quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Durigan e a mediocridade social-liberal

Até onde eu sei, Durigan não é filiado ao PT.

Mas, como ministro da Fazenda, tem mais influência no governo federal do que a média dos petistas.

Dessa influência decorre uma das muitas ameaças que pairam sobre o quarto mandato Lula.

Ameaça futura e também presente, inclusive sobre o discurso de campanha.

Sem falar que, ao contrário do que muita gente acreditava, a “politica econômica” não é um ativo positivo na campanha presidencial de 2026.

E, afinal, o que pensa Durigan? 

Uma mostra está disponível no link abaixo, que dá acesso a um texto publicado pela revista Piauí.


Evidente que devemos dar três descontos: o texto é da Piauí, o cidadão é ministro e estamos no meio de uma campanha eleitoral.

Mas nada disto justifica a mediocridade de horizontes. 

O mundo está em chamas, o Brasil envolto em profundos conflitos, nosso futuro está em jogo… e mesmo assim tudo gira em torno de “arbitrar” os conflitos entre mercado e sociedade, para determinar o tamanho do “ajuste”.

Já tivemos tecnocratas mais audaciosos.

Mas o que esperar do social-liberalismo, senão mediocridade, temperada com um discurso protocolar contra os juros excessivos?












Os BRICS e a guerra

Leio sempre que posso (e recomendo a leitura) de La Tizza.

Não necessariamente por concordar com tudo o que se posta lá.

Mas pela qualidade dos textos e da polêmica.

É o caso do texto intitulado “Viendo pasar el cadáver de los BRICS”.

Tal texto pode ser lido aqui:


O autor informa que “é cubano e (sobre)vive em Cuba”. 

O texto tem ótimas tiradas, úteis para despertar quem acredita demais na retórica diplomática, inclusive a utilizada pelas declarações dos BRICS.

Mas partes do texto supracitado, especialmente o desfecho, me fazem recordar algumas críticas de Chávez ao Foro de São Paulo e, também, o que disse Delcy - antes da última posse de Maduro - contra os governos “tíbios” que, segundo ela, existiriam na América Latina.

A saber: vastas emoções, mas alguns pensamentos bem imperfeitos.

Por “desfecho”, refiro-me ao seguinte trecho:

“Pensé: después de tanto papel, el cierre traerá cuatro medidas que den contenido a tanto vocabulario. Traté de redactarlas, por adelantado, en la cabeza:

  1. Un corredor humanitario protegido por fuerzas de varios países del bloque en torno a Gaza, y una fuerza de protección del sur del Líbano frente a nuevos bombardeos sionistas.
  2. Un proceso de enjuiciamiento y exigencia de indemnización que examine la responsabilidad de los Estados Unidos ante Irán por los ataques contra poblaciones civiles y otras violaciones del derecho internacional.
  3. La exigencia de la liberación inmediata de Nicolás Maduro y Cilia Flores, capturados por fuerzas estadounidenses el 3 de enero y trasladados a los Estados Unidos.
  4. Una flota de petróleo suficiente, protegida por las armadas de varias naciones, rumbo a Cuba; y un mecanismo financiero alternativo que permita a la Isla acceder a los flujos del comercio mundial en igualdad de condiciones.”

Os itens 2 e 3 propostos acima são politicamente corretos. Mas, embora desejável, sua eventual inclusão não alteraria qualitativamente a declaração emanada da cúpula dos BRiCS. Afinal, é apenas enfática a diferença entre fazer “exigências” e afirmar princípios “em tese”. 

Já os itens 1 e 4 exigiriam mobilização militar direta. Fazer tal mobilização poderia fazer os EUA e Israel recuarem sem combater? Em tese, sim. Mas também poderia ser mais um degrau na escalada da terceira guerra mundial.

Deixemos de lado que os BRICS não são uma aliança militar, nem têm unidade política para ações como as propostas, nem se propõem a assumir tarefas que eles mesmos dizem caber à ONU.

Deixando tudo isso de lado, analisemos o núcleo do problema: nossa estratégia para derrotar o imperialismo estadunidense passa pelo confronto militar direto entre dois blocos de nações? Em caso positivo, Cuba e Gaza jogam um papel similar ao que a Polônia teve para França e Inglaterra, em 1939? Seja como for, qual o plano estratégico de conjunto? Ou a linha é “napoleônica”: a gente engaja e depois vê no que dá?

O debate sobre a dimensão militar da luta contra o imperialismo é legítimo, necessário e urgente. Até porque os EUA estão impondo isso: num certo sentido, a terceira guerra já começou. 

Mas não é a presença explícita dessa dimensão, numa declaração de uma cúpula descoordenada pela Índia, o fator que define a vitalidade ou não dos BRICS enquanto articulação. 

