Temer - o do PSOL, antes PT, antes PSB, antes PCB, mas sempre um bom comunista - escreveu um “post” na sua conta no “face” atacando o PT.
Como o “post” me cita, segue abaixo meu comentário.
Temer diz que sou um “lulista histórico”. De onde ele tirou esta besteira? Não faço ideia. Sou do mesmo Partido que Lula, votei nele em todas as eleições que pude, mas não sou “lulista”, sou petista. Dúvidas a respeito, basta perguntar ao próprio Lula.
Vale dizer que, como professor de história (não me considero um historiador), não compartilho das teorias sobre o “lulismo” que estão na praça, em parte por obra e graça de André Singer. Mas isso é outro assunto.
Voltando a Temer: ele diz que meu texto e o de Nassif ajudariam a explicar o “desgaste de material” que “começa a ser considerado como perigo real para a reeleição do próprio Lula”.
Primeiro, uma “precisão”: não é o “desgaste de material” que nos ameaça. O que nos ameaça é uma ofensiva do imperialismo, da extrema-direita e da classe dominante, ofensiva que se aproveita dos erros políticos que cometemos e seguimos cometendo. Falar em “desgaste de material” remete para algo insolúvel, produto da passagem do tempo, uma abordagem muito conveniente para a linha de campanha que o neofascismo já está implementando, de contrapor a idade dos oponentes.
No seu “post”, Temer cita dois documentos; mas poderia ter citado um terceiro “documento”: o discurso de Lula em Barcelona, onde ele fala explicitamente o seguinte: “(..) nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam a austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso não surpreende agora que o outro lado se apresente como antissistema.”
A íntegra do discurso de Lula está aqui:
Temer talvez ache que o discurso de Lula é contraditório com sua prática. Mas isto também valeria para o caso de Nassif, que em diversos momentos contribuiu para fortalecer as posições que ele agora detona (vide por exemplo:
https://valterpomar.blogspot. com/2014/12/nassif-quando- relevancia-sobe-cabeca.html?m= 1 e também vide:
https://valterpomar.blogspot. com/2015/08/nassif-sonha.html? m=1 e ainda vide:
https://valterpomar.blogspot. com/2018/05/luis-nassif- esquerda-e-o-gueto.html?m=1 ou ainda:
O texto de Nassif deixa entrever sua postura contraditória quando, falando da “Carta aos Brasileiro”, diz que “o problema não foi a carta. Foi que a postura nela contida tornou-se permanente, quando deveria ter sido transitória”.
Eu e outras pessoas - que integrávamos o Diretório Nacional do PT em 2002 e votamos contra a “Carta” - nunca aceitamos esta postura que Nassif segue defendendo 24 anos depois: votar na Carta sob o pretexto de que ela seria apenas um expediente eleitoral. Sempre soubemos do que se tratava e sempre a combatemos.
Vale dizer que a social-democracia anos 1970 virou neoliberal em grande medida porque, antes como agora, seu compromisso é com o capitalismo, não com o socialismo.
Por esses e outros motivos, confesso que não compro pelo valor de face as críticas de Nassif, mesmo quando justas
Aliás, como se pode constatar pelo discurso de Lula em Barcelona, comparado com o que alguns fizeram supostamente em nome dele no Congresso do PT, existem mais mediações entre o Céu e a Terra do que a nossa vã filosofia pode supor.
A respeito do meu texto - na verdade trata-se de uma resolução da tendência petista Articulação de Esquerda, que pode ser lida aqui
https://valterpomar.blogspot. com/2026/04/oitavo-congresso- do-pt-pontos-para-um.html?m=1 - Temer diz que eu seria “expressão do que ainda se convenciona chamar Esquerda Petista, marxista radical confesso, mas que opera no apoio a Lula por conta da lógica da ‘governabilidade possível’.”
Temer mistura alhos com bugalhos.
Alhos: Temer vai votar em Lula, não vai? O PSOL de Temer também vai votar em Lula, não vai? Assim sendo, não sou eu, nem a AE, nem só o PT, mas é quase toda a esquerda brasileira que está operando “no apoio a Lula” devido a uma “lógica” politica meio óbvia, que não tem nada que ver com a “governabilidade”.
Bugalhos: somos petistas. Queremos não apenas ganhar a eleição, mas transformar o Brasil. E na atual quadra da história, não há como transformar o Brasil sem o PT ou contra o PT.
