quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Proposta de resolução apresentada ao debate na Executiva Nacional do PT

 

À executiva nacional do PT

Encaminho, abaixo, uma proposta de resolução para debate e aprovação na reunião da CEN.

Natal, 28 de outubro de 2026

Natália Sena, integrante da CEN

 

Balanço dos eleições 2026 e desafios do PT no próximo período

No dia 26 de outubro de 2026, a maioria do povo brasileiro impôs (mais) uma derrota à extrema-direita, reelegendo o presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores.

Não é a primeira vez que isso ocorre. O PT venceu 6 das 10 eleições presidenciais ocorridas desde 1989, ficando em segundo lugar nas outras 4 (1989,1994, 1998 e 2018).

Mas, diferente das demais eleições vencidas por nós (2002, 2006, 2010, 2014 e 2022), desta vez Lula, candidato do PT, não era considerado favorito pelas pesquisas, nem pela maior parte da mídia e, inclusive, nem mesmo por parte importante das direções da própria esquerda brasileira.

Entretanto, vencemos. Lula foi reeleito e com uma diferença expressiva.

Recapitulamos a seguir os dados.

No primeiro turno, o Miliciano Corrupto e Traidor Fujão saiu na nossa frente, com 47,03% dos votos válidos. Mas terminou o segundo turno com apenas 48,21% dos votos válidos.

Já Lula saltou de 45,16% para 51,79% dos votos válidos, numa virada sem precedentes. 

Em votos absolutos, o Miliciano foi de 56.104.503 para 59.826.041 votos.

Já Lula saltou de 53.879.538 para 64.256.232 de votos. Portanto, alcançamos um resultado melhor do que o de 2022, quando Lula obteve 60.345.999 de votos, o equivalente a 50,9% dos votos válidos.

Já o Miliciano amargou um resultado - em termos de votos válidos - inferior ao obtido, na eleição presidencial anterior, pelo Cavernícola Pai. Em 2022, este chegou a obter 49,1% dos votos válidos, resultado superior aos 48,21% obtidos no segundo turno de 2026 pelo Fujão.

É verdade que, quando se compara o número absoluto de votos, o Cavernícola Filho superou o Cavernícola Pai. Este, em 2022, conseguiu pouco mais de 58 milhões de votos. Agora, o Filho obteve quase 60 milhões de votos. Mas cabe lembrar que, em 2022, o eleitorado era menor do que o atual: entre 2022 e 2026, o número de pessoas aptas a votar aumentou em exatas 2.291.452 pessoas.

Estes resultados numéricos podem ser resumidos, do ponto de vista político, da seguinte forma: a extrema direita manteve, nas eleições presidenciais de 2026, um patamar eleitoral similar ao de 2022. Já a esquerda foi um pouco além do resultado de 2022.

Se tivéssemos repetido o resultado absoluto obtido em 2022, nossa vantagem teria sido de apenas 520 mil votos. Mas superamos nosso próprio teto e estabelecemos uma vantagem de 4 milhões e 430 mil votos.

Evidentemente, a análise das eleições não pode se limitar aos resultados do segundo turno presidencial. É preciso levar em conta, também, o primeiro turno presidencial, a eleição para governos estaduais, Senado, Câmara e Assembleias, destacando aí não apenas os resultados obtidos pelas direitas, mas também as vitórias petistas nas eleições do RN, CE, PI e BA, nosso desempenho nas eleições para o Senado, Câmara e Assembleias e, de maneira geral, a votação do PT e do conjunto da esquerda em cada cidade, estado e região, como é o caso do Nordeste brasileiro.

Mas também é evidente que a análise das eleições tem como centro a disputa presidencial. E, desse ponto de vista, a reeleição de Lula foi uma vitória maiúscula. Como a derrota é órfã, enquanto a vitória tem muitos pais e mães, há todo tipo de análise e opinião circulando. Será necessário um certo tempo e distanciamento, para que seja possível produzir uma análise completa e científica das eleições de 2026.

