À
executiva nacional do PT
Encaminho,
abaixo, uma proposta de resolução para debate e aprovação na reunião da CEN.
Natal,
28 de outubro de 2026
Natália
Sena, integrante da CEN
Balanço dos
eleições 2026 e desafios do PT no próximo período
No
dia 26 de outubro de 2026, a maioria do povo brasileiro impôs (mais) uma
derrota à extrema-direita, reelegendo o presidente Lula, do Partido dos
Trabalhadores.
Não
é a primeira vez que isso ocorre. O PT venceu 6 das 10 eleições presidenciais
ocorridas desde 1989, ficando em segundo lugar nas outras 4 (1989,1994, 1998 e
2018).
Mas,
diferente das demais eleições vencidas por nós (2002, 2006, 2010, 2014 e 2022),
desta vez Lula, candidato do PT, não era considerado favorito pelas pesquisas,
nem pela maior parte da mídia e, inclusive, nem mesmo por parte importante das
direções da própria esquerda brasileira.
Entretanto,
vencemos. Lula foi reeleito e com uma diferença expressiva.
Recapitulamos
a seguir os dados.
No
primeiro turno, o Miliciano Corrupto e Traidor Fujão saiu na nossa
frente, com 47,03% dos votos válidos. Mas terminou o segundo turno com apenas
48,21% dos votos válidos.
Já
Lula saltou de 45,16% para 51,79% dos votos válidos, numa virada sem
precedentes.
Em
votos absolutos, o Miliciano foi de 56.104.503 para 59.826.041 votos.
Já
Lula saltou de 53.879.538 para 64.256.232 de votos. Portanto, alcançamos um
resultado melhor do que o de 2022, quando Lula obteve 60.345.999 de votos, o
equivalente a 50,9% dos votos válidos.
Já
o Miliciano amargou um resultado - em termos de votos válidos - inferior ao
obtido, na eleição presidencial anterior, pelo Cavernícola Pai. Em 2022, este
chegou a obter 49,1% dos votos válidos, resultado superior aos 48,21% obtidos
no segundo turno de 2026 pelo Fujão.
É
verdade que, quando se compara o número absoluto de votos, o Cavernícola Filho
superou o Cavernícola Pai. Este, em 2022, conseguiu pouco mais de 58 milhões de
votos. Agora, o Filho obteve quase 60 milhões de votos. Mas cabe lembrar que,
em 2022, o eleitorado era menor do que o atual: entre 2022 e 2026, o número de
pessoas aptas a votar aumentou em exatas 2.291.452 pessoas.
Estes
resultados numéricos podem ser resumidos, do ponto de vista político, da
seguinte forma: a extrema direita manteve, nas eleições presidenciais de 2026,
um patamar eleitoral similar ao de 2022. Já a esquerda foi um pouco além
do resultado de 2022.
Se
tivéssemos repetido o resultado absoluto obtido em 2022, nossa vantagem teria
sido de apenas 520 mil votos. Mas superamos nosso próprio teto e estabelecemos
uma vantagem de 4 milhões e 430 mil votos.
Evidentemente,
a análise das eleições não pode se limitar aos resultados do segundo turno
presidencial. É preciso levar em conta, também, o primeiro turno presidencial,
a eleição para governos estaduais, Senado, Câmara e Assembleias, destacando aí
não apenas os resultados obtidos pelas direitas, mas também as vitórias
petistas nas eleições do RN, CE, PI e BA, nosso desempenho nas eleições para o
Senado, Câmara e Assembleias e, de maneira geral, a votação do PT e do conjunto
da esquerda em cada cidade, estado e região, como é o caso do Nordeste
brasileiro.
Mas
também é evidente que a análise das eleições tem como centro a disputa
presidencial. E, desse ponto de vista, a reeleição de Lula foi uma vitória
maiúscula. Como a derrota é órfã, enquanto a vitória tem muitos pais e
mães, há todo tipo de análise e opinião circulando. Será necessário um certo
tempo e distanciamento, para que seja possível produzir uma análise completa e
científica das eleições de 2026.
Entretanto,
não é possível esperar para iniciar a avaliação, pelo simples motivo de que,
por detrás das avaliações, está em jogo uma espécie de "terceiro turno
interpretativo", em que diferentes setores da direita tentam deslegitimar
e domesticar a imensa vitória obtida pelo povo brasileiro em 25 de outubro de
2026.