Por isso, não estou “frustrado” com o resultado do Congresso do PT. O que penso e digo publicamente é que as resoluções do Congresso não estão à altura da situação. Mas é o que temos para hoje e vamos lutar para combater e vencer assim mesmo.
Por outro lado, não duvido nada que Lula, amanhã ou depois, atropele os moderados que dizem falar em nome dele. Já fez isso tantas vezes, espero que faça de novo.
Por fim: repudio o grosseiro comentário de Temer sobre Benedita. Amargura deve ter limite.
Segue abaixo a íntegra do post de Temer
DOIS DOCUMENTOS importantes vieram a público em coincidência com o Congresso do neoPT. Dois textos de dois lulistas históricos - Valter Pomar e Luis Nassif - que, em seus cenários, e em suas limitações, ajudam a explicar o “desgaste de material” que começa a ser considerado como perigo real para a reeleição do próprio Lula. Desgaste em função da frustração de quem é “eleito pela esquerda, mas governa pela direita”.
Vou a um rápido comentário, informando que o link com a íntegra dos textos está nos comentários desta postagem.
COMEÇO com Nassif, reproduzindo um parágrafo que quase faz dispensar a leitura da integra do artigo em que denuncia o transformismo regressivo do PT, e suas sequelas, materializado publicamente a partir da famigerada “Carta aos Brasileiro”, em que Lula se rendia aos ditames do Consenso de Washington”, na sequência de FHC, para garantir boas relações com o grande capital em seu primeiro mandato.
“O problema não foi a carta. Foi que a postura nela contida tornou-se permanente, quando deveria ter sido transitória. Lula não apenas respeitou os compromissos — foi, como ele próprio definiria a partir de 2003, “mais responsável que a direita”. A taxa Selic permaneceu em níveis absurdamente elevados por anos. A política de superávit primário foi mantida com rigor que constrangeria qualquer governo europeu de centro-direita. A abertura financeira herdada de FHC não foi tocada."
POR GENEROSIDADE, talvez, Nassif deixa de citar a medida mais grave - consequente da entrega da autonomia do Banco Central a Henrique Meirelles um então recém-eleito deputado federal pelo Psdb, e o controle ministerial da Economia ao mal lembrado Palocci.
Nassif náo cta a contra-reforma da Seguridade Social contra os servidores públicos, medida anti-social que viria a ser universalizada aos trabalhadores da iniciativa privada por Michel golpista, depois do impeachment de Dilma.
PASSAMOS A VALTER, quadro da maior expressão do que ainda se convenciona chamar Esquerda Petista, marxista radical confesso, mas que opera no apoio a Lula por conta da lógica da "governabilidde possível".
SEU TEXTO não consegue ocultar frustração importante com o que ocorreu no fim de semana em Brasília, onde ele registra como dados a considerar, a ausência de Lula, e de várias importantes lideranças do próprio campo majoritário.
DELE, NÃO vou aos detalhes, mas sem poder me omitir do bizarro epílogo em que marca como ponto alto a intervenção cantada de Benedita, que teria trazido animação a um encontro sem marca.
Ou melhor, e aí sou eu quem concluo. Se essa intervenção marcou ponto alto, isso só confirma a inexpressividade do presidente do Partido, que em suas várias intervenções Valter náo teria vislumbrado nada de mais importante.
Vou a um rápido comentário, informando que o link com a íntegra dos textos está nos comentários desta postagem.
COMEÇO com Nassif, reproduzindo um parágrafo que quase faz dispensar a leitura da integra do artigo em que denuncia o transformismo regressivo do PT, e suas sequelas, materializado publicamente a partir da famigerada “Carta aos Brasileiro”, em que Lula se rendia aos ditames do Consenso de Washington”, na sequência de FHC, para garantir boas relações com o grande capital em seu primeiro mandato.
“O problema não foi a carta. Foi que a postura nela contida tornou-se permanente, quando deveria ter sido transitória. Lula não apenas respeitou os compromissos — foi, como ele próprio definiria a partir de 2003, “mais responsável que a direita”. A taxa Selic permaneceu em níveis absurdamente elevados por anos. A política de superávit primário foi mantida com rigor que constrangeria qualquer governo europeu de centro-direita. A abertura financeira herdada de FHC não foi tocada."
POR GENEROSIDADE, talvez, Nassif deixa de citar a medida mais grave - consequente da entrega da autonomia do Banco Central a Henrique Meirelles um então recém-eleito deputado federal pelo Psdb, e o controle ministerial da Economia ao mal lembrado Palocci.
