Turnê!
Ou alguém invadiu o perfil do PCO no face.
Ou assumiram o lado artístico da coisa.
https://www.facebook.com/share/p/18PCNp1c9s/?mibextid=wwXIfr
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Um irmão (de verdade) disse para eu não dar palanque para o cidadão. Expliquei que dois jornalistas sérios e com bastante audiência acharam por bem dar palanque. E, como me ensinou o velho Perseu Abramo, melhor registrar sempre a devida correção.
[LF] Teve uma fala do Valter que me chamou muita atenção. Ele falou assim que que o PT é um partido socialista. A minha pergunta para ele, não sei se você chegou a ver, disse: "Vem cá, o PT se afastou do socialismo, né, na origem, tirou a narrativa dos seus documentos, das suas falas, não toca mais em socialismo e tal". E ele falou: "Não, o PT é socialista” e, segundo ele, o socialismo só virá no Brasil se for por meio, através do PT. E aí eu queria uma avaliação sua sobre isso, sobre essa essa fé inabalável, digamos assim, do Valter Pomar. E eu tenho impressão que outras pessoas dentro do PT, da ala mais à esquerda, de que o PT ainda é socialista e de que o socialismo será a decorrência da ação do PT na política brasileira.
[NO] Pô, eu poderia dizer que isso é um delírio do Valter, mas eu quero dizer que é um oportunismo político. Tal como Valter, eu sou fundador do PT aqui no estado de Santa Catarina e no começo nós falávamos numa sociedade sem explorados e exploradores. Evitava-se o jargão socialista. E nós fizemos uma disputa dentro do partido. O Valter tava na concepção dominante do partido. Depois ele criou uma Articulação de Esquerda, porque ele era da Articulação, a tendência majoritária, ele era lulista, sempre foi, continua lulista. E e suponho que tenha vida longa, um dia vai morrer lulista, que é uma loucura, né? Para alguém que se diz marxista, de esquerda e leitor de Lenin, isso é abraçar uma estátua, não é? Então, o partido, nós perdemos essa batalha, ele é um dos viúvos, dos órfãos no 5º Encontro, que criou um programa, o programa democrático e popular, baseado numa interpretação derivada das teses do Partido Comunista, sem dúvida nenhuma, no mercado interno, na reforma agrária, na ideia, no suposto que esse programa democrático popular poderia ser a transição para um socialismo ou para um capitalismo autônomo, que no fundo era isso que preconizava. Hoje eu tenho clareza sobre isso. E meu próximo livro sobre o capitalismo independente rentístico, eu expresso isso com riqueza de detalhes. Então o Valter supõe que ah, ele diz: "Não, não, não se fala em socialismo". Não, ninguém lá é socialista. O que o que que o Edinho tem de socialista levando 73% com apoio explícito do Lula? Eu gostei de você inquirindo ele, colocando a contradição e claro que não aprovo o caráter cínico da resposta dele, o delirante, não é? Que é o objetivamente dizendo que se pode praticar a luta pelo caminho da revolução brasileira, do socialismo, sem falar nisso. Ora, isso é só um argumento retórico, vazio, não no sentido clássico da retórica, né, que precisaria expressar a verdade. Então, aquilo ali foi verdadeiramente um um momento da entrevista que você deu uma estocada séria e ele saiu pela tangente, mas dentro do partido, a julgar pela última decisão que ele participou, então ele não pode dizer que ele ignora, que ele não viu, em que ele teve 4,3% dos votos dos filiados, não é? E só o Edinho teve quase 240.000 votos, não é? Ele teve nada. O Edinho teve 73, ele teve 4,3. Quem fala em socialismo lá? O Edinho, o Lula, o Zé Dirceu, a Gleici Hoffman, os ministros? Isso é um delírio, né? Isso é uma mentira. Isso é uma prática cínica da política. Eu não tô aqui falando do ponto de vista moralizante, não é identificando tendências obras que você colocou para ele e ele não… Saiu pela tangente. Não tem a menor discussão sobre o socialismo no Partido dos Trabalhadores. A representação parlamentar nos estados, nos municípios, etc. É um carreirismo político completo. Ele diz: "Bom, o partido desprestigiou a luta ideológica, a luta política, a formação, etc." Sim, mas tem que explicar por que isso aconteceu. Ocorreu por uma decisão consciente da cúpula partidária da maioria formada por Lula, da qual se desvinculou tardiamente, fazendo a Articulação de Esquerda e que é o santo de devoção dele. O Lula é o epicentro de todos os males do Partido dos Trabalhadores. É a expressão cabal dessa consciência que não é nem sequer ingênua. É uma é uma atuação e uma práxis cúmplice da podridão do sistema político com a classe dominante e é também a última reserva, digamos assim, entre aspas, moral da impotência política daqueles que dentro do partido apenas tem uma uma presença testemunhal. Nesse aspecto, aqueles que julgam que nós que estamos defendendo a campanha pelo voto nulo para disputar dentro das eleições um terreno crítico, estamos crescendo. Eu vejo cada vez mais, cada vez mais. Essa é o segundo voto nulo que nós vamos praticar da Revolução Brasileira, mas agora na forma de uma campanha, muita gente conosco e eles estão naturalmente que nos dizer que somos aliados objetivos do fascismo, porque ele mesmo concebe que, duas coisas: que o Lula com absoluta certeza vai vencer; e, segundo, que vai ser por muito pouco. Eu não tenho nenhuma das convicções, mas como ele mesmo diz, ele diz bom, importa que se o Lula ganhar, que que nós vamos fazer depois? Ele não vai fazer nada. Ele vai continuar cativo do Lula, vai continuar tendo que defender o governo, porque a direita continuará aí. E o bordão do Valter Pomar, como de todos esses identitários, todos esses liberais e vai do Valter Pomar ao Glauber Braga, vai ser defender o governo, porque no outro dia, vamos supor, o Lula vence cada vez mais à direita, com um programa mais à direita. Hoje eu assisti, Leandro, uma entrevista do ministro da economia na CNN… uns 30 minutos. É um desastre. Eles estão anunciando já o que vem por aí. E o Lula aprovou aqui o Redata e sancionou o projeto que ele mandou das terras raras. E o ministro tava falando lá, o Durigon hoje tava falando lá sobre isso. É a garantia de total. O Flávio Bolsonaro não tem o que criticar, porque o Lula roubou o ultraliberalismo. Aliás, o Flávio Bolsonaro critica porque o aumento do Bolsa Família foi só de 15%. Por que que não foi mais? Mas até isso ele já defende. O que que acontece aqui? Acontece uma coisa muito evidente. Se o Lula vencer como quer e pretende o Valter Pomar, no outro dia ele estará na mesma posição de impotência defendendo, porque a direita continuará vociferando e ele continuará nesse diapazão. Então ele não tem alternativa para o pós-eleitoral.
