segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Sobre o vômito do Capo da “Contra-revolução brasileira”

 Um irmão (de verdade) disse para eu não dar palanque para o cidadão. Expliquei que dois jornalistas sérios e com bastante audiência acharam por bem dar palanque. E, como me ensinou o velho Perseu Abramo, melhor registrar sempre a devida correção.


Assim, cumpro aqui o prometido noutro lugar e contesto aqui a parte, digamos, “racional” do vomitório cometido pelo capo da “Contra-revolução brasileira”.

Mais detalhes estão aqui: 

A íntegra do vomitório está ao final.

A seguir os comentários devidos.

Começo enumerando os adjetivos e similares que ele dedica a minha pessoa: delírio, oportunismo político, loucura, abraçar uma estátua, órfãos do 5º Encontro, cínico, delirante, identitário, liberal, impotência.

Tudo isso foi provocado, aparentemente, pelo fato de eu ter dito que o PT é um partido socialista. Ou, talvez, por eu ter dito que a campanha pelo voto nulo transforma a “organização” de Ouriques em aliada objetiva da extrema-direita.

Sobre este segundo ponto, o capo da “Contra-revolução brasileira” diz o seguinte: “(…) aqueles que julgam que nós que estamos defendendo a campanha pelo voto nulo para disputar dentro das eleições um terreno crítico, estamos crescendo. Eu vejo cada vez mais, cada vez mais. Essa é o segundo voto nulo que nós vamos praticar da Revolução Brasileira, mas agora na forma de uma campanha, muita gente conosco (…)”.

Não vou comentar a “tese” segundo a qual “estamos crescendo”, pois obviamente não há nenhuma base científica que permita atribuir os votos nulos ao tal “movimento”.

O que pode ser dito é: cada pessoa que, pretendendo estar cometendo um ato de esquerda, escolher votar nulo nas eleições de 2026, estará na prática ampliando as chances de vitória da extrema-direita. 

Antes de passar ao tema do socialismo, quatro correções pontuais:

1/não sou fundador do PT. Comecei a militar em 1982 e me filiei em 1985;

2/fui da Articulação dos 113, enquanto ela existiu e defendia as posições fundacionais do Partido;

3/sou do mesmo partido que Lula, fui da mesma tendência que Lula entre 1985 e 1993, votei em Lula todas as vezes em que ele foi candidato desde 1986, votarei nele em 2026, mas não sou “lulista”, seja lá o que o Capo da Contra entenda por esta palavra;

(Aliás, quão ignorante acerca do PT alguém precisa ser, para afirmar que Lula seria meu “santo de devoção”?)

4/eu não “criei uma Articulação de Esquerda”, participei da fundação da tendência, que na época (1993) chegou a representar 30% do Partido;

5/é perfeitamente possível contribuir na prática para o socialismo, falando muito pouco ou quase nada a respeito. Vide o caso do M26J cubano. Não foi falando em “socialismo” que se criaram as condições que levaram ao triunfo da revolução em 1959. E sem esse triunfo, o restante não teria sido possível.

6/não sou “orfão” do V Encontro. Como poderá constatar quem ler as resoluções de 1987, atualizadas no Congresso do PT realizado em 2017, a estratégia democrática e popular articulada ao socialismo continua muito atual.

Agora vamos ao ponto: “socialismo”.

Como definir se um partido é socialista? Basta que ele se proclame socialista? Entendo que isso não basta. É preciso, também, verificar se a ação prática deste partido contribui para o socialismo.

Mas para verificar isso, é preciso definir o que é “socialismo”. O que nos leva de volta ao ponto de partida, pois não existe uma definição consensual acerca do que seria “socialismo”.

Basta ver o que se diz, a torto e a direita, sobre a República Popular da China. Mesmo que concordem sobre os “fatos”, muitas pessoas divergem sobre como “caracterizar”, “qualificar”, “denominar” o conjunto da obra, o sentido geral da coisa toda.

(O autor dessas linhas considera que a China é socialista.)

Há pessoas que escolhem usar como parâmetro as definições deste ou daquele teórico, em alguns casos definições feitas antes que houvesse qualquer tentativa de construção de uma sociedade socialista.

Por mais simpatia que tenha por essas definições e por mais que ache brilhantes determinados teóricos, sigo acreditando que o marxismo é um “guia para a ação” e que sua essência está na “análise concreta da situação concreta”.

Motivo pelo qual o “socialismo” é, em cada período histórico, a alternativa real que a classe trabalhadora forja contra o capitalismo, ou seja, a alternativa capaz de impor derrotas práticas à exploração que o capital impõe contra o trabalho assalariado.

Claro que na história tal como ela é - e não como gostaríamos que fosse - a classe trabalhadora não age como um monolito. Há desde setores totalmente submetidos à classe dominante, até setores decididos a “assaltar os céus” e “virar o mundo de ponta-cabeça”.

O que significa dizer que a própria definição acerca do que é “socialismo” em cada período histórico está totalmente vinculada a correlação de forças entre os diferentes setores da classe trabalhadora, em sua luta contra a classe capitalista e aliados.

Noutras palavras: o Capo da Contra tem todo o direito de questionar o “tipo” de socialismo defendido pelo PT ou por cada tendência petista, mas incorre em erro - político e teórico - ao impugnar a natureza socialista do Partido.

Pois ao fazer isso, o que ele está realmente dizendo é que a maior parte da classe trabalhadora com consciência de classe - a maioria dos quais se identifica com o PT - não tem nenhum compromisso com o socialismo.

Que esta relação possa ser débil, não discordo. Mas que não exista, discordo. E a maior prova prática disso é a fúria da extrema-direita contra o “socialismo petista”.

No PT e, portanto, na parcela da classe trabalhadora brasileira que tem consciência de classes, convivem, a grosso modo, três visões diferentes acerca do socialismo. 

Há os que consideram o socialismo como um “valor espiritual, uma espécie de “bússola moral”, que deve contaminar as nossas políticas tanto quanto o amor pelos pobres contamina os milionários cristãos. Ou seja, o que chamamos de social-liberalismo.

Há os que consideram que o socialismo é um conjunto de ações que ampliam a democracia e o bem-estar social, nos marcos de uma economia predominantemente capitalista. Ou seja, aquilo que ficou conhecido na Europa dos anos 1920 a 1960 como social-democracia (aqui no Brasil o PSDB nunca foi social-democrata nesse sentido, já nasceu neoliberal).

E há os que - caso da tendência de que faço parte - lutam por fazer da propriedade social dos principais meios de produção o eixo organizador da vida em sociedade. Ou seja, o que pode ser chamado de socialismo revolucionário, no sentido de que implica em revolucionar as estruturas fundamentais da sociedade.

Curiosamente, esta terceira visão segue sendo a mais parecida com a oficial - vide resoluções dos congressos petistas - mas, seguramente, não é a que predomina na base do Partido.

Um dos motivos desse aparente paradoxo é que o PT não se organiza em torno de uma doutrina, mas sim em torno de uma linha política. Portanto, é no debate sobre a estratégia, sobre a tática, sobre o funcionamento do Partido, sobre suas relações com a classe trabalhadora e, também, sobre suas políticas de governo, é em torno dessas questões que se materializa o compromisso real do Partido com o “socialismo petista”.