Nassif náo cta a contra-reforma da Seguridade Social contra os servidores públicos, medida anti-social que viria a ser universalizada aos trabalhadores da iniciativa privada por Michel golpista, depois do impeachment de Dilma.
PASSAMOS A VALTER, quadro da maior expressão do que ainda se convenciona chamar Esquerda Petista, marxista radical confesso, mas que opera no apoio a Lula por conta da lógica da "governabilidde possível".
SEU TEXTO não consegue ocultar frustração importante com o que ocorreu no fim de semana em Brasília, onde ele registra como dados a considerar, a ausência de Lula, e de várias importantes lideranças do próprio campo majoritário.
DELE, NÃO vou aos detalhes, mas sem poder me omitir do bizarro epílogo em que marca como ponto alto a intervenção cantada de Benedita, que teria trazido animação a um encontro sem marca.
Ou melhor, e aí sou eu quem concluo. Se essa intervenção marcou ponto alto, isso só confirma a inexpressividade do presidente do Partido, que em suas várias intervenções Valter náo teria vislumbrado nada de mais importante.
Segue abaixo o link do texto citado de Nassif
O PT é meio anarquista não? Que coisa...
ResponderExcluir"Há tempo e esperança se combinarmos paciência e coragem. O tempo virá em que poderemos superar as marcas da época hedionda em que temos que viver. Enquanto isso, nunca recuem, nunca desanimem, nunca desesperem." - disse um certo inglês que venceu os nazistas
Valter, só vou comentar teu artigo por conta do grosseiro úlltimo parágrafo, Fica claro, para quem lê o meu artigo, que a referência depreciativa que faço é à inexpressividade das intervenções do presidente do teu Partido. É vc quem afirma que, nu Congresso onde o debate político deveria ser a tônica, o ponto alto foi a intervenção musical da Benedita. Não cntestei essa avaliação. Contestei que um momento de animação musical tenha eludido a importância das intervenções politicas de quem dirigiu o Congresso, e deveria ser porta-voz da linha política, como presidente do Partido. De ataques identitários, quem pede respeito aos limites sou eu..
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirMilton, quando li sua postagem no facebook fiquei tentado a comentar. Como um veterano camarada seu acho estranho a sua forma usual de chamar o partido de neo-PT.
ResponderExcluirEsse tipo forma caricatural não está a altura da sua capacidade política e intelectual.
Entretanto, como lhe conheço muito bem, sei que estará conosco na trincheira contra o extremismo direitista.
No mais, vida que segue. Já dizia o saudoso camarada João Saldanha.
Valeu, Cantalice, As diferenças de análise não cancelam amizades pessoais. Quanto ao neoPT, tem a ver com minha saudade do PT combativo, em que as correntes anticapitalistas compunham quase metade dos filiados. Não me parece ser o quadro atual
ResponderExcluirCompanheiro,
ResponderExcluirÉ notável que, nos recentes congressos da classe que tudo produz e tudo fizeram, classe trabalhadora brasileira, partido dos trabalhadores e latino-americana, a bandeira da nova Constituinte tenha sido timidamente levantada ou ignorada. Isso é um erro estratégico. Sem uma nova base jurídica, a classe trabalhadora continuará reagindo a ataques (como as reformas trabalhista e previdenciária) em vez de propor um novo modelo de proteção social que dialogue com a realidade latino-americana. Companheiro.
A Constituição de 1988 cumpriu seu papel histórico de transição. Contudo, insistir em um texto que é remendado diariamente para atender ao mercado é manter o país em um estado de paralisia. Uma nova Assembleia Constituinte, convocada sob o signo da participação popular e da unidade latino-americana, é o único caminho para o Brasil sobre bases de justiça social real.
O código penal brasileiro está prá lá de Marraquexe, uma nova Constituição permitiria ao Brasil inserir em sua base fundante mecanismos reais de integração latino-americana, não apenas como um desejo diplomático, mas como um projeto de desenvolvimento econômico e soberania frente às potências globais.
Que responsabilidade tamanha temos todos nós petistas, de chamar uma nova Assembleia constituinte, responsabilidade de liderar a narrativa de que a CF/88 não é mais intocável. Que passa por reconhecer que as instituições criadas em 88 não conseguiram frear o desmonte de direitos e que, portanto, manter-se apenas na defensiva é uma estratégia de derrota a longo prazo.