Entretanto, não é possível esperar para iniciar a avaliação, pelo simples motivo de que, por detrás das avaliações, está em jogo uma espécie de "terceiro turno interpretativo", em que diferentes setores da direita tentam deslegitimar e domesticar a imensa vitória obtida pelo povo brasileiro em 25 de outubro de 2026. 

E este "terceiro turno interpretativo" tem implicações políticas imediatas, no debate sobre a ingerência externa, sobre a posse, sobre a composição do novo governo e sobre o malfadado "ajuste fiscal" que a classe dominante segue querendo impor sobre o povo brasileiro, na contramão dos resultados eleitorais. 

O candidato da extrema-direita não reconheceu nossa vitória, alegando fraude e fake-news. E fugiu do país, numa ação que teve a cooperação, pelo menos, dos governos da Argentina e dos Estados Unidos.

Mas os apoiadores do Miliciano Corrupto e Traidor Fujão sabem que nossa vantagem - superior a 4 milhões de votos - foi obtida legitimamente, na campanha eleitoral, através do debate político e da mobilização. 

A fuga do Cavernícola reacendeu o debate, na extrema direita, sobre o papel da Família Cavernícola. Muitos deles se perguntam se o resultado não poderia ter sido outro, caso a candidatura tivesse sido outra. Pergunta que leva a outra: quem será o candidato da extrema direita nas eleições de 2030, quando a legislação impedirá Lula de disputar nova reeleição.

Evidente que a "candidatura" escolhida teve grande incidência nos resultados, tanto para eles quanto para nós. Mas quem interpreta o resultado eleitoral focado principalmente nas candidaturas corre o risco de secundarizar variáveis decisivas, a saber:

-do lado da extrema direita, é preciso lembrar do engajamento dos Estados Unidos, dos grandes capitalistas e das estruturas organizativas criadas ou em grande medida capturadas pela extrema-direita, principalmente ao longo da última década (a "família militar", as máquinas parlamentares e de governo, as redes antissociais, empresas da fé, a mídia tradicional etc.). São essas variáveis que explicam os mais de 59 milhões de votos obtidos pelo Fujão em 2026, assim como os 58 milhões obtidos pelo Cavernícola Pai em 2022;

-do nosso lado, é preciso lembrar da capacidade de mobilização espontânea dos estratos mais profundos e mais empobrecidos da classe trabalhadora, majoritariamente feminina, negra e jovem; a disposição de combate exibida por milhões de brasileiros com mais de 60 anos; o compromisso político da maioria daqueles que são nordestinos por nascimento, moradia ou alma. E é preciso lembrar, também, que ao longo dos últimos 50 anos a esquerda política e social construiu raízes e organizações. Sem isto e, principalmente, sem o apoio e generosidade das camadas que constituem a maioria do povo brasileiro, a candidatura de Lula não teria dado a volta por cima e triunfado.

Enquanto a extrema-direita busca deslegitimar nossa vitória, a direita tradicional busca domesticar e, no limite, cancelar nosso êxito.

Segundo uma das interpretações difundidas com este objetivo, no primeiro turno a extrema direita teria obtido uma grande vitória e a esquerda teria sido derrotada. Portanto, a vitória no segundo turno só teria sido possível graças aos setores progressistas, aos setores de centro, aos setores democráticos que vieram em socorro da esquerda. Em resumo, ao contrário das aparências, o dia 25 de outubro não teria sido uma vitória da classe trabalhadora, da esquerda, do PT e de Lula; teria sido, isto sim, uma vitória do centro.

Não resta dúvida de que a extrema-direita obteve uma importante vitória no primeiro turno, elegendo grande número de deputados e senadores, bem como os governadores de estados fundamentais como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, entre outros. Também não deve restar dúvida de que, no segundo turno, uma parte do eleitorado se mobilizou, acima de tudo, não para eleger a esquerda, mas sim para impedir que o governo federal caísse nas mãos do crime organizado.

