sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Esta (falta de) resolução é um perigo

Não sou contra textão.

Mas tudo tem limite.

A executiva nacional do PT, reunida dia 10 de setembro de 2026, aprovou - por maioria - uma resolução com 37 itens, que na versão do Poder360 estão distribuídos por 7 páginas.

Quem tiver tempo e paciência, está aqui:

https://pt.org.br/link/1s8om

Também copiei e colei a referida resolução ao final.

Grande parte da resolução - diria que 95% - é copy e cola de textos anteriores, escritos quando boa parte da executiva acreditava - ou deixava que acreditassem - inclusive em vitória no primeiro turno.

Pequena parte da resolução - diria que menos de 5% - dialoga com a situação atual, em que algumas pesquisas apontam o cavernícola filho como suposto vitorioso no segundo turno.

Desta parte eu extraio (e em seguida comento) as seguintes afirmações:

1/confiar no Fachin

-orientação errada, versão atual da confiança que alguns depositavam no Xandão;

2/o PT tem uma proposta de reforma do judiciário

-seria ótimo se fosse verdade. Acontece que no Congresso do PT se incluiu a frase num Manifesto, mas o conteúdo propriamente dito foi remetido para a segunda etapa do Congresso, que será em 2027. E o citado “seminário” que debateu o tema não é instância deliberativa. A verdade é outra: o dirigente responsável por bloquear o debate no congresso do Partido, agora tenta recontar a história, talvez para apagar suas digitais;

3/é preciso organizar uma ofensiva democrática

-trata-se da repetição, com outras palavras, da “frente ampla contra a extrema-direita”. Os fatos estão demonstrando que esta política não dá conta da tarefa de derrotar a extrema-direita em 2026;

4/reconhecimento de que as realizações do nosso governo estão “muito aquém do desejado”

-verdade, embora escrita numa linguagem (ver especialmente o ponto 24) de quem não percebe o ato falho cometido por quem afirma que a “economia” vai bem e o povo não tão bem assim;

5/a promessa de que, em nosso próximo mandato, vamos “fazer mais”

 -correta orientação. Mas a maneira como isso é abordado na resolução converte a imprescindível batalha pelo futuro em promessa de campanha, o que já se demonstrou insuficiente para atrair quem ainda não vota em nós;

6/mobilizacão no dia 13/9

- totalmente correto. Infelizmente, este ponto está meio que perdido no penúltimo ponto da resolução. E, espero estar enganado, ainda não se tomaram as medidas necessárias.

Agrego o seguinte: a essa altura do campeonato, ganharemos a eleição se a “Nação Petista” ocupar as ruas.

Gente. Muita gente. Todo dia, toda hora. 247. 7x0. 

O resto importa (TV, linha, o que fazer com STF etc). Mas o que importa mesmo é massa na rua.

Sendo assim, esta resolução da CEN é como os discursos de um certo presidente partidário: longos, repetitivos e inúteis.

Não se trata propriamente de uma resolução, mas de uma digressão.

Sem falar no custo humano e financeiro de uma reunião como essa, com um resultado tão pífio.

Certo fez quem votou contra esta “falta de resolução”.

Ainda bem que a base do Partido é melhor do que nossa direção.

É a resolução desta base que nos dará a vitória, no primeiro e no segundo turnos.


RESOLUÇÃO COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL 10 DE SETEMBRO DE

2026

1. O Brasil se aproxima das eleições de 2026 em um dos contextos políticos e

institucionais mais desafiadores dos últimos anos. O que estará em disputa

nas urnas não será apenas a escolha de um presidente da República, mas o

rumo que o país seguirá nas próximas décadas e a capacidade de

consolidarmos a democracia, defendermos nossa soberania e avançarmos

nas mudanças que a vida do povo brasileiro exige e faremos as reformas que

a democracia exige.

2. Como apontamos nas últimas resoluções desta Comissão Executiva

Nacional, essa disputa acontece em um cenário internacional de avanço e

reorganização da extrema direita. Em diferentes países, forças autoritárias

atacam instituições democráticas, direitos sociais e a soberania. Nesse

quadro, a vitória do presidente Lula no Brasil não representa apenas a vitória

de um projeto popular em território nacional. É uma vitória de sentido

humanitário para as forças democráticas em todo o mundo. O Brasil ocupa

hoje um lugar central nessa disputa.

3. Nas eleições do nosso país, o povo brasileiro decidirá entre dois projetos

opostos: um que defende a democracia e outro representado por aqueles que

atacaram permanentemente as instituições democráticas e orquestraram

uma tentativa de golpe, com o planejamento do assassinato do presidente e

do vice-presidente da República e do presidente do Tribunal Superior

Eleitoral à época; um que defende a distribuição de renda e outro que

defende privilégios; um que defende uma Polícia Federal independente para

investigar e combater a corrupção e outro que interferiu na autonomia da

instituição para proteger a própria família; um que defende a saúde pública e

universal e outro que fez do negacionismo política de governo; um que

defende a vida das mulheres e outro que se cala diante da violência contra

elas.

4. Trata-se, ainda, de um contexto institucional marcado pela crise de

instituições no Brasil. É inegável a crise que vivenciamos, quando a Suprema

Corte brasileira trava uma "guerra" aos olhos estarrecidos da sociedade.

Acreditamos no funcionamento do STF pautado pela transparência, equilíbrio

e pelo respeito à Constituição. Diante da disputa clara na Corte, confiamos na

autoridade de seu presidente, ministro Fachin, para que as apurações sejam

aceleradas e conduzidas, de modo que o povo brasileiro conheça a verdade.

O Brasil precisa que todas as investigações ocorram com transparência e

integralmente, sem privilégios para quem quer que seja.