Aliás, os EUA são os primeiros a reconhecer - nas suas definições estratégicas de segurança e defesa - o quão fundamental é a dimensão econômica. A escalada militar dos EUA não é e nunca foi um fim em si mesmo, nem agora, nem na época da chamada Guerra Fria. Também por isso, os EUA não consideram que os BRICS sejam um “cadáver”.

Evidente que, como bem diz o texto publicado em Lá Tizza, devemos recusar a “espera mesiánica del colapso ajeno”: o imperialismo, quando morrer, será de morte matada. Não de morte morrida.

Evidente, também, que os cubanos e palestinos de 2023-2026, assim como os republicanos espanhóis de 1936-1939, têm todo o direito do mundo a vituperar contra a solidariedade protocolar e hipócrita. 

Evidente, por fim, que muita coisa poderia e deveria ser feita, a começar por nós do Brasil, sem implicar necessariamente em conflito militar direto.

Isto tudo posto, não se deve pedir “pêras aos olmos”. Não impugnemos os BRICS por não serem o que nunca serão. Até porque a derrota do imperialismo, inclusive no plano militar, exigirá muito mais do que tijolos.


terça-feira, 15 de setembro de 2026

Três opiniões sobre a suprema sessão

sessão do Supremo Tribunal Federal realizada nesta terça-feira, 15/9, merece uma longa avaliação.

Mas por enquanto me limito a três curtas opiniões.

Primeiro: apesar do heroico esforço de Flávio Dino, a judicialização da política e a partidarização da (in)justiça seguem a pleno vapor, comprovando que o judiciário precisa de uma reforma profunda.

Segundo: a divisão na Corte é brutal, o que a preços de hoje favorece a extrema-direita, entre outros motivos porque aumenta a margem de manobra do presidente do TSE (imaginem o que poderia ter ocorrido em 2022, se o presidente fosse outro).

Terceiro: o espaço ocupado pela “crise no STF”, tendo como pretexto as práticas absolutamente indefensáveis de muitos ministros, dificulta o debate que nos interessa: a pauta do povo, a defesa da soberania e o futuro do Brasil.

Em resumo: o que já estava ruim, pode ficar ainda pior, principalmente se levarmos em conta que o lado de lá tem o apoio - inclusive espionagem e mídia - dos EUA, de Israel e da “Internacional da Extrema Direita”.

Tudo isto junto e misturado aumenta a necessidade da esquerda mudar de tática, corrigir os erros e, principalmente, ocupar as ruas e conversar diretamente com as pessoas, olho no olho.

Se fizermos isso, venceremos - por pouco - no segundo turno. O que nos permitirá enfrentar em melhores condições o que virá em seguida à nossa vitória.



segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Janones, as eleições e certas coisas que não mudam

Nos últimos anos, muita coisa mudou.

Por exemplo: no passado recente, a direita dizia ser de centro.

Hoje, temos uma direita que tem orgulho de ser extrema.

E, ao mesmo tempo, temos uma esquerda que prefere ser vista como "centro" ou "progre".

Mas nem tudo mudou.

Por exemplo: intelectuais que dizem odiar intelectuais.

É o caso do André Janones, como pode ser visto no vídeo abaixo.


Parte do que Janones diz nesse vídeo está correto.

Por exemplo: estamos numa guerra, temos que atacar, recusar o negacionismo, criticar a arrogância do já ganhou e também o derrotismo. 

Janones também estava certo quando previu que, com a campanha que vinha sendo feita - dirigida, é bom lembrar, por uma coordenação escolhida a dedo por Lula - seríamos ultrapassados pelo cavernícola.

Cá entre nós, para chegar a essa conclusão não precisa ser expert em decifrar os "sinais das redes sociais". 

Bastava ler as pesquisas, sentir o mal humor de certas ruas, saber fazer análise política e conhecer um pouca da história recente do Brasil.

Isto posto, Janones erra muito pelo menos duas vezes no tal vídeo cujo link colocamos acima.

O primeiro erro é quando ele orienta a militância assim: "aja como um robô, não pensa, não argumenta, só obedece".

Acontece que uma das muitas diferenças entre os "soldados" do inimigo e os nossos, é que os nossos têm consciência, sabem pensar, argumentam.

Papo reto: esta orientação dada por Janones poderia ter saído da boca de um fascista.

O segundo erro é quando ele diz que "não tem que ir para a rua", pois em 2026 "rua não resolve mais nada".

Janones tenta "provar" essa "tese" comparando candidatos, escândalos e comícios. E deduz daí que só tem um lugar onde estaríamos perdendo: as redes sociais.

Na verdade, antes mesmo da campanha começar, o sentimento popular não era favorável a nós. 

