terça-feira, 20 de outubro de 2026

Aos apreensivos

Volta e meia recebo mensagens, as vezes de recém militantes de base, as vezes de “históricos” muito bem graduados, perguntando “o que vai dar?”

Eu consulto os búzios, jogo as cartas, vejo a média das últimas pesquisas, uso o dedo para sentir a direção dos ventos… e, depois disso tudo, respondo o mesmo de sempre: vamos ganhar por uma pequena diferença de votos.

Dos que me escreveram hoje, três confessaram o motivo de sua apreensão: o ritmo das pesquisas. Um dia três citou, inclusive, a declaração de um autoproclamado especialista na cabeça do povo brasileiro.

Segundo este senhor, as pesquisas ainda não viraram porque não seria possível “persuadir a votar em Lula o eleitor que quer trocar de governo”.

Então: as pesquisas mostram, exatamente, algo diferente, a saber, que a campanha está “persuadindo” muitas pessoas a votar em Lula e “persuadindo” outras tantas a não votar no miliciano, traidor da Pátria e autodeclarado corrupto.

Por qual motivo, então, as pesquisas mudam devagar? 

Em boa medida porque o lado de lá é muito forte, muito poderoso, tem muita grana, além da Meta, de Israel, EUA e outras cositas más.

E, também, porque uma das muitas características da democracia eleitoral burguesa é que ela põe um “sinal de igual” entre o cidadão politizado e o despolitizado, entre o mobilizado e o passivo. 

Portanto, não devemos cometer o erro - muito comum - achar que as pesquisas vão refletir automaticamente as ruas.

Aliás, cá entre nós, ainda bem que estamos crescendo devagar. 

Se o crescimento fosse rápido, se já estivéssemos na frente, parte do nosso pessoal já estaria festejando de véspera. E, nesse caso, terminaríamos a eleição recebendo o prêmio “Peru de Natal”.

Pesa na apreensão, também, a impressão de que nosso “Estado Maior” segue exibindo mais problemas que qualidades. 

Sobre isso, repito o que já disse, no passado, um argentino muito famoso: vamos ganhar, “con los  dirigentes a la cabeza, o con la cabeza de los dirigentes”.

O precedente é apenas ironia. Até porque a vitória faz todo mundo ser generoso (espero que desta vez só com o povo, todo o povo, o que não inclui a Famiglia e sua caterva).




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