terça-feira, 27 de outubro de 2026

Primeira versão, sujeita a alteraçoes

 Projeto de resolução para debate no XI Congresso da AE

(PRIMEIRA versão do texto em debate na direção  nacional da AE. Sem revisão, sujeito a todo tipo de alteração)

 No dia 29 de outubro de 2026, a direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda vai aprovar e divulgar o projeto de resolução do XI Congresso Nacional da AE.

Este projeto de resolução será lido e debatido nos congressos de base, que devem ser realizados entre os dias 2 e 25 de novembro de 2025 (ver regulamento disponível aqui:.Orientação Militante N°542 (15 de agosto 2026) | Página 13).

O XI Congresso acontecerá nos dias 27, 28 e 29/11/2026, na cidade de São Paulo. Na pauta: 1.Balanço das eleições 2026 e desafios do PT no próximo período. 2.Plano de trabalho da AE. 3.Eleição da direção nacional e da comissão de ética nacional.

Tanto os congressos de base quanto o congresso nacional são abertos à participação, como ouvintes ou convidados, da militância petista.

 

Balanço dos eleições 2026 e desafios do PT no próximo período

 No dia 26 de outubro de 2026, a maioria do povo brasileiro impôs (mais) uma derrota à extrema-direita, reelegendo o presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores.

Não é a primeira vez que isso ocorre. O PT venceu 6 das 10 eleições presidenciais ocorridas desde 1989, ficando em segundo lugar nas outras 4 (1989,1994, 1998 e 2018).

Mas, diferente das demais eleições vencidas por nós (2002, 2006, 2010, 2014 e 2022), desta vez Lula, candidato do PT, não era considerado favorito pelas pesquisas, pela maior parte da mídia e, inclusive, por parte importante da própria esquerda.

Por isso, o resultado surpreendeu inclusive os mais otimistas, como é o caso de nós da tendência petista Articulação de Esquerda, que tínhamos absoluta certeza da vitória, mas prevíamos uma diferença mais apertada.

No primeiro turno, o Miliciano Corrupto saiu na nossa frente, com 47,03% dos votos válidos. Mas terminou o segundo turno com apenas 48,21% dos votos válidos. Já Lula saltou de 45,16% para 51,79% dos votos válidos, numa virada sem precedentes. 

Em votos absolutos, o Miliciano Corrupto foi de 56.104.503 para 59.826.041 votos. Já Lula saltou de 53.879.538 para 64.256.232 de votos. 

Obtivemos um resultado melhor do que o de 2022, quando Lula obteve 60.345.999 de votos, o equivalente a 50,9% dos votos válidos. 

Já o Miliciano Corrupto amargou um resultado - em termos de votos válidos - inferior ao do Cavernícola Pai. Este chegou a obter, em 2022, 49,1% dos votos válidos. É verdade que, quando se compara o número absoluto de votos, o Cavernícola Filho superou o Cavernícola Pai. Este, em 2022, conseguiu pouco mais de 58 milhões de votos. Agora, o Filho obteve quase 60 milhões de votos. Mas cabe lembrar que, em 2022, o eleitorado era menor do que o atual: entre 2022 e 2026, o número de pessoas aptas a votar aumentou em exatas 2.291.452 pessoas.

Do ponto de vista político, o resultado poderia ser apresentado assim: a direita obteve, no segundo turno, um resultado similar ao de 2022. Já a esquerda foi além do resultado de 2022. Se tivéssemos repetido o resultado daquele ano, nossa vantagem teria sido de 520 mil votos. Mas superamos nosso próprio teto e estabelecemos uma vantagem de 4 milhões e 430 mil votos.

O que explica esse resultado? 

Há um ditado popular que afirma mais ou menos o seguinte: a derrota é órfã, já
a vitória tem muitos pais e mães. Nesse espírito, há todo tipo de opinião circulando e será necessário um certo tempo e distanciamento para que seja possível produzir uma análise científica das eleições 2026, inclusive porque é necessário avaliar as eleições legislativas e majoritárias, estaduais e nacionais.

