sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Considerações iniciais sobre o debate na Globo

Sem revisão 


O debate na Globo, entre Lula e o Miliciano, aconteceu na noite de 23 de outubro.

A primeira questão foi feita pelo Miliciano.

O tema foi infraestrutura e exportação.

O corrupto falou de obras acabadas e inacabadas, dizendo que o Brasil teria voltado a ser - em nosso governo - um “cemitério de obras”.

Lula respondeu que em nenhum momento da história do Brasil se investiu tanto em obras de todo tipo.

O Miliciano prometeu várias coisas, inclusive internet e pedágio zero para motociclistas.

Lula acusou o Miliciano de ter decorado, mas não ter aprendido. E falou - com detalhes - de obras que vem sendo feitas em nosso governo.

A segunda questão foi feita por Lula: o Miliciano tem noção de “quanto seria o salário mínimo no sudeste, se não fossem os governos do PT?”

O Miliciano atacou, mas não respondeu.

Lula demonstrou que o Miliciano não sabe qual o valor do salário mínimo. E lembrou que - se fosse adotada a metodologia proposta pelos Milicianos - o salário mínimo seria muito pequeno.

Lula perguntou se o Miliciano é a favor ou contra a tarifa zero.

O Miliciano respondeu ofendendo - falando de “nove dedos” - e insistindo na tese de que a inflação, os juros e os impostos estariam comendo o valor dos salários.

O Miliciano também defendeu a política das empresas que mantém os preços e reduzem o conteúdo das mercadorias.

Em seguida o Miliciano perguntou porque Lula trataria o agronegócio tão mal.

Lula demonstrou o contrário: que seus governos investiram muito no agro e na agricultura familiar.

O Miliciano desfiou seu suposto currículo profissional e relativizou o investimento que o governo Lula tem feito no agro. E ainda fez promessas várias.

Lula disse que todos os segmentos da agricultura foram beneficiados pelo seu governo. E ridicularizou a atitude do Miliciano, lembrando que o inimigo “não sabe o que é fome”.

Na sequência, Lula lembrou que o Sul do país tem o maior número proporcional de aposentados. E perguntou se o Miliciano vai reajustar as aposentadorias.

O Miliciano acusou Lula de fazer fake News e defendeu o modelo de Milei. 

Lula acusou o Miliciano de estar mentindo, ora falando em tesouraço, ora dizendo que vai aumentar os benefícios.

O Miliciano mentiu sobre o apoio do governo Lula ao RS, depois da enchente. E fez diversas promessas.

O Miliciano perguntou sobre saneamento básico.  Perguntou por qual motivo a bancada do PT teria votado contra a legislação proposta pelo Cavernícola.

Lula acusou o Miliciano de não conhecer o Brasil, de só ter ouvido falar do Amazonas quando o pai do Miliciano ridicularizou quem morreu de COVID.

O Miliciano fez promessas várias e novos ataques. No meio da fala, fez ataques às políticas de defesa do meio ambiente. E ainda falou dos povos indígenas.

Lula disse que tudo o que o Miliciano falou é o oposto do que os Cavernícolas  fizeram quando governaram. E deu novas demonstrações de que o Miliciano não sabe do que está falando.

Lula lembrou tudo o que nosso governo fez em favor do Nordeste. E perguntou ao Miliciano o que defende fazer no Nordeste.

O Miliciano disse que vai ser o carioca mais nordestino. Tentou defender a fala do pai debochando dos que estavam com falta de ar. E acusou o governo de ter deixado o crime proliferar no Nordeste.

Lula voltou a expor, em detalhes, tudo o que seu governo fez no Nordeste. E pediu que o miliciano desse um exemplo de algo que os cavernícolas tenham feito em favor do Nordeste.

O Miliciano mentiu, dizendo que eles é que teriam garantido a água para o Nordeste e o reajuste do Bolsa Família. E reiterou promessas contraditórias com seu tesouraço.

No segundo bloco, Lula começou perguntando porque o Miliciano foi o único deputado que votou contra a licença maternidade.

O Miliciano disse que errou, que agora mudou de posição.