Transcrição de trecho da entrevista de Valter Pomar a Leandro Fortes
[VP] Veja, do meu ponto de vista, o PT é um partido socialista.
E por que que eu faço essa afirmação com muita tranquilidade? Porque o socialismo não é um livro, não é uma lista de princípios, tá certo? O socialismo é a expressão real da classe trabalhadora contra os seus inimigos a cada momento da história. É só olhar o que que o lado de lá fala de nós. O lado de lá não fala de nós aquilo que os críticos de esquerda falam. O lado de lá nos apresenta como a ameaça comunista, a ameaça socialista, a ameaça revolucionária.
É punk, porque eles enxergam não os nossos defeitos, mas as nossas qualidades. Eles enxergam não as nossas realizações, mas as nossas potencialidades.
Eles sabem muito bem que a classe trabalhadora realmente existente do Brasil tem uma vanguarda, tem um setor consciente, tem um setor que se espelha principalmente no PT, não é só no PT, mas é principalmente no PT. Então, do ponto de vista político, real, não do ponto de vista teórico, do ponto de vista do que eu desejaria, mas do ponto de vista político, real, histórico, tá certo? O PT é o principal instrumento da luta pelo socialismo no Brasil. Se houver socialismo vitorioso no Brasil, será com o PT, através do PT, junto do PT. Se o PT for derrotado, as possibilidades de uma sociedade socialista no Brasil também vão para trás.
Então, é esse o meu ponto de vista.
Agora, outra coisa que é diferente dessa é: o PT tem uma estratégia correta para lutar pelo socialismo? Claro que não. A maioria que dirige hoje o PT tem uma linha política que vai conduzir a uma…? Também não é esse inclusive o paradoxo que quem é de esquerda enfrenta o tempo todo. Só que esse paradoxo não começou com o PT.
Eu às vezes fico vendo militantes de organizações de esquerda que criticam o PT falando do passado, como se no passado fosse algo totalmente diferente do que foi. O Partido Comunista de 1922 até os anos 80, tanto o Partido Comunista Brasileiro quanto o Partido Comunista do Brasil achavam que no Brasil era necessária uma revolução democrático-burguesa. Achavam que o socialismo aqui no Brasil era uma coisa para uma segunda etapa. Fizeram inúmeras alianças com setores da direita, com setores da burguesia ou tentaram fazer.
Ou seja, ninguém olhando para trás duvida que o Partido Comunista foi um instrumento da luta pelo socialismo no Brasil. Só que na época havia muitos setores da esquerda que diziam que não era assim, porque a política que o Partido Comunista seguia era uma política seguidista, era uma política de aliança com a burguesia, era uma política subalterna. Mais ou menos as mesmas coisas que se fala criticamente em relação ao PT.
Por isso que eu acho que a postura correta é a seguinte, quer dizer, a classe trabalhadora brasileira é o instrumento capaz de construir o socialismo no Brasil. A parcela consciente dessa classe, a maior parte da parcela consciente dessa classe se identifica com o PT.
Portanto, é o PT que é o instrumento que tem que ser burilado, transformado, no sentido dele ser útil a esse processo, ao invés dele ser…, tá certo? Algo que não tenha consequência. É assim que eu penso.
[LF] Mas Valter, que partido socialista é esse que nem fala mais de socialismo? Nos documentos do PT não existe mais isso. Nos discursos não se fala mais de socialismo. Aliás, o lexo marxista não existe mais na narrativa e na retórica petista. É um governo que já foi chamado de centro-direita, esse do Lula, pelo próprio Zé Dirceu. Depois teve que se retratar, mas a emenda saiu pior do que o soneto. É um governo que faz, né, que faz sistematicamente essas parcerias publicadas que cedem muito do patrimônio através de concessões. É o governo que tem um arcabouço fiscal, que faz muitas restrições fiscais, é um governo que tem muitos problemas na economia justamente porque é vinculado a um pensamento neoliberal, um pensamento liberal que nada tem a ver com o socialismo. Por isso que eu acho estranho que você acredita que se o socialismo vier pro Brasil, virá pelo PT, você não acha que tá na hora de discutir uma via para o socialismo fora do PT, Valter?
