trabalhadora, a defesa das liberdades democráticas e da soberania nacional, ameaçada pelos Estados Unidos. Basta dizer que, na manifestação que a extrema-direita fez, ontem, 18 de outubro, havia uma réplica de um foguete, onde estava escrito o pedido: "Trump bombardeie o Brasil". Estamos falando abertamente que nossos inimigos são bandidos, ultraliberais e traidores da pátria.
Na sua avaliação, quais serão os principais temas que Flávio Bolsonaro deverá explorar para atacar o governo Lula nesta reta final?
Corrupção, segurança pública e inflação. O que é paradoxal. Pois como pode um corrupto falar de corrupção? Pois como pode um bandido falar de segurança pública? E como pode uma pessoa que nunca trabalhou, falar em defesa dos trabalhadores?
Sim, como o senhor disse. Bolsonaro não teve um bom desempenho nesses temas. Diante desses assuntos em que Bolsonaro pode atacar, como Lula deve reagir?
Nossa reação - não só de Lula, mas de todos nós que apoiamos Lula - deve ser sempre a de falar a verdade. Reconhecer os problemas. E perguntar às pessoas: quem melhor pode servir ao povo? Um playboy que nunca trabalhou na vida? Ou uma pessoa experiente, que conhece por experiência própria a vida do povo?
Como o PT avalia o desempenho de Lula no primeiro debate do segundo turno, realizado em 18 de outubro, com Flávio Bolsonaro? Em quais aspectos Lula teve um bom desempenho e em quais pontos será necessário fazer ajustes para o próximo debate?
O PT não tem uma avaliação oficial. Se quiser saber a minha, leia aqui: https://valterpomar.blogspot.
Qual é a sua opinião pessoal?
Na minha opinião, além do que eu digo no texto cujo link mandei acima, Lula deve falar direto para o povo. O inimigo não tem nenhum compromisso com o debate.
Última pergunta. Qual é a avaliação real do PT sobre o cenário eleitoral neste segundo turno? Hoje, o partido considera que Lula está na frente, que a disputa está equilibrada ou que está em uma posição de desvantagem e precisa buscar uma virada?
Nossa avaliação é que Lula será reeleito, por uma pequena margem de votos. Nossa preocupação maior é neutralizar as operações que a extrema direita está fazendo para tentar evitar sua derrota. Algumas destas operações eu comento aqui: https://valterpomar.blogspot.
O senhor quer dizer que Bolsonaro pode repetir as ações de seu pai após a derrota eleitoral? Isso seria realmente assustador.
Entre outras coisas, sim. O Cavernícola Filho é um fascista. Não vão aceitar a derrota. Por isso temos que manter a guarda alta antes e depois de nossa vitória.
Espero que o Brasil consiga manter a estabilidade. Se Lula perder a eleição por uma pequena margem de votos, ele reconhecerá o resultado eleitoral?
Incluindo a atual, Lula disputou, na condição de candidato, 9 eleições, sendo 7 eleições presidenciais (1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2022, 2026) e uma para governador de São Paulo (1982), além de uma eleição para deputado constituinte (1986). Perdeu 4 dessas eleições (1 vez para governador e 3 para presidente). Nunca teve dificuldade em reconhecer o resultado. Mas, em 2026, quem precisará reconhecer a derrota será nosso inimigo.
"Nenhum passo para trás!"
David Capistrano, o filho, dizia que o PT tinha "dirigentes que parecem generais paraguaios, quadros intermediários que parecem sargentos gringos e militantes de base que parecem guerrilheiros vietnamitas".
David, como se pode ver, não era politicamente correto. Mas sua referência à militância vietnamita vem sendo totalmente confirmada nesta campanha do segundo turno.
E, assim como os vietnamitas conseguiram derrotar o Japão, a França, os Estados Unidos - e, cá entre nós, inclusive a China, entre 1978 e 1979 -, a Nação Petista também vai triunfar neste domingo próximo, dia 25 de outubro.
Alguns amigos, inclusive velhos companheiros, preferem ser mais cautelosos e falam, acacianamente, que "tudo pode acontecer".
Lembrei deste argumento probabilístico ao ler um texto publicado no "site" cubano La Tizza, disponível no endereço a seguir:
O título em si já é, para ser gentil, inacreditável: falar de "derrota", no exato momento em que estamos lutando pela vitória.
