sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

VIL Fichamento 2

V.I.Lenin

Obras completas
Tomo II (dois)
1895-1897
Editorial Cartago
Buenos Aires, 1958

Primeira edição argentina (julho de 1958), baseada na quarta edição russa (IMEL).

Frederico Engels 

Escrito em 1895, publicado em 1896 na coleção Rabótnik. 

A síntese que VIL faz da obra conjunta de ME: a humanidade vai se livrar das calamidades, não por obra de personalidades bem-intencionadas, mas sim "por meio da luta de classes do proletariado organizado"; o socialismo não é uma invenção de sonhadores, mas sim "a meta final e o resultado inevitável do desenvolvimento das forças produtivas dentro da sociedade contemporânea"; a luta de classes continuará até que despareçam as bases da luta de classes e do domínio de classe: "a propriedade privada e a produção social caótica" [este detalhe é importante e sempre foi destacado por Engels, o tema da anarquia na produção]; toda luta de classes é uma luta política [noutros textos, ele vai explicar que é assim, mas sob certas condições].

Lenin desenvolve aqui as idéias de ME, na linha conhecida em Anti-Duhring. Ele revela ter lido, neste momento, as obras fundamentais que haviam sido publicadas; e tinha conhecimento da existência de alguns clássicos que permaneciam inéditos (A Ideologia Alemã, por exemplo).

p. 20: Levando em conta as características do cidadão, é marcante que ele diga: "Seu carinho para com Marx enquanto este viveu e sua veneração à memória do amigo desaparecido, foram infinitos. Engels, o lutador austero e pensador profundo, era homem de uma grande ternura." 


Explicação de la ley de multas que se aplican a los obreros en las fábricas 

Este texto, de 1895, é impressionante. Vale a pena ser recomendado, pois é literatura para operários, sobre temas do chão de fábrica, escrita com qualidade e didatismo, mostrando como ele entendia na prática a relação entre alguns temas do cotidiano fabril e a luta política.


Liceos-granjas y escuelas correcionales 

Outro texto de ótima leitura, no fundo uma gozação contra a utopia populista das escolas técnicas como experimento socialista. Tem passagens muito interessantes, por exemplo p. 70, quando ele escracha o experimento proposto pelos populistas, por significar na prática substituir o trabalho assalariado pelo trabalho gratuito (a esse respeito, vale a pena analisar o ocorrido em várias experiências do "socialismo do século XX"). 

Aqui o trecho completo, que está na 71: "No que radica a diferença do novo regime? Em que, na atualidade, os que carecem de recursos podem vender sua força de trabalho, enquanto no novo regime estarão obrigados a trabalhar gratuitamente (...). Não cabe a menor dúvida de que, deste modo, Rússia evitará todas as vicissitudes do regime capitalista. O trabalho assalariado livre que ameaça com a 'lacra do proletariado' queda excluído e cede seu lugar... ao trabalho gratuito obrigatório". 

Interessante também a defesa que ele faz das escolas mistas, contra o preconceito populista das escolas separadas por sexo. E a sátira que ele faz acerca da tentativa de impedir matrimônios (só com autorização das autoridades, inclusive para jovens de 25 anos!!!!).


A los obreros y obreras de la fabrica Thornton

Publicado tb em 1896. Texto para agitação fabril. Como já foi dito em relação a um texto anterior, este merece ser lido, este tipo de texto dele é pouco conhecido. Detalhe para o título em linguagem inclusiva, em 1895....


En que piensan nuestros ministros? 

Este texto foi escrito em 1895, mas só foi publicado em 1924. 

O texto analisa uma correspondência secreta, onde altos burocratas governamentais manifestam preocupação com as escolas dominicais, onde haveria professores com "tendências perniciosas". 

O texto termina assim, na p. 84: "Operários! Vejam que medo mortal os nossos ministros têm de unir o saber com o povo trabalhador. Mostrai, pois, ante todos que nenhuma força será capaz de quitar a consciência aos operários. Sem o saber, os operários estão indefesos; com o saber constituem uma força." 


Proyecto y explicacion del programa del partido socialdemocrata 

Este texto é de 1896, mas só foi publicado em 1924.O projeto propriamente dito é pequeno, ocupando 4 páginas. É interessante comparar com os programas que virão depois. Mas o fundamental é a "explicação do programa", que ocupa 22 páginas.

97: na atualidade, o trabalho assalariado, o trabalho para o capitalista, chegou a ser já a forma mais difundida de trabalho. O domínio do capital sobre o trabalho abarca a massa da população, não apenas na indústria, mas também na agricultura.

[Este exagero tem uma de suas causas naquilo que que é apontado por Claudin, no prólogo a Contenido economico del populismo pp 4-5: "A partir ... da Reforma de 1861, o desenvolvimento industrial é considerável, levando em conta o ponto de partida. O número de empresas fabris passa de 6.891 em 1866 a... 39.000 em 1900. O número de operários... de 706 mil em 1866 ...a 2.920.000 em 1900. Nesses quatro decênios o índice de aumento da produção industrial ultrapassa o da Alemanha, França e Inglaterra (a produção industrial russa se multiplica por 7, a da Alemanha por 5, a de França por 2 e a da Inglaterra só aumenta pouco mais que o dobro) ainda que siga muito atrás em cifras absolutas, sem falar dos índices por habitante. A indústria russa se distingue muito cedo por um alto grau de concentração (... em 1902 as grandes empresas com mais de mil operários são 50% do total).... O Estado desempenha um grande papel neste impulso industrial, recorrendo em grande escala aos empréstimos estrangeiros para complementar sua outra grande fonte de receitas: a expoliação fiscal do campesinato".]

99: tem uma descrição de como a luta econômica se converte em luta política. Curiosa, tendo em vista a polêmica que virá depois. 

O mesmo pode ser dito da definição do papel do Partido, na p. 104: a atividade do partido deve consistir em contribuir a luta de classe dos operários. A tarefa do partido consiste não em inventar algum procedimento novedoso de ajuda aos operários, senão em aderir a seu movimento, esclarecer o caráter deste movimento e ajudá-los nesta luta, que eles já iniciaram por sua própria conta. A tarefa do partido é a de defender os interesses dos operários e representar os interesses de todo o movimento operário (...) desenvolver sua consciência de classe mediante a cooperação na luta por suas necessidades essenciais. A segunda ajuda debe consistir em contribuir a organização dos operários.... 

109: A reivindicação mais urgente dos operários  deve ser a conquista da liberdade política"

110: ele explica que para o partido social-democrata é muito mais "vantajoso" que a burguesia tenha "influência direta" na condução dos assuntos do Estado, do que exerça sua influência por intermédio de uma "coorte de funcionários venais e arbitrários". Todo o raciocínio é no sentido de tirar o bode da sala, tirar o intermediários, proporcionar o confronto direto.

111: ao prestar apoio a todos os representantes da burguesia na luta pela liberdade política, os operários debem recordar que as classes possuidoras podem ser só temporariamente seus aliados, que seus interesses são inconciliáveis"


Al gobierno czarista 

Este texto é de novembro de 1896 e está assinado pela União de luta pela emancipação da classe operária.Trata-se de uma análise das posições do governo russo frente as greves.


Para uma caracterização do romantismo econômico (Sismondi e nossos sismondistas nacionais) 

Este texto foi escrito em 1897 e publicado no mesmo ano. Faz parte dos "escritos econômicos 1893-1899".

Segundo Claudin, é "o mais teórico dos textos deste período" e "a análise crítica mais completa que pode encontrar-se, na literatura marxista, do principal representante desta tendência da economia clássica".

-Sismondi, 1773-1842, suíço
-"idealização do passado"

123: oferece especial interesse para a solução das questões econômicas gerais que atualmente se colocam em Rússia com força (...) um partidário fervoroso da pequena produção e que se levanta contra os defensores e ideólogos das grandes empresas (tal como estão fazendo os populistas russos contemporâneos)"

124: a particularidade distintiva da teoria de Sismondi é sua doutrina acerca da renda, da relação desta com a produção e a população

124: o desenvolvimento do capitalismo faz a produção superar o consumo, gerando um problema sem solução, pois dentro cresce a pobreza e fora diminue o número de mercados possíveis. 