[VP] Quem quiser fazer isso vai à luta.
Veja, primeiro, essas coisas que você fala do PT, na verdade você tá falando do governo Lula e aí você automaticamente transfere as críticas ao PT. Eu sou contra esse método. Quer dizer, o governo Lula visivelmente é um governo de aliança de classes. É um governo que tem que ser julgado pelo que faz ou pelo que ele deixa de fazer.
O PT tem que ser avaliado de outra maneira. Essa é a primeira, esse é meu ponto de vista. Segunda coisa, boa parte das coisas que se falam do governo Lula e também do PT, esse método é o mesmo que eu vejo às vezes ser aplicado em relação à China por pessoas que acham que a China é um país capitalista e o Partido Comunista da China é um farsante, porque na verdade ali é um capitalismo de Estado ou coisa parecida com isso. É um método de análise que parte do seguinte: existe uma lista de características que definem se você é ou se você não é socialista. Se você check nesses pontos, você é. Se você não check, você não é. E o processo histórico perde o sentido. Essa é a minha opinião de método em relação a esse tipo de crítica que é feita em relação ao PT, né?
Veja, o governo Lula, o governo Lula um, governo Lula dois, o governo Dilma 1, o governo Dilma meio e o governo Lula três agora e um possível governo Lula 4, serão ou foram governos socialistas? Claro que não, não tenho dúvida nenhuma. Foram governos desenvolvimentistas totalmente opostos ao neoliberalismo? Também não. Houve inúmeras concessões, acordos, políticas erradas. Por exemplo, no atual governo, nós temos no Ministério da Fazenda e no Banco Central a aplicação de uma política que eu chamo de social liberal. Eu não chamo de neoliberal, eu chamo de social liberal, porque é uma tentativa canhestra de conciliar as políticas pró sociais com as políticas pró neoliberais. E tem uma disputa. Essa disputa realmente não tem que ver com o socialismo. É uma disputa que tem a ver com você ter uma política de tipo pró capital financeiro, pró-agro ou ter uma política de tipo pró desenvolvimento econômico, pró-estado, pró-industrialização.
Precisa o Brasil de industrialização, desenvolvimento, políticas sociais? Evidentemente que sim. Isso não vai resolver o problema do Brasil, mas é positivo. Já a política social liberal, ela não é útil, ela atrapalha. A gente poderia estar hoje muito melhor do que a gente tá se não houvesse o novo marco fiscal, se o presidente do Banco Central não fosse um adorador do bezerro de ouro, etc. Não tenho dúvida nenhuma.
Agora, essa análise crítica do governo Lula não significa dizer que o Partido dos Trabalhadores tem que ser julgado por isso. Eu insisto que o Partido dos Trabalhadores, ele tem que ser julgado por ele ser ou não a expressão da parcela mais consciente da classe trabalhadora brasileira. Eu às vezes vejo as pessoas criticando o PT, a impressão que me dá é que as pessoas querem mudar de classe, querem escolher outra classe, né?
Me lembra uma gozação que o Bertold Brecht fez contra a direção do Partido Comunista da Alemanha Oriental, que não chamava Partido Comunista, né? Chamava Partido Socialista Unificado. Quando houve um levante operário nos anos 50, ele tirou sarro da direção do partido e disse: "Bom, por que que vocês não aprovam uma resolução logo mudando de povo, né?" Sim, a classe trabalhadora brasileira é ela que é capaz de construir ou não uma sociedade socialista no Brasil. E a maior parte das pessoas conscientes que integram essa classe tem o PT como referência.
Então essa coisa, vamos construir alguma, vai lá e constrói.
Quem acha que é possível fazer isso fora do PT, contra o PT, cara, desde os anos 80 houve inúmeras tentativas. O Partido da Causa operária tentou, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado tentou, o Partido do Socialismo da Liberdade tentou, a Consulta Popular tentou e a maioria dos que tentaram isso tá pedindo reingresso no PT, tá voltando pro PT, porque se deu conta do óbvio, você não constrói um caminho para o socialismo apartado da classe trabalhadora.
Agora, você também não constrói um caminho pro socialismo sem fazer a crítica dos equívocos, dos erros. Por isso, o meu ponto de vista, como você mesmo constatou, é sempre de falar a verdade, falar a crítica que tem que ser feita no sentido de que o PT reconheça que para ser útil para a construção de uma sociedade socialista, o PT precisa mudar de política.
E por fim, eu não acho verdade. Eu, bom, eu conheço os documentos do PT bastante, não acho verdade que os documentos do Não é verdade, estatisticamente falando, que os documentos do PT não falem de socialismo. Falam, falam muito menos do que falavam no passado, sem dúvida nenhuma. falam de um jeito que eu não acho mais adequado, também concordo, mas não é verdade que não falem, continuam falando. Isso em si não quer dizer nada, porque na Europa tá cheio de partidos.
Aliás, o partido ao qual o Alckmin é filiado chama Partido Socialista. E se você olhar o documento do PSB, você vai haver uma quantidade de referências ao socialismo que é impressionante. Então, o simples fato de falar de socialismo não é em si indicador de coisa nenhuma. O que, na minha opinião é indicador, repito, é quem representa na vida real, na luta de classes real, a maior parte da classe trabalhadora.
A direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda, reunida no dia 27 de setembro de 2026, aprovou a seguinte resolução sobre a situação política e nossas tarefas.
