A maioria desses problemas são combatidos por nós, todo santo dia. Outra parte será descrita no livro que vou escrever depois que morrer.
Que nenhum Partido é eterno, também sabemos, embora haja alguns que completaram 100 anos e seguem por aí com muita força, como o PC da China. Mas há, também, os que completaram 100 anos com bem menos relevância, digamos assim.
Esse fato - tudo que nasce, pode morrer - contribui para a torcida dos que pretendem superar o PT, supostamente pela esquerda. Como esta torcida é simultânea à operação de parte da direita, no sentido de destruir o Partido, às vezes acontecem alianças e afinidades surpreendentes entre gente supostamente de esquerda e gente abertamente de direita extrema.
Um exemplo dessas afinidades está no texto em que Milton Temer, ex-PCB, ex-PSB, ex-PT e atual PSOL, escreveu em sua conta nas redes antisociais, a pretexto de analisar a Convenção do Partido realizada no último dia 2 de agosto.
Milton é do PSOL, partido que apoia Lula presidente. Mas seu texto vai noutra linha. O fio condutor do texto de Temer é desancar Lula, no plano político e pessoal, usando um tom que deve fazer sucesso no público da extrema-direita. Quem tem dúvida a respeito, recomendo ler a íntegra do texto, que reproduzo ao final em letras bem pequenas.
A crítica de Milton Temer ao Lula inclui seus tempos de sindicalista no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, o que não deixa de ser curioso, levando em conta qual era a política do PCB na época e, também, levando em conta que depois disso Temer passou vários anos no PT, liderado pelo mesmo Lula que ele agora desanca sem dó nem piedade.
Mas o que me chamou atenção no texto de Temer não é nada disso, mas sim uma palavrinha, que está escondida nas frases a seguir: "BIZARRO, então, ver um Lula indignado contra as injustiças do regime, que estruturalmente ele não moveu uma pulga para alterar, nos seus três mandatos já cumpridos. E faz o discurso, diante de uma turba absolutamente neutralizada, como se estivesse se apresentando pela primeira vez à disputa presidencial".
Turba.
É com essa palavra que Temer classifica os milhares de petistas que estavam na Convenção do PT.
Turba!
Por essas e por outras que não tenho a menor disposição de ter condescendência com esta suposta ultraesquerda.
Não se trata apenas de uma política errada, nem tampouco de uma avaliação histórica equivocada.
Trata-se de uma disposição psicológica que só poderia ser satisfeita numa hipótese: caso a extrema-direita conseguisse atingir seus objetivos.
Neste caso, aí sim, teríamos uma turba fascista, que provavelmente não pouparia nem mesmo os Temer da vida. Mas, mesmo nesse caso, não tenho dúvida em quem ele colocaria a culpa...
A CONVENÇÃO NACIONAL do PT, para os que vivem a política deste País desde o golpe de 64, só nos faz confirmar: Lula continua o mesmo. Grilo falante na louvação do próprio umbigo, com desfaçatez para ajustar os fatos à sua interpretação. E usando a veemência na retórica para operar como ser superior à platéia que fanatiza com extrema competência.
E USANDO também alguns grilos auxiliares, como Edinho e Haddad, dois nomes que se acotovelam na ocupação do posto de herdeiro, para apresentá-lo como "o maior líder político da nossa História", sem tremer um músculo da face. Jogando para escanteio exemplos anteriores, como os de Brizola da Campanha da Legalidade de 61; de Jango, com as Reformas de Base promulgadas em praça pública.; de Getulio, capaz do sacrifício da própria vida para impedir o golpe que viria a ser protelado por 10 anos. De Gatulio, aliás, foi Lula quem lembrou. Não poderia esquecer depois de tudo o que dele disse nos seus tempos de paparicação com a intelectualidade reacionária da Usp. Lula não chega perto de nenhum deles.
E VALE LEMBRAR, para confirmar isso, a campanha de 2022, quando eram três os eixos de promessas - "Revogaço" das contra-reformas trabalhistas e da Previdência: "Ajuste social" no lugar de "ajuste fiscal" e Reestatização da criminosa privatização da Eletrobras.
POIS BEM...o que se concretizou durante este seu terceiro mandato? Nada. Nem referência retórica em discurso para as bases. Pelo contrário, o que veio foi arcabouço fiscal, forma travestida para a manutenção do teto de gastos. O que veio não foi reestatização da Eletrobrasm, mas sim veto ao projeto aprovado no próprio covil parlamentar realocando os trabalhadores da Eletrobras. E quanto ao Revogaço, para revisar o que teve motor de arranque no seu primeiro mandato, com em cima dos Servidores. se tivesse vindo, não estaríamos agora discutindo o fim do 6x 1.
BIZARRO, então, ver um Lula indignado contra as injustiças do regime, que estrutralmente ele não moveu uma pulga para alterar, nos seus três mandatos já cumpridos. E faz o discurso, diante de uma turba absolutamente neutralizada, como se estivesse se apresentando pela primeira vez à disputa presidencial.
FOI OPORTUNO que se vinculasse o evento à grande assembléia no estádio da Vila Euclides, porque já ali, e documentário do saudoso e genial Leon Hirshman - o "ABC da Greve" - já assinala. Lula barra o ímpeto da massa trabalhadora, pronta para continuar em greve, porque já havia, antecipadamente, se acertado com o patronado das montadoras. Já havia feito o acordo que pretendia ratificar naquela assembléia. E deu em nó em pingo d´água, utilizando o então radical Alemão, para arrefecer o entusiasmo e disposição de luta dos trabalhadores, de molde a que aceitassem a volta às oficinas..
NESTA CONVENÇÃO, Lula se esmera de novo, para tentar passar como Estadista. Fica claro, porém, que não ultrapassa os limites bem comportados na ordem estabelecidas de um sindicalista.
DEFINIA, ali, sua marca ideológica. Sua visão da política não superava os limites da ação sindical, onde a liderança se afirma na possibilidade de conseguir o máximo de conquistas capazes de serem entubadas pelo patronato.
PATÉTICO, "mas é o que temos" graças a partes moderadas, majoritárias, das direções partidárias que preferem navegar nas áreas de conforto a realmente representar o program de lutas de seus próprios partidos.
PS - link para o vídeo da Convenção nos comentários
PS 1- O VOTO em Lula não exclui a necessidade de jogar claro quanto à avaliação do lulopragmatismo. É o que marca a diferença de uma Esquerda combativa daqueles que se acomodam no conforto da "governabilidade possível"
PS 2- A Convenção foi política, Nada a comparar com o espetáculo despolitizado da convenção na Bahia
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