segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O implacável tempo

Somos bilhões de terráqueos, a maioria dos quais participamos ativamente da produção e reprodução das condições de vida em sociedade. 

Apesar de humana e coletiva, esta dinâmica aparece, para grande parte das pessoas envolvidas, como se fosse algo externo e impessoal.

A aparente impessoalidade é reforçada pelo fato de que a mediação entre as pessoas é feita, muitas vezes, por "coisas".

Por exemplo: ferramentas, máquinas, mercadorias, algoritmos.

A impessoalidade é reforçada, também, pelo fato de que decisões fundamentais são tomadas por um pequeno número de pessoas.

"Manda quem pode, obedece quem tem juízo".

Esta dinâmica social, mas que parece ser "automática", imposta de fora para dentro e de cima para baixo, é chamada às vezes de "sistema".

Na maior parte do tempo, a maior parte das pessoas participa dessa dinâmica sem ter muita consciência e protagonismo, limitando-se a repetir, dia após dia, mês após mês, ano após ano, década após década, geração após geração, determinados comportamentos.

Esse atitude - que podemos chamar de "inercial" - é um dos muitos fatores que contribui para a perpetuação do “sistema”.

Entretanto, o tal “sistema” não é harmônico. 

Ele inclui todo tipo de conflitos e contradições, que em determinados momentos se convertem em crises profundas, das quais decorrem as constantes mudanças na produção e reprodução das condições de vida em sociedade.

Muitas vezes estas inevitáveis mudanças se limitam a algum tipo de "modernização conservadora", ou seja, resultam no aprofundamento de determinadas características do próprio “sistema”.

O Brasil, por exemplo, mudou muito ao longo dos últimos cem anos. Mas continuamos sendo uma sociedade dependente, desigual, antidemocrática e subdesenvolvida. As mudanças ocorreram, mas mantiveram o poder e a riqueza concentradas em poucas mãos. 

Noutras palavras, neste caso o "sistema" sobreviveu à sua própria mudança.

Para que as inevitáveis mudanças resultem, não apenas numa "modernização conservadora", mas em "transformações estruturais”, para que o "sistema" se converta em um "outro tipo de sistema", é preciso entre outras coisas quebrar o "comportamento inercial".

Noutras palavras: é preciso que um número expressivo de pessoas reduza sua contribuição para a reprodução do "sistema" e passe a agir no sentido de construir outra dinâmica social (outro "sistema").

Que número?

Resposta: o suficiente para superar o movimento cotidiano daqueles que, dia após dia, produzem e reproduzem o “sistema”.

De onde surgem as pessoas dispostas a realizar este movimento antisistêmico?

Elas surgem, em pequenas quantidades, como causa e efeito de cada conflito e de cada contradição cotidiana.  

E surgem, em grande quantidade, naqueles momentos de crise profunda. 

Entretanto, os conflitos, contradições e crises também geram "anticorpos" que operam para neutralizar toda e qualquer ação antisistêmica.

Exemplos de anticorpos: o conservadorismo "normal", o reacionarismo fascista, a ingerência imperialista. Ou ainda: a corrupção, a cooptação, a burocratização.

Quando é que esses e outros "anticorpos" não funcionam?

Por exemplo, quando a crise é profunda demais.

Nesse contexto, as forças antisistêmicas podem derrotar os anticorpos, uma revolução pode destruir um sistema e construir outro.

Quem gera as crises profundas é o próprio sistema capitalista.

Entretanto, quando tais crises acontecem, mas sem que existam forças antisistêmicas à altura, o resultado pode ser que as coisas mudem, mas ao final continuem sendo como antes. 

É por isso que um dos grandes desafios, para quem deseja acabar com o "sistema" e realizar uma transformação estrutural, consiste em converter a insatisfação cotidiana, parcial, local, setorial, momentânea, em uma força permanente, organizada e adequadamente orientada no sentido da superação do "sistema" e da construção de outro tipo de sociedade.