Entretanto, não é possível esperar para iniciar a avaliação, pelo simples motivo de que, por detrás das avaliações, está em jogo um "terceiro turno", em que diferentes setores da direita tentam deslegitimar e domesticar a imensa vitória obtida pelo povo brasileiro em 25 de outubro de 2026. 

Formalmente, a candidatura da extrema-direita não reconheceu nossa vitória, alegando fraude e fake-news. Mas eles sabem que nossa vantagem - superior a 4 milhões de votos - foi obtida na luta política. Motivo pelo qual o verdadeiro debate, na extrema-direita, gira em torno de duas questões: se o resultado poderia ter sido outro, caso a candidatura não fosse a do Cavernícola Filho; e se o resultado poderá ser outro em 2030, quando a legislação impede Lula de disputar nova reeleição.

A dimensão "candidatura" teve a sua importância, tanto para eles quanto para nós. Mas essa maneira de interpretar o resultado eleitoral deixa de lado variáveis que, a nosso juízo, foram as decisivas, a saber: 

-do lado deles, o engajamento dos Estados Unidos, dos grandes capitalistas e das estruturas organizativas criadas ou em grande medida capturadas pela extrema-direita, principalmente ao longo da última década (a "família militar", as máquinas parlamentares e de governo, as redes antissociais, empresas da fé, a mídia tradicional etc.). Sem essas e outras variáveis, o Miliciano, Corrupto, Fascista, Ultraliberal e Traidor da Pátria não teria obtido mais de 59 milhões de votos;

-do nosso lado, a capacidade de mobilização espontânea dos estratos mais profundos e mais empobrecidos da classe trabalhadora, majoritariamente feminina, negra e jovem; a disposição de combate exibida por milhões de brasileiros com mais de 60 anos; o compromisso político da maioria daqueles que são nordestinos por nascimento, moradia ou alma. Sem o apoio e generosidade destas camadas que constituem a maioria do povo brasileiro, a candidatura de Lula não teria dado a volta por cima e triunfado.

Diferente da extrema-direita, que busca deslegitimar nossa vitória, a direita tradicional busca domesticar os resultados. Segundo uma das interpretações difundidas por este campo, no primeiro turno a extrema-direita teria obtido uma grande vitória e a esquerda teria sido derrotada. Portanto, a vitória no segundo turno teria sido possível graças aos setores progressistas, aos setores de centro, aos setores democráticos que vieram em socorro da esquerda. Em resumo, ao contrário das aparências, o dia 25 de outubro não foi uma vitória do PT ou de Lula, foi uma derrota da extrema-direita.

Não há dúvida de que a extrema-direita obteve uma vitória no primeiro turno, elegendo grande número de deputados e senadores, bem como os governadores de estados fundamentais como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. Também não há dúvida de que, no segundo turno, uma parte do eleitorado se mobilizou acima de tudo para impedir que o governo federal caísse nas mãos do crime organizado.

Entretanto, se observarmos tanto a linha da campanha, quanto os números da eleição, percebemos duas coisas interligadas: i/foi decisiva a adoção, ainda que com atraso, de medidas governamentais em favor das camadas populares, bem como uma linha de campanha que vinculou a defesa da democracia com a ampliação das conquistas sociais do povo; ii/a esmagadora maioria do eleitorado que votou em Lula, tanto no primeiro quanto no segundo turno, pertence às camadas populares.

Os dirigentes, os parlamentares, os governantes e a intelectualidade que saiu em defesa da candidatura de Lula integra os estratos melhor remunerados da classe trabalhadora. Mas não é essa a composição social da Nação Petista, estas dezenas de milhões de pessoas que possuem uma profunda identificação de classe com Lula e com o PT.

A extrema-direita busca deslegitimar nossa vitória, porque isso ajuda a fazer oposição, a sabotar e, no limite, a derrubar nosso governo. Já a direita busca domesticar nossa vitória, porque isso contribui para implementar parte do programa derrotado nas urnas, a saber, o ajuste fiscal. 