5. Sabemos que não haverá democracia com o Judiciário desmoralizado.

Defender as instituições significa também exigir delas transparência,responsabilidade e respeito às regras que valem para todos. Tudo o que for

alvo de investigação deve ser apurado e a sociedade precisa conhecer os

resultados.

6. Por isso, acreditamos que é importante para que toda a sociedade conheça

a verdade, que seja retirado todo o sigilo das investigações do maior

escândalo financeiro da história, o caso Banco Master.

7. Defendemos que só com a transparência é possível que o Brasil cobre as

apurações necessárias, passe essa página a limpo, e impeça que esse

cenário de vazamentos seletivos possa contaminar injustamente o cenário

eleitoral, interferindo diretamente na disputa.

8. Ao defender toda a apuração e transparência, reforçamos que o PT já

aprovou, em seu manifesto do 8º Congresso, uma “Reforma do do Sistema

de Justiça”, por entender que ninguém está acima da lei e que a lei deve

servir aos interesses do povo brasileiro. Realizamos em julho um seminário

de debates internos sobre o tema, com o objetivo de aprofundar as

formulações do partido nessa área e contribuir programaticamente com um

sistema de justiça mais célere, moral, transparente e efetivo.

9. Hoje reafirmamos nossa posição de que o sistema de justiça deve garantir os

direitos fundamentais do povo brasileiro, e não ser um balcão de negócios de

interesses privados. Defendemos a criação das cadeiras da sociedade civil

no CNJ e CNMP, a fim de ampliar o controle social da justiça; o fim dos

supersalários, dos penduricalhos e dos privilégios, a criação de códigos de

ética, estabelecer tipos penais mais duros de corrupção, peculato e tráfico de

influência cometidos por atores do sistema de justiça; iniciar o debate sobre

mandatos nas cortes superiores; quarentenas mais duras e que imponham a

conduta ética; a criação de sólidos critérios raciais e de gênero para

nomeação em tribunais, o fortalecimento da justiça trabalhista e a

universalização da defensoria pública no país, buscando acesso à justiça e

segurança dos direitos.

10. É preciso relembrar que o Presidente Lula foi o único que realizou uma

profunda reforma democrática do judiciário, quando, em 2004, criou o

Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Conselho Nacional do Ministério

Público (CNMP), e estabeleceu novos mecanismos de controle,

transparência e eficiência. Passados 22 anos o Brasil precisa novamente

enfrentar esse debate, seguindo este exemplo. Lula tem experiência política,

compromisso democrático e capacidade de diálogo para conduzi-lo sem

atacar as instituições e sem se omitir diante da necessidade de aperfeiçoá-

las. Por isso, é fundamental a recriação da Secretaria de Reforma do Sistema

de Justiça a fim de organizar e propor um Pacto entre Poderes, com

participação da sociedade civil, para a formulação de um programa de

reforma do sistema de justiça brasileiro.

11. Sabemos quem é o Presidente Lula. O povo brasileiro conhece seus

compromissos com a democracia, a soberania, com as famílias e com a

estabilidade de nossas instituições. Lula já demonstrou em três mandatosque é possível, com o diálogo, promover mudanças profundas para o bem-

estar da sociedade e enfrentar crises com firmeza e coragem.

12. Também sabemos que o Brasil não pode aceitar novamente. Não queremos

um Brasil controlado pela milícia. Não queremos a fome de volta ao Brasil.

Não queremos golpes nem planos de assassinato de autoridades. Não

queremos novos casos como o do Banco Master, nem corrupção de

autoridades. E não aceitaremos que aqueles que representam esse passado,

tentem agora se apresentar como resposta para os problemas do país.

13. Precisamos organizar uma ofensiva democrática para não permitir que as

forças do autoritarismo, as forças antidemocráticas, se apropriem do legítimo

sentimento de mudança do povo diante da percepção de falência do sistema.

Devemos ouvir essa insatisfação e responder a ela. O que não podemos

permitir é que ela seja capturada justamente por aqueles que atacaram a

democracia, destruíram políticas públicas e governaram contra os interesses

nacionais, por aqueles que vão destruir as vitórias dos trabalhadores.

14. Vamos ampliar o diálogo com as comunidades de fé, reconhecendo seu

papel na sociedade. Evangélicos, católicos, religiões de matriz africana e

outras tradições religiosas não podem ficar à disputa exclusiva da extrema

direita. Devemos dialogar respeitando a liberdade religiosa, sem transformar

igrejas e espaços de culto em palanques, apresentando um projeto

comprometido com vida, justiça social, solidariedade, paz, democracia e

dignidade humana.

15. Não podemos permitir que fatos graves sejam apagados.É fundamental que

o PT aponte que quem se beneficiou da corrupção do Banco Master,

enviando dezenas de milhões de reais para fora do Brasil, foi a família

Bolsonaro, no suposto financiamento do filme "Dark Horse".É preciso explicar

para onde foi esse dinheiro e com o que ele foi gasto. É preciso que as

autoridades apresentem os resultados das investigações.

16. É preciso mostrar as denúncias da compra imóveis com dinheiro sem origem

explicada, ou com benefícios bancários jamais esclarecidos, como no caso

da compra de uma mansão em Brasília.

17. Precisamos lembrar da tentativa de golpe contra a democracia em 8 de

janeiro e do planejamento de assassinato de autoridades, bem como das

relações que a família Bolsonaro construiu, e ainda mantém, com as milícias

do Rio de Janeiro e com a criminalidade. É fundamental, também, que

denunciemos que Flávio Bolsonaro homenageou milicianos durante o

exercício de um mandato público.