Não há uma fórmula única sobre como fazer isso. Cada época histórica, cada território concreto, exige formas organizativas e linhas políticas específicas, particulares, concretas.

Mas, em todos os casos, trata-se no limite de uma questão de tempo. 

Ou seja: é preciso que um número muito grande de pessoas dedique um tempo expressivo de suas vidas, não para a produção e reprodução da sociedade como ela é, mas para a luta organizada em favor da superação do capitalismo e da transição socialista.

Para isso, é necessário convencer muitas pessoas a dedicar parte expressiva de seu tempo de vida à causa. E a fazer isso de forma organizada, pois a organização coletiva multiplica as forças, gera uma potência superior à resultante da mera soma aritmética das pessoas engajadas, faz o tempo de poucos equivaler ao tempo de muitos.

É também por isso que lutamos pela redução da jornada de trabalho e pelo fim das escalas desumanas, assim como lutamos contra a captura do tempo livre pelo consumismo e pelas telas, para que que centenas de milhões de pessoas possam não somente viver, mas principalmente sonhar, criar e lutar por outra sociedade. 

Antes que seja tarde demais. Pois o tempo, assim como a biologia, é implacável.





domingo, 23 de agosto de 2026

Entrevista ao Tom Hennigan

O que está em jogo nas eleições deste ano? Ainda podemos falar em esquerda versus (extrema)-direita? Ou estamos vendo grande parte do sistema político/institucional estabelecido em 1988 unindo-se em torno de Lula para barrar uma ameaça anti-democrática, anti-sistema que não respeita as regras do jogo?

 

O sistema que foi vitorioso em 1988 ganhou as eleições de 1989, 1994 e 1998. Depois perdeu as quatro eleições seguintes. E decidiu rasgar suas próprias regras, dando o golpe contra Dilma e prendendo Lula. Quem fez isso não foi a extrema direita, foi a direita tradicional, o que incluiu naquela época o próprio Geraldo Alckmin. Esta direita tradicional achava que depois do golpe ganharia as eleições de 2018, mas enganou-se tanto quanto os democratas Ulysses e JK, que votaram em Castelo Branco depois do golpe militar de 1964, acreditando que ganhariam as eleições marcadas para 1965. O que ocorreu em 2018 foi a vitória da extrema-direita. E mesmo assim foi preciso a pandemia e as ameaças diretas do cavernícola contra o STF e contra a Globo, para que uma parte do sistema se desse conta de que eles seriam as próximas vítimas. Foi aí que esta parte do sistema resolveu dar cavalo de pau, libertar Lulareconhecer que ele era elegível e inclusive apoiar sua eleição em 2022. De lá para cá ocorreram três processos que tornam tudo mais complicado. O primeiro é Trump, que faz com que parte do sistema esteja morrendo de medo. O segundo é a ganância do capital financeiro, que segue exigindo um ajuste fiscal totalmente contraditório com o programa defendido pelo presidente Lula. O terceiro processo é a consolidação da extrema-direita, que apesar de ter um candidato de merda, segue em condições técnicas de ganhar. Tudo isso junto cria a seguinte situação: uma parte do sistema está com o filho do cavernícola, outra parte está com Lula e uma terceira parte está rezando por um milagreque permita a Caiado ir ao segundo turno. Na ausência deste milagre, o segundo turno será entre esquerda com aliados versus extrema-direita com aliados. E como entre estes aliados da extrema-direita está Trump, o dia seguinte à vitória de Lula será emocionante. Até porque o capital financeiro continuará pressionando pelo ajuste fiscal, enquanto nós seguiremos pressionando por mudanças profundas.

 

Como você vê a conjuntura internacional dentro do qual a eleição acontecerá? Estou especialmente pensando em Trump e suas ações e ameaças hegemônicas contra o hemisfério ocidental. Como isso vai impactar na campanha e voto? Você espera que grau da interferência e como se acha o Brasil - governo e sociedade - vai reagir?


