No sábado, 17 de outubro de 2026, no restaurante Al Jeniah, em São Paulo, um militante fez um discurso inflamado contra o risco de ocorrer, no Brasil, o mesmo que ele acha que teria ocorrido na Alemanha, no ano de 1933, a saber: um ditadura implantada pelo vitorioso de uma eleição.
Que o Cavernícola Filho é fascista e que tentaria implantar uma ditadura, não tenho dúvida.
Mas Hitler não foi eleito pela maioria do povo.
Abaixo, um resumo dos acontecimentos eleitorais alemães, nos anos de 1932 e 1933.
Em março e abril de1932 aconteceram eleições presidenciais na Alemanha. A eleição foi em dois turnos.
No primeiro turno, ninguém obteve maioria absoluta. No segundo turno, quem ganhou foi o Marechal Hindenburg, com cerca de 53% dos votos.
Hitler, a inspiração dos Cavernícolas, teve pouco menos que 37% dos votos. Em terceiro lugar ficou o candidato do Partido Comunista, com aproximadamente 10% dos votos.
Em julho de 1932, houve nova eleição na Alemanha, desta vez parlamentar.
Os cavernícolas nazistas foram os mais votados, com 37% dos votos. Socialdemocratas e Comunistas, somados, tiveram mais de 35% dos votos. Os vários partidos da direita tiveram, somados aos votos não válidos, os restantes 28%.
Em novembro de 1932, aconteceram novas eleições parlamentares.
Nessa nova eleição, os nazistas perderam dois milhões de votos, caindo para 33% dos votos. Comunistas e Social-democratas, somados, cresceram e superaram os 37% de votos.
Portanto, em três eleições seguidas, todas ocorridas em 1932, os Cavernícolas Nazistas nunca obtiveram maioria.
Quem tinha maioria relativa no Parlamento era a soma dos dois partidos de esquerda.
Seria possível, também, compor um governo majoritário reunindo parte da esquerda com parte da direita não-nazista.
Mas o Marechal Hindenburgo preferiu apoiar a constituição de um governo encabeçado pelos nazistas.
Foi o que ocorreu no fatídico janeiro de 1933, quando o Marechal convidou Hitler para ser primeiro-ministro.
Logo depois - que conveniente! -, no dia 27 de fevereiro de 1933, o prédio do Parlamento alemão foi destruído pelo fogo. Hitler acusou os comunistas. E Hindenburgo decretou medidas emergenciais, convocando novas eleições.
Nestas eleições, ocorridas no dia 5 de março de 1933, em condições de terrorismo de Estado, principalmente contra os comunistas, os nazistas obtiveram 44% dos votos.
Comunistas e Social-democratas, somados, tiveram cerca de 30% dos votos. O restante votou em variados partidos de centro.
Portanto, mesmo naquela situação, os Cavernícolas Nazistas não conseguiram obter maioria absoluta dos votos.
Acontece que um dos pequenos partidos da direita deu aos nazistas os votos necessários para obter a maioria necessária para compor o governo.
Em seguida, ainda no mês de março de 1933, Hitler propôs e o novo parlamento aprovou uma Lei de Concessão de Plenos Poderes.
Para aprovar esta lei, os nazistas precisavam ter 67% dos votos do Parlamento. E conseguiram isso, graças ao apoio de dois partidos da direita não nazista: o Partido Popular Nacional Alemão e o Partido do Centro Católico.
Esta lei - cujo título em alemão é Gesetz zur Behebung der Not von Volk und Reich, que segundo o pai dos burros pode ser traduzido como "Lei para sanar a aflição do Povo e da Nação" - foi assinada pelo Presidente Hindenburg em 23 de março de 1933.
Em novembro de 1933, aconteceu nova eleição parlamentar, já sob o impacto da tal Lei, que dava poderes ditatoriais ao governo encabeçado por Hitler.
Foi nesta eleição, em que os Nazistas Cavernícolas concorreram sozinhos, que Hitler e seus Milicianos obtiveram 92% dos votos.
Quem não votou nos nazistas, teve seus votos invalidados.
Moral da história:
-Hitler só teve maioria dos votos, depois que instalou sua ditadura;
-Hitler só instalou sua ditadura, porque parte da direita alemã o apoiou;
-Parte da direita alemã apoiou Hitler, em grande medida porque o empresariado alemão queria um governo ditatorial para esmagar a resistência da classe trabalhadora.
Nisso está um dos pontos em comum na trajetória de nazistas e bolsonaristas.
A saber: grande parte do empresariado e da direita autodeclarada "normal" apoia a extrema-direita, mesmo sabendo que os Cavernícolas são uma súcia de criminosos, sociopatas e golpistas.
No Brasil, esta tem sido a postura de grande parte da mídia, que segue dando espaço para tudo que prejudica Lula, ao mesmo tempo que relativiza e naturaliza a candidatura do Cavernícola Filho.
Onde está a principal diferença?
Está em que, no Brasil, dia 25 de outubro, vamos derrotar os cavernícolas e eleger Lula presidente.
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