18. São os mesmos que viraram as costas para o povo brasileiro durante a

pandemia e foram responsáveis pela morte de centenas de milhares de

brasileiros, incentivando remédios com ineficácia comprovada pela ciência,

enquanto atrasavam a compra da vacina e faziam negociatas com os

imunizantes disponíveis no mercado;

19. São os mesmos que desorganizaram o sistema de concessão de benefícios

sociais, que entregaram o salário mínimo em 2022 sem nenhuma valorizaçãoreal, que fizeram disparar a inflação de alimentos e devolveram o Brasil ao

Mapa da Fome, empurrando brasileiros para a chocante fila do osso.

20. A mesma família ofereceu nossas riquezas a Trump e carrega mais a

bandeira dos EUA do que a nossa própria bandeira. Flávio Bolsonaro torceu

e negociou o tarifaço feito por Trump que prejudica empresas e empregos.

Quem é subserviente, entreguista e pensa nos próprios benefícios, ao invés

de pensar no próprio povo, jamais protegerá o Brasil.

21. O povo brasileiro reconhece que o presidente Lula é o único capaz de

negociar com o governo Trump de igual para igual, com diplomacia, e a

cabeça erguida, sem negociar nossa independência ou nossos minerais

críticos, que são o futuro do nosso desenvolvimento, o futuro dos empregos

de qualidade.

22. O governo do presidente Lula fez muito pelo Brasil ao recuperar o país do

buraco herdado do governo Bolsonaro. Nestes três anos e meio de

reconstrução, recuperamos taxas de crescimento econômico em torno de

3%, conquistamos o menor desemprego da série histórica e, com a retomada

da valorização do salário mínimo, voltamos a elevar o rendimento real das

famílias. Com isso, saímos do Mapa da Fome, o poder de compra aumentou

e a inflação está controlada.

23. Não utilizamos essas conquistas para negar os problemas que ainda existem.

Entendemos que ainda estamos muito aquém do desejado e que o custo de

vida continua sendo um desafio para as famílias brasileiras. O endividamento

ainda é alto, apesar dos esforços do governo para reduzi-lo, e as elevadas

taxas de juros aumentam o custo das dívidas. Assim como as bets têm

agravado o endividamento das famílias e precisamos combater este quadro.

Reconhecemos o que precisamos avançar e vamos trabalhar para mudar o

que é preciso.

24. Precisamos avançar mais em um próximo governo, para que a melhora

econômica seja mais bem percebida e aproveitada pela sociedade,

combatendo a alta de preços e ampliando o poder de compra das famílias,

com mais desoneração dos salários e tributação dos super ricos que não

pagam tributos. A recuperação econômica precisa ser sentida no cotidiano

das famílias, com enfrentamento do custo de vida, especialmente dos preços

dos alimentos, da moradia, da energia, do transporte e dos serviços

essenciais. Reduzir de forma sustentável as taxas de juros e o custo do

crédito, diminuir o endividamento, aumentar a renda e ampliar o poder de

compra devem ser prioridades do novo governo Lula.

25. Enquanto no governo da família Bolsonaro, o salário mínimo perdeu poder de

compra real e as pessoas se enfileiram na fila do osso em busca do mínimo

para se alimentar, com 33 milhões de brasileiros passando fome, no governo

Lula voltamos a valorizar o salário mínimo e a sair do Mapa da Fome.

Tivemos o maior rendimento mensal da série histórica de 2012. Só quem já

fez tudo isso, pode no próximo governo avançar ainda mais.

26. Na educação, recuperamos os investimentos negligenciados no governo

anterior e demos um novo impulso à alfabetização na idade certa, que já

chega a 66% das crianças brasileiras — acima da meta traçada e a caminho

dos 80% que queremos alcançar. Ampliamos as vagas em creche,

avançamos na expansão da educação em tempo integral, agora com

financiamento garantido pelo Fundeb, e criamos o Pé-de-Meia, que já

garante a permanência de mais de 7 milhões de jovens no Ensino Médio,

reduzindo 43% da evasão escolar, ou seja, evitando que jovens abandonem

os estudos por precisar trabalhar. Também ampliamos os Institutos Federais,

que saltaram de 140 unidades para mais de 600 em todo o país. No próximo

governo, iremos avançar ainda mais, vamos universalizar o tempo integral na

rede pública, seguir fortalecendo o Pé-de-Meia e chegar a 800 Institutos

Federais, priorizando o interior e as periferias das grandes cidades.

27. Na saúde, reconstruímos o SUS depois do sucateamento promovido por

Bolsonaro: fizemos a recomposição do Programa Nacional de Imunizações e

a vacinação voltou a ser prioridade, com o retorno do Zé Gotinha, voltando a

eliminar doenças como o sarampo. Retomamos e ampliamos o Farmácia

Popular, dobramos o número de médicos do programa Mais Médicos para

levar assistência a regiões isoladas e distantes de grandes centros.

Renovamos a frota do SAMU, investimos bilhões de reais através do Novo

PAC Saúde e lançamos o programa Agora Tem Especialistas, que já reduziu

filas históricas de consultas, exames e cirurgias em centenas de municípios

do país. Fizemos ainda o Brasil Sorridente, trazendo dignidade, com

assistência odontológica, a milhões de brasileiros.

28. No próximo governo, iremos avançar ainda mais: vamos unificar o histórico

de saúde do paciente, ampliar o Farmácia Popular com exames e telessaúde,

e implantar uma fila única digital organizada por risco clínico, para que quem

mais precisa seja atendido primeiro.

29. Na segurança, devolvemos à Polícia Federal a autonomia para investigar e

combater o crime organizado e a corrupção sem interferência política, o

oposto do que fez Bolsonaro, quando trocou o comando da corporação para

proteger o próprio filho, Flávio Bolsonaro. Sancionamos a Lei Antifacção, que

ampliou os instrumentos do Estado contra milícias, facções e organizações

criminosas, atacando suas estruturas financeiras. Lançamos o Brasil Contra o

Crime Organizado e revogamos os decretos do governo passado que

facilitavam o acesso às armas (e consequentemente ao tráfico de armas).