[Resumidamente, é o mesmo equívoco que Rosa Luxemburgo comete na análise da reprodução ampliada]

130: o erro de Sismondi e dos populistas, de só levar em consideração o consumo pessoal, não o de bens de produção, o consumo produtivo

135: o erro de considerar que toda a produção é composta de duas partes, salário e mais valia (some totalmente o capital constante)

136: Sismondi aplica mecanicamente, à sociedade capitalista, a moral de um camponês poupador

137: pensa (assim como o fazem os populistas) que um desenvolvimento não-proporcional não é desenvolvimento

138: o centro das divergências, que seguem até hoje frente a pensadores como os reunidos pelo Instituto Rosa Luxemburgo ("contra o desenvolvimento") está aqui: a tese absolutamente correta de que a produção cria ela mesmo seu próprio mercado, determina o consumo. "E nós sabemos que a teoria de Marx tomou dos clássicos esta concepção da acumulação, ao reconhecer que quanto mais rapidamente cresce a riqueza, tanto mais plenamente se desenvolvem as forças produtivas do trabalho e sua socialização, tanto melhor se torna a situação do operário, até aonde isto é possível dentro do sistema dado de economia social. Os românticos sustentam totalmente o contrário e depositam todas as suas esperanças precisamente no débil desenvolvimento do capitalismo e clamam para que este desenvolvimento seja detido".

140: Sismondi considera como causa fundamental das crises essa desproporção entre a produção e o consumo e colocava em primeiro plano o insuficiente consumo por parte das massas populares, dos operários...subconsumo

145: aqui ela mostra como a desproporção entre as seções de bens de capital e de bens de consumo não só é possível, como em certo sentido é inevitável

146: aqui ele sustenta uma tese verdadeira, mas que superficialmente parece não ser, a de que os produtos de consumo pessoal dentro do conjunto da produção capitalista vão ocupando um lugar cada vez menor

149: não se trata de um erro, uma contradição doutrinária, mas um fato que "corresponde inteiramente a realidade e que expressa uma contradição própria do capitalismo": este desenvolvimento das forças produtivas da sociedade, sem o correspondente desenvolvimento do consumo é, desde logo, uma contradição, mas uma contradição que tem lugar na realidade, que emana da mesma essência do capitalismo"

151: outro erro de Sismondi, que deriva de sua errônea teoria sobre a renda e o produto social na sociedade capitalista, é sua teoria da impossibilidade de realizar o produto em geral, e a mais valia em particular, e, em consequência, a necessidade de um mercado exterior

152: o problema do mercado exterior não tem nada que ver com o problema da realização

154: o mercado exterior é necessário não porque o produto não possa ser realizado, mas porque a acumulação é ilimitada

157: enquanto Sismondi localiza a raiz das crises no consumo, os clássicos localizam na produção (subconsumo x anarquia da produção). 

158: mas o marxismo não nega a contradição entre produção e consumo, não nega o subconsumo, mas lhe dedica um papel subalterno na explicação

158-159: crítica as posições de Sismondi sobre a população, em particular sua postura moralista ("a defesa da castidade entre as virtudes próprias do matrimônio")

174: alusivo ao onanismo, na crítica de Proudhon a Malthus: divertidíssimo!!!

206: ele explica porque as teorias de Proudhon e Sismondi são reacionárias, mas suas políticas não. 

Volta ao ponto na 231: "os desejos dos românticos são muito bons (como os dos populistas). A consciência das contradições do capitalismo os coloca por cima dos otimistas cegos que negam estas contradições. E se qualificamos Sismondi de reacionário não é por ter querido regressar a Idade Média, mas porque em suas aspirações concretas 'comparava o presente com o passado' e não com o futuro; porque "demonstrava as eternas necessidades da sociedade" pelas "ruínas" e ão pelas tendências do desenvolvimento moderno". Note-se que esta crítica pode ser estendida a parte do movimento altermundista e pachamamicos em geral.

234: Lenin defende os utopistas que miram o futuro, contra os que miram o passado: sonhavam em deter a ruptura, a mesma ruptura da qual deduziam suas utopias os outros.

235: "no es la clase de los pobres la que hay que eliminar, sino la de los jornaleros; hay que devolverlos a la clase de los proprietários". "Devolverlos" a la clase de los proprietarios, en estas palabras está toda la esencia de la doctrina de Sismondi

247: o debate sobre o protecionismo, tomando como base o discurso sobre o livre-comércio de Marx em 9 de janeiro de 1848. 

E lá no ponto 253 tem uma passagem genial: "tanto o librecambio como el proteccionismo conducen por igual a los obreros a la ruina". O critério de Marx é o desenvolvimento das forças produtivas.


La nueva ley fabril 

Texto de 1897 e publicado em 1899.Novamente um exemplar de literatura para operários, de boa qualidade.

A proposito de un suelto periodistico

Texto de 1897, publicado no mesmo ano. É uma polêmica similar a que ele sustenta contra o projeto das escolas técnicas.

Tarefas dos social-democratas russos 

Texto de 1897 e publicado em 1898. 

316.A atividade prática dos social-democratas se propõe, como é conhecido, dirigir a luta de classes do proletariado e organizar esta luta em suas duas manifestações: socialista (...) e democrática.

316.social-democratas como tendência social-revolucionária particular

317.o trabalho socialista dos social-democratas russos consiste em fazer propaganda das doutrinas do socialismo científico [e da análise concreta da luta de classes na Rússia} e vinculado a isto encontra-se o trabalho de agitação entre os operários, que consiste em que os socialdemocratas participam em todas as manifestações espontâneas da luta da classe operária... nossa tarefa consiste em fundir nossa atividade com os problemas práticos, cotidianos da vida operária

318: o tema dos operários agrícolas

319: todos os socialistas em Rússia devem converter-se em social-democratas

319: o trabalho democrático está indissoluvelmente ligado ao trabalho socialista. Ao fazer propaganda entre os operários, os social-democratas não podem deixar de lado as questões políticas

320: duas caras de uma medalha... toda luta de classes é uma luta política... indivisível afinidade da propaganda e agitação socialista e democrática, o completo paralelismo do trabalho revolucionário em uma e outra esfera

321: aqui pela primeira vez ele introduz a seguinte pergunta-provocação: "siendo que todos los socialdemocratas reconocen que la revolucion politica en Rusia debe preceder a la revolucion socialista, no corresponderia, uniendo a todos los elementos politicos opositores para la lucha contra el absolutismo, aplazar por ahora el socialismo y no sera esto imprescindible para intensificar la lucha contra el absolutismo?" E a critica, óbvio.

322-323: ele sustenta que só a classe operária é consequente na luta contra o absolutismo, portanto a luta democrática ganha com a radicalização independente do proletariado... e conclui na 324 que todos os democratas autênticos e consequentes de Rússia devem converter-se em socialdemocratas

325: aqui ele enfrenta a tese oposta, a de que a socialdemocracia russa relega a segundo plano as tarefas políticas e a luta política... 

na 327 explica ele que acontece que para um partidário de Naródnaia Volia "o conceito de luta política é equivalente ao conceito de conspiração política"

330: fala pela primeira vez de maneira concreta no tema da tomada do poder: "mil condições que é impossível e inútil tentar adivinhar de antemão"

330: hace mucho que se ha dicho que sin teoría revolucionária no puede haber movimiento revolucionário, y no creo que en el momento actual sea necesario probar semejante verdade


A los obreros de Petersburgo y a los socialistas de la "Union de Lucha"

337: "los socialdemocratas no son menos abnegados que los revolucionarios de generaciones anteriores"


El censo de Kustares de 1894-1895 en la província de Perm y los problemas generales de la industria "Kustar" 

Texto escrito em 1897 e publicado 1898. Novamente um duro trabalho de análise estatística, cujo pano de fundo é mostrar o processo de diferenciação em curso.