E
este "terceiro turno interpretativo" tem implicações políticas
imediatas, no debate sobre a ingerência externa, sobre a posse, sobre a
composição do novo governo e sobre o malfadado "ajuste fiscal" que a
classe dominante segue querendo impor sobre o povo brasileiro, na contramão dos
resultados eleitorais.
O
candidato da extrema-direita não reconheceu nossa vitória, alegando fraude e
fake-news. E fugiu do país, numa ação que teve a cooperação, pelo menos, dos
governos da Argentina e dos Estados Unidos.
Mas
os apoiadores do Miliciano Corrupto e Traidor Fujão sabem que nossa vantagem -
superior a 4 milhões de votos - foi obtida legitimamente, na campanha
eleitoral, através do debate político e da mobilização.
A
fuga do Cavernícola reacendeu o debate, na extrema direita, sobre o papel da
Família Cavernícola. Muitos deles se perguntam se o resultado não poderia ter
sido outro, caso a candidatura tivesse sido outra. Pergunta que leva a outra:
quem será o candidato da extrema direita nas eleições de 2030, quando a
legislação impedirá Lula de disputar nova reeleição.
Evidente
que a "candidatura" escolhida teve grande incidência nos resultados,
tanto para eles quanto para nós. Mas quem interpreta o resultado eleitoral focado
principalmente nas candidaturas corre o risco de secundarizar variáveis
decisivas, a saber:
-do
lado da extrema direita, é preciso lembrar do engajamento dos Estados Unidos,
dos grandes capitalistas e das estruturas organizativas criadas ou em grande
medida capturadas pela extrema-direita, principalmente ao longo da última
década (a "família militar", as máquinas parlamentares e de governo,
as redes antissociais, empresas da fé, a mídia tradicional etc.). São essas
variáveis que explicam os mais de 59 milhões de votos obtidos pelo Fujão em
2026, assim como os 58 milhões obtidos pelo Cavernícola Pai em 2022;
-do
nosso lado, é preciso lembrar da capacidade de mobilização espontânea dos
estratos mais profundos e mais empobrecidos da classe trabalhadora,
majoritariamente feminina, negra e jovem; a disposição de combate exibida por
milhões de brasileiros com mais de 60 anos; o compromisso político da maioria
daqueles que são nordestinos por nascimento, moradia ou alma. E é preciso
lembrar, também, que ao longo dos últimos 50 anos a esquerda política e social
construiu raízes e organizações. Sem isto e, principalmente, sem o apoio e
generosidade das camadas que constituem a maioria do povo brasileiro, a
candidatura de Lula não teria dado a volta por cima e triunfado.
Enquanto
a extrema-direita busca deslegitimar nossa vitória, a direita tradicional busca
domesticar e, no limite, cancelar nosso êxito.
Segundo
uma das interpretações difundidas com este objetivo, no primeiro turno a
extrema direita teria obtido uma grande vitória e a esquerda teria sido
derrotada. Portanto, a vitória no segundo turno só teria sido possível graças
aos setores progressistas, aos setores de centro, aos setores democráticos que
vieram em socorro da esquerda. Em resumo, ao contrário das aparências, o dia 25
de outubro não teria sido uma vitória da classe trabalhadora, da esquerda, do
PT e de Lula; teria sido, isto sim, uma vitória do centro.
Não
resta dúvida de que a extrema-direita obteve uma importante vitória no primeiro
turno, elegendo grande número de deputados e senadores, bem como os
governadores de estados fundamentais como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e
Rio Grande do Sul, entre outros. Também não deve restar dúvida de que, no
segundo turno, uma parte do eleitorado se mobilizou, acima de tudo, não para
eleger a esquerda, mas sim para impedir que o governo federal caísse nas mãos
do crime organizado.