Na esquerda, por sua vez, também há diferentes avaliações sobre o resultado eleitoral, que decorrem em boa medida das distintas estratégias propostas, por cada setor, para enfrentar a época em que vivemos.

Embora haja nuances e intersecções importantes, há na esquerda duas grandes linhas de interpretação. 

A primeira delas debita nossa vitória, em sua maior parte, à pessoa de Lula; e atribui nossos problemas, no essencial, ao Partido dos Trabalhadores.

A segunda delas debita nossa vitória, em grande medida, à mobilização popular; e atribui nossos problemas, no essencial, à estratégia equivocada que orientou nossa ação de governo e nossa tática eleitoral no primeiro turno.

 Da nossa parte, não subestimamos o papel do indivíduo na história. Acontece que o indivíduo em questão não veio de outra galáxia, dotado de superpoderes.

Quatro vezes presidente da República e, por muitas gestões, presidente do PT e do Sindicato dos Metalúrgicos de SBC, Lula tornou-se o mais importante personagem dos últimos 50 anos da história do Brasil.

Há uma disputa permanente acerca de como contar e interpretar a trajetória de Lula ao longo destas cinco décadas. Vale dizer que se trata de uma disputa permanente: num certo sentido, a história é interpretada e reinterpretada o tempo todo, à luz dos conflitos em curso em cada momento.

A título de exemplo: Zumbi, Tiradentes, Maria Quitéria, Luiza Mahin, Anita Garibaldi, Antônio Conselheiro, Vargas, Prestes e Dilma Rousseff não são vistos da mesma forma por diferentes pessoas pertencentes a diferentes setores sociais e épocas. E o próprio Lula participa, assim como seu círculo mais próximo, participa ativamente desta batalha interpretativa.

Lula nunca foi bem-visto e tampouco bem avaliado pelo pessoal da bufunfa e por quem esta turma influencia. Do outro lado da sociedade, coexistem diferentes pontos de vista. Existem os que tratam Lula como “ungido de Deus”, existem os que o responsabilizam pessoalmente por todas as frustrações experimentadas pela classe trabalhadora desde as greves do ABC, nos anos 1970. E existem aqueles que, como nós, buscamos dar a Lula o que é de Lula; e dar à luta o que é da luta coletiva.

Em Vargas, Prestes, Dilma, em todas e todos que foram protagonistas destacados na luta de classes, convivem o que podemos chamar de “pessoa física” e “pessoa jurídica”. Dramas e tragédias pessoais, amores e desamores, simpatias e antipatias, luzes e sombras, generosidades e mesquinharias, tudo isso junto e misturado com as posições e atitudes frente aos pequenos e grandes temas políticos. E, atravessando tudo isso, uma camada adicional, composta pelas lendas que se criam à revelia do personagem, e, também, pelas que o próprio personagem deixa criar.

Cabendo lembrar que, ao contrário do que diz muita gente, a eleição de 2026 não foi o ponto final da trajetória de Lula. Apostamos no contrário: não importa o que decida a implacável biologia, Lula seguirá tendo, por muito tempo, uma grande influência na história do Brasil.

Isto tudo posto, não há como separar os acertos dos erros, os problemas das virtudes. Grande parte dos problemas exibidos em nosso governo, em nossa campanha e no próprio PT, tem a influência de Lula. Assim como grande parte dos acertos de nosso governo, de nossa campanha e do próprio PT, tem a influência de Lula.

No fundo, os setores da esquerda que buscam atribuir os êxitos a Lula e os defeitos ao PT, revelam uma incompreensão de fundo acerca do papel do Partido dos Trabalhadores na atual quadra da história do Brasil. Nossa vitória, a vitória da classe trabalhadora, virá com o PT. Sem o PT ou contra o PT, só colheremos derrotas.

