segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Fuser, Fevereiro e o “rato que ruge”

Meu colega Igor Fuser recomendou e por isso fui ler.

Mas é verdade que inicialmente li “imperdoável” onde estava escrito “imperdível”.

A recomendação de Fuser foi a seguinte:

“Neste post imperdível, José Luis Fevereiro defende a política externa de Lula e faz picadinho dos chanceleres de Facebook.”

Fevereiro, para quem não sabe, noutro milênio já foi secretário nacional de organização do PT e hoje é, creio, da direção nacional do PSOL.

Seu post “imperdível” tem um título maravilhoso: “A DIPLOMACIA E O RATO QUE RUGE”.

Não sei quem ele está criticando, mas concordo que não cabe cobrar do governo Lula “uma postura diplomática tonitruante”.

Concordo também que “as opções do Brasil são muito reduzidas”.

Mas não concordo em atribuir ao “Brasil” a opção 
de interromper seu programa nuclear e abandonar a estratégia de desenvolvimento de tecnologia militar própria.

Esta opção não foi do “Brasil”. Foi de quem hegemonizava a política brasileira na época. 

Em decorrência, acho totalmente impreciso dizer que “o Brasil” teria optado “por um modelo de defesa baseado no multilateralismo, na defesa de regras internacionais e construção de interdependências econômicas apostando que isso reduziria os riscos de conflito”.

Acho impreciso, entre outros motivos porque - como se está demonstrando - esse “modelo” não nos defende. E se parece reduzir “os riscos de conflito “, é porque com ele já estamos praticamente derrotados no ponto de partida.

Por tabela, acho que não podemos nos limitar a constatar que “as Forças Armadas brasileiras não têm qualquer capacidade de defesa face a ameaças militares dos EUA ou de qualquer potência militar de 2a linha”. 

Constatado isso, é preciso tomar medidas práticas para mudar essa situação.

Discordo de que “fora da opção nuclear, nada mais teria resolvido”. Este tipo de raciocínio 8 ou 80 só serve a quem defende a manutenção do status que, ou seja, defesa zero. Sem falar que certas “opções” podem ser alteradas.

As derrotas parciais sofridas recentemente pela Venezuela e Irã são um fato. Mas disso não decorre a conclusão de que ou se tem bomba nuclear ou nada feito. 

Basta olhar para as derrotas sofridas por Síria e Líbia para ver que existe uma “escala de danos”, de onde se deduz que é útil - para quem efetivamente defende a soberania nacional - ter forças armadas superiores as que temos hoje.

Sou contra bravatas e tenho horror ao machismo-leninismo. Mas não acho suficiente  a “fórmula” proposta por Fevereiro: “seguir buscando ações comuns com outros países, isolando economicamente os EUA, buscar ações concertadas internacionalmente, sem recuos mas sem provocações”.

Não acho suficiente especialmente em dois terrenos: primeiro, um país do tamanho e da riqueza do Brasil precisa ter uma força militar minimamente à altura; segundo, há espaço e necessidade para mais e melhores iniciativas políticas, inclusive de solidariedade com as vítimas imediatas da ofensiva trumpista.

Cuba, por exemplo. Mais de dez milhões de pessoas estão prestes a ser privadas de energia elétrica. O Estado brasileiro pode e deve enviar petróleo, imediatamente, para evitar uma catástrofe.

Não sei se Fevereiro classificaria isso como proposta “tonitruante” de um “rato que ruge”. 
Espero que não. 

Afinal, se é verdade que o Brasil, o nosso governo e a esquerda não podemos tudo, muito menos na atual situação, também é verdade que  temos força, meios e a obrigação de fazer algo mais. Além do que, como não somos ratos, não precisamos ter medo de vez ou outra dar um rugidinho.


Segue abaixo o texto citado de Fevereiro

A DIPLOMACIA E O RATO QUE RUGE
Estou impressionado ( negativamente ) com a quantidade de pessoas que eu imaginava terem juízo e que vem cobrando do governo Lula uma postura diplomática tonitruante.
Nos tempos que correm onde a força bruta do Império Estadunidense é usada abertamente e sem disfarces por Donald Trump , seja através de tarifas unilaterais, sanções, bloqueios territoriais ou intervenções militares, as opções do Brasil são muito reduzidas.
Décadas atrás o Brasil optou por interromper seu programa nuclear, abandonou a estratégia de desenvolvimento de tecnologia militar própria, e optou por um modelo de defesa baseado no multilateralismo, na defesa de regras internacionais e construção de interdependências econômicas apostando que isso reduziria os riscos de conflito. As Forças Armadas brasileiras não têm qualquer capacidade de defesa face a ameaças militares dos EUA ou de qualquer potência militar de 2a linha. E isso foi uma opção.
Importante dizer que fora da opção nuclear, nada mais teria resolvido. Basta ver a total incapacidade tecnológica do Irã e Venezuela , com tecnologia própria e Russa, de viabilizar qualquer defesa eficaz do seu espaço aéreo face à enorme desigualdade tecnologica. 
Neste cenário atual, onde Trump sequestra o presidente Venezuelano, ameaça Cuba e o Irã, surgem as cobranças por um "posicionamento vigoroso" por parte do governo Lula. Os Chanceleres do Facebook não avançam o que isto poderia ser, mas deixam claro que notinhas de repúdio são insuficientes.
Felizmente nenhum deles transitou do Facebook para o Palácio do Itamaraty . Porque o último que optou por uma verborragia descolada da sua força real foi Maduro ao desafiar Trump a ir pega-lo a Miraflores. Trump foi. 
O que cabe ao Brasil neste momento é seguir buscando ações comuns com outros países, isolando economicamente os EUA, buscar ações concertadas internacionalmente, sem recuos mas sem provocações. 
No geral a diplomacia do governo Lula vem acertando

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