Entretanto,
se observarmos os fatos - tais como a linha da campanha, a origem dos votos, a
motivação captada pelas pesquisas - constatamos que:
i/foi
decisiva a adoção, ainda que com atraso, de certas medidas governamentais em
favor das camadas populares, bem como uma linha de campanha que vinculou a
defesa da democracia com a ampliação das conquistas sociais do povo;
ii/a
esmagadora maioria do eleitorado que votou em Lula, tanto no primeiro quanto no
segundo turno, pertence às camadas populares e votou principalmente por
identidade de classe. É dos setores pior remunerados da classe
trabalhadora que provém a maioria esmagadora das dezenas de milhões de pessoas
que votaram em Lula, pessoas que ademais possuem uma profunda identificação de
classe com o PT.
Neste
sentido, embora a direita tradicional (e setores da esquerda não petista) não
gostem de admitir, a verdade é que a Nação Petista foi a espinha dorsal da
vitória de Lula, em 2026 (e, também, nas demais eleições presidenciais).
A
extrema direita busca deslegitimar nossa vitória, porque isso os ajuda a
agrupar sua tropa, a fazer oposição, a sabotar e, no limite, a derrubar nosso
governo. Já a direita tradicional busca domesticar nossa vitória, porque isso
os ajuda a tentar impor o programa derrotado nas urnas, a saber, o
"tesouraço" (ajuste fiscal).
Na
esquerda, por sua vez, também há diferentes avaliações sobre o resultado
eleitoral, que decorrem em boa medida das distintas estratégias propostas, por
cada setor, para enfrentar a época em que vivemos.
Embora
haja nuances e intersecções importantes, há na esquerda duas grandes linhas de
interpretação.
A
primeira delas debita nossa vitória, em sua maior parte, à pessoa de Lula; e
atribui nossos problemas, no essencial, ao Partido dos Trabalhadores.
A
segunda delas debita nossa vitória, em grande medida, à mobilização popular; e
atribui nossos problemas, no essencial, à estratégia equivocada que orientou
nossa ação de governo e o conjunto de nossa tática, em especial no primeiro
turno.
Quando
destacamos o papel da mobilização popular, evidentemente não subestimamos o
papel do indivíduo na história. Acontece que o indivíduo em questão não veio de
outra galáxia, trazendo de lá seus superpoderes.
Quatro
vezes presidente da República e, por muitas gestões, presidente do PT e do
Sindicato dos Metalúrgicos de SBC, Lula tornou-se o mais importante personagem
dos últimos 50 anos da história do Brasil por obra e graça de uma construção
coletiva.
Reconhecer
isso tem imensa importância, do ponto de vista político pedagógico. Desmerecer
a construção coletiva é, no limite, dizer que nosso futuro será determinado
pela implacável biologia. É também por isso que existe uma disputa
permanente acerca de como contar e interpretar a trajetória de Lula, em
particular ao longo das últimas cinco décadas.
Evidente
que toda a história é interpretada e reinterpretada o tempo todo, à luz dos
conflitos em curso em cada momento. A título de exemplo: Zumbi,
Tiradentes, Maria Quitéria, Luiza Mahin, Anita Garibaldi, Antônio Conselheiro,
Vargas, Prestes e Dilma Rousseff não são vistos da mesma forma, por diferentes
pessoas, pertencentes a distintos setores sociais e épocas.
Lula
nunca foi bem-visto e tampouco bem avaliado pela classe dominante e por quem
eles dominam e exploram. Já do outro lado da sociedade, nas classes dominadas e
exploradas, coexistem diferentes pontos de vista acerca de Lula. Há os que o
tratam como “ungido de Deus”, assim como temos quem responsabilize Lula,
pessoalmente, por todas as frustrações experimentadas pela classe trabalhadora
desde as greves do ABC, nos anos 1970. Assim como existem aqueles que, como
nós, buscamos dar a Lula o que é de Lula; e dar à luta o que é da luta
coletiva.
Em
Vargas, Prestes, Dilma, Lula e em todas e todos que foram protagonistas
destacados na luta de classes, convivem o que podemos chamar de “pessoa física”
e “pessoa jurídica”. Dramas e tragédias pessoais, amores e desamores, simpatias
e antipatias, luzes e sombras, generosidades e mesquinharias, tudo isso junto e
misturado com as posições e atitudes frente aos pequenos e grandes temas
políticos. E, atravessando e se mesclando, há ainda uma camada adicional,
composta pelas lendas que se criam à revelia do personagem, e, também, pelas
que cada personagem deixa criar.