Lula acusou o Miliciano de demagogia e falta de respeito com o povo brasileiro. E perguntou porque ele chamou o bolsa família de bolsa farelo. E foi para cima de ter sido chamado de “nove dedos”, lembrando que ele Lula sabe o que é o mundo do trabalho.

O Miliciano pediu hipocritamente desculpa pelos 9 dedos, mas usou todo o tempo dizendo que Lula teria que pedir desculpas por todos os problemas do Brasil, dizendo que a esperança virou medo.

Em seguida vieram os direitos de resposta.

Lula lembrou que ele viveu no mundo do Trabalho. E disse que é a elite quem tem que pedir desculpas ao povo brasileiro.

O Miliciano disse que as ideias de Lula eram boas no passado. E engatou isso com a proteção dos animais…

O Miliciano perguntou sobre a dúvida pública e acusou o governo de estar deixando as famílias endividadas.

Lula perguntou porque os Cavernícolas fizeram o  Banco Central ser Independente.

O Miliciano tentou explicar a sua posição e retomou a proposta do Banco da Prosperidade.

Lula mostrou que algumas das promessas do Miliciano não passam de uma cópia do que o governo Lula já está fazendo.

Depois falou que a taxa de juros está alta porque foi herdada.

E defendeu que o jeito de reduzir a dívida é através do crescimento. E que no nosso governo a economia voltou a crescer.

Lula perguntou sobre o SUS. Acusou o Miliciano de querer reduzir os recursos do SUS. Lembrou da política desastrosa do Cavernícola durante a pandemia.

O Miliciano listou problemas, disse que o tesouraço vai ser “na corrupção” e ainda acusou o PT de ter votado contra o SUS

Lula lembrou da pandemia e acusou o Miliciano de querer reduzir os recursos e privatizar o SUS.

O Miliciano fez elogios ao SUS, acusou o governo Lula de ser responsáveis por todos os problemas e defendeu as Santas Casas de Misericórdia.

No terceiro bloco o Miliciano perguntou sobre o endividamento do povo brasileiro.

O Miliciano acusou Lula de ser responsável pelos juros altos. E prometeu que a dívida do povo será resolvida pelo Banco da Prosperidade, o Itaú das Favelas, o Bradesco das Periferias.

Lula defendeu o Desenrola. Falou das MEI, do empreendedorismo. E nesse contexto defendeu o fim das BETs.

Lula perguntou o que o Miliciano vai fazer sobre a escola do ensino integral.

O Miliciano acusou Lula de ter acabado com o dinheiro do ensino integral. E enfiou no meio uma acusação: de que Lula é que teria criado o Tigrinho.

Lula acusou o Miliciano de hipócrita. Lembrou que foram os Cavernícolas que criaram o tigrinho. E apresentou todos os feitos que nossos governos fizeram na educação. 

O Miliciano falou várias mentiras sobre o que fez e outras mentiras sobre o que pretende fazer.

O Miliciano falou das saidinhas, da maioridade penal, da classificação de organizações terroristas. 

Lula perguntou porque um senador da república defendeu um policial que deu um tiro de fuzil numa criança de 5 anos.

O Miliciano tergiversou sobre sua defesa do assassino de Ana Clara. E apresentou suas mentiras sobre segurança pública.

Lula falou das relações do inimigo com os milicianos. Disse que o Miliciano faz bravata e que o Miliciano quer entregar para o Trump cuidar da segurança. E acusou o Miliciano de ter se associado ao crime.

O último bloco do debate começou com um pedido de direito de resposta concedido ao Miliciano, que ele dedicou a prometer que vai cuidar das mulheres.

Lula perguntou sobre a Ilha que o Miliciano tomou.  

Seguiu-se uma troca de acusações sobre o assunto, que o Miliciano aproveitou para incluir acusações sobre Aragão, sobre o preço de uísque e outros assuntos.

Lula emendou o assunto Vorcaro e o assunto raspagem do código da cápsula das balas. 

Depois entrou em pauta o assunto Covaxin, o filme Dark Horse etc.

A dinâmica foi similar ao que ocorreu no debate da Band, mas com menos brutalidade.