Mas o PT, como Minas Gerais, são muitos. Agora que a batalha eleitoral terminou, é preciso apontar os erros cometidos e as interpretações equivocadas, que incluem desde os que achavam que a vitória seria obtida no primeiro turno, até os que - no dia da batalha decisiva - tomaram decisões baseados na absoluta certeza de que seríamos derrotados.

Da nossa parte, a vitória parcial da extrema-direita no primeiro turno não nos surpreendeu, como pode ser comprovado pela leitura das resoluções que a AE vem aprovando e divulgando desde novembro de 2024. 

Era previsível que não haveria alteração qualitativa, em favor da esquerda, nem nas eleições legislativas, nem nas eleições para governador. Era previsível, também, que haveria segundo turno presidencial.

Entretanto, o fato de termos previsto – em linhas gerais – o resultado do primeiro turno, não significa que ele era inevitável. Nosso governo, nossa campanha e nosso Partido cometeram erros gravíssimos, entre os quais destacamos:
i/a ênfase em “comparar legados e entregas”, quando o certo seria e segue sendo disputar o futuro;

ii/a subestimação da força dos inimigos, que chegou ao ponto de se planejar a campanha presidencial acreditando que a disputa terminaria no primeiro turno;

iii/a ausência de candidaturas petistas a governador no RS e RJ;

iv/a demora em definir a candidatura a governador em MG;

v/a falta de vontade de vencer no estado de SP, com uma campanha para governador que parecia satisfeita em “cumprir tabela”;

vi/a ausência de materiais da campanha Lula, ao mesmo tempo que grande parte dos dirigentes concentravam seus esforço nas campanhas proporcionais;

vii/a incompetência, inapetência e falta de tesão de parte da direção nacional do Partido, a começar pela presidência, que formalmente ocupava - no primeiro turno - a coordenação geral da campanha;

Os erros supracitados – e outros tantos – explicam, não o segundo turno em si, mas explicam em grande medida o fato do Miliciano ter iniciado o segundo turno na nossa frente.

Alguns daqueles erros não foram e nem tinham como ser totalmente corrigidos no segundo turno. O mais grave deles é a política econômica, consubstanciada no Marco Fiscal e no Banco Central. É isso que explica, em grande medida, o endividamento do povo, a inflação e a insatisfação de parte da população, fatos que foram demagogicamente explorados por nossos inimigos.

Sendo impossível corrigir totalmente estes problemas, Lula adotou uma série de medidas - entre as quais destacamos a correção no bolsa família e o anúncio do valor do salário mínimo - que buscaram reduzir os danos. Valendo dizer que a adoção destas medidas, em si, comprova que havia espaço para fazer melhor. E que o austericídio fiscal quase nos derrotou.

Outros erros foram total ou parcialmente corrigidos no segundo turno. É o caso de algumas mudanças feitas na coordenação da campanha, empoderando quem tem sangue nos olhos e disposição real de vencer. É importante destacar que essas mudanças - entre as quais se destacam o deslocamento do presidente nacional do PT para uma posição coadjuvante e a promoção de Janones para a posição de general das redes - revelam a incompetência de pessoas e, principalmente, a falência dos métodos adotados pelos setores que conquistaram, no PED 2025, a maioria do Diretório Nacional do Partido.

A esse respeito, destacamos que mais uma vez a extrema-direita venceu as eleições presidenciais na cidade de Maricá (RJ), cidade governada com abundantes recursos financeiros e cujo prefeito foi pessoalmente responsável por grande parte dos votos que elegeram o atual presidente nacional do PT e parte do Diretório Nacional do PT.

Um dos erros que foi parcialmente corrigido, no segundo turno, foi a atitude frente aos crimes eleitorais em grande escala, proporcionados pela compra de votos, pelas “granjas de bots” e “fazendas de conteúdo”, que têm o dedo de empresas e agências de inteligência estrangeiras, formais e informais. No segundo turno, nossa campanha subiu o tom contra o papel nefasto da grande mídia e das big techs, empenhadas em uma operação permanente de desgaste contra o PT e contra Lula.

