Tem o livro que “vou escrever depois de morrer”.
Tem as “histórias de um partido imaginário”, que serão lançadas quando estiver funcionando a todo vapor a conexão Olinda-Pequim.
Tem o “qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência”, que volta e meia aparece neste blog.
E, finalmente, ao menos por enquanto, tem o “meu querido diário”, uma política compensatória contra o fato de certas pessoas não entenderem adequadamente a frase “meu ouvido não é privada”.
Lembrei disso hoje, quando alguém me procurou, preocupado com onde poderia dar o fio do novelo citado em matéria publicada no jornal O Globo. Trecho da tal matéria diz o seguinte:
“ONG que recebeu uma emenda parlamentar de R$ 200 mil do
senador Flávio Bolsonaro e é suspeita de ter ligações com os
irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados pelo
assassinato da vereadora Marielle Franco, também foi
beneficiada com R$ 300 mil da deputada federal bolsonarista
Chris Tonietto (PL-RJ) e R$ 1,5 milhão do próprio Chiquinho”.
A proposta de criar uma corregedoria foi apresentada durante o debate acerca código de ética do PT, ou seja, depois de 2006.
A corregedoria recebeu oposição frontal de um determinado cidadão, que convenceu seus companheiros da “tendência então majoritária” que “não somos polícia”.
De fato, não somos polícia. Mas todo partido sério mundo afora tem que criar mecanismos para detectar, preventivamente, situações que podem causar dano.
Minha suspeita é que o referido cidadão defendia uma corregedoria informal e privada. Se era ou não isso, nunca saberei, pois ele não está mais entre nós. Mas o fato é que a proposta de criar uma corregedoria foi derrotada.
Resultado prático: só descobrimos que “gente nossa” está fazendo merda, depois que terceiros trazem as suspeitas e/ou os malfeitos à tona. E aí temos que lidar com as consequências e sob fogo inimigo.
E, pior, como não temos corregedoria, está sendo cada vez mais comum nosso pessoal acreditar nas denúncias, mesmo quando são falsas.
E ainda tem o efeito colateral de transformar alguns ouvidos - supostamente confiáveis - em privada. Sem que exista para onde encaminhar as denúncias.
E sem falar, é claro, da preguiça, covardia, autosabotagem e prevaricação que prevalecem em alguns dirigentes partidários, a exemplo do atual secretário-geral nacional.
Mais detalhes, ver livro que será escrito depois que morrer.
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