sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Resposta ao Lucas Fadul

Entrevista dada ao Lucas Fadul, do site do PT.

Como você avalia que os EUA devem intervir nas eleições de outubro? Somente por meio das big techs ou podem tentar algo mais? 

Os EUA não “devem intervir”. Os EUA já estão intervindo. Primeiro, com ameaças diárias. Segundo, com medidas judiciais. Terceiro, com tarifaço. Quarto, com ameaça de intervenção militar. Quinto com apoio político à extrema direita. Sexto, com apoio material de diversos tipos. Sétimo, com as redes antissociais e outras interferências cibernéticas. E devemos estar prontos para ver eles “pedirem as atas” de nossa eleição, não reconhecerem o resultado e se comportarem como se a Venezuela fosse aqui. 

Não é melhor para o Brasil e para a esquerda latino-americana que o Trump escancare mesmo o imperialismo dos EUA ao invés dele permanecer velado? 

O melhor para o povo é que os EUA respeitassem a nossa soberania. E, também, que os EUA deixassem de ser a superpotência imperialista e nuclear que são hoje. É bizarro que seja necessário um pedófilo na presidência para algumas pessoas percebam que desde o século 19 até hoje nosso vizinho do Norte é, na verdade, um estado terrorista e nada democrático. 

O que essa deturpação da Doutrina Monroe pela administração Trump sinaliza para o futuro dos EUA? 

Não acho que a Donroe seja uma “deturpação” da Monroe, acho que é um desdobramento. Os EUA temem perder o controle da Eurásia, não importa para quem: pode ser para a China, para a Rússia ou até para os próprios europeus. Assim, controlar o nosso continente é para os EUA especie de seguro de vida. Como eles são uma potência perigosa, mas declinante, farão de tudo para nos manter acorrentados. Se não quisermos ir ao fundo junto com este Titanic, vamos ter que manter distância. 

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