Perlas de la proyectomania populista (S.N.Iuzhakov. Los problemas de la educación. Experiencias de ensayos sociales. Reforma de la Escuela Secundaria. Sistema y objetivos de la Ensenaza Superior. Manuales para Escuela Seuncaria. Problemas de la instrucion publica general. La mujer y la Instrucion). 

Este texto de Lenin é de 1897. Foi publicado posteriormente. Trata-se de uma análise crítica e impiedosa dos projetos educacionais do populista citado, na mesma linha da análise das escolas técnicas referido anteriormente.

452: "A essencia de uma sociedade de classe (e de uma educação de classe, portanto), reside na plena igualdade jurica, na absoluta igualdade de direitos entre todos os cidadãos, no direito igual para todos os que necessitam de acesso a instrução". Algo que deveria ser lido e relido pelos que acham que "igualdade de oportunidades" é "socialismo". "A escola de classe desconhece as castas e existe de todo e qualquer aluno apenas uma coisa: que pague seus estudos". E quem não tem dinheiro, simplesmente não é admitido, é um não-problema. E isto vale inclusive para a escola gratuita, pois os gastos de manutenção não são acessíveis para qualquer um!!!!

451: ele defende, na escola futura, a conjugação de ensino com trabalho produtivo

451: defesa condicionada do trabalho de mulheres e adolescentes (contra a postura reacionária de proibir por completo)

466: tem uma nota de rodapé que é exemplo típico do humor do cidadão, quando ele fala da lista de felizes mortais que estariam liberados de entrar nas tais escolas secundárias agrícolas

468: ele fica indignado com um aspecto do projeto do autor populista: "Si llega a ser permitido el matrimonio"!! Quiere decir que es posible que no sea permitido? se indigna Lenin.

E na 469 reclama direitos aos estudantes que são também cidadãos!!!

469: ele denomina o projeto de "feudal-burocrático-burguês-socialista", um conceito que só apareceria na cabeça de alguém que aprendeu a falar alemão

476: ele cita elogiosamente uma obra de Labriola (Ensaio sobre a concepção materialista da história)


A que herança renunciamos 

Texto de 1897 e que foi publicado em 1898. É um texto interessante, que deixa clara a maneira cuidadosa com que ele se posiciona frente a tradição anterior. 

A herança da geração dos 60, na qual não há nada de populista, marcada pelo ódio ao feudalismo, pela defesa da liberdade/racionalismo/instrução pública/europeísmo e a defesa dos interesses do povo, especialmente do campesinato. 

Contrapõe Skaldin a Engelhardt, para em seguida passar à análise do populismo propriamente dito, que ele define na p. 504

504: Por populismo entendemos um sistema de concepções que compreende os seguintes traços: 1) o reconhecimento do capitalismo em Rússia como uma decadência, uma regressão (...) 2) o reconhecimento da originalidade do regime econômico russo, em geral, e o do camponês com sua comunidade... em particular; 3) o desconhecimento das relações existentes entre a "intelectualidade" e as instituições político-jurídicas do país com os interesses materiais de determinadas classes sociais". 

506: havendo sido em seu tempo um fenômeno progressista por ter sido o primeiro em colocar o problema do capitalismo, o populismo é agora uma teoria reacionária e nociva que desorienta o pensamento social, que faz o jogo do estancamento e de toda classe de asiatismos

508: o populismo compara a realidade do capitalismo com a ficção da ordem pré-capitalista

509: mais vale o estancamento do que o progresso capitalista, tal é, no fundo, o ponto de vista de cada populista com relação ao campo

515: os ilustrados, os populistas e os discípulos

517: os discípulos são muito mais consequentes e muito mais fiéis depositários da herança do que os populistas

Conclui demarcando com o Mijailovski (1842-1904)

Todos os tomos das Obras completas tem uma cronologia da vida de Lenin no período coberto pelo respectivo tomo e um aparato de notas ao final, além de eventuais notas ao longo dos textos e apresentações.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

VIL Fichamento 1

V.I.Lenin
Obras completas
Tomo I
1893-1894
Editorial Cartago
Buenos Aires, 1958

Primeira edição argentina (julho de 1958), baseada na quarta edição russa (IMEL).

Los nuevos desplazamientos economicos en la vida campesina (A proposito del libro de V.E.Póstnikov La economia campesina en el Sur de Rusia). 

Escrito em 1893, publicado pela primeira vez em 1923. Trinta anos de intervalo. Trata-se de uma resenha.

Tema central é a análise das transformações em curso na economia camponesa russa. 

Um aspecto interessante é o manejo das cifras estatísticas, especialmente a crítica que faz ao artifício "populista" de trabalhar com cifras médias. 

Pergunta fundamental: "quem tem razão? A 'intelectualidade urbana', que considera os camponeses como algo homogeneo, ou Póstnikov, que afirma que a heterogeneidade é enorme?" 

Outro aspecto interessante: alto domínio da "economia política científica" 
-"en la economia natural, en la que el producto va destinado al consumo del proprio productor, y no al mercado, el producto barato no se encuentra con el caro en el mercado, razón por la cual no puede desalojarlo";
-"la causa fundamental de la aparición de la lucha de intereses econômicos entre los campesinos es la existencia de un regimen en que el regulador de la produccion social es el mercado".


A proposito del llamado problema de los mercados

Escrito em 1893, publicado pela primeira vez em 1937. Quarenta anos de intervalo. 

Este texto foi publicado numa coleção (Escritos econômicos 1893-1899) da Siglo Ventiuno, com prólogo e notas de Fernando Claudin.

A propósito do chamado problema dos mercados foi apresentado pela primeira vez durante um debate, como crítica a dissertação El problema de los mercados, de G.B.Krasin.

O texto inicia assim: "Pode o capitalismo desenvolver-se, e desenvolver-se plenamente, aqui na Rússia, onde a massa do povo é pobre e continua empobrecendo cada vez mais?" 

Em seguida Lenin apresenta o ponto de vista dos populistas (segundo os quais a ausência de mercado interno impede o capitalismo de tornar-se a base da economia russa) e afirma que vai refutar este argumento. 

O texto revela, novamente, domínio da economia política em geral e de O Capital em particular (especialmente o debate sobre reprodução e circulação do capital social, tomo II).

Após apresentar os "esquemas" de produção e reprodução, ele afirma que "a explicação de como se desenvolve o capitalismo em geral não permite avançar em nada o debate sobre a "possibilidade" (e a necessidade) do desenvolvimento do capitalismo na Rússia. 

E questiona o esquema apresentado por Krasin, porque segundo ele pareceria que o capitalismo veio "de alguma parte de fora e não do mesmo meio que os 'produtores diretos'." 

Em seu lugar, Lenin apresenta seu próprio esquema de reprodução (aqui fica clara, ademais, a profunda diferente entre as posições de Lênin e as posições que Rosa Luxemburgo defenderá sobre a acumulação do Capital). 

A conclusão de Lenin é que "os limites para o desenvolvimento do mercado nas condições de existência da sociedade capitalista, são determinados pelos limites da especialização do trabalho. E esta especialização, por sua mesma essência, é infinita do mesmo modo que o desenvolvimento técnico". 

Donde ele aponta ser "errônea a afirmação de que o crescimento do mercado na sociedade capitalista, provocado pela especialização do trabalho social, deve ter seu fim no dia em que todos os produtores naturais se convertam em produtores de mercadorias".

Ele reafirma que os mercados "exteriores" são necessários, mas isto não interfere enquanto tal no raciocínio acerca do tema dos mercados para o desenvolvimento do capitalismo. 

E aponta que o "choro" dos capitalistas acerca dos mercados é uma manobra, que a "utopia e a ingenuidade populistas" acabam reforçando.

Insiste, também, que "o 'empobrecimento das massas do povo' (este membro infaltável em todo discurso populista acerca dos mercados), longe de obstaculizar o desenvolvimento do capitalismo, representa precisamente seu desenvolvimento, é condição do mesmo e o reforça".

Em seguida ele apresenta várias outras tendências e contratendências --como um todo, o texto é uma exposição teórica sobre o processo de reprodução ampliada e uma análise concreta da introdução do capitalismo na Rússia.