SUS, educação pública, 6x1, valor do salário mínimo, empresas estatais, políticas de reparação, defesa das mulheres e dos negros, proteção do meio ambiente vis a vis tudo que beneficia o capitalismo, os capitalistas e seus aliados: é aí que se mede o tipo de socialismo efetivamente praticado pelo PT.

Nesse terreno, desde 2002, a disputa tem sido travada principalmente entre social-liberais e social-democratas. Os setores que defendem o “socialismo revolucionário” - e, por isso, defendem reformas estruturais - são muito minoritários. 

Por este motivo, aliás, volta e meia tem gente que se desespera e busca amparo em alguma “igreja” onde poderão praticar rituais esteticamente socialistas, mas que na prática não incidem na luta real entre a classe trabalhadora e a classe capitalista.

Por isso, também, muitos destes que saem do PT e embarcam em seitas supostamente revolucionárias, acabam voltando ao PT. E como saíram do jeito errado, terminam voltando do jeito também errado, ou seja, se submetendo àd tendencias comandadas por social-liberais ou aos social-democratas.

Qual é a alternativa? A alternativa real passa por organizar, conscientizar e mobilizar a classe trabalhadora. O que, a preços de hoje, no período histórico em que estamos, se confunde na prática com disputar os rumos do PT. 

Aliás, quem desiste de disputar os rumos do PT, na prática desistiu de disputar os rumos da classe trabalhadora. E como lutar pelo socialismo, sem a classe trabalhadora??

Por fim, para não dizer que não falamos de flores, falemos da eleição presidencial.

O Capo da Contra acusa Lula de ser “o epicentro de todos os males do Partido dos Trabalhadores”. 

A rigor, Lula é - como pessoa jurídica - o epicentro do PT, portanto de nossos defeitos e também das qualidades, que são muitas.

Mas, acima de tudo, Lula é nesse momento a alternativa dos que desejam derrotar a extrema-direita, o imperialismo, as milícias, o racismo, o feminicídio, o fundamentalismo religioso e toda a merda.

Quem a essa altura do campeonato escolhe votar nulo é aliado da direita e inimigo do povo.

O que vamos fazer da eleição? 

Na grande politica, o que está indicado nas resoluções da AE, entre as quais essa: 


E nas horas vagas, tentando desmascarar os Capos dessas seitas que tanto dano causam ao marxismo, à revolução e ao socialismo.



Segue abaixo a transcrição do vomitório do capo da “Contra-revolução brasileira”, em entrevista concedida ao Leandro Fortes.

[LF] Teve uma fala do Valter que me chamou muita atenção. Ele falou assim que que o PT é um partido socialista. A minha pergunta para ele, não sei se você chegou a ver, disse: "Vem cá, o PT se afastou do socialismo, né, na origem, tirou a narrativa dos seus documentos, das suas falas, não toca mais em socialismo e tal". E ele falou: "Não, o PT é socialista” e, segundo ele, o socialismo só virá no Brasil se for por meio, através do PT. E aí eu queria uma avaliação sua sobre isso, sobre essa essa fé inabalável, digamos assim, do Valter Pomar. E eu tenho impressão que outras pessoas dentro do PT, da ala mais à esquerda, de que o PT ainda é socialista e de que o socialismo será a decorrência da ação do PT na política brasileira.

 

[NO] Pô, eu poderia dizer que isso é um delírio do Valter, mas eu quero dizer que é um oportunismo político. Tal como Valter, eu sou fundador do PT aqui no estado de Santa Catarina e no começo nós falávamos numa sociedade sem explorados e exploradores. Evitava-se o jargão socialista. E nós fizemos uma disputa dentro do partido. O Valter tava na concepção dominante do partido. Depois ele criou uma Articulação de Esquerda, porque ele era da Articulação, a tendência majoritária, ele era lulista, sempre foi, continua lulista. E e suponho que tenha vida longa, um dia vai morrer lulista, que é uma loucura, né? Para alguém que se diz marxista, de esquerda e leitor de Lenin, isso é abraçar uma estátua, não é? Então, o partido, nós perdemos essa batalha, ele é um dos viúvos, dos órfãos no 5º Encontro, que criou um programa, o programa democrático e popular, baseado numa interpretação derivada das teses do Partido Comunista, sem dúvida nenhuma, no mercado interno, na reforma agrária, na ideia, no suposto que esse programa democrático popular poderia ser a transição para um socialismo ou para um capitalismo autônomo, que no fundo era isso que preconizava. Hoje eu tenho clareza sobre isso. E meu próximo livro sobre o capitalismo independente rentístico, eu expresso isso com riqueza de detalhes. Então o Valter supõe que ah, ele diz: "Não, não, não se fala em socialismo". Não, ninguém lá é socialista. O que o que que o Edinho tem de socialista levando 73% com apoio explícito do Lula? Eu gostei de você inquirindo ele, colocando a contradição e claro que não aprovo o caráter cínico da resposta dele, o delirante, não é? Que é o objetivamente dizendo que se pode praticar a luta pelo caminho da revolução brasileira, do socialismo, sem falar nisso. Ora, isso é só um argumento retórico, vazio, não no sentido clássico da retórica, né, que precisaria expressar a verdade. Então, aquilo ali foi verdadeiramente um um momento da entrevista que você deu uma estocada séria e ele saiu pela tangente, mas dentro do partido, a julgar pela última decisão que ele participou, então ele não pode dizer que ele ignora, que ele não viu, em que ele teve 4,3% dos votos dos filiados, não é? E só o Edinho teve quase 240.000 votos, não é? Ele teve nada. O Edinho teve 73, ele teve 4,3. Quem fala em socialismo lá? O Edinho, o Lula, o Zé Dirceu, a Gleici Hoffman, os ministros? Isso é um delírio, né? Isso é uma mentira. Isso é uma prática cínica da política. Eu não tô aqui falando do ponto de vista moralizante, não é identificando tendências obras que você colocou para ele e ele não… Saiu pela tangente. Não tem a menor discussão sobre o socialismo no Partido dos Trabalhadores. A representação parlamentar nos estados, nos municípios, etc. É um carreirismo político completo. Ele diz: "Bom, o partido desprestigiou a luta ideológica, a luta política, a formação, etc." Sim, mas tem que explicar por que isso aconteceu. Ocorreu por uma decisão consciente da cúpula partidária da maioria formada por Lula, da qual se desvinculou tardiamente, fazendo a Articulação de Esquerda e que é o santo de devoção dele. O Lula é o epicentro de todos os males do Partido dos Trabalhadores. É a expressão cabal dessa consciência que não é nem sequer ingênua. É uma é uma atuação e uma práxis cúmplice da podridão do sistema político com a classe dominante e é também a última reserva, digamos assim, entre aspas, moral da impotência política daqueles que dentro do partido apenas tem uma uma presença testemunhal. Nesse aspecto, aqueles que julgam que nós que estamos defendendo a campanha pelo voto nulo para disputar dentro das eleições um terreno crítico, estamos crescendo. Eu vejo cada vez mais, cada vez mais. Essa é o segundo voto nulo que nós vamos praticar da Revolução Brasileira, mas agora na forma de uma campanha, muita gente conosco e eles estão naturalmente que nos dizer que somos aliados objetivos do fascismo, porque ele mesmo concebe que, duas coisas: que o Lula com absoluta certeza vai vencer; e, segundo, que vai ser por muito pouco. Eu não tenho nenhuma das convicções, mas como ele mesmo diz, ele diz bom, importa que se o Lula ganhar, que que nós vamos fazer depois? Ele não vai fazer nada. Ele vai continuar cativo do Lula, vai continuar tendo que defender o governo, porque a direita continuará aí. E o bordão do Valter Pomar, como de todos esses identitários, todos esses liberais e vai do Valter Pomar ao Glauber Braga, vai ser defender o governo, porque no outro dia, vamos supor, o Lula vence cada vez mais à direita, com um programa mais à direita. Hoje eu assisti, Leandro, uma entrevista do ministro da economia na CNN… uns 30 minutos. É um desastre. Eles estão anunciando já o que vem por aí. E o Lula aprovou aqui o Redata e sancionou o projeto que ele mandou das terras raras. E o ministro tava falando lá, o Durigon hoje tava falando lá sobre isso. É a garantia de total. O Flávio Bolsonaro não tem o que criticar, porque o Lula roubou o ultraliberalismo. Aliás, o Flávio Bolsonaro critica porque o aumento do Bolsa Família foi só de 15%. Por que que não foi mais? Mas até isso ele já defende. O que que acontece aqui? Acontece uma coisa muito evidente. Se o Lula vencer como quer e pretende o Valter Pomar, no outro dia ele estará na mesma posição de impotência defendendo, porque a direita continuará vociferando e ele continuará nesse diapazão. Então ele não tem alternativa para o pós-eleitoral.

