Escrevo isso depois de saber das opiniões de um renomado especialista em pesquisas.
Deste informe, deduzo que há coisas (e pessoas) que não mudam.
Antes do início, otimismo desenfreado.
No meio, pessimismo exagerado.
Nos dois casos, o efeito é a paralisia.
Antes, porque supostamente nada precisaria ser feito.
No meio, porque supostamente nada adiantaria ser feito.
E, como se não bastasse, sempre tem algum “especialista” para dar ares de ciência àqueles comportamentos polares.
Tá difícil?
Tá!
Vai ficar ainda mais difícil, antes de melhorar?
Com certeza!
Podíamos estar melhor, se muitas coisas tivessem sido pensadas e preparadas diferente do que foram?
Óbvio.
Aliás, tentamos, mas é difícil convencer quem deseja acreditar que o time já ganhou, antes mesmo da partida ter começado.
Mas qual a novidade?
Nenhuma!
Está acontecendo, agora, algo parecido ao que já ocorreu em outras eleições.
Claro que algum dia pode terminar mal.
Mas nosso dever é o de fazer absolutamente tudo para que, ao final, saíamos vencedores.
Nossa grande “sorte” é que contamos com a inestimável contribuição do “instinto de classe” e do “entusiasmo na reta final” de dezenas de milhões de trabalhadoras e trabalhadores.
Isto posto, algumas sugestões para quem não gosta de ficar chorando o leite derramado.
Primeira sugestão: não dar palanque nem cabimento para quem acha que “as chances de vitória são as piores possíveis” etc e tal.
Na boa: se é que algum dia foi, agora certamente passou a hora deste tipo de “conversa”.
Numa guerra, derrotismo é arma do inimigo.
A hora é de engatilhar, atirar, engatilhar de novo, atirar de novo, engatilhar mais uma vez e seguir assim até vencermos.
Derrotistas devem ser convidados a sabotar noutro lugar.
Pelo mesmo motivo. não devemos dar ouvidos para quem, a essa altura do campeonato, fica pondo defeito em nossas candidaturas.
Temos defeitos? Claro.
Mas a pior de nossas candidaturas é melhor que a súcia dos nossos inimigos.
Segunda sugestão: existem centenas de milhares de pessoas esperando ser convocadas para fazer campanha.
A maioria dessas pessoas não vai se engajar nas campanha proporcionais.
Mas está disposta a fazer campanha para Lula e, em muitos casos, também para as demais candidaturas majoritárias.
As direções da campanha e do Partido precisam criar os meios para engajar essas pessoas.
Mas para isso precisa ter direção funcionando, se reunindo, ajustando a linha política, organizando cada batalha, dando o exemplo.
Explicando: cabe aos dirigentes organizar a campanha como um todo, não apenas a de suas próprias candidaturas proporcionais.
Terceira sugestão: ajustar a linha política.
O eleitorado que está em disputa não será convencido, principalmente, pelas nossas “entregas”, nem pelo medo da volta dos cavernícolas.
O principal argumento capaz de conquistar mais eleitores não diz respeito ao passado, nem ao presente.
O nosso melhor argumento, capaz de conquistar parte importante de quem não escolheu até agora, diz respeito ao futuro: trata-se de disputar os sonhos coletivos da classe trabalhadora, acerca do Brasil em que queremos viver nas próximas décadas.
Por isso mesmo, não podemos dar atenção a quem defende “estadualizar” as campanhas.
Óbvio que numa campanha a governo e legislativos, devemos falar de temas estaduais.
Um exemplo da aldeia: precisamos defender a reestatização da Sabesp (empresa de saneamento privatizada pelo cavernícola que hoje desgoverna São Paulo).
Outro exemplo: precisamos tomar medidas que tirem São Paulo da atual posição, de estado campeão dos feminicídios.
Mas devemos tratar destes e de outros temas em total conexão com a campanha presidencial e com o futuro do Brasil.
Tampouco devemos dar atenção a quem defende salvar as elites delas mesmas, por exemplo fazendo juras fiscalistas ou arrastando a asa para um suposto “agro do bem”
Novamente um exemplo da aldeia: há um poderoso bloco de classe fazendo de tudo para dar a vitória, no primeiro turno, para o desgovernador cavernícola.
O único jeito de derrotar esta aliança pouco santa é mobilizando o povo, a plebe, os de baixo, os excluídos, os desvalidos, as camadas mais lascadas e “danadas” da classe trabalhadora.
Isto posto: até o momento, tudo indica que teremos segundo turno para a presidência.
Logo, quanto mais deputados, senadores e governadores elegermos no primeiro turno ou levarmos ao segundo turno, melhor.
Isso é particularmente verdadeiro no caso dos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Nestes dois e em todos os outros casos, não tem mágica: só muita campanha salva!
Cabe aos nossos dirigentes e candidatos - por exemplo, Patrus e Haddad - dar o exemplo.
E, se as coordenações e direções não comparecerem em tempo hábil, façamos nós a coisa certa: guerra total até a vitória final!