Janones, assim como muita gente do governo e da esquerda, parece achar que esse sentimento negativo se deve essencialmente à má comunicação, à manipulação e à desinformação. 

Óbvio que  tudo isso é um problema. 

Mas nossas dificuldades atuais têm causas reais, mais básicas e mais profundas, entre as quais a perda de conexão entre parte de nós e parte importante da classe trabalhadora; e o desempenho do governo, que muita gente nossa superestimou, esquecendo que 4 anos (2023-2026) de governo sob domínio do Calabouço Fiscal e dos Juros Altos não teriam como superar os efeitos de quase 7 anos de catástrofe Temerista-Cavernícola (2016-2022). 

Achar que é possível superar esses fatos através das redes sociais, é esquecer algo que Janones mesmo diz, a saber: "eles controlam as redes". 

Eles não controlam as redes momentaneamente, eles controlam estruturalmente. 

Ou alguém acha que os algoritmos são neutros? Que o alcance é igual para todos? Que a grana e os robôs não influem em nada? 

Isto posto, ganhar as eleições exige atuar em todas as frentes. Inclusive nas redes. Mas também nas ruas. E como "eles controlam as redes", nas ruas podemos tirar a vantagem.

Se toda a Nação Petista, o campo democrático-popular e o tal centro progressista entrar em modo 247, 7x0, daqui até o final do segundo turno, venceremos.

Embora de jeito indireto e histriônico, Janones reconhece isso, quando diz que "ninguém pode descer do palanque". Traduzindo ao nosso jeito: ninguém pode sair das ruas. Não apenas até o dia 4 de outubro, como diz Janones, mas até o dia 25 de outubro.

Infelizmente, a coordenação da campanha não se preparou para isso, como se pode ver pela ausência de material. 

Ausência de material que não se deve a falta de dinheiro, mas sim à alocação errada do orçamento disponível. 

Deve ter contribuído para esta alocação errada a crença - janonica? - de que a rua não seria importante. 

Crença que não foi do PT genericamente falando, mas sim daqueles que foram escolhidos para coordenar a campanha.

Um último comentário: não será seguindo as orientações de Janones, nem de ninguém, que vamos conseguir, nas eleições de 2026, exterminar "de uma vez por todas a extrema direita e o bolsonarismo". 

A crença de que isso teria ocorrido em 2022 contribuiu, e muito, para os problemas que estamos vivendo hoje. 

Venceremos em 2026, mas a batalha contra a extrema-direita vai prosseguir por muito tempo. 

A batalha deve, inclusive, se tornar mais dura, por razões que têm relação com a crise do capitalismo no mundo e com as respostas que a classe dominante brasileira dá para esta crise.

Como já foi dito, tem coisas que não mudaram. Uma delas é a tendência do capitalismo em crise responder com fascismo.


sábado, 12 de setembro de 2026

Lula, o time e a torcida

Um dos melhores motes da nossa campanha é o “time de Lula”.

Mas como tudo - menos certos discos - tem um “lado B”, há um risco nessa imagem.

Afinal, quem joga é o time. 

A torcida estimula, aplaude, comemora ou chora. Ajuda o time, mas não participa diretamente do jogo. Muitas vezes se limita a ficar enfurnada nas redes antissociais.

Pois bem: estamos num momento em que a “torcida” precisa entrar em campo e participar diretamente do jogo.

A essa altura do campeonato, isso é o vai garantir a vitória: colocar a classe trabalhadora em movimento, dezenas de milhões de pessoas fazendo corpo-a-corpo, participando diretamente do “jogo”.

Noutros termos: fazer com que o “time de Lula” seja,  não apenas quem será votado, mas todas as pessoas que votarão no 13 para presidente.





sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Esta (falta de) resolução é um perigo

Não sou contra textão.

Mas tudo tem limite.

A executiva nacional do PT, reunida dia 10 de setembro de 2026, aprovou - por maioria - uma resolução com 37 itens, que na versão do Poder360 estão distribuídos por 7 páginas.

Quem tiver tempo e paciência, está aqui:

https://pt.org.br/link/1s8om

Também copiei e colei a referida resolução ao final.

Grande parte da resolução - diria que 95% - é copy e cola de textos anteriores, escritos quando boa parte da executiva acreditava - ou deixava que acreditassem - inclusive em vitória no primeiro turno.

Pequena parte da resolução - diria que menos de 5% - dialoga com a situação atual, em que algumas pesquisas apontam o cavernícola filho como suposto vitorioso no segundo turno.