domingo, 27 de setembro de 2026

Resolução política sobre a "batalha de outubro"

A direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda, reunida no dia 27 de setembro de 2026, aprovou a seguinte resolução sobre a situação política e nossas tarefas.

1/Entre os dias 15 e 27 de setembro de 2026, a situação política evoluiu favoravelmente para a candidatura Lula. Contribuíram para isso o "empate" que paralisou temporariamente a manobra golpista no STF, o anúncio do reajuste do Bolsa Família, o discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU, a Medida Provisória proibindo as BETS, as reiteradas provas de que a candidatura da extrema-direita é vinculada aos milicianos, o debate sobre a intolerância religiosa, o fato de nossa candidatura ter tomado a iniciativa e pautado o debate político e, principalmente, o crescimento da presença da militância nas ruas. A Nação Petista está comparecendo em massa, para defender a eleição de Lula e salvar o Brasil das milícias, de Trump, do racismo e do feminicidio.

2/Entretanto, apesar da evolução favorável a nós da situação política, as pesquisas seguem informando que - embora Lula apareça na frente, tanto no primeiro quanto no segundo turno - a oposição de extrema-direita segue ameaçadora. A respeito, cabe lembrar que nosso inimigo conta com o apoio do governo dos Estados Unidos, do governo de Israel, da "Internacional da extrema-direita", de grande parte do empresariado e dos meios de comunicação, dos "empresários da fé", do crime organizado e das big techs.

3/Portanto, devemos estar preparados para uma reta final de primeiro turno muito dura, com fake news e manipulação algorítmica, muito derrame de dinheiro e compra de votos, além de decisões ilegais provenientes do presidente do TSE, que demonstrou abertamente estar do lado da candidatura cavernícola. Além disso, é preciso lembrar que a campanha da extrema-direita tem outros objetivos, além da presidência. Querem ampliar sua presença nos governos estaduais, na Câmara dos Deputados e no Senado, onde o tema do Supremo constitui o carro-chefe da campanha da direita. É preciso lembrar, também, que a Medida Provisória das BETS, assim como o fim da escala 6x1, serão submetidos ao voto do atual Congresso Nacional. A principal arma que temos para influir nessa conjuntura tão complexa é a presença constante da militância, especialmente nas ruas, com material visual, camisetas, botons, bandeiras, caminhadas, corpo-a-corpo, adesivando carros e pessoas, colocando bandeiras nas janelas das casas, tornando a campanha visível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Onde não houver orientação organizada da coordenação de campanha e da direção do Partido, compete ao conjunto da militância cumprir seu dever e fazer a coisa certa. O que inclui presença ativa no dia da votação e fiscalização intensa.

4/Tudo indica que a eleição presidencial será resolvida no segundo turno. Embora não seja impossível, é muito pouco provável que nossa vitória ocorra no primeiro turno. O mais provável, como temos alertado desde o início de 2025, é que nossa vitória aconteça no segundo turno e por uma pequena diferença. 

5/Nesse sentido, reiteramos a necessidade de preparar desde já a realização, no dia 5 de outubro, das primeiras atividades de campanha do segundo turno. Evidentemente, a linha do segundo turno dependerá em parte dos resultados da eleição de governos estaduais, Assembleias Legislativas, Senado e Câmara. Mas, sem prejuízo do ajuste final que dependerá da análise dos resultados globais do primeiro turno, existem medidas que podem e devem ser preparadas desde já.

6/Confirmado o segundo turno, será preciso manter funcionando, do ponto de vista político e organizativo, os comitês de campanha das candidaturas proporcionais. Vitoriosas ou não, cada candidatura deve convocar plenárias já no dia 5 de outubro, para organizar o engajamento no segundo turno. O mesmo vale para os comitês de campanha das candidaturas ao Senado. Não importando se vencemos ou não, é preciso convocar atividades, já no dia 5 de outubro, para engajar os apoiadores das candidaturas ao Senado no segundo turno da disputa presidencial. 

7/É preciso uma atenção especial para aqueles estados onde a eleição para governador terminar já no primeiro turno. Nesses casos, mesmo onde nós tenhamos vencido, haverá uma tendência à desmobilização da nossa militância. Por isso, reiteramos a necessidade de que - ainda na noite de 4 de outubro - nossas candidaturas, suas respectivas coordenações de campanha e a direção do Partido convoquem a militância a se manter mobilizada e convoquem, já para o dia 5 de outubro, as primeiras atividades. O mesmo vale, por óbvio, para aqueles estados onde houver segundo turno, mas sem que haja no segundo turno nenhuma candidatura apoiadora de Lula. 

8/Devemos nos precaver contra a tendência, já vista no primeiro turno, de algumas candidaturas a governador - mesmo que apoiadas pelo PT - tentarem manter certa distância de Lula, na tentativa de disputar votos de eleitores ligados à direita. Esta postura - eleitoralmente inútil, pois a eleição está polarizada - pode, em alguns casos, se repetir no segundo turno, motivo pelo qual é importante que o PT esteja preparado para montar coordenações próprias de campanha. Sem prejuízo de pressionar pelo cumprimento dos acordos feitos, devemos confiar acima de tudo nas nossas próprias forças.

9/Esperamos que, no segundo turno, sejam corrigidos os erros cometidos, no primeiro turno, pela coordenação de campanha e pela direção do Partido. Mas devemos nos preparar para a hipótese de que prevaleça a mais absoluta falta de simancol. Assim, é preciso entre outras coisas que a base do Partido não espere pela chegada de materiais: os produza com suas próprias mãos. Cartazes, bandeiras, camisetas, adesivos, faixas, tudo o mais que for necessário deve começar a ser produzido desde já, para que esteja disponível já no dia 5 de outubro.

