O criminoso filho teve 56 milhões de votos, no dia 4 de outubro de 2026.
Em 2022, o criminoso pai teve 51 milhões no primeiro turno e 58 milhões no segundo turno.
E no segundo turno de 2018, o criminoso pai teve 57 milhões de votos.
Portanto, os eleitores já estavam lá.
Podiam estar recatados, mais discretos, menos agressivos, mas já existiam e só surpreenderam quem estava tomada por excesso de otimismo e, agora, precisa dizer que foi surpreendido por algo inesperado.
Assim, a teoria do "tsunami" não faz sentido, ao menos quando analisamos a eleição nacional.
Vale dizer que, no primeiro turno da eleição de 2022, as outras candidaturas tiveram mais ou menos a mesma votação das outras candidaturas no primeiro turno de 2026.
Ou seja: entre 2023 e 2026, a correlação de forças política brasileira oscilou ao redor dos marcos estabelecidos no segundo turno de 2022.
E, como é óbvio, isso era e segue sendo péssimo sinal para a esquerda.
Afinal, vencemos a eleição de 2022, fizemos a tal reconstrução, colocamos os golpistas na cadeia, mas no final das contas eles mantiveram seu eleitorado (57-58-56).
Enquanto isso, nós perdemos eleitorado: Haddad teve 44 milhões no segundo turno de 2018, Lula teve 57 milhões no primeiro turno de 2022, chegou a 60 milhões no segundo turno de 2022 e, agora, rodeamos os 53 milhões.
Sendo assim as coisas, falar em "tsunami" só confunde, pois o que de fato ocorreu foi que parte da nossa base eleitoral não compareceu para votar.
O que tem a vantagem de tornar relativamente simples o desafio do segundo turno: buscar o voto de quem já votou em nós.
O desafio seria muito maior, se tivesse havido o tal "tsunami".
O uso do termo, aliás, compõe o ambiente "maníaco-depressivo" tão ao gosto da redes sociais, onde os likes premiam a lacração.
Antes do primeiro turno, quem falava a verdade - vai ter segundo turno e, se tiver vitória no primeiro tuno, é mais provável que seja dos criminosos - era visto como pessimista incapaz de ler os "sinais" de nossa vitória já no dia 4.
E, agora, quem fala que o ocorrido é péssimo, mas não foram eles que cresceram, é visto como otimista incapaz de ver a catástrofe que se avizinha.
Pode ter catástrofe? Claro, sempre pode.
Mas se viesse a acontecer, a causa não seria o hipotético "tsunami", mas sim os erros cometidos por nosso governo, por nosso partido e por nossa campanha.
Erros que podem ser corrigidos.
Aliás, mais um motivo para não falar em "tsunami": esta ou qualquer outra palavra que interprete fenômenos políticos usando palavras que designam fenômenos naturais, induz as pessoas a pensar em causas que estão fora da agência humana.
E, é bom lembrar, o resultado do dia 4 foi produto de alguns seres bem humaninhos, alguns dos quais me fazem lembrar de uma importantíssima companheira petista, que dizia que era importante saber quem era responsável pelo quê, inclusive para saber quem deveria ser "afogado no lago" caso desse merda.
Tratava-se de uma brincadeira, óbvio. Mas bons tempos em que tínhamos uma presidenta nacional com sangue nos olhos. Seja como for, como no primeiro turno, a militância jogará um papel fundamental na recuperação dos mais ou menos 6 milhões de eleitores que nos farão vencer o segundo turno.
Bom!
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