terça-feira, 8 de setembro de 2026

A água está batendo na bunda?

 Quanto tempo demora para perceber que precisamos  dar um "cavalo de pau" na campanha?

 “O ataque de André Mendonça contra a Policia Federal confirma que a guerra é total”

A direção estadual SP da tendência petista Articulação de Esquerda, reunida no dia 7 de setembro de 2026, debateu e aprovou a seguinte resolução sobre a situação política e nossas tarefas.

1.Faltam menos de 30 dias para o primeiro turno das eleições de 2026. Todas as pesquisas indicam duas coisas: a escolha do presidente acontecerá no segundo turno; e é cada vez menor a distância que, num segundo turno, separaria Lula do candidato dos cavernícolas.

2.O estado-maior da campanha cavernícola trabalha com o objetivo de repetir, aqui, algo similar ao que ocorreu nas recentes eleições presidenciais colombianas. A saber: depois de passar boa parte da campanha acreditando em vitória no primeiro turno, a esquerda colombiana não apenas teve que enfrentar um segundo turno, como ainda foi em segundo lugar para este segundo turno. Isso causou um impacto emocional enorme na militância de esquerda, desorganizando por vários dias a campanha. E, ao final, a extrema-direita ganhou as eleições na Colômbia.

3.Para tentar nos ultrapassar no primeiro turno, a extrema-direita aposta no peso da campanha feita por suas máquinas eleitorais, tanto nas ruas quanto nas redes. Aposta, também, no corpo mole de muitos de nossos “aliados”, bem como investe nos nossos erros e insuficiências. E para além disso tudo, aposta numa linha de campanha fortemente ideológica, organizada em torno de uma ideia muito simples: derrotar Lula e o PT.

4.Para tentar nos vencer no segundo turno, para além de tudo que já foi citado, a extrema-direita conta com o apoio das demais candidaturas de direita, assim como confia que ocorrerá uma desmobilização das candidaturas proporcionais, de senado e governo que apoiaram Lula no primeiro turno.

5.Seria um erro fatal de nossa parte subestimar os planos e os meios da candidatura cavernícola. Até porque - por detrás da candidatura cavernícola - estão os Estados Unidos, Israel, a Internacional da extrema-direita, a maior parte do grande empresariado, dos meios de comunicação, da “família militar” e das empresas disfarçadas de igrejas. 

6.Por isso mesmo, seria um erro ainda maior continuar na mesma “batidinha” planejada por quem, erradamente, achava que venceríamos fácil e no primeiro turno, com um discurso concentrado nas “entregas” do nosso governo. Agora já está óbvio que o melhor cenário é vencermos no segundo turno e por pequena vantagem. E mesmo para isso será preciso fazer mudanças imediatas na linha política e no funcionamento da campanha. 

7.A primeira mudança é deixar de lado as ilusões: ou todo mundo se engaja, em escala 7 x 0, daqui até o dia 25 de outubro, ou esta não será propriamente a “eleição de nossas vidas”.

8.É preciso criar as condições para que a Nação Petista possa fazer a campanha de Lula. Isso exige materiais impressos, adesivos e bandeiras em grande quantidade. As campanhas estaduais e proporcionais devem contribuir para isso com seus recursos. E os militantes devem ser chamados a produzir material de campanha com seus próprios recursos, conforme a lei permite, aliás. Precisamos, também, de direções partidárias funcionando e de coordenação real. Nesse espírito, os e as dirigentes partidárias devem dar prioridade total para a campanha presidencial, mesmo que o preço seja deixar de lado suas candidaturas proporcionais. E as campanhas proporcionais precisam falar, o tempo todo, do time de Lula, especialmente onde isso é mais difícil, onde os cavernícolas são mais fortes: Lula não pode ser lembrado apenas onde ele traz votos para os proporcionais!

9.É preciso direcionar o esforço principal de nossa campanha para a disputa do eleitorado feminino, negro, jovem e trabalhadores pobres. A extrema-direita está, nesse momento, disputando esse eleitorado conosco, usando para isso um discurso centrado na disputa ideológica. Precisamos enfrentar fogo com fogo, ideologia de esquerda contra ideologia de direita. E, ao mesmo tempo, não podemos emitir sinais dúbios. O povo precisa ter certeza de que o quarto mandato de Lula fará absolutamente tudo o que for necessário fazer, para que o Brasil seja infinitamente melhor para a grande maioria do povo; e que a conta será paga pelo grande capital financeiro. 

10.É preciso recordar que conseguimos “sair das cordas, meses atrás, quando o governo Lula adotou firmemente a pauta da soberania nacional contra o tarifaço de Trump e uma postura ativa de defesa dos pobres contra os ricos no debate da politica tributária, trazendo a luta de classes para o centro do debate. É preciso agora, ampliar e aprofundar este duplo enfoque como eixos da nossa campanha, materializando a linha nas falas de Lula e nos programas de televisão, em linguagem forte e direta que dialogue com o povão, a exemplo do que fazemos na luta pelo fim da escala 6x1, pela redução da jornada sem redução de salário, pelo fim das “BETS”, pelo socorro imediato aos pobres super-endividados, assim como no combate à “maioria do Congresso inimigo do povo” e suas emendas, no combate pela reforma política e do judiciário, no combate ao feminicídio e pela nacionalização das terras raras adquiridas pelo Pentágono  no estado de Goiás.

11.No segundo turno, devemos disputar prioritariamente o voto do eleitorado popular que não votou conosco no primeiro turno, inclusive o que se absteve de votar, votou branco e nulo. E teremos o desafio adicional de manter ativas as estruturas de campanha das candidaturas proporcionais, não apenas as que tenham sido derrotadas, mas também das vitoriosas. Outro desafio adicional será o de realizar a campanha onde nossas candidaturas majoritárias não foram vitoriosas ou não foram para o segundo turno. 

12.Neste sentido, ganha uma importância enorme - entre outras campanhas estaduais - a campanha de Fernando Haddad a governador. Nas condições eleitorais do estado de São Paulo, em que não há outras candidaturas de direita além de Tarcísio, nossa meta deve ser eleger Haddad já no primeiro turno, assim como eleger as duas senadoras. É uma meta muito difícil, mas as pesquisas atuais e, também, o ocorrido na eleição de 2022 mostram que vencer em SP é uma meta possível e factível. Na verdade, a grande dificuldade a superar é o pessimismo das direções e a linha recuada de campanha.  Da nossa parte, sabemos que o governo Tarcísio é um governo destrutivo e perverso, inimigo do povo, que precisa e pode ser derrotado. Para isso teremos que fazer, em quatro semanas, o que não foi feito em quatro anos: desconstruir Tarcísio.

13.A situação é grave e, provavelmente, ainda vai piorar um pouco antes de melhorar. Mas nada de pânico: se arrumarmos a casa, há tempo suficiente para vencermos a guerra total que a classe dominante e o imperialismo travam contra nós. Tudo depende de as direções de nosso partido perceberem que a água está "batendo na bunda"; e de a militância entender que quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

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