O impacto já está ocorrendo e pode ser visto nas pesquisas. Para uma parte da população, as ameaças de Trump despertam um bom sentimento em favor da defesa da soberania. Mas, para outra parte, despertam um sentido de subalternidade, que aliás sempre foi uma característica da classe dominante brasileira. O desempate depende de nós. A vitória de Lula tem que valer a pena. Ou seja, tem que ser o passaporte para um futuro realmente melhor e diferente. Só isso fará valer a pena correr o risco. Se, pelo contrário, a nossa postura for patrioteira ou programaticamente medíocre, o medo vai prevalecer. Por isso, está certo o presidente Lula quando fala que devemos querer mais. Muito mais.

 

Quais são as conquistas mais importantes, na sua avaliação, que Lula e o PT estão defendendo nesta eleição, tanto nos últimos quatro anos quanto desde 2003?


Tem dois jeitos de responder esta pergunta. A primeira é fazer um rol de realizaçõesMas para isso é melhor ler o programa de Lula, lá tem a lista. A outra forma de responder esta pergunta é dizendo que conseguimos manter aberta uma porta. Esta porta pode nos levar a construir um Brasil profundamente diferente e, também, a mudar o lugar do Brasil no mundo. Eleger Lula em 2026, assim como eleger a candidatura petista nas outras 5 eleições presidenciais que vencemos, não garantiu que isso virasse realidade.Mas conseguimos manter a porta aberta, na contramão do que está ocorrendo em boa parte do mundo.

 

O que você entende quando Lula diz que ele vai "mudar muita coisa" no país durante um quarto mandato? Tem uma frustração, ou até crítica, implicado no desempenho do PT no poder durante 17 dos quase 24 últimos anos?


Frustração não digo, mas crítica espero que sim. Pois é óbvio que precisamos ser críticos. O Brasil continua sob controle do capital financeiro e do agronegócio. O Brasil continua dependente. A democracia aqui no Brasil continua sendo oligárquica. Não conseguimos impulsionar um ciclo desenvolvimentista, sem o qual a nossa soberania nunca estará garantida. Além disso, somos socialistas. E o Brasil segue não apenas capitalista, mas um capitalismo absolutamente selvagem.  Então temos que ser críticos sim. Agora, frustração é melhor deixar para quem acreditava que, indo devagar e sendo moderados, chegaríamos muito mais longe. Eu nunca acreditei nisso. E por isso mesmo acho ótimo que se fale em mudar muita coisa.

 

Qual é a sua própria avaliação do desempenho do PT no poder desde 2003? Esperou mais ou está contente dado o contexto político e a correlação de forças políticas-institucionais? Quais têm sido os principais freios ao seu projeto mesmo dentro do Planalto? Alguns são internos do partido? Poderia ter sido feito mais para removê-los?


Veja, não dá para avaliar o PT fora do contexto. O contexto é de derrotas em série: colapso do socialismo soviético, desmonte da socialdemocracia, crise do desenvolvimentismoguinada neocolonial, neoliberalismo e agora neofascismo. Nesse contexto, o PT conseguiu sobreviver, resistir e manter a presidência da República num país decisivo no mundo. Não acho pouco. Mas uma parte da direção do Partido confundiu e segue confundindo a necessidade de flexibilidade tática, com desistir de ter um projeto estratégico. E isso impacta tudo, desde o ânimo da militância, passando pelo funcionamento do Partido, até as perspectivas de médio prazo. Sem falar em fenômenos de degeneração política e ideológica. O saldo prático disso é que temos perdido espaços em todos os terrenos, inclusive no eleitoral. Portanto, precisamos de um freio de arrumação e de um cavalo de pau, e isso começa pela reafirmação do nosso projeto estratégico socialista.

 


Finalmente, você vem de uma família de várias gerações da luta e sacrifício. Como você avalia as conquistas da esquerda brasileira mais ampla numa perspectiva de longo prazo, abrangendo a ditadura e a redemocratização até nosso dia? E como se vê a esquerda brasileira evoluindo num futuro pós-Lula?


