terça-feira, 22 de setembro de 2026

Eleições 2026: sprint de chegada e pólvora seca

Todas as pesquisas seguem indicando que haverá segundo turno na eleição presidencial, exceto….

…se o eleitorado das demais candidaturas antecipasse agora todo o movimento que, em tese, farão no segundo turno.

Supondo os dados da mais recente pesquisa DataFolha, no primeiro turno Lula tem 39%, o cavernícola filho tem 36%, os demais candidatos tem 17%, o restante vota branco ou nulo.

Outras pesquisas menos citadas, divulgadas depois deste DataFolha, apontam resultados mais ou menos parecidos.

Segundo aquela mesma DataFolha, no segundo turno, portanto no dia 25 de outubro, Lula teria 46%, contra 44% do cavernícola filho.

Para que este resultado, ou algum parecido, apareça antecipadamente já no dia 4 de outubro, seria necessário que todas as demais candidaturas derretessem. 

Isto não é impossível de acontecer, mas é pouco provável, por diversos motivos, entre os quais o pouco tempo e, principalmente, devido a uma série de fatores que contribuem para sustentar um nível mínimo de votos para as demais candidaturas presidenciais.

Mesmo assim, tem gente de esquerda que segue acreditando que a eleição presidencial pode acabar dia 4 de outubro. Curiosamente, no início deste ano, algumas destas pessoas diziam ter absoluta certeza de que a eleição terminaria com a nossa vitória. Agora, já dizem que pode terminar, mas com a vitória “de um ou de outro”.

Pode acontecer? Em tese, pode, pois nesta vida quase tudo pode. Mas de nossa parte seguimos afirmando o mesmo desde o início: venceremos, no segundo turno, por pequena diferença.

Entretanto, já que é para especular, convém dizer o seguinte: gente de esquerda que, a essa altura dos acontecimentos aceita como provável, ou pelo menos possível, a hipótese da eleição ser resolvida no primeiro turno, deveria por mera lógica considerar também uma outra hipótese: a de que o derretimento das demais candidaturas, mesmo que não seja suficiente para liquidar a eleição no primeiro turno, seja entretanto o bastante para fazer a candidatura cavernícola terminar o primeiro turno à frente.

Esta é, por sinal, uma das apostas da campanha presidencial cavernícola: chegar no segundo turno em primeiro lugar ou atrás, mas com uma diferença mínima.

Não é difícil prever o impacto psicológico negativo que um resultado desses teria sobre o eleitorado de Lula, especialmente naqueles estados onde, hoje, temos folgada liderança e, por isso, parte do eleitorado acredita que no Brasil inteiro estaríamos do mesmo jeito. 

Sem falar do fato de que, por bastante tempo, muitos dirigentes de alta patente divulgaram a ideia de que - diferente de todas as outras eleições presidenciais em que ganhamos - em 2026 ganharíamos já no primeiro turno.

Cabe lembrar ainda que, desde 2018, as campanhas da direita têm demonstrado uma grande capacidade de crescer na reta final, obtendo muitas vezes resultados maiores do que os indicados nas pesquisas.

Isso se deve, em boa medida, a mecanismos “republicanos”, tais como o abuso das máquinas, a explicita compra de votos, a manipulação das redes antissociais e a crimes variados.

Notem que nos últimos dias cresceu bastante a violência política, praticada contra nossas candidaturas e militância, em todo país.

Notem, também, que cresceu em cerca de 32% o número de brasileiros com direito a votar no exterior, especialmente em países onde os governos são de direita e estão operando abertamente contra nós.

Tudo isso leva à seguinte conclusão: cabe a nós - nem que seja por precaução - fazer, nas duas próximas semanas, um imenso arranque de campanha, para garantir que cheguemos ao segundo turno em primeiro lugar e, além disso, com uma vantagem que seja a mais confortável possível.

Para usar uma expressão a que fui apresentado ontem: “sprint de chegada”.

Nesse mesmo espírito, cabe planejar desde já a campanha do segundo turno. 

Nos estados onde nossas candidaturas a governador estiverem no segundo turno, será sob alguns aspectos mais fácil fazer a campanha Lula. 

Mas a situação será bem mais complicada onde nossas candidaturas a governador tiverem perdido ou tiverem vencido já no primeiro turno. 

Nesses casos, será preciso deflagrar na noite de 4 de outubro uma “operação especial” para organizar as respectivas campanhas.

Imagino que a direção nacional do PT já tenha designado quadros com esta tarefa: pensar desde já o plano de batalha a partir de 5 de outubro.

Plano que deve considerar como líquida e certa uma forte ingerência do “imperador” Trump.

Afinal, já que virou moda fazer citação religiosa, lembremos do que disse Oliver Crowell: “Confie em Deus, mas mantenha a sua pólvora seca".

Um comentário:

  1. E seguindo o zeitgeist, um momento brasileiro. Só quero deixar meu olhar...

    https://youtu.be/dBwUmPO9jew

    Religião é religare.Uma praxis


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