10/A vitória no segundo turno não dependerá dos apoios que venham da elite, dos partidos de direita, dos setores de centro, das camadas médias da população. Evidentemente, tais apoios serão bem-vindos, até porque se trata de derrotar uma quadrilha de milicianos, traidores da pátria e fascistas. Mas é preciso lembrar que, em 2018 e em 2022, a maior parte da classe dominante e de seus partidos escolheu apoiar os milicianos. Em 2026 é isso que tende a ocorrer, novamente. Por esse motivo, nosso esforço principal de campanha - político e organizativo - deve estar voltado a conquistar o voto dos setores populares: trabalhadores de menor renda, mulheres, negros e negras, moradores das periferias - inclusive daqueles que no primeiro turno votaram branco, nulo, se abstiveram ou até mesmo votaram no cavernícola. Além disso, é preciso preparar desde já medidas de contingência contra a manipulação das redes antissociais.

11/Desde 2002, a única eleição presidencial que perdemos foi aquela realizada em condições fraudulentas: golpe contra Dilma, condenação e interdição eleitoral de Lula, fake news sistêmicas a favor do cavernícola. Em 2026, venceremos, no segundo turno e por pouco. Mas venceremos. Entretanto, é preciso estar atento e forte, pois tudo indica que a extrema-direita e os EUA podem não reconhecer o resultado eleitoral, contando a seu favor com a atual presidência do TSE. Motivo pelo qual é preciso manter a guarda alta, inclusive depois da vitória. 

12/Nada do que está ocorrendo agora - uma eleição difícil, uma extrema-direita eleitoralmente ameaçadora, uma avaliação negativa de nosso governo por parte de um setor importante da população, uma direção partidária e de campanha incapazes de cumprir seu papel etc. - deveria constituir surpresa. Como dissemos inúmeras vezes, inclusive no balanço das eleições municipais de 2024, era preciso mudar a linha política do Partido e do governo. Não foi isso o que ocorreu. Não apenas por este motivo, mas também por ele, estamos passando, hoje, por dificuldades. Entretanto, venceremos, inclusive porque o presidente Lula está operando, na prática, várias correções na linha. Passada a eleição, será preciso - mais uma vez - convencer o Partido e o conjunto da esquerda de que outra estratégia é necessária e urgente.

13/A batalha de outubro tem uma importância mundial. Uma vitória de Trump nas eleições brasileiras transformaria, na prática, toda a América do Sul em quintal dos Estados Unidos. Submeteria os governos do Uruguai, México, Cuba e Nicarágua a um cerco praticamente insuportável. O imperialismo se sentiria mais confortável para implementar guerras tarifárias e militares mundo afora. Portanto, no primeiro e no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, estará em jogo não apenas o futuro do Brasil, mas também o futuro da humanidade. Que, como tantas outras vezes na história, será salva pelo instinto e consciência de classe das camadas mais pobres, exploradas e oprimidas do povo. É nós!

Viva a classe trabalhadora brasileira!!!Viva o PT!!!Viva Lula!!!!

Dois comentários sobre Jones Manoel

 Jones Manoel postou a seguinte mensagem em sua conta no X:


Em 1945, Gregório Bezerra foi eleito deputado federal constituinte pelo Partido Comunista do Brasil (PCB).

Em 1990, Renildo Calheiros também se elegeu deputado federal.

Que Jones não considere Renildo comunista, digamos que seja "apenas" sectarismo.

(E tem Luciana Santos, deputada também eleita pelo PCdoB.)

Mas que não considere Gregório Bezerra, trata-se de uma grosseria histórica sem tamanho.

(Aliás, um camarada de longa data lembra que "Alcedo Coutinho e Agostinho de Oliveira também eram de Pernambuco! O PCB elegeu três deputados pelo estado naquela eleição".)

Mas o que esperar de quem posta mensagens como essa abaixo?

Tem gente, amigos inclusive, que pedem para dar um desconto.

Dizem que nesse ambiente de falta de organicidade dos partidos e de enfraquecimento dos movimentos, seria "normal" que muitas "novas lideranças" tragam a marca das redes sociais, com suas vaidades, lacrações e individualismos extremados. 

Sem falar das oligarquias familiares, que usam sobrenomes como trampolim eleitoral, em alguns casos vitaminados por emendas, máquinas e quetais.

Na minha opinião, não devemos dar desconto não. 

Foi dando seguidos descontos que vimos o Partido dos Trabalhadores ser crescentemente contaminado por inúmeros efeitos degenerativos, entre eles aquilo que se convencionou chamar de "cretinismo parlamentar".

Que, pelo visto, ataca algumas pessoas quando ainda são candidatas. 




 

O "fuzil no ombro" do PCO

 


Noutro texto, perguntei por quais motivos alguns partidos que se pretendem "à esquerda" do PT, decidiram lançar candidaturas presidenciais.

A dúvida ficou reforçada ao ver esta faixa, exibida pelo Partido da Causa Operária, num ato realizado neste domingo, 27 de setembro, num dos cantos da Praça Osvaldo Cruz, lá no início da Avenida Paulista.

Suspeito que o Hamas não concorde que "defender a Palestina seja defender o Hamas"; afinal, a Palestina é maior do que qualquer uma das organizações que lá existem.

Suspeito, também, que os "vivas" ao Irã e a várias organizações misturam política internacional com a descoberta - feita no passado pelo MR8 - das vantagens colaterais que decorrem dessas manifestações públicas de extremado afeto. 

Mas "suspeita" mesmo é a frase "democracia é um fuzil no ombro de cada trabalhador!"

A frase em si é discutível. Pode ser válida, ainda que parcialmente, em momentos de guerra civil. 

Mas, nos momentos "pacíficos" da luta de classes, a existência de "democracia" para a maioria da população trabalhadora exige instituições diferentes, exige uma comunicação de massa diferente, exige auto-organização da classe etc.

Sem dúvida é fundamental saber quem controla as armas. Mas falar só da "questão militar" é de um reducionismo atroz. E achar que o controle das armas, em 2026, se resolve dessa forma, é uma mistura entre ingenuidade esquerdista e libertarianismo direitista.

Entretanto, para além do debate acerca da frase em si, cabe perguntar por quais motivos destacar precisamente esta frase, num ato de campanha da candidatura presidencial do PCO, neste ano santo de 2026.

E, ainda, que sentido faz - para quem pensa que "democracia é um fuzil no ombro de cada trabalhador" - participar dessa eleição de 2026.

Deve haver várias explicações. 

Uma delas está na proximidade programática entre certas posições do PCO e certas posições da extrema-direita.

Vejam, por exemplo, a crítica de Pimenta contra a proibição das BETS: 

https://www.poder360.com.br/poder-partidos-politicos/presidente-do-pco-rebate-lula-sobre-bets-errado-proibir-apostas/

Vejam, também, a posição dele a favor do "armamento da população":

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2014/noticia/2014/08/rui-pimenta-defende-populacao-armada-para-combater-o-crime.html

Nessas e noutras questões, o PCO assume posições programáticas similares às da extrema-direita.

O que torna o debate sobre a "função" da candidatura presidencial do PCO algo um pouco mais complexo: é um deserviço para a esquerda, mas não para todo mundo.






 



  





Meu querido diário, 27 de setembro

Ontem foi dia de campanha.

Na agenda, uma passada no aniversário de um colega de trabalho.