No segundo turno, foi essencial combater o derrotismo, que se manifestou das mais diferentes formas. Por exemplo, os que diziam que nunca houve uma virada no segundo turno, esquecendo que nunca tinha havido um operário presidente, até elegermos Lula; nunca tinha havido uma mulher presidenta, até elegermos Dilma; nunca tinha acontecido de um presidente não conseguir a reeleição, até Lula vencer em 2022.

Outro exemplo de derrotismo veio daqueles que diziam que “com esse Congresso, Lula não vai conseguir governar”, como se o atual Congresso fosse de esquerda, honesto e republicano; como sabemos, o atual Congresso não é nada disso, mas ainda assim conseguimos governar. E a derrota da escala 6x1 demonstrou, mais uma vez, que é possível vencer a maioria de direita que controla o Congresso nacional.

Na mesma linha, ficou demonstrado que não tinha havido, no primeiro turno, um “tsunami” de votos a favor da extrema-direita. No segundo turno de 2018, o presidiário pai do criminoso teve 57 milhões de votos. No segundo turno de 2022, o mesmo presidiário teve 58 milhões de votos. E, agora, o filho criminoso do presidiário criminoso teve 56 milhões de votos no primeiro e 59 milhões no segundo turno. Nunca houve “tsunami”, termo inventado para nos intimidar e nos paralisar.

É importante destacar que, ao mesmo tempo que nas direções, mandatários e intelectuais, houve muita gente que se deixou paralisar, na base militante e na classe trabalhadora prevaleceu outra posição: o combate orientado pela certeza da vitória.
Demonstrou-se que a eleição de segundo turno é diferente e, num certo sentido, melhor para nossa candidatura presidencial. Foi mais fácil demonstrar o que estava em jogo, foi mais fácil polarizar, foi mais fácil votar. E, à medida que ficou evidente o risco que corríamos, foi mais fácil garantir a mobilização do nosso povo. Demonstrou-se, adicionalmente, a importância de garantir que as prefeituras cumpram o que a Lei determina e garantam o transporte público gratuito.

A esse respeito, registramos que a decisão de entrar na justiça pedindo prorrogação do prazo - embora correta no mérito - foi inócua. Poucas pessoas votaram durante a prorrogação, inclusive porque ela não se efetivou na ampla maioria dos casos. E, como ficou evidente, às 17h já havíamos vencido. 
O segundo turno mostrou que era possível organizar uma campanha militante 24h por dia, 7 dias por semana, até as 17h do dia 25 de outubro, que deu visibilidade para Lula 13 e que nos permitiu dialogar com a maioria do povo brasileiro, nas ruas e nas redes, nas redes e nas ruas.
No segundo turno, se organizou melhor - mesmo que com atrasos e deficiências - a produção de material. Ao mesmo tempo, a militância fez parte de seu próprio material de campanha, conforme permite a Lei nº 9.504/1997, que autoriza qualquer eleitor a realizar gastos em apoio a candidato de sua preferência até o valor de R$ 1.064,10.

No segundo turno, demonstrou-se a imensa importância das redes sociais. Ao mesmo tempo, confirmou-se que estas redes são estruturalmente antissociais, uma vez que são controladas por grandes empresários vinculados à extrema-direita, havendo provas incontáveis de manipulação, como por exemplo o alcance de nossas postagens ser artificialmente reduzido. Por este motivo, foi correto insistir e dar prioridade para a mobilização de ruas e para o contato corpo-a-corpo com as pessoas, imprescindível para “furar a bolha” dos setores mobilizados e conversar com as mais amplas camadas do povo, com argumentos e linguagens que dialogavam distintamente com diferentes públicos e classes sociais.

Destacamos, também, o acerto de dar prioridade para o diálogo com os setores sociais que, ao fim e ao cabo, nos deram a vitória: os trabalhadores de menor salário, as mulheres, os negros e negras, a juventude e o povo de coração nordestino, inclusive aquele que habita o sudeste do país e que por ventura se absteve, votou branco, nulo ou até no cavernícola, corrupto, fascista e miliciano candidato da extrema direita.