Cabe,
finalmente, lembrar que, ao contrário do que diz muita gente, a eleição de 2026
não foi nem será o ponto final da trajetória de Lula. Afinal, não importa o que
decida a implacável biologia, Lula seguirá tendo, por muito tempo, uma grande
influência na história do Brasil.
Por
todos estes motivos e muitos outros, não há como separar os acertos dos erros,
os problemas das virtudes. Dito de outra forma, grande parte dos problemas
exibidos em nosso governo, em nossa campanha e no próprio PT, têm a influência
de Lula. Assim como grande parte dos acertos de nosso governo, de nossa
campanha e do próprio PT, também têm a influência de Lula.
Além
disso, os setores que buscam atribuir nossos êxitos à pessoa de Lula e nossos
defeitos ao PT, revelam uma incompreensão de fundo acerca do papel do Partido
dos Trabalhadores na atual quadra da história do Brasil. O PT não é apenas sua
direção, nem tampouco sua estrutura formal, com 3 milhões de filiados. O PT
também é o maior movimento social existente no Brasil, composto pela imensa
maioria daquelas dezenas de milhões de trabalhadores e trabalhadoras que são
dotados de consciência de classe. Esta é a Nação Petista. Por isso, nossa
vitória, a vitória da classe trabalhadora, só virá se for com o PT. Sem o
PT ou contra o PT, só colheremos derrotas.
Contudo,
agora que a batalha eleitoral terminou, é preciso reconhecer explicitamente os
erros cometidos e as interpretações equivocadas, que incluem desde pensar que
nossa vitória seria obtida no primeiro turno, até aqueles que estavam
totalmente convencidos de que não haveria como vencer no segundo turno.
O
certo teria sido reconhecer que, no primeiro turno das eleições. não
haveria alteração qualitativa, em favor da esquerda, nem nas eleições
legislativas, nem nas eleições para governador. Era previsível, também, que
haveria segundo turno presidencial. Entretanto, isto não significa que o
resultado do primeiro turno era inevitável. Na verdade, ele foi construído, em
grande medido, pelo nosso governo, por nossa campanha e por nosso Partido, que
cometemos erros gravíssimos, entre os quais destacamos:
i/a
ênfase em “comparar legados e entregas”, quando o certo seria e segue sendo
disputar o futuro;
ii/a
subestimação da força dos inimigos, que chegou ao ponto de se planejar a
campanha presidencial acreditando que a disputa terminaria no primeiro turno;
iii/a
ausência de candidaturas petistas a governador no RS e RJ;
iv/a
demora em definir a candidatura a governador em MG;
v/a
falta de vontade de vencer no estado de SP, com uma campanha para governador
que parecia satisfeita em “cumprir tabela”;
vi/a
ausência de materiais da campanha Lula, ao mesmo tempo que grande parte dos
dirigentes concentrava seus esforço nas campanhas proporcionais;
vii/a
incompetência, inapetência e falta de tesão de parte da direção nacional do
Partido, a começar pela presidência, que formalmente ocupava - no primeiro
turno - a coordenação geral da campanha.
Os
erros supracitados – e outros tantos – explicam, não o segundo turno em si, mas
explicam em grande medida o fato do Miliciano ter iniciado o segundo turno na
nossa frente.
No
segundo turno, alguns daqueles erros não foram e nem tinham como ser totalmente
corrigidos. O mais grave erro é a política fiscal e monetária, consubstanciada
nos limites impostos pelo Marco Fiscal e na taxa de juros estabelecida pelo
Banco Central. São estas duas variáveis que explicam, em grande medida, o
endividamento do povo, a inflação e a insatisfação para conosco de parte da
população, fatos que foram demagogicamente explorados por nossos inimigos.
Mesmo
sendo impossível corrigir totalmente, no segundo turno, estes e outros
problemas, o presidente Lula adotou uma série de medidas - entre as quais
destacamos a correção no bolsa família, o anúncio do valor do salário mínimo e
o fim das BETs - com as quais buscava reduzir os danos. Vale dizer que a adoção
destas medidas, em si mesma, comprovou que havia espaço para fazer melhor do
que fizemos ao longo de três anos e meio.