Chegando lá, o tal colega me informa que tinha acabado de falar a meu respeito, com um ex-deputado federal do PT cuja filha mora perto do local da festa.

O tal ex-deputado teria dito, a meu colega, que eu “estaria bravo com ele”. Ou algo assim.

“Bravo” não é bem a palavra. 

O caso é simples: em Campinas o PT tem duas fortes candidaturas a deputado federal. O ex-deputado é de lá, mas escolheu apoiar outro candidato. Até aí, normal, direito dele, já fiz isso inúmeras vezes. 

O curioso, digamos assim, é quem ele decidiu apoiar.

Explico: em 2004 perdemos por muito pouco a eleição para prefeito em Campinas (SP).

Naquela eleição, o candidato do PSDB recebeu 200.372 votos, 39,84% dos votos válidos.

Em segundo lugar ficou o candidato do PDT, com 113.762 votos, 22,62% dos votos válidos.

O candidato do PT - que foi exatamente o tal ex-deputado que conversou, ontem, com meu colega de trabalho - recebeu 108.510 votos, ou seja, 21,58%.

Portanto, não fomos ao segundo turno por menos de 6 mil votos.

O detalhe “curioso” é que, naquele primeiro turno das eleições de 2004 em Campinas, um setor do Partido apoiou, política e financeiramente, o candidato do PDT. Motivo: o candidato a prefeito - o hoje ex-deputado - era parte ativa da chamada esquerda petista.

Quem chefiava aquele setor do Partido que apoiou, já no primeiro turno, o candidato do PDT? Exatamente o candidato hoje apoiado pelo ex-deputado.

A infidelidade partidária, cometida em 2004 por parte da então direção nacional do Partido, foi um dos muitos pretextos para que, anos depois, o ex-deputado decidisse sair do PT.

Outros anos passaram, ele voltou ao Partido, mas não voltou ao ponto de partida. E, agora, fechou o ciclo, apoiando em 2026 a candidatura a deputado federal de um de seus (nossos) algozes de 2004, que contribuíram, ativa ou passivamente, para que não conseguíssemos os 6 mil votos que teriam levado o PT ao segundo turno e, talvez, à vitória em 2004, o que teria salvado a cidade de Campinas de uma tripla tragédia: as gestões Hélio-Jonas-Dario.

O rancor e o ressentimento são péssimos conselheiros. Mas, sem memória, os erros do passado continuarão nos assombrando.

Que essa opinião seja confundida com braveza ou algo do tipo, só Freud explica.

 



sábado, 26 de setembro de 2026

Ouriques e a contra-revolução brasileira

Temos treze candidaturas disputando a presidência da República.

Oito são de partidos de direita. 

Cinco são de partidos de esquerda: além de Lula, do PT, há candidatos da UP, PCO, PSTU e PCB.

Por qual motivo partidos que, em diferentes graus, questionam o PT por superestimar o papel do eleitoral, acham politicamente correto lançar candidaturas presidenciais, num contexto em que a extrema-direita aparece nas pesquisas com chance de vencer?

Será porque acreditam que não há diferenças entre Lula e o cavernícola?

Será porque acreditam que o risco de uma vitória da extrema-direita não é real (mais ou menos como o PSTU e muitos setores do PSOL interpretavam os riscos de um golpe em 2015 e 2016)?

Será porque acham que sua votação presidencial será tão pequena, que não fará diferença (como pensavam alguns desses partidos no primeiro turno de 2022, no estado do Rio Grande do Sul)?

Será porque pretendem “fazer a diferença” no segundo turno?

Será para fortalecer as candidaturas proporcionais desses mesmos partidos?

Será para manter legalmente ativas as respectivas legendas partidárias?

Será porque, embora critiquem a atitude do PT, no fundo esses partidos também estão sendo capturados pela lógica eleitoral (caminho já percorrido, plenamente, por Boulos e por Jones Manoel)?

Será por um mix dos motivos acima?

Ou por outras razões?

Seja como for que se responda a essas questões, resta um enigma: é possível considerar “de esquerda” quem, numa batalha de vida e morte contra o fascismo, acha razoável “marcar posição”?

Para a esquerda acadêmica, que acredita em citações como prova da verdade, não há dúvida possível: falou em comunismo, em socialismo, em revolução, então seria de esquerda.

Também nisso a esquerda acadêmica está errada. A prática é o critério da verdade. Estamos no meio de uma batalha existencial, onde quem se pretende de esquerda não tem motivo para ter dúvidas.

Claro, muita gente boa pensa diferente. Tenho um amigo de velha data, emotivamente filiado ao que o Casseta e Planeta chamava de PCCC (“partido comunista comunista para caralho”), que adora dar espaço para o povo da mal denominada ultra-esquerda desancar o PT com argumentos cheios de razão, mas que na prática se traduzem em comportamentos inconsequentes como este de, numa hora como essa, manter candidaturas testemunhais.

Deu espaço até para o cidadão que está distribuindo o recorte abaixo: 


Nesse recorte, o referido cidadão me cobre de impropérios e de mentiras (ele parece acreditar mesmo que sou “lulista” e venero estátuas….), tudo isso como trampolim
para defender o voto nulo, apresentado - pasme! - como parte do caminho para a revolução brasileira.

Outra hora vou comentar a parte racional do que ele afirma no recorte acima disponibilizado. Por enquanto, me limito a reiterar o que acho ter dito no mesmo espaço onde o cidadão despeja toda sua fúria: em 2026, defender que a classe trabalhadora vote nulo é ser aliado objetivo da extrema-direita.

Nesse espírito, sugiro ao Nildo Ouriques que mude o nome de sua organização, para “Contra-revolução brasileira”. 

É feio, mas seria intelectualmente mais honesto.












BETS: a aposta certa

A imprensa informou que haveria, no entorno do presidente Lula, diferentes posições sobre o que fazer com as BETS.

Esquematizando, haveria gente defendendo proibição parcial e gente defendendo proibição total.

Se havia mesmo e quem defendia o quê, só quem participa do tal entorno poderá confirmar.

Mas o fato é que Lula decidiu pela proibição total.

O filho do cavernícola não gostou: disse que a proibição seria oportunismo e sinal de desespero.

Até aí, normal. 

O que surpreende é como tem gente boa que, a esta altura do campeonato, segue preocupada com possíveis repercussões eleitoralmente negativas da medida.

Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

Mas tem horas em que o excesso de “direção defensiva” tende a provocar acidentes.

Para quem se preocupa com as críticas e ataques contra a medida - vindas, por exemplo, das empresas de comunicação que ganhavam muito dinheiro com as BETS - lembro que, se todos nós eleitores do presidente Lula decidíssemos pular num abismo, é muito provável que do lado de lá nos criticariam por ter demorado muito para tomar a decisão de pular e, claro, pela nossa falta de elegância ao praticar o salto mortal.

Noutras palavras: é óbvio que, numa disputa e numa sociedade polarizadas, sempre haverá repercussões negativas acerca de absolutamente tudo.

E aquilo que não tem solução, não é um verdadeiro problema.

 O relevante, eleitoralmente falando, são três outras questões.

Primeira: vamos perder algum apoio entre quem, hoje, nos apoia?

