Valter Pomar
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
O "exército" de Janones
Panelar ou não panelar, eis a questão!
Para O Globo, lutar contra a escravidão seria "oportunismo"
No dia 14 de outubro, o jornal O Globo publicou um editorial questionando a votação da PEC que acabava com a chamada escala 6x1.
O referido editorial é uma aula didática acerca de como pensa parte importante da classe dominante brasileira.
Ao final, copio e colo a íntegra do referido editorial.
A seguir, comento frase a frase.
O título e o subtítulo do editorial é: "Votar PEC da Escala 6x1 é oportunismo. Se aprovada, mudança levada ao Senado a 11 dias do 2º turno terá efeitos perniciosos para economia".
Não é a primeira vez que O Globo se contrapõe a medidas legislativas favoráveis à classe trabalhadora.
Em 1962, por exemplo, uma manchete do jornal O Globo dizia o seguinte: “Considerado desastroso para o país um 13º mês de salário”.
A sorte do Globo é que ele ainda não existia em 1888, quando ocorreu a abolição oficial da escravidão.
A Vênus Platinada considera "oportunismo" a "contaminação do tema por interesses eleitorais".
Noutras palavras, não acha de bom tom pressionar o Congresso em favor dos interesses populares, porque isso supostamente impediria "um debate equilibrado sobre o impacto nefasto da proposta na economia".
Na verdade, não há e nunca houve "debate equilibrado" acerca da escala 6x1, acerca da jornada de trabalho e acerca dos demais temas de interesse do povo.
Afinal, para o debate ser "equilibrado", a classe trabalhadora precisaria pelo menos ter uma Rede Povo, para se contrapor a Rede Globo. E não temos.
Logo, é notável que - apesar da falta de equilíbrio - a maioria de direita do Congresso Nacional tenha sido obrigada a votar pelo fim da escala 6x1.
E se houve oportunismo na votação, não foi do governo Lula.
O governo Lula mostrou ter "senso de oportunidade".
"Oportunista" foi o Miliciano-Ultraliberal-Traidor da Pátria, que declarou publicamente ser um defensor da escala 6x1, mas apesar disso votou pelo fim da escala, com o único propósito de tentar salvar sua candidatura presidencial.
O editorial de O Globo considera que o fim da escala 6x1 e a redução da jornada terão "impacto nefasto" na economia. E reclama que, "na propaganda idílica do governo, os benefícios têm sido superestimados".
Será mesmo?
Segundo o editorial, "não passa de fantasia imaginar que, com a mudança, o brasileiro terá mais tempo para descanso e lazer e que, num passe de mágica, a produtividade aumentará".
O autor do editorial, malandramente, junta numa mesma oração duas questões diferentes, ainda que vinculadas.
Que fantasia haveria em dizer que, se a escala passar de 6x1 a 5x2, os trabalhadores que tinham 1, passarão a ter 2 dias de descanso?
Só haveria "fantasia", se o empresariado iniciar um processo de informalização e demissão em massa.
Nas palavras do editorial: "O cenário mais provável seriam o aumento da informalidade e ondas de demissões para adequar a mão de obra às novas escalas". Ou, nas palavras de laureados "cientistas" citados pelo editorial, as "prováveis consequências" seriam a "queda do PIB, redução de renda per capita, fechamento de empresas e cortes de empregos formais", além da redução da "produção de riquezas em 2,9%".
É para tentar justificar esta intenção "nefasta" de setores do empresariado, que o editorialista do Globo mete na discussão o tema do "aumento da produtividade": trata-se de criar uma "narrativa" que sirva para "justificar" o que parte do empresariado pretende fazer.
Os empresários, coitados, terão que demitir. E, por isso, o descanso e o lazer não passarão de fantasia.
Tirante a ameaça, o que a experiência histórica demonstra?
Primeiro, que a redução da jornada de trabalho e o aumento dos salários são variáveis que contribuem para o aumento da produtividade, por diversos motivos, entre os quais um totalmente venal: frente à dificuldades para ampliar a jornada e reduzir os salários, o aumento da produtividade torna-se uma alternativa decisiva para o empresariado manter e aumentar sua taxa de lucro.
Segundo, entre as muitas variáveis que prejudicam o aumento da produtividade no Brasil - entre os quais a absurda taxa de juros, a redução dos investimentos públicos, as decorrentes debilidades na infraestrutura e nos investimentos em C&T e assim por diante - destaca-se a compulsão escravocrata da classe dominante; afinal, quanto menos se gasta em salários, menor o interesse em substituir trabalho vivo por máquinas e ciência aplicada.