Eu não concordo com este jeito de colocar o problema. Explico: Vargas se suicidou em 1954, em 1994 Fernando Henrique falava em acabar com a Era Vargas e hoje seguimos debatendo questões que envolvem o legado de Vargas. Portanto, eu não estou de acordo que o futuro visível  as próximas décadas possam ser caracterizadas como pós Lula. Ademais, o fato de Lula não poder ser candidato em 2030 ou em 2034 não impedirá a esquerda e o PT de vencer as eleições presidenciais. Se o governo Lula 4 estiver bem, venceremos. Se estiver mal, não venceremos nem que Jesus Crista seja nosso candidato. Por fim, a esquerda não surgiu com Lula e não depende de Lula. Lula é que foi produto da esquerda e depende da esquerda. Portanto, o futuro da esquerda depende dela mesma, de manter os vínculos com a classe trabalhadora, de manter a luta, de manter os princípios, de mantea organização coletiva. Sem isso, não adianta termos Lula conosco. Coisso, iremos bem mesmo quando a implacável biologia fizer a sua parte.


ps. Não respondi na entrevista, mas acrescento aqui: também não concordo com o pressuposto contido na “família de várias gerações de luta e sacrifício”. A parte da “família” precisa de mediações. E a parte do “sacrifício” também precisa de muitas mediações. As pessoas que escolhem dedicar parte de sua vida à construção de um partido, à revolução, ao socialismo e ao comunismo, seguramente abrem mão de buscar e, quem sabe, abrem mão de ter algumas coisas, mas não acho adequado caracterizar isso como “sacrifício”. Além disso, ao menos para uma parte dos que escolhemos militar na esquerda, a vida segue sendo muito bela. E, ao menos as vezes, segue tão ou mais bela do que a vida vivida pela grande maioria. Por esses e por outros motivos, do pressuposto contido na parte inicial da pergunta, só concordo com uma parte: a luta. Mas o que seria da vida sem a luta? 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Resposta ao Lucas Fadul

Entrevista dada ao Lucas Fadul, do site do PT.

Como você avalia que os EUA devem intervir nas eleições de outubro? Somente por meio das big techs ou podem tentar algo mais? 

Os EUA não “devem intervir”. Os EUA já estão intervindo. Primeiro, com ameaças diárias. Segundo, com medidas judiciais. Terceiro, com tarifaço. Quarto, com ameaça de intervenção militar. Quinto com apoio político à extrema direita. Sexto, com apoio material de diversos tipos. Sétimo, com as redes antissociais e outras interferências cibernéticas. E devemos estar prontos para ver eles “pedirem as atas” de nossa eleição, não reconhecerem o resultado e se comportarem como se a Venezuela fosse aqui. 

Não é melhor para o Brasil e para a esquerda latino-americana que o Trump escancare mesmo o imperialismo dos EUA ao invés dele permanecer velado? 

O melhor para o povo é que os EUA respeitassem a nossa soberania. E, também, que os EUA deixassem de ser a superpotência imperialista e nuclear que são hoje. É bizarro que seja necessário um pedófilo na presidência para algumas pessoas percebam que desde o século 19 até hoje nosso vizinho do Norte é, na verdade, um estado terrorista e nada democrático. 

O que essa deturpação da Doutrina Monroe pela administração Trump sinaliza para o futuro dos EUA? 

Não acho que a Donroe seja uma “deturpação” da Monroe, acho que é um desdobramento. Os EUA temem perder o controle da Eurásia, não importa para quem: pode ser para a China, para a Rússia ou até para os próprios europeus. Assim, controlar o nosso continente é para os EUA especie de seguro de vida. Como eles são uma potência perigosa, mas declinante, farão de tudo para nos manter acorrentados. Se não quisermos ir ao fundo junto com este Titanic, vamos ter que manter distância. 

Entrevista ao Agustín Gulman

Seguem as perguntas e as respostas da entrevista concedida, por escrito, no dia 5 de agosto de 2026, ao Agustín Gulman, periodista argentino (Página 12, TRT Español).