 Foi principalmente desse eleitorado, que não votou em nenhuma candidatura presidencial no primeiro turno, que vieram os votos que nos levaram à vitória. E, mais uma vez, destacamos a importância da luta pelo fim da escala 6x1 e de outros temas de interesse da classe trabalhadora. 

Como dissemos na resolução aprovada ao término do primeiro turno, "para conquistarmos mais 7 milhões de votos, é decisivo recuperar o espaço da esquerda nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais". Isso foi feito, com limitações maiores ou menores, reconquistando votos de quem já votou em nós em 2022 ou que tinha potencial de votar, tarefas que se demonstraram "totalmente possíveis se fizermos agora o que já podíamos ter feito, mas em parte não fizemos, no primeiro turno".

 Acertamos também, no segundo turno, em fazer algo que foi dito com todas as palavras no documento em que a AE avaliou o primeiro turno: "ter um discurso focado na defesa e construção do futuro do Brasil (...) falar das reformas estruturais que mudem nossa sociedade e nosso lugar no mundo, garantindo soberania, democracia, bem-estar, meio ambiente e desenvolvimento. Mas (...) antes de mais nada, tomar medidas imediatas e urgentes para melhor a vida do povo. Destacamos, a respeito, os seguintes temas: baixar o preço dos alimentos, libertar o povo do endividamento e dos juros altos, melhorar os serviços públicos (com destaque para saúde, educação, transporte, passe livre e segurança). A superação do projeto racista e antifeminista da extrema-direita deve caminhar lado a lado com a centralidade das mulheres e das negras e negros na transformação do país, assegurando que a autonomia econômica, as políticas de cuidado, a reparação histórica e o enfrentamento rigoroso à violência de gênero e racial estejam no centro do orçamento do Estado e da luta da classe trabalhadora. Nesta mesma perspectiva, o fim da escala 6×1 é parte estruturante de uma vida melhor para as maiorias do povo, uma política civilizatória segundo a qual devemos trabalhar para viver e não viver para trabalhar. O governo deve tomar uma iniciativa prática nesse sentido e Lula deve dar todo o destaque para o tema na campanha e nos debates. (...) a “comparação de legados” e o “medo dos criminosos” não devem ser o aspecto central de nosso diálogo. O central é o futuro. Mas isso não significa baixar o tom. Pelo contrário, é hora de polarização sem trégua, para derrotar o crime, as milícias, a Faria Lima, os vendilhões do templo, os feminicidas, os racistas, os fundamentalistas, os negacionistas e -acima de tudo – os imperialistas, os golpistas e os traidores da pátria. Nossa campanha deve denunciar, desmontar e desmoralizar a candidatura da extrema-direita, lembrando que um governo ultraliberal beneficiará somente o agronegócio, as mineradoras, o capital financeiro e os Estados Unidos, prejudicando fortemente o povo trabalhador, as mulheres, os negros e negras, a juventude".

Também no balanço do primeiro turno, nós da AE dissemos que "devemos nos vacinar contra o impacto das pesquisas negativas, mas também contra o efeito anestésico das pesquisas positivas". A esse respeito, vale destacar o aspecto deletério da imensa maioria dos institutos de pesquisa, inclusive do DataFolha, que no sábado 24 de outubro divulgou uma pesquisa prevendo a nossa derrota. Mas muito mais deletério é a influência que estas pesquisas exercem sobre parte de nossas direções, gerando ondas imotivadas de euforia e desespero.

 Foi muito importante, finalmente, no segundo turno, a ocupação visual do país inteiro pelos apoiadores da campanha de Lula. A Nação Petista, especialmente a partir dos últimos quinze dias, avermelhou as ruas e as redes.