Segunda: a proibição nos ajuda a disputar o apoio dos trabalhadores pobres, das mulheres e dos negros que, por enquanto, estão pensando em se abster, votar nulo, branco ou até no cavernícola?

Terceira: a medida anunciada por Lula deixa o lado de lá na defensiva, tendo que responder a uma iniciativa do nosso lado?

A resposta para essas quatro questões é, respectivamente: não, sim e sim.

Entretanto, o mais relevante não é a dimensão eleitoral; o decisivo é responder ao seguinte: a medida é justa? Protege o povo? Prejudica os criminosos?

/ resposta é sim. Motivos pelo quais - talvez o entorno tenha o que dizer a respeito - a proibição poderia e deveria ter sido adotada antes. 

Sem falar que ir para cima das BETS abre as “portas da percepção” para outra questão: a jogatina especulativa praticada pelo setor financeiro privado.

Mas, a cada dia, sua agonia.

No dia de hoje, vamos comemorar e difundir muito a nossa aposta certa. 

E, sempre, manter a pólvora seca, pois Trump - o cavernícola ianque - tem um longo histórico de investimentos em cassinos e jogos de azar.

E vai seguir apostando tudo contra nós, como já fez noutras eleições latino-americanas. Mas, desta vez, vai perder.

Quem tiver dúvidas a respeito, infelizmente estou impedido de propor uma aposta…









sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Meu querido diário….

Tem o livro que “vou escrever depois de morrer”.

Tem as “histórias de um partido imaginário”, que serão lançadas quando estiver funcionando a todo vapor a conexão Olinda-Pequim.

Tem o “qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência”, que volta e meia aparece neste blog.

E, finalmente, ao menos por enquanto, tem o “meu querido diário”, uma política compensatória contra o fato de certas pessoas não entenderem adequadamente a frase “meu ouvido não é privada”.

Lembrei disso hoje, quando alguém me procurou, preocupado com onde poderia dar o fio do novelo citado em matéria publicada no jornal O Globo. Trecho da tal matéria diz o seguinte:

“ONG que recebeu uma emenda parlamentar de R$ 200 mil do

senador Flávio Bolsonaro e é suspeita de ter ligações com os

irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados pelo

assassinato da vereadora Marielle Franco, também foi

beneficiada com R$ 300 mil da deputada federal bolsonarista

Chris Tonietto (PL-RJ) e R$ 1,5 milhão do próprio Chiquinho”.


Respondi que “só uma corregedoria salva”.

A proposta de criar uma corregedoria foi apresentada durante o debate acerca código de ética do PT, ou seja, depois de 2006.

A corregedoria recebeu oposição frontal de um determinado cidadão, que convenceu seus companheiros da “tendência então majoritária” que “não somos polícia”.

De fato, não somos polícia. Mas todo partido sério mundo afora tem que criar mecanismos para detectar, preventivamente, situações que podem causar dano.

Minha suspeita é que o referido cidadão defendia uma corregedoria informal e privada. Se era ou não isso, nunca saberei, pois ele não está mais entre nós. Mas o fato é que a proposta de criar uma corregedoria foi derrotada.

Resultado prático: só descobrimos que “gente nossa” está fazendo merda, depois que terceiros trazem as suspeitas e/ou os malfeitos à tona. E aí temos que lidar com as consequências e sob fogo inimigo.

E, pior, como não temos corregedoria, está sendo cada vez mais comum nosso pessoal acreditar nas denúncias, mesmo quando são falsas.

E ainda tem o efeito colateral de transformar alguns ouvidos - supostamente confiáveis - em privada. Sem que exista para onde encaminhar as denúncias.

E sem falar, é claro, da preguiça, covardia, autosabotagem e prevaricação que prevalecem em alguns dirigentes partidários, a exemplo do atual secretário-geral nacional.

Mais detalhes, ver livro que será escrito depois que morrer.








quinta-feira, 24 de setembro de 2026

2026: uma surpresa após a outra

Tem gente que odiou, mas do jeito dele é um filme simpático aos que persistem.

Refiro-me a “Uma batalha após a outra”.

Se fosse sobre nós - melhor dizendo, sobre uma parte de nós - o título deveria ser “Uma surpresa após a outra”.

Aparentemente a mais recente “surpresa” está citada no texto disponível no link abaixo:

https://www.brasil247.com/brasil/brasil-e-surpreendido-por-ofensiva-trumpista-de-paises-latinos-contra-pcc-e-cv-e-avalia-reacao/

A lista de “surpresas” é longa.

Para citar quatro casos em destaque nos últimos dias:

-a taxa de juros praticada pelo Golden Boy indicado para o BC;

-a conduta do “terrivelmente evangélico” AGU;

-o corpo mole de inúmeros aliados de direita país afora (na hora do vamos ver, contamos mesmo é com os de sempre);

-o bom desempenho do PT na disputa para o governo de Minas Gerais (“pachecar” vai entrar para o dicionário como “escolha obviamente errada que nos faz perder tempo”).

Mas talvez a maior “surpresa”, para esta parte de nós - nos incluam fora dessa - é a de que a eleição presidencial de 2026 seria duríssima e resolvida por uma pequena diferença.

Boa parte dos problemas que vivemos hoje decorre de um planejamento de campanha baseado na crença de que tudo seria diferente.

Sendo assim as coisas, não custa nada torcer por uma surpresa de verdade: que alguém, em algum lugar, esteja preparando nossos planos para a batalha que vai começar no dia 4 de outubro, assim que as urnas fecharem.










quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Delcy, traição ou tibieza

Semana passada, um colega de trabalho me perguntou se, diante de tudo o que ocorreu desde 3 de janeiro, eu continuava opinando que na Venezuela não havia ocorrido uma traição.

Eu respondi que minha opinião não havia mudado: o sequestro de Maduro, embora tenha sido favorecido por traições pontuais, não decorreu de uma conspiração de parte do governo venezuelano.

Porém, o que ocorreu desde então me faz lembrar a crítica feita por ninguém mais, ninguém menos, que a então vice-presidenta Delcy, contra alguns governos que ela, então, acusou serem “tíbios”.

Claro que houve uma derrota. Claro que é preciso recuar. Claro que certas concessões são inevitáveis. Mas é preciso manter a compostura.

A Venezuela foi atacada. O presidente Maduro e Cilia foram sequestrados e estão presos. Trump acabou de discursar na ONU fazendo acusações falsas. Frente a isto tudo, o que pensar do texto abaixo, divulgado na conta pessoal da atual presidenta da Venezuela?

“Tivemos uma reunião histórica com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem discutimos a fortalecimento da relação bilateral entre os nossos países e a avançada de uma agenda de cooperação em áreas estratégicas como energia, mineração, segurança e outros assuntos de interesse comum”.

“Expressamos nossa gratidão ao Presidente Trump e ao seu governo pelo apoio decisivo fornecido durante a emergência causada pelos terremotos em 24 de junho, bem como pelo apoio deles à reintegração do nosso país em espaços multilaterais”.

“Venezuela e os Estados Unidos compartilham uma relação histórica, e nesta nova etapa, somos chamados a navegar nela através do diálogo. Continuaremos a promover uma diplomacia no serviço do interesse nacional, com o objetivo de alcançar resultados concretos e benefícios coletivos para o povo venezuelano.”