1/Entre os dias 15 e 27 de setembro de 2026, a situação política evoluiu favoravelmente para a candidatura Lula. Contribuíram para isso o "empate" que paralisou temporariamente a manobra golpista no STF, o anúncio do reajuste do Bolsa Família, o discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU, a Medida Provisória proibindo as BETS, as reiteradas provas de que a candidatura da extrema-direita é vinculada aos milicianos, o debate sobre a intolerância religiosa, o fato de nossa candidatura ter tomado a iniciativa e pautado o debate político e, principalmente, o crescimento da presença da militância nas ruas. A Nação Petista está comparecendo em massa, para defender a eleição de Lula e salvar o Brasil das milícias, de Trump, do racismo e do feminicidio.
2/Entretanto, apesar da evolução favorável a nós da situação política, as pesquisas seguem informando que - embora Lula apareça na frente, tanto no primeiro quanto no segundo turno - a oposição de extrema-direita segue ameaçadora. A respeito, cabe lembrar que nosso inimigo conta com o apoio do governo dos Estados Unidos, do governo de Israel, da "Internacional da extrema-direita", de grande parte do empresariado e dos meios de comunicação, dos "empresários da fé", do crime organizado e das big techs.
3/Portanto, devemos estar preparados para uma reta final de primeiro turno muito dura, com fake news e manipulação algorítmica, muito derrame de dinheiro e compra de votos, além de decisões ilegais provenientes do presidente do TSE, que demonstrou abertamente estar do lado da candidatura cavernícola. Além disso, é preciso lembrar que a campanha da extrema-direita tem outros objetivos, além da presidência. Querem ampliar sua presença nos governos estaduais, na Câmara dos Deputados e no Senado, onde o tema do Supremo constitui o carro-chefe da campanha da direita. É preciso lembrar, também, que a Medida Provisória das BETS, assim como o fim da escala 6x1, serão submetidos ao voto do atual Congresso Nacional. A principal arma que temos para influir nessa conjuntura tão complexa é a presença constante da militância, especialmente nas ruas, com material visual, camisetas, botons, bandeiras, caminhadas, corpo-a-corpo, adesivando carros e pessoas, colocando bandeiras nas janelas das casas, tornando a campanha visível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Onde não houver orientação organizada da coordenação de campanha e da direção do Partido, compete ao conjunto da militância cumprir seu dever e fazer a coisa certa. O que inclui presença ativa no dia da votação e fiscalização intensa.
4/Tudo indica que a eleição presidencial será resolvida no segundo turno. Embora não seja impossível, é muito pouco provável que nossa vitória ocorra no primeiro turno. O mais provável, como temos alertado desde o início de 2025, é que nossa vitória aconteça no segundo turno e por uma pequena diferença.
5/Nesse sentido, reiteramos a necessidade de preparar desde já a realização, no dia 5 de outubro, das primeiras atividades de campanha do segundo turno. Evidentemente, a linha do segundo turno dependerá em parte dos resultados da eleição de governos estaduais, Assembleias Legislativas, Senado e Câmara. Mas, sem prejuízo do ajuste final que dependerá da análise dos resultados globais do primeiro turno, existem medidas que podem e devem ser preparadas desde já.
6/Confirmado o segundo turno, será preciso manter funcionando, do ponto de vista político e organizativo, os comitês de campanha das candidaturas proporcionais. Vitoriosas ou não, cada candidatura deve convocar plenárias já no dia 5 de outubro, para organizar o engajamento no segundo turno. O mesmo vale para os comitês de campanha das candidaturas ao Senado. Não importando se vencemos ou não, é preciso convocar atividades, já no dia 5 de outubro, para engajar os apoiadores das candidaturas ao Senado no segundo turno da disputa presidencial.
7/É preciso uma atenção especial para aqueles estados onde a eleição para governador terminar já no primeiro turno. Nesses casos, mesmo onde nós tenhamos vencido, haverá uma tendência à desmobilização da nossa militância. Por isso, reiteramos a necessidade de que - ainda na noite de 4 de outubro - nossas candidaturas, suas respectivas coordenações de campanha e a direção do Partido convoquem a militância a se manter mobilizada e convoquem, já para o dia 5 de outubro, as primeiras atividades. O mesmo vale, por óbvio, para aqueles estados onde houver segundo turno, mas sem que haja no segundo turno nenhuma candidatura apoiadora de Lula.
8/Devemos nos precaver contra a tendência, já vista no primeiro turno, de algumas candidaturas a governador - mesmo que apoiadas pelo PT - tentarem manter certa distância de Lula, na tentativa de disputar votos de eleitores ligados à direita. Esta postura - eleitoralmente inútil, pois a eleição está polarizada - pode, em alguns casos, se repetir no segundo turno, motivo pelo qual é importante que o PT esteja preparado para montar coordenações próprias de campanha. Sem prejuízo de pressionar pelo cumprimento dos acordos feitos, devemos confiar acima de tudo nas nossas próprias forças.
9/Esperamos que, no segundo turno, sejam corrigidos os erros cometidos, no primeiro turno, pela coordenação de campanha e pela direção do Partido. Mas devemos nos preparar para a hipótese de que prevaleça a mais absoluta falta de simancol. Assim, é preciso entre outras coisas que a base do Partido não espere pela chegada de materiais: os produza com suas próprias mãos. Cartazes, bandeiras, camisetas, adesivos, faixas, tudo o mais que for necessário deve começar a ser produzido desde já, para que esteja disponível já no dia 5 de outubro.