Na parte VII do texto, ao comparar o esquema marxista e o populista de reprodução, fica claro como a virada do populismo para o marxismo legal é fácil. Afinal, da negação do "significado e da potencialidade do capitalismo" ao deslumbramento é um pequeno passo.

Na página 122, uma frase significativa: "el capitalismo constitue hoy la base fundamental de la vida econômica de Rusia". Trata-se de um óbvio exagero. Mais adequado seria dizer que o capitalismo é a varíável fundamental, que incide sobre a base fundamental da economia russa, que é o campesinato. Os textos de Lênin nesta época acertam ao indicar o sentido, mas exageram ao analisar o estado da arte. 

Tudo ficará absolutamente claro após a revolução de 1917: o peso da economia camponesa tradicional, reforçada por uma reforma agrária radical.

Por outro lado, é acertadíssimo o método de Lenin: "O 'problema dos mercados' deve ser transferido da esfera das estéreis especulações sobre 'o possível' e 'o devido', ao terreno da realidade, ao terreno do estudo e da explicação de como vão se constituindo as formas econômicas em Rússia e porque vão se constituindo precisamente assim e não de outra maneira". (123)

Um último comentário: a maneira como ele vincula economia camponesa e capitalismo é a mesma, metodologicamente falando, adotada por Dobb. Ou seja: localizar na diferenciação interna dos produtores diretos, uma das vertentes do surgimento do capitalismo.


Quem são os amigos do povo e como lutam contra os social-democratas (resposta aos artigos de Rússkoie Bogatstvo contra os marxistas). 

Este foi escrito e publicado em 1894. Trata-se de uma polêmica direta contra os populistas, não apenas teórica, mas política no sentido estrito. O interlocutor é fundamentalmente Mijailovski e sua "filosofia subjetivista" (o método subjetivo aplicado a sociologia).

Para usar uma expressão formal, a parte inicial do livro é um debate "sociológico" acerca das teses fundamentais do marxismo. 

Vale lembrar que Mijailovski foi interlocutor e até certo ponto defensor de Marx (fato que Lenin utiliza na polêmica). A esse respeito, ver a "apresentação geral" de Fernando Claudin à coleção "Escritos econômicos" (Contenido economico del populismo, pp 1-55).

Um ponto interessante: "A idéia do determinismo, estabelecendo a necessidade dos atos do homem, rechazando a absurda lenda do livre arbítrio, não nega em nada a inteligência nem a consciência do homem, como tampouco o valor de suas ações. Muito pelo contrário, somente a concepção determinista permite valorar rigorosa e acertadamente, sem imputar todo o imaginável ao livre arbítrio. Do mesmo modo, tampouco a idéia da necessidade histórica menoscaba em nada o papel do indivíduo na história: toda a história se compõe precisamente de ações de indivíduos que são indubitavelmente personalidades. A questão real que surge ao valorar a atuação social do indivíduo consiste em saber em que condições se assegura o êxito desta ação. O que garante que essa atividade não resultará um ato individual, que se desperdiça num mar de atos opostos? Nisto consiste precisamente a questão que é resolvida de modos diferentes pelos socialdemocratas e pelos demais socialistas russos: como a atividade dirigida a realizar o regime socialista será capaz de arrastar as massas, para produzir resultados sérios?(...)" .... e daí ele parte a debater a análise acerca das classes sociais existentes.  (p.172)

Ver isto:

[las tríades en Engels no son más que vestigios de aquel hegelinianismo del que nació el socialismo científico, su modo de expresarse] p.176

[ME chamavam método dialético --por oposição ao metafísico-- simplesmente ao método científico em sociologia] p.177

Neste texto, como em outros, há polêmicas divertidas sobre a tradução dos textos de ME e outros. Não são poucas as vezes em que Lênin ridiculariza a tradução de seus oponentes, seja pela incompreensão do significado dos termos alemães, seja pela escolha dos termos em russo.

Ao final do livro, há uma nota "dos editores", apresentando a parte final [na verdade a parte III, ao que parece a parte II esfumou-se] , que é acrescida a primeira edição. 

Nesta parte final aparece um tema que será recorrente: a reclamação acerca da desigualdade de condições, entre os que atacam o marxismo legalmente, e os que o defendem ilegalmente, dada a ação da censura.

Nesta parte III, Lenin afirma que "Rusia es un país capitalista" (224)... "el capitalismo representa en si no la antítesis del 'regimen popular', sino su continuación directa, más próxima e inmediata, y su desarrollo" (229). 

Ao mesmo tempo, dirá que o debil desenvolvimento do caráter capitalista das relações conduz a formas de exploração mais brutais... 

Esta "oscilação", se podemos dizer assim, vai se prolongar durante o restante da obra. 

Na p. 308, por exemplo, ele dirá que na Rússia "os restos das instituições medievais, semifeudais são ainda tão extraordinariamente fortes..."

Nas pp 316-317 ele dirá que "a exploração do trabalhador na Rússia é em todas as partes capitalista por essência, se se deixam de lado os restos agonizantes da economia de servidão". Se se deixam...

Nas pp 248-249 Lenin contrapõe o velho socialismo camponês ao novo socialismo operário.

Na página 251 Lenin deixa claro que o desenvolvimento capitalista é progressista porque cria as condições para sua superação.

Na página 274 demarca o velho e o novo populismo: "al faltar la crítica materialista de las instituiciones políticas, al no compreender el carácter de clase del estado moderno, del radicalismo político al oportunismo político ho hay más que un paso".

Na página 284 explica as discrepância entre os social-democratas, mas seu acordo fundamental em que "Rusia representa en si una sociedade burguesa". 

É curioso que uns pela subestimação do capitalismo (os populistas) e outros por uma certa "superestimação" do capitalismo realmente existente (a vertente social-democrata que Lenin encabeçaria), ambos acabaram trilhando o caminho que os levaria a "assaltar aos céus" em 1917.

Na página 293 VIL mostra como o modo populista de pensar os fez construir um programa pequeno-burguês, dando um giro de 180 graus, do socialismo ao democratismo burguês: 
-"la labor condujo a resultados diretamente opuestos a su punto de partida"...
-"Semejante desarrollo del populismo ha sido completamente natural y inevitable, ya que en la base de la doctrina residía una idea puramente mítica sobre el régimen especial (comunal) de la economia campesina: al chocar con la realidad el mito se disipó, y del socialismo campesino se obtuvo una representación democrático-radical del campesinado pequenoburgues".

É interessante contrastar a análise teórica que ele faz do campesinato (p. 296: não são uma classe especial, só uma classe da sociedade feudal etc.) com a defesa política que ele fará do campesinato como aliado do proletariado na revolução burguesa (1905-1907).

Na p. 297 em diante há considerações sobre Chernishevski.

VIL considera as idéias populistas, quando tentam aparecer ou ser apresentadas como idéias socialistas, como INCONDICIONALMENTE (em letras maísculas) reacionárias. 

Mas ao mesmo tempo, ele pergunta qual deve ser a atitude da classe operária frente a pequena burguesia e a seus programas? (305) E responde que ao mesmo tempo que negamos seu caráter socialista, não "olvidamos" seu lado democrático.

Nas pp. 308-309 ele antecipa aquilo que será o núcleo do programa da Iskra: "lucha al lado de la democracia radical contra el absolutismo y las castas e instituiciones reaccionarias (...) la lucha contra estas instituciones es necesaria unicamente como medio para facilitar la lucha contra la burguesia, la realizacion de las reinvidicaciones democráticas de carácter general es necesaria para la clase obrera solamente como medio de desbrozar el camino que conduce a la victoria sobre el enemigo principal de los trabajadores: el capital, institución puramente democrática por su naturaleza, que en nuestro país, en Rusia, tiende de manera especial a sacrificar su democratismo, a entrar en alianza con los reacionarios para reprimir a los obreros, para frenar con mayor fuerza la aparación del movimiento obrero".