A postagem está aqui:

 https://www.facebook.com/share/1EeMJf82a2/?mibextid=wwXIfr



 

Primeiro ou segundo turno?

Um colega acaba de divulgar um texto publicado no jornal O Globo.

Junto do link, este colega afirmou seu respaldo - indireto, como é habitual nesse tipo de situação - a tese exposta no tal artigo, que copiei e colei ao final.

Segue abaixo o que respondi ao tal colega, cujo nome não cito porque sua mensagem não foi pública. 

Oi fulano, olá todo mundo. Uma das teses do artigo que vc enviou - tese que, segundo entendi, vc informa ser respaldada pelo NOPPE - é que a eleição pode ser vencida, no primeiro turno, pelo cavernícola.

Pode acontecer isso? Bom, eu sou a favor do princípio de que “quase tudo pode acontecer”. Portanto, poder, pode. 

O catastrófico é que, se de fato vier a ocorrer, as chances maiores são, como diz o próprio texto, a favor da “oposição”, qualificativo  que o autor do artigo distribuído por vc atribui à candidatura dos milicianos de extrema-direita.

Isto posto, um comentário: diferente da vó do autor do artigo, que podia prever a chuva chegando, mas era incapaz de fazer chover, nós somos capazes não apenas de prever resultados possíveis, mas também somos (nós e nossos inimigos) capazes de ampliar ou de reduzir a possibilidade desses cenários ocorrerem.

A “oposição”, por exemplo, está trabalhando com 3 planos: ganhar no segundo turno, ir ao segundo turno em primeiro lugar, ganhar no primeiro turno.

Já nós, como é público, convivemos desde o início com diferentes posições, desde os que ontem achavam que íamos faturar no primeiro turno, até os que agora estão tomados por um pessimismo derrotista daqueles que deveriam ser tratados em casa.

Isto posto, a questão é: não temos dois candidatos disputando a presidência. São 13. E tudo indica que a diferença entre as duas candidaturas principais será muito pequena, da ordem de 2% dos votos válidos ou menor. 

A pergunta que faço é: os demais 11 candidatos terão menos que 2%? Obterão, somados, um total de votos inferior à diferença? 

Como disse antes, quase tudo pode ocorrer. Inclusive uma pressão direta da Embaixada gringa sobre este pessoal. Mas este (a soma dos votos válidos dos 11 ser menor que a diferença entre os 2) segue sendo o cenário menos provável. Assim sendo, o melhor é focar em fazer muita campanha e começar a preparar a batalha do segundo turno.

Pois o pior que pode acontecer é um repeteco do que já aconteceu: nosso pessoal planejar a campanha prevendo um cenário totalmente diferente do real.

Segue o texto comentado 

Mauricio Moura

Não fiquem surpresos se a eleição acabar dia 4 de outubro

As disputas para governos estaduais devem terminar a sua maioria em primeiro turno


A minha avó, Dona Maria José, morava no interior de Minas Gerais e nunca teve pluviômetro. Tinha um banco de madeira no terreiro e o hábito de sentar nele, todo fim de setembro, com os olhos no chão. Via o joão-de-barro que virara a porta da casinha para o lado contrário do vento, as formigas carregando ovos em fila para o alto do barranco, a cigarra que se calara cedo demais. O céu, enquanto isso, era de um azul quase ofensivo, sem um fiapo de nuvem, e o rádio prometia sol até o fim da semana. “Vai chover feio”, dizia ela, sob o riso dos vizinhos, e ia avisar todo mundo para tirar a roupa do varal. Dois dias depois, a água descia da serra em cortinas.
Em 2026, as eleições são assim. O céu está limpo: sem comício lotado, sem febre nas redes (quando o tema não é STF) e sem o barulho da decisão. O (a) eleitor(a) diz que ainda não pensou, que tanto faz (todo mundo envolvido no Master mesmo) e o país parece de braços cruzados, esperando o tempo passar. Nem parece campanha. Mas o céu é sempre a última coisa a mudar. Antes dele, mudam o bicho, o vento, o barro, o silêncio. Basta sentar no terreiro e olhar para o chão que temos vários sinais do que será o primeiro turno no dia 4 de outubro. Listemos alguns.

As disputas para governos estaduais devem terminar a sua maioria em primeiro turno. O motivo é o menor número de candidaturas. Menos candidaturas, maior chance de termos um(a) vencedor(a) antecipado(a). São Paulo e Pernambuco (com segundo turno em 2022) são exemplos. Em 2026, só há duas candidaturas competitivas em ambos. O motivo é que os partidos preferem investir o fundo eleitoral em candidaturas para a legislativas federais (que impactam o acesso ao fundo partidário, eleitoral e emendas parlamentares) do que em chapas majoritárias sem chances reais. Também esse será um ciclo de inúmeras reeleições de governadores(as) porque temos uma onda de governos bem avaliados. Em tudo constante, governos estaduais majoritariamente aprovados vencerão. 

Na Câmara, a taxa de renovação deve ser baixa. Nunca uma turma de deputados(as) teve tanto recurso financeiro para buscar um novo mandato. E, também, se a distribuição de prefeituras eleitas em 2024 seguir como preditor do perfil da nova legislatura, teremos PL, PSD, PT, União-Progressista e MDB como as principais agremiações (talvez até nessa ordem). No Senado, esqueçam as pesquisas de opinião (que medem no máximo o recall). A decisão de voto é na última hora e a maioria ainda não sabe que são dois votos. Todavia, é natural imaginar que os(as) eleitos(as) terão enorme correlação de votos com governadores e candidatos a presidente bem votados de cada estado. Nesse contexto, o novo Senado provavelmente terá mais “bolsonaristas”.

Na presidencial, quando o assunto for pesquisas na última semana, recomendo aos(as) leitores(as) se desgarrarem das análises da imprensa em cima de um cálculo de voto válido de pesquisas estimuladas de intenção de voto. Essa matemática ignora o perfil recorrente de abstenção (20% do eleitorado, com perfil de menor renda e escolaridade) e também minimiza o papel dos (as) indecisos(as). Aliás, muito importante, as pesquisas trazem uma amostra de 100% do eleitorado e são aproximadamente 80% que costumam votar. A única pesquisa comparável, que elimina indecisos e só entrevista quem apareceu para votar, é a boca de urna. Porém, essa pesquisa já não existe no Brasil (os resultados são divulgados a partir das 17 horas). Sobre a parcela indecisa, as pesquisas espontâneas (quando não são mostradas as alternativas) trazem uma leitura muito mais apurada do estado mental na reta final. 

Sendo assim, acreditamos que a oposição vai se beneficiar novamente do antipetismo de chegada, quando há uma mudança de voto de última hora em favor do candidato mais bem posicionado para ganhar do PT. Como aconteceu em 2014, 2018 e 2022. 

Portanto, há uma enorme probabilidade de um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Porém, a depender do perfil de não voto (brancos, nulos e abstenção) e da força do antipetismo de chegada, não fiquem surpresos se a eleição acabar dia 4 de outubro, inclusive com vitória da oposição. Dona Maria José, que viu de tudo em 88 anos de vida, certamente não ficaria.

O discurso do Imperador Trump

(sem revisão)

É importante ler o discurso do presidente Lula, feito no dia 22 de setembro de 2026, na sessão de abertura da 81a Assembleia Geral da ONU.