Entretanto, se observarmos os fatos - tais como a linha da campanha, a origem dos votos, a motivação captada pelas pesquisas - constatamos que:

i/foi decisiva a adoção, ainda que com atraso, de certas medidas governamentais em favor das camadas populares, bem como uma linha de campanha que vinculou a defesa da democracia com a ampliação das conquistas sociais do povo; 

ii/a esmagadora maioria do eleitorado que votou em Lula, tanto no primeiro quanto no segundo turno, pertence às camadas populares e votou principalmente por identidade de classe. É dos setores pior remunerados da classe trabalhadora que provém a maioria esmagadora das dezenas de milhões de pessoas que votaram em Lula, pessoas que ademais possuem uma profunda identificação de classe com o PT.

Neste sentido, embora a direita tradicional (e setores da esquerda não petista) não gostem de admitir, a verdade é que a Nação Petista foi a espinha dorsal da vitória de Lula, em 2026 (e, também, nas demais eleições presidenciais).

A extrema direita busca deslegitimar nossa vitória, porque isso os ajuda a agrupar sua tropa, a fazer oposição, a sabotar e, no limite, a derrubar nosso governo. Já a direita tradicional busca domesticar nossa vitória, porque isso os ajuda a tentar impor o programa derrotado nas urnas, a saber, o "tesouraço" (ajuste fiscal).

Na esquerda, por sua vez, também há diferentes avaliações sobre o resultado eleitoral, que decorrem em boa medida das distintas estratégias propostas, por cada setor, para enfrentar a época em que vivemos.

Embora haja nuances e intersecções importantes, há na esquerda duas grandes linhas de interpretação. 

A primeira delas debita nossa vitória, em sua maior parte, à pessoa de Lula; e atribui nossos problemas, no essencial, ao Partido dos Trabalhadores.

A segunda delas debita nossa vitória, em grande medida, à mobilização popular; e atribui nossos problemas, no essencial, à estratégia equivocada que orientou nossa ação de governo e o conjunto de nossa tática, em especial no primeiro turno.

Quando destacamos o papel da mobilização popular, evidentemente não subestimamos o papel do indivíduo na história. Acontece que o indivíduo em questão não veio de outra galáxia, trazendo de lá seus superpoderes.

Quatro vezes presidente da República e, por muitas gestões, presidente do PT e do Sindicato dos Metalúrgicos de SBC, Lula tornou-se o mais importante personagem dos últimos 50 anos da história do Brasil por obra e graça de uma construção coletiva.

Reconhecer isso tem imensa importância, do ponto de vista político pedagógico. Desmerecer a construção coletiva é, no limite, dizer que nosso futuro será determinado pela implacável biologia. É também por isso que existe uma disputa permanente acerca de como contar e interpretar a trajetória de Lula, em particular ao longo das últimas cinco décadas.

Evidente que toda a história é interpretada e reinterpretada o tempo todo, à luz dos conflitos em curso em cada momento. A título de exemplo: Zumbi, Tiradentes, Maria Quitéria, Luiza Mahin, Anita Garibaldi, Antônio Conselheiro, Vargas, Prestes e Dilma Rousseff não são vistos da mesma forma, por diferentes pessoas, pertencentes a distintos setores sociais e épocas.

Lula nunca foi bem-visto e tampouco bem avaliado pela classe dominante e por quem eles dominam e exploram. Já do outro lado da sociedade, nas classes dominadas e exploradas, coexistem diferentes pontos de vista acerca de Lula. Há os que o tratam como “ungido de Deus”, assim como temos quem responsabilize Lula, pessoalmente, por todas as frustrações experimentadas pela classe trabalhadora desde as greves do ABC, nos anos 1970. Assim como existem aqueles que, como nós, buscamos dar a Lula o que é de Lula; e dar à luta o que é da luta coletiva.

Em Vargas, Prestes, Dilma, Lula e em todas e todos que foram protagonistas destacados na luta de classes, convivem o que podemos chamar de “pessoa física” e “pessoa jurídica”. Dramas e tragédias pessoais, amores e desamores, simpatias e antipatias, luzes e sombras, generosidades e mesquinharias, tudo isso junto e misturado com as posições e atitudes frente aos pequenos e grandes temas políticos. E, atravessando e se mesclando, há ainda uma camada adicional, composta pelas lendas que se criam à revelia do personagem, e, também, pelas que cada personagem deixa criar.

