Uma das coisas mais frustrantes, na imprensa do Partido, é o desperdício.
Refiro-me ao seguinte: poderíamos usar nossas publicações, não apenas para informes chapa branca, mas também para hospedar nossas polêmicas.
Por exemplo: o balanço das eleições 2026, a discussão sobre a política econômica do governo Lula 4, a reforma política e o destino do mister dabliuquẽ.
Se um dirigente do Partido dá uma entrevista sobre isso para o Poder360 ou para o UOL, para a Piauí ou para o Estadão, por qual motivo não pode falar a respeito para a imprensa partidária?
Claro que isto seria um problema para os que gostam de falar em off com a mídia empresarial.
Mas para quem quer, legitimamente, apresentar seus pensamentos, dar entrevista para os órgãos do próprio Partido - além de transformar a imprensa partidária em fonte - nos pouparia das edições enviesadas.
Um exemplo disso é uma entrevista com Zé Dirceu, publicada no dia 3 de novembro em vários lugares (O Globo, UOL, Poder 360 etc.), tendo como título sempre a mesma frase: "A vitória não foi do PT".
Se Dirceu tivesse tido que a vitória não foi apenas do PT, estaria coberto de razão.
Afinal, a vitória foi do povo, da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros e negras, dos moradores das periferias, dos nordestinos de nascimento e alma, da esquerda como um todo, do próprio Lula etc.
Mas, como é óbvio, a vitoria também foi do PT. Alias, como sabe quem fez campanha, a Nação Petista foi a espinha dorsal da vitória.
A direita sabe disso. Os adversários sabem disso. E tudo o que eles mais querem é atribuir a vitória a terceiros: ao centro, aos progressistas, a frente ampla, ao anti-bolsonarismo. Qualquer coisa vale, desde que não se atribua ao PT o que (também) é do PT.
Para eles, a frase parcialmente correta (e, portanto, parcialmente errada) de Dirceu veio a calhar.
Detalhe: quem lê a entrevista (na verdade, frases picotadas) percebe que, muito provavelmente, o sentido da frase de Dirceu é de que a vitória não foi "apenas" do PT.
Mas, como sabemos, a edição faz toda a diferença.
As chances desse tipo de manipulação acontecer seriam menores, se a imprensa do Partido abrisse suas páginas para entrevistar nossos dirigentes.
Fica a sugestão.
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