sábado, 24 de outubro de 2026

Comentaristas da luta de classe

No passado, acusar alguém de "comentarista da luta de classes" podia terminar em briga.

Afinal, por detrás do belo título, estava uma gozação ferina.

O comentarista da luta de classes era como aquele crítico literário capaz de demolir um texto alheio, mas incapaz de escrever algo que prestasse; ou como aquele locutor que dizia como um time devia ser armado, mas incapaz de dar um chute numa bola.

Mas a acusação também tinha seu lado perverso e aristocrático, a saber, o de preservar o monopólio de alguns. 

Todo mundo tem direito a ter opinião, ninguém tem o monopólio da crítica e as redes sociais permitem difundir de forma barata e rápida opiniões que, antes, se você não tivesse acesso aos meios de comunicação tradicionais ou a algum palanque do tipo, ficariam restritas às conversas com amigos e conhecidos.

E, num país onde há dezenas de milhões de técnicos de futebol e de juízes da suprema corte, nada mais normal e necessário que todo mundo tenha e emita opinião sobre absolutamente tudo, a começar pela política.

Entretanto, num certo sentido, a expressão "comentarista da luta de classes" segue sendo válida. Pois o problema de fundo não está no direito a comentar, nem mesmo está no mérito do comentário, mas sim na postura passiva, de observador não participante.

O máximo exemplo disso é o senhor Alberto Carlos Almeida, autoproclamado especialista na cabeça do povo brasileiro, que diz que não vota nas eleições para manter sua isenção científica. Para este senhor, não participar seria uma pré-condição para comentar.

Como sabemos, na prática ACA tem feito campanha para o Cavernícola. Por qual motivo, então, ele alardeia sua isenção? Minha tese é que isso o ajuda a vender seus serviços. Como diz uma dirigente petista com quem converso muito, business.

Esta tese - business - ajuda a entender as razões pelas quais há tantos "especialistas em pesquisas" que, até ontem, previam a vitória do Miliciano e, agora, dizem que pode dar qualquer coisa.

Faz parte. Digamos que são os ossos do ofício de quem escolheu ganhar (às vezes muito) dinheiro desse jeito.

O que não acho que faça parte é, a essa altura do campeonato, ler um militante de esquerda, eleitor declarado de Lula, na véspera da batalha decisiva, que vai decidir se seremos "colônia ou Estado soberano", terminar assim um texto: "VAI VIRAR? LULA VAI GANHAR? Ninguém sabe. Lula venceu o debate. Por nocaute, avalia Vera Magalhães, jornalista que nada tem de lulista. A refrega mostra-se absolutamente imprevisível. O que se vislumbra é um resultado provavelmente apertado, que criará outro foco de tensões. Mas essa é outra história. Desejar um bom domingo a todos significa, nessa hora, desejar os melhores e mais duros anos do resto de nossas vidas".

Enfim, cada um responde pelo seu estado anímico.

Eu prefiro deixar as dúvidas para dias melhores.

O meu desejo para este sábado 24 de outubro é: virar votos!

E para este domingo, 25 de outubro, o desejo é mais simples ainda: ganhar.

Boa luta, boa vitória!

https://www.instagram.com/reel/De4VVGJhnxC/?cplk=a3MyZXQzaDJjZnlt



 


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