segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Do esforço exigido para ser “isento”

Todo dia leio, em algum lugar, uma análise “isenta” do processo eleitoral, apontando qualidades e defeitos dos “concorrentes” e fazendo hipóteses científicas sobre os resultados possíveis.

A mais recente, feita por um velho conhecido, atribui ao Cavernícola Filho “agilidade mental e verbal e boa movimentação corporal”.

A descrição corresponde a um bichinho viscoso que mata muita gente na série Alien: Earth. 

Um “perfeito” predador.

Voltando às análises “isentas”: algumas são tão bem formuladas, que me fazem lembrar o sentimento que tive ao ler um livrinho chamado Cartas de Stalingrado, com textos escritos por soldados e oficiais da Wermacht, enviados pelo correio militar a seus familiares na Alemanha.

Ler aquelas cartas serve para lembrar, aos “isentos”, que no peito dos nazistas também bate um coração.

Mas, bem rapidinho, lembro da resposta que uma franco-atiradora soviética teria dado a quem perguntou “quantos homens ela matou”. 

“Nenhum. Só matei nazistas”.

Com todo o respeito aos “isentos”, estamos numa hora em que é preciso ser terno, sem jamais perder a dureza. 

Ou, para ficar no tema, é preciso ser objetivo, sem nunca ser “isento”.

Nosso inimigo não tem qualidades, não merece nada que pareça um elogio.

Guardemos a isenção - e o pessimismo - para tempos mais pacíficos.

Aos inimigos, só a lei.

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