O editorial do Globo diz que "numa economia saudável, o normal é primeiro aumentar a produtividade por meio de inovações tecnológicas ou avanços regulatórios, para depois distribuir tal ganho com a redução de jornada".
Isto talvez seja o "normal" numa economia planificada. de tipo socialista, onde os avanços podem ser regulados.
Numa economia capitalista, especialmente do tipo existente no Brasil, todo progresso social é obtido através de luta. Pois, se depender dos capitalistas, os ganhos com a redução da jornada (e ampliação dos salários, vale lembrar) nunca virão ou virão sempre de forma muito defasada.
Aliás, é exatamente isto o que ocorreu no Brasil, desde que a Constituição de 1988 reduziu a jornada de trabalho de 48 para 44 horas: a produtividade cresceu e a lucratividade cresceu muito mais, mas os ganhos da classe trabalhadora não vieram no mesmo ritmo, não vieram de forma homogênea e, no último período, o que tivermos foram retrocessos.
Vale ressaltar que o editorial do Globo é de um cinismo atroz.
Vejam o que segue: "No Brasil, refém de atraso atávico e de um ambiente hostil aos negócios, o crescimento da produtividade tem sido pífio há décadas".
Há décadas, aliás há mais de século, o Brasil tem uma classe dominante que se torna cada vez mais rica.
Como isso seria possível, se houvesse um "ambiente hostil aos negócios"?
A verdade é outra: o tipo de capitalismo que existe no Brasil deposita grande parte de sua lucratividade na superexploração da força de trabalho, mediante longas jornadas e baixos salários.
Se a produtividade cresce devagar, é em grande medida devido a esta opção preferencial pela superexploração.
Neste sentido, ao contrário do que diz o editorial, reduzir a jornada e mudar a escala contribui mais para "estimular o espírito animal da produtividade", do que a postura escravocrata ainda predominante.
A aprovação da PEC vai elevar o custo das empresas? No curtíssimo prazo, sim. Por isso, aliás, é fundamental reduzir a taxa de juros e ampliar o investimento público em políticas de crescimento e desenvolvimento. Se fizermos isso, a conta fecha sem grandes dificuldades.
Portanto, é "pura fantasia" a ideia de que a "mudança na legislação" - tomada isoladamente - vai resolver os problemas sistêmicos da economia. Mas a mudança é um passo decisivo para que a solução destes problemas seja feita em favor da maioria do povo.
Por analogia: acabar com a escravidão não acabou com a economia agroexportadora. Mas manter a escravidão bloqueava a industrialização.
Aliás, por falar do tema escravização, o editorial do Globo termina reclamando que "a propaganda da PEC tem disseminado um preconceito injustificável contra os empresários. Ao longo da tramitação da proposta, a jornada 6x1 chegou a ser comparada à escravidão, enquanto empreendedores foram chamados de exploradores insensíveis. É uma injustiça, para dizer o mínimo, com quem gera emprego e faz a economia girar".
É difícil levar a sério essa demagogia, vinda de gente que exibe todo santo dia comportamento de senhor de engenho.
Para ser sintético: quem faz a "economia girar" é a classe trabalhadora.
E se algum empresário tem dúvida sincera acerca das condições de trabalho análogas a escravidão, recomenda-se que trabalhem um par de meses na escala 6x1, recebendo os salários oferecidos atualmente por quem "gera emprego". Depois conversamos.
O editorial termina explicando por onde passa a reação dos caras: a defesa da proposta do senador Rogério Marinho (PL-RN) sobre trabalho flexível.
Como é público, o Cavernícola candidato a presidente avisou o empresariado que - por oportunismo eleitoral - votaria a favor. Mas avisou também que, se fosse eleito, trabalharia para anular os efeitos da decisão do Congresso, exatamente através da proposta do senador do Partido Liberal, cujo sobrenome é o mesmo da família proprietária da Globo.
A proposta do tal senador foi resumida por O Globo como segue: "Ela permite ao empregado ajustar sua jornada de acordo com a necessidade, optando entre a CLT ou um regime baseado em horas trabalhadas que garanta direitos como férias e décimo terceiro. O texto prevê compensação de horários e redução da jornada mediante acordo. O combinado em contrato individual prevaleceria sobre a negociação coletiva".
É o sonho dos caras: voltar às regras que prevaleciam nos primórdios do capitalismo europeu, quando o trabalhador negociava individualmente com o patrão, uma negociação totalmente desigual.
Qual seria o efeito desta legislação uberizante proposta pelo chefe da campanha do Cavernícola? Certamente aumentaria a pobreza dos trabalhadores, aumentaria a riqueza dos empresários, mas não contribuiria para aumentar a produtividade.