Desta parte eu extraio (e em seguida comento) as seguintes afirmações:

1/confiar no Fachin

-orientação errada, versão atual da confiança que alguns depositavam no Xandão;

2/o PT tem uma proposta de reforma do judiciário

-seria ótimo se fosse verdade. Acontece que no Congresso do PT se incluiu a frase num Manifesto, mas o conteúdo propriamente dito foi remetido para a segunda etapa do Congresso, que será em 2027. E o citado “seminário” que debateu o tema não é instância deliberativa. A verdade é outra: o dirigente responsável por bloquear o debate no congresso do Partido, agora tenta recontar a história, talvez para apagar suas digitais;

3/é preciso organizar uma ofensiva democrática

-trata-se da repetição, com outras palavras, da “frente ampla contra a extrema-direita”. Os fatos estão demonstrando que esta política não dá conta da tarefa de derrotar a extrema-direita em 2026;

4/reconhecimento de que as realizações do nosso governo estão “muito aquém do desejado”

-verdade, embora escrita numa linguagem (ver especialmente o ponto 24) de quem não percebe o ato falho cometido por quem afirma que a “economia” vai bem e o povo não tão bem assim;

5/a promessa de que, em nosso próximo mandato, vamos “fazer mais”

 -correta orientação. Mas a maneira como isso é abordado na resolução converte a imprescindível batalha pelo futuro em promessa de campanha, o que já se demonstrou insuficiente para atrair quem ainda não vota em nós;

6/mobilizacão no dia 13/9

- totalmente correto. Infelizmente, este ponto está meio que perdido no penúltimo ponto da resolução. E, espero estar enganado, ainda não se tomaram as medidas necessárias.

Agrego o seguinte: a essa altura do campeonato, ganharemos a eleição se a “Nação Petista” ocupar as ruas.

Gente. Muita gente. Todo dia, toda hora. 247. 7x0. 

O resto importa (TV, linha, o que fazer com STF etc). Mas o que importa mesmo é massa na rua.

Sendo assim, esta resolução da CEN é como os discursos de um certo presidente partidário: longos, repetitivos e inúteis.

Não se trata propriamente de uma resolução, mas de uma digressão.

Sem falar no custo humano e financeiro de uma reunião como essa, com um resultado tão pífio.

Certo fez quem votou contra esta “falta de resolução”.

Ainda bem que a base do Partido é melhor do que nossa direção.

É a resolução desta base que nos dará a vitória, no primeiro e no segundo turnos.


RESOLUÇÃO COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL 10 DE SETEMBRO DE

2026

1. O Brasil se aproxima das eleições de 2026 em um dos contextos políticos e

institucionais mais desafiadores dos últimos anos. O que estará em disputa

nas urnas não será apenas a escolha de um presidente da República, mas o

rumo que o país seguirá nas próximas décadas e a capacidade de

consolidarmos a democracia, defendermos nossa soberania e avançarmos

nas mudanças que a vida do povo brasileiro exige e faremos as reformas que

a democracia exige.

2. Como apontamos nas últimas resoluções desta Comissão Executiva

Nacional, essa disputa acontece em um cenário internacional de avanço e

reorganização da extrema direita. Em diferentes países, forças autoritárias

atacam instituições democráticas, direitos sociais e a soberania. Nesse

quadro, a vitória do presidente Lula no Brasil não representa apenas a vitória

de um projeto popular em território nacional. É uma vitória de sentido

humanitário para as forças democráticas em todo o mundo. O Brasil ocupa

hoje um lugar central nessa disputa.

3. Nas eleições do nosso país, o povo brasileiro decidirá entre dois projetos

opostos: um que defende a democracia e outro representado por aqueles que

atacaram permanentemente as instituições democráticas e orquestraram

uma tentativa de golpe, com o planejamento do assassinato do presidente e

do vice-presidente da República e do presidente do Tribunal Superior

Eleitoral à época; um que defende a distribuição de renda e outro que

defende privilégios; um que defende uma Polícia Federal independente para

investigar e combater a corrupção e outro que interferiu na autonomia da

instituição para proteger a própria família; um que defende a saúde pública e

universal e outro que fez do negacionismo política de governo; um que

defende a vida das mulheres e outro que se cala diante da violência contra

elas.

4. Trata-se, ainda, de um contexto institucional marcado pela crise de

instituições no Brasil. É inegável a crise que vivenciamos, quando a Suprema

Corte brasileira trava uma "guerra" aos olhos estarrecidos da sociedade.

Acreditamos no funcionamento do STF pautado pela transparência, equilíbrio

e pelo respeito à Constituição. Diante da disputa clara na Corte, confiamos na

autoridade de seu presidente, ministro Fachin, para que as apurações sejam

aceleradas e conduzidas, de modo que o povo brasileiro conheça a verdade.

O Brasil precisa que todas as investigações ocorram com transparência e

integralmente, sem privilégios para quem quer que seja.

