quarta-feira, 26 de abril de 2017

A resposta da executiva estadual do PT de Minas Gerais

A executiva estadual do PT MG divulgou a nota reproduzida abaixo, que divulgamos no espírito de garantir o acesso aos diferentes pontos de vista existentes acerca da fraude ocorrida na eleição de 9 de abril.

NOTA DA DIREÇÃO ESTADUAL DO PTMG
SOBRE PED 2017

Em linha com a orientação encaminhada pelo Presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores e o Secretário Nacional de Organização, assim como respondendo, mais uma vez, aos requerimentos protocolados pelos membros da chapa "Muda Pra Valer", informamos que os documentos de posse do PTMG, referentes aos recursos envolvendo os municípios de Uruana de Minas, Barroso, Porto Firme, Paiva, São Pedro dos Ferros, Carmo do Rio Claro, Baependi, Jequeri, Bela Vista de Minas, Jeceaba, Uberaba, Ipatinga, Governador Valadares, Ouro Branco, Urucânia e Paracatu, os únicos solicitados por meio de recursos tempestivos, permanecem à disposição dos solicitantes, assim como de todos os filiados, como é a praxe.

Aliás, a reunião pública na qual se deliberou sobre os mesmos contou com ampla participação de representantes e/ou membros da chapa "Muda Pra Valer".

Quanto aos recursos interpostos nos dias 10 e 13/04/2017, pela mesma chapa “Muda Pra Valer”, que solicita TODAS AS LISTAS DE ASSINATURAS DOS 595 MUNICÍPIOS ONDE OCORREU O PED, como também é de conhecimento de todos, nos exatos termos do Regulamento Nacional, a responsabilidade pelo fornecimento da documentação REFERIDA é de cada instância municipal, conforme estabelece o artigo 32, parágrafo único.

Como dispõe essa regra, publicada há meses, “As instâncias Municipais deverão manter arquivadas e disponíveis para consulta a lista de presença e a ata original.”

Dessa forma, a Chapa deverá se dirigir aos Municípios que desejar, para efetuar a consulta e/ou realizar cópia que considerar relevante, não cabendo à instância estadual se responsabilizar pelo recolhimento dessa documentação, tarefa impossível de ser cumprida em tempo hábil.

Ainda, para que fique bem claro, a COE-MG sempre deliberou com a presença de todos os seus membros (inclusive representantes da chapa em questão), decisões posteriormente homologadas pela Executiva Estadual, debatendo fartamente todos os recursos que lá chegaram tempestivamente.

Assim, resta evidente que a direção do PTMG cumpriu rigorosamente com suas obrigações estatutárias, de forma ética e transparente, jamais se furtando a qualquer esclarecimento e/ou deliberação requerida.

Por isso, refutamos, veementemente, inverdades e distorções colocadas de forma irresponsável a respeito do processo de eleições internas em Minas Gerais.

Acrescente-se, por fim, que a direção partidária é composta proporcionalmente, contendo representantes de todas as forças que participaram do PED 2017, sendo de todos a responsabilidade pelos resultados atingidos.


Cida de Jesus – Presidente
Cristiano Silveira – Secretário Geral
Luiz Mamede – Secretário de Organização

Informe detalhado sobre a apuração do PED na Bahia

Já descrevemos, em outros textos, situações ocorridas em São Paulo, Minas Gerais, Fortaleza e Belém. Agora chegou a hora de apresentar um relato detalhado sobre as eleições internas da Bahia, com base em informe enviado por um militante local.

A persistir o "atual resultado" nem o "Muda" PT, nem o campo CNB/EPS terão maioria sozinhos. Além disso, haverá uma expressiva alteração na composição da delegação da Bahia no conjunto do Congresso, uma vez que prevaleça a alteração de 5.000 votos (registrados no sistema nacional) para 16 mil.

O autor do informe abaixo agregou um comentário que reproduzo parcialmente e com leve alteração no final: "Daqui a 48 horas acontecerá uma importante mobilização da classe trabalhadora brasileira. Na segunda 24/04, pela manhã, reunião do diretório estadual do PT/BA após 15 dias de "remereme" diário sobre o PED. Na mesma segunda, a noite, foi realizada uma assembleia geral da classe trabalhadora para organizar a greve geral. Sabem quantos dirigentes petistas estavam presentes nesta assembleia?" 