Desde a noite de 4 de outubro até a apuração, nosso povo manteve estado de alerta total. Mais uma vez, nossa militância petista para tempos de guerra demonstrou ser melhor que a direção. Foi essa militância vietnamita que forjou a reeleição de Lula no segundo turno.

Os ajustes feitos na tática de campanha e na postura do governo contribuíram para nossa vitória no segundo turno. Mas, repetimos, a histórica vitória de 25 de outubro tem o DNA da maioria trabalhadora, feminina, negra, jovem, idosa e nordestina do povo brasileiro; tem o DNA da esquerda como um todo, em particular da Nação Petista; e tem o DNA de Lula.

 Impedimos que o crime organizado reconquistasse o governo federal, ameaçando nossas liberdades e enterrando qualquer possibilidade do Brasil ter desenvolvimento, bem-estar e soberania.

Impedimos que Trump, a extrema direita e o imperialismo controlassem toda a região, colocando nossas riquezas a serviço dos projetos neofascistas e da guerra.

Mantivemos firme e atuante uma das principais vozes do Sul Global em favor de uma nova ordem mundial.

A eleição de Lula presidente foi um ato em defesa da humanidade, do povo brasileiro, da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros e negras, das juventudes, dos idosos.

Defesa da soberania, da integração regional, da democracia, das politicas públicas, da ciência, do desenvolvimento e da continuidade da luta pelo socialismo.

Mas a guerra em defesa da pátria e da humanidade, não encerrou no dia 25 de outubro.

 O debate sobre o ocorrido no passado recente está diretamente vinculado ao debate sobre o que fazer, no presente e no futuro. 

 O Miliciano Corrupto não reconheceu a derrota. 

 Nos dias que antecederam a eleição e no próprio dia 25, em particular depois que saiu o resultado, setores da extrema-direita descarregaram sua violência fascista contra eleitores e apoiadores de Lula.

 Porta-vozes da extrema-direita já anunciaram que usarão suas maiorias legislativas e seus governos estaduais para fazer oposição, sabotar e — se tiver espaço — tentar derrubar Lula.

Isso tudo exigirá, da parte da esquerda em geral, mas principalmente da parte do
PT, uma estratégia adequada, que precisa ser muito diferente daquela adotada
no último período.

A nova estratégia terá que incluir: 

 i/uma mudança efetiva do modelo econômico,

hoje controlado pelo agro, pelas mineradoras e pelo setor financeiro; 

 ii/uma ampla reforma do Estado (incluindo o sistema judiciário, político e eleitoral); 

iii/a criação de estruturas digitais sob controle nacional, estatal e público; 

 iv/uma política de governabilidade de novo tipo, baseada na mobilização popular; 

 v/um salto de qualidade na organização da esquerda política e social; 

vi/a reafirmação ideológica da esquerda, que deve buscar se aliar com os progressistas, mas não deve se confundir, nem se autolimitar, ao chamado “progressismo”; 

 vii/a substituição do “modelo parlamentarista” pela boa e velha organização militante;

viii/uma política internacional que terá que continuar altiva, mas precisará voltar a ser muito mais ativa, especialmente na América Latina e Caribe.

 É fazendo isto que transformaremos nossa vitória de 25 de outubro, no ponto de partida para outra época histórica, contribuindo para o futuro do Brasil, da América Latina e Caribe e da humanidade.

 Plano de trabalho da AE

 Nas batalhas que virão, nossas chances de vencer serão maiores se tivermos, além de uma linha política correta, uma direção partidária que funcione.

 O tema da direção deveria ser relativamente simples de resolver: quem não deu conta do recado, deveria “pedir para sair”, facilitando as alterações que são inevitáveis, urgentes e que precisam ser feitas através do velho e bom método democrático, que começa pela realização de um congresso partidário, com delegados eleitos agora.

 Mas, como sabemos, há vários obstáculos para que isso ocorra. O principal deles é a tendência de "não mexer em time que está perdendo". O segundo é a guerra civil existente na tendência Construindo um Novo Brasil, que paralisa um amplo setor do Partido. O terceiro é a atitude passiva e muitas vezes cúmplice de outros setores do Partido.