5. Sabemos que não haverá democracia com o Judiciário desmoralizado.

Defender as instituições significa também exigir delas transparência,responsabilidade e respeito às regras que valem para todos. Tudo o que for

alvo de investigação deve ser apurado e a sociedade precisa conhecer os

resultados.

6. Por isso, acreditamos que é importante para que toda a sociedade conheça

a verdade, que seja retirado todo o sigilo das investigações do maior

escândalo financeiro da história, o caso Banco Master.

7. Defendemos que só com a transparência é possível que o Brasil cobre as

apurações necessárias, passe essa página a limpo, e impeça que esse

cenário de vazamentos seletivos possa contaminar injustamente o cenário

eleitoral, interferindo diretamente na disputa.

8. Ao defender toda a apuração e transparência, reforçamos que o PT já

aprovou, em seu manifesto do 8º Congresso, uma “Reforma do do Sistema

de Justiça”, por entender que ninguém está acima da lei e que a lei deve

servir aos interesses do povo brasileiro. Realizamos em julho um seminário

de debates internos sobre o tema, com o objetivo de aprofundar as

formulações do partido nessa área e contribuir programaticamente com um

sistema de justiça mais célere, moral, transparente e efetivo.

9. Hoje reafirmamos nossa posição de que o sistema de justiça deve garantir os

direitos fundamentais do povo brasileiro, e não ser um balcão de negócios de

interesses privados. Defendemos a criação das cadeiras da sociedade civil

no CNJ e CNMP, a fim de ampliar o controle social da justiça; o fim dos

supersalários, dos penduricalhos e dos privilégios, a criação de códigos de

ética, estabelecer tipos penais mais duros de corrupção, peculato e tráfico de

influência cometidos por atores do sistema de justiça; iniciar o debate sobre

mandatos nas cortes superiores; quarentenas mais duras e que imponham a

conduta ética; a criação de sólidos critérios raciais e de gênero para

nomeação em tribunais, o fortalecimento da justiça trabalhista e a

universalização da defensoria pública no país, buscando acesso à justiça e

segurança dos direitos.

10. É preciso relembrar que o Presidente Lula foi o único que realizou uma

profunda reforma democrática do judiciário, quando, em 2004, criou o

Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Conselho Nacional do Ministério

Público (CNMP), e estabeleceu novos mecanismos de controle,

transparência e eficiência. Passados 22 anos o Brasil precisa novamente

enfrentar esse debate, seguindo este exemplo. Lula tem experiência política,

compromisso democrático e capacidade de diálogo para conduzi-lo sem

atacar as instituições e sem se omitir diante da necessidade de aperfeiçoá-

las. Por isso, é fundamental a recriação da Secretaria de Reforma do Sistema

de Justiça a fim de organizar e propor um Pacto entre Poderes, com

participação da sociedade civil, para a formulação de um programa de

reforma do sistema de justiça brasileiro.

11. Sabemos quem é o Presidente Lula. O povo brasileiro conhece seus

compromissos com a democracia, a soberania, com as famílias e com a

estabilidade de nossas instituições. Lula já demonstrou em três mandatosque é possível, com o diálogo, promover mudanças profundas para o bem-

estar da sociedade e enfrentar crises com firmeza e coragem.

12. Também sabemos que o Brasil não pode aceitar novamente. Não queremos

um Brasil controlado pela milícia. Não queremos a fome de volta ao Brasil.

Não queremos golpes nem planos de assassinato de autoridades. Não

queremos novos casos como o do Banco Master, nem corrupção de

autoridades. E não aceitaremos que aqueles que representam esse passado,

tentem agora se apresentar como resposta para os problemas do país.

13. Precisamos organizar uma ofensiva democrática para não permitir que as

forças do autoritarismo, as forças antidemocráticas, se apropriem do legítimo

sentimento de mudança do povo diante da percepção de falência do sistema.

Devemos ouvir essa insatisfação e responder a ela. O que não podemos

permitir é que ela seja capturada justamente por aqueles que atacaram a

democracia, destruíram políticas públicas e governaram contra os interesses

nacionais, por aqueles que vão destruir as vitórias dos trabalhadores.

14. Vamos ampliar o diálogo com as comunidades de fé, reconhecendo seu

papel na sociedade. Evangélicos, católicos, religiões de matriz africana e

outras tradições religiosas não podem ficar à disputa exclusiva da extrema

direita. Devemos dialogar respeitando a liberdade religiosa, sem transformar

igrejas e espaços de culto em palanques, apresentando um projeto

comprometido com vida, justiça social, solidariedade, paz, democracia e

dignidade humana.

15. Não podemos permitir que fatos graves sejam apagados.É fundamental que

o PT aponte que quem se beneficiou da corrupção do Banco Master,

enviando dezenas de milhões de reais para fora do Brasil, foi a família

Bolsonaro, no suposto financiamento do filme "Dark Horse".É preciso explicar

para onde foi esse dinheiro e com o que ele foi gasto. É preciso que as

autoridades apresentem os resultados das investigações.