10/A vitória no segundo turno não dependerá dos apoios que venham da elite, dos partidos de direita, dos setores de centro, das camadas médias da população. Evidentemente, tais apoios serão bem-vindos, até porque se trata de derrotar uma quadrilha de milicianos, traidores da pátria e fascistas. Mas é preciso lembrar que, em 2018 e em 2022, a maior parte da classe dominante e de seus partidos escolheu apoiar os milicianos. Em 2026 é isso que tende a ocorrer, novamente. Por esse motivo, nosso esforço principal de campanha - político e organizativo - deve estar voltado a conquistar o voto dos setores populares: trabalhadores de menor renda, mulheres, negros e negras, moradores das periferias - inclusive daqueles que no primeiro turno votaram branco, nulo, se abstiveram ou até mesmo votaram no cavernícola. Além disso, é preciso preparar desde já medidas de contingência contra a manipulação das redes antissociais.
11/Desde 2002, a única eleição presidencial que perdemos foi aquela realizada em condições fraudulentas: golpe contra Dilma, condenação e interdição eleitoral de Lula, fake news sistêmicas a favor do cavernícola. Em 2026, venceremos, no segundo turno e por pouco. Mas venceremos. Entretanto, é preciso estar atento e forte, pois tudo indica que a extrema-direita e os EUA podem não reconhecer o resultado eleitoral, contando a seu favor com a atual presidência do TSE. Motivo pelo qual é preciso manter a guarda alta, inclusive depois da vitória.
12/Nada do que está ocorrendo agora - uma eleição difícil, uma extrema-direita eleitoralmente ameaçadora, uma avaliação negativa de nosso governo por parte de um setor importante da população, uma direção partidária e de campanha incapazes de cumprir seu papel etc. - deveria constituir surpresa. Como dissemos inúmeras vezes, inclusive no balanço das eleições municipais de 2024, era preciso mudar a linha política do Partido e do governo. Não foi isso o que ocorreu. Não apenas por este motivo, mas também por ele, estamos passando, hoje, por dificuldades. Entretanto, venceremos, inclusive porque o presidente Lula está operando, na prática, várias correções na linha. Passada a eleição, será preciso - mais uma vez - convencer o Partido e o conjunto da esquerda de que outra estratégia é necessária e urgente.
13/A batalha de outubro tem uma importância mundial. Uma vitória de Trump nas eleições brasileiras transformaria, na prática, toda a América do Sul em quintal dos Estados Unidos. Submeteria os governos do Uruguai, México, Cuba e Nicarágua a um cerco praticamente insuportável. O imperialismo se sentiria mais confortável para implementar guerras tarifárias e militares mundo afora. Portanto, no primeiro e no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, estará em jogo não apenas o futuro do Brasil, mas também o futuro da humanidade. Que, como tantas outras vezes na história, será salva pelo instinto e consciência de classe das camadas mais pobres, exploradas e oprimidas do povo. É nós!
Viva a classe trabalhadora brasileira!!!Viva o PT!!!Viva Lula!!!!
Jones Manoel postou a seguinte mensagem em sua conta no X:
Em 1945, Gregório Bezerra foi eleito deputado federal constituinte pelo Partido Comunista do Brasil (PCB).
Em 1990, Renildo Calheiros também se elegeu deputado federal.
E tem Luciana Santos, deputada também eleita pelo PCdoB.
Que Jones não considere Renildo e Luciana comunistas, digamos que seja "apenas" sectarismo.
Mas que não considere Gregório Bezerra, trata-se de uma grosseria histórica sem tamanho.
(Aliás, um camarada de longa data lembra que "Alcedo Coutinho e Agostinho de Oliveira também eram de Pernambuco! O PCB elegeu três deputados pelo estado naquela eleição".)
Mas o que esperar de quem posta mensagens como essa abaixo?
Tem gente, amigos inclusive, que pedem para dar um desconto.Dizem que nesse ambiente de falta de organicidade dos partidos e de enfraquecimento dos movimentos, seria "normal" que muitas "novas lideranças" tragam a marca das redes sociais, com suas vaidades, lacrações e individualismos extremados.
Sem falar das oligarquias familiares, que usam sobrenomes como trampolim eleitoral, em alguns casos vitaminados por emendas, máquinas e quetais.
Na minha opinião, não devemos dar desconto não.
Foi dando seguidos descontos que vimos o Partido dos Trabalhadores ser crescentemente contaminado por inúmeros efeitos degenerativos, entre eles aquilo que se convencionou chamar de "cretinismo parlamentar".
Que, pelo visto, ataca algumas pessoas quando ainda são candidatas.
Noutro texto, perguntei por quais motivos alguns partidos que se pretendem "à esquerda" do PT, decidiram lançar candidaturas presidenciais.
A dúvida ficou reforçada ao ver esta faixa, exibida pelo Partido da Causa Operária, num ato realizado neste domingo, 27 de setembro, num dos cantos da Praça Osvaldo Cruz, lá no início da Avenida Paulista.
Suspeito que o Hamas não concorde que "defender a Palestina seja defender o Hamas"; afinal, a Palestina é maior do que qualquer uma das organizações que lá existem.
Suspeito, também, que os "vivas" ao Irã e a várias organizações misturam política internacional com a descoberta - feita no passado pelo MR8 - das vantagens colaterais que decorrem dessas manifestações públicas de extremado afeto.
Mas "suspeita" mesmo é a frase "democracia é um fuzil no ombro de cada trabalhador!"
A frase em si é discutível. Pode ser válida, ainda que parcialmente, em momentos de guerra civil.