Cabe, finalmente, lembrar que, ao contrário do que diz muita gente, a eleição de 2026 não foi nem será o ponto final da trajetória de Lula. Afinal, não importa o que decida a implacável biologia, Lula seguirá tendo, por muito tempo, uma grande influência na história do Brasil. 

Por todos estes motivos e muitos outros, não há como separar os acertos dos erros, os problemas das virtudes. Dito de outra forma, grande parte dos problemas exibidos em nosso governo, em nossa campanha e no próprio PT, têm a influência de Lula. Assim como grande parte dos acertos de nosso governo, de nossa campanha e do próprio PT, também têm a influência de Lula.

Além disso, os setores que buscam atribuir nossos êxitos à pessoa de Lula e nossos defeitos ao PT, revelam uma incompreensão de fundo acerca do papel do Partido dos Trabalhadores na atual quadra da história do Brasil. O PT não é apenas sua direção, nem tampouco sua estrutura formal, com 3 milhões de filiados. O PT também é o maior movimento social existente no Brasil, composto pela imensa maioria daquelas dezenas de milhões de trabalhadores e trabalhadoras que são dotados de consciência de classe. Esta é a Nação Petista. Por isso, nossa vitória, a vitória da classe trabalhadora, só virá se for com o PT. Sem o PT ou contra o PT, só colheremos derrotas.

Contudo, agora que a batalha eleitoral terminou, é preciso reconhecer explicitamente os erros cometidos e as interpretações equivocadas, que incluem desde pensar que nossa vitória seria obtida no primeiro turno, até aqueles que estavam totalmente convencidos de que não haveria como vencer no segundo turno.

O certo teria sido reconhecer que, no primeiro turno das eleições.  não haveria alteração qualitativa, em favor da esquerda, nem nas eleições legislativas, nem nas eleições para governador. Era previsível, também, que haveria segundo turno presidencial. Entretanto, isto não significa que o resultado do primeiro turno era inevitável. Na verdade, ele foi construído, em grande medido, pelo nosso governo, por nossa campanha e por nosso Partido, que cometemos erros gravíssimos, entre os quais destacamos:

i/a ênfase em “comparar legados e entregas”, quando o certo seria e segue sendo disputar o futuro;

ii/a subestimação da força dos inimigos, que chegou ao ponto de se planejar a campanha presidencial acreditando que a disputa terminaria no primeiro turno;

iii/a ausência de candidaturas petistas a governador no RS e RJ;

iv/a demora em definir a candidatura a governador em MG;

v/a falta de vontade de vencer no estado de SP, com uma campanha para governador que parecia satisfeita em “cumprir tabela”;

vi/a ausência de materiais da campanha Lula, ao mesmo tempo que grande parte dos dirigentes concentrava seus esforço nas campanhas proporcionais;

vii/a incompetência, inapetência e falta de tesão de parte da direção nacional do Partido, a começar pela presidência, que formalmente ocupava - no primeiro turno - a coordenação geral da campanha.

Os erros supracitados – e outros tantos – explicam, não o segundo turno em si, mas explicam em grande medida o fato do Miliciano ter iniciado o segundo turno na nossa frente.

No segundo turno, alguns daqueles erros não foram e nem tinham como ser totalmente corrigidos. O mais grave erro é a política fiscal e monetária, consubstanciada nos limites impostos pelo Marco Fiscal e na taxa de juros estabelecida pelo Banco Central. São estas duas variáveis que explicam, em grande medida, o endividamento do povo, a inflação e a insatisfação para conosco de parte da população, fatos que foram demagogicamente explorados por nossos inimigos.

Mesmo sendo impossível corrigir totalmente, no segundo turno, estes e outros problemas, o presidente Lula adotou uma série de medidas - entre as quais destacamos a correção no bolsa família, o anúncio do valor do salário mínimo e o fim das BETs - com as quais buscava reduzir os danos. Vale dizer que a adoção destas medidas, em si mesma, comprovou que havia espaço para fazer melhor do que fizemos ao longo de três anos e meio. 