16. É preciso mostrar as denúncias da compra imóveis com dinheiro sem origem

explicada, ou com benefícios bancários jamais esclarecidos, como no caso

da compra de uma mansão em Brasília.

17. Precisamos lembrar da tentativa de golpe contra a democracia em 8 de

janeiro e do planejamento de assassinato de autoridades, bem como das

relações que a família Bolsonaro construiu, e ainda mantém, com as milícias

do Rio de Janeiro e com a criminalidade. É fundamental, também, que

denunciemos que Flávio Bolsonaro homenageou milicianos durante o

exercício de um mandato público.

18. São os mesmos que viraram as costas para o povo brasileiro durante a

pandemia e foram responsáveis pela morte de centenas de milhares de

brasileiros, incentivando remédios com ineficácia comprovada pela ciência,

enquanto atrasavam a compra da vacina e faziam negociatas com os

imunizantes disponíveis no mercado;

19. São os mesmos que desorganizaram o sistema de concessão de benefícios

sociais, que entregaram o salário mínimo em 2022 sem nenhuma valorizaçãoreal, que fizeram disparar a inflação de alimentos e devolveram o Brasil ao

Mapa da Fome, empurrando brasileiros para a chocante fila do osso.

20. A mesma família ofereceu nossas riquezas a Trump e carrega mais a

bandeira dos EUA do que a nossa própria bandeira. Flávio Bolsonaro torceu

e negociou o tarifaço feito por Trump que prejudica empresas e empregos.

Quem é subserviente, entreguista e pensa nos próprios benefícios, ao invés

de pensar no próprio povo, jamais protegerá o Brasil.

21. O povo brasileiro reconhece que o presidente Lula é o único capaz de

negociar com o governo Trump de igual para igual, com diplomacia, e a

cabeça erguida, sem negociar nossa independência ou nossos minerais

críticos, que são o futuro do nosso desenvolvimento, o futuro dos empregos

de qualidade.

22. O governo do presidente Lula fez muito pelo Brasil ao recuperar o país do

buraco herdado do governo Bolsonaro. Nestes três anos e meio de

reconstrução, recuperamos taxas de crescimento econômico em torno de

3%, conquistamos o menor desemprego da série histórica e, com a retomada

da valorização do salário mínimo, voltamos a elevar o rendimento real das

famílias. Com isso, saímos do Mapa da Fome, o poder de compra aumentou

e a inflação está controlada.

23. Não utilizamos essas conquistas para negar os problemas que ainda existem.

Entendemos que ainda estamos muito aquém do desejado e que o custo de

vida continua sendo um desafio para as famílias brasileiras. O endividamento

ainda é alto, apesar dos esforços do governo para reduzi-lo, e as elevadas

taxas de juros aumentam o custo das dívidas. Assim como as bets têm

agravado o endividamento das famílias e precisamos combater este quadro.

Reconhecemos o que precisamos avançar e vamos trabalhar para mudar o

que é preciso.

24. Precisamos avançar mais em um próximo governo, para que a melhora

econômica seja mais bem percebida e aproveitada pela sociedade,

combatendo a alta de preços e ampliando o poder de compra das famílias,

com mais desoneração dos salários e tributação dos super ricos que não

pagam tributos. A recuperação econômica precisa ser sentida no cotidiano

das famílias, com enfrentamento do custo de vida, especialmente dos preços

dos alimentos, da moradia, da energia, do transporte e dos serviços

essenciais. Reduzir de forma sustentável as taxas de juros e o custo do

crédito, diminuir o endividamento, aumentar a renda e ampliar o poder de

compra devem ser prioridades do novo governo Lula.

25. Enquanto no governo da família Bolsonaro, o salário mínimo perdeu poder de

compra real e as pessoas se enfileiram na fila do osso em busca do mínimo

para se alimentar, com 33 milhões de brasileiros passando fome, no governo

Lula voltamos a valorizar o salário mínimo e a sair do Mapa da Fome.

Tivemos o maior rendimento mensal da série histórica de 2012. Só quem já

fez tudo isso, pode no próximo governo avançar ainda mais.

26. Na educação, recuperamos os investimentos negligenciados no governo

anterior e demos um novo impulso à alfabetização na idade certa, que já

chega a 66% das crianças brasileiras — acima da meta traçada e a caminho

dos 80% que queremos alcançar. Ampliamos as vagas em creche,

avançamos na expansão da educação em tempo integral, agora com

financiamento garantido pelo Fundeb, e criamos o Pé-de-Meia, que já

garante a permanência de mais de 7 milhões de jovens no Ensino Médio,

reduzindo 43% da evasão escolar, ou seja, evitando que jovens abandonem

os estudos por precisar trabalhar. Também ampliamos os Institutos Federais,

que saltaram de 140 unidades para mais de 600 em todo o país. No próximo

governo, iremos avançar ainda mais, vamos universalizar o tempo integral na

rede pública, seguir fortalecendo o Pé-de-Meia e chegar a 800 Institutos

Federais, priorizando o interior e as periferias das grandes cidades.