A
verdade - que precisa ser reafirmada em alto e bom som - é que a política
monetária e fiscal, denominada como "austericida" pelo Diretório
Nacional do PT anterior ao atual, quase nos derrotou. Apesar disso, a direita
tradicional, a mídia, o setor financeiro e alguns integrantes do governo querem
que insistamos no mesmo caminho.
Outros
erros cometidos pelo governo, pelo Partido e pela campanha foram parcialmente
corrigidos no segundo turno. É o caso de algumas mudanças feitas na coordenação
da campanha, empoderando quem tem sangue nos olhos e disposição real de vencer.
É
importante destacar que essas mudanças - entre as quais se destacam o
deslocamento do presidente nacional do PT para uma posição coadjuvante e a
promoção de Janones para a posição de "general" das redes - revelam
limites importantes da atual direção nacional do Partido.
Um
dos erros que foi parcialmente corrigido, no segundo turno, foi a atitude
frente aos crimes eleitorais em grande escala, cometidos através da compra de
votos, das “granjas de bots” e das “fazendas de conteúdo”, crimes que trazem as
digitais de empresas e agências de inteligência estrangeiras, formais e
informais. No segundo turno, nossa campanha subiu o tom contra o papel nefasto
da grande mídia e das big techs, que entretanto seguem empenhadas em uma
operação permanente de desgaste contra o PT e contra Lula.
No
segundo turno, foi essencial combater o derrotismo, que se manifestou das mais
diferentes formas. Por exemplo, os que diziam que nunca houve uma virada no
segundo turno, esquecendo que nunca tinha havido um operário presidente, até
elegermos Lula; nunca tinha havido uma mulher presidenta, até elegermos Dilma;
nunca tinha acontecido de um presidente não conseguir a reeleição, até Lula
vencer em 2022.
Outro
exemplo de derrotismo veio daqueles que diziam que “com esse Congresso que foi
eleito, Lula não vai conseguir governar”, como se o atual Congresso fosse de
esquerda, honesto e republicano. O atual Congresso não é nada disso, mas ainda
assim conseguimos governar. E a derrota da escala 6x1 demonstrou, mais uma vez,
que é possível derrotar a maioria de direita que controla o Congresso nacional.
Também
ficou demonstrado que, no primeiro turno, não houve um “tsunami” de votos a
favor da extrema-direita. Os dados comprovam isso. No segundo turno de 2018, o
presidiário pai do criminoso teve 57 milhões de votos. No segundo turno de
2022, o mesmo presidiário teve 58 milhões de votos. E, agora, o filho criminoso
do presidiário criminoso teve 56 milhões de votos no primeiro e 59 milhões no
segundo turno. Nunca houve “tsunami”, termo inventado para nos intimidar e nos
paralisar.
É
importante destacar que, ao mesmo tempo que nas direções, mandatários e
intelectuais, muita gente que se deixou paralisar, na base militante e na
classe trabalhadora prevaleceu outra posição: o combate orientado pela
certeza da vitória.
Confirmou-se,
ademais, que a eleição de segundo turno é diferente e, num certo sentido,
melhor para a candidatura presidencial da esquerda, na medida em que se torna
mais fácil demonstrar o que estava em jogo, mais fácil polarizar, inclusive
mais fácil votar. E, à medida que ficou evidente o risco que corríamos, foi
também mais fácil garantir a mobilização do nosso povo. Demonstrou-se, adicionalmente,
como é importante garantir que as prefeituras cumpram o que a Lei determina e
garantam o transporte público gratuito.
A
esse respeito, registramos que a decisão de entrar na justiça pedindo
prorrogação do prazo - embora totalmente correta no mérito - foi inócua. Poucas
pessoas (entre 5 a 30 mil) votaram durante a prorrogação que, na ampla maioria
dos casos, nem mesmo chegou a ocorrer.
Registramos
também o imenso erro daqueles que propuseram cancelar as eleições e convocar
novas, acreditando que a sabotagem nos transportes e outros fatores teriam dado
a vitória aos cavernícolas. Esses e outros erros, motivados pelo derrotismo,
não tinham base alguma na realidade: como ficou evidente, às 17h já
havíamos vencido.