PED Bahia: indefinição no resultado e um carnaval de recursos

A totalização de votos

A totalização, através da COE, com a presença de todas as chapas, iniciou-se no dia 09 de abril (domingo) às 18h. Foram pactuadas as tratativas sobre o método de totalização a partir da ata de votação e de apuração, separando eventuais problemas identificados para serem apreciados ao final. 

Paralelamente, a chapa “Muda” PT realizava uma apuração paralela que, no final da noite, já indicava uma votação de quase 16.000 votos e uma vitória para a chapa com quase 56% dos votos válidos, criando um clima de certa euforia entre eles a ponto de repercutir na imprensa local: 

http://www.bocaonews.com.br/noticias/politica/politica/172008,eleicao-pt-ba-vou-aguardar-o-resultado-oficial-para-me-pronunciar-diz-waldenor.html

Ocorre que, durante a madrugada de 09 para 10 de abril, criou-se um impasse na apuração de Salvador. Três urnas das zonais foram impugnadas, sob o argumento de discrepância entre o número de cédulas nas urnas e a lista de votantes, bem como um número superior a 5% entre as cédulas dentro da urna sem assinatura. Dessas 03 urnas, 02 são redutos eleitorais de vereadores expulsos . 

O “Muda” PT é maioria, também, na COE municipal. Então, a CNB/EPS anunciou na manhã do dia 10 de abril (segunda) que só continuaria a totalização dos votos estaduais caso fosse discutida a situação de Salvador.  Ante a negativa do “Muda” PT, o dirigente da SORG (CNB) retira-se da totalização dos votos, sendo acompanhado pela EPS e, posteriormente, pelo OT. 

A totalização prossegue nos dias 11 (terça) e 12 (quarta) com a maioria da COE.  Paralelamente, “Muda” PT e CNB/EPS dialogavam sobre a questão de Salvador. O impasse foi superado nos seguintes termos: os votos constantes das 03 urnas impugnadas em Salvador seriam apurados, mas não computados, resguardando o direito de recurso. Com a contagem das urnas impugnadas, a ordem do resultado anterior não foi alterada: 1)Gilmar Santiago (“Muda” PT – DS); 2) Dani (EPS em chapa com CNB); 3)Paulo Mota (com apoio de AE e OT). 

A CNB/EPS e OT retornam para a totalização no dia 12 (quarta) à tarde. Até então, o resultado estava assim : 

RESULTADO 1 – SEM SALVADOR

Total de votos válidos: 5.761

Chapa 400 – 857 (CNB) 
Chapa 410 – 131 (OT)
Chapa 420 – 72 (AE)
Chapa 430 – 471 (EPS)
Chapa 450 – 4230 (“Muda” PT)

Este RESULTADO 1 foi incluído no sistema nacional de totalização ainda no prazo previsto. A partir de 14 hs do dia 12/04, o sistema ficou indisponível. A COE divulgou nota na qual afirma que foram incluídos os votos de Salvador (http://www.ptbahia.org.br/noticias/item/6273-nota-oficial-da-comiss%C3%A3o-eleitoral-coe-ba-do-6%C2%B0-congresso-do-pt.html), nos seguintes termos:

RESULTADO 2 – COM SALVADOR 

Total de votos válidos : 7.263 

Chapa 400 – 1.118 (CNB) 
Chapa 410 – 200 (OT)
Chapa 420 – 105 (AE)
Chapa 430 – 850 (EPS)
Chapa 450 – 4.990 (“Muda” PT)

Deve ser observado que no próprio link da matéria que a COE postou (acima indicado) consta uma tabela de totalização extraída do site nacional do PT com o total de votos válidos em 5.761, conforme o RESULTADO 1 (SEM SALVADOR). 