27. Na saúde, reconstruímos o SUS depois do sucateamento promovido por

Bolsonaro: fizemos a recomposição do Programa Nacional de Imunizações e

a vacinação voltou a ser prioridade, com o retorno do Zé Gotinha, voltando a

eliminar doenças como o sarampo. Retomamos e ampliamos o Farmácia

Popular, dobramos o número de médicos do programa Mais Médicos para

levar assistência a regiões isoladas e distantes de grandes centros.

Renovamos a frota do SAMU, investimos bilhões de reais através do Novo

PAC Saúde e lançamos o programa Agora Tem Especialistas, que já reduziu

filas históricas de consultas, exames e cirurgias em centenas de municípios

do país. Fizemos ainda o Brasil Sorridente, trazendo dignidade, com

assistência odontológica, a milhões de brasileiros.

28. No próximo governo, iremos avançar ainda mais: vamos unificar o histórico

de saúde do paciente, ampliar o Farmácia Popular com exames e telessaúde,

e implantar uma fila única digital organizada por risco clínico, para que quem

mais precisa seja atendido primeiro.

29. Na segurança, devolvemos à Polícia Federal a autonomia para investigar e

combater o crime organizado e a corrupção sem interferência política, o

oposto do que fez Bolsonaro, quando trocou o comando da corporação para

proteger o próprio filho, Flávio Bolsonaro. Sancionamos a Lei Antifacção, que

ampliou os instrumentos do Estado contra milícias, facções e organizações

criminosas, atacando suas estruturas financeiras. Lançamos o Brasil Contra o

Crime Organizado e revogamos os decretos do governo passado que

facilitavam o acesso às armas (e consequentemente ao tráfico de armas).

Enviamos ao Congresso a PEC da Segurança Pública, dialogando por novo

pacto entre municípios, estados e governo federal para combater o crime

com inteligência e união. E estamos cada vez mais ampliando as ações do

Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios para criar um país cada vez

mais seguro para nossas meninas, jovens e mulheres.

30. Reconhecemos que o Brasil ainda sente a insegurança no dia a dia. Por isso,

no próximo governo, iremos avançar ainda mais: vamos criar o Ministério da

Segurança Pública, fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública eampliar a atuação integrada entre União, estados e municípios, para

enfrentar o crime organizado sem abrir mão dos direitos e da vida da

população. Vamos ampliar o combate ao feminicídio e aumentar também o

patrulhamento de nossas fronteiras com tecnologia avançada. Temos que

devolver os territórios para as comunidades e as famílias. Segurança pública

é direito de todas e todos. O Estado deve recuperar territórios dominados

pelo crime organizado, proteger crianças, jovens, mulheres e trabalhadores e

combater o crime com inteligência, investigação, prevenção e integração das

forças de segurança, sem transformar periferias em territórios de exceção.

Segurança e direitos são responsabilidades inseparáveis do Estado

democrático.

31. Queremos o SUS forte e funcionando. Queremos que o Brasil pertença ao

povo brasileiro. Queremos a reforma política, o sistema brasileiro apodreceu,

e a reforma do Judiciário. Queremos um futuro de esperança e dignidade

para todo o povo brasileiro, com empregos de qualidade. Queremos o Fim da

Escala 6x1: precisamos redução da jornada de trabalho sem redução de

salários. Queremos melhorar a renda das famílias. Queremos taxas de juros

mais baixas, garantir o aumento real do salário mínimo e direitos

previdenciários. Queremos garantir soberania sobre nossas riquezas, como

petróleo, terras raras e minerais críticos. O presidente Lula desonerou

salários tributando super-ricos. Mas queremos mais. Quem já fez, conhece o

caminho, e pode fazer muito mais.

32. O Brasil precisa enfrentar a precarização do trabalho, garantindo direitos e

proteção social aos trabalhadores informais, de aplicativos e de plataformas

digitais. Redução da jornada, fim da escala 6x1, valorização dos salários e

oportunidades para a juventude devem integrar um projeto de

desenvolvimento com empregos de qualidade. Precisamos enfrentar a nova

escala de desinformação política nas redes sociais, aplicativos de

mensagens e conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial.

A campanha deve combinar comunicação direta, presença territorial,

formação de militantes e resposta rápida às mentiras, com verdade, diálogo e

responsabilidade democrática.

