segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Os nazis estão de volta?

A extrema-direita na Alemanha tem um partido chamado Alternativa para a Alemanha (AfD).

Este partido ganhou as eleições realizadas neste domingo, 6 de setembro, no estado da Saxônia-Anhalt.

A Alemanha tem 83 milhões de habitantes e 61 milhões de eleitores, aproximadamente.

O estado da Saxônia-Anhalt tem mais de 2 milhões de habitantes e cerca de 1,7 milhão de eleitores.

O comparecimento foi alto (80%) e, dos que compareceram, a AfD recebeu 43,7% dos votos, elegendo 39 parlamentares.

Menos do que a maioria absoluta (42) necessária para formar o governo.

Isto posto, por quais motivos a maioria relativa da AfD num pequeno estado alemão virou manchete no mundo inteiro?

Primeiro, porque falar de nazistas, especialmente na Alemanha, desperta todo tipo de lembrança ruim.

Segundo, porque a vitória nesse estado provavelmente indica uma tendência nacional, cuja causa fundamental é a política adotada, nas últimas décadas, pelos Liberais, Democratas Cristãos e também pelos Social Democratas.

Terceiro, porque - ironias da história - estes nazi, ao menos por enquanto, não estão de acordo com a política de guerra contra a Rússia, política apoiada pela maior parte do establishment supostamente democrático da Alemanha.

Ou seja: por motivos diferentes e às vezes contraditórios entre si, a ascensão nazi causa preocupação.

Noutros tempos, isso seria suficiente para a formação de um “cordão sanitário”: nenhum partido daria apoio para a AfD formar governo.

Mas hoje, no mesmo país em que o governo criminaliza os apoiadores da Palestina, a extrema-direita vem sendo naturalizada.



Na Saxônia-Anhalt, para a AfD poder formar governo, será preciso que a extrema-direita receba apoio ativo ou passivo de um ou vários dos seguintes partidos:

-União Democrata Cristã (17,2% e 15 parlamentares);

-Partido Social-Democrata (9,3% e 8 parlamentares);

-Verdes (8,9% e 8 parlamentares);

-Aliança Sahra-Wagenknecht (5% e 5 parlamentares).

Segundo a imprensa, é provável (mas não garantido) que venha do partido da Sahra o apoio necessário.

Mais detalhes sobre Sahra, aqui:


Aliança Sahra-Wagenknect visava, supostamente, disputar os setores da classe trabalhadora alemã atraídos pela extrema-direita.

E, agora, a mesma Sahra pode vir a dar a maioria necessária para a extrema-direita chegar ao governo de um estado alemão.

Não surpreende. A respeito, ler aqui:


O verdadeiramente relevante, entretanto, é que se confirma que as políticas neoliberais e social-liberais contribuem para a ascensão da extrema-direita.

Algo que nós do Brasil sabemos muito bem.

Assim como sabemos que o imperialismo USA contribui ativamente para o ascenso da extrema-direita em todo o mundo.

Noutras palavras: os nazis não voltaram. Já estavam por aqui. E, como no passado, se alimentam da tolerância e incentivo de muita gente.

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