Mas também é importante ler o discurso do Imperador Trump, feito logo em seguida ao de Lula.

O discurso integral do Imperador pode ser lido aqui:  Estados Unidos de América, Debate General, 81° período de sesiones | UN Web TV

Para facilitar a vida, copio e colo ao final o tal discurso de Trump, em espanhol.

É impressionante o contraste entre o discurso de Lula e o discurso do Imperador.

Primeiro, pela cabotinice. 

Se alguém tinha dúvidas que o Imperador tem problemas graves, sugiro ler o tal discurso.

Mas antes recomendo tomar uma tríplice vacina contra cabotinice, narcisismo e déficit de atenção.

Uma segunda diferença entre os discursos de Lula e do Imperador está na forma de tratar o mundo.

O discurso do Imperador trata os Estados Unidos como o centro do mundo. O resto é o resto.

Exemplifico com alguns trechos:

-"nosso país é mais forte agora do que nunca";

-"basicamente estamos liderando em tudo";

-"Estados Unidos se encontra no auge";

-"a era de ouro, o século de ouro dos Estados Unidos";

Terceira diferença: grande parte do discurso de Trump teve finalidades direta e exclusivamente eleitorais, com direito a mentiras e exageros de todo tipo e ordem.

Quarta diferença: a abordagem das questões mundiais. 

Enquanto Lula tratou dos grandes dilemas da humanidade, Trump distribuiu ameaças e comemorou êxitos que só ele enxerga.

Por exemplo, Trump afirmou que "enquanto os demais falavam de paz, eu fiz a paz". 

Segundo Trump, ele teria conseguido acabar com oito guerras: Camboja, Tailândia, Kosovo e Servia, República Democrática do Congo e Ruanda, Paquistão e India, Armênia e Azerbaijão, além de Gaza (que seria a nona). E prometeu, mais uma vez, que vai acabar com a guerra entre Rússia e Ucrânia.

A respeito de algumas dessas guerras, Trump cita mensagens de agradecimento dirigidas a ele próprio. 

Não há como não constatar: quando alguém fala tantas vezes de si mesmo na terceira pessoa, deixa de ser "majestática figura" e passa a ser "complexo de Imperador".

Parte expressiva do discurso de Trump foi dedicada a atacar a República Islâmica do Irã, apresentada como "patrocinador número um do terrorismo", um país que estaria "violando todas as leis".

Evidentemente, Trump acusa o Irã de fazer aquilo que os Estados Unidos fazem.

Prova adicional disso, aliás, é que Trump falou no seu discurso em "aniquilar" o Irã, levar o país inteiro "ao inferno, sem possibilidade de sobrevivência, sem esperança de futuro durante várias gerações".

Que alguém discurse na ONU usando descaradamente estes termos genocidas já seria criminoso e doentio, que este alguém seja o presidente dos Estados Unidos é um sinal de que vivemos tempos para lá de perigosos.

Trump também falou da "Guerra em Gaza" e nominou uma série de países que ele pretende ajudar ou com os quais ele diz estar contando: “Marrocos, Baréin, Qatar, Kuwait, Arabia Saudita, Turquía, Uzbekistán, Indonésia, Albania, Kosovo, Kazajstán, Egipto, Jordania e muitos mais”.

Pequena parte do discurso de Trump foi dedicado a Venezuela, apresentando a invasão de um país soberano e o sequestro de seu presidente como uma "operação militar" para deter um "criminoso".

E como o Imperador é um bandido sem complexos, na sequência ele apresentou o resultado do crime: "o maior acordo petrolífero da história".

A respeito deste acordo, Trump diz abertamente o seguinte: "To the victor belong the spoils". Algo como "ao vencedor cabem os despojos".

Trump apresentou o case da Venezuela como um paradigma de como os Estados Unidos agirão. 

E reafirmou um de seus pretextos preferidos: os carteis de drogas, que ele chama de "exército islâmico do hemisfério ocidental", "inimigos da civilização", que devem ser "assassinados, exilados ou detidos como combatentes estrangeiros".

Detalhe importante: Trump se julga no direito de adotar estes critérios e agir em consonância, fora dos Estados Unidos, portanto invadindo território soberano de outros países. 

É neste ponto do discurso que Trump cita o México e Cuba, "um estado falido, um estado fracassado, que vai cair".

Detalhe importante: Trump  diz que o regime de Cuba cultiva laços com grupos radicais e subversivos como o "Communist Party USA, Antifa and the Democrat Socialists of America", este último conhecido pela sigla DSA.

O DSA, para quem não sabe, é o grupo ao qual pertence o prefeito de Nova Iorque.

Em seguida, Trump fala sobre o "acordo" acerca da Groenlândia, onde serão construídas duas bases militares.

Diz que a OTAN hoje é "mais forte do que nunca".

Reafirma sua opção pela guerra tarifária.

Elogia a primeira-dama Melanie, que ele destaca como sendo a primeira primeira-dama a presidir uma reunião do Conselho de Segurança da ONU.

Literalmente: "She also became the only first lady in history to preside over a meeting of the U.N. Security Council."

O episódio lembra Calígula.

Trump engata várias críticas contra a ONU e contra o Tribunal Penal Internacional, composto por "gente malvada" (para ser preciso: an evil group of people) favorável a "mutilação transexual" e que não fala nada acerca da "perseguição contra os cristãos" que estaria ocorrendo em todo o mundo.

Epstein talvez fosse capaz de explicar essa fixação.

Em seguida vem, talvez, a parte mais curiosa do discurso de Trump, quando ele informa que deixará de usar o termo "Inteligência Artificial" e passará a usar o termo "Superinteligência".

Segundo Trump, os temores frente a IA e a catástrofe climática são igualmente indevidos, sendo que o tema da superinteligência provocará um impacto maior do que o impacto causado pela Revolução Industrial. E, segundo ele, os EUA não vão aceitar nenhum tipo de gestão mundial "globalista" do tema.

Nesse contexto Trump fala, pela primeira e última vez em seu discurso, da China. 

Segundo ele, quem ganhar a competição pela superinteligência, vai ganhar tudo. E, ainda segundo Trump, os Estados Unidos estariam superando a China nesse terreno.

Neste ponto, já no final desse discurso cheio de elogios, vem o paradoxal. 

Segundo Trump, em 1776, enquanto escutavam pela primeira vez a Declaração de Independência, os patriotas enfrentaram uma imensa invasão britânica, feita com 100 navios ou mais.

Frente a tal demonstração de poderio militar, diz Trump, os patriotas "não tínhamos uma única chance, entretanto, ganhamos". E a chave para o êxito esteve e segue estando, sempre segundo ele, em ter "vontade e determinação".

Pois é. 

Hoje, 250 anos depois, os Estados Unidos não são a vítima da pérfida Albion, mas sim uma nação imperialista que ameaça grande parte da humanidade.

Contra isso, vale lembrar as palavras do presidente Lula, ditas imediatamente antes do discurso de Trump: "o Brasil não cabe no quintal de ninguém". Continuaremos "sendo um país soberano. Ninguém...!!! Ninguém nos afastará desse caminho".

A chave para o êxito já temos: vontade e determinação. 

Agora é manter a pólvora seca. E ganhar a eleição.

(sem revisão)


Segue abaixo a transcrição do discurso de Trump, disponível no site da ONU