Lula falou abertamente que tem uma quadrilha operando nesse país.

O Miliciano falou da quebra de sigilo.

Lula explicou que o Miliciano não abriu seu sigilo.

O Miliciano fez novas acusações.

Lula reiterou o desafio de abertura mútua das contas. E perguntou de onde vem o dinheiro para o Miliciano ter comprado uma casa de 10 milhões.

O Miliciano reiterou as mentiras.

E Lula acusou o miliciano de mentiroso.

O miliciano atacou Lulinha e incluiu Dona Roberta, falando do termo “pilantra”.

Na despedida, Lula falou das mentiras do Miliciano. Contou sua história como trabalhador e pediu o voto. Ou se mantém a democracia ou vamos ter um miliciano governando.

O miliciano ganhou um minuto de direito de resposta, que ele usou para dizer que vai recuperar a soberania das pessoas.

Depois agradeceu a Deus, reiterou as promessas, pediu o voto e terminou pedindo para rezar um pai nosso.

Algumas observações.

O desempenho de Lula foi tecnicamente superior ao seu desempenho no debate da Band.  O desempenho do Miliciano se manteve no mesmo patamar.

O Miliciano segue mentindo abertamente: todo mundo sabe que ele quer fazer um “tesouraço”, mas para tentar ganhar as eleições ele mente, dizendo que vai manter e ampliar as políticas públicas.

O Miliciano demonstrou, ainda, o comportamento do clássico agressor, que bate, depois pede desculpa e depois bate de novo.

O debate não mudou o voto de quem já estava decidido.

Que efeito terá causado sobre os indecisos?

Minha impressão é que não causou nenhum efeito significativo, embora Lula tenha ganhado por pontos, no quesito conteúdo.

Portanto, o que vai decidir é quem já está decidindo: a batalha das ruas, das redes e do corpo a corpo.

Com a palavra, a militância vietnamita.

Venceremos!

Sem revisão.



O terceiro turno vem aí?

Durante uma reunião com internacionalistas, alguém disse que precisamos nos preparar para o terceiro turno.

Em resumo, a tese é que venceremos, mas a extrema-direita e o imperialismo não vão reconhecer a derrota.

O que farão, exatamente?

Depende, entre outras coisas, do tamanho da vantagem que Lula abrir sobre o Traidor da Pátria.

Seja como for, dia 26 de outubro o combate vai continuar.

Nas batalhas que virão, nossas chances de vencer serão maiores se tivermos algo que nos faltou no primeiro turno (uma linha política correta) e, também, algo que faltou nos dois turnos (uma direção que funcione).

O tema da direção parece relativamente simples de resolver: quem não deu conta do recado, deveria “pedir para sair”, facilitando as alterações que são inevitáveis, urgentes e que precisam ser feitas através do velho e bom método democrático.

Já a linha política seria algo mais complicado de resolver. 

Para começo de conversa, muita gente foi atropelada pela realidade, mas mesmo assim segue repetindo o que dizia antes, quando acreditava que íamos ganhar a eleição no primeiro turno.

Isso significa que, provavelmente, gastaremos bastante tempo discutindo o que, exatamente, aconteceu.

Entretanto, muito mais importante que o debate sobre o passado, seria o debate sobre o futuro.

Precisaríamos reconhecer que não estamos, apenas, numa “época de mudanças”; estaríamos vivendo uma “mudança de época”.

No passado, usávamos esta fórmula para comemorar uma virada à esquerda, em favor da classe trabalhadora; hoje, a mesma fórmula indicaria uma virada à direita, em prejuízo dos trabalhadores.

Nesta época, o grande capital e seus representantes políticos aumentarão as tendências “guerreiristas”, os ataques contra as liberdades democráticas, contra a soberania nacional e contra os direitos sociais.

No caso específico do Brasil, a extrema-direita vai usar suas maiorias legislativas e seus governos estaduais para fazer oposição, sabotar e tentar derrubar Lula.

Isso exigirá, da parte da esquerda em geral, mas principalmente da parte do PT, uma estratégia adequada, que precisa ser muito diferente daquela adotada no último período.