Nas páginas 314 e 315 apresenta-se o papel da "intelectualidade socialista": acabar com as ilusões, buscar apoio no desenvolvimento efetivo e não no desenvolvimento desejável da Rússia, nas relações socio-economicas efetivas e não nas prováveis, estudo concreto das contradições (todas as formas de antagonismo econômico). Em seguida, "sublinhando a necessidade, importância e grandiosidade do trabalho teórico, em maneira alguma se quer dizer que este trabalho esteja situado em primeiro plano, antes que o trabalho prático" (ele coloca PRÁCTICA em caixa alta). A tarefa dos socialistas se "reduz a serem os dirigentes ideológicos do proletariado em sua luta efetiva"... "com esta condição, o trabalho prático e o teórico se funden en un todo", que ele sintetiza usando as palavras de Liebknecth: Studieren, Propagandieren, Organisieren (p. 316).

O final do texto manifesta um desejo que caberá a guerra catalizar: "o operário russo, colocando-se a cabeça de todos os elementos democráticos, derrubará o absolutismo e conduzirá ao proletariado russo (ao lado do proletariado de todos os países) pelo caminho direto da luta política aberta (em direção) a revolução comunista vitoriosa". (p. 318)

Há um apêndice com quadros estatísticos e outro em que ele aborda uma polêmica entre Struve (a quem naquele momento ele diz não conhecer direito), Krivenko e Nik.-on. O interessante aqui é ele dizer que a "doutrina da luta de classes é o centro de gravidade de todo o sistema de concepções" de Marx. E o debate diz respeito a possibilidade (ou não) de um "caminho de desenvolvimento distinto do que há seguido e segue a Europa ocidental" (329).

Neste debate, p.333, fica claro quem Lenin inclui como parte das relações capitalistas de produção, além dos operários: milhões de kustares que trabalham para os comerciantes com o material fornecido por estes em troca de salário, peões e diaristas na agricultura, operários da construção...

Ver também apêndice III.

Contenido economico del populismo y su critica en el libro del señor Struve (reflexo del marxismo en la literatura burguesa). A propósito del libro de P. Struve, Notas críticas acerca del desarrollo econômico de Rusia, 1894. 

O texto de Lenin foi escrito no final de 1894, início de 1985 e foi publicado numa coletânea em 1895.

Neste livro, ao mesmo tempo em que se alia a Struve na crítica aos populistas, Lenin se diferencia de Struve, que já pende para o "objetivismo" que o levaria depois a virar chefe do partido liberal. 

Também neste livro Lenin diferencia claramente o velho e o novo populismo.

Na página 389, VIL faz uma defesa das reformas como forma de "acelerar o desenvolvimento do regime capitalista e portanto seu fim".

Na 412: "o marxismo vê sua tarefa principal na formulação e na explicação teórica da luta das classes sociais e dos interesses econômicos, da que somos testemunhas".

Na crítica ao Struve, página 419: "ao demonstrar a necessidade de uma série dada de fatos, o objetivista sempre corre o risco de converter-se num apologista dos mesmos". Já o materialista põe a nu as "contradições de classe e ao proceder assim, fixa sua posição. O objetivista fala de 'tendências históricas invencíveis'; o materialista fala da classe que 'administra' a ordem das coisas econômica dada, criando determinadas formas de reação de outras classes. Como vemos, o materialista é, de uma parte, mais consequente que o objetivista e aplica seu objetivismo com maior profundidade e plenitude".

E na 420 completa: "o materialismo pressupõe o partidismo, por dizê-lo assim, impondo sempre o dever de defender franca e abertamente o ponto de vista de um grupo social concreto sempre que se julgue um acontecimento".

Na p. 423 VIL questiona a idéia de que marxismo e populismo sejam a continuação do debate entre ocidentalistas e eslavófilos (vide Isaiah Berlin). Para ele, "operando com categorias como eslavismo e ocidentalismo não se pode desembrulhar de maneira alguma as questões do populismo russo". "

Na p. 423 VIL diz o seguinte: "A essencia do populismo, há que buscá-la mais fundo: não consiste na doutrina da originalidade do desenvolvimento nem no eslavismo, mas sim é expressão dos interesses e das idéias do pequeno produtor russo".

429: o conceito de formação econômico-social.

439: concorda com Zombart: "no próprio marxismo não há, do começo ao fim, nem um ápice de ética"; no aspecto teórico, o "ponto de vista ético" é subordinado ao "princípio da causalidade"; no aspecto prático, reduz a ética a luta de classes."

451: ele introduz a diferenciação entre ser ideólogo do campesinato e ser ideólogo da pequena burguesia.

455-456: defesa radical da "liberdade de comércio", contra o caráter "reacionário do protecionismo".

No capítulo IV (470) há um debate sobre a lei da população, Malthus etc.

486: aqui novamente se diz que "a base capitalista das atuais relações não deve ocultar todos estes vestígios, ainda fortes, da velha ordem das coisas da "velha nobreza", vestígios que todavia não foram suprimidos pelo capitalismo devido precisamente a seu escasso desenvolvimento".

515, novamente o debate sobre mercados "internos" e "externos", raciocínios variados que segundo Lenin se baseiam na ingênua idéia de que o capitalista "tem como finalidade o consumo pessoal e não o aumento da mais-valia" (...)

517: El el II Tomo de El Capital Marx demonstró que es perfectamente concebible la produccion sin mercados exteriores, con una creciente acumulación de riquezas y sin ninguna clase de 'terceros'..."

522: aqui ele deixa claro que entre os "marxistas legais" e os populistas, prefere os populistas na medida em que estes representam os interesses dos pequenos produtores, cuja luta por reformas o mais radicais permitiram trazer a luz o antagonismo mais importante e principal etc etc.

(revisada em 22 de maio de 2014)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Resolução sobre as eleições 2014


(será atualizada e complementada pela Dnae na reunião de 1 e 2 de fevereiro de 2014)
1.Em 2014, o "centro da tática" é reeleger Dilma.
2.Na opinião da Articulação de Esquerda, devemos reeleger Dilma em condições dela fazer um segundo mandato superior ao atual, entendendo por superior um mandato que contribua para as reformas estruturais (política, mídia democrática, tributária, urbana, agrária etc.).
3.Reeleger Dilma em condições dela fazer um segundo mandato superior ao atual exigirá uma ação do conjunto do Partido, dos aliados democrático-populares, da cúpula do governo.
4.Para que esta ação ocorra, é necessário que a maioria que dirige o PT mude de postura. Hoje esta maioria não está disposta a adotar o programa, a linha de campanha e a política de alianças coerentes com o objetivo de vencer as eleições 2014 criando as condições para um segundo mandato superior ao atual.
5.Mesmo assim, nós da Articulação de Esquerda faremos a nossa parte, da seguinte forma:
a) incidindo no debate sobre a tática, política de alianças e programa da campanha Dilma, tanto nos estados quanto em âmbito nacional, em particular no encontro nacional extraordinário de abril de 2014;
b) lutando pela indicação de candidaturas majoritárias do PT ou aliadas, comprometidas com a tática de reeleger Dilma em condições dela fazer um segundo mandato superior ao atual;
c) trabalhando para eleger candidaturas proporcionais petistas comprometidas com esta tática;
d) produzindo uma orientação visual, programática e tática para as candidaturas proporcionais de petistas que são militantes da AE e aliados.
e) incorporando em nossa ação política geral, em particular na ação de nossas pré-candidaturas e candidaturas, a coleta de assinaturas do Projeto de Lei de Iniciativa Popular por uma Lei da Mídia Democrática e a organização do Plebiscito Popular pela Constituinte exclusiva.
6.Para dar consequência ao que foi exposto anteriormente, é fundamental que a Articulação de Esquerda e aliados tenhamos candidaturas em todos os estados em que isto for possível, em especial naqueles onde temos base partidária, eleitoral e social que torna factível eleger tais candidaturas. Não apenas candidaturas proporcionais: onde houver esta possibilidade, devemos estimular o lançamento de militantes da AE e aliados para cargos de governador, vice-governador, senado e suplentes.
7.Neste sentido a direção nacional da AE deve acompanhar as discussões e estimular o lançamento de candidaturas a deputado federal e estadual de militantes da AE, especialmente nos estados de Sergipe, Piauí, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.
8.No caso do estado do Espírito Santo, a direção nacional da AE deve acompanhar, também, o debate sobre a candidatura ao Senado.
9.Naqueles estados onde a AE apoiou, faz parte de mandatos ou já se comprometeu a apoiar candidaturas proporcionais de militantes amigos da AE, a direção nacional também deve acompanhar atentamente o processo, no sentido de potencializar a influência organizada da tendência. Entendemos que este é o caso, por exemplo, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Ceará.
10.Nos estados onde hoje não temos parlamentares federais ou estaduais, nem participamos de mandatos federais/estaduais amigos, a tendência deve debater o lançamento de candidaturas a federal e/ou estadual, ou o apoio de candidaturas de amigos da AE. Entendemos ser este o caso de estados como São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte, Maranhão, Pará, Rondônia, Amapá, Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Paraíba.
11.A direção nacional deve ser informada e participar de todas as discussões eleitorais, cabendo ao companheiro Adriano Oliveira centralizar as informações a respeito e fazer a interface entre a discussão nos estados e a direção nacional.
12.As direções estaduais devem coordenar o debate sobre nossa tática eleitoral em cada estado, em consonância com a tática nacional acima exposta.
13.A participação das instâncias da AE não deve se dar apenas no momento de definição das candidaturas, mas também na campanha e no curso do mandato. É preciso dar o máximo de organicidade que for possível aos mandatos, tanto no que diz respeito a sua linha política, quanto a seu plano de trabalho e a composição de suas equipes.
14.Naqueles casos em que houver polêmica acerca da tática da AE, num determinado estado, as instâncias devem ser convocadas a decidir, observados os critérios previstos em nosso regimento interno: convocatória com tempo hábil, exposição clara e ampla das diferentes posições, voto reservado aos dirigentes da AE em dia com suas obrigações para com a tendência ou aos militantes em dia e com no mínimo 1 ano de militância na tendência.
15.O fortalecimento institucional da AE faz parte do esforço de difusão de nossas idéias e de ampliação de nossa força na disputa ideológica, social, eleitoral e partidária.

