Que parcela importante desses problemas está relacionado ao péssimo funcionamento das direções e coordenações, quero crer que pouca gente discorda.
Nem todo mundo assumirá de público, mas a maioria provavelmente concordará em silêncio, com o fato de que parte deste péssimo funcionamento das direções e coordenações decorre da substituição do método das decisões coletivas - tomadas por instâncias eleitas que reúnem, debatem e depois deliberam - pelo método das decisões individuais.
Pois bem: entramos no segundo turno, mas este erro metodológico segue sendo cometido.
Um exemplo disso é o autodenominado "exército do Janones".
Uma pessoa física reuniu, sob seu comando individual, sem controle coletivo algum, uma legião de 3 a 5 milhões de seguidores.
Conseguiu isso, em grande medida, exatamente porque havia milhões de pessoas querendo contribuir com a campanha e ele, habilmente, ofereceu um canal para isso.
Num mundo ideal, onde as instâncias coletivas funcionassem adequadamente, essas pessoas estariam engajadas numa iniciativa sob controle democrático delas mesmas. E não sob a direção de alguém que propõe explicitamente não pensar, obedecer, agir como robô.
Alguém que por sinal cometeu a estupidez de dizer que a campanha nas ruas não tinha a menor importância, para mais recentemente admitir de maneira torta (via a proposta de "panelaço") que é fundamental agir fora das redes.
Para piorar a situação, muita gente acha que o tal "exército" está submetido a algum tipo de controle democrático. Pensam que fulano validou, que sicrano controla, que o autoproclamado "general" é o porta-voz informal de decisões coletivas.
Como a coordenação da campanha e a direção do Partido pelo jeito preferiram lavar as mãos, o jeito é torcer para que dê certo ou, pelo menos, que não cause muito dano.
Mas a experiência pretérita com este tipo de iniciativa, sem nenhum tipo controle coletivo, é que, se ainda não deu errado, é porque ainda não terminou.
Santo Leminski, orai por nós.
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