A nova estratégia teria que incluir: uma mudança efetiva do modelo econômico, hoje controlado pelo agro, pelas mineradoras e pelo setor financeiro; uma ampla reforma do Estado (incluindo o sistema judiciário, político e eleitoral); a criação de estruturas digitais sob controle nacional, estatal e público; uma política de governabilidade de novo tipo, baseado na mobilização popular; um salto de qualidade na organização da esquerda política e social; a reafirmação ideológica da esquerda, que busca se aliar com os progressistas, mas não se confunde, nem se limita, ao chamado “progressismo”; e a substituição do “modelo parlamentarista” pela boa e velha organização militante. 

Essa linha de raciocínio, é bom dizer. dialoga com as afirmações feitas, pelo “Marechal”, em live feita no dia 22 de outubro.

Mas o recomendável, nesse momento, é focar toda nossa atenção e energia em ganhar a eleição, derrotar os inimigos e reeleger Lula.

Neste domingo 25 vamos ganhar, depois vamos comemorar o triunfo do povo, em seguida recarregar as baterias e, de 26 em diante, teremos muito trabalho pela frente.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Entrevista a um jornalista chinês sobre o segundo turno

Seguem abaixo perguntas e respostas de uma entrevista que dei a um jornalista chinês. A entrevista foi concedida, por escrito, no dia 19 de outubro de 2026, uma segunda-feira (esta postagem está sendo feita na manhã do dia 23, sexta). Não sei se foi ou será publicada. Reproduzo abaixo, para fins de registro.


No primeiro turno, Lula ficou atrás de Flávio Bolsonaro. Qual é a principal avaliação do PT sobre esse resultado? Quais segmentos do eleitorado ficaram abaixo das expectativas do partido? 

O PT não tem uma avaliação completa e oficial do resultado do primeiro turno. A votação do inimigo evoluiu assim: 49 milhões no primeiro turno de 2018, 57 milhões no segundo turno de 2018, 51 milhões no primeiro turno de 2022, 58 milhões no segundo turno de 2022 e 56 milhões de eleitores no primeiro turno de 2026. Portanto, o inimigo não cresceu. Fomos nós que diminuímos. No primeiro turno de 2018 tivemos 31 milhões de votos, 44 milhões no segundo turno de 2018, 57 milhões no primeiro turno de 2022, 60 milhões no segundo turno de 2022 e 53 milhões agora no primeiro turno de 2026. Portanto, entre 4 a 7 milhões de pessoas que votaram em Lula, no ano de 2022, deixaram de votar no primeiro turno de 2026. Eles não cresceram, não ganharam votos. Nós perdemos eleitores que já haviam votado em nós, no passado recente. Quem são esses eleitores? Em quem votaram? Há de tudo um pouco, desde quem resolveu votar no inimigo, passando por quem decidiu votar em alguma das outras 11 candidaturas presidenciais, até quem votou branco, nulo e se absteve de comparecer. Em nossa opinião, o principal fenômeno foi o de eleitores nossos em 2022, desta vez terem votado branco, nulo e abstenções. Do que se trata, agora, no segundo turno? De fazer com que votem novamente em Lula. É isso que dará a vitória para Lula. 

Depois do primeiro turno, quais foram as principais mudanças feitas pelo PT em sua estratégia para o segundo turno? Qual é hoje o eixo central da estratégia eleitoral do partido? 

A principal mudança foi reforçar a mobilização de base e o contato corpo-a-corpo com a população, especialmente com os que votaram branco, nulo e se abstiveram, ao todo mais de 30 milhões de pessoas. Outra mudança importante foi acentuar, no discurso do Partido, as propostas de mudança, relacionadas ao futuro do Brasil, reduzindo o destaque dado para a comparação entre nosso atual governo e o governo anterior, que foi da extrema-direita. Uma terceira mudança importante foi destacar que as mudanças que faremos têm como foco principal a classe trabalhadora, a defesa das liberdades democráticas e da soberania nacional, ameaçada pelos Estados Unidos. Basta dizer que, na manifestação que a extrema-direita fez, ontem, 18 de outubro, havia uma réplica de um foguete, onde estava escrito o pedido: "Trump bombardeie o Brasil". Estamos falando abertamente que nossos inimigos são bandidos, ultraliberais e traidores da pátria. 