A verdade - que precisa ser reafirmada em alto e bom som - é que a política monetária e fiscal, denominada como "austericida" pelo Diretório Nacional do PT anterior ao atual, quase nos derrotou. Apesar disso, a direita tradicional, a mídia, o setor financeiro e alguns integrantes do governo querem que insistamos no mesmo caminho.

Outros erros cometidos pelo governo, pelo Partido e pela campanha foram parcialmente corrigidos no segundo turno. É o caso de algumas mudanças feitas na coordenação da campanha, empoderando quem tem sangue nos olhos e disposição real de vencer.

É importante destacar que essas mudanças - entre as quais se destacam o deslocamento do presidente nacional do PT para uma posição coadjuvante e a promoção de Janones para a posição de "general" das redes - revelam limites importantes da atual direção nacional do Partido.

Um dos erros que foi parcialmente corrigido, no segundo turno, foi a atitude frente aos crimes eleitorais em grande escala, cometidos através da compra de votos, das “granjas de bots” e das “fazendas de conteúdo”, crimes que trazem as digitais de empresas e agências de inteligência estrangeiras, formais e informais. No segundo turno, nossa campanha subiu o tom contra o papel nefasto da grande mídia e das big techs, que entretanto seguem empenhadas em uma operação permanente de desgaste contra o PT e contra Lula.

No segundo turno, foi essencial combater o derrotismo, que se manifestou das mais diferentes formas. Por exemplo, os que diziam que nunca houve uma virada no segundo turno, esquecendo que nunca tinha havido um operário presidente, até elegermos Lula; nunca tinha havido uma mulher presidenta, até elegermos Dilma; nunca tinha acontecido de um presidente não conseguir a reeleição, até Lula vencer em 2022. 

Outro exemplo de derrotismo veio daqueles que diziam que “com esse Congresso que foi eleito, Lula não vai conseguir governar”, como se o atual Congresso fosse de esquerda, honesto e republicano. O atual Congresso não é nada disso, mas ainda assim conseguimos governar. E a derrota da escala 6x1 demonstrou, mais uma vez, que é possível derrotar a maioria de direita que controla o Congresso nacional.

Também ficou demonstrado que, no primeiro turno, não houve um “tsunami” de votos a favor da extrema-direita. Os dados comprovam isso. No segundo turno de 2018, o presidiário pai do criminoso teve 57 milhões de votos. No segundo turno de 2022, o mesmo presidiário teve 58 milhões de votos. E, agora, o filho criminoso do presidiário criminoso teve 56 milhões de votos no primeiro e 59 milhões no segundo turno. Nunca houve “tsunami”, termo inventado para nos intimidar e nos paralisar.

É importante destacar que, ao mesmo tempo que nas direções, mandatários e intelectuais, muita gente que se deixou paralisar, na base militante e na classe trabalhadora prevaleceu outra posição: o combate orientado pela certeza da vitória.

Confirmou-se, ademais, que a eleição de segundo turno é diferente e, num certo sentido, melhor para a candidatura presidencial da esquerda, na medida em que se torna mais fácil demonstrar o que estava em jogo, mais fácil polarizar, inclusive mais fácil votar. E, à medida que ficou evidente o risco que corríamos, foi também mais fácil garantir a mobilização do nosso povo. Demonstrou-se, adicionalmente, como é importante garantir que as prefeituras cumpram o que a Lei determina e garantam o transporte público gratuito.

A esse respeito, registramos que a decisão de entrar na justiça pedindo prorrogação do prazo - embora totalmente correta no mérito - foi inócua. Poucas pessoas (entre 5 a 30 mil) votaram durante a prorrogação que, na ampla maioria dos casos, nem mesmo chegou a ocorrer.

Registramos também o imenso erro daqueles que propuseram cancelar as eleições e convocar novas, acreditando que a sabotagem nos transportes e outros fatores teriam dado a vitória aos cavernícolas. Esses e outros erros, motivados pelo derrotismo, não tinham base alguma na realidade: como ficou evidente, às 17h já havíamos vencido.

No segundo turno mostramos que era possível organizar uma campanha militante, 24 horas por dia, 7 dias por semana, até as 17h do dia 25 de outubro, campanha que deu visibilidade para Lula 13 e que nos permitiu dialogar com a maioria do povo brasileiro, nas ruas e nas redes, nas redes e nas ruas.