16.Recomenda-se a leitura do estatuto do Partido e da resolução do DN do PT, acerca do processo de escolha de candidaturas.

Resolução sobre funcionamento



 A direção nacional da AE, reunida nos dias 11 e 12 de dezembro, aprovou as seguintes deliberações, relativas ao funcionamento da tendência no ano de 2014.
 1.O ano de 2014 será de intensa luta política, não apenas eleitoral. Temos que fazer um esforço para que o PT e as organizações do campo democrático-popular funcionem, e não apenas para fins eleitorais. Da mesma forma, temos que fazer um enorme esforço para manter o funcionamento regular da Articulação de Esquerda. Com a especificidade que temos que manter o funcionamento da tendência, em novas condições, abertas com a renovação de nossa representação no Diretório Nacional do Partido. As orientações a seguir tem como propósito servir de parâmetros gerais para nosso funcionamento ao longo de 2014.
 2.O Segundo Congresso da AE será realizado entre os meses de agosto, setembro, outubro e novembro de 2015, sendo agosto a divulgação do documento base, setembro os congressos municipais, outubro os congressos estaduais e novembro o congresso nacional. Naturalmente, em dezembro de 2014 a Dnae pode ajustar estas datas, levando em consideração o calendário do Partido e a dinâmica da luta política no país. De toda forma, nosso objetivo é realizar um Segundo Congresso precedido por um debate profundo, com nossa base social, eleitoral e militante.
 3.Só poderão votar e ser votados no Segundo Congresso os militantes da AE que a) tenham entrado na tendência até agosto de 2014 e b) que em agosto de 2015 estejam em dia com suas contribuições para com a tendência.
 4.Ao longo do ano de 2014, as prioridades da tendência serão as seguintes:
 4.1.Contribuir para as tarefas gerais do Partido, a começar pela reeleição de Dilma;
4.2.Impulsionar o trabalho da secretaria de movimentos populares do PT, assim como as tarefas que tivermos assumido nas direções estaduais, municipais e setoriais do PT, com destaque para a presidência do PT do RS;
4.3.Prosseguir nosso trabalho na direção executiva nacional da CUT, assim como as tarefas que temos nas CUTs estaduais e demais organismos sindicais;
4.4.Prosseguir nosso trabalho na direção nacional da UNE e na direção nacional da Ubes;
4.5.Manter e ampliar nossa presença nos legislativos
4.6.Manter o funcionamento regular da tendência, com destaque para as direções estaduais nos 27 estados, as jornadas de formação, a edição mensal do Página 13, o funcionamento da nossa página eletrônica, editora e listas de discussão.
 5.O plano de trabalho da secretaria nacional de movimentos populares deve ser debatido com a direção do partido, com os setoriais envolvidos e com o conjunto da militância, levando em consideração o trabalho que foi acumulado pelas gestões anteriores. Nossa opinião sobre este plano de trabalho deve ser debatida em reunião específica, convocada pela Dnae, e alimentada por reuniões similares nos estados e também utilizando os meios eletrônicos de comunicação.
 6.Tendo em vista a importância da gestão de Ary Vanazzi a frente do PT-RS, propomos a realização de uma reunião conjunta entre a Dnae e a Deae-RS, para debater os desafios da gestão do PT-RS.0
 7.Será organizado um cadastro de todos os militantes da AE que são dirigentes nacionais, estaduais, municipais e setoriais do Partido, para convocação de reuniões regionais (Sul, Sudeste, Nordeste/s, Centro-oeste, Norte/s)dos quadros a frente destas tarefas. A proposta é que estas reuniões aconteçam durante o primeiro semestre de 2014 e sejam momentos de debate, formação política e organização da AE.
 8.Realizar, durante o primeiro semestre de 2014, nova conferência sindical nacional da AE, com texto-base e delegados/as eleitos/as em conferências estaduais. Aprovar, nesta conferência, a versão final da cartilha sobre trabalho de base sindical.
 9.Realizar, em julho de 2014, nova conferência da juventude da AE, com texto-base e delegados/as eleitos/as em conferências estaduais.
 10.Realizar, durante os meses de dezembro e janeiro, um levantamento da situação eleitoral e das candidaturas da AE, para que a direção nacional da tendência possa ter elementos para aprovar uma linha e ajudar nas campanhas. Encarregar o companheiro Adriano Oliveira desta tarefa, o que implicará viajar a vários estados e entrar em contato telefônico com outros.
 11.Visitar, durante o primeiro semestre, todos os estados e realizar reuniões com todas as direções estaduais. Naqueles estados em que a AE não tem direção estadual organizada, planejar e executar um roteiro público. Encarregar o companheiro Adriano Oliveira de planejar este roteiro e agendar cada atividade, comparecendo pessoalmente e/ou convocando dirigentes nacionais a participar.
 12.Realizar as jornadas de formação em janeiro de 2014 (Espírito Santo), julho de 2014 (local a definir) e janeiro de 2015 (local a definir). Os companheiros Lício e Rodrigo são encarregados. Ao longo do ano de 2014, preparar o material de apoio para os cursos (textos, cartilhas, vídeos etc.). Em 2015, como parte do processo de segundo congresso, retomar o debate geral sobre nosso projeto pedagógico. Foi aprovado que no caso da décima segunda jornada de formação, a direção nacional da AE buscará subsidiar a taxa de inscrição daqueles que foram delegados e delegadas ao recém encerrado congresso da Ubes.
 13.Manter a edição mensal do Página 13 e ampliar a circulação paga. Realizar uma reunião, ao longo da décima segunda jornada, para debater o projeto gráfico-editorial do jornal. Valter será responsável pela edição.
 14.Manter o funcionamento da página eletrônica. Realizar uma reunião, ao longo da décima segunda jornada, para debater o projeto gráfico-editorial da página e também para debater nossa atuação nas redes sociais. Emílio será responsável pela edição.
 15.Manter o funcionamento da lista eletrônica. Edma é a responsável pela gestão da lista nacional, da lista da dnae e ajudará na gestão das demais listas nacionais.
 17.A direção nacional da AE realizará três reuniões em 2014, uma nos dias 1 e 2 de fevereiro, em Serra (ES); outra simultânea ao congresso/encontro nacional extraordinário do PT que discutirá tática eleitoral (provavelmente em março de 2014) e uma terceira após o segundo turno (em dezembro de 2014).
 18.O secretariado realizará reuniões mensais, com a seguinte composição: membros do Diretório Nacional do PT (Bruno, Rosana, Jandyra, Adriano), dirigentes da juventude (Jonatas, Manjabosco, Ubes), dirigentes CUT ((Jandyra, Solaney), formação (Licio e Rodrigo), comissão de finanças (Emilio, Damarci, Edma, Rubens, Valter), núcleo parlamentar (Adriana, Iriny, Marcon, Ana Rita), FPA (Iole). Com 10 presentes será considerado quórum.
 19.A responsabilidade por convocar o secretariado e a dnae, responder as questões genéricas postas na lista, acionar os dirigentes para responder demandas específicas, interagir com as demais tendências, é dos que estiveram full time no DN do PT (a princípio, Bruno, Rosana e Adriano).  Para questões emergenciais, a reunião destes três será considerada com poder decisório.