Na sua avaliação, quais serão os principais temas que Flávio Bolsonaro deverá explorar para atacar o governo Lula nesta reta final? 

Corrupção, segurança pública e inflação. O que é paradoxal. Pois como pode um corrupto falar de corrupção? Pois como pode um bandido falar de segurança pública? E como pode uma pessoa que nunca trabalhou, falar em defesa dos trabalhadores? 

Sim, como o senhor disse. Bolsonaro não teve um bom desempenho nesses temas. Diante desses assuntos em que Bolsonaro pode atacar, como Lula deve reagir? 

Nossa reação - não só de Lula, mas de todos nós que apoiamos Lula - deve ser sempre a de falar a verdade. Reconhecer os problemas. E perguntar às pessoas: quem melhor pode servir ao povo? Um playboy que nunca trabalhou na vida? Ou uma pessoa experiente, que conhece por experiência própria a vida do povo? 

Como o PT avalia o desempenho de Lula no primeiro debate do segundo turno, realizado em 18 de outubro, com Flávio Bolsonaro? Em quais aspectos Lula teve um bom desempenho e em quais pontos será necessário fazer ajustes para o próximo debate? 

O PT não tem uma avaliação oficial. Se quiser saber a minha, leia aqui: https://valterpomar.blogspot.com/2026/10/primeiras-impressoes-sobre-o-debate-na.html 

Qual é a sua opinião pessoal? 

Na minha opinião, além do que eu digo no texto cujo link mandei acima, Lula deve falar direto para o povo. O inimigo não tem nenhum compromisso com o debate. 

Última pergunta. Qual é a avaliação real do PT sobre o cenário eleitoral neste segundo turno? Hoje, o partido considera que Lula está na frente, que a disputa está equilibrada ou que está em uma posição de desvantagem e precisa buscar uma virada? 

Nossa avaliação é que Lula será reeleito, por uma pequena margem de votos. Nossa preocupação maior é neutralizar as operações que a extrema direita está fazendo para tentar evitar sua derrota. Algumas destas operações eu comento aqui: https://valterpomar.blogspot.com/2026/10/o-bau-de-maldades-cavernicolas.html?m=0 

O senhor quer dizer que Bolsonaro pode repetir as ações de seu pai após a derrota eleitoral? Isso seria realmente assustador. 

Entre outras coisas, sim. O Cavernícola Filho é um fascista. Não vão aceitar a derrota. Por isso temos que manter a guarda alta antes e depois de nossa vitória. 

Espero que o Brasil consiga manter a estabilidade. Se Lula perder a eleição por uma pequena margem de votos, ele reconhecerá o resultado eleitoral? 

Incluindo a atual, Lula disputou, na condição de candidato, 9 eleições, sendo 7 eleições presidenciais (1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2022, 2026) e uma para governador de São Paulo (1982), além de uma eleição para deputado constituinte (1986). Perdeu 4 dessas eleições (1 vez para governador e 3 para presidente). Nunca teve dificuldade em reconhecer o resultado. Mas, em 2026, quem precisará reconhecer a derrota será nosso inimigo.


"Nenhum passo para trás!"

David Capistrano, o filho, dizia que o PT tinha "dirigentes que parecem generais paraguaios, quadros intermediários que parecem sargentos gringos e militantes de base que parecem guerrilheiros vietnamitas".

David, como se pode ver, não era politicamente correto. Mas sua referência à militância vietnamita vem sendo totalmente confirmada nesta campanha do segundo turno.

E, assim como os vietnamitas conseguiram derrotar o Japão, a França, os Estados Unidos - e, cá entre nós, inclusive a China, entre 1978 e 1979 -, a Nação Petista também vai triunfar neste domingo próximo, dia 25 de outubro.

Alguns amigos, inclusive velhos companheiros, preferem ser mais cautelosos e falam, acacianamente, que "tudo pode acontecer". 