Ao findar os trabalhos no dia 12/04 à noite, a COE e a CNB/EPS firmaram ata que gerou uma grande controvérsia, pois cada um interpretou de um jeito o seguinte trecho: 

Depois de muito diálogo chegou-se a alguns entendimentos. Com relação a Salvador, a COE Bahia decidiu por unanimidade manter a impugnação para dar ciência às chapas municipais do seu teor. Decidiu por unanimidade manter a não contabilização das três urnas no resultado final de Salvador. Está mantido o segundo turno entre Gilmar Santiago e Daniele Ferreira. Decidiu ainda por incluir na totalização estadual o resultado final dos números apresentados pela comissão organizadora municipal . A unanimidade das decisões está amparada no direito dos filiados e das filiadas de recorrerem ao diretório estadual. Com relação ao retorno à totalização estadual, ficou acertado reconhecer a computação que a COE continuou fazendo e que para isso os membros da COE que não estiveram presentes verificariam o trabalho realizado até então. Ficou acertado também que a secretaria de organização enviaria para o endereço eletrônico da Comissão Organizadora Estadual todos os e-mails da apurações municipais que foram enviados dentro do prazo , bem como imprimi-los. Todos os pontos do acordo foram cumpridos e a Comissão Organizadora Estadual continuará a totalização dos votos estaduais. A totalização parcial, incluindo Salvador, foi enviada a Comissão Organizadora Nacional pela COE. Devido ao fechamento da totalização nacional, a COE encaminha por consenso a consulta para a nacional sobre a necessidade de continuação da apuração e totalização dos votos da Bahia na apuração nacional. Uma vez concedida pelo diretório nacional, a apuração voltará a acontecer seguindo critérios dentro das regras estabelecidas pelas regras regimentais e estatutárias. Sem mais a tratar, assinam os presentes. 

Após, a reunião é divulgado no site do PT a seguinte nota: http://www.ptbahia.org.br/noticias/item/6269-pt-bahia-divulga-dados-oficiais-do-ped.html

As interpretações distintas foram nos seguintes termos: a CNB/EPS entenderam que deveria continuar a totalização, enquanto que o Muda PT entendeu que a totalização só poderia prosseguir após o pronunciamento acerca da consulta à Direção Nacional do PT.  

No dia posterior, 13/04 (quinta), a SORG continua a apuração e divulga o resultado, através do site do PT em note com o seguinte teor: http://www.r2cpress.com.br/v1/2017/04/14/cnb-e-eps-vencem-eleicao-no-ptbahia/. Temos assim o:

RESULTADO 3 – SORG 

Total de votos válidos : 20.919 

Chapa 400 – 6.032 (CNB) 
Chapa 410 – 511 (OT)
Chapa 420 – 179 (AE)
Chapa 430 – 5.608 (EPS)
Chapa 450 – 8.589 (“Muda” PT)

Instaura-se novo conflito, pois o “Muda” PT alega que não participou dessa totalização que teria sido feita, unilateralmente, pela SORG e que a divulgação no site decorreu de utilização indevida da senha do site, pois o secretário de comunicação é do “Muda” PT  e não teria autorizado tal divulgação. A esse respeito, ver: 

http://www.ptbahia.org.br/noticias/item/6273-nota-oficial-da-comiss%C3%A3o-eleitoral-coe-ba-do-6%C2%B0-congresso-do-pt.html ; http://www.ptbahia.org.br/noticias/item/6274-em-resolu%C3%A7%C3%A3o-enviada-para-a-sorg-nacional,-a-comiss%C3%A3o-eleitoral-do-ped-anula-totaliza%C3%A7%C3%A3o-feita-pelo-secret%C3%A1rio-de-organiza%C3%A7%C3%A3o.html ; http://www.ptbahia.org.br/noticias/item/6272-site-do-pt-foi-utilizado-para-divulgar-resultado-n%C3%A3o-oficial.html 

Após a tempestade verbal, pactuou-se que a COE iria fazer uma verificação de todas as atas que foram utilizadas para fins de totalização pela SORG. 