Aliás, essa é uma dificuldade enfrentada, quando se discute economia política com os porta-vozes do grande empresariado capitalista brasileiro: eles usam e abusam de palavras como "produtividade", "responsabilidade fiscal" e "Estado de direito", mas o que eles querem dizer com isso é algo totalmente diferente. Onde se lê produtividade, leia-se exploração; onde se lê responsabilidade fiscal, leia-se especulação financeira; onde se lê Estado de direito, leia-se aos amigos tudo.
E quando o Miliciano falar de "mudança", leia-se retrocesso sem limites.
SEGUE A ÍNTEGRA DO EDITORIAL COMENTADO
Votar PEC da Escala 6x1 é oportunismo
Se aprovada, mudança levada ao Senado a 11 dias do 2º turno terá efeitos perniciosos para economia
14/10/2026 00h10 Atualizado há 12 horas
É evidente o oportunismo do governo ao levar hoje, a menos de duas semanas do segundo turno, para votação no Senado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6x1), reduzindo a jornada de 44 para 40 horas semanais. A contaminação do tema por interesses eleitorais tem impedido um debate equilibrado sobre o impacto nefasto da proposta na economia.
Na propaganda idílica do governo, os benefícios têm sido superestimados. Não passa de fantasia imaginar que, com a mudança, o brasileiro terá mais tempo para descanso e lazer e que, num passe de mágica, a produtividade aumentará. Numa economia saudável, o normal é primeiro aumentar a produtividade por meio de inovações tecnológicas ou avanços regulatórios, para depois distribuir tal ganho com a redução de jornada. No Brasil, refém de atraso atávico e de um ambiente hostil aos negócios, o crescimento da produtividade tem sido pífio há décadas — e nenhuma PEC terá o condão de resolver questão tão complexa apenas na base de slogans demagógicos e boas intenções.
A aprovação da PEC inexoravelmente elevaria o custo das empresas, que teriam de pagar o mesmo salário por menos horas trabalhadas. Ora, não é difícil perceber que a conta não fecha. O cenário mais provável seriam o aumento da informalidade e ondas de demissões para adequar a mão de obra às novas escalas. É pura fantasia a ideia de que a mudança na legislação geraria mais contratações.
A economia sofreria efeitos dramáticos. Estudo dos economistas Fernando de Holanda Barbosa Filho, Paulo Peruchetti e Janaína Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre), aponta como prováveis consequências queda do PIB, redução de renda per capita, fechamento de empresas e cortes de empregos formais. Segundo eles, a aprovação da PEC reduziria a produção de riquezas em 2,9%, com efeito idêntico na produtividade do trabalho.
Não bastassem os argumentos equivocados, a propaganda da PEC tem disseminado um preconceito injustificável contra os empresários. Ao longo da tramitação da proposta, a jornada 6x1 chegou a ser comparada à escravidão, enquanto empreendedores foram chamados de exploradores insensíveis. É uma injustiça, para dizer o mínimo, com quem gera emprego e faz a economia girar.
Em vez de votar a PEC de forma açodada, os senadores deveriam analisar a proposta alternativa do senador Rogério Marinho (PL-RN) sobre trabalho flexível. Ela permite ao empregado ajustar sua jornada de acordo com a necessidade, optando entre a CLT ou um regime baseado em horas trabalhadas que garanta direitos como férias e décimo terceiro. O texto prevê compensação de horários e redução da jornada mediante acordo. O combinado em contrato individual prevaleceria sobre a negociação coletiva.
Não se deve discutir uma proposta como a PEC às vésperas de um pleito em que os candidatos expressam divergências sobre o tema. Há alternativa sensata que deveria ser analisada com mais calma. E o debate está fora da realidade, escondendo os efeitos perniciosos da mudança. O Brasil precisa crescer, se desenvolver e gerar riquezas. O caminho para isso é aumentar a produtividade, e não diminuí-la.
A Globo na “hora da verdade”
Dia 15 a TV Globo entrevistou Lula.
A jornalista Renata Lo Prete adotou, na entrevista, a tradicional postura institucional da emissora, a saber, “juíza acima do bem e do mal”.
A mesma pose exibida pela dupla que, pouco antes da entrevista com Lula, anunciou no Jornal Nacional a demissão de um alto executivo da própria Globo, flagrado em conversas consideradas improprias com um anunciante chamado Vorcaro.
O motivo da demissão, óbvio, é que ele foi flagrado.
Aliás, se com um banqueirinho de merda a conversa rola naquele tom de chiqueiro, imagina como devem ter sido as conversas com um banqueirão, padrão Itaú ou Bradesco.