Lembrei deste argumento probabilístico ao ler um texto publicado no "site" cubano La Tizza, disponível no endereço a seguir: 

https://medium.com/la-tiza/brasil-frente-a-la-moneda-en-el-aire-lecciones-de-una-derrota-no-fortuita-5a80d99689f3 

O título em si já é, para ser gentil, inacreditável: falar de "derrota", no exato momento em que estamos lutando pela vitória.

Quanto ao conteúdo, o texto gira em torno da seguinte afirmação: "ya se sabe que no hay probabilidad 50/50 de que una moneda caiga en cara o cruz. Persi Diaconis demostró que la precesión hace que la moneda pase más tiempo en el aire con la cara inicial hacia arriba. Es decir, la moneda tiene más probabilidades de caer en el mismo lado en el que empezó, es lo que se llama el sesgo del mismo lado. La diferencia parece mínima, apenas 50,8 %, pero es decisiva al hacer apuestas al respecto".

A partir desta ma-temática (sic), o autor discorre sobre todos os fatores estruturais que conspirariam a favor da extrema-direita. 

Mas, como até comunistas empedernidos julgam necessário tentar salvar sua alma, o autor do texto publicado em La Tizza termina dizendo assim: "aunque yo insista en llamar de lotería electoral a los comicios de cualquiera de las exageradamente llamadas democracias liberales occidentales, incluyendo la brasileña; hay una diferencia entre los juegos probabilísticos de lanzar una moneda al aire y el hacer política, si de lucha se trata. La historia demuestra, con demasiada elocuencia, que no es de revolucionarios sentarse a esperar a que el «sesgo del mismo lado» nos beneficie. Si la «cara» de la moneda que está saliendo hoy es la cara del neofascismo y, cada vez menos, se esconde para presentarse como tal, tenemos en nuestra memoria histórica colectiva cómo hacer para romper la inercia de todo el juego, desafiar todas las probabilidades que auguran nuestra derrota y, finalmente, vencer".

Resumo da ópera: num texto publicado no dia 22 de outubro, três dias antes da eleição, alguém de esquerda gasta 20 parágrafos discorrendo sobre as razões da derrota e 2 parágrafos falando de uma possível, mas improvável, vitória.

Isso tudo tratando de uma eleição no Brasil, país em que a esquerda ganhou 5 das últimas 9 disputas presidenciais, todas as vezes no segundo turno.

Esperava outra atitude da parte de um "site" que, faz pouco tempo, lembrou que "antes Teerã que Caracas".

A citada lembrança está aqui: 

https://medium.com/la-tiza/antes-teher%C3%A1n-que-caracas-coordenadas-para-la-defensa-de-la-revoluci%C3%B3n-cubana-c7b0fe153b48

Não vou repetir aqui os argumentos em favor dos motivos pelos quais estou seguro de que vamos vencer.

Até porque, no fundo, meus argumentos estão condensados na frase politicamente incorreta de Capistrano: a militância vietnamita, que está fazendo de tudo não apenas para derrotar o inimigo, mas também para compensar as deficiências de nossos "generais" e "sargentos".

E se fosse discorrer sobre probabilidades e ma-temática (sic), escolheria citar a opinião de uma amiga que explica assim seu otimismo: "prefiro cair das nuvens do que do décimo andar".

Mas nosso ponto de vista é outro: não queremos "acertar na previsão", queremos vencer, queremos triunfar sobre os inimigos da pátria, sobre os milicianos, sobre os fascistas, ultraliberais e corruptos.

Claro que é possível vencer de várias maneiras.

Existem as vitórias distraídas (a la Leminski), as vitórias construídas, as vitórias difíceis, as vitórias suadas, as vitórias por um fiapo (como será a de 25 de outubro).

O que não existe, não conheço, nunca vi, é vitória de quem, no íntimo, acredita que vai ser derrotado.

Assim, aos meus amigos e velhos companheiros, muitos deles vindos de uma boa e velha tradição comunista, peço que recordem que estamos no momento de repetir aquela famosa frase russa, que na língua pátria pode ser traduzida assim: "Nenhum passo para trás!"