 De hoje até o XI Congresso, a tendência petista Articulação de Esquerda deve debater o que fazer para resolver um dos grandes paradoxos revelados por esta eleição: de um lado, a imensa força da Nação Petista; de outro lado, a incapacidade e burocratização de parte importante da estrutura oficial do Partido.

 Nesse sentido. orientamos nossas direções estaduais, municipais e setoriais a:

 i/debater e aprovar balanços do processo eleitoral, com análises focadas nas respectivas realidades locais;

 ii/vincular o balanço do processo, com o debate sobre os desafios futuros, tanto do governo Lula, quanto de nossos governos estaduais e municipais, nossos mandatos parlamentares, os movimentos sociais e organizações populares que dirigimos ou influenciamos;

 iii/convidar, para participar deste processo de balanço e definição de tarefas, aqueles setores do Partido que estejam se demonstrando dispostos a tomar as medidas que precisam ser tomadas, para que possamos dar conta dos desafios futuros;

 iv/convidar, para integrar a AE, a militância que se aproximou de nós durante o processo eleitoral;

 v/implementar, com os ajustes necessários, o plano organizativo aprovado no X congresso da AE  (  Resolução do X Congresso Nacional da AE | Página 13 ) bem como as medidas de curto prazo detalhadas no Orientação Militante N°545 (08 de outubro 2026) | Página 13

 

Eleição da direção nacional e da comissão de ética nacional

 A atual direção nacional da AE é composta pelas seguintes pessoas, com as respectivas funções:

 Adriana Souza (MG), foi candidata em 2026 e se elegeu deputada estadual; Ana Affonso (RS) foi candidata em 2026; Ana Flávia (RN), secretária de nucleação da JPT nacional e responsável pela agenda de visitas da Dnae às cidades; Damarci Olivi (MS) tesouraria; Daniela Matos (DF), tesouraria adjunta; Eliane Bandeira (RN), acompanhamento Sergipe; Fátima Lima (RJ) acompanhamento dos setoriais nacionais; Gleice Jane (MS) foi candidata em 2026 e se reelegeu deputada estadual; Hilton Faria da Silva (TO), acompanhamento Maranhão; Humberto Amaducci (MS); Ivonete Alves (SE), direção da CNTE e acompanhamento de Pernambuco; Jandyra Uehara (SP) direção nacional da CUT e coordenação sindical nacional da AE, acompanhamento Sergipe; Júlio Quadros (RS), DN e acompanhamento Paraná; Leirson Azevedo (PA); Luiz Boneti (RS), DN; Marcos Jakoby (RS), edição do site, coedição do OM, coedição do Página 13, acompanhamento Santa Catarina; Múcio Magalhães (PE), acompanhamento Goiás; Natália Sena (RN) DN, CEN, coordenação do GTE eleitoral, coedição do podcast, secretaria nacional de formação; Patrick Campos (PE), edição do podcast, acompanhamento Piauí, secretário nacional de organização e candidato a deputado federal ; Suelen Aires Gonçalves (RS), coedição da Esquerda Petista, acompanhamento de Minas Gerais e do Espírito Santo; Valter Pomar (SP), edição do OM, edição do Página 13, edição da Esquerda Petista, acompanhamento dos estados do AM, AC, RR, RO, AL e CE; Wilma dos Reis (DF), licenciada para tratamento de saúde.

A comissão de ética nacional é composta por Jonatas Moreth (DF) e Sophia Mata (RN), tendo como suplentes Izabel Costa (RJ) e Pere Petit (PA). 

Os atuais integrantes da direção devem apresentar um balanço de sua atuação e informar se pretendem permanecer na próxima direção.

A atual direção nacional constituirá uma comissão encarregada de receber as propostas de mudança na Dnae e comissão de ética, apresentando ao XI congresso uma nominata para debate e votação.

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