Chegado o fim do prazo para recurso à Direção Estadual, foram contabilizados 110 recursos para apreciação na reunião do Diretório Estadual a ser realizada no dia 24/04. Frise-se que o PED na Bahia estava previsto para ocorrer em 300 cidades aproximadamente. Ou seja, os recursos atingem um elevado percentual do conjunto da eleição. 

 Realizada a reunião do Diretório Estadual foi aprovado o relatório da COE sobre os recursos interpostos. O citado relatório, entre diversas diligências solicitadas, especialmente, a apresentação das listas de presença e atas de votação e apuração pelos diretórios, indica, também : “encaminhamento para exame grafotécnico” (fl. 05) das assinaturas constantes nas documentações de um bloco de cidades. 

No dia 25/04, a COE divulga uma nota sobre o julgamento realizado no Diretório Estadual e uma totalização. Segue a nota:

http://www.ptbahia.org.br/noticias/item/6280-ap%C3%B3s-a-delibera%C3%A7%C3%A3o-do-diret%C3%B3rio-estadual,-pt-conclui-totaliza%C3%A7%C3%A3o-dos-votos-do-ped.html).

Portanto, temos agora o: 

RESULTADO 4 - COE 

Chapa 450 – Muda PT – 8.153
Chapa 400 – CNB – 4.260 
Chapa 430 – EPS – 3.531
Chapa 410 – OT – 506
Chapa 420 – AE – 166

Tal resultado, porém, não incorpora a apreciação das diligências efetuadas junto aos diretórios municipais. Ou seja, persiste a indefinição sobre o resultado do PED na Bahia. 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Fraude em Prados (MG)?

No dia 26 de abril, quarta-feira, reúne-se a Câmara de Recursos do Diretório Nacional do PT. E no dia 27 de abril, quinta-feira, reúne-se a Comissão executiva nacional. Muito tempo será perdido na análise de assuntos como os descritos na Carta-Denúncia abaixo. Tempo que seria melhor aproveitado mobilizando para a greve geral, para o Primeiro de Maio e em solidariedade ao companheiro Lula. Os fraudadores contam com isto, para que seus atos sejam esquecidos ou minimizados. Esperamos que a direção partidária aperceba-se que a atitude correta é a oposta: para cumprir um papel destacado na conjuntura, é preciso excluir do Partido quem lança mão deste tipo de expediente.



Respeite o meu voto

No dia 26 de abril, quarta-feira, reúne-se a Câmara de Recursos do Diretório Nacional do PT. E no dia 27 de abril, quinta-feira, reúne-se a Comissão executiva nacional. Muito tempo será perdido na análise de assuntos como os descritos no Manifesto abaixo. Tempo que seria melhor aproveitado mobilizando para a greve geral, para o Primeiro de Maio e em solidariedade ao companheiro Lula. Os fraudadores contam com isto, para que seus atos sejam esquecidos ou minimizados. Esperamos que a direção partidária aperceba-se que a atitude correta é a oposta: para cumprir um papel destacado na conjuntura, é preciso excluir do Partido quem lança mão deste tipo de expediente.



Manifesto PT/ES RESPEITE MEU VOTO

Destinatário: Filiados e filiadas ao PT/ES

Nós, militantes e filiados ao PT-ES, estamos estarrecidos e indignados com a posição assumida pela Executiva Estadual, que, de forma arbitrária e unilateral, cassaram 321 votos legítimos de oito municípios, alterando assim a maioria simples conquistada pela chapa Pra voltar a Sonhar. A decisão foi tomada sem permitir o direito de defesa dos dirigentes municipais acusados de cometerem irregularidades no PED 2017 e sequer de analisar os recursos por eles apresentados.

Esta atitude confirma o distanciamento e o desrespeito para com a base do PT, que luta cotidianamente pela sua construção. Mais uma vez esses dirigentes estaduais não aceitaram o clamor por mudanças no partido e fizeram uma manobra já amplamente denunciada na imprensa capixaba. Queremos autonomia para o PT, queremos transparência, queremos comprometimento com a derrubada do golpe e queremos nos afastar dos golpistas aninhados no governo Paulo Hartung.