Qué modelos de país está en disputa en estas elecciones presidenciales en Brasil? 

As duas principais candidaturas (Lula de um lado, o filho do cavernícola de outro lado) defendem "modelos" antagônicos: soberania contra colônia, bem estar contra malestar, democracia contra ditadura, potência industrial-científico-tecnológica contra subpotência primário exportadora. 

Cómo llega el gobierno del presidente Lula a esta campaña electoral en busca de la reelección? Qué desafíos tiene por delante y qué deudas pendientes debe saldar? 

O país chega melhor do que estávamos em 2022. Mas o governo não capta esta melhora, por uma parte porque há oposição, por outra parte porque havia expectativas muito altas, também porque nossa comunicação não foi das melhores, mas também porque foram feitas demasiadas concessões ao rentismo, concessões materializadas no chamado Novo Marco Fiscal e na criminosa política de juros do Banco Central. O principal desafio que temos é político: vencer as eleições. Em seguida, nos libertar da ditadura do capital financeiro e dar um salto de qualidade nas políticas de desenvolvimento, bem-estar e defesa nacional.

Los principales indicadores económicos muestran mejoras en los últimos años. Esas mejoras han llegado de forma homogénea a quienes más lo necesitaban? Qué desafíos se requieren en ese sentido?

A situação do país começou a piorar desde 2015. E seguiu piorando até 2022. Foram sete anos ladeira abaixo. Lula foi releeito em 2023, estamos no meio de 2026. Ainda que os indicadores tenham melhorado, essa melhora não foi suficiente para compensar 7 anos de declínio. Especialmente quando levamos em consideração que atuamos sob fogo inimigo. As melhoras chegaram principalmente aos setores pior remunerados da classe trabalhadora, o que nos coloca diante de dois desafios: o primeiro é o de combinar política de governo com politização e organização da classe trabalhadora; o segundo é ter políticas de ampliação do bem estar social coletivo, o que ajuda a conquistar os setores melhor remunerados da classe. Saúde pública e educação pública de qualidade reduz o gasto desses setores da classe, ao mesmo tempo que estimula um sentimento coletivista.

 La seguridad es un elemento distintivo en las encuestas electorales. Qué mirada debería tener, en su opinión, el PT sobre la seguridad pública?

Uma mirada realista. O principal problema de segurança pública no país é o crime organizado, que só será derrotado se for atacado onde ele está: infiltrado nas elites econômicas e políticas do país. A política de insegurança pública defendida pela direita é demagógica e ineficiente, pois tem como alvo o pequeno criminoso, não o grande criminoso. Além de demagógica e ineficiente, a política de insegurança pública da direita tem um claro viés de classe. Nesse sentido, é uma política de insegurança para os pobres, mas é uma política de segurança para a direita, pois é público e notório que cavernícolas importantes têm vínculos com o crime organizado.

Qué representa Flávio Bolsonaro?

Basura cavernícola, submissão a Trump, ameaça permanente às liberdades democráticas, mal estar social. 

El presidente Lula ha denunciado y cuestionado la injerencia externa en esta elección. Cuánto puede influir Donald Trump en este proceso electoral, y, en general, en la estrategia de las derechas latinoamericanas?

Trump já está cometendo ingerência. O objetivo deles é controlar todo o subcontinente e, para isso, precisa de um cavernícola na presidência do Brasil. A ação de Trump visa amedrontar as nossas já medrosas elites, parte das quais não gosta do cavernícola, mas têm medo de desobedecer o grande irmão do Norte. Além disso, entre outras coisas, destaco a ação criminosa das redes antisociais.

Tiene impacto el apoyo de Milei a Flávio Bolsonaro? 

Numa eleição que será decidida por pouco, tudo tem impacto. Mas nesse caso, acho que um impacto mais negativo do que positivo. 

En una región que ha girado hacia la derecha y la extrema derecha, el presidente Lula aparece como un faro para muchos progresismos. Qué mirada tiene sobre el avance de la ultraderecha en los últimos años? 

