sábado, 7 de novembro de 2026

Edinho X Quaquá

Tenho zero simpatia pelo senhor Dabliuque.

Por mim, ele teria sido punido há bastante tempo.

Desde antes do apoio de WQ à candidatura “malandra” em Belford Roxo, em 2020, integro aquela parte do PT que tenta enquadrar o cidadão.

Mas Quaquá tem seu lado Freddy Krueger. E até agora escapou de todas.

E isso aconteceu, ao menos em parte porque, na hora H, um pedaço do PT, por razões políticas erradas ou por motivos outros, escolheu proteger Quaquá.

No caso Belford Roxo, o que aconteceu está contado aqui: 

Noutros vários casos, Quaquá contou com a cumplicidade, prevaricação e tolerância de boa parte dos integrantes da direção nacional do PT.

Desde 2021 até meados de 2026, vários pedidos de comissão de ética foram engavetados pela executiva nacional do PT.

Por conta disso, aliás, eu apelidei o secretário geral Henrique Fontana de “o prevaricador”.

O presidente Edinho elevou esta postura a um patamar superior: criou uma comissão…

A história desta comissão está contada aqui: 

A comissão criada em janeiro de 2026 é composta por Edinho, Fontana, Romênio Pereira, Joaquim Soriano e outros.

A tal comissão, para variar, não fez nada, absolutamente nada.

Contribuiu nisso o falso argumento de “preservar o Partido”, quando na verdade prejudicou; vide, por exemplo, o resultado da campanha presidencial de primeiro turno no estado do Rio de Janeiro, supostamente coordenada por Quaquá.

Aliás, Quaquá ganhou o cargo de coordenador como “prêmio de consolação”, em troca de seu (suposto) apoio à Benedita da Silva.

Resultado: um desastre. Não em Maricá, onde aconteceu o de sempre, relatado aqui: 

Por qual motivo Quaquá é, apesar de tudo, protegido por tantos pares e, também, por muitos ímpares?

Há vários motivos, um dos quais é relatado aqui: 

Traduzindo: sem os votos de Quaquá, a chapa da tendência “Construindo um Novo Brasil” não teria obtido maioria absoluta no atual Diretório Nacional do PT.

E mais: se Quaquá tivesse apoiado outro candidato - inclusive ele próprio - Edinho teria tido que disputar um segundo turno, de resultado incerto, na disputa pela presidência nacional do PT.

Se hoje, apesar disso tudo, Edinho quisesse mesmo enfrentar Quaquá, não precisava ter proferido as insinuações e aparentes ameaças que proferiu - divórcio “amigável” ou “litigioso” - tanto na reunião da CEN pós segundo turno, quando em entrevista à imprensa.

Bastaria Edinho ter submetido a voto o pedido de autorização para que algum dos pedidos de comissão de ética contra Quaquá pudesse ser submetido à exame.

Ou, ainda, Edinho poderia ter incluído o tema, como ponto de pauta, na reunião do DN convocada para 13 de novembro.

Ou seja: bastaria deixar de prevaricar e, muito simplesmente, cumprir o estatuto.

A opção por falar grosso de público, mas não fazer nada de concreto, pode terminar num desfecho frustrante.

Até porque Edinho e Quaquá compartilham muita coisa, a começar por afinidades estratégicas e programáticas.

Aliás, são estas grandes afinidades que explicam boa parte da violência verbal e das cotoveladas que temos presenciado no conflito entre os diferentes setores da CNB.

Em 1993, quando rachamos a velha Articulação, também havia animosidade. Mas o ambiente anímico era muito melhor, entre outros motivos porque, no centro da polêmica, estava a grande política, por exemplo, as profundas divergências programáticas e estratégicas sobre o que o PT deveria fazer nos anos 1990 e depois.

Nós, que realmente queremos expulsar Quaquá, temos como motivação e prioridade o grande debate político. Motivo pelo qual não depositamos nenhuma esperança nas promessas de Edinho. Nem vamos perder de vista o centro da questão: nosso Partido - e também o quarto mandato de Lula - precisam adotar outra estratégia.

Se não mudarmos linha política, continuaremos sendo alvo fácil de comportamentos e práticas inaceitáveis, como as do senhor Dabliuque.

Um comentário:

  1. V. Pomar distorce os fatos e lança descabidas e maliciosas insinuações.
    A eleição de Edinho seguiu-se à conclusão de um renhido debate puramente ideológico que determinaria os rumos do partido: quem controlaria os dinheiros da tesouraria...
    (Nem careceria de avisar, mas nestes dias que correm é sempre bom o aviso ATENÇÃO: CONTÉM IRONIA.)
    ...
    Pomar, vai que um vivente do campo da esquerda e de certa projeção pública leia esse artigo e o use para mostrar como de fato a banda toca no chamado Partido dos Trabalhadores?...
    Pronto.
    No mesmo dia, eis Pomar, faca presa entre as arcadas dentárias, sangue nos olhos, foice e martelo nas mãos, investindo contra o inimigo e gritando NÃO VOU DEIXAR BARATO.

    (Jucemir Rodrigues da Silva)

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