Enviamos ao Congresso a PEC da Segurança Pública, dialogando por novo

pacto entre municípios, estados e governo federal para combater o crime

com inteligência e união. E estamos cada vez mais ampliando as ações do

Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios para criar um país cada vez

mais seguro para nossas meninas, jovens e mulheres.

30. Reconhecemos que o Brasil ainda sente a insegurança no dia a dia. Por isso,

no próximo governo, iremos avançar ainda mais: vamos criar o Ministério da

Segurança Pública, fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública eampliar a atuação integrada entre União, estados e municípios, para

enfrentar o crime organizado sem abrir mão dos direitos e da vida da

população. Vamos ampliar o combate ao feminicídio e aumentar também o

patrulhamento de nossas fronteiras com tecnologia avançada. Temos que

devolver os territórios para as comunidades e as famílias. Segurança pública

é direito de todas e todos. O Estado deve recuperar territórios dominados

pelo crime organizado, proteger crianças, jovens, mulheres e trabalhadores e

combater o crime com inteligência, investigação, prevenção e integração das

forças de segurança, sem transformar periferias em territórios de exceção.

Segurança e direitos são responsabilidades inseparáveis do Estado

democrático.

31. Queremos o SUS forte e funcionando. Queremos que o Brasil pertença ao

povo brasileiro. Queremos a reforma política, o sistema brasileiro apodreceu,

e a reforma do Judiciário. Queremos um futuro de esperança e dignidade

para todo o povo brasileiro, com empregos de qualidade. Queremos o Fim da

Escala 6x1: precisamos redução da jornada de trabalho sem redução de

salários. Queremos melhorar a renda das famílias. Queremos taxas de juros

mais baixas, garantir o aumento real do salário mínimo e direitos

previdenciários. Queremos garantir soberania sobre nossas riquezas, como

petróleo, terras raras e minerais críticos. O presidente Lula desonerou

salários tributando super-ricos. Mas queremos mais. Quem já fez, conhece o

caminho, e pode fazer muito mais.

32. O Brasil precisa enfrentar a precarização do trabalho, garantindo direitos e

proteção social aos trabalhadores informais, de aplicativos e de plataformas

digitais. Redução da jornada, fim da escala 6x1, valorização dos salários e

oportunidades para a juventude devem integrar um projeto de

desenvolvimento com empregos de qualidade. Precisamos enfrentar a nova

escala de desinformação política nas redes sociais, aplicativos de

mensagens e conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial.

A campanha deve combinar comunicação direta, presença territorial,

formação de militantes e resposta rápida às mentiras, com verdade, diálogo e

responsabilidade democrática.

33. O enfrentamento da emergência climática deve ser prioridade do próximo

governo. Enchentes, secas, ondas de calor, insegurança hídrica e impactos

na produção de alimentos atingem diretamente a população, sobretudo os

mais pobres. A transição para uma economia de baixo carbono deve

combinar proteção ambiental, soberania nacional, desenvolvimento

tecnológico e empregos de qualidade.

34. Não se trata apenas de uma eleição: trata-se do futuro do Brasil e das

famílias brasileiras. Há quem reconheça avanços, mas ainda não os percebe

suficientemente em sua própria vida. Há quem esteja distante da política e há

quem esteja sendo permanentemente alcançado pela mentira e a

desinformação da extrema direita. É com essas pessoas que precisamos

conversar. Será com a verdade sobre os projetos em disputa e sobre o queestá em jogo que venceremos essas eleições. Com orgulho do que já

fizemos, com humildade para reconhecer que precisamos avançar muito

mais, e com esperança em um futuro melhor, vamos ampliar a mobilização

nas ruas e nas redes em todo o país para dialogar com o povo brasileiro e

levar Lula à sua quarta vitória como presidente da República.

35. Lula deve liderar o país para um pacto político de um projeto de nação. Um

projeto de nação desenvolvida e soberana. Que consolide os avanços até

aqui, mas apresentando muito mais para o futuro. Quem já fez tanto pelo

Brasil, pode e fará muito mais.

36. Convocamos toda a militância do PT, em conjunto com os partidos aliados,

movimentos sociais e sindicatos, a se mobilizarem no dia 13 de setembro, em

um dia de mobilização nacional nos 27 estados do país, organizando

atividades de rua e de redes, panfletagem, caminhadas, carreatas e ações

pulverizadas para marcar presença em todo canto, com muito diálogo e

mobilização. Determinamos um plano de ação nas redes e nas ruas para

intensificar a campanha nas próximas semanas.

37. Acreditamos na força da nossa militância, forjada na luta por um Brasil mais

justo e digno, para percorrer o país e como disse o Presidente Lula “em

estado permanente de campanha” mostrar ao povo brasileiro o tanto que foi

recuperado de direitos e dignidade desde 2023, o quanto avançamos e o

quanto o único com um projeto capaz de fazer mais por esse país é quem

tem experiência, lealdade ao Brasil e ao povo brasileiro e coragem, o

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Janja, Deus e a campanha eleitoral

Às vezes, como Eduardo, é melhor não comentar.

Mas outras vezes precisamos falar, nem que seja para salvar a própria alma.

Por isso vou comentar, aqui, um trecho do discurso feito pela companheira Janja no Piauí.

O discurso integral de Janja está aqui:

https://www.instagram.com/reel/DdFoQvJOREh/?stkn=MW9kdXZ5aDJsOWczcQ==

Como se pode constatar, o discurso trata de temas fundamentais, adotando posições corretas.

Entretanto, quase no final, Janja diz - apontando para Lula - a seguinte frase: "esse é o verdadeiro ungido de Deus".