No segundo turno, organizamos melhor - mesmo que com atrasos e deficiências - a produção de material. Ao mesmo tempo, a militância fez parte de seu próprio material de campanha.

No segundo turno, demonstrou-se a imensa importância das redes sociais. Ao mesmo tempo, confirmou-se que estas redes são estruturalmente antissociais, uma vez que são controladas por grandes empresários vinculados à extrema-direita, havendo provas incontáveis de manipulação, como por exemplo o alcance de nossas postagens ser artificialmente reduzido. 

Por este motivo, foi correto insistir e dar prioridade para a mobilização das ruas e para o contato corpo-a-corpo com as pessoas, ações imprescindíveis para “furar a bolha” dos setores mobilizados e conversar com as mais amplas camadas do povo, com argumentos e linguagens que dialogavam distintamente com diferentes públicos e classes sociais.

Aliás, a mobilização e o corpo a corpo foram imprescindíveis, inclusive, para o sucesso nas redes.

Destacamos, também, o acerto de dar prioridade para o diálogo com os setores sociais que, ao fim e ao cabo, nos deram a vitória: os trabalhadores de menor salário, as mulheres, os negros e negras, a juventude, os idosos e o povo de coração nordestino, inclusive aquele que habita o sudeste do país e que por ventura se absteve, votou branco, nulo ou até no cavernícola, corrupto, fascista e miliciano candidato da extrema direita.

Foi principalmente desse eleitorado, que não votou em nenhuma candidatura presidencial no primeiro turno, que vieram os votos que nos levaram à vitória. E, mais uma vez, destacamos a importância que teve, na conquista de nosso eleitorado, a luta pelo fim da escala 6x1 e de outros temas de interesse da classe trabalhadora.

Recuperamos, no segundo turno, parte do espaço da esquerda nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No país inteiro, com limitações maiores ou menores, reconquistamos votos de quem já votara em nós em 2022 ou que tinha potencial de votar, tarefas que se demonstraram totalmente possíveis, bastando fazer o que já podíamos ter feito, mas em parte não fizemos, no primeiro turno.

Acertamos também, no segundo turno, em ter um discurso focado na defesa e construção do futuro do Brasil, falando das reformas estruturais que mudem nossa sociedade e nosso lugar no mundo, garantindo soberania, democracia, bem-estar, meio ambiente e desenvolvimento. Mas, antes de mais nada, tomando medidas imediatas e urgentes para melhor a vida do povo. Destacamos, a respeito, os seguintes temas: baixar o preço dos alimentos, libertar o povo do endividamento e dos juros altos, melhorar os serviços públicos (com destaque para saúde, educação, transporte, passe livre e segurança).

Insistimos, no segundo turno, em que a superação do projeto racista e antifeminista da extrema-direita deve caminhar lado a lado com a centralidade das mulheres e das negras e negros na transformação do país, assegurando que a autonomia econômica, as políticas de cuidado, a reparação histórica e o enfrentamento rigoroso à violência de gênero e racial estejam no centro do orçamento do Estado e da luta da classe trabalhadora. Nesta mesma perspectiva, apresentamos o fim da escala 6×1 como parte estruturante de uma vida melhor para as maiorias do povo, uma política civilizatória segundo a qual devemos trabalhar para viver e não viver para trabalhar. Lula deu destaque para o tema na campanha e nos debates.

Comprovou-se, no segundo turno, que a “comparação de legados” e o “medo dos criminosos” não deviam ser o aspecto central de nosso diálogo. O central era e segue sendo o futuro. Mas isso não significou baixar o tom. Pelo contrário, fizemos polarização sem trégua, para derrotar o crime, as milícias, a Faria Lima, os vendilhões do templo, os feminicidas, os racistas, os fundamentalistas, os negacionistas e -acima de tudo – os imperialistas, os golpistas e os traidores da pátria.