O avanço da ultradireita tem muitas causas. Uma delas é de responsabilidade do chamado progressismo. Para derrotar a extrema direita, nossos partidos, nossos movimentos, nossos  intelectuais orgânicos precisam ousar mais, querer mais, defender mudanças mais profundas em nossa sociedade. A palavra progressismo, em si mesma, já é uma indicação de como alguns de nós - me tire fora disso - nos contentamos com pouco. Não queremos apenas progresso. Queremos mudanças profundas. E já.




segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Declaração de voto

No país inteiro, a militância da tendência petista Articulação de Esquerda está engajada na campanha de Lula e nas campanhas das candidaturas petistas ao governo e senado, bem como de algumas candidaturas majoritárias de outros partidos de esquerda, naqueles casos em que estão devidamente coligados com o PT.

Além disso, estamos engajados em inúmeras campanhas proporcionais (federais e estaduais) do Partido dos Trabalhadores.

Entre essas campanhas, destacamos abaixo a nominata de militantes da AE que são candidatas e candidatos: 

Espírito Santo: Iriny Lopes 1333, Célia Tavares 13621 e Rogerio Favoretti 13456; 

Mato Grosso do Sul: Elias 1313 e Gleice Jane 13777;

Minas Gerais: Nanci Menezes 1351 e Adriana Souza 13000; 

Pará: Fernando Santiago 1316; 

Paraná: Ualid Rabah 1322; 

Pernambuco: Patrick Campos 1311;  

Piauí: Fabíola Lemos 13900; 

Rio Grande do Norte: Natália Bonavides 1311 e Daniel Valença 13111; 

Rio Grande do Sul: Marcon 1355, Ary Vanazzi 1399, Ana Afonso 13813, Nelson Spolaor 13999, Cleonice Back 13131, Nelson Grasseli 13690; 

São Paulo: Guida Calixto, 1320;

Sergipe: Benizário,1390 e Dudu,13900;

Tocantins: Antonio Marcos do MST 13333 e Professor Fabiano Kenji 13311.

Noutra mensagem, informaremos as candidaturas proporcionais petistas apoiadas pela militância da AE, nos estados não relacionados acima.


domingo, 16 de agosto de 2026

Lula, a democracia e o socialismo

Hoje, 16/8, Lula faz o primeiro ato politico oficial de nossa candidatura presidencial.


O local: Estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.

Ontem 15/8 Lula esteve em Vila Euclides e fez uma gravação.

A gravação está aqui: 

Nesta  gravação, Lula destaca o papel da classe trabalhadora na luta pela democracia.

Corretíssimo.

Mas se nossa classe, como classe, lutou a favor, que classe lutou contra? 

Que classe social, como classe, sempre lutou contra as liberdades democráticas para o conjunto do povo?

Que classe social, como classe, apoiou todas as ditaduras e autoritarismos que existiram no Brasil?

A que classe social pertencem os que financiam o neofascismo e o neoliberalismo?

A que classe pertence a maioria daqueles que criticam as políticas de bem estar social e que ampliam os direitos da maioria do povo brasileiro?

A que classe pertence a maioria dos que lutam contra a soberania e contra o desenvolvimento do Brasil?

Quem, no nosso país, mais defende Trump?

A resposta é conhecida: a classe dos capitalistas.

E uma decorrência é: só haverá democracia plena, profunda e verdadeira no Brasil, quando a classe capitalista for totalmente derrotada.

Por isso quem luta pela democracia, precisa lutar também pelo socialismo.

Esse foi um dos muitos motivos que levaram Lula e a maioria dos trabalhadores que estiveram em Vila Euclides, a criar o Partido dos Trabalhadores (e das Trabalhadoras) e a combinar, numa mesma luta, soberania, democracia, bem estar, desenvolvimento e socialismo.

