domingo, 26 de abril de 2026

Oitavo Congresso do PT: pontos para um balanço

Texto em debate na direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda (AE), sujeito à alterações.

Oitavo Congresso do PT: pontos para um balanço 

1/O Oitavo Congresso do PT aconteceu numa situação politica muito difícil, em parte devido à ofensiva do imperialismo estadunidense e seus serviçais da extrema-direita brasileira; em parte devido à orientação política equivocada implementada por setores do nosso governo e do nosso Partido.

2/O Congresso era necessário exatamente por isso: para debater e aprovar uma inflexão em nossa linha política, para que o Partido esteja à altura da situação política. Isso em grande medida ainda não ocorreu, em parte porque somos minoria, em parte porque outras tendências disputam muito pouco, mas em grande parte porque a tendência hoje majoritária no Diretório Nacional, a “Construindo um Novo Brasil (a CNB) resiste a mudar a linha política.

3/O Oitavo Congresso poderia ter servido para reafirmar de forma consistente a atual linha política da CNB. Mas como é público, esta tendência está profundamente dividida, motivo pelo qual a reafirmação feita é repleta de inconsistências, como se pode constatar por exemplo no debate de várias emendas e em alguns discursos feitos no congresso pelo presidente do Partido.

4/O Congresso poderia ter servido, pelo menos, para “animar a tropa”. Mas como Lula não compareceu pessoalmente no Congresso, não assistimos a animação necessária. Pelo contrário, muita gente da própria CNB saiu do Congresso mais preocupada do que animada.

5/Sobre isso, percebemos dois comportamentos entre os líderes da CNB: i/dizer que o Congresso foi um grande sucesso, numa atitude que - para ser elegante - é negacionista; ii/dizer que o Congresso não deveria ter sido convocado, o que na nossa opinião desconsidera a necessidade de um espaço coletivo de debate e deliberação para armar a militância nesse momento tão difícil.

6/Da nossa parte, fizemos todo o possível para que o Congresso existisse e estivesse à altura deste momento histórico. Por isso, participamos das cinco subcomissões, produzimos propostas, realizamos debates, lutamos para incluir nos documentos aprovados pontos fundamentais como a reforma agrária e a reforma da comunicação, que só entraram no Manifesto aprovado ao final pelo Congresso porque insistimos nisso até o último instante.

7/Qual foi a atitude de outros setores do Partido? Em alguns casos foi a omissão, noutros casos o silêncio obsequioso. Poucos fizeram como nós, que ajudamos a garantir o pouco de debate que houve neste Congresso, que ao fim e ao cabo foi um Encontro, não um verdadeiro Congresso.

8/Foi prometido que o Congresso terá, em 2027, uma segunda etapa. Defendemos que precisa ocorrer um verdadeiro Congresso, composto por delegados e delegadas eleitas em 2027, num novo debate na base, onde seguiremos na defesa do socialismo, de uma inflexão na estratégia e na linha política do Partido, de mudanças no nosso funcionamento organizativo, na reconstrução de nossas relações com a classe trabalhadora.

9/A direção nacional da AE produzirá, nos próximos dias, um balanço detalhado, incluindo: i/o que ocorreu desde a reunião do Diretório Nacional dia 6/12/25, que convocou o Congresso; ii/a reunião do DN de 23/4/26, que alterou a pauta do Congresso;  iii/o ato de abertura do Congresso; iv/a discussão na comissão de sistematização; v/a plenária de votação no sábado; vi/o ato de encerramento; vii/as atividades paralelas, com destaque para a exitosa programação internacional da Fundação Perseu Abramo; viii/a ausência, durante todo o Congresso e inclusive no encerramento, de muitas lideranças do Partido (ex-presidentes, parlamentares, governadores, ministros etc.). Fica aqui o nosso respeito e agradecimento a todas e todos que compareceram e nossa compreensão com quem justificou sua ausência.

10/Ponto fundamental do nosso balanço é a análise das resoluções aprovadas. Parte deste balanço pode ser feito desde já, com base nos textos propostos e nas emendas defendidas, bem como na análise do Manifesto (https://pt.org.br/link/2xy6l). Mas o balanço final das resoluções terá que esperar que o DN aprove a consolidação dos textos de “Conjuntura e Tática” e “Diretrizes para o programa de governo”. Desde já destacamos que as resoluções reforçaram o ataque à taxa de juros, a necessidade de criar a empresa Terrabras, a defesa da reestatização da BR Distribuidora, a reforma agrária e da comunicação, além de uma importante moção sobre os 10 anos do golpe iniciado em 2016 com o impeachment da companheira Dilma Rousseff (em todos esses casos, nossa bancada contribuiu na redação e aprovação das resoluções).

11/Entretanto, terminado o Congresso, nossa tarefa é ganhar as eleições 2026, reeleger Lula, eleger as candidaturas do PT ao governos estaduais, congresso nacional e assembleias legislativas. E, como parte importante desta tarefa, eleger as candidaturas de militantes da AE que estão disputando cadeiras na Câmara e nas Assembleias Legislativas.

12/Na campanha eleitoral, precisamos traduzir na prática a diretriz apresentada na mesa de comunicação feita na manhã do último dia do Congresso: “nós não somos o sistema, nós nascemos para enfrentar a ordem”. 

13/Nessa linha, o ponto alto do encerramento do Congresso foi o discurso cantado feito pela futura senadora Benedita da Silva, não apenas por quem é e pela animação espontânea que causou no plenário, mas principalmente por que ela expressou uma orientação prática para os próximos seis meses: bater de porta a porta, para ganhar o apoio e o voto de quem já nos garantiu a vitória em 5 das 9 eleições presidenciais realizadas desde 1989: a classe trabalhadora.

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