Nossa campanha denunciou, desmontou e desmoralizou a candidatura da extrema-direita, lembrando que um governo ultraliberal beneficiará somente o agronegócio, as mineradoras, o capital financeiro e os Estados Unidos, prejudicando fortemente o povo trabalhador, as mulheres, os negros e negras, a juventude.

No segundo turno, ficou mais uma vez destacado que devemos nos vacinar contra o impacto das pesquisas negativas, mas também contra o efeito anestésico das pesquisas positivas. A esse respeito, vale citar o aspecto deletério da imensa maioria dos institutos de pesquisa, inclusive do DataFolha, que no sábado 24 de outubro divulgou uma pesquisa apostando na nossa derrota. Muito mais deletéria, entretanto, é a influência que estas pesquisas exercem sobre parte de nossas direções, gerando ondas imotivadas de euforia e desespero.

Foi muito importante, finalmente, no segundo turno, a ocupação visual do país inteiro pelos apoiadores da campanha de Lula. Especialmente a partir dos últimos quinze dias, a Nação Petista avermelhou as ruas e as redes.

Desde a noite de 4 de outubro até a apuração, nosso povo se manteve em estado de alerta total. Mais uma vez, nossa militância petista para tempos de guerra demonstrou ser o melhor que nosso Partido possui. Foi essa militância vietnamita que forjou a reeleição de Lula no segundo turno.

Os ajustes feitos na tática de campanha e na postura do governo contribuíram para nossa vitória no segundo turno. Mas, repetimos, a histórica vitória de 25 de outubro tem o DNA da maioria trabalhadora, feminina, negra, jovem, idosa e nordestina do povo brasileiro; tem o DNA da esquerda como um todo, em particular da Nação Petista; e tem o DNA de Lula.

A vitória de 25 de outubro:

-impediu que o crime organizado reconquistasse o governo federal, ameaçando nossas liberdades e enterrando qualquer possibilidade do Brasil ter desenvolvimento, bem-estar e soberania;

-impediu que Trump, a extrema direita e o imperialismo controlassem toda a região, colocando nossas riquezas a serviço dos projetos neofascistas e da guerra;
-manteve firme e atuante uma das principais vozes do Sul Global em favor de uma nova ordem mundial.
A eleição de Lula presidente foi um ato em defesa da humanidade, do povo brasileiro, da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros e negras, das juventudes, dos idosos.
Foi um ato em defesa da soberania, da integração regional, da democracia, das politicas públicas, da ciência, do desenvolvimento e, também, da continuidade da luta pelo socialismo.
Mas esta guerra em defesa da pátria e da humanidade, não encerrou no dia 25 de outubro. A fuga do Cavernícola, com o apoio de Milei e de Trump, confirmam isso e reforçam que o debate sobre o ocorrido no passado recente está diretamente vinculado ao debate sobre o que fazer, no presente e no futuro.

O Miliciano Corrupto não reconheceu a derrota. 

Nos dias que antecederam a eleição e no próprio dia 25, em particular depois que saiu o resultado, setores da extrema-direita descarregaram sua violência fascista contra eleitores e apoiadores de Lula.

Além da violência física, está em curso uma campanha de boicote e demissões contra quem votou em Lula.

Porta-vozes da extrema-direita já anunciaram que usarão suas maiorias legislativas e seus governos estaduais para fazer oposição, sabotar e — se tiver espaço — tentar derrubar Lula.

E os mercados estão especulando fortemente.

Isso tudo exigirá, da parte da esquerda em geral, mas principalmente da parte do PT, uma estratégia adequada, que precisa ser muito diferente daquela adotada no último período.

A nova estratégia terá que incluir: 

i/uma mudança efetiva do modelo econômico, hoje controlado pelo agro, pelas mineradoras e pelo setor financeiro; 

ii/uma ampla reforma do Estado (incluindo o sistema judiciário, político e eleitoral); 

iii/a criação de estruturas digitais sob controle nacional, estatal e público; 

iv/uma política de governabilidade de novo tipo, baseada na mobilização popular; 

v/um salto de qualidade na organização da esquerda política e social;

vi/a reafirmação ideológica da esquerda, que deve buscar se aliar com os progressistas, mas não deve se confundir, nem se autolimitar, ao chamado “progressismo”; 

vii/a substituição do “modelo parlamentarista” de funcionamento partidário, pela boa e velha organização militante;

viii/uma política internacional que terá que continuar altiva, mas precisará voltar a ser muito mais ativa, especialmente na América Latina e Caribe.

