quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Lula, Chavez e Bolsonaro


Segundo a imprensa, Lula teria comparado Bolsonaro e Chavez no quesito liberação de armamentos.

Se ocorreu mesmo, a comparação - como diria a Concessa - baseia-se num duplo equívoco.

Chavez dizia que a revolução bolivariana era “pacífica, porém armada”. Mas isto nunca significou a adoção de uma “política pública” do tipo 1 cidadão, 1 arma. 

O mesmo pode ser dito das experiências exitosas de “guerra popular” (como a China e o Vietnã), assim como das experiências exitosas de defesa  popular (como Cuba). 

Nenhuma delas tem qualquer semelhança com a política de armas adotada pelo bolsonarismo. Ou pelo trumpismo.

Por outro lado, não é verdade que o cavernícola defenda armar o povo. 

Frases do tipo “povo armado é povo livre” não podem ser tomadas ao pé da letra; o que ele quer efetivamente dizer é “a parcela do povo capaz de comprar muitas armas caríssimas”. Ou seja: os ricos.

(Aliás, isto me recorda uma história: no final dos anos 1970 José Genoino era professor de história e deu aos alunos do Ginásio Equipe a tarefa de ler O Príncipe de Maquiavel. Um dos alunos demorou a entender que o “povo" de Maquiavel não era o “povo, unido, jamais será vencido” que gritávamos nas passeatas contra a ditadura.)

Portanto, noves fora  eventuais aparências verbais, nem Chavez defendia, nem Bolsonaro defende o armamento generalizado  do povo. Não há semelhança entre as respectivas políticas públicas sobre armas.

Isto posto, acho descabelado comparar Chavez com o cavernícola.

Entre outros motivos por pensar como o Coronel Siqueira: “ACHEI UM VERDADEIRO ABSURDO O ATAQUE DO BOLSONARO À VERA MAGALHÃES. SE TEM UMA COISA QUE EU NÃO SUPORTO É INGRATIDÃO!!!”

Eu pelo menos sou muito grato a Chavez e aos venezuelanos, entre outros motivos porque nos momentos mais difíceis e apesar das muitas divergências, sempre foram extremamente  solidários.

É verdade que a situação mudou e agora temos muitos novos amigos, muitos sinceros e legítimos, outros simpáticos até demais. Mas tudo tem limite.

ps. o tema das armas é muito importante na disputa do eleitorado de orientação pentecostal

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