Mas, nos momentos "pacíficos" da luta de classes, a existência de "democracia" para a maioria da população trabalhadora exige instituições diferentes, exige uma comunicação de massa diferente, exige auto-organização da classe etc.
Sem dúvida é fundamental saber quem controla as armas. Mas falar só da "questão militar" é de um reducionismo atroz. E achar que o controle das armas, em 2026, se resolve dessa forma, é uma mistura entre ingenuidade esquerdista e libertarianismo direitista.
Entretanto, para além do debate acerca da frase em si, cabe perguntar por quais motivos destacar precisamente esta frase, num ato de campanha da candidatura presidencial do PCO, neste ano santo de 2026.
E, ainda, que sentido faz - para quem pensa que "democracia é um fuzil no ombro de cada trabalhador" - participar dessa eleição de 2026.
Deve haver várias explicações.
Uma delas está na proximidade programática entre certas posições do PCO e certas posições da extrema-direita.
Vejam, por exemplo, a crítica de Pimenta contra a proibição das BETS:
https://www.poder360.com.br/poder-partidos-politicos/presidente-do-pco-rebate-lula-sobre-bets-errado-proibir-apostas/
Vejam, também, a posição dele a favor do "armamento da população":
https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2014/noticia/2014/08/rui-pimenta-defende-populacao-armada-para-combater-o-crime.html
Nessas e noutras questões, o PCO assume posições programáticas similares às da extrema-direita.
O que torna o debate sobre a "função" da candidatura presidencial do PCO algo um pouco mais complexo: é um deserviço para a esquerda, mas não para todo mundo.
Ontem foi dia de campanha.
Na agenda, uma passada no aniversário de um colega de trabalho.
Chegando lá, o tal colega me informa que tinha acabado de falar a meu respeito, com um ex-deputado federal do PT cuja filha mora perto do local da festa.
O tal ex-deputado teria dito, a meu colega, que eu “estaria bravo com ele”. Ou algo assim.
“Bravo” não é bem a palavra.
O caso é simples: em Campinas o PT tem duas fortes candidaturas a deputado federal. O ex-deputado é de lá, mas escolheu apoiar outro candidato. Até aí, normal, direito dele, já fiz isso inúmeras vezes.
O curioso, digamos assim, é quem ele decidiu apoiar.
Explico: em 2004 perdemos por muito pouco a eleição para prefeito em Campinas (SP).
A imprensa informou que haveria, no entorno do presidente Lula, diferentes posições sobre o que fazer com as BETS.
Esquematizando, haveria gente defendendo proibição parcial e gente defendendo proibição total.
Se havia mesmo e quem defendia o quê, só quem participa do tal entorno poderá confirmar.
Mas o fato é que Lula decidiu pela proibição total.
O filho do cavernícola não gostou: disse que a proibição seria oportunismo e sinal de desespero.
Até aí, normal.
O que surpreende é como tem gente boa que, a esta altura do campeonato, segue preocupada com possíveis repercussões eleitoralmente negativas da medida.
Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
Mas tem horas em que o excesso de “direção defensiva” tende a provocar acidentes.
Para quem se preocupa com as críticas e ataques contra a medida - vindas, por exemplo, das empresas de comunicação que ganhavam muito dinheiro com as BETS - lembro que, se todos nós eleitores do presidente Lula decidíssemos pular num abismo, é muito provável que do lado de lá nos criticariam por ter demorado muito para tomar a decisão de pular e, claro, pela nossa falta de elegância ao praticar o salto mortal.
Noutras palavras: é óbvio que, numa disputa e numa sociedade polarizadas, sempre haverá repercussões negativas acerca de absolutamente tudo.
E aquilo que não tem solução, não é um verdadeiro problema.
O relevante, eleitoralmente falando, são três outras questões.
Primeira: vamos perder algum apoio entre quem, hoje, nos apoia?
Segunda: a proibição nos ajuda a disputar o apoio dos trabalhadores pobres, das mulheres e dos negros que, por enquanto, estão pensando em se abster, votar nulo, branco ou até no cavernícola?
Terceira: a medida anunciada por Lula deixa o lado de lá na defensiva, tendo que responder a uma iniciativa do nosso lado?
A resposta para essas quatro questões é, respectivamente: não, sim e sim.
Entretanto, o mais relevante não é a dimensão eleitoral; o decisivo é responder ao seguinte: a medida é justa? Protege o povo? Prejudica os criminosos?
/ resposta é sim. Motivos pelo quais - talvez o entorno tenha o que dizer a respeito - a proibição poderia e deveria ter sido adotada antes.
Sem falar que ir para cima das BETS abre as “portas da percepção” para outra questão: a jogatina especulativa praticada pelo setor financeiro privado.
Mas, a cada dia, sua agonia.
No dia de hoje, vamos comemorar e difundir muito a nossa aposta certa.
E, sempre, manter a pólvora seca, pois Trump - o cavernícola ianque - tem um longo histórico de investimentos em cassinos e jogos de azar.
E vai seguir apostando tudo contra nós, como já fez noutras eleições latino-americanas. Mas, desta vez, vai perder.
Quem tiver dúvidas a respeito, infelizmente estou impedido de propor uma aposta…
Tem o livro que “vou escrever depois de morrer”.
Tem as “histórias de um partido imaginário”, que serão lançadas quando estiver funcionando a todo vapor a conexão Olinda-Pequim.
Tem o “qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência”, que volta e meia aparece neste blog.