É fazendo isto que transformaremos nossa vitória de 25 de outubro, no ponto de partida para outra época histórica, contribuindo para o futuro do Brasil, da América Latina e Caribe e da humanidade.

Plano de trabalho imediato

Orientamos as direções estaduais, municipais e setoriais do PT a:

i/debater e aprovar balanços do processo eleitoral, com análises focadas nas respectivas realidades locais;

ii/vincular o balanço do processo, com o debate sobre os desafios futuros, tanto do governo Lula, quanto de nossos governos estaduais e municipais, nossos mandatos parlamentares, os movimentos sociais e organizações populares que dirigimos ou influenciamos;

iii/convidar, para participar do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, a militância que se aproximou de nós durante o processo eleitoral;

iv/preparar a mobilização do 20 de novembro, da diplomação de Lula e da posse de Lula.

Por fim, convocamos o Diretório Nacional do PT para uma reunião de dois dias, em 13 e 14 de novembro, tendo como pauta o balanço das eleições, as tarefas do sexto mandato petista e a convocação de um congresso partidário, com a eleição de delegados marcada para março de 2027.

 

2 comentários:

  1. Prezados CAMARADAS, bom dia!!
    Parabéns pela analise da conjuntura eleitoral 2026. Tendo como resultado nesta fantástica Luta de Classe, a VITÓRIA da Classe Trabalhadora, representada pelo nosso Líder Luis Inácio LULA da Silva.

    LOGO COMO CONTRIBUIÇÃO, EU NILSON VIANA CESÁRIO (PETROLEIROS) Ex Presidente do Sindipetro Duque de Caxias RJ CUT FUP, e Ex. Membros do Diretório Nacional do PT.

    PROPONHO COMO ADENDO AO "PLANO DE TRABALHO IMEDIATO":

    Estruturar a Sociedade para o diálogo direto com o Presidente LULA, ampliar a sua correlação de força, para retira-lo das mãos deste Congresso Nacional CORRUPTO:

    PROPOSTA PARA SER AVALIADA E APROVADA PELA DIREÇÃO NACIONAL DO PT.

    V- Que seja criado nos 5.570 Municípios, o CPB - CONSELHO POPULAR DO BRASIL..

    a) Este Conselho será formado pelos Movimentos Sociais.

    b) Os 5.570 Conselhos (CPB) atuará em Rede Nacional com comunicação em tempo real e Pauta Única;

    c) A pauta do CPB é definida diretamente pelo Presidente LULA;

    d) Todas demandas do Presidente LULA para o Congresso Nacional, deverá ser copiada ou enviada uma CÓPIA, para o CPB e será pauta do Conselho , que irá analizar e votar antes do Congresso Nacional;

    e) Realizar o Encontro Anual , no mês de Junho dos CPB, para avaliar a Conjuntura do nosso Governo Federal, e os ajustes necessários para fortalecer o Presidente LULA.

    f) O Presidente LULA criará uma Secretária Governamental, no seu Gabinete Pessoal, para ser o Comando Nacional do CPB.

    CAMARADAS está é a minha contribuição, a este querido Diretório Nacional do PT.

    Atenciosamente,

    Nilson Viana CESÁRIO

    - Filiado ao PT;
    - Ex. Presidente do Sindipetro Duque de Caxias RJ, CUT, FUP;
    - Autor do Projeto IFEP: 'Rede Nacional e Internacional BRICS dos Institutos Federais de Especialização Profissional do Nível Médio e Superior associados às Cadeias Produtivas de Petróleo, Gás, Energias Renováveis e Transição Energética (Terras Raras e Minerais Críticos) IFEP.


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  2. Nilson Viana CESÁRIO
    Tel. ZAP. 21- 998221387
    E-mail cesarioptrj@gmail.com
    E-mail cesarionilson@hotmail.com

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