Como é óbvio, mas o óbvio precisa ser dito, Janja tem todo o direito de dizer e de pensar o que quiser.

E como Janja escreveu o discurso, tenho certeza de que ela refletiu sobre a referida frase, inclusive sobre o sentido da "verdade" num contexto teológico e, também, sobre a conveniência de citar o nome de Deus numa disputa eleitoral.

Dito o óbvio, quero deixar uma opinião a respeito.

Opinião vinda, é bom confessar, de alguém que integra uma das minorias de nossa sociedade: os ateus.

A extrema-direita tenta transformar a disputa política-ideológica em uma guerra religiosa.

Faz isso no Brasil, faz isso no mundo inteiro, a começar pelos Estados Unidos, onde volta e meia Trump e os seus atribuem aos inimigos propósitos "satânicos".

Na minha opinião, a esquerda não deveria embarcar nessa canoa, nem em nenhuma outra parecida.

Estamos sim diante de uma batalha existencial.

Mas não é apelando para Deus que venceremos esta batalha.

Não apenas porque é errado (afinal, um Estado republicano e laico não é dirigido pelo "verdadeiro ungido por Deus", mas sim por quem o povo escolha).

Mas principalmente porque, como a experiência demonstra, este tipo de argumento não produz os efeitos pretendidos.

Além de passar uma impressão totalmente desnecessária. 

Estava na cara deste o início que esta eleição seria duríssima, que seria resolvida no segundo turno e que ganharemos por pouco.

Logo, não há motivo para desespero.

Venceremos! 

Venceremos, claro, se entendermos que se trata de uma guerra, onde podem e devem ser usadas todas as armas, desde que funcionem! 

Dixi et salvavi animam meam.






quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O que a diretoria do Andes, o MGI e a AGU têm em comum?

Se o cavernícola filho vencer as eleições presidenciais, o Brasil vira colônia dos EUA.

E a isso se soma o pacote de maldades já conhecidas.

Sem falar que tudo indica que um desgoverno do filho causaria mais danos que o do pai.

Sendo este o contexto, a classe trabalhadora precisa entrar em clima de mobilização total.

Inclusive nos locais de trabalho.

Nesse sentido, as orientações emitidas pelo governo federal, a pretexto de disciplinar a campanha no serviço público, constituem na melhor das hipóteses um desserviço.

Paradoxalmente, o Andes Sindicato Nacional, geralmente tão crítico, desta vez aderiu às orientações do governo Lula acerca do “defeso eleitoral”.

Foi esse um dos argumentos para “justificar” uma resolução - aprovada por 34 a 32 no Conad - que não defende explicitamente votar em Lula nas eleições presidenciais de 2026.

Esta (falta de) resolução pegou mal.

E, para piorar, demonstrou-se por A + B que a orientação do governo, respaldada pela diretoria do Andes, estava juridicamente errada.

A referida demonstração pode ser lida aqui:

https://www.correiobraziliense.com.br/direito-e-justica/2026/09/7492547-se-as-eleicoes-sao-a-festa-da-democracia-os-servidores-publicos-nao-foram-convidados.html

Frente a isso, a diretoria do Andes resolveu dobrar a aposta e divulgou o seguinte texto:

https://www.andes.org.br/conteudos/noticia/eleicoes-2026-aNJ-explica-limites-para-atuacao-do-aNDES-sN-e-secoes-sindicais1

Trata-se de um caso clássico do rabo balançando o cachorro: ao invés do jurídico ajudar a viabilizar a campanha, ele é chamado para atrapalhar a campanha, destacando o que não pode ser feito e pondo medo nas pessoas.

Para exemplificar isso, seguem trechos do texto divulgado pela diretoria do Andes: “eventuais sanções e irregularidades jurídicas”, “evitar penalidades”,  “condutas expressamente proibidas”, “terminantemente vedado”, “proibição”,  “não podem”, “restrições fundamentais”, “é vedado”, “consequências graves”, “multas”.

O texto chega ao ponto de dizer o seguinte: “A própria propaganda institucional do sindicato deve manter-se neutra, abstendo-se de publicar materiais que exponham a plataforma de apenas um candidato específico, que façam comparações direcionadas ou que sugiram que determinado concorrente é o mais qualificado”.

Na prática, a diretoria do Andes está aceitando e adotando passivamente uma orientação que limita ilegalmente a liberdade sindical garantida em lei.

Esta mordaça, além de ilegal e errada em qualquer circunstância, é particularmente absurda e surreal na atual situação, em que o fascismo está batendo nas portas.

Como essa postura é desmoralizante, o texto apela para o sofisma, como se pode constatar no seguinte trecho: “o sindicato preserva seu papel ativo na promoção do debate democrático e na conscientização da categoria. Os diretores da entidade, por exemplo, possuem o pleno direito de manifestar suas opiniões de caráter pessoal. No entanto, para evitar problemas jurídicos, a AJN recomenda que essas manifestações pessoais não sejam associadas à marca do sindicato”.

Ou seja: os diretores podem, o Sindicato não. Como, então, falar em “papel ativo”??

Alguém acha mesmo que, agindo deste jeito, vamos ter êxito em derrotar a extrema-direita e o fascismo?

Quero crer que, mais cedo que tarde, “cairá a ficha” da diretoria do Andes, que se dará conta de que sua interpretação do “defeso eleitoral”, além de ilegal, nos deixa indefesos.

Mas enquanto isso não acontece, seguiremos fazendo a campanha do Lula nas universidades, mesmo que isso desagrade a AGU, o MGI e a diretoria do Andes.






Preparar desde já a batalha do segundo turno

Muita gente acreditava que Lula venceria as eleições no primeiro turno.

Alguns acreditavam em vitória no primeiro turno, por falta de memória. 