No
segundo turno mostramos que era possível organizar uma campanha militante, 24
horas por dia, 7 dias por semana, até as 17h do dia 25 de outubro, campanha que
deu visibilidade para Lula 13 e que nos permitiu dialogar com a maioria do povo
brasileiro, nas ruas e nas redes, nas redes e nas ruas.
No
segundo turno, organizamos melhor - mesmo que com atrasos e deficiências - a
produção de material. Ao mesmo tempo, a militância fez parte de seu próprio
material de campanha.
No
segundo turno, demonstrou-se a imensa importância das redes sociais. Ao mesmo
tempo, confirmou-se que estas redes são estruturalmente antissociais,
uma vez que são controladas por grandes empresários vinculados à
extrema-direita, havendo provas incontáveis de manipulação, como por exemplo o
alcance de nossas postagens ser artificialmente reduzido.
Por
este motivo, foi correto insistir e dar prioridade para a mobilização das
ruas e para o contato corpo-a-corpo com as pessoas, ações imprescindíveis
para “furar a bolha” dos setores mobilizados e conversar com as mais amplas
camadas do povo, com argumentos e linguagens que dialogavam distintamente com
diferentes públicos e classes sociais.
Aliás,
a mobilização e o corpo a corpo foram imprescindíveis, inclusive, para o
sucesso nas redes.
Destacamos,
também, o acerto de dar prioridade para o diálogo com os setores sociais que,
ao fim e ao cabo, nos deram a vitória: os trabalhadores de menor salário, as
mulheres, os negros e negras, a juventude, os idosos e o povo de coração
nordestino, inclusive aquele que habita o sudeste do país e que por ventura se
absteve, votou branco, nulo ou até no cavernícola, corrupto, fascista e
miliciano candidato da extrema direita.
Foi
principalmente desse eleitorado, que não votou em nenhuma candidatura
presidencial no primeiro turno, que vieram os votos que nos levaram à vitória.
E, mais uma vez, destacamos a importância que teve, na conquista de nosso
eleitorado, a luta pelo fim da escala 6x1 e de outros temas de interesse da
classe trabalhadora.
Recuperamos,
no segundo turno, parte do espaço da esquerda nos estados de São Paulo, Rio de
Janeiro e Minas Gerais. No país inteiro, com limitações maiores ou menores,
reconquistamos votos de quem já votara em nós em 2022 ou que tinha potencial de
votar, tarefas que se demonstraram totalmente possíveis, bastando fazer o que
já podíamos ter feito, mas em parte não fizemos, no primeiro turno.
Acertamos
também, no segundo turno, em ter um discurso focado na defesa e construção do
futuro do Brasil, falando das reformas estruturais que mudem nossa sociedade e
nosso lugar no mundo, garantindo soberania, democracia, bem-estar, meio
ambiente e desenvolvimento. Mas, antes de mais nada, tomando medidas imediatas
e urgentes para melhor a vida do povo. Destacamos, a respeito, os seguintes
temas: baixar o preço dos alimentos, libertar o povo do endividamento e dos
juros altos, melhorar os serviços públicos (com destaque para saúde, educação,
transporte, passe livre e segurança).
Insistimos,
no segundo turno, em que a superação do projeto racista e antifeminista da
extrema-direita deve caminhar lado a lado com a centralidade das mulheres e das
negras e negros na transformação do país, assegurando que a autonomia
econômica, as políticas de cuidado, a reparação histórica e o enfrentamento
rigoroso à violência de gênero e racial estejam no centro do orçamento do
Estado e da luta da classe trabalhadora. Nesta mesma perspectiva, apresentamos
o fim da escala 6×1 como parte estruturante de uma vida melhor para as maiorias
do povo, uma política civilizatória segundo a qual devemos trabalhar para viver
e não viver para trabalhar. Lula deu destaque para o tema na campanha e
nos debates.
Comprovou-se,
no segundo turno, que a “comparação de legados” e o “medo dos criminosos” não
deviam ser o aspecto central de nosso diálogo. O central era e segue sendo o
futuro. Mas isso não significou baixar o tom. Pelo contrário, fizemos
polarização sem trégua, para derrotar o crime, as milícias, a Faria Lima, os
vendilhões do templo, os feminicidas, os racistas, os fundamentalistas, os
negacionistas e -acima de tudo – os imperialistas, os golpistas e os traidores
da pátria.
