Edma fez o PDF, Alana fez a digitação, a revisão ainda está por fazer, mas segue um texto de 1981 (acho) sobre o movimento secundarista.
O MOVIMENTO SECUNDARISTA HOJE
Em todo o país as entidades secundaristas começam a ressurgir. É um processo que constitui uma enorme alegria para todos nós que militamos por esse fim. Torna-se, no entanto, necessária uma consciência real sobre a extensão verdadeira desse ressurgimento, NÃO SÓ DO PONTO DE VISTA QUANTITATIVO, MAS, E PRINCIPALMENTE, SOB O PONTO DE VISTA QUALITATIVO.
Se é verdade que já se conseguiu um enorme avanço, também é verdade que o movimento é fraco politicamente, e muito pouco massivo.
Vimos provas disso nas eleições para a UMES-BH e para a UMES-SP, sem contar o II ENES. Poucos estudantes participando na construção de sua entidade, a grande maioria votando sem se dar conta da extensão do gesto - o que deu margem à tudo menos discussão política em torno dos programas -, coisa que se aproveitaram algumas tendências do movimento, delegados sendo eleitos de forma ridícula, a massa dos estudantes sem controle nenhum sobre a dita vanguarda, esta já se achando causa e não fruto do movimento. Um quadro triste, mas que algumas pintam de cor de rosa, exaltando os sucessos sem considerar as falhas.
O movimento se encontra sem uma direção coerente com suas necessidades, estando pois ameaçado de naufragar antes de largar do porto. É imperativo que desde já se começe a construção de uma tendência que, partindo da realidade do movimento, dispute sua direção, da pase ao topo.
Que realidade é esta? A nível talvez pouco científico (torna-se necessária uma pesquisa para determinar isto mais acertadamente), podemos dizer que:
mais sectárias que existem no seu interior.
A tendência convenção, composta por aqueles que se alinham com o jornal Tribuna da Luta Operária tem uma posição diametralmente oposto à nossa, sendo no entanto cheia de ambiguidades. De início, basta dizer que ela pode até concordar com a existência de fraqueza no movimento, mas não será capaz de engolir alguém dizendo que essa fraqueza é política; tanto que eles já jogam como fator de mobilização a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, coisa que a grande maioria dos estudantes desconhece o que seja isto. A ANC deve ser uma meta política, mas não já um fator de mobilização. O movimento ainda é muito econômico, muito restrito a problemas específicos, para se jogar problemas políticos, gerais, no seu seio. De forma geral, a tendência que se alinha com o jornal Hora do Povo tem a mesma colocação. Além disso, são conhecidos os dotes fascistas que já se colocam abertamente numa, e que estão escondidos na outra. Já a tendência ligada ao jornal Companheiro tem uma posição muito economicista, muito presa aos problemas específicos, sem dar a ênfase necessária ao aspecto político. O Congresso de Fundação foi uma prova disso. A tendência Informações Secundaristas coloca-se como o outro pólo: é política ao extremo, não joga com o específico. Acha que o movimento já está pronto para mudar de caráter, para assumir uma postura decisiva na luta contra a ditadura, que ele já está assumindo este papel. O caso da tendência Alicerce é mais complicado, no sentido de que ela não vê o sentido do caráter do movimento da mesma forma que a Informações Secundaristas; no entanto, não admite a fraqueza do movimento, nem no sentido quantitativo - do número de pessoas que participa do movimento - nem no sentido qualitativo - do caráter político do movimento. Aqueles ligados ao jornal Voz da Unidade exibem uma avaliação próxima da nossa; só que jogam com soluções diferentes. Subestimando o movimento eles jogam com soluções dentro da Ditadura Militar, enfim, dentro daquilo que massacra os estudantes e o povo em geral.
Sem isso, não só admite a fraqueza, mas também aumenta-a.
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