Afinal, em todas as eleições que ganhamos, foi sempre no segundo turno.

Por qual motivo seria diferente em 2026?

Outros acreditavam em vitória no primeiro turno, por superestimar as realizações e “entregas” do Lula 3.

Hoje, parece ter ficado evidente que estas realizações e entregas - não importa como as avaliemos - não se converteram em apoio majoritário para a reeleição no primeiro turno.

(Digo “parece”, porque no dia 9/9/2026 ouvi um autoproclamado expert falar no ICL que o governo Lula voa em “céu de brigadeiro”. Como se vê, tem gente que esqueceu totalmente do ensinamento da Dona Maria e segue acreditando que estatísticas alimentam o corpo e a alma do povão.)

Há um terceiro grupo que fala em vitória no primeiro turno, por um motivo distinto dos anteriormente citados.

Para este terceiro grupo, ou ganhamos no primeiro turno, ou seremos inevitavelmente derrotados no segundo turno.

As pesquisas mais recentes colocaram os defensores desta opinião diante do famoso dilema “se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”.

Afinal, salvo uma reviravolta totalmente inesperada, não há como evitar o segundo turno na eleição presidencial.

Nossa sorte é que segue sendo possível vencer no segundo turno. Aliás, nunca ganhamos no primeiro turno.

Mas, para isso, é preciso começar a nos preparar desde já.

E a primeira providência é vacinar a militância contra o derrotismo explícito de quem acha que, se formos ao segundo turno, seremos inevitavelmente derrotados.

A segunda providência é lembrar que nossa vitória no segundo turno dependerá, em boa medida, de mobilizarmos eleitores da classe trabalhadora que tenham se abstido, votado branco ou nulo no primeiro turno.

Há outras óbvias providências, mas delas destaco ajustar imediatamente, política e organizativamente, a linha da campanha no primeiro turno.

Espero que essa seja uma das decisões da executiva nacional do PT, na reunião marcada para o dia 10 de setembro de 2026.

Dá tempo. Mas temos que agir já.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

A água está batendo na bunda?

 Quanto tempo demora para perceber que precisamos  dar um "cavalo de pau" na campanha?

 “O ataque de André Mendonça contra a Policia Federal confirma que a guerra é total”

A direção estadual SP da tendência petista Articulação de Esquerda, reunida no dia 7 de setembro de 2026, debateu e aprovou a seguinte resolução sobre a situação política e nossas tarefas.

1.Faltam menos de 30 dias para o primeiro turno das eleições de 2026. Todas as pesquisas indicam duas coisas: a escolha do presidente acontecerá no segundo turno; e é cada vez menor a distância que, num segundo turno, separaria Lula do candidato dos cavernícolas.

2.O estado-maior da campanha cavernícola trabalha com o objetivo de repetir, aqui, algo similar ao que ocorreu nas recentes eleições presidenciais colombianas. A saber: depois de passar boa parte da campanha acreditando em vitória no primeiro turno, a esquerda colombiana não apenas teve que enfrentar um segundo turno, como ainda foi em segundo lugar para este segundo turno. Isso causou um impacto emocional enorme na militância de esquerda, desorganizando por vários dias a campanha. E, ao final, a extrema-direita ganhou as eleições na Colômbia.

3.Para tentar nos ultrapassar no primeiro turno, a extrema-direita aposta no peso da campanha feita por suas máquinas eleitorais, tanto nas ruas quanto nas redes. Aposta, também, no corpo mole de muitos de nossos “aliados”, bem como investe nos nossos erros e insuficiências. E para além disso tudo, aposta numa linha de campanha fortemente ideológica, organizada em torno de uma ideia muito simples: derrotar Lula e o PT.

4.Para tentar nos vencer no segundo turno, para além de tudo que já foi citado, a extrema-direita conta com o apoio das demais candidaturas de direita, assim como confia que ocorrerá uma desmobilização das candidaturas proporcionais, de senado e governo que apoiaram Lula no primeiro turno.

5.Seria um erro fatal de nossa parte subestimar os planos e os meios da candidatura cavernícola. Até porque - por detrás da candidatura cavernícola - estão os Estados Unidos, Israel, a Internacional da extrema-direita, a maior parte do grande empresariado, dos meios de comunicação, da “família militar” e das empresas disfarçadas de igrejas. 

6.Por isso mesmo, seria um erro ainda maior continuar na mesma “batidinha” planejada por quem, erradamente, achava que venceríamos fácil e no primeiro turno, com um discurso concentrado nas “entregas” do nosso governo. Agora já está óbvio que o melhor cenário é vencermos no segundo turno e por pequena vantagem. E mesmo para isso será preciso fazer mudanças imediatas na linha política e no funcionamento da campanha. 

7.A primeira mudança é deixar de lado as ilusões: ou todo mundo se engaja, em escala 7 x 0, daqui até o dia 25 de outubro, ou esta não será propriamente a “eleição de nossas vidas”.

8.É preciso criar as condições para que a Nação Petista possa fazer a campanha de Lula. Isso exige materiais impressos, adesivos e bandeiras em grande quantidade. As campanhas estaduais e proporcionais devem contribuir para isso com seus recursos. E os militantes devem ser chamados a produzir material de campanha com seus próprios recursos, conforme a lei permite, aliás. Precisamos, também, de direções partidárias funcionando e de coordenação real. Nesse espírito, os e as dirigentes partidárias devem dar prioridade total para a campanha presidencial, mesmo que o preço seja deixar de lado suas candidaturas proporcionais. E as campanhas proporcionais precisam falar, o tempo todo, do time de Lula, especialmente onde isso é mais difícil, onde os cavernícolas são mais fortes: Lula não pode ser lembrado apenas onde ele traz votos para os proporcionais!