Nossa
campanha denunciou, desmontou e desmoralizou a candidatura da extrema-direita,
lembrando que um governo ultraliberal beneficiará somente o agronegócio, as
mineradoras, o capital financeiro e os Estados Unidos, prejudicando fortemente
o povo trabalhador, as mulheres, os negros e negras, a juventude.
No
segundo turno, ficou mais uma vez destacado que devemos nos vacinar contra o
impacto das pesquisas negativas, mas também contra o efeito anestésico das
pesquisas positivas. A esse respeito, vale citar o aspecto deletério da imensa
maioria dos institutos de pesquisa, inclusive do DataFolha, que no sábado 24 de
outubro divulgou uma pesquisa apostando na nossa derrota. Muito mais deletéria,
entretanto, é a influência que estas pesquisas exercem sobre parte de nossas
direções, gerando ondas imotivadas de euforia e desespero.
Foi
muito importante, finalmente, no segundo turno, a ocupação visual do país
inteiro pelos apoiadores da campanha de Lula. Especialmente a partir dos
últimos quinze dias, a Nação Petista avermelhou as ruas e as redes.
Desde
a noite de 4 de outubro até a apuração, nosso povo se manteve em estado de
alerta total. Mais uma vez, nossa militância petista para tempos de guerra
demonstrou ser o melhor que nosso Partido possui. Foi essa militância
vietnamita que forjou a reeleição de Lula no segundo turno.
Os
ajustes feitos na tática de campanha e na postura do governo contribuíram para
nossa vitória no segundo turno. Mas, repetimos, a histórica vitória de 25 de
outubro tem o DNA da maioria trabalhadora, feminina, negra, jovem, idosa e
nordestina do povo brasileiro; tem o DNA da esquerda como um todo, em
particular da Nação Petista; e tem o DNA de Lula.
A
vitória de 25 de outubro:
-impediu
que o crime organizado reconquistasse o governo federal, ameaçando nossas
liberdades e enterrando qualquer possibilidade do Brasil ter desenvolvimento,
bem-estar e soberania;
-impediu
que Trump, a extrema direita e o imperialismo controlassem toda a região,
colocando nossas riquezas a serviço dos projetos neofascistas e da guerra;
-manteve firme e atuante uma das principais vozes do Sul Global em favor de uma
nova ordem mundial.
A eleição de Lula presidente foi um ato em defesa da humanidade, do povo
brasileiro, da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros e negras, das
juventudes, dos idosos.
Foi um ato em defesa da soberania, da integração regional, da democracia, das
politicas públicas, da ciência, do desenvolvimento e, também, da continuidade
da luta pelo socialismo.
Mas esta guerra em defesa da pátria e da humanidade, não encerrou no dia 25 de
outubro. A fuga do Cavernícola, com o apoio de Milei e de Trump, confirmam isso
e reforçam que o debate sobre o ocorrido no passado recente está
diretamente vinculado ao debate sobre o que fazer, no presente e no futuro.
O
Miliciano Corrupto não reconheceu a derrota.
Nos
dias que antecederam a eleição e no próprio dia 25, em particular depois que
saiu o resultado, setores da extrema-direita descarregaram sua violência
fascista contra eleitores e apoiadores de Lula.
Além
da violência física, está em curso uma campanha de boicote e demissões contra
quem votou em Lula.
Porta-vozes
da extrema-direita já anunciaram que usarão suas maiorias legislativas e seus
governos estaduais para fazer oposição, sabotar e — se tiver espaço — tentar
derrubar Lula.
E
os mercados estão especulando fortemente.
Isso
tudo exigirá, da parte da esquerda em geral, mas principalmente da parte
do PT, uma estratégia adequada, que precisa ser muito diferente daquela
adotada no último período.
A
nova estratégia terá que incluir:
i/uma
mudança efetiva do modelo econômico, hoje controlado pelo agro, pelas
mineradoras e pelo setor financeiro;
ii/uma
ampla reforma do Estado (incluindo o sistema judiciário, político e
eleitoral);
iii/a
criação de estruturas digitais sob controle nacional, estatal e público;
iv/uma
política de governabilidade de novo tipo, baseada na mobilização popular;
v/um
salto de qualidade na organização da esquerda política e social;
vi/a
reafirmação ideológica da esquerda, que deve buscar se aliar com os
progressistas, mas não deve se confundir, nem se autolimitar, ao chamado
“progressismo”;
vii/a
substituição do “modelo parlamentarista” de funcionamento partidário, pela boa
e velha organização militante;
viii/uma
política internacional que terá que continuar altiva, mas precisará voltar a
ser muito mais ativa, especialmente na América Latina e Caribe.