Vale dizer, também, como lembrou uma amiga, que a Globo é expert em autocríticas tardias e hipócritas.
Pano rápido.
Hoje a Globo vai entrevistar o Traidor da Pátria.
Veremos, então, quantos pesos e medidas tem o jornalismo da Globo. E, por tabela, confirmaremos qual a aposta que a Vênus Platinada está fazendo nesta reta final do segundo turno.
Mas como as pessoas são inocentes até prova em contrário, aqui vão algumas sugestões de perguntas para a entrevistadora:
“Candidato, caso seja eleito, o que o senhor fará para ressuscitar as vantagens que a escala 6x1 oferece para os empresários?”
“Candidato, caso seja eleito, o senhor continuará protegendo e estimulando as milícias?”
“Candidato, caso seja eleito, seu paizão e seu brother Vorcaro vão receber o perdão presidencial e sair da cadeia?”
“Candidato, caso seja eleito, quais tesouradas o senhor dará nas políticas sociais e nas liberdades democráticas?”
“Candidato, caso seja eleito, quantas matas vão queimar e quantas boiadas vão passar pela porteira?”
“Candidato, caso seja eleito, os feminicídios vão crescer tanto quanto cresceram no estado governado por seu apoiador Tarcísio?”
“Candidato, caso seja eleito, o senhor vai adotar o mesmo sistema de pesos e medidas para afrodescendentes usado pelo seu pai, ou seja, arrobas?”
“Candidato, caso seja eleito, o senhor vai fazer como seu genitor e defender que os pais tenham direito a cometer agressão física contra filhos homossexuais?”
“Candidato, caso seja eleito, quais são as concessões que o senhor e seu irmão prometeram aos EUA de Trump?”
“Candidato, caso seja eleito, quantas décadas sua famiglia pretende ficar na presidência?”
Há outras sugestões.
Mas a que eu gosto mesmo é bem simples: “Candidato, alguma vez na vida o senhor trabalhou?"
Afinal, quem sempre viveu às custas dos outros, nunca será capaz de construir um futuro melhor para o povo brasileiro.
Mas acho que perguntar algo assim não seria aprovado pelo “compliance” da Vênus Platinada…
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
A entrevista de Lula ao Jornal Nacional
Editorial do Página 13 de outubro de 2026
https://pagina13.org.br/saiu-a-edicao-de-outubro-do-jornal-p13-bora-lula/
Tá virando!
O gerúndio pode ser uma praga. "Estou chegando" pode significar "ainda vai demorar bastante". "Estou fazendo" pode querer dizer que "nem comecei a fazer". "Estou cuidando" pode equivaler a "tinha esquecido, mas lembrei agora".
Mas, neste segundo turno presidencial, o gerúndio é mais-que-perfeito. Afinal, cá entre nós, se tivéssemos passado ao segundo turno em primeiro lugar, corríamos o risco de ver muita gente deitada em berço esplêndido.
Entretanto, como passamos atrás, depois do susto que abateu muita gente, a imensa maioria foi pra cima. Assim sendo as coisas, vamos combinar: toda vez que alguém perguntar "virou?", recomenda-se responder com o maravilhoso gerúndio: "está virando".
Desta forma, o esforço concentrado continua, ninguém baixa a guarda e continuamos "virando" votos até o último segundo do dia 25 de outubro.
Tá virando? Tá! Mas virar mesmo, só quando o TSE proclamar a reeleição de Lula!
Também deixaremos, para depois do resultado proclamado, o balanço completo do processo eleitoral. A respeito, já se acumulou um Everest de análises, interpretações e chutes acerca do resultado do primeiro turno. Parte do que foi dito é útil e contribuiu para mudar o rumo da campanha no segundo turno. Outra parte faz parte: afinal, vivemos num país livre. Mas o que disseram algumas pessoas terá que ser respondido, palavra por palavra. Afinal de contas, as dificuldades que estamos enfrentando neste segundo turno não são cria de chocadeira. Os responsáveis pelos erros políticos e organizativos têm CPF e RG e precisam pagar pelo que fizeram ou deixaram de fazer.
Todavia, como já foi dito, este mister será para depois do dia 25 de outubro. Aliás, fica desde já o convite: nos dias 27, 28 e 29 de novembro de 2026 acontecerá, em São Paulo, o XI Congresso da tendência petista Articulação de Esquerda. O ato político, aberto a toda a militância petista, será na manhã de sábado, 28 de novembro, no Auditório da Apeoesp, na Praça da República, centro da cidade de São Paulo (SP).
O que não pode ser deixado para depois são dois comentários.