9.É preciso direcionar o esforço principal de nossa campanha para a disputa do eleitorado feminino, negro, jovem e trabalhadores pobres. A extrema-direita está, nesse momento, disputando esse eleitorado conosco, usando para isso um discurso centrado na disputa ideológica. Precisamos enfrentar fogo com fogo, ideologia de esquerda contra ideologia de direita. E, ao mesmo tempo, não podemos emitir sinais dúbios. O povo precisa ter certeza de que o quarto mandato de Lula fará absolutamente tudo o que for necessário fazer, para que o Brasil seja infinitamente melhor para a grande maioria do povo; e que a conta será paga pelo grande capital financeiro. 

10.É preciso recordar que conseguimos “sair das cordas, meses atrás, quando o governo Lula adotou firmemente a pauta da soberania nacional contra o tarifaço de Trump e uma postura ativa de defesa dos pobres contra os ricos no debate da politica tributária, trazendo a luta de classes para o centro do debate. É preciso agora, ampliar e aprofundar este duplo enfoque como eixos da nossa campanha, materializando a linha nas falas de Lula e nos programas de televisão, em linguagem forte e direta que dialogue com o povão, a exemplo do que fazemos na luta pelo fim da escala 6x1, pela redução da jornada sem redução de salário, pelo fim das “BETS”, pelo socorro imediato aos pobres super-endividados, assim como no combate à “maioria do Congresso inimigo do povo” e suas emendas, no combate pela reforma política e do judiciário, no combate ao feminicídio e pela nacionalização das terras raras adquiridas pelo Pentágono  no estado de Goiás.

11.No segundo turno, devemos disputar prioritariamente o voto do eleitorado popular que não votou conosco no primeiro turno, inclusive o que se absteve de votar, votou branco e nulo. E teremos o desafio adicional de manter ativas as estruturas de campanha das candidaturas proporcionais, não apenas as que tenham sido derrotadas, mas também das vitoriosas. Outro desafio adicional será o de realizar a campanha onde nossas candidaturas majoritárias não foram vitoriosas ou não foram para o segundo turno. 

12.Neste sentido, ganha uma importância enorme - entre outras campanhas estaduais - a campanha de Fernando Haddad a governador. Nas condições eleitorais do estado de São Paulo, em que não há outras candidaturas de direita além de Tarcísio, nossa meta deve ser eleger Haddad já no primeiro turno, assim como eleger as duas senadoras. É uma meta muito difícil, mas as pesquisas atuais e, também, o ocorrido na eleição de 2022 mostram que vencer em SP é uma meta possível e factível. Na verdade, a grande dificuldade a superar é o pessimismo das direções e a linha recuada de campanha.  Da nossa parte, sabemos que o governo Tarcísio é um governo destrutivo e perverso, inimigo do povo, que precisa e pode ser derrotado. Para isso teremos que fazer, em quatro semanas, o que não foi feito em quatro anos: desconstruir Tarcísio.

13.A situação é grave e, provavelmente, ainda vai piorar um pouco antes de melhorar. Mas nada de pânico: se arrumarmos a casa, há tempo suficiente para vencermos a guerra total que a classe dominante e o imperialismo travam contra nós. Tudo depende de as direções de nosso partido perceberem que a água está "batendo na bunda"; e de a militância entender que quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Os nazis estão de volta?

A extrema-direita na Alemanha tem um partido chamado Alternativa para a Alemanha (AfD).

Este partido ganhou as eleições realizadas neste domingo, 6 de setembro, no estado da Saxônia-Anhalt.

A Alemanha tem 83 milhões de habitantes e 61 milhões de eleitores, aproximadamente.

O estado da Saxônia-Anhalt tem mais de 2 milhões de habitantes e cerca de 1,7 milhão de eleitores.

O comparecimento foi alto (80%) e, dos que compareceram, a AfD recebeu 43,7% dos votos, elegendo 39 parlamentares.

Menos do que a maioria absoluta (42) necessária para formar o governo.

Isto posto, por quais motivos a maioria relativa da AfD num pequeno estado alemão virou manchete no mundo inteiro?

Primeiro, porque falar de nazistas, especialmente na Alemanha, desperta todo tipo de lembrança ruim.

Segundo, porque a vitória nesse estado provavelmente indica uma tendência nacional, cuja causa fundamental é a política adotada, nas últimas décadas, pelos Liberais, Democratas Cristãos e também pelos Social Democratas.

Terceiro, porque - ironias da história - estes nazi, ao menos por enquanto, não estão de acordo com a política de guerra contra a Rússia, política apoiada pela maior parte do establishment supostamente democrático da Alemanha.

Ou seja: por motivos diferentes e às vezes contraditórios entre si, a ascensão nazi causa preocupação.

Noutros tempos, isso seria suficiente para a formação de um “cordão sanitário”: nenhum partido daria apoio para a AfD formar governo.

Mas hoje, no mesmo país em que o governo criminaliza os apoiadores da Palestina, a extrema-direita vem sendo naturalizada.



Na Saxônia-Anhalt, para a AfD poder formar governo, será preciso que a extrema-direita receba apoio ativo ou passivo de um ou vários dos seguintes partidos:

-União Democrata Cristã (17,2% e 15 parlamentares);

-Partido Social-Democrata (9,3% e 8 parlamentares);

-Verdes (8,9% e 8 parlamentares);

-Aliança Sahra-Wagenknecht (5% e 5 parlamentares).

Segundo a imprensa, é provável (mas não garantido) que venha do partido da Sahra o apoio necessário.

Mais detalhes sobre Sahra, aqui:


Aliança Sahra-Wagenknect visava, supostamente, disputar os setores da classe trabalhadora alemã atraídos pela extrema-direita.

E, agora, a mesma Sahra pode vir a dar a maioria necessária para a extrema-direita chegar ao governo de um estado alemão.