É
fazendo isto que transformaremos nossa vitória de 25 de outubro, no ponto de
partida para outra época histórica, contribuindo para o futuro do Brasil, da
América Latina e Caribe e da humanidade.
Plano
de trabalho imediato
Orientamos
as direções estaduais, municipais e setoriais do PT a:
i/debater
e aprovar balanços do processo eleitoral, com análises focadas nas respectivas
realidades locais;
ii/vincular
o balanço do processo, com o debate sobre os desafios futuros, tanto do governo
Lula, quanto de nossos governos estaduais e municipais, nossos mandatos
parlamentares, os movimentos sociais e organizações populares que dirigimos ou
influenciamos;
iii/convidar,
para participar do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, a
militância que se aproximou de nós durante o processo eleitoral;
iv/preparar
a mobilização do 20 de novembro, da diplomação de Lula e da posse de Lula.
Por
fim, convocamos o Diretório Nacional do PT para uma reunião de dois dias, em 13
e 14 de novembro, tendo como pauta o balanço das eleições, as tarefas do sexto
mandato petista e a convocação de um congresso partidário, com a eleição de
delegados marcada para março de 2027.
Prezados CAMARADAS, bom dia!!
ResponderExcluirParabéns pela analise da conjuntura eleitoral 2026. Tendo como resultado nesta fantástica Luta de Classe, a VITÓRIA da Classe Trabalhadora, representada pelo nosso Líder Luis Inácio LULA da Silva.
LOGO COMO CONTRIBUIÇÃO, EU NILSON VIANA CESÁRIO (PETROLEIROS) Ex Presidente do Sindipetro Duque de Caxias RJ CUT FUP, e Ex. Membros do Diretório Nacional do PT.
PROPONHO COMO ADENDO AO "PLANO DE TRABALHO IMEDIATO":
Estruturar a Sociedade para o diálogo direto com o Presidente LULA, ampliar a sua correlação de força, para retira-lo das mãos deste Congresso Nacional CORRUPTO:
PROPOSTA PARA SER AVALIADA E APROVADA PELA DIREÇÃO NACIONAL DO PT.
V- Que seja criado nos 5.570 Municípios, o CPB - CONSELHO POPULAR DO BRASIL..
a) Este Conselho será formado pelos Movimentos Sociais.
b) Os 5.570 Conselhos (CPB) atuará em Rede Nacional com comunicação em tempo real e Pauta Única;
c) A pauta do CPB é definida diretamente pelo Presidente LULA;
d) Todas demandas do Presidente LULA para o Congresso Nacional, deverá ser copiada ou enviada uma CÓPIA, para o CPB e será pauta do Conselho , que irá analizar e votar antes do Congresso Nacional;
e) Realizar o Encontro Anual , no mês de Junho dos CPB, para avaliar a Conjuntura do nosso Governo Federal, e os ajustes necessários para fortalecer o Presidente LULA.
f) O Presidente LULA criará uma Secretária Governamental, no seu Gabinete Pessoal, para ser o Comando Nacional do CPB.
CAMARADAS está é a minha contribuição, a este querido Diretório Nacional do PT.
Atenciosamente,
Nilson Viana CESÁRIO
- Filiado ao PT;
- Ex. Presidente do Sindipetro Duque de Caxias RJ, CUT, FUP;
- Autor do Projeto IFEP: 'Rede Nacional e Internacional BRICS dos Institutos Federais de Especialização Profissional do Nível Médio e Superior associados às Cadeias Produtivas de Petróleo, Gás, Energias Renováveis e Transição Energética (Terras Raras e Minerais Críticos) IFEP.
Nilson Viana CESÁRIO
ResponderExcluirTel. ZAP. 21- 998221387
E-mail cesarioptrj@gmail.com
E-mail cesarionilson@hotmail.com