33. O enfrentamento da emergência climática deve ser prioridade do próximo

governo. Enchentes, secas, ondas de calor, insegurança hídrica e impactos

na produção de alimentos atingem diretamente a população, sobretudo os

mais pobres. A transição para uma economia de baixo carbono deve

combinar proteção ambiental, soberania nacional, desenvolvimento

tecnológico e empregos de qualidade.

34. Não se trata apenas de uma eleição: trata-se do futuro do Brasil e das

famílias brasileiras. Há quem reconheça avanços, mas ainda não os percebe

suficientemente em sua própria vida. Há quem esteja distante da política e há

quem esteja sendo permanentemente alcançado pela mentira e a

desinformação da extrema direita. É com essas pessoas que precisamos

conversar. Será com a verdade sobre os projetos em disputa e sobre o queestá em jogo que venceremos essas eleições. Com orgulho do que já

fizemos, com humildade para reconhecer que precisamos avançar muito

mais, e com esperança em um futuro melhor, vamos ampliar a mobilização

nas ruas e nas redes em todo o país para dialogar com o povo brasileiro e

levar Lula à sua quarta vitória como presidente da República.

35. Lula deve liderar o país para um pacto político de um projeto de nação. Um

projeto de nação desenvolvida e soberana. Que consolide os avanços até

aqui, mas apresentando muito mais para o futuro. Quem já fez tanto pelo

Brasil, pode e fará muito mais.

36. Convocamos toda a militância do PT, em conjunto com os partidos aliados,

movimentos sociais e sindicatos, a se mobilizarem no dia 13 de setembro, em

um dia de mobilização nacional nos 27 estados do país, organizando

atividades de rua e de redes, panfletagem, caminhadas, carreatas e ações

pulverizadas para marcar presença em todo canto, com muito diálogo e

mobilização. Determinamos um plano de ação nas redes e nas ruas para

intensificar a campanha nas próximas semanas.

37. Acreditamos na força da nossa militância, forjada na luta por um Brasil mais

justo e digno, para percorrer o país e como disse o Presidente Lula “em

estado permanente de campanha” mostrar ao povo brasileiro o tanto que foi

recuperado de direitos e dignidade desde 2023, o quanto avançamos e o

quanto o único com um projeto capaz de fazer mais por esse país é quem

tem experiência, lealdade ao Brasil e ao povo brasileiro e coragem, o

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Janja, Deus e a campanha eleitoral

Às vezes, como Eduardo, é melhor não comentar.

Mas outras vezes precisamos falar, nem que seja para salvar a própria alma.

Por isso vou comentar, aqui, um trecho do discurso feito pela companheira Janja no Piauí.

O discurso integral de Janja está aqui:

https://www.instagram.com/reel/DdFoQvJOREh/?stkn=MW9kdXZ5aDJsOWczcQ==

Como se pode constatar, o discurso trata de temas fundamentais, adotando posições corretas.

Entretanto, quase no final, Janja diz - apontando para Lula - a seguinte frase: "esse é o verdadeiro ungido de Deus".

Como é óbvio, mas o óbvio precisa ser dito, Janja tem todo o direito de dizer e de pensar o que quiser.

E como Janja escreveu o discurso, tenho certeza de que ela refletiu sobre a referida frase, inclusive sobre o sentido da "verdade" num contexto teológico e, também, sobre a conveniência de citar o nome de Deus numa disputa eleitoral.

Dito o óbvio, quero deixar uma opinião a respeito.

Opinião vinda, é bom confessar, de alguém que integra uma das minorias de nossa sociedade: os ateus.

A extrema-direita tenta transformar a disputa política-ideológica em uma guerra religiosa.

Faz isso no Brasil, faz isso no mundo inteiro, a começar pelos Estados Unidos, onde volta e meia Trump e os seus atribuem aos inimigos propósitos "satânicos".

Na minha opinião, a esquerda não deveria embarcar nessa canoa, nem em nenhuma outra parecida.

Estamos sim diante de uma batalha existencial.

Mas não é apelando para Deus que venceremos esta batalha.

Não apenas porque é errado (afinal, um Estado republicano e laico não é dirigido pelo "verdadeiro ungido por Deus", mas sim por quem o povo escolha).

Mas principalmente porque, como a experiência demonstra, este tipo de argumento não produz os efeitos pretendidos.

Além de passar uma impressão totalmente desnecessária. 

Estava na cara deste o início que esta eleição seria duríssima, que seria resolvida no segundo turno e que ganharemos por pouco.

Logo, não há motivo para desespero.

Venceremos! 

Venceremos, claro, se entendermos que se trata de uma guerra, onde podem e devem ser usadas todas as armas, desde que funcionem! 

Dixi et salvavi animam meam.