O primeiro diz respeito ao que está em jogo. Até mesmo o imortal colunista global Merval Pereira já admitiu, de público, que a turma do traidor da pátria, caso conseguisse vencer, tomaria medidas ditatoriais. Mas, por incrível que possa parecer, há outros setores que não pensam assim. É o caso dos defensores do voto nulo, que, apesar do palavrório supostamente de esquerda, são aliados objetivos do fascismo. É o caso da executiva do Movimento Democrático Brasileiro, partido que alguns tolos consideravam de centro e outros consideravam de direita, mas que mostrou quem verdadeiramente é ao indicar voto num golpista e traidor da pátria. Fazem parte, ainda, da lista de passadores de pano, alguns "cientistas acadêmicos", cuja moda é dizer que o PL não seria tão de direita quanto parece.
Sem falar de supostos dirigentes que, com ares de Conselheiro Acácio, dizem em entrevistas para a grande imprensa que o resultado do segundo turno é "incerto", como se estivéssemos frente a uma trivial disjuntiva, dessas que deliciam a turma que escreve sobre a importância da "alternância".
Papo reto: neste momento, o que mais nos atrapalha é o combo de confusão política, inapetência organizativa e, principalmente, falta de tesão exibidos por uma parcela de nossas direções, coordenações de campanha e, também, por certos intelectuais tradicionais que estão mais preocupados em demonstrar uma suposta "isenção científica" do que em mobilizar a tropa.
Quem está numa batalha de vida ou morte, não precisa que lhe digam o óbvio; precisamos, isto sim, da lembrança de que a vitória é de quem acredita e luta por ela.
Felizmente, a campanha já saiu do controle dessa gente e virou um movimento de massas, protagonizado por dezenas de milhões de pessoas que se movem pela certeza de que, nesta luta existencial, só há uma alternativa: vencer ou vencer.
Os editores
O baú de maldades cavernícolas
A extrema-direita sabe que, mantidas as atuais condições de temperatura e pressão, perderá as eleições presidenciais de 2026.
Uma derrota do Miliciano não seria um desastre para personagens como Tarcísio, que a família pôs de lado agora e, se tiver a oportunidade, voltará a pôr.
Mas uma derrota do Traidor da Pátria seria péssima notícia para quem de fato manda: o imperialismo e seus sócios no agro, nas mineradoras e na banca.
Além disso, do mesmo jeito que acontece do lado de cá, as bases do lado de lá vigiam e pressionam os derrotistas e os quinta-coluna.
Por esse motivo, de hoje até o dia 25/10, o fascismo vai abrir o baú e usar todo seu arsenal de maldades. Por exemplo:
1/decisões do presidente e do vice-presidente do TSE em favor da candidatura do Ultraliberal, Traidor e Miliciano;
2/problemas operacionais na totalização, na transmissão dos dados e no funcionamento de urnas, onde isto afetar principalmente a nossa votação;
3/repressão contra os camisa-vermelhas e boa vontade com os “galinhas verdes”, seja no dia da votação, seja nos dias anteriores;
4/compra de votos e ameaças diretas, como o crime fez no primeiro turno em várias comunidades;
5/mal funcionamento do transporte coletivo, causado por patrões e governos aliados do brother de Vorcaro;
6/aumento dos preços e outras manipulações de mercado (inclusive de trabalho), provocada por empresários que gostam mesmo é do 7x0:
7/fake news e outras manipulações, não só das big techs, mas também da mídia tradicional;
8/transformação de algumas igrejas e templos em palanque eleitoral a favor da gangue de Sodoma e Gomorra;
9/infiltração e provocação nas atividades de rua e demais mobilizações da nossa campanha;
10/um remake da “operação-facada-em-Juiz-de-Fora”;
11/um atentado direto contra nossas candidaturas;
12/e muita luta política, na linha “4 Caras de Gotham City”, onde o criminoso promete combater o crime, o ultraliberal promete melhorar a vida do povo, o traidor da pátria promete proteger nossa soberania e o golpista promete “aprimorar” nossa democracia.
Suponho que a direção do Partido, a coordenação de campanha e quem mais faça parte do estado-maior da “turma do bem”, devam ter “planos de contingência” para os pontos 1 a 11 anteriormente citados, bem como para outros que prefiro nem citar.
A nós, que estamos na linha de frente, cabe principalmente dar conta do ponto 12: mobilização e diálogo com as pessoas, contando toda a verdade sobre o lado de lá, lembrando os bons feitos do lado de cá e, principalmente, demonstrando que um futuro melhor para a classe trabalhadora só pode vir pelas mãos de quem sabe o que é trabalhar.