É preciso reconhecer os resultados legitimados pela maioria dos votantes no PED 2017, que retratam nossos anseios em defender nosso projeto e nossas lideranças nacionais, como os presidentes Lula e Dilma. Não abriremos mão e não recuaremos do nosso objetivo de recuperar o PT. Convocamos a todos e todas a não se conformar com a destruição de nossa história e nosso legado, unindo-se a nós nessa luta.
Abaixo assinado - https://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/35738

Esclarecimento aos petistas

No dia 26 de abril, quarta-feira, reúne-se a Câmara de Recursos do Diretório Nacional do PT. E no dia 27 de abril, quinta-feira, reúne-se a Comissão executiva nacional. Muito tempo será perdido na análise de assuntos como os descritos no abaixo-assinado que transcrevemos abaixo. Tempo que seria melhor aproveitado mobilizando para a greve geral, para o Primeiro de Maio e em solidariedade ao companheiro Lula. Os fraudadores contam com isto, para que seus atos sejam esquecidos ou minimizados. Esperamos que a direção partidária aperceba-se que a atitude correta é a oposta: para cumprir um papel destacado na conjuntura, é preciso excluir do Partido quem lança mão deste tipo de expediente.

Conforme regulamento do 6º Congresso nacional do PT, aprovado pelo Diretório Nacional em 20/01 de 2017 e alterado pela Comissão Executiva Nacional em 08/02/2017, caberá a uma Comissão de Organização Eleitoral todos os aspectos relativos ao PED, como a organização, apuração e proclamação dos resultados das eleições municipais, leia-se o artigo 9º do Regulamento. Dessa forma, fica clara que não é de responsabilidade da Secretaria de Organização a centralização dos documentos referentes ao PED/Congresso.
Surpreende-nos que um dirigente estadual não saiba. Basta ler a combinação dos artigos 8º e 31º, para ficar clara a competência da COE em todo o processo eleitoral.
A chapa Para Voltar a Sonhar, de acordo com o regulamento, reafirma que é a COE quem tem competência e atribuição regimental para conduzir o processo das eleições. Essa competência não é nem da Secretaria de Organização e muito menos do secretário.
A chapa #PraVoltarASonhar reafirma que houve intenção premeditada de alterar o resultado legítimo que nos deu democraticamente a vitória. Os petistas deixaram claro sua vontade de mudar os rumos do partido, principalmente o desembarque de um governo golpista. As eleições mostraram que a militância busca o reencontro com o legado do PT. A verdade inequívoca é que a base do PT quer mudança.
Golpe foi ter fechado a sede estadual do partido no dia da eleição, impedindo assim o acesso de todos os membros da COE aos resultados apurados nos municípios, assim como ter suspendido a reunião da COE, marcada para o dia 11/04 para o conhecimento dos resultados das eleições e análise dos documentos enviados pelos municípios, desrespeitando o prazo para recursos dos filiados em âmbito municipal, ter centralizado os documentos, tendo levado à análise da executiva estadual apenas 10 dos municípios e não a totalidade.
A chapa Para Voltar a Sonhar, através de seus representantes, solicitou e aguardou que ocorresse reunião da COE, para que fosse analisado e proclamado o relatório com o resultado oficial, assim como os problemas que pudessem vir a existir nos municípios. Esperávamos transparência, informações oficiais.
Reafirmamos que, através dos nossos representantes na COE, e dos dirigentes responsáveis pela chapa, solicitamos via e-mails, inclusive com cópia para a SORG nacional, as informações e questionamos o procedimento de esvaziamento da COE adotado durante todo o processo. Infelizmente só recebemos Informações parciais às vésperas do último dia para recursos.
Ganhamos na política e no voto. Tenta ganhar no grito quem cassa votos válidos em flagrante desrespeito à militância do partido.
Por fim, consideramos importante registrar mais algumas questões:
O método arbitrário adotado causou prejuízos aos filiados do PT, na medida em que a anulação da eleição nos municípios não distingue dolo, má fé e erro de procedimento.
Propusemos, e fomos derrotados pela maioria, que se fizesse a devida apuração das prováveis irregularidades, respeitando o direito de ampla defesa dos dirigentes municipais responsáveis pelo processo eleitoral nos seus municípios, com o intuito indiscutível de identificar a irregularidade e a punição cabível a cada caso, e não de forma generalizada como decidido pela maioria da executiva estadual.
Em relação às denúncias de fraude em Brejetuba, requeremos verbalmente na reunião da executiva realizada no dia 18/04, a constituição de uma comissão para apurar a irregularidade apresentada e seus possíveis autores. Fomos derrotados. No dia 20/04/2017 formalizamos junto à executiva estadual um recurso com o mesmo teor.
Consideramos tais fatos sérios demais para não serem apurados, e lamentamos ver dirigentes do partido lançando mão desses artifícios para luta interna e a disputa eleitoral.
Não desistiremos de sonhar. Seguiremos firmes na luta por um partido com autonomia, transparente, que respeita seus militantes, e de luta!
José Luis Oliveira Silva
Samira Sanches
Penha Lopes
Fabiana Cassundé
André Casotti
Sebastião Covre
Iriny Lopes