Quem não puder estar hoje, 16/8, em Vila Euclides, acompanhe por aqui a transmissão ao vivo:

 https://www.youtube.com/live/j-JeOIg293k?si=rkFh8sQWzKg9bgNN





sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A Igreja dos Marxistas Leninistas dos Últimos Dias

Terra Redonda publicou um texto de Zen atacando o PT, eu fiz um texto defendendo o Partido, um cidadão chamado Alexandre Vasilenkas criticou este meu texto em sua rede antisocial.

Segundo Vasilenkas, eu teria escrito um "panfleto redwashing".

Até aí, faz parte. 

Ele também me acusa de "chafurdar" em "documentos internos" com "avidez talmúdica", supostamente esquecendo que há uma realidade "lá fora". 

Acho duplamente engraçada a acusação. 

Como sabe quem, na falta de coisa melhor para fazer, lê o que eu escrevo, não sou muito afeito a fazer citações. Salvo engano, no tal "panfleto redwashing" não há nenhuma.

Além disso, a maior crítica que faço à ultraesquerda é exatamente a de que, na minha opinião, ela desconsidera boa parte da realidade, a começar pelo fato de que estamos sob ataque brutal do imperialismo e da extrema-direita, motivos pelo quais eleger Lula e fazer um quarto mandato superior são desafios existenciais.

Sendo esse o contexto, acho inaceitável - atitude de quinta coluna - a postura de Vasilenkas, que nas suas postagens chama nosso candidato de "escroque" e "cria do Golbery", além de chamar outra importante liderança petista de "ratazana da USP".

Na minha opinião, quem fala tanta merda simplesmente não deve ser considerado de esquerda, comunista, marxista ou qualquer outro título que pareça elogioso.

Curioso é que Vasilenkas de certa forma poupa Zé Dirceu, que ele considera como "um comunista sincero além de nacionalista revolucionário", cujo erro teria sido fazer um "pacto mefistofélico com a cria do Golbery".

Isto posto, tenho dúvidas se Vasilenkas leu mesmo o texto que eu escrevi. 

Por exemplo, ele me atribui a frase "não existe intelectualidade paulista". Acontece que eu não escrevi tal frase. 

O que eu escrevi é que - até ler o texto de Zen - nunca tinha conhecido ninguém que tratasse a "intelectualidade paulista" como "matriz principal" na história do PT. 

Também escrevi que não se deve confundir aqueles intelectuais uspianos que contribuíram para a criação do PT, com a intelectualidade paulista que esteve na origem do PSDB. 

Vasilenkas também afirma que eu teria dito que não existe "história do PT". 

O que eu falei é que não existe uma história do PT, assim como não existe uma história do movimento comunista no Brasil. Ou seja: embora obviamente exista um único processo histórico, há várias interpretações historiográficas a respeito.

Mas é preciso dar um desconto. Afinal, é mesmo difícil discutir história com um cidadão para quem, no primeiro turno de 1989, teria acontecido uma "tragédia", a saber, a ida de Lula ao segundo turno das eleições presidenciais ocorridas naquele ano.

Uma pessoa de esquerda sabe muito bem que a verdadeira tragédia ocorrida naquele ano foi a vitória de Collor. Sabe, também, que a tragédia collorida foi contemporânea de outra, o colapso da URSS e dos governos socialistas do Leste Europeu. 

Muita gente perdeu o rumo naquele momento e até hoje não achou o caminho de volta para casa. Alguns vivem numa espécie de realidade paralela, onde o esporte principal é pontificar, usando um vocabulário teológico disfarçado de marxismo. acerca dos problemas supostos ou reais do PT.

Para estes uma saída está na Igreja dos Marxistas Leninistas dos Últimos Dias, para a qual se convertem os que - como eu - acreditam que, se houver salvação nesta quadra histórica, não será contra o PT, nem apesar do PT, mas junto com o PT. 

Seguramente, a quadra em que estamos não é a última da história. Mas salvo para quem acredita no quanto pior melhor, é melhor insistir na batalha para que o PT supere seus problemas e esteja à altura dos desafios e das possibilidades abertas pela imensa crise que o mundo atravessa.