Projeto de resolução sobre plano de comunicação

(versão para debate na jornada e na Dnae)

 1.A Direção Nacional da AE debaterá e aprovará, em sua reunião dias 1 e 2 de fevereiro de 2014, o plano geral de comunicação para o período 2014-2015.
 2.Os pressupostos políticos deste plano (diagnóstico sobre a situação geral da luta de ideias no Brasil; sobre o papel da indústria cultural, dos meios de comunicação e dos aparatos educacionais; sobre quais as metas e instrumentos da esquerda na luta de ideias; sobre a contribuição da AE nesta luta, em termos de formulação teórica, formação de quadros e trabalho editorial --boletim, revista, jornal, página web e redes sociais) serão desenvolvidos num texto a parte.
 3.O texto a seguir é a versão para discussão na Dnae do plano geral de comunicação para o período 2014-2015. Solicitamos que as direções estaduais e municipais da AE, assim como nossas coordenações setoriais, debatam esta versão e apresentem suas propostas até o dia 26 de janeiro.
 4.Durante a 12ª Jornada de Formação, faremos reuniões específicas para debater este plano, especialmente o projeto editorial e gráfico do Página 13, o projeto editorial e gráfico da página eletrônica, assim como nossa ação nas redes sociais.
 5.O plano geral de comunicação 2014-2015 envolve os seguintes aspectos:
5.1.boletim ORIENTAÇÃO MILITANTE
5.2.revista ESQUERDA PETISTA
5.3.Página 13
5.4.editora de livros e folhetos
5.5.página eletrônica
5.6.redes sociais
5.7.listas da AE
5.8.direção política do trabalho de comunicação
5.9.funcionamento do setor de comunicação (organograma, fluxograma, divulgação)
5.10.orçamento global e financiamento do trabalho de comunicação
5.11.política de assinaturas
5.12.encomenda antecipada de livros e demais materiais
A SEGUIR DESENVOLVEMOS ALGUNS DESTES ASPECTOS:
 6.Boletim ORIENTAÇÃO MILITANTE
6.1.Boletim eletrônico semanal, denominado ORIENTAÇÃO MILITANTE, formato ofício, 2 ou 4 páginas
6.2.Público: militantes da AE
6.3.Conteúdo: resoluções da Dnae, direções estaduais, coordenações setoriais, informes internos etc.
6.4.Circulação: através da lista eletrônica, cabendo às instâncias de base, setoriais e estaduais providenciar e distribuir cópias impressas
 7.Revista ESQUERDA PETISTA
7.1.Revista eletrônica bimestral, denominada ESQUERDA PETISTA, formato ofício, 32 a 48 páginas
7.2.Público: intelectualidade de esquerda em geral, especialmente a vinculada ao PT
7.3.Conteúdo: análises de maior fôlego sobre temas teóricos, ideológicos, programáticos e estratégicos; análise  e crítica do conteúdo da mídia (TV, rádio, internet, revistas teóricas e políticas, livros); resenhas de livros etc.
7.4.Circulação: através da lista eletrônica da AE e outros meios digitais;
 8.Página 13
8.1.Jornal tabloide mensal, com 20 a 24 páginas, visando chegar a quinzenal e depois semanal (neste caso com 12 páginas);
8.2.Público: militância petista, militância cutista, juventude simpatizante do PT, militância sem-terra simpatizante do PT, militância de movimentos sociais em geral, intelectualidade apoiadora;
8.3.Conteúdo: nossas posições sobre os temas da conjuntura internacional e nacional, sobre a atuação do PT e demais partidos de esquerda, sobre os movimentos sociais em geral, notícias de interesse geral da luta interna do PT e da atuação da AE. Textos sempre escritos para serem lidos por pessoas simpáticas ao Partido, mas não necessariamente militantes ou filiadas;
8.4.Circulação: entre assinantes e distribuído em atividades partidárias e de movimentos sociais, visando chegar à tiragem de 20 mil exemplares por edição semanal, até o final de 2015;
8.4.1. Procurar imprimir o jornal localmente nas capitais e cidades que reúnam condições técnicas e políticas para isso (por exemplo, aquelas onde seja possível fazer circular pelo menos 1.000 exemplares por edição), de modo a facilitar a logística de distribuição e reduzir os custos de transporte do jornal impresso. Onde for possível, fazer cadernos regionais/municipais.
8.5.Alterações editoriais decorrentes: pauta e textos que sejam compreensíveis e sirvam para orientar o petismo em geral;
8.6.Alterações no projeto gráfico derivadas desta orientação;
8.7.Alterações no funcionamento da redação, papel dos colaboradores, seções fixas etc.
 9.Editora Página 13
9.1.Selo editorial que publicará, além de livros avulsos, títulos vinculados a três coleções: “Didáticos”, “Debates”, “Resoluções”.
9.2.A coleção “Didáticos” tem como objetivo apresentar, para os militantes, nossa posição sobre um determinado tema. A coleção “Debates” tem como objetivo apresentar as diversas posições existentes, ou na tendência ou no Partido ou na esquerda em geral, acerca de um determinado tema.
9.3. A coleção “Didáticos” terá as seguintes características:  formato 11x14, 80 páginas, tiragem média de 500 exemplares;
9.4.Temas que podem ser abordados nos títulos previstos para lançamento entre 2014 e 2015 (Coleção Didáticos):
-capitalismo & imperialismo no século XXI;
-a luta socialista no século XXI;
-classes, luta de classes e desenvolvimento capitalista no Brasil;
-estratégia & táticas da luta pelo socialismo no Brasil;
-reforma e revolução, governo e poder;
-a integração regional e a estratégia socialista;
-partido, eleições, reforma e revolução;
-socialismo e luta cultural
-socialismo e juventude
-socialismo e mulheres
-como se organiza o Capital na Saúde
-como se organiza o Capital na Educação
-forças armadas e polícias
-como se organiza o Capital na Comunicação
-o Parlamento visto por dentro
-o Estado visto por dentro
9.5.A coleção “Debates” terá as seguintes características: formato 14x21, 160 páginas, tiragem média de 500 exemplares;
9.6.Temas que podem ser abordados nos títulos previstos para lançamento entre 2014 e 2015 (coleção Debates):
-o balanço dos governos Lula e Dilma, do ponto de vista da esquerda petista
- a crise internacional, os diferentes projetos de integração e as diferentes propostas para a “nova ordem” internacional
- as diferentes estratégias da esquerda brasileira e latino-americana e a luta pelo socialismo
- luta de classes, gênero, raça e orientação sexual
-desenvolvimento e meio-ambiente
-mídia, hegemonia e luta de classes
9.7.Seleção de textos e autores: será feita pelo conselho editorial (comissão designada pela Dnae). O conselho editorial poderá encarregar pessoas pela redação e/ou analisar propostas.
9.8.O trabalho de pré-impressão será feto com as receitas gerais da tendência. A impressão será feita a depender das compras antecipadas ou de parcerias com entidades (sindicatos etc).
10.A coleção “Resoluções” divulgará periodicamente coletâneas ou folhetos específicos com resoluções da tendência (congressos, direções, coordenações etc.).
11.A editora também é responsável pela publicação anual da Agenda, pela publicação da HQ e pela publicação das “Cartilhas de trabalho de base”. (movimento estudantil; trabalho sindical; juventude).
 10.página eletrônica
10.1.Natureza da página: portal dos conteúdos citados anteriormente, adaptando-os ao meio, assim como espaço para divulgação imediata dos temas da hora;
 11.redes sociais
11.1.Vídeos semanais de análise

12.listas da AE
 13.direção política do trabalho de comunicação: responsabilidade da Dnae, através de uma comissão de comunicação composta pelo editor do Página 13, pelo editor da página eletrônica, pela responsável por assinaturas e vendas etc.
 14.funcionamento do setor de comunicação (organograma, fluxograma, divulgação)
 15.orçamento global e financiamento do trabalho de comunicação
 16.política de assinaturas do jornal Página 13 (e demais publicações)

 17.encomenda antecipada de livros e demais materiais

domingo, 19 de janeiro de 2014

Genial, simplesmente

Lênin morreu no dia 21 de janeiro de 1924.