domingo, 23 de abril de 2017

Fraude também no Espírito Santo?

No Espírito Santo três chapas disputaram as eleições petistas de 9 de abril.

Uma delas (intitulada Para voltar a sonhar) inclui todas as tendências e grupos petistas que fazem oposição a Paulo Hartung, governador do Espírito Santo e do PMDB.

Fazem parte desta chapa os deputados federais Givaldo e Helder Salomão, as tendências Articulação de Esquerda e Democracia Socialista, além de um pequeno setor da tendência CNB, setor cuja principal lideraça é Perly Cipriano.

As outras duas chapas têm em comum a subordinação a Paulo Hartung. Além disso, ambas fazem parte do campo intitulado "Partido que Muda o Brasil".

Segundo seus integrantes, a chapa Para voltar a sonhar  ganhou, mas ainda não levou. 

Para ser mais exato: integrantes da chapa Para voltar a sonhar acusam o secretário estadual de organização, vinculado ao grupo hartunguista da CNB, de só ter reunido a COE no dia 17 de abril e a executiva estadual (onde as duas chapas hartungistas tem maioria) de ter impugnado irregularmente a votação em 8 municípios, afetando mais de 300 votos e revertendo o resultado das urnas.

Abaixo segue o manifesto da chapa vencedora.




sábado, 22 de abril de 2017

Para não ficar no passado

O texto abaixo foi publicado na revista Carta Capital edição 949. Esta edição começou a circular no dia 21 de abril.

