quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Entrevista a um jornalista chinês

Seguem abaixo perguntas e respostas de uma entrevista que dei a um jornalista chinês. A entrevista foi concedida, por escrito, no dia 19 de outubro de 2026. Não sei se foi ou será publicada. Reproduzo abaixo, para fins de registro.


No primeiro turno, Lula ficou atrás de Flávio Bolsonaro. Qual é a principal avaliação do PT sobre esse resultado? Quais segmentos do eleitorado ficaram abaixo das expectativas do partido? 

O PT não tem uma avaliação completa e oficial do resultado do primeiro turno. A votação do inimigo evoluiu assim: 49 milhões no primeiro turno de 2018, 57 milhões no segundo turno de 2018, 51 milhões no primeiro turno de 2022, 58 milhões no segundo turno de 2022 e 56 milhões de eleitores no primeiro turno de 2026. Portanto, o inimigo não cresceu. Fomos nós que diminuímos. No primeiro turno de 2018 tivemos 31 milhões de votos, 44 milhões no segundo turno de 2018, 57 milhões no primeiro turno de 2022, 60 milhões no segundo turno de 2022 e 53 milhões agora no primeiro turno de 202. Portanto, entre 4 a 7 milhões de pessoas que votaram em Lula, no ano de 2022, deixaram de votar no primeiro turno de 2026. Eles não cresceram, não ganharam votos. Nós perdemos eleitores que já haviam votado em nós, no passado recente. Quem são esses eleitores? Em quem votaram? Há de tudo um pouco, desde quem resolveu votar no inimigo, passando por quem decidiu votar em alguma das outras 11 candidaturas presidenciais, até quem votou branco, nulo e se absteve de comparecer. Em nossa opinião, o principal fenômeno foi o de eleitores nossos em 2022, desta vez terem votado branco, nulo e abstenções. Do que se trata, agora, no segundo turno? De fazer com que votem novamente em Lula. É isso que dará a vitória para Lula. 

Depois do primeiro turno, quais foram as principais mudanças feitas pelo PT em sua estratégia para o segundo turno? Qual é hoje o eixo central da estratégia eleitoral do partido? 

A principal mudança foi reforçar a mobilização de base e o contato corpo-a-corpo com a população, especialmente com os que votaram branco, nulo e se abstiveram, ao todo mais de 30 milhões de pessoas. Outra mudança importante foi acentuar, no discurso do Partido, as propostas de mudança, relacionadas ao futuro do Brasil, reduzindo o destaque dado para a comparação entre nosso atual governo e o governo anterior, que foi da extrema-direita. Uma terceira mudança importante foi destacar que as mudanças que faremos tem como foco principal a classe trabalhadora, a defesa das liberdades democráticas e da soberania nacional, ameaçada pelos Estados Unidos. Basta dizer que, na manifestação que a extrema-direita fez ontem, havia uma réplica de um foguete, onde estava escrito o pedido: "Trump bombardeie o Brasil". Estamos falando abertamente que nossos inimigos são bandidos, ultraliberais e traidores da pátria. 

Na sua avaliação, quais serão os principais temas que Flávio Bolsonaro deverá explorar para atacar o governo Lula nesta reta final? 

Corrupção, segurança pública e inflação. O que é paradoxal. Pois como pode um corrupto falar de corrupção? Pois como pode um bandido falar de segurança pública? E como pode uma pessoa que nunca trabalhou, falar em defesa dos trabalhadores? 

Sim, como o senhor disse. Bolsonaro não teve um bom desempenho nesses temas. Diante desses assuntos em que Bolsonaro pode atacar, como Lula deve reagir? 

Nossa reação - não só de Lula, mas de todos nós que apoiamos Lula - deve ser sempre a de falar a verdade. Reconhecer os problemas. E perguntar às pessoas: quem melhor pode servir ao povo? Um playboy que nunca trabalhou na vida? Ou uma pessoa experiente, que conhece por experiência própria a vida do povo? 

Como o PT avalia o desempenho de Lula no primeiro debate do segundo turno, realizado em 18 de outubro, com Flávio Bolsonaro? Em quais aspectos Lula teve um bom desempenho e em quais pontos será necessário fazer ajustes para o próximo debate? 

O PT não tem uma avaliação oficial. Se quiser saber a minha, leia aqui: https://valterpomar.blogspot.com/2026/10/primeiras-impressoes-sobre-o-debate-na.html 

Qual é a sua opinião pessoal? 

Na minha opinião, além do que eu digo no texto cujo link mandei acima, Lula deve falar direto para o povo. O inimigo não tem nenhum compromisso com o debate. 

Última pergunta. Qual é a avaliação real do PT sobre o cenário eleitoral neste segundo turno? Hoje, o partido considera que Lula está na frente, que a disputa está equilibrada ou que está em uma posição de desvantagem e precisa buscar uma virada? 

Nossa avaliação é que Lula será reeleito, por uma pequena margem de votos. Nossa preocupação maior é neutralizar as operações que a extrema direita está fazendo para tentar evitar sua derrota. Algumas destas operações eu comento aqui: https://valterpomar.blogspot.com/2026/10/o-bau-de-maldades-cavernicolas.html?m=0 

O senhor quer dizer que Bolsonaro pode repetir as ações de seu pai após a derrota eleitoral? Isso seria realmente assustador. 

Entre outras coisas, sim. O Cavernícola Filho é um fascista. Não vão aceitar a derrota. Por isso temos que manter a guarda alta antes e depois de nossa vitória. 

Espero que o Brasil consiga manter a estabilidade. Se Lula perder a eleição por uma pequena margem de votos, ele reconhecerá o resultado eleitoral? 

Lula disputou 7 eleições presidenciais e uma para governador de São Paulo, desde 1982, além de uma eleição para deputado constituinte. Perdeu 4 dessas eleições. Nunca teve problema com reconhecer o resultado. Mas em 2026 quem precisará reconhecer a derrota será nosso inimigo.


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