Um colega acaba de divulgar um texto publicado no jornal O Globo.
Junto do link, este colega afirmou seu respaldo - indireto, como é habitual nesse tipo de situação - a tese exposta no tal artigo, que copiei e colei ao final.
Segue abaixo o que respondi ao tal colega, cujo nome não cito porque sua mensagem não foi pública.
Oi fulano, olá todo mundo. Uma das teses do artigo que vc enviou - tese que, segundo entendi, vc informa ser respaldada pelo NOPPE - é que a eleição pode ser vencida, no primeiro turno, pelo cavernícola.
Pode acontecer isso? Bom, eu sou a favor do princípio de que “quase tudo pode acontecer”. Portanto, poder, pode.
O catastrófico é que, se de fato vier a ocorrer, as chances maiores são, como diz o próprio texto, a favor da “oposição”, qualificativo que o autor do artigo distribuído por vc atribui à candidatura dos milicianos de extrema-direita.
Isto posto, um comentário: diferente da vó do autor do artigo, que podia prever a chuva chegando, mas era incapaz de fazer chover, nós somos capazes não apenas de prever resultados possíveis, mas também somos (nós e nossos inimigos) capazes de ampliar ou de reduzir a possibilidade desses cenários ocorrerem.
A “oposição”, por exemplo, está trabalhando com 3 planos: ganhar no segundo turno, ir ao segundo turno em primeiro lugar, ganhar no primeiro turno.
Já nós, como é público, convivemos desde o início com diferentes posições, desde os que ontem achavam que íamos faturar no primeiro turno, até os que agora estão tomados por um pessimismo derrotista daqueles que deveriam ser tratados em casa.
Isto posto, a questão é: não temos dois candidatos disputando a presidência. São 13. E tudo indica que a diferença entre as duas candidaturas principais será muito pequena, da ordem de 2% dos votos válidos ou menor.
A pergunta que faço é: os demais 11 candidatos terão menos que 2%? Obterão, somados, um total de votos inferior à diferença?
Como disse antes, quase tudo pode ocorrer. Inclusive uma pressão direta da Embaixada gringa sobre este pessoal. Mas este (a soma dos votos válidos dos 11 ser menor que a diferença entre os 2) segue sendo o cenário menos provável. Assim sendo, o melhor é focar em fazer muita campanha e começar a preparar a batalha do segundo turno.
Pois o pior que pode acontecer é um repeteco do que já aconteceu: nosso pessoal planejar a campanha prevendo um cenário totalmente diferente do real.
Segue o texto comentado
Não fiquem surpresos se a eleição acabar dia 4 de outubro
As disputas para governos estaduais devem terminar a sua maioria em primeiro turno
As disputas para governos estaduais devem terminar a sua maioria em primeiro turno. O motivo é o menor número de candidaturas. Menos candidaturas, maior chance de termos um(a) vencedor(a) antecipado(a). São Paulo e Pernambuco (com segundo turno em 2022) são exemplos. Em 2026, só há duas candidaturas competitivas em ambos. O motivo é que os partidos preferem investir o fundo eleitoral em candidaturas para a legislativas federais (que impactam o acesso ao fundo partidário, eleitoral e emendas parlamentares) do que em chapas majoritárias sem chances reais. Também esse será um ciclo de inúmeras reeleições de governadores(as) porque temos uma onda de governos bem avaliados. Em tudo constante, governos estaduais majoritariamente aprovados vencerão.
Na Câmara, a taxa de renovação deve ser baixa. Nunca uma turma de deputados(as) teve tanto recurso financeiro para buscar um novo mandato. E, também, se a distribuição de prefeituras eleitas em 2024 seguir como preditor do perfil da nova legislatura, teremos PL, PSD, PT, União-Progressista e MDB como as principais agremiações (talvez até nessa ordem). No Senado, esqueçam as pesquisas de opinião (que medem no máximo o recall). A decisão de voto é na última hora e a maioria ainda não sabe que são dois votos. Todavia, é natural imaginar que os(as) eleitos(as) terão enorme correlação de votos com governadores e candidatos a presidente bem votados de cada estado. Nesse contexto, o novo Senado provavelmente terá mais “bolsonaristas”.
Na presidencial, quando o assunto for pesquisas na última semana, recomendo aos(as) leitores(as) se desgarrarem das análises da imprensa em cima de um cálculo de voto válido de pesquisas estimuladas de intenção de voto. Essa matemática ignora o perfil recorrente de abstenção (20% do eleitorado, com perfil de menor renda e escolaridade) e também minimiza o papel dos (as) indecisos(as). Aliás, muito importante, as pesquisas trazem uma amostra de 100% do eleitorado e são aproximadamente 80% que costumam votar. A única pesquisa comparável, que elimina indecisos e só entrevista quem apareceu para votar, é a boca de urna. Porém, essa pesquisa já não existe no Brasil (os resultados são divulgados a partir das 17 horas). Sobre a parcela indecisa, as pesquisas espontâneas (quando não são mostradas as alternativas) trazem uma leitura muito mais apurada do estado mental na reta final.
Sendo assim, acreditamos que a oposição vai se beneficiar novamente do antipetismo de chegada, quando há uma mudança de voto de última hora em favor do candidato mais bem posicionado para ganhar do PT. Como aconteceu em 2014, 2018 e 2022.
Portanto, há uma enorme probabilidade de um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Porém, a depender do perfil de não voto (brancos, nulos e abstenção) e da força do antipetismo de chegada, não fiquem surpresos se a eleição acabar dia 4 de outubro, inclusive com vitória da oposição. Dona Maria José, que viu de tudo em 88 anos de vida, certamente não ficaria.
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ResponderExcluir“quase tudo pode acontecer”
ResponderExcluirÉ afirmação totalmente apoiada pela matemática e por experimentos da Física Quântica. Ali no escondidinho das partículas subatômicas, os quarks e os elétrons, verdadeiros diabinhos, fazem estripulias que desafiam os próprios deuses.
É tudo questão de se ter uma probabilidade maior que zero.
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Contrastando com esse mal disfarçado ceticismo de Pomar, deu hoje no Secom 247: ‘Lula vira no 2º turno sobre Flávio Bolsonaro na pesquisa Atlas/Bloomberg’.
No segundo parágrafo da matéria, somos informados:
“Agora, Lula assumiu a liderança numérica e soma 47,7% das intenções de voto, enquanto o parlamentar do PL registra 47,4%, segundo levantamento do AtlasIntel em parceria com a Bloomberg.”
Percebam que a diferença é de 0,3%.
Não tem como brigar com os números. A conclusão se imporia: a arrancada de Luiz Inácio para seu quarto mandato já começou.
Acima, uso o futuro do pretérito(antigamente chamado de condicional) por conta do tal do Princípio da Incerteza, esse troço pra lá de complicado que saiu da cabeça do Heisenberg.
Tudo bem que a vitória de Luiz Inácio é evento quase certo, mas sabe-se lá em que condição sairá da urna o gato de Schrödinger.
(Jucemir Rodrigues da Silva)