Quaquá atacou pública e privadamente a candidatura de Benedita da Silva ao Senado.
Mas, recentemente, foi enquadrado.
Não propriamente pelo PT e sim por Eduardo Paes.
Foi enquadrado, mas saiu no lucro: virou coordenador da campanha de Lula no estado do Rio de Janeiro e ainda conseguiu oficializar Pedro Paulo como dobrada.
Questionado por uma nota da tendência petista Articulação de Esquerda, respondeu por escrito que "vou pedir comissão de ética para esses vagabundos".
Em seguida, escalou dizendo que "passada a eleição vou cobrar na justiça os crimes cometidos por essa quadrilha!"
E concluiu dizendo que a AE é "um bando", que "já deviam ter sido expulsos do PT", "gente criminosa e antes de tudo irrelevante".
Ao menos conosco da AE, este método - ameaças, truculência, ofensas - simplesmente não funciona.
Aliás, como escreveu uma companheira, essa promessa de pedir uma comissão de ética contra nós tem - como quase tudo, menos alguns discos - um lado bom: talvez ajude a instalar as - acho que cinco - comissões de ética solicitadas contra o próprio Quaquá.
O que não é nada bom é que, como em outras vezes - todas documentadas - em que Quaquá tentou transformar um grupo de zap da direção nacional do PT em privada, a esmagadora maioria dos participantes do referido grupo escolheu o silêncio.
Num grupo de zap onde aniversários geram um dilúvio de "joinhas" e congratulações, este silêncio é por demais barulhento.
Em 2024, numa situação similar, o já então secretário-geral nacional do PT, o companheiro Henrique Fontana, tentou justificar esta postura apaziguadora.
Segundo Fontana disse à época, Quaquá viraria prefeito de Maricá e em seguida iria submergir, ou seja, se afastar do debate nacional.
Na época, dissemos a Fontana que isso não aconteceria, muito antes pelo contrário.
E o que aconteceu? Exatamente o oposto do que imaginava Fontana.
Mesmo assim, demonstrando que a falta de vistas largas às vezes é acompanhada de princípios fortes, o secretário-geral seguiu com a mesma postura de antes, ou seja, prevaricar.
Explico: cabe ao secretário-geral submeter, à executiva nacional do PT, os pedidos de comissão de ética. A CEN pode aceitar ou não. Ao engavetar os pedidos, Fontana prevaricou. Por anos seguidos.
Contrastando com tal hipoatividade, Quaquá foi hiperativo no PED 2025 e no Congresso da Juventude do PT e, em 2026, há notícias de que ele estaria apoiando candidaturas em todo o Brasil, sem falar de seu já citado protagonismo no Rio de Janeiro.
E sem esquecer, é claro, de suas atividades, digamos, "empresariais".
Mantido esse ritmo, há grandes chances dele disputar com mais força ainda o PED 2029.
Para quem acha isto ótimo, nada que dizer.
Mas para os que consideram que isto seria um desastre, a pergunta é: por qual motivo o já citado secretário-geral nacional do PT escolheu prevaricar, bloqueando todos os pedidos de comissão de ética contra Quaquá, um dos quais datado de 2021?
Por quais motivos, depois de ter prometido que tomaria uma atitude, o presidente nacional do PT preferiu montar uma comissão para avaliar o que fazer?
Por quais motivos a referida comissão - onde há pessoas de várias tendências, mas nenhuma da AE - nunca se reuniu?
Por quais motivos tanta gente prefere reclamar no corredor, mas silencia nas instâncias?
Há várias respostas possíveis, algumas que parecem de bom senso, outras que são impublicáveis.
Entre as respostas que parecem de bom senso, destaca-se o fato de que - no fundo, mas não tão no fundo assim - a política que Quaquá defende coincide com aquela defendida por amplos setores do Partido e, também, aceita como inevitável por outros que resmungam contra, até soltam notas tentando demarcar, mas na prática coonestam.
Parte da fúria de Quaquá contra a AE é, nesse sentido, uma confirmação de que, no nosso caso, divergimos de fio a pavio contra sua política de alianças, que se estende até os Brazão, Waguinhos, Pazuellos e Pedro Paulos.
Mas sejam quais forem os motivos de quem passa o pano para Quaquá, esta atitude é - para citar ditado famoso - "pior do que um crime, é um erro".
Uma das consequências práticas deste erro é transformar boa parte da atual direção nacional do PT em "cúmplice" - por omissão - da campanha "Quaquá presidente nacional do PT".
Não duvido que boa parte dos omissos torça para que as instituições funcionem e resolvam o problema de fora para dentro. Afinal, eles sabem que o excesso de velas põe fogo na igreja. E que os métodos de Quaquá são deletérios, até mesmo para quem defende andar de braços dados com um setor da classe dominante.
Um caso de "pudonor", digamos assim. Afinal, coronelismo, familismo, sinais exteriores de sucesso empresarial, alianças com a extrema-direita, declarações contra os direitos humanos e quetais formam um coquetel indigesto demais. O que explica a torcida (reservada e discreta, claro) de alguns pela ação das instituições.
Claro que torcer para que o destino nos ajude é um direito humano. Mas cumprir o dever é função inerente a quem se candidata e é eleito para ser dirigente do Partido. Quem abre mão deste dever, pelo motivo que for, se torna eternamente responsável pelo que poderá resultar de sua prevaricação, omissão e subserviência.
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