O Partido dos Trabalhadores realizou, no dia 9 de abril, uma eleição para escolher suas novas direções municipais e zonais, bem como as respectivas presidências.
No mesmo dia foram escolhidos os delegados e as delegadas que vão se reunir nos congressos estaduais que o PT realizará de 5 a 7 de maio, simultaneamente, nos 26 estados e no Distrito Federal.
Nestes congressos estaduais serão eleitas as direções estaduais e presidências, bem como as delegações ao 6º Congresso Nacional do Partido, de 1 a 3 de junho.
A pauta do 6º Congresso inclui cinco grandes temas: cenário internacional; cenário nacional; balanço dos governos nacionais petistas; estratégia-política-programa; funcionamento e organização partidária.
Além de aprovar resoluções sobre cada um destes temas, o 6º Congresso também elegerá um novo Diretório Nacional e decidirá quem ocupará a presidência.
Atualmente há duas pré-candidaturas à presidência nacional do PT: a senadora Gleisi Hoffman e o senador Lindbergh Farias. Mas a inscrição e a eleição devem ocorrer apenas no dia 3 de junho, para um mandato que excepcionalmente será de apenas dois anos.
Na eleição do dia 9 de abril, participaram cerca de 290 mil petistas. Um número expressivo, quando comparado com outros partidos. Mas um número preocupante, quando comparado com a trajetória do próprio PT.
Para efeito de comparação, nas eleições anteriores participaram, respectivamente: 228.637 em 2001; 315.342 em 2005; 327.308 em 2007; 520.417 em 2009; 424.090 em 2013.
A queda na participação fica mais evidente no percentual de comparecimento, frente ao número total de aptos a exercer o voto: 26% (2001), 38% (2005), 38% (2007), 39% (2009), 50% (2013), 18% (2017).
Estes números ainda podem sofrer alterações, a depender do acolhimento ou não de recursos que foram impetrados contra supostas fraudes. Apenas nos estados de São Paulo e Minas Gerais, estão sub judice mais de 20 mil votos.
Somente depois da votação destes recursos saberemos com certeza em quantos municípios a eleição foi considerada válida; quantos delegados e delegadas foram eleitos por cada uma das 121 chapas inscritas; e qual o tamanho da delegação que cada unidade da federação enviará ao 6º Congresso. 
Só na segunda semana de maio, depois dos congressos estaduais, será possível ter clara qual será a correlação de forças no Congresso, para o qual foram inscritas dez teses, cujos títulos são: “A esperança é vermelha: Brasil Urgente, Lula presidente!!!”; “Unidade pela reconstrução do PT”; “Avaliar, corrigir rumos e mudar o Brasil”; “Em defesa do Brasil, em defesa do PT, em defesa de Lula”; “Por um partido socialista e democrático! Por um governo democrático-popular!”; “Optei – Em defesa do PT“; “Alternativa: Crítica, Autocrítica e Utopia“, “Avante Militância Socialista ao VI Congresso Nacional do PT”; “Estado de Emergência Petista“; “Lélia Gonzalez – Muda PT com raça e classe”.
Destas teses, a que hoje reúne a maioria de petistas que são dirigentes, parlamentares e governantes é a intitulada “Em defesa do Brasil, em defesa do PT, em defesa de Lula”. 
Se esta tese obtiver a maioria absoluta do 6º Congresso, provavelmente teremos mais do mesmo. Mas se obtiver uma maioria apenas relativa, o Congresso pode reservar surpresas. Afinal, pequenas dissidências podem transformar uma maioria relativa em minoria. E vice-versa.
O 6º Congresso ocorrerá num contexto de crise internacional e nacional; de realinhamento entre as diferentes frações do Capital, dentro e fora do país; e também de realinhamento de forças entre os diferentes Estados, em âmbito mundial.
A continuidade da crise iniciada em 2008, combinada com o ascenso do populismo de direita, aprofunda os riscos de guerra, as ameaças contra a soberania nacional, contra as conquistas democráticas e contra os interesses populares.
É neste contexto que ocorreu o golpe no Brasil e vem sendo aplicada a "ponte para o futuro", causando uma deterioração acelerada dos indicadores econômicos e sociais,
Construir uma alternativa de esquerda para a atual situação passa por organizar a Frente Popular, defender os direitos das maiorias, fazer oposição radical aos golpistas, lutar para derrotar e derrubar o governo Temer, garantir o mais cedo possível a realização de eleições presidenciais diretas, batalhar para eleger Lula e se preparar para um governo de enfrentamento, cuja síntese política precisa ser a defesa da convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. 
Já para o grande capital e seus representantes, trata-se de ampliar sobremaneira a exploração da classe trabalhadora e aprofundar a internacionalização subalterna de nossa economia. Objetivos incompatíveis com os níveis de liberdades democráticas atualmente existentes.
É por isto que buscam aprofundar o golpe, interditar Lula, inviabilizar o PT, reprimir a mobilização social, judicializar e criminalizar a política, estimulando as alternativas Bolsonaro e Dória, parlamentarismo e inclusive a volta dos militares.
A classe que implementou o golpe não está disposta a aceitar nova eleição de Lula. E como a alternativa "tentar cooptar Lula" não está disponível – entre outros motivos, porque 2018 não é 2002, nem para eles, nem para nós -- a disjuntiva hoje posta para a classe dominante é: ou retirar Lula da disputa ou retirar do calendário as presidenciais de 2018, por exemplo através do parlamentarismo.

O único jeito de deter este tipo de ameaça é não cair na armadilha de discutir um "plano B" e lembrar que, contra a ilegalidade, é legítima a desobediência civil.