segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Janones, as eleições e certas coisas que não mudam

Nos últimos anos, muita coisa mudou.

Por exemplo: no passado recente, a direita dizia ser de centro.

Hoje, temos uma direita que tem orgulho de ser extrema.

E, ao mesmo tempo, temos uma esquerda que prefere ser vista como "centro" ou "progre".

Mas nem tudo mudou.

Por exemplo: intelectuais que dizem odiar intelectuais.

É o caso do André Janones, como pode ser visto no vídeo abaixo.


Parte do que Janones diz nesse vídeo está correto.

Por exemplo: estamos numa guerra, temos que atacar, recusar o negacionismo, criticar a arrogância do já ganhou e também o derrotismo. 

Janones também estava certo quando previu que, com a campanha que vinha sendo feita - dirigida, é bom lembrar, por uma coordenação escolhida a dedo por Lula - seríamos ultrapassados pelo cavernícola.

Cá entre nós, para chegar a essa conclusão não precisa ser expert em decifrar os "sinais das redes sociais". 

Bastava ler as pesquisas, sentir o mal humor de certas ruas, saber fazer análise política e conhecer um pouca da história recente do Brasil.

Isto posto, Janones erra muito pelo menos duas vezes no tal vídeo cujo link colocamos acima.

O primeiro erro é quando ele orienta a militância assim: "aja como um robô, não pensa, não argumenta, só obedece".

Acontece que uma das muitas diferenças entre os "soldados" do inimigo e os nossos, é que os nossos têm consciência, sabem pensar, argumentam.

Papo reto: esta orientação dada por Janones poderia ter saído da boca de um fascista.

O segundo erro é quando ele diz que "não tem que ir para a rua", pois em 2026 "rua não resolve mais nada".

Janones tenta "provar" essa "tese" comparando candidatos, escândalos e comícios. E deduz daí que só tem um lugar onde estaríamos perdendo: as redes sociais.

Na verdade, antes mesmo da campanha começar, o sentimento popular não era favorável a nós. 

Janones, assim como muita gente do governo e da esquerda, parece achar que esse sentimento negativo se deve essencialmente à má comunicação, à manipulação e à desinformação. 

Óbvio que  tudo isso é um problema. 

Mas nossas dificuldades atuais têm causas reais, mais básicas e mais profundas, entre as quais a perda de conexão entre parte de nós e parte importante da classe trabalhadora; e o desempenho do governo, que muita gente nossa superestimou, esquecendo que 4 anos (2023-2026) de governo sob domínio do Calabouço Fiscal e dos Juros Altos não teriam como superar os efeitos de quase 7 anos de catástrofe Temerista-Cavernícola (2016-2022). 

Achar que é possível superar esses fatos através das redes sociais, é esquecer algo que Janones mesmo diz, a saber: "eles controlam as redes". 

Eles não controlam as redes momentaneamente, eles controlam estruturalmente. 

Ou alguém acha que os algoritmos são neutros? Que o alcance é igual para todos? Que a grana e os robôs não influem em nada? 

Isto posto, ganhar as eleições exige atuar em todas as frentes. Inclusive nas redes. Mas também nas ruas. E como "eles controlam as redes", nas ruas podemos tirar a vantagem.

Se toda a Nação Petista, o campo democrático-popular e o tal centro progressista entrar em modo 247, 7x0, daqui até o final do segundo turno, venceremos.

Embora de jeito indireto e histriônico, Janones reconhece isso, quando diz que "ninguém pode descer do palanque". Traduzindo ao nosso jeito: ninguém pode sair das ruas. Não apenas até o dia 4 de outubro, como diz Janones, mas até o dia 25 de outubro.

Infelizmente, a coordenação da campanha não se preparou para isso, como se pode ver pela ausência de material. 

Ausência de material que não se deve a falta de dinheiro, mas sim à alocação errada do orçamento disponível. 

Deve ter contribuído para esta alocação errada a crença - janonica? - de que a rua não seria importante. 

Crença que não foi do PT genericamente falando, mas sim daqueles que foram escolhidos para coordenar a campanha.

Um último comentário: não será seguindo as orientações de Janones, nem de ninguém, que vamos conseguir, nas eleições de 2026, exterminar "de uma vez por todas a extrema direita e o bolsonarismo". 

A crença de que isso teria ocorrido em 2022 contribuiu, e muito, para os problemas que estamos vivendo hoje. 

Venceremos em 2026, mas a batalha contra a extrema-direita vai prosseguir por muito tempo. 

A batalha deve, inclusive, se tornar mais dura, por razões que têm relação com a crise do capitalismo no mundo e com as respostas que a classe dominante brasileira dá para esta crise.

Como já foi dito, tem coisas que não mudaram. Uma delas é a tendência do capitalismo em crise responder com fascismo.


2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. https://x.com/AnaliseGeopol/status/2099651630568178085

    Video que circula nas redes do nazismo.

    A essa altura não sei se adianta a rainha da Inglaterra trocar os generais. Mas como pode ser que a guerra tenha longa duração, vale a pena sim. Sai quem pra entrar quem? Na Copa a torcida pediu Endrick e Neymar e perdemos, não?

    Quanto ao bom aliado Janones Kfouri, sua análise lembra aqueles que pediam pra esquerda fazer propaganda melhor que o Goebbels e a Leni Riefensthal, o que não é impossível, víde o Darkhorse que não vimos ainda. A esquerda tem bons propagandistas e o comando da campanha precisar articular melhor. Sem panelinha.

    Minha esperança ainda está nas antigas organizações do povo como a CUT, MST, CPT e UNE e seus militantes. Acordem.

    Toquem o sino, o alarme, juntem-se.

    Os nazistas chegaram e vamos enfrentar os invasores nas praias, nas montanhas, nos campos, cidades, nas sombras. Sangue suor e lágrimas. Até o amanhecer.

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