sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Proposta ao Diretório Nacional

Proposta de resolução de conjuntura

(contribuição ao debate na reunião do DN PT dia 6 de fevereiro de 2026)

O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, reunido no dia 6 de fevereiro de 2026, aprovou a seguinte resolução política.

1.As  eleições presidenciais de outubro de 2026 serão um confronto entre dois projetos antagônicos. Não se trata apenas de impedir a volta dos golpistas, nem se trata somente de dar continuidade às políticas públicas que foram retomadas a partir de janeiro de 2023. O que está em jogo é algo existencial: democracia contra ditadura, soberania contra entreguismo, bem-estar contra sofrimento, desenvolvimento contra retrocesso, guerra contra paz, a esperança contra o medo, a vida contra a morte.

2.Todas as pesquisas realizadas até agora indicam que Lula será reeleito presidente da República. Mas a eleição será daqui há 10 meses. Nesse intervalo de tempo, os inimigos do povo farão de tudo para tentar vencer, inclusive buscar apoio em governos e em empresas estrangeiras. Por isso, cabe a nós, a todas as forças democráticas, progressistas e de esquerda, a começar pelo Partido dos Trabalhadores, manter um clima de mobilização e diálogo permanente com o conjunto da população brasileira, para desfazer mentiras, explicar o que fizemos e contar o que faremos no próximo mandato.

3.Queremos não apenas vencer as eleições presidenciais de outubro de 2026, queremos vencer criando as condições políticas e institucionais necessárias a que façamos um novo mandato ainda melhor. Para isso lutaremos para ampliar ao máximo a votação de Lula, eleger mais governadores e governadoras, senadoras e senadores, deputadas e deputados federais e estaduais. Também com o objetivo de criar as condições para um quarto mandato superior ao terceiro, nossas candidaturas às eleições legislativas farão campanha em defesa de questões centrais como o fim da escala 6x1, a redução da jornada de trabalho, uma reforma tributária que faça os ricos pagarem impostos, uma reforma política e o fim das emendas parlamentares impositivas vinculadas ao inconstitucional parlamentarismo de fato que vem sendo implantado desde o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. 

4.A reeleição de Lula é decisiva para o futuro da América Latina e Caribe. Sem o Brasil, a integração regional não avançará. Sem integração, não teremos desenvolvimento nem soberania. Sem soberania, voltaremos a ser colônia. Esta é a intenção declarada do atual governo dos Estados Unidos, que trata nossa região como um "quintal", praticando assédio econômico, ingerência eleitoral, instalação de bases militares, bloqueio ilegal contra Cuba, ataque militar contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada e primeira dama CIlia Florez.

5.Para vencer as eleições de 2026, precisamos neutralizar a ingerência dos Estados Unidos. Isso passa por ações de governo, mas passa também por campanhas internacionalistas de solidariedade. O PT reafirma sua exigência pela libertação imediata de Nicolas Maduro e Cilia Flores. O PT também reafirma sua solidariedade ao povo cubano e propõe ao governo brasileiro que, num gesto humanitário, envie imediatamente um carregamento de petróleo para impedir o colapso da produção de energia elétrica em Cuba. O PT apoia a eleição de Iván Cepeda a presidência da Colômbia. E declara seu apoio às forças democráticas que, nos Estados Unidos, se opõem à campanha fascista que o governo Trump desencadeou contra os migrantes. A política externa estará em debate nas eleições de 2026 e neste debate vamos defender as posições justas: a democracia, a soberania, o desenvolvimento, a integração e a paz. 

6.Setores da classe dominante brasileira - os que não aceitam pagar impostos, os que vivem da especulação e da fraude, os que se opõem à reindustrialização do Brasil - vem atuando abertamente para tentar impedir a reeleição de Lula. Com este propósito, lançam mão de métodos que já vimos operando noutras eleições, desde a sabotagem econômica até o crime eleitoral. Nossa resposta a estes setores seguirá sendo o cumprimento da lei e a defesa de um Brasil de igualdade e justiça social.

7.A oposição trabalha para levar a disputa presidencial ao segundo turno, quando pretendem fazer uma frente anti-Lula. Para atingir este objetivo, vão usar diversos métodos e bandeiras, entre as quais estimular o medo e a insegurança. Seguiremos nos contrapondo aos métodos violentos e ineficazes defendidos pela direita e seguiremos defendendo uma verdadeira política de segurança pública. Como parte deste esforço, reafirmamos a necessidade urgente de criar o Ministério da Segurança Pública. Ganha grande importância, nesse contexto, o combate ao feminicídio, que tem crescido no país, como decorrência direta da influência da extrema-direita e facilitado pelas políticas armamentistas do governo cavernícola. 

8.O PT seguirá buscando alianças com todas as forças dispostas a enfrentar o neoliberalismo e o fascismo, seja na disputa presidencial, seja nas disputas estaduais. Trabalharemos para atrair o voto da base social e do eleitorado influenciado pela direita, ao mesmo tempo que priorizamos manter o voto dos setores populares, das mulheres, dos negros e negras, dos moradores das periferias, da juventude trabalhadora, setores que decidiram a eleição em 2022 e voltarão a decidir em 2026.

9.Hoje Lula lidera as pesquisas. Mas a eleição presidencial não está decidida e será preciso um imenso esforço para vencer. Precisamos vencer com uma vantagem significativa de votos em relação ao segundo colocado; ampliando nossas bancadas parlamentares e o número de governadores de esquerda ou progressistas; com apoio popular mobilizado e organizado; e com um rumo estratégico nítido, que passa por uma campanha politizada e polarizada, apoiada na mobilização popular e na defesa de um programa de reformas estruturais. Fazendo isso, venceremos em condições não apenas de fazer um mandato superior ao atual, mas também chegaremos em 2030 em condições de seguir governando o Brasil.

10.Na atual conjuntura mundial, continental e nacional, a eleição presidencial no Brasil adquire um significado transcendental. Um governo de esquerda no Brasil é um ponto de apoio para a luta por outra ordem mundial e por uma integração regional latino-americano e caribenha. Ao mesmo tempo, a reeleição de Lula constitui uma pré-condição para que possamos implementar reformas que mudem o Brasil e que mudem o lugar do Brasil no mundo. Mas para que tudo isso seja possível, é imprescindível fortalecer organizativa e ideologicamente a classe trabalhadora e nossas organizações coletivas, com destaque para o Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras.

Viva os 46 anos do PT!

Viva a classe trabalhadora!

 Viva o povo brasileiro!


Salvador, 6 de fevereiro de 2026

Nenhum comentário:

Postar um comentário