E, finalmente, ao menos por enquanto, tem o “meu querido diário”, uma política compensatória contra o fato de certas pessoas não entenderem adequadamente a frase “meu ouvido não é privada”.
Lembrei disso hoje, quando alguém me procurou, preocupado com onde poderia dar o fio do novelo citado em matéria publicada no jornal O Globo. Trecho da tal matéria diz o seguinte:
“ONG que recebeu uma emenda parlamentar de R$ 200 mil do
senador Flávio Bolsonaro e é suspeita de ter ligações com os
irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados pelo
assassinato da vereadora Marielle Franco, também foi
beneficiada com R$ 300 mil da deputada federal bolsonarista
Chris Tonietto (PL-RJ) e R$ 1,5 milhão do próprio Chiquinho”.
A proposta de criar uma corregedoria foi apresentada durante o debate acerca código de ética do PT, ou seja, depois de 2006.
A corregedoria recebeu oposição frontal de um determinado cidadão, que convenceu seus companheiros da “tendência então majoritária” que “não somos polícia”.
De fato, não somos polícia. Mas todo partido sério mundo afora tem que criar mecanismos para detectar, preventivamente, situações que podem causar dano.
Minha suspeita é que o referido cidadão defendia uma corregedoria informal e privada. Se era ou não isso, nunca saberei, pois ele não está mais entre nós. Mas o fato é que a proposta de criar uma corregedoria foi derrotada.
Resultado prático: só descobrimos que “gente nossa” está fazendo merda, depois que terceiros trazem as suspeitas e/ou os malfeitos à tona. E aí temos que lidar com as consequências e sob fogo inimigo.
E, pior, como não temos corregedoria, está sendo cada vez mais comum nosso pessoal acreditar nas denúncias, mesmo quando são falsas.
E ainda tem o efeito colateral de transformar alguns ouvidos - supostamente confiáveis - em privada. Sem que exista para onde encaminhar as denúncias.
E sem falar, é claro, da preguiça, covardia, autosabotagem e prevaricação que prevalecem em alguns dirigentes partidários, a exemplo do atual secretário-geral nacional.
Mais detalhes, ver livro que será escrito depois que morrer.
Tem gente que odiou, mas do jeito dele é um filme simpático aos que persistem.
Refiro-me a “Uma batalha após a outra”.
Se fosse sobre nós - melhor dizendo, sobre uma parte de nós - o título deveria ser “Uma surpresa após a outra”.
Aparentemente a mais recente “surpresa” está citada no texto disponível no link abaixo:
A lista de “surpresas” é longa.
Para citar quatro casos em destaque nos últimos dias:
-a taxa de juros praticada pelo Golden Boy indicado para o BC;
-a conduta do “terrivelmente evangélico” AGU;
-o corpo mole de inúmeros aliados de direita país afora (na hora do vamos ver, contamos mesmo é com os de sempre);
-o bom desempenho do PT na disputa para o governo de Minas Gerais (“pachecar” vai entrar para o dicionário como “escolha obviamente errada que nos faz perder tempo”).
Mas talvez a maior “surpresa”, para esta parte de nós - nos incluam fora dessa - é a de que a eleição presidencial de 2026 seria duríssima e resolvida por uma pequena diferença.
Boa parte dos problemas que vivemos hoje decorre de um planejamento de campanha baseado na crença de que tudo seria diferente.
Sendo assim as coisas, não custa nada torcer por uma surpresa de verdade: que alguém, em algum lugar, esteja preparando nossos planos para a batalha que vai começar no dia 4 de outubro, assim que as urnas fecharem.
Semana passada, um colega de trabalho me perguntou se, diante de tudo o que ocorreu desde 3 de janeiro, eu continuava opinando que na Venezuela não havia ocorrido uma traição.
Eu respondi que minha opinião não havia mudado: o sequestro de Maduro, embora tenha sido favorecido por traições pontuais, não decorreu de uma conspiração de parte do governo venezuelano.
Porém, o que ocorreu desde então me faz lembrar a crítica feita por ninguém mais, ninguém menos, que a então vice-presidenta Delcy, contra alguns governos que ela, então, acusou serem “tíbios”.
Claro que houve uma derrota. Claro que é preciso recuar. Claro que certas concessões são inevitáveis. Mas é preciso manter a compostura.
A Venezuela foi atacada. O presidente Maduro e Cilia foram sequestrados e estão presos. Trump acabou de discursar na ONU fazendo acusações falsas. Frente a isto tudo, o que pensar do texto abaixo, divulgado na conta pessoal da atual presidenta da Venezuela?
“Tivemos uma reunião histórica com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem discutimos a fortalecimento da relação bilateral entre os nossos países e a avançada de uma agenda de cooperação em áreas estratégicas como energia, mineração, segurança e outros assuntos de interesse comum”.
“Expressamos nossa gratidão ao Presidente Trump e ao seu governo pelo apoio decisivo fornecido durante a emergência causada pelos terremotos em 24 de junho, bem como pelo apoio deles à reintegração do nosso país em espaços multilaterais”.
“Venezuela e os Estados Unidos compartilham uma relação histórica, e nesta nova etapa, somos chamados a navegar nela através do diálogo. Continuaremos a promover uma diplomacia no serviço do interesse nacional, com o objetivo de alcançar resultados concretos e benefícios coletivos para o povo venezuelano.”
A postagem está aqui:
https://www.facebook.com/share/1EeMJf82a2/?mibextid=wwXIfr
Um colega acaba de divulgar um texto publicado no jornal O Globo.