Não surpreende. A respeito, ler aqui:


O verdadeiramente relevante, entretanto, é que se confirma que as políticas neoliberais e social-liberais contribuem para a ascensão da extrema-direita.

Algo que nós do Brasil sabemos muito bem.

Assim como sabemos que o imperialismo USA contribui ativamente para o ascenso da extrema-direita em todo o mundo.

Noutras palavras: os nazis não voltaram. Já estavam por aqui. E, como no passado, se alimentam da tolerância e incentivo de muita gente.

sábado, 5 de setembro de 2026

Falta de dinheiro se supera com militância

O mundo, o continente e o Brasil estão em disputa.

Esta disputa não vai terminar dia 25 de outubro.

Mas quem ganhar as eleições de 2026 - especialmente a presidencial - terá melhores condições de fazer valer sua posição.

Todo nós petistas sabemos disso. E sabemos, também, que as eleições estão muito difíceis.

Parte da dificuldade é política, outra parte é organizativa, embora na prática esteja tudo junto e misturado.

As candidaturas da direita têm ao seu lado o imperialismo, a maior parte das instituições, dos meios de comunicação e do empresariado. 

As direitas têm ao seu dispor, também, a maior parte dos R$ 4.961.519.777 do fundo eleitoral. 

Deste total o PT recebeu 12,4% ou aproximadamente 615 milhões, para dividir entre as candidaturas petistas à presidência, governos estaduais, senado, Câmara e Assembleias Legislativas.

A divisão destes 615 milhões entre todas as candidaturas petistas foi decidida pela executiva nacional do Partido. E quase todo mundo ficou insatisfeito com o resultado.

Alguns não receberam nada, outros receberam muito pouco, muitos receberam menos do que consideram necessário, a maioria não entende (ou não concorda) com os critérios adotados.

Salvo ajustes pontuais, o que está feito, está feito. Mas em 2027, o Partido vai ter que discutir a fundo a questão e construir outro método para alocar os recursos do Fundo Eleitoral.

O ponto de partida desta discussão é reconhecer que - enquanto vivermos no capitalismo e atuarmos numa democracia eleitoral burguesa - o dinheiro continuará sendo um problema para as candidaturas da classe trabalhadora.

E que sempre teremos menos que o necessário.

O único jeito de superar a falta de dinheiro é com militância. 

E a tristíssima verdade é que a militância voluntária, assim como a decorrente contribuição financeira, diminuiu muito ao longo dos últimos 46 anos.

Este é o primeiro problema que precisamos enfrentar: os recursos públicos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral cresceram ao longo dos anos, mas os recursos financeiros e não financeiros resultantes da militância voluntária caíram muito, tendo como resultado final que, hoje, temos menos dinheiro do que precisaríamos ter.

A solução deste problema é fácil de dizer e difícil de fazer: reativar a militância e a arrecadação voluntária.

Se isso não for feito, continuará valendo a regra não escrita, que vem sendo adotada em muitos estados, a saber: não lançar candidaturas (majoritárias e proporcionais) por razões financeiras, mesmo onde isso é politicamente necessário.

O segundo problema que precisamos enfrentar deriva da legislação eleitoral. Cada eleição que passa, a direita muda a legislação, sempre no sentido de enfraquecer os partidos e, ao mesmo tempo, no sentido de fortalecer as candidaturas individuais. 

Um dos resultados disso é esse fundo eleitoral bilionário, planejado não para fazer a campanha de 30 partidos, mas sim para dar conta das necessidades de 20.506 candidaturas.

O único jeito do fundo eleitoral funcionar adequadamente é se mudar o sistema eleitoral e for instituído o voto em lista partidária.

Mesmo que seja mantido o sistema atual, o terceiro problema que deve ser resolvido é o método de distribuição dos recursos.

O método atual - que, com algumas diferenças, foi adotado nas eleições de 2022 e 2024 - não está funcionando adequadamente. 

A maior parte da militância e mesmo das candidaturas não conhece ou não entende este método e suas regras, inclusive as legais.

Além disso, é perfeitamente possível debater e aprovar critérios com mais antecedência, em espaços mais democráticos do que as reuniões de uma comissão, de uma executiva ou de um diretório.

Finalmente, é preciso enfrentar um quarto problema: o conflito entre os atuais mandatários, que priorizam sua reeleição, e o conjunto do Partido, que pretende ampliar as bancadas.

É às vezes tratado como piada, mas na verdade é muito grave que parte de nossa bancada de deputados tenha constituído um autodenominado “sindicato”, onde muitos se acreditam proprietários do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral, ao mesmo tempo que fingem desconhecer o desequilíbrio causado pelas emendas.

O referido “sindicato” obteve, em 2024, uma grande vitória, quando o Diretório Nacional do PT aprovou uma decisão, por maioria mas ilegal, que permite reeleições indefinidas no mesmo cargo. E se não fosse a legislação eleitoral, o Sindicato teria abocanhado parte ainda maior do fundo eleitoral.

Claro que precisamos garantir a reeleição dos atuais mandatários. Mas isso não pode ser feito às custas da ampliação e da renovação de nossa representação institucional. Os dados demonstram que nossa renovação está abaixo do necessário. E que nossa ampliação - se comparado ao nosso desempenho de 2002 - não está ocorrendo.

As razões disso, como já dissemos antes, são políticas e organizativas. O dinheiro não é solução mágica para nada, como demonstram os resultados frustrantes da fortuna investida na candidatura de Boulos em 2024. Mas o dinheiro tem que deixar de ser o grande problema que virou hoje. 

E, no que diz respeito às eleições de 2026, temos que dar uma “arrumada geral” na casa. Mas a verdade é que, mais uma vez, só a militância salva.