90 anos depois, é simplesmente genial ler o seguinte:

*numa assembléia, Struve declara que "todos os atuais adversários do partido Kadete não tardarão em se converter eles mesmos em kadetes (...) Os únicos que se mantém incorrigíveis parecem ser os bolcheviques, razão pela qual estão destinados a... ir parar num museu de história".

*a este discurso, Lênin responde o seguinte: "agradecemos o elogio. Sim, passaremos ao museu da história que ostentará o nome de 'história da revolução russa'. Nossas palavras de ordem serão indissoluvelmente e para sempre unidas a história da revolução russa de outubro".

Detalhe: o discurso de Struve é de 27 de dezembro de 1906.

A resposta de Lenin foi escrita em 7 de janeiro de 1907, nas páginas do jornal Proletari.

A "revolução de outubro" a qual Lênin se refere é a de outubro de 1905, que hoje sabemos serviu de "ensaio geral" da revolução de outubro de 1917.

No mesmo texto de janeiro de 1907, Lênin escreveu ainda o seguinte: "No pior dos casos, este lugar que ocuparemos no museu histórico nos servirá, no transcurso de muitos anos ou décadas de reação, para educar o proletariado no espírito do ódio contra a burguesia traidora, no espírito do desprezo contra a intelectualidade charlatã e contra a moderação medular pequeno-burguesa. Este lugar no museu histórico servirá para que prediquemos aos operários, ainda que sob as piores condições políticas, para ensiná-los a prepararem-se para a nova revolução, uma revolução que, sendo independente da mediocridade e da covardia burguesas, estará mais próxima da revolução socialista do proletariado".

O texto de Lenin conclui assim: "Se a revolução, ao contrário do que esperamos, não chegar a triunfar, Struve será durante um largo período um herói da contrarrevolução e nós passaremos a ocupar un "lugar no museu", porém um lugar de honra: o lugar que corresponde a luta de outubro do povo. Porém, se a revolução voltar a ficar de pé, a luta de massas voltará a travar-se com base nas palavras de ordem bolcheviques. Sob hegemonia Kadete, a revolução só pode ser derrotada. Se a revolução há de triunfar, terá que ser sob a hegemonia da socialdemocracia bolchevique".

Pois é.

Por estas e outras, entre os 90 anos da morte de Lênin e os 100 anos da revolução russa de outubro de 1917, vale a pena ler (ou reler) as Obras Completas do velho.







quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Projeto de resolução sobre as eleições 2014

(terceira versão)

1.Em 2014, o "centro da tática" é reeleger a presidenta Dilma Rousseff.
2.Na opinião da Articulação de Esquerda, devemos reeleger Dilma em condições dela fazer um segundo mandato superior ao atual, entendendo por superior um mandato que contribua para as reformas estruturais (política, mídia democrática, tributária, urbana, agrária etc.).
3.Reeleger Dilma em condições dela fazer um segundo mandato superior ao atual exigirá uma ação do conjunto do Partido, dos aliados democrático-populares, da cúpula do governo.
4.Para que esta ação ocorra, é necessário que a maioria que dirige o PT mude de postura. Hoje esta maioria não está disposta a adotar o programa, a linha de campanha e a política de alianças coerentes com o objetivo de vencer as eleições 2014 criando as condições para um segundo mandato superior ao atual.
5.Mesmo assim, nós da Articulação de Esquerda faremos a nossa parte, da seguinte forma:
a) incidindo no debate sobre a tática, política de alianças e programa da campanha Dilma, tanto nos estados quanto em âmbito nacional, em particular no encontro nacional extraordinário de abril de 2014;
b) lutando pela indicação de candidaturas majoritárias do PT ou aliadas, comprometidas com a tática de reeleger Dilma em condições dela fazer um segundo mandato superior ao atual;
c) trabalhando para eleger candidaturas proporcionais petistas comprometidas com esta tática;
d) produzindo uma orientação visual, programática e tática para as candidaturas proporcionais de petistas que são militantes da AE e aliados.
e) incorporando em nossa ação política geral, assim como em nossas campanhas, a coleta de assinaturas do Projeto de Lei de Iniciativa Popular por uma Lei da Mídia Democrática e a organização do Plebiscito Popular pela Constituinte exclusiva.
6.Para dar consequência ao que foi exposto anteriormente, é fundamental que a Articulação de Esquerda e aliados tenhamos candidaturas em todos os estados em que isto for possível, em especial naqueles onde temos base partidária, eleitoral e social que torna factível eleger tais candidaturas. Não apenas candidaturas proporcionais: onde houver esta possibilidade, devemos estimular o lançamento de militantes da AE e aliados para cargos de governador, vice-governador, senado e suplentes.
7.Neste sentido a direção nacional da AE deve acompanhar as discussões e estimular o lançamento de candidaturas a deputado federal e estadual de militantes da AE, especialmente nos estados de Sergipe, Piauí, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.
8.No caso do estado do Espírito Santo, a direção nacional da AE deve acompanhar, também, o debate sobre a candidatura ao Senado.
9.Naqueles estados onde a AE apoiou, faz parte de mandatos ou já se comprometeu a apoiar candidaturas proporcionais de militantes amigos da AE, a direção nacional também deve acompanhar atentamente o processo, no sentido de potencializar a influência organizada da tendência. Entendemos que este é o caso, por exemplo, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Ceará.
10.Nos estados onde hoje não temos parlamentares federais ou estaduais, nem participamos de mandatos federais/estaduais amigos, a tendência deve debater o lançamento de candidaturas a federal e/ou estadual, ou o apoio de candidaturas de amigos da AE. Entendemos ser este o caso de estados como São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte, Maranhão, Pará, Rondônia, Amapá, Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Paraíba.
11.A direção nacional deve ser informada e participar de todas as discussões eleitorais, cabendo ao companheiro Adriano Oliveira centralizar as informações a respeito e fazer a interface entre a discussão nos estados e a direção nacional.
12.As direções estaduais devem coordenar o debate sobre nossa tática eleitoral em cada estado, em consonância com a tática nacional acima exposta.
13.A participação das instâncias da AE não deve se dar apenas no momento de definição das candidaturas, mas também na campanha e no curso do mandato. É preciso dar o máximo de organicidade que for possível aos mandatos, tanto no que diz respeito a sua linha política, quanto a seu plano de trabalho e a composição de suas equipes.
14.Naqueles casos em que houver polêmica acerca da tática da AE, num determinado estado, as instâncias devem ser convocadas a decidir, observados os critérios previstos em nosso regimento interno: convocatória com tempo hábil, exposição clara e ampla das diferentes posições, voto reservado aos dirigentes da AE em dia com suas obrigações para com a tendência ou aos militantes em dia e com no mínimo 1 ano de militância na tendência.
15.O fortalecimento institucional da AE faz parte do esforço de difusão de nossas idéias e de ampliação de nossa força na disputa ideológica, social, eleitoral e partidária.

16.Recomenda-se a leitura do estatuto do Partido e da resolução do DN do PT, acerca do processo de escolha de candidaturas.