Quanto ao conteúdo, o texto gira em torno da seguinte afirmação: "ya se sabe que no hay probabilidad 50/50 de que una moneda caiga en cara o cruz. Persi Diaconis demostró que la precesión hace que la moneda pase más tiempo en el aire con la cara inicial hacia arriba. Es decir, la moneda tiene más probabilidades de caer en el mismo lado en el que empezó, es lo que se llama el sesgo del mismo lado. La diferencia parece mínima, apenas 50,8 %, pero es decisiva al hacer apuestas al respecto".
A partir desta ma-temática (sic), o autor discorre sobre todos os fatores estruturais que conspirariam a favor da extrema-direita.
Mas, como até comunistas empedernidos julgam necessário tentar salvar sua alma, o autor do texto publicado em La Tizza termina dizendo assim: "aunque yo insista en llamar de lotería electoral a los comicios de cualquiera de las exageradamente llamadas democracias liberales occidentales, incluyendo la brasileña; hay una diferencia entre los juegos probabilísticos de lanzar una moneda al aire y el hacer política, si de lucha se trata. La historia demuestra, con demasiada elocuencia, que no es de revolucionarios sentarse a esperar a que el «sesgo del mismo lado» nos beneficie. Si la «cara» de la moneda que está saliendo hoy es la cara del neofascismo y, cada vez menos, se esconde para presentarse como tal, tenemos en nuestra memoria histórica colectiva cómo hacer para romper la inercia de todo el juego, desafiar todas las probabilidades que auguran nuestra derrota y, finalmente, vencer".
Resumo da ópera: num texto publicado no dia 22 de outubro, três dias antes da eleição, alguém de esquerda gasta 20 parágrafos discorrendo sobre as razões da derrota e 2 parágrafos falando de uma possível, mas improvável, vitória.
Isso tudo tratando de uma eleição no Brasil, país em que a esquerda ganhou 5 das últimas 9 disputas presidenciais, todas as vezes no segundo turno.
Esperava outra atitude da parte de um "site" que, faz pouco tempo, lembrou que "antes Teerã que Caracas".
A citada lembrança está aqui:
Não vou repetir aqui os argumentos em favor dos motivos pelos quais estou seguro de que vamos vencer.
Até porque, no fundo, meus argumentos estão condensados na frase politicamente incorreta de Capistrano: a militância vietnamita, que está fazendo de tudo não apenas para derrotar o inimigo, mas também para compensar as deficiências de nossos "generais" e "sargentos".
E se fosse discorrer sobre probabilidades e ma-temática (sic), escolheria citar a opinião de uma amiga que explica assim seu otimismo: "prefiro cair das nuvens do que do décimo andar".
Mas nosso ponto de vista é outro: não queremos "acertar na previsão", queremos vencer, queremos triunfar sobre os inimigos da pátria, sobre os milicianos, sobre os fascistas, ultraliberais e corruptos.
Claro que é possível vencer de várias maneiras.
Existem as vitórias distraídas (a la Leminski), as vitórias construídas, as vitórias difíceis, as vitórias suadas, as vitórias por um fiapo (como será a de 25 de outubro).
O que não existe, não conheço, nunca vi, é vitória de quem, no íntimo, acredita que vai ser derrotado.
Assim, aos meus amigos e velhos companheiros, muitos deles vindos de uma boa e velha tradição comunista, peço que recordem que estamos no momento de repetir aquela famosa frase russa, que na língua pátria pode ser traduzida assim: "Nenhum passo para trás!"
Que, adaptada aos próximos dias, significa vencer ou vencer!
Mangabeira e Aldo: traidores da Pátria
Por incrível que possa parecer, tem gente que ficou surpresa com o apoio dos ex-ministros Mangabeira Unger e Aldo Rebelo à candidatura do Traidor, Miliciano, Ultraliberal e auto-declarado Corrupto.
Aqui a foto dos brothers:
https://www.facebook.com/share/p/1DuprUu2Sk/?mibextid=wwXIfr
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Alberto Carlos Almeida, um “cientista” acima de qualquer suspeita
Nunca apreciei as análises do cidadão.
O “apito de cachorro” dos fascistas
Ontem, uma militante da campanha Lula, ativista que integra a relação de indispensáveis de nossa história, relatou “estar com medo”.