Junto do link, este colega afirmou seu respaldo - indireto, como é habitual nesse tipo de situação - a tese exposta no tal artigo, que copiei e colei ao final.
Segue abaixo o que respondi ao tal colega, cujo nome não cito porque sua mensagem não foi pública.
Oi fulano, olá todo mundo. Uma das teses do artigo que vc enviou - tese que, segundo entendi, vc informa ser respaldada pelo NOPPE - é que a eleição pode ser vencida, no primeiro turno, pelo cavernícola.
Pode acontecer isso? Bom, eu sou a favor do princípio de que “quase tudo pode acontecer”. Portanto, poder, pode.
O catastrófico é que, se de fato vier a ocorrer, as chances maiores são, como diz o próprio texto, a favor da “oposição”, qualificativo que o autor do artigo distribuído por vc atribui à candidatura dos milicianos de extrema-direita.
Isto posto, um comentário: diferente da vó do autor do artigo, que podia prever a chuva chegando, mas era incapaz de fazer chover, nós somos capazes não apenas de prever resultados possíveis, mas também somos (nós e nossos inimigos) capazes de ampliar ou de reduzir a possibilidade desses cenários ocorrerem.
A “oposição”, por exemplo, está trabalhando com 3 planos: ganhar no segundo turno, ir ao segundo turno em primeiro lugar, ganhar no primeiro turno.
Já nós, como é público, convivemos desde o início com diferentes posições, desde os que ontem achavam que íamos faturar no primeiro turno, até os que agora estão tomados por um pessimismo derrotista daqueles que deveriam ser tratados em casa.
Isto posto, a questão é: não temos dois candidatos disputando a presidência. São 13. E tudo indica que a diferença entre as duas candidaturas principais será muito pequena, da ordem de 2% dos votos válidos ou menor.
A pergunta que faço é: os demais 11 candidatos terão menos que 2%? Obterão, somados, um total de votos inferior à diferença?
Como disse antes, quase tudo pode ocorrer. Inclusive uma pressão direta da Embaixada gringa sobre este pessoal. Mas este (a soma dos votos válidos dos 11 ser menor que a diferença entre os 2) segue sendo o cenário menos provável. Assim sendo, o melhor é focar em fazer muita campanha e começar a preparar a batalha do segundo turno.
Pois o pior que pode acontecer é um repeteco do que já aconteceu: nosso pessoal planejar a campanha prevendo um cenário totalmente diferente do real.
Segue o texto comentado
As disputas para governos estaduais devem terminar a sua maioria em primeiro turno. O motivo é o menor número de candidaturas. Menos candidaturas, maior chance de termos um(a) vencedor(a) antecipado(a). São Paulo e Pernambuco (com segundo turno em 2022) são exemplos. Em 2026, só há duas candidaturas competitivas em ambos. O motivo é que os partidos preferem investir o fundo eleitoral em candidaturas para a legislativas federais (que impactam o acesso ao fundo partidário, eleitoral e emendas parlamentares) do que em chapas majoritárias sem chances reais. Também esse será um ciclo de inúmeras reeleições de governadores(as) porque temos uma onda de governos bem avaliados. Em tudo constante, governos estaduais majoritariamente aprovados vencerão.
Na Câmara, a taxa de renovação deve ser baixa. Nunca uma turma de deputados(as) teve tanto recurso financeiro para buscar um novo mandato. E, também, se a distribuição de prefeituras eleitas em 2024 seguir como preditor do perfil da nova legislatura, teremos PL, PSD, PT, União-Progressista e MDB como as principais agremiações (talvez até nessa ordem). No Senado, esqueçam as pesquisas de opinião (que medem no máximo o recall). A decisão de voto é na última hora e a maioria ainda não sabe que são dois votos. Todavia, é natural imaginar que os(as) eleitos(as) terão enorme correlação de votos com governadores e candidatos a presidente bem votados de cada estado. Nesse contexto, o novo Senado provavelmente terá mais “bolsonaristas”.
Na presidencial, quando o assunto for pesquisas na última semana, recomendo aos(as) leitores(as) se desgarrarem das análises da imprensa em cima de um cálculo de voto válido de pesquisas estimuladas de intenção de voto. Essa matemática ignora o perfil recorrente de abstenção (20% do eleitorado, com perfil de menor renda e escolaridade) e também minimiza o papel dos (as) indecisos(as). Aliás, muito importante, as pesquisas trazem uma amostra de 100% do eleitorado e são aproximadamente 80% que costumam votar. A única pesquisa comparável, que elimina indecisos e só entrevista quem apareceu para votar, é a boca de urna. Porém, essa pesquisa já não existe no Brasil (os resultados são divulgados a partir das 17 horas). Sobre a parcela indecisa, as pesquisas espontâneas (quando não são mostradas as alternativas) trazem uma leitura muito mais apurada do estado mental na reta final.
Sendo assim, acreditamos que a oposição vai se beneficiar novamente do antipetismo de chegada, quando há uma mudança de voto de última hora em favor do candidato mais bem posicionado para ganhar do PT. Como aconteceu em 2014, 2018 e 2022.
Portanto, há uma enorme probabilidade de um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Porém, a depender do perfil de não voto (brancos, nulos e abstenção) e da força do antipetismo de chegada, não fiquem surpresos se a eleição acabar dia 4 de outubro, inclusive com vitória da oposição. Dona Maria José, que viu de tudo em 88 anos de vida, certamente não ficaria.