segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Editorial do programa Janela Internacional de 28 de janeiro de 2026

(texto sem revisão)

Olá

Iniciamos agora mais uma edição de Janela Internacional.

Janela Internacional é um programa da TV Fundação Perseu Abramo, dedicado às questões mundiais, à política externa do governo Lula e à política de relações internacionais do PT.

Esta edição irá ao ar na quarta feira, dia 28 de janeiro.

Mas está sendo gravada na segunda-feira, dia 26 de janeiro.

Pois bem: na terça feira dia 27 os Estados Unidos devem sair do Acordo de Paris sobre o clima. Esta saída faz parte de uma operação mais ampla. Trump já havia anunciado sua intenção de sair de mais de 60 organismos internacionais que, segundo ele, “já não servem aos intereses estadunidenses”. Isso inclui sair da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, de 1992. Salvo engano, os EUA foram o primeiro país a ratificar e, agora, o primeiro a anunicar sua intenção de sair.

Dito de outra forma: todo o sistema internacional montado após a Segunda Guerra, sob o protagonismo e hegemonia dos Estados Unidos, agora está sob ataque e pressão dos Estados Unidos.

Isso acontece por um motivo muito simples: dentro das regras do jogo, os Estados Unidos estão perdendo.

Declinando.

Decaindo.

E para fazer a “América grande novamente”, os Estados Unidos precisam virar a mesa, jogar o tabuleiro no chão, mudar as regras.

E fazem isso ao estilo crime organizado em filme de Batman.

Trump não esconde suas motivações, não mede suas palavras, não disfarça seus gestos.

É diferente, por exemplo, de Obama, que parecia sempre um cara simpático e iluminista, mesmo tendo sido um grande assassino em série.

Para explicar: em 2016, o próprio governo Obama assumiu a responsabilidade pelo assassinato, ao longo de oito anos, de um número entre 64 e 116 civis. Já o Bureau of Investigative Journalism afirma que foram assassinados entre 492 e 1.077 civis. Infelizmente, seja qual for o número - 64 a 1077 – é uma gota num oceano de sangue.

Para lembrar: apenas na chamada “Guerra ao Terror” os EUA causaram mais de 4,5 milhões de mortes, segundo estudo da BrownUniversity.

Portanto, o que faz Trump não é propriamente uma novidade. A novidade é porquê faz e como informa o que faz.

Porque faz? Declínio.

Como informa? De maneira descarada. 

Por exemplo, na Venezuela o que está em questão segundo Trump é petróleo, não direitos humanos nem democracia.

Pelo menos nos poupam da hipocrisia.

Até porque está difícil manter as aparências, quanto todo dia a ICE – a milícia fascista oficial do governo Trump – ataca pessoas nas cidades americanas, já tendo inclusive assassinado a sangue frio dois estadunidenses ao que tudo indica 100% WASP.

Ninguém se iluda: o descaramento, a violência explícita, não decorre apenas da personalidade do Trump. Sim, ele é um sociopata, um pedófilo e tudo de ruim. Mas por isso mesmo ele é o cara certo no lugar certo e na hora certa. Pois o objetivo é amedrontar.

Foi este um dos instrumentos mais eficazes nas recentes eleições na Argentina, no Chile e em Honduras. O medo. 

Assim, cá estamos nós outra vez, tendo que por a esperança para vencer o medo.

A vantagem é que temos ao nosso lado não apenas as coisas boas e belas do mundo, temos ao nosso lado não apenas a verdade, mas temos também um fato bem simples: os EUA estão declinando.

Isso não torna menos doloridos seus golpes, suas balas e suas bombas. Nem deve nos levar a subestimar os riscos que corremos. Afinal, está na cara que eles empurram o mundo para um estado de guerra permanente. E onde é este o clima, a qualquer momento pode ser a hora da gota dágua.

Mas o que precisamos saber e lembrar é que eles fazem tudo isso não apenas porque acham que podem, não apenas porque são poderosos, mas porque estão vendo seu tempo se acabar.

Tic tac.

Resta saber se nós faremos a coisa certa.

Pois cá entre nós, nos tempos que vivemos, não basta cantar “ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil”.

Nos tempos em que vivemos, é preciso lembrar daquele ditado muito antigo: queres paz, prepara-te para a guerra.

Fiquem agora com Fábio Al Khouri e o noticiário da semana.

(texto sem revisão)







Nenhum comentário:

Postar um comentário