Que, adaptada aos próximos dias, significa vencer ou vencer!







 

Mangabeira e Aldo: traidores da Pátria

Por incrível que possa parecer, tem gente que ficou surpresa com o apoio dos ex-ministros Mangabeira Unger e Aldo Rebelo à candidatura do Traidor, Miliciano, Ultraliberal e auto-declarado Corrupto.

Aqui a foto dos brothers:

 https://www.facebook.com/share/p/1DuprUu2Sk/?mibextid=wwXIfr

Qual o motivo da surpresa?

Varia, a depender do surpreendido. 

Mas, em geral, as pessoas se surpreendem com a contradição entre as formulações retoricamente nacionalistas de ambos e o apoio a uma candidatura submissa aos EUA.

O que as pessoas não percebem é que há nacionalismos e “nacionalismos”.

O dos supracitados - como pode ser constatado lendo seus textos e ouvindo suas entrevistas - é o “nacionalismo do agronegócio”, tataraneto do “nacionalismo das sesmarias”.

Alguém já lembrou que, no curto-médio prazo, o “agro” tem tudo a perder com uma adesão carnal aos EUA.

Mais detalhes, aqui: 

O problema é que a alternativa - apostar num outro modelo de sociedade e noutro lugar do Brasil no mundo - parece, à turma do agro e a seus sócios especuladores, algo muito mais arriscado e profundamente contraditório com seus instintos de classe.

Nada de novo: por motivos semelhantes, aliás, é que para industrializar o país, foi preciso a “revolução de 30” e derrotar a contrarrevolução de 1932.

Em 2026, o agro tem candidato. 

Este é o fio da meada - a defesa dos interesses do latifúndio moderno - que explica a adesão dos dois à candidatura do Traidor da Pátria.

Em nome deste compromisso de classe, o resto todo (democracia, bem-estar, direitos humanos, vínculos com o crime, corrupção) fica em segundo plano.

É só isso? 

Claro que não. 

Mas não há motivo para surpresa.

Surpresa mesmo é quanta gente se enganou sobre esses dois, por tanto tempo. 

Estiveram nos nossos governos, foram filiados a partidos do nosso campo, mas há muito tempo já era possível perceber que seu coração não era vermelho, nem batia do lado esquerdo do peito.

Não são os únicos. Mas como vamos ganhar a eleição, seremos poupados (temporariamente) de novos espetáculos trânsfugas.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Alberto Carlos Almeida, um “cientista” acima de qualquer suspeita

Nunca apreciei as análises do cidadão.

Nem mesmo quando ele foi convidado para “abrilhantar”, com trivialidades e equívocos, uma reunião do Diretório Nacional do PT.  

Mas confesso que não acreditei ser verdade o que me contaram dele.

Até  que “mataram a cobra e mostraram o pau”.

Aqui está: 

Transcrevo o post:

“As pessoas querem saber em quem eu voto. Vou dizer”
“Voto nulo e branco (depende do humor no dia da eleição) há 30 anos, justamente porque sou analista político. Meu voto nunca fará diferença no resultado, nem se votasse no municípios de Borá em SP”
“Ademais, não goste de ver meus amigos e amigas cientistas políticos fazendo campanha nas redes. Acho que não deveriam dizer que são cientistas, ou não deveria fazer campanha. Isso é o Brasil, um país anti ciência, um país artístico, de músicos, artistas e celebridades.”

Direito dele votar como quiser.

Mas é um pouco demais alegar que seu voto “não fará diferença”, como se omitir-se diante do fascismo fosse equivalente a faltar na festa da firma.

Até porque está óbvio - pelas suas postagens - que Almeida está em campanha aberta contra Lula.

Mas inaceitável mesmo é ele afirmar que um cientista não pode tomar partido, não pode ter posição política 

É inaceitável, entre outros motivos, porque ao contrário do que pode parecer, a tese segundo a qual a “objetividade científica” seria contraditória com assumir lado nos conflitos, permite a certos “cientistas” participar dos maiores crimes.

E alegar, depois, no tribunal ou perante a posteridade, que só estavam fazendo “ciência”, dando sua contribuição “técnica”.

Espero que a pessoa que insistiu em convidar este troncho para falar à direção do PT, perceba agora o tamanho da tolice cometida.

O “apito de cachorro” dos fascistas

Ontem, uma militante da campanha Lula, ativista que integra a relação de indispensáveis de nossa história, relatou “estar com medo”.

Normal, previsível e justificado.

Afinal, estamos na véspera de uma batalha decisiva, cujo resultado afetará não apenas os destinos do mundo e do Brasil, mas também incidirá sobre o destino de cada um de nós, a começar pelas mulheres, negras e negros, trabalhadores pobres, moradores das periferias, explorados e oprimidos em geral.

Sendo assim, ter medo é uma reação instintiva natural e indispensável para quem deseja sobreviver. E vencer!

O problema, portanto, não é ter medo.

O problema surge quando o medo produz intimidação e paralisia.

Este é o objetivo declarado da campanha fascista, como vimos, aliás, na atitude do miliciano no debate da Band, domingo passado.

A estratégia dos fascistas  foi “teorizada” por Pablo Venal, em reunião com “influenciadores” de direita, da seguinte forma: “esta eleição não é a da esperança, é a eleição do medo”.

Segundo a imprensa, Venal teria detalhado assim sua “tese”:  “Você vence uma ideia ou pela esperança, ou pelo prazer e, se não der conta de vencer nesses dois, vence pela dor. (…) Qual é a forma de fazer eles perderem votos? Medo. O medo atrai. Essa é a eleição do medo."

O que parece ser apenas uma orientação de comunicação, na verdade é o plano de batalha dos Traidores da Pátria nesta reta final do segundo turno.

“Vencer pela dor!”

É por isso que, por paradoxal que possa parecer, os Traidores da Pátria exibiram, numa recente manifestação realizada na Avenida Paulista, a réplica de um míssil, onde estava escrito “Trump nuke Brazil”, ou seja, pediram que o Brasil seja bombardeado com armas nucleares.

(Aliás, é revelador que certa mídia dê mais atenção para a suposta depredação que teria ocorrido - por obra de provocadores? - num ato da esquerda, do que para esse pedido criminoso feito pelos cavernícolas: devastar o Brasil.)

(Assim como é incrível que exista gente na esquerda que siga não percebendo que este “míssil”não se trata de um erro, mas de uma estratégia de medo.)

O fato é que, percebendo os sinais da derrota, Venal e a campanha do Miliciano tocaram o “apito de cachorro”.

A técnica é a mesma utilizada nos territórios dominados pelo Crime e pelas Milícias: mesmo sabendo que estão diante de criminosos, as pessoas se submetem devido ao medo.

A “dor”!

É também por isso que, diferente do que ocorreu no primeiro turno e, também, diferente do que ocorreu no início do segundo turno, a “militarcia” (sic) da extrema-direita está partindo para a agressão física.

O objetivo é deter a onda de mobilização pró-Lula, principalmente no plano “micro”, onde ela é mais necessária: no corpo-a-corpo, ao pé de ouvido, nas conversas privadas, principalmente com os chamados “indecisos”.

O que fazer contra esta “estratégia do medo”?

Entre outras muitas coisas:

1/não se deixar intimidar: um bom exemplo foi dado pelos estudantes que derrotaram a fracassada invasão cavernícola na Universidade Federal do RN;

Mais detalhes aqui: 

2/não baixar a guarda: CADEIA é para onde mandaremos os maiores criminosos deste país, cujas digitais estão no assassinato de Marielle, nos roubos do Master, na fraude do INSS, na doença das BETS, nas Milícias e no crime organizado, sem esquecer das centenas de milhares de pessoas que foram assassinadas pelas escolhas do governo Cavernícola durante a pandemia da COVID;

(Aliás, debater segurança pública com o Miliciano é tão sério quanto debater sobre Bancos de Sangue com um Vampiro.)

3/não largar nunca a bandeira da esperança: ao contrário da extrema-direita, devemos organizar a raiva para defender a alegria. 

Numa eleição